Troublemaker

45 Apenas Nós


Notas iniciais
Oláaaaaa ♥ Lá vem eu aparecer depois de séculos! Como vocês estão? :D Anyway, depois de um booooom tempo venho com a minha cara de pau e esse capítulo (enorme) e cheio de carinho, e provavelmente vocês não devem lembrar muito bem do capítulo passado, então antes de tudo vai ter um resumo dele ;D De qualquer forma, estou feliz porque eu respondi todos os comentários ♥ Espero que vocês gostem desse capítulo, e até as notas finais ;D Boa leitura *3*

Último capítulo: "De todos, o Natsu era o último que eu imaginava confortando alguém logo naquele dia. Mas ele parecia transbordar uma paz de espírito que nunca acontecera antes, e eu tive a plena certeza que ele tinha, enfim, se livrado de toda a culpa que tentava inutilmente esconder que sentia pela morte da Miyuki.

[...]

Voltamos todos juntos para casa, e fizemos um jantar especial, onde todo mundo ajudou com alguma coisa, e ao nos sentarmos na mesa juntos, dedicamos aquele jantar às lembranças de Miyuki. Não teve muita conversa como geralmente, nem bagunça ou algo do tipo. O clima estava um pouco melancólico para aquele tipo de brincadeira que tínhamos, mas estava claro como água o quanto éramos gratos por ter a presença de cada um ali.

E estava claro para mim o quanto meu irmão estava crescido, e Miyuki teria muito orgulho dele se estivesse conosco agora."

Todo dia quatorze de janeiro, um dia depois do aniversário de enterro de minha mãe, estava combinado e marcado no calendário que era o meu dia com meus melhores amigos.

Lis e Gray não gostavam de me deixar sozinho em uma data como aquela, mas como tinha sido um pedido meu, por razões pessoais, eu preferia que ficássemos juntos em qualquer outro dia, menos naquele ao qual eu passava a tarde toda no cemitério.

Então, como uma regra, dia quatorze de janeiro era o nosso dia.

Nesse novo ano ao qual estávamos, era um sábado, então significava que tínhamos desde manhã para aproveitar, então acabamos decidindo que sairíamos cedo e voltaríamos pra casa só quando batesse a vontade, o que geralmente significava que dormiríamos fora, e o inverno não seria um impedimento.

Naquele dia levantei mais cedo que o normal, arranjei algum dinheiro com meu irmão – que normalmente gostava de me agradar nessa época do ano, e eu confesso que algumas vezes eu me aproveitava um pouco –, e coloquei roupas suficientes na mochila, além do meu vídeo game e alguns jogos. Recusei o café da manhã que meu pai fazia, porque iria comer com meus amigos no caminho, e precisei ouvir um sermão de minutos longos o suficiente pra se parecerem com horas, sobre tudo e nada ao mesmo tempo, coisa típica do Igneel.

— E quando você pretende voltar? – Ele perguntou, tentando soar o mais sério e autoritário possível, enquanto internamente eu revirava os olhos.

Ele já estava me segurando em casa tempo suficiente. Era só me deixar ir, poxa.

— Antes da aula de segunda, não se preocupe. – Falei despreocupado, assistindo-o me fuzilar com os olhos.

— Natsu!

— Calma pai, até parece que não me conhece. Eu já sou grandinho, o Gray e a Lis também. Não é como se a gente fosse fazer alguma besteira.

— Eu não duvido de nada vindo de vocês três. E por que o Jellal não vai junto?

— Você acha que a Erza ia deixar ele passar o fim de semana desaparecido e sem manter contato? – Reclamei, e recebi outro olhar ameaçador.

— Sem manter contato?

— Por Kami, Igneel, é só modo de falar, não me leve tão a sério. Eu preciso de espaço, você sabe, sou adolescente, passei por muitas emoções ontem. – Dei de ombros, e dessa vez foi ele quem revirou os olhos.

— Afinal, onde vocês pretendem ir?

— Se eu contar não vai ter graça nenhuma. Você conhece o lugar, e já esteve lá, é tudo o que precisa saber, velhote. – Brinquei, recebendo um empurrão de leve.

— Respeito comigo, moleque! – Resmungou, e depois me puxou para um abraço. – Tome cuidado, e me ligue se precisar de qualquer coisa. Você sabe que eu não aprovo muito isso, mas eu confio na Lisanna e sei que ela não vai deixar vocês dois fazerem tanta besteira.

De certa forma, meu pai não estava errado. Era sempre a Lis quem nos mantinha com os pés no chão. Mas quando ela resolvia aprontar, era provavelmente pior do que eu e Gray juntos. Só que, claro, meu pai não sabia sobre esse pequeno detalhe.

Quando estava de saída, percebi que infelizmente eu não poderia me apoderar do carro de ninguém, muito menos pegar a moto do Zeref, já que todos trabalhariam, então precisei ir a pé até a casa do Gray, ele me acompanhou a pé pra casa da Lis, e de lá pegamos um ônibus para os nossos destinos.

Óbvio, na casa do Gray precisei entrar para ouvir um sermão da tia Ur, e outro sermão da Ultear, e na casa da Lis precisei lidar com a Mira, que apesar de ser sempre muito gentil na hora de falar, aquilo só servia pra nos deixar com ainda mais medo, porque todos sabíamos que de gentil ela não tinha nada, principalmente na hora de castigar.

Resumindo, se algo acontecesse, estaríamos muito ferrados.

Mas acontece que mesmo recebendo muitas ameaças e sermões, nem sempre a gente levava tudo tão a sério. Era aquela história do “entra por uma orelha e sai por outra”.

A nossa primeira parada foi em uma cafeteria um pouco afastada da cidade, pra tomarmos nosso café da manhã. Não demoramos muito porque o dia estava consideravelmente bom para o meio do inverno, e queríamos aproveitar. Nem conversamos muito também, porque algo que tínhamos em comum era nossa falta de humor durante a manhã. Mais eles do que eu, mas isso é irrelevante.

O segundo ônibus que pegamos estava praticamente vazio pra um sábado de manhã, então começamos nossa pequena baderna, colocando uma música que gostávamos alta no celular e cantando juntos, pra melhorar o clima e mandar o mau humor embora. Sem falar que já estávamos de barriga cheia, ninguém fica irritado de barriga cheia.

E por mais que eu estivesse no meio da bagunça, eu também não tirava os olhos das janelas e do lugar incrível ao qual estávamos entrando.

Eu já tinha feito aquele caminho muitas vezes, mas nunca me cansava daquela vista incrível da nossa descida pelas montanhas. O sol fraco batendo nas folhagens cheias de neve, o vento bagunçando os galhos, o céu limpo e uma temperatura agradável, nada de frio exagerado ou algo do tipo. Ao longe, no horizonte, até dava pra observar um pouco do mar.

— Mas será que vai ter comida por lá? – Escutei Lis perguntando ao Gray, que me olhou interrogativamente.

— Você acha? No máximo aquele lugar vai ter todo tipo de bebida diferente, e nada de comida. – Respondi, e rimos em concordância.

— Tem algum mercado lá por perto? – Gray perguntou. – E nós temos dinheiro suficiente pra comprar comida pra esse fim de semana?

— O Zeref foi bem generoso comigo hoje de manhã, acho que ele ainda tava meio sonolento quando me entregou o dinheiro. Então não se preocupem, eu cuido da comida.

— Olha só, falando como o homem da casa, que bonitinho. Tá treinando pra quando for casar com a Lucy? – Lis me provocou, e precisei revirar os olhos diante àquela frase.

— Lis, eu tenho certeza que você não aguentaria ficar dois dias sem comer, então não me provoque. – Tentei fingir que ainda estava mau humorado, mas isso só a fez rir ainda mais.

— Por falar nisso, eu jurava que ela iria nessa viagem com a gente, no lugar do Jellal. – Gray comentou, mandando olhares maliciosos pra Lis.

— Não é?! Eu também achei. Imagina, aproveitar um tempo sozinho com ela lá no…

— Como se a Layla fosse liberar, tsc. – Reclamei, cortando Lisanna antes que ela começasse a dizer o que não deveria.

— E você chegou a perguntar? – Lis insistiu.

— Não preciso, você sabe que não. E de qualquer forma, achei que hoje era pra ser um dia de amigos. Vocês queriam que eu trouxesse ela e não desse a mínima atenção pra vocês?

— Por favor, se a Lucy viesse, quem ia ficar sem atenção seria você, não a gente. – Gray falou convencido, fazendo-me revirar os olhos de novo.

— Sim, claro, porque vocês são incríveis, não é?! – Respondi ironicamente.

— Mas é lógico. Por qual outro motivo você ia querer ficar um fim de semana inteiro na nossa presença? – Lis provocou, tocando os nós dos dedos com Gray, que ria da minha careta.

E enquanto isso, eu me perguntava por que diabos me sentei no meio dos dois.

— Vocês tão com o ego muito grande hoje… – Comentei baixo, cruzando os braços e tentando ignorar os dois tagarelando.

— Olha só quem tá falando! O senhor ego inflado! – Gray continuou perturbando.

— Sim. O senhor “aprenda comigo porque sou o melhor no basquete!” – Lis engrossou a voz para me imitar, fazendo alguns gestos exagerados que eu juro que nunca tinha feito na vida. – “Olha só para mim, eu sou tão gostoso que já conquistei todas as meninas da escola!”. “Vejam, quem seria mais incrível que Natsu Dragneel, que conseguiu chamar Lucy Heartfilia para o baile de formatura?” – Ela continuou.

— Eu achei que hoje era o dia de vocês me animarem, não se juntarem em um complô. E eu nunca disse nenhuma dessas frases, senhorita caluniadora.

E eles continuaram mais alguns minutos me provocando, enquanto tentei fingir que não escutava nada. O que, não vou mentir, foi bem dificultoso, já que nem fones de ouvido eu tinha comigo, e eles eram chatos demais.

Por que mesmo que eu os chamava de melhores amigos?

De qualquer forma, não demorou muito até chegarmos onde deveríamos descer, e por alguns segundos respirei em alívio. O caminho não estava interditado. Isso era ótimo, porque geralmente nas nevascas era quase impossível passar por ali. E claro que eu tinha levado aquilo em consideração, mas Kami pelo jeito resolveu ser bom comigo e me ajudar naquele fim de semana.

Por questões de forças maiores, não pudemos fazer a trilha que sempre íamos para entrar nos terrenos do Gildarts. Aquele ao qual levei Lucy na fonte termal. A neve estava um pouco alta naquele local, então precisaríamos entrar pelo lugar convencional e que nunca tentamos antes: A porta de entrada do sítio.

Ela ficava um pouco mais afastada de onde começava a trilha, então precisamos lidar com a neve por um tempinho. Mas isso não seria de todo ruim, já que a neve tinha parado de cair fazia alguns dias.

E quando enfim chegamos onde era supostamente o lugar certo, nos deparamos com um portão e muros altos rodeando todo o terreno.

— Mas… Que diabos… Desde quando o Gildarts protege esse lugar? – Reclamei, chutando neve em sinal da minha irritação.

— Acho que desde sempre. Por que ele não protegeria um lugar com uma fonte termal? – Lis falou como se fosse algo óbvio, soltando um “der” e me dando um tapa.

— Você acha que dá pra pular? – Gray sugeriu, jogando sua mochila no chão e medindo o portão.

E ele realmente parecia sério, fazendo sua pose de quem entendia alguma coisa, com as mãos na cintura, e até fazendo bico.

— Ah meu Kami, lá vem o delinquente. – Lis reclamou. – Será que não seria mais fácil ir pela trilha?

— Bom, a não ser que você saiba o caminho de cor, porque a trilha tá tampada pela neve, eu acho que a melhor sugestão é pular o portão. – Comentei, vendo Lis me olhar indignada.

— Viu só?! Eu tô sempre certo. – Gray comentou sorridente, fazendo-nos revirar os olhos.

— E ligar pro Gildarts vir? Você pensou nisso?

— Lis, mesmo que não esteja tão frio, morreríamos congelados até ele resolver aparecer.

— E o caseiro?

— O caseiro? – Gray e eu perguntamos ao mesmo tempo, olhando um ao outro sério.

— Sim, tem um caseiro aqui, não tem? Por que não chamamos ele?

— E vamos falar o quê? “Olha só, velhote, a gente queria invadir a casa do Gildarts só por esse fim de semana, aproveitar a fonte termal e tudo mais, será que você poderia abrir o portão?” – Gray zombou, também recebendo um tapa dela.

— Não, idiota! Vamos ligar pro Gildarts, pedir pra ele falar com o caseiro, e daí ele deixa a gente entrar.

Eu e Gray continuamos nos olhando, considerando tal possibilidade, e ao mesmo tempo demos a mesma resposta.

— Nah! – E Gray completou: – Vamos subir o portão.

— Não, vocês… Vocês… – Lis tentou continuar argumentando, mas nada lhe passava a cabeça, e ela começava a fazer caretas engraçadas. – Ah, droga! Vamos subir logo. – E fez uma carranca, o que a deixou ainda mais engraçada.

E com a decisão tomada, Gray foi o primeiro a tentar, deixando sua bolsa para trás conosco. Com uma habilidade que eu nunca admitiria em voz alta que ele tinha, o Fullbuster foi rápido em subir o portão e pular do outro lado, sorrindo para nós convencido.

Eu e Lis então jogamos todas as bolsas para ele, e foi nossa vez de subir. Por sorte, nenhum de nós teve alguma dificuldade, o que até me fez questionar do objetivo de ter um portão que fosse tão fácil de escalar.

Quando já estávamos nas posses de nossas respectivas bolsas de novo, fomos pelo pequeno caminho que levava até a casa, alguns metros à frente, mas antes, acabamos sendo surpreendidos e pegos no flagra.

— O que diabos vocês fazem aqui dentro? Eu vou chamar a polícia! Caiam fora, seus vândalos!

E pra nossa infelicidade, era o maldito caseiro, que estava apontando de forma ameaçadora uma pá na nossa direção. Do jeito que ele estava, eu não duvidava que nos bateria com aquilo se não saíssemos.

Mas ao invés da gente sair, ficamos todos paralisados, olhando aquele senhor um tanto corcunda, com roupas não muito quentes, com um balde aos pés e a pá exageradamente grande em mãos. O que podíamos fazer? Estávamos a alguns passos da casa, e não imaginávamos que encontraríamos o velhote tão cedo assim.

— Andem! Saiam daqui! Eu estou falando sério, eu vou chamar a polícia! Isso é uma propriedade privada! – Ele continuou ameaçando, andando uns passos na nossa direção, enquanto nós dávamos alguns passos para trás pra nos mantermos numa distância segura.

— S-senhor… Calma… Nós conhecemos o dono desse sítio… Ele deixou a gente fic…

— O senhor Clive não me falou nada sobre visitantes! – Ele cortou a Lis, ficando cada vez mais irritado.

— Bom, sim, ele não deve ter dito, mas ele deixou. Ele é meu tio! O Gildarts já deve ter mencionado sobre mim, eu me chamo Natsu e…

— Não, ele nunca mencionou que tinha um sobrinho e eu nunca ouvi falar desse nome! – O velhote se enervava cada vez mais, mas isso já nem me preocupava mais, porque… O Gildarts não falava sobre mim?

Auch!

Precisaríamos bater um papo mais tarde sobre isso.

— Ele deve ter mencionado meu pai então… O senhor Igneel, talvez? – Perguntei meio incerto, não sabendo se eu queria mesmo saber sobre a resposta.

— Igneel? Eu acho que já ouvi esse nome…

Ah, incrível. Ele falava do Igneel, mas não falava de mim, que ótimo “tio”.

— Ainda assim isso não lhe dá o direito de invadir o terreno do senhor Clive. Ele sempre me fala quando há visitantes, e eu abro o portão. O portão não está aberto, disso eu tenho certeza, então como vocês entraram?

— Sobre isso… – Gray deu uma risada sem graça, bagunçando seus cabelos, e eu o cortei antes que ele falasse algo comprometedor:

— Vamos fazer assim, então. Eu vou ligar para o tio Gildarts, e você vai ver que ele deixa a gente ficar aqui.

— Não. Eu que vou ligar pra ele! – E sem mais nem menos, o velhote saiu andando pelo caminho contrário ao qual estávamos, parando vários passos à frente só para nos dar uma bronca e mandar-nos segui-lo.

— Você não falou com o Gildarts, não é?! – Lis sussurrou ao meu lado, olhando-me um tanto preocupada enquanto seguíamos o caminho para trás da casa que o caseiro nos levava.

— Não… Mas eu tenho certeza que ele pode relevar. – Respondi convencido, embora por dentro eu estivesse receoso com o que ia resultar aquela ligação.

— Cara… Se ele mandar a gente de volta pra casa, eu vou fazer você se arrepender de ter nascido. – Gray ameaçou nada simpático, ao que eu suspirei contrariado.

— Deixa de ser otário, é claro que ele vai deixar. Está frio, ele não vai fazer a gente dormir na neve.

— Mas ainda não é nem hora do almoço. Dá tempo de sobra pra gente voltar pra casa. – Lis constatou.

— Ok gente, vocês tão muito negativos. O velhote vai ligar pro Gildarts e eu vou dar um jeito de resolver tudo. Não vamos sair daqui, tá?!

E enfim estávamos de frente para uma pequena casa, que tinha mais a aparência de uma grande garagem. Coberta de neve e super simples, com pouco tamanho e poucas janelas, ficava cercada de grandes árvores, praticamente escondida. Se era algo positivo ou não, eu não saberia dizer. Provavelmente só pro Gildarts mesmo. Também havia uma pick up vermelha e antiga estacionada ao lado, e um grande cachorro sujo de lama e neve que veio nos cumprimentar com suas peraltices.

— Limpem os pés antes de entrarem! – Ele rosnou conosco, olhando-nos ameaçadoramente. – E não deixem o Spike entrar! – Falou, provavelmente se referindo ao cachorro. – Aquele fedorento que não sabe se comportar. – O escutei resmungando já dentro de casa.

É, ele estava falando do cachorro.

O acompanhamos para dentro, que também era um cômodo bastante simples, e sentamo-nos no pequeno sofá, esperando ele fazer a ligação para o Gildarts.

— Senhor Clive?! Sim, está tudo bem, mas… Sim, eu já cuidei das árvores… Claro, está tudo ajeitado… Não, mas… Eu sei, eu já vou cuidar disso, mas houve um contratempo… Senhor Clive, o senhor poderia me escutar? Invadiram sua casa, senhor! Não, ainda não chamei a polícia, porque… Não, mas eles disseram que te conhecem e que você deixou eles virem pra cá… Quem? Eu não sei, mas um deles disse que você é tio dele… Um garoto estranho de cabelos rosas… – Garoto estranho? Qual é, eu ainda estava aqui e estava escutando muito bem. – Sim, isso mesmo, foi esse o nome que ele me disse. Quer falar com ele? Um momento.

E então o velhote me ofereceu o telefone, e por um momento eu estremeci com a possível bronca que eu poderia receber. Gildarts era legal e festeiro, o tiozão bacana da família que só aparece pra causar tumulto e tudo o mais, mas quando ele estava em um dia ruim, ninguém ficava por perto. Era como ter que encarar o diabo frente a frente.

Por isso eu tinha um pouco de razão em ficar com medo e fazer todos os tipos diferentes de orações na minha cabeça, antes de pegar o telefone e descobrir o que eu iria escutar.

Respirei fundo, pigarreei meio forçado, peguei o telefone de fio na mão e fechei os olhos com força antes de responder.

— E aí, velhote… – Tentei soar brincalhão, pra ele não perceber que na verdade eu estava com medo de ser mandado de volta pra casa e ele estragar todo meu fim de semana.

— Velhote, seu maldito? O que está fazendo invadindo minha casa?— Notei que ele não parecia bravo, mas também não parecia feliz.

Ótimo, estávamos no meio termo. Eu conseguia lidar com aquilo.

— Bom, você sabe… Eu queria um fim de semana divertido e…

— Um fim de semana divertido? Não me diga que a loirinha está com você?! Por Kami, Natsu! Se você usar a minha cama, eu juro que apareço aí só pra te dar uns tabefes!

— O quê? – Tentei me fazer de desentendido, até porque eu nunca faria algo desse tipo. Eu nunca dormiria na mesma cama que aquele velho cafajeste, e muito menos faria isso com a Lucy. – Não, Gildarts, a Lucy nem veio junto. Foi só a Lis e o Gray. Mas espera… – Parei por alguns segundos, reparando em algo que ele havia dito. – Você acabou de proibir de ficar na sua cama, mas não na sua casa?

— O que eu posso fazer a essa altura? Vocês já estão aí, não estão?! Eu só gostaria de ser avisado com antecedência que você pretende ignorar a segurança do meu sítio e sair invadindo tudo…— Ele murmurou em mau humor, provavelmente porque tinha acabado de notar que não era muito difícil passar pelo portão. – Igneel sabe que vocês estão aí?

— Meu pai? Não! De jeito nenhum! E você não pode contar pra ele, Gildarts! É sério! – Tentei ameaçá-lo, mas o máximo que consegui foi fazê-lo rir exageradamente.

O tipo de risada que ele dava quando ele estava em jogatinas e tinha os adversários nas palmas das mãos.

— Imagino que nem a senhora Strauss e nem a senhorita Milkovich saibam também…

— Olha, nossos pais sabem que nós saímos e que vamos dormir fora, mas eles não sabem onde, e eu adoraria que continuasse desse jeito. Eu juro que faço qualquer coisa se você ficar de bico calado, Gildarts!

— Qualquer coisa?— O escutei perguntando com uma clara e terrível segunda intenção na voz.

— Bom, não qualquer coisa vinda de você, porque claro que você vai pedir merda.

— Então não é qualquer coisa.

— Gildarts. Só não conte a eles, simples. Sua boca não vai cair se você guardar segredo.

— Eu não ia pedir algo demais…

— Te conheço bem o suficiente pra saber que isso é mentira. Mas falando sério, tá tudo bem se eu, a Lis e o Gray dormirmos aqui, né?!

— Que escolha eu tenho? Vocês já estão aí, e se eu pedir pra ir embora você vai fingir que não falei contigo, acha que não te conheço, Dragneel? Mas você vai me pagar a próxima vez que eu te ver! E por favor, vê se não quebre nada e fique longe do meu quarto. E eu acho que a geladeira tá vazia, então se vocês não têm dinheiro, vão passar fome.

— Ah, velhote! Eu sabia que podia contar com você! Obrigado! Prometo que não vou causar problemas! – Fingi uma animação mais exagerada que o normal, enquanto ele resmungava do outro lado me xingando.

E antes que eu pudesse desligar, ele pediu pra trocar algumas palavrinhas com o caseiro, e este só nos liberou de sua casa quando ouviu tudo o que o Gildarts tinha pra falar, repetindo uma bronca que já estávamos cansados de ouvir antes mesmo dele dizer.

Fomos direto para a casa do Gildarts, ao qual o caseiro nos entregou todas as chaves, e deixou que ficássemos à vontade, embora eu desconfiasse que ele apareceria vez ou outra “sem querer” só pra ver o que estávamos fazendo.

A primeira coisa que fizemos foi jogar nossas bolsas no sofá da sala principal, e acender a fogueira à lenha, que felizmente não foi preciso sair pra buscar lenha, já que havia algumas cortadas em um dos diversos armários velhos dali. Também organizamos alguns móveis ao nosso gosto, de um jeito que pudéssemos colocar três colchões ali mais tarde para dormirmos, e Gray me ajudou a montar meu vídeo game naquela gigantesca e maravilhosa TV de tela plana de última geração, que era nosso sonho de consumo desde sempre.

Como estava praticamente na hora do almoço e ali não tinha comida nenhuma, fomos à procura do caseiro para perguntar onde ficava o supermercado, e se, por acaso, ele poderia nos emprestar seu carro.

Claro que a resposta foi um sonoro não sem pensar duas vezes.

Mas ao menos ele se ofereceu para dirigir para nós, com a promessa que eu e Gray o ajudaríamos mais tarde com alguns probleminhas no sítio.

E bom, após longos quarenta e cinco minutos na estrada, eu descobri porque ele ofereceu ajuda. Tudo ali ficava a uma distância bem desagradável, e ele aproveitou de que precisávamos ir ao mercado, pra também parar em algumas lojas daquela cidade minúscula, e comprar umas coisas que o Gildarts ficava enchendo o saco dele, como o próprio caseiro disse.

Quando voltamos, com uma longa compra de porcarias e comidas congeladas, já que nós três não éramos os melhores na cozinha, esquentamos as lasanhas que compramos, três de tamanho família no caso, e cada um comeu a sua. Podia parecer que não, mas a Lis quase sempre comia tão bem quanto nós. E enquanto esperávamos dar aquele tempo da digestão, ao qual nossos pais sempre falavam “você não vai entrar na piscina agora porque acabou de comer, espere dar uma hora!”, fizemos uma pequena competição no vídeo game, como nos velhos tempos.

E óbvio, depois disso fomos para as fontes termais.

Um pouco depois do jantar – que por acaso também foi lasanha –, quando eu e Gray já tínhamos ajudado o caseiro, já tínhamos tomado banho, e ficamos por horas jogando vídeo game nos esquentando perto da lareira, resolvemos buscar os colchões pra que pudéssemos deitar e ficar conversando baboseiras até pegarmos no sono, afinal, já era bem tarde da noite.

— Lis, você fica no meio, tá?! – Avisei, lhe jogando um cobertor e um travesseiro de um dos quartos de hóspedes.

— Como sempre… – Ela revirou os olhos, rindo.

— Bom, claro, não vamos descumprir nossa promessa de te proteger. Aquele velhote lá parece não ver uma mulher tem anos pelo jeito que ele te comia com os olhos, e ele tem as chaves de tudo daqui. – Gray explicou, como se fosse tudo muito óbvio.

O que realmente era.

— Aquela promessa vocês me fizeram quando crianças, gente. Não acredito que ainda levam a sério! – Lis resmungou, atacando um pacote de salgadinhos que ela escondia consigo.

— Que ofensa, é claro que levamos a sério. – Me fiz de magoado, sentando ao seu lado de perna de índio e roubando o pacote de sua mão. – Você é mais durona agora do que antes, mas ainda precisa que a gente te proteja. Assim como algumas vezes a gente precisa que você nos proteja. – Admiti, vendo-a sorrir grande.

— Porque vocês são uns briguentos de primeira!

— Vocês não, o Fullbuster!

— Cala a boca, idiota. Você sempre se envolve também. – Gray sentou ao nosso lado, também de perna de índio, e roubando o pacote da minha mão.

— Isso é verdade. Toda a vez que o Gray tá em uma briga, você não aparece pra separar, você aparece pra bater. – Lis apontou no meu rosto séria, do tipo que não daria pra retrucar porque ela não aceitaria meus argumentos.

Até porque eu nem tinha argumentos, os dois estavam certos e eu sabia disso.

— Às vezes é legal socar uns otários, faz bem pra saúde, diminui o estresse, essas coisas. – Dei de ombros, fazendo os dois revirarem os olhos.

— De qualquer forma, eu fico feliz que mesmo depois de tanto tempo ainda sejamos melhores amigos! – Lis foi rápida em mudar de assunto, e isso me fez lembrar da ocasião de quando tudo isso nasceu.

Nenhum de nós nos conhecíamos ainda, porque tínhamos acabado de entrar na escola Fairy Tail. Éramos uns pirralhos, e estávamos começando a fazer amizades ainda. Na segunda semana de aula, na hora do intervalo, eu vi que uns meninos – do qual eu não tinha ido com a cara desde o primeiro dia – estavam perturbando a Lis.

Ela era uma garotinha miúda, e tinha cabelos curtos, como sempre foi a vida toda. Diziam que ela parecia um menino e era feia, e eu acabei ficando um pouco irritado. Se eu já não gostava deles antes, depois daquilo menos ainda. Então me aproveitei da oportunidade pra ir ajudar Lis, mesmo não a conhecendo, e coincidentemente outro garoto – sem camiseta, o que na época foi bem estranho –, surgiu do outro lado pra defender Lis também. Ele bateu em um moleque, e eu bati no outro, e no fim a professora só viu essa parte e nos mandou pra diretoria.

Foi então que nasceu nossa implicância um com o outro. Enquanto ficamos na diretoria esperando nossos pais, ele ficava tirando sarro do meu cabelo, e eu tirava sarro de sua seminudez. Ficamos nisso até irritar a diretora o suficiente e ela nos colocar um em cada canto da diretoria. Quando Igneel chegou, já me lançando um olhar ameaçador, eu enfim lembrei quem era meu pai e que eu estava bastante encrencado. Mas minha mãe também veio junto, então eu sabia que a coisa não ficaria tão ruim assim, ela ainda me daria um suporte.

E bom… Gray fez a mesma careta de desespero quando viu a tia Ur.

Ela sempre teve um rosto bastante sereno, mas era muito brava, e eu acabei descobrindo com o tempo.

No dia seguinte, quando voltamos pra escola, ainda nãos nos bicávamos, mas eu queria mostrar pra Lis que conseguia proteger ela, e ele também. Foi assim que acabamos fazendo a promessa que mais ninguém mexeria com ela, e todos os dias a gente competia pra ver quem a protegia melhor. E claro, quando Lis criou intimidade suficiente conosco, começou a puxar nossas orelhas – literalmente falando –, e passou a nos fazer agir como amigos.

Desde então, começamos a frequentar a casa um do outro, e nossos pais viraram amigos também.

— Tantos anos, e pensar que nesse ano vamos finalmente nos formar. – Gray resmungou.

— Nem me fale. Mas vocês dois ainda vão continuar estudando juntos, e eu vou ficar pra trás. – Lis fez bico, soando um pouco magoada.

— Não diga isso como se fosse a melhor coisa do mundo estudar com esse idiota por mais quatro anos. – Falei, jogando salgadinho na cara do meu amigo.

— É você quem tá indo atrás de mim, esquentadinho. – Ele jogou o salgadinho em mim de volta. – Até o começo do ano letivo nem sabia o que iria fazer o resto da vida, foi só a Layla aparecer e elogiar seu jogo que ficou todo “ah, eu preciso muito continuar no basquete”. – Ele afinou a voz pra me imitar, soando ridículo como normalmente.

— Ah! Então foi isso o que aconteceu?! – Lis me interrompeu antes de eu conseguir me pronunciar, rindo escandalosamente. – Quem diria!

— Cala a boca vocês dois, não foi nada disso! – Neguei, jogando meu travesseiro em ambos, que continuaram rindo.

— Mas hein, tocando nesse assunto, quando vocês vão fazer o vestibular?

— Mês que vem. Vamos ter que viajar até lá, deve levar em torno de umas cinco horas daqui. – Gray explicou. – Aliás, você já viu se Igneel vai conseguir levar e trazer a gente?

— Ele disse que não, ele tem algumas audições importantes logo nessa semana, e não pode deixar de trabalhar nesse caso. Daí a Layla se ofereceu, e... – Não terminei de dizer pra dar lugar a uma careta, principalmente após ver os dois rindo ainda mais.

— Olha só, ela quer mesmo se livrar de você, vai até te levar pra fazer a prova pra se mudar pra bem longe. – Lis concluiu, se aproveitando da situação mais do que eu gostaria. – Cuidado pra ela não te deixar por lá e voltar sozinha! – E ela chorava de rir, me fazendo revirar os olhos.

— Eu não sei se já disse antes, mas a Layla me adora, então essa viagem com ela vai ser incrível! – Gray se gabou, sorrindo sacana pra mim.

— Como se já não bastasse ser uma prova pra entrar na universidade, ainda tenho que lidar com uma viagem onde Gray e Layla estarão juntos! Eu preferiria a morte! – Me joguei na cama, ouvindo os dois se divertirem às minhas custas.

Eu estava começando a me irritar bastante, e estava visualizando alguns objetos cortantes voando neles. Só de raspão mesmo, pra assustar.

— Mas eu achei que vocês ganhariam a bolsa… – Lis se lembrou, ficando até um pouco séria.

— Tecnicamente sim, somos os candidatos mais fortes pras bolsas, mas não entraram em contato com a gente ainda, então até lá nós não podemos descartar a prova. – Ouvi Gray explicando, com a boca cheia de salgadinhos. – Na verdade, o Natsu tem mais chances do que eu. Tudo indica que ele vai ganhar a bolsa e eu vou fazer a prova.

— Quanta negatividade, credo. Eu tenho certeza que os dois vão conseguir. – Lis tentou soar toda alegre. – E eu vou sentir muito a falta de perturbar vocês dois. – Ela fez bico, soando um tantinho dramática.

— É pra isso que existe o skype, as mensagens, email, redes sociais e esse tipo de coisa. – Zombei, levando uma travesseirada no rosto.

— Eu tô falando esse tipo de perturbar. – Ela enfatizou me dando outra travesseirada – Ao menos o Jellal vai ficar no mesmo campus que eu.

— Grande bosta ter o Jellal por perto. – Gray riu alto. – É a mesma coisa que continuar estudando com esse rosinha de merda.

— E quanto à Lucy? E a Juvia? Vocês sabem onde elas vão estudar? – Lis tentou ser delicada ao falar nas duas, e eu não entendi o porquê.

Ou talvez eu tenha entendido, mas quis fingir que não.

— A Juvia vai estudar fora, onde os pais dela foram morar. Na Coréia do Sul, se não me engano. – Gray deu de ombros.

— Já está decidido? Definitivo? – Ela ficou um pouco chocada, olhando pra mim com certa ansiedade.

— Definitivo.

— Então, vocês…

— Não, Lis. Sem chances. Nunca era pra ser. Ela é minha prima e é como vai continuar sendo. Além do mais, o Lyon parece lidar com ela melhor. – Gray sorriu gentilmente, bagunçando os cabelos da Lis, e nos deixando um pouco surpresos por ele mencionar Lyon sem sequer soltar um xingamento após. – Eu tenho outra pessoa em mente agora. Mas só tô dizendo isso pra vocês pararem de me encher o saco com relação à Juvia, não é como se eu fosse dizer o nome da pessoa e nem nada.

— Como assim outra pessoa? É da nossa escola? A gente conhece? Desde quando? Você vai ao baile com ela? – Lis o encheu de perguntas, e percebi que Gray se arrependeu no mesmo segundo do que tinha dito.

Bom, eu não podia mentir que eu também queria fazer aquelas perguntas. Como assim meu melhor amigo estava interessado em outra pessoa e sequer comentou a respeito comigo?

— Não é da Fairy Tail, vocês não conhecem, desde algumas semanas, e não, não vou ao baile com ela, eu vou com a Cana, eu já disse isso. – Ele respondeu pacientemente, fazendo pouco caso do que dizia.

— Você convidou mesmo a Cana? – Lis ficou ainda mais surpresa, olhando pra mim indignada.

Sempre que Gray colocava algo na cabeça, era quase impossível fazê-lo mudar de ideia, então eu meio que não estava assim tão surpreso.

— Quase isso. Eu só perguntei pra ela se o nosso trato do baile ainda tava de pé, ela disse que sim.

— Que falta de romantismo, credo Fullbuster! – Lis lhe deu um tapa no braço, fazendo-o rir. E então voltou o olhar pra mim. – E a Lucy?

— Eu já chamei ela pro baile, eu te disse.

— Não, idiota. Eu tô falando da faculdade!

— Ah. Eu acho que nunca ouvi a Lucy falar sobre qualquer universidade… – Comentei, um tanto pensativo. – Eu não sei se ela já se adaptou ao Japão e já viu alguma coisa por aqui. É provável que meu pai tenha falado sobre a Universidade de Magnólia, e talvez ela acabe estudando com você e o Jellal.

— Isso ia ser ótimo! – Lis comemorou, batendo palmas do seu jeito eufórico. – Mas… Vocês ficariam longe um do outro… – Ela fez um muxoxo, olhando pra mim como se estivesse pedindo desculpas por tocar naquele assunto.

— Não é como se eu fosse estudar no fim do mundo, eu vou voltar pra casa nos feriados e tudo mais, sabe?! Se não for um problema pra Lucy, as coisas entre a gente pode acontecer mesmo à distância!

— Jura?! Você se submeteria a um namoro à distância? – Lis pareceu surpresa ao dizer, o que me deixou um pouco ofendido.

— É da Lucy que estamos falando! O Natsu se submeteria a qualquer coisa pra deixar ela feliz. – Gray respondeu, o que me deixou um pouco mais ofendido ainda pela forma como ele disse, parecendo que eu era um super trouxão.

Entretanto, contra esses tipos de fatos nunca havia argumentos, eu realmente faria qualquer coisa por ela.

Então, é, talvez eu fosse um super trouxão mesmo.

— É do Natsu que estamos falando! Você já viu ele perdendo a oportunidade de beijar outras bocas por causa de alguém a milhares de quilômetros de distância? – Lis revidou, me fazendo pensar que eu sequer precisava de inimigos com uns amigos desses.

— Ei! O tal Natsu tá aqui e tá ouvindo tudo, só pra deixar registrado. – Me pronunciei, deixando claro que eu não estava gostando muito do decorrer da conversa. – Eu gosto da Lucy, e sim, eu sou idiota e faria qualquer coisa pra deixar ela feliz. E isso inclui assumir o compromisso de não “beijar outras bocas” – fiz aspas no ar, olhando sério pra Lis – enquanto eu estiver estudando em outra cidade.

— Isso se chama “namoro”, – ela também fez as aspas no ar, me olhando desafiadoramente – que é um compromisso que eu achei que você já teria com ela nessa hora do campeonato.

— Lis…

— Eu não queria me intrometer, mas eu também achei… – Gray comentou, me observando atentamente para ouvir a resposta que eu teria.

— As coisas estão melhores do jeito que estão, não tem porquê mudar isso.

— E você não acha que ela se incomoda pelo fato de você não ser oficialmente um namorado? – Lis perguntou, agindo como uma mãe brava querendo colocar juízo no filho rebelde.

Ou pelo menos foi assim que me senti ouvindo-a me interrogar daquela forma. Qual é, eu já era grandinho o suficiente pra saber o que estava fazendo.

— Ela nunca disse nada sobre isso, eu tenho certeza que a Lucy tá feliz desse jeito também. – Resmunguei, tentando ao máximo pensar em um novo tópico pra gente mudar de assunto. – Mas já que você perguntou da Lucy e da Juvia, eu vou perguntar agora sobre seu acompanhante de baile. Por que ainda não ouvi muito sobre ele? – Tentei soar tão sério quanto possível, cruzando os braços e mantendo um olhar fixo nela, enquanto observava Lis corar.

— Se você pode evitar o assunto da Lucy, eu também posso evitar o assunto do meu parceiro de baile. Aliás, não é nada pra se preocupar, ele é legal e gentil, e bom, ele iria de qualquer jeito, então a Mira achou que seria legal se nós fossemos juntos.

— Como assim, ele iria de qualquer jeito? Ele é aluno da Fairy Tail? – Gray questionou, agindo mais por curiosidade do que por ser um amigo possessivo, como eu fazia.

— Ele era. Mas nesse caso, minha irmã e o namorado vão, e o namorado dela decidiu chamar esse amigo junto, então uniram o útil ao agradável e me arranjaram um parceiro. Agora chega desse assunto, não é nada demais, ele é só um amigo… – Lis resmungou embaraçada, enfiando o rosto no travesseiro ao seu colo.

— Um amigo? Melhor que a gente? – Perguntei, bagunçando seus cabelos.

— Sim, muito melhor, por isso que tô aqui dormindo com vocês e não com ele. – Ela zombou, se levantando apenas pra jogar salgadinho em nós. – Idiotas. Vamos dormir!

— Mas que história é essa de dormir com ele? – Gray aproveitou pra entrar no embalo da provocação.

— Cala a boca, Gray! Vamos dormir!

E no fim, acabamos transformando tudo em uma briga de travesseiros. Era bastante infantil, mas eu não estava muito a fim de agir como adulto naquela noite. Éramos só nós, afinal. Aproveitando uma noite que não sabíamos se ia acontecer novamente muito cedo. Até porque, estávamos perto de nossa formatura e de tomarmos um rumo diferente para as nossas vidas.

O melhor que podíamos fazer era aproveitar sem nos preocuparmos.

Porque o futuro já reservava preocupações suficientes.

Notas finais
Caso vocês tenham se perguntado sobre o "senhorita Milkovich" que o Gildarts disse na ligação com o Natsu, é sobre a Ur que eu me referia, não a Ultear o/ E o capítulo teve algumas coisinhas importantes que é bom vocês se atentarem, como por exemplo, o fato da Juvia ir estudar fora do Japão e tals... E essa frase final... :X Anyway, interpretem da forma como quiserem! SAHUSAHUSHUAs' Ainda não posso dizer muito, mas não acho que vai demorar pra vcs descobrirem. De qualquer forma, o próximo capítulo vem em até 30 dias, ok?! Eu coloquei um prazo pra mim pra acabar com a enrolação. Já que por enquanto não dá pra voltar a ser um capítulo por semana, então pelo menos um por mês (ou menos), beleza?! Me perdoem a demora, e espero que vocês tenham aproveitado o capítulo de hoje! Obrigada por acompanharem TM até aqui, e até o próximo capítulo *3*