Troublemaker

14 Amigos e Amigos


Notas iniciais
Oláaaa xuxus ♥ Estão bem? o/ Hoje eu resolvi aparecer um pouquinho mais atrasada do que de costume, mas apareci ;D O capítulo de hoje está bem grandinho e temos uma aparição especial o/ Espero mto que gostem! Boa leitura *3*

Nem tudo é um mar de rosas. E nem sempre aprendemos isso da melhor forma.

Eu me encontrava em um leito de hospital, após ter permanecido um fim de semana inteiro mal. O médico dissera que eu estava com pneumonia, então teria que permanecer no hospital internado por alguns dias. Aquilo definitivamente prejudicava tudo, minhas aulas, meus treinos, o campeonato, e as nada agradáveis aulas de dança.

Geralmente quem ficava comigo na maioria do tempo era Zeref, já que ele trabalhava no hospital, e também Layla. Ela gostava de conversar bastante, e as vezes eu dizia algo e recebia um conselho. Tenho que admitir, Layla era boa pra isso. E também divertida, sempre que tinha oportunidade soltava uma piadinha que me fazia rir de doer o estômago. A pouca relação que tínhamos melhorou muito durante aqueles poucos dias, e eu já considerava Layla alguém indispensável em minha vida.

Igneel também vinha me visitar, após sair do trabalho, e Erza e Michelle sempre estavam junto. Inicialmente eu achei que Michelle vinha junto por obrigação, sempre trazendo meus deveres de casa no lugar de Lucy. Mas logo no dia seguinte ela estava lá de novo, e dessa vez me levando um bombom que ela comprou em uma loja de doces no caminho de casa, supondo que eu iria gostar. E eu realmente gostava daquele bombom, então tive quer dar pontos à pirralha.

Em uma das ocasiões que estávamos quase todos juntos naquele quarto de hospital, fazendo um monte de nada, chegamos até mesmo a pedir pizza. Não que a comida do hospital fosse ruim, muito pelo contrário. Mas é que pizza, na minha concepção, é muito mais gostosa. E um agrado pra mim de vez em quando não fazia mal, como eu dissera a Igneel e o convencera a fazer isto.

Apesar de não vir me visitar, Gray ligava quase todos os dias, e em uma dessas ligações disse que viria me ver na sexta, após o treino.

E bem, já estávamos na sexta.

Escutei a enfermeira batendo na porta, delicadamente, e abrindo uma fresta para olhar para dentro.

— Natsu… Alguns amigos vieram te visitar. Quer que eu peça para subirem?

— Sim, claro.

Amigos? Gray trouxera companhia?

E alguns minutos depois, Gray entrava no quarto acompanhado por Jellal, Lisanna e Lucy.

Lucy definitivamente era a última pessoa que eu imaginava indo me visitar, principalmente por nunca ter aparecido junto com meu pai e sua irmã. Mas lá estava ela, trazendo-me um grande copo de chocolate quente.

— Minha mãe disse que é sua bebida preferida. – Ela falou ao me entregar.

— Obrigado, Luce. – Sorri.

— Como está se sentindo, Natsu? – Lisanna sentou ao meu lado, dando-me seu abraço de sempre.

— Sinceramente? Não vejo a hora de sair desse inferno. – Bufei, abraçando-a de volta.

— Você já sabe quando vai ser liberado? – Gray e eu tocamos nossos nós dos dedos, e depois o fiz com Jellal.

— Zeref disse que amanhã eu vou fazer os últimos exames pela manhã, pra poder ser liberado a tarde.

— Mas já está melhor? – Jellal insistiu na pergunta.

— Sim, estou. Todo dia vem uns cinco ou seis médicos diferentes me visitar, parece até que estou em risco de vida.

— Melhor prevenir do que remediar. – Lis riu, bagunçando meus cabelos. – Você faz falta na escola.

— Sei que sou inesquecível, Lis. Mas você está falando isso da boca pra fora, estava me ignorando até pouco tempo.

— Começou com os dramas. – Jellal suspirou alto, jogando-se no pequeno sofá que tinha no quarto.

— Então quer dizer que vai ficar fora do próximo jogo também? – Gray reclamou. – Você sabe, nós vamos jogar contra a Sabertooth dessa vez. Vai ser difícil encará-los sem você.

— Olha só, mais um que me ama incondicionalmente.

— Vai á merda, Dragneel.

— Aliás, sua irmã te mandou um beijo. – Jellal falou com intenção de me provocar.

E conseguiu.

— E eu vou te mandar pro inferno, engraçadinho. Espero que não tenha se aproximado dela enquanto estive fora.

— Que inocente… – Gray murmurou, rindo alto.

Embora eu soubesse que estavam me zoando, olhei pra eles duvidosamente depois da frase do Gray.

— Lucy, ele está saindo com minha irmã?

— Eu acho que não tenho o direito para me intrometer na vida amorosa da sua irmã, se ela estiver saindo com o Jellal, por mim tudo bem.

— Eles não estão saindo. – Neguei veementemente com uma careta. – Fique esperto, Jellal. Quando eu sair daqui, eu vou arrebentar você. – O ameacei.

Ele apenas riu alto, sendo acompanhado pelos outros.

Ficaram ali comigo durante quase a tarde toda, e conversamos sobre muitas coisas. Quando estava quase na hora do jantar, eles foram embora, com exceção de Lucy.

Ela dissera que Layla viria me visitar mais tarde, e a levaria embora quando fosse também.

— Lucy… Se você não estiver confortável aqui, espere Layla na lanchonete, não tem problema. – Chamei sua atenção, observando que ela estava um tanto tensa e distante de mim, e ficara em pé durante toda a tarde.

Ela desconversou e se enrolou nas palavras, tentando dizer que não era nada daquilo.

— Eu só… Não gosto muito de hospitais… – Respondeu, finalmente.

— Mesmo? Por que não?

Ela respirou fundo, e se sentou ao meu lado no sofá.

— Jude. Ás vezes eu o visitava no hospital, ele era internado quase sempre por causa do excesso de trabalho. – Ela suspirou pesado, e sua postura ficou um pouco tensa. – Não foram os melhores dias.

— Jude? Seu… Pai? – Perguntei meio incerto.

Layla me falara sobre ele apenas uma vez, mas não disse mais do que a própria Lucy dissera.

— Sim. Ele era muito… Ocupado.

— Entendo. – Lucy parecia muito incomodada ao contar aquilo, e dava para perceber um resquício de mágoa em sua voz. Eu sentia vontade de confortá-la de alguma forma, mas não sabia como. – Você sente falta dele?

— Não muito. Quero dizer, ele era meu pai, mas nunca fez muito por mim. Igneel em pouco tempo foi muito mais presente em minha vida. – Murmurou, dando de ombros, com uma expressão triste. – Eu realmente gosto do seu pai, Natsu. – Admitiu, com um pequeno sorriso.

— Igneel é incrível. – Sorri de volta, e senti um calor agradável subindo em meu peito. Não sabia dizer se era porque estávamos falando do meu pai, se era porque Lucy estava o elogiando, ou se era porque ela sorria. Aquele não fora o mesmo sorriso das outras vezes, mas continuava sendo lindo. Eu estava pra definir ainda qual sorriso de Lucy era o meu preferido.

Foi então que escutamos três toques na porta, e Lucy pareceu sair de um transe, levantando-se rápido e pigarreando.

— Natsu?! Posso entrar?

— Claro, Layla. – Falei alto, já que o sofá ficava consideravelmente longe da porta.

— Atrapalhei alguma coisa? – Perguntou meio incerta ao entrar no quarto e ver eu e Lucy daquela forma.

— Não, não. Só estávamos conversando.

— Ótimo! – E entrou de vez no quarto, jogando a bolsa em minha cama para tirar de lá as muitas besteiras que trazia para comermos juntos. – Fiquei sabendo que você vai sair daqui amanhã, é verdade?

— Sim, ainda bem! – Me animei de forma exagerada, indo até onde estava e a puxando para um abraço. Layla era bem menor que eu, então aproveitei e baguncei seus cabelos.

— Natsu! Pare com isso! – Ela me empurrava, rindo alto. – Parece que já está bem até demais! – Falou divertida. – O que houve para estar tão alegre? – Olhou desconfiadamente de mim para Lucy diversas vezes.

— Mãe! O que a senhora está insinuando, me olhando dessa forma? – Lucy ficou brava.

— Nada, querida. – Layla riu, entregando-me uma pequena barra de chocolate. – Você gosta desse, né?! Eu acho que nunca te trouxe esse, então não tenho certeza…

— Esse é ótimo. Igneel usa esse chocolate pra confeitar alguns bolos, vez ou outra. É muito raro a Erza deixá-lo fazer qualquer outro bolo que não seja de morango.

— Bom, quando voltar pra casa eu posso fazer um bolo pra você que não seja de morango, se quiser. Ou Lucy, ela tem ótima mão para doces também… – E Layla riu, vendo a careta que Lucy fazia.

— Jura?! Faria doces pra mim, Luce? – Fingi animação, sentado na cama e balançando as pernas.

— Pra você não. – Disse de forma emburrada. Era nítido como Lucy se enciumou com o jeito que sua mãe estava me tratando. Bem, o que eu poderia fazer se eu era muito mais divertido?

— Isso é maldade, eu estou doente, deveria me ajudar a me recuperar. – Sorri maliciosamente.

— Você deveria é parar de cantar minha filha na minha frente, Dragneel. – Layla me deu um tapa fraco na coxa, e eu ri.

— Então quer dizer que eu posso cantar a Lucy quando você não estiver por perto? – Sugeri, e Lucy ruborizou completamente, me olhando de forma indignada.

Layla riu.

— Não. Não é para dar em cima da Lucy, ela é sua irmã.

A encarei um tanto confuso. Lucy minha irmã? Não era bem assim. Mas, observando bem a expressão que Layla usava, apesar dela ter falado enquanto sorria, aquilo fora algo sério.

— Bom, ela mora na minha casa e é filha da noiva do meu pai, isso não quer dizer que agora temos relação consanguínea. – Dei de ombros.

Aquela frase pareceu um pouco rude, e eu só fui perceber após a cara que Layla fez, ao ouvir eu a chamando de “noiva do meu pai”. Ela não gostava que eu a tratasse dessa forma, agora que estávamos mais próximos.

— Então tem a intenção de ter um relacionamento com minha filha? – Continuou usando o mesmo tom sério de antes, agora olhando-me intensa e assustadoramente.

— O q-que? N-não, claro que não. – Me embaracei um pouco, xingando-me mentalmente por isso. Mas era impossível não se intimidar com Layla e aquele olhar que ela transmitia.

— É isso o que estou querendo dizer. Vocês não vão ter um relacionamento, o que há de errado em considerá-la sua irmã?

Eu não sabia muito bem o que responder. Não porque não queria considerar Lucy como irmã para irritá-la, ou para deixá-la mal de alguma forma por não a considerar da minha família. Eu simplesmente não conseguia vê-la como uma irmã. Digo, era óbvio que eu tinha uma atração sexual por ela. Como eu poderia vê-la apenas como uma irmãzinha se eu sonhava em levá-la para minha cama?

A questão era, a partir do momento que fosse declarado que Lucy era apenas minha irmã, aquela linha – sexualmente falando – não poderia ser cruzada, e eu não estava afim de manter intacta esse tipo de regra natural. Por isso não quero pensar em Lucy dessa forma, ou aceitar que ela possa se igualar a Erza em minha vida. Por Kami, imaginar uma transa com Lucy daqui pra frente seria a mesma coisa que imaginar eu e Erza juntos.

Não. Não mesmo.

— Estou indo agora querido. – Layla chamou minha atenção, cortando minha linha de raciocínio extremamente perturbadora daquele momento. – Se cuide, ok?! Amanhã eu e Igneel viremos te buscar quando receber alta.

E ela deu um beijo em minha bochecha, abraçando-me em seguida e depois saindo junto com Lucy.

~*~*~*~*~

Quando voltei para casa, sábado pela tarde, fui recepcionado animadamente por todos, e Happy não saiu de meu colo. Até mesmo descobri que, apesar de Lucy ter negado no hospital, ela acabou fazendo um bolo para mim. Bom, ela também negara em casa, mas Layla me confidenciara no canto da cozinha que Lucy sequer deixara alguém ajudar no preparo.

Mais tarde fomos para Fairy Tail, já que haveria o jogo da nossa escola contra a Sabertooth. Eu ainda não estava liberado para praticar esportes ou algo que me cansasse, – sexo incluso, da qual o médico fez questão de frisar de forma totalmente exagerada sobre isso; não sei porquê – então eu apenas observaria o jogo. E isso era de extrema importância, já que havia grandes chances de pegarmos a Sabertooth nas finais do campeonato, pois eles eram um time bastante forte e estavam invictos desde então, como nós.

Enquanto meu pai e Layla procuravam algum lugar na arquibancada para nós, fui até a quadra, onde Gray e Jellal treinavam com o restante do time e dos reservas.

— Olha só, se não é o capitão bundão que está fugindo de um dos jogos mais importantes. – Jellal acertou uma bola em minha cabeça, fazendo-me ansiar enfiar aquilo em um local muito delicado nele.

— Vai á merda, Fernandes.

— Natsu! Que bom que veio! – Gray me cumprimentou, batendo os nós de seus dedos nos meus.

— Preciso ver como os tigres jogam. E queria ver você liderando nosso time.

— Dragneel! Se declarando para o seu amigo, quando é que finalmente vai assumir sua orientação sexual? – Alguém se apoiou em meus ombros, bagunçando meus cabelos com a outra mão.

— Sting. – Murmurei, revirando os olhos. Sequer precisava encará-lo para descobrir quem era, já que sua voz era inconfundível mesmo diante toda aquela barulheira.

Sting era da Sabertooth, e era alguém que você gostava de ter por perto, mas não em dias de jogos. Ele era do tipo extremamente competitivo e insuportável, do qual todos xingavam pelo menos uma vez durante a partida, até mesmo o juiz.

Mas em dias normais, era um excelente amigo.

— Estava com saudades de mim, admita. Ou o Fullbuster foi o suficiente para te satisfazer durante esse tempo? – Riu sacana.

— Gray não faz o meu tipo. Mas e o Rogue, o que me diz? Já cansou de esconder o relacionamento de vocês ou você já contou aos seus pais sobre seu namorado?

— Vá se foder, Dragneel. – Resmungou, afastando-se consideravelmente. O que me fez ter esperanças de que ele voltaria para o seu lado da quadra, para treinar com seu time, mas não. Ele ainda permanecia ali. – Cadê seu uniforme? Está correndo dos tigres, é?!

— Estou afastado por prescrição médica. – Dei de ombros, já imaginando as merdas que provavelmente escutaria.

— Prescrição médica? Mas que baitolice é essa? Não acredito que está arregando.

— Fica para a próxima, Eucliffe. No jogo das finais. – Encerrei o assunto.

Desejei sorte para o Gray, que estava de capitão no meu lugar, e fui sentar-me onde Igneel estava. Porém, no caminho até lá, passando por diversas pessoas, tropeçando em bolsas, chutando garrafinhas d’água longe, e pedindo licença incansavelmente no meio de tanto alvoroço, – que logo percebi ser pelas líderes de torcida terem entrado na quadra – alguém que eu sequer imaginaria ali, naquele dia, estava sentada três assentos abaixo de onde Igneel estava.

Ela não estava de pé, como a maioria das pessoas. Não torcia, não gritava, talvez nem mesmo se mexia. Apenas estava sentada de forma silenciosa e quase imperceptível, sozinha. Bom, não tão sozinha já que havia gente por todo lado, mas digo sozinha de não estar acompanhada.

Em minha cabeça, uma voz dizia para eu não me aproximar. Mais precisamente, a voz do Fullbuster. Mas não era como se eu fosse obedecê-lo. Não em uma ocasião como aquela.

— Juvia, é você?! – Toquei em seu ombro, tendo certeza de que estava falando alto o suficiente para minha voz se sobressair no meio do barulho da multidão.

Ela deu um pulinho assustada, olhando-me de forma desconcertada, e logo após abriu um sorriso, me reconhecendo.

— Natsu! – Se levantou, ficando ao meu lado para me dar um abraço.

— O que faz em Magnólia? Gray não me disse que você estava aqui.

Ela riu meio embaraçada, ruborizando e desviando o olhar de mim.

Percebi que seus cabelos estavam ainda maiores que da última vez em que a vi. E já fazia um bom tempo, levando em consideração de que nós nos vimos quando eu ainda estava no primeiro ano. Juvia apresentava traços mais maduros e seu corpo estava consideravelmente mais atraente. Não que eu estivesse a desejando, por Kami, não! A questão era, Juvia estava realmente linda.

E Fullbuster era um total babaca imbecil.

— Na verdade, ele ainda não sabe que estou aqui.

Mas é claro que não.

Aquela ideia me divertiu. O que aconteceria se Gray procurasse por mim durante a partida, e acabasse, coincidentemente, encontrando sentada bem ao meu lado Juvia Lockser, sua querida prima?

Eu precisava mesmo ver aquilo.

— Ótimo, melhor ainda! Aposto que ele vai adorar a surpresa. Posso me sentar com você?

Juvia me olhou um tanto surpresa, não esperando que eu dissesse algo como aquilo, mas logo abriu outro sorriso, murmurando um “claro”, e sentando-se mais para o lado, me dando espaço para sentar-me também.

— Achei que você também era do time do Gray. – Ela murmurou baixinho.

— Ah, sim… Eu sou. Apenas estou afastado hoje, estava internado essa semana.

— Oh, é mesmo? O que houve? Já está melhor?

Juvia era alguém agradável de conversar, uma vez que suas perguntas eram feitas porque ela realmente queria conversar comigo, e não para fingir interesse. Definitivamente, Gray era um babaca imbecil.

— Sim, foi só uma pneumonia. Estou melhor. Semana que vem acredito que estarei jogando novamente. Ainda estará aqui em Magnólia até lá? – Perguntei, olhando-a atentamente. E então percebi que seus olhos agora se focavam na quadra. Toda a multidão estava sentada, as líderes de torcida estavam nos cantos da quadra e os jogadores estavam em suas posições para o início do jogo. Gray estava no meio da quadra junto com Jellal, competindo posse de bola com Rogue e Sting. – Ah, mas é claro que eu jogando não lhe interessa.

Ela se virou embaraçada para mim, com os olhos ligeiramente arregalados e fazendo movimentos exagerados com as mãos, como se quisesse dizer que não era bem assim. Ri divertido de sua reação.

— Não tem problema, eu sei que seus olhos são somente para o merdinha do Fullbuster. E eu não te culpo por ter péssima escolha, aliás, eu também o escolhi como melhor amigo. – Dei de ombros, e ela riu junto comigo.

Por um tempo ficamos em silêncio, e não foi constrangedor ou desagradável. Não havia nada de desagradável ficar na presença de Juvia, principalmente assistindo uma partida de basquete entre os dois melhores times das melhores escolas de Fiore. Ela entendia de esportes como ninguém, todo tipo de esporte, e também era nadadora profissional.

E quando eu menos percebi, meus olhos já não estavam mais no jogo, e sim na loirinha de decote pulando animadamente a cada ponto que o time da Fairy Tail fazia. Por Kami, como eu fantasiava com meu rosto enfiado naqueles seios, minhas mãos apertando aquelas coxas, aquelas mãos em minhas costas me arranhando, meus lábios…

— Natsu… Você me escutou? – Juvia chamava minha atenção, dando um empurrão de leve em meu ombro. – Claro que não, está secando aquela loira da forma mais descarada possível.

Fiquei um tanto sem graça por ter sido pego no flagra, e acabei rindo.

— Desculpa. O que disse?

— Quem é aquela que está ao lado de seu pai? Namorada?

— Noiva.

— E a torcedora? Sua namorada ou paquera?

— Ninguém mais fala paquera no século vinte e um, Juvia. – Zombei, e ela fez um bico emburrada. – É a filha da noiva. – Deixei transparecer o desgosto em minha voz.

Ela soltou um “aaah”, de esclarecida, e após pensar um pouco mais, acabou entendo o que eu disse nas entrelinhas. – Oooh, agora entendi. Sua meia-irmã. Que, pelos seus olhares famintos, você decididamente quer levá-la para a sua cama.

— Você é muito boa nisso. – Ironizei, suspirando pesado. – Eu só queria saber se ela transa tão bem como em meus sonhos.

— Sei que vai soar sujo, mas eu queria que o Gray pensasse como você. – Ela também suspirou. – Quanto a mim, não a loira.

Foi inevitável a gargalhada que soltei. E eu teria passado despercebido, se de repente a quadra não estivesse em um silêncio nervoso por conta de uma falta perigosa em cima da Fairy Tail. Foi automático a forma como meus olhos foram até o Fullbuster instantaneamente, e ele também olhava para mim. Ou melhor, para Juvia.

Eu sabia que ele olharia para cá.

E lá estava ele, prestes a cobrar a falta, e olhando de forma curiosa e assombrada para nós dois. Seus ombros enrijeceram, seus pés paralisaram, e provavelmente deve ter ficado surdo também, já que o chamavam e ele sequer dava atenção àquelas pessoas. Somente encarando Juvia como se ela fosse um fantasma. Um dos maus.

Quando Juvia pensou em se pronunciar, ele voltou em si e encarou a cesta de forma assustadoramente ameaçadora. E quando o apito soou, sua cobrança saiu errada. Rapidamente a Sabertooth reagiu, pegando a bola e avançando para o ataque. Gray foi atrás para tentar recuperar, mas sem êxito. E perdeu lances, perdeu jogadas, perdeu bolas, perdeu a cabeça. O time dos tigres, que estavam perdendo por cinco pontos, ultrapassou as fadas e ainda finalizaram o último tempo com treze pontos de diferença, tirando nossa invencibilidade.

Ao meu lado, Juvia estava imóvel, atônita.

Assim que torcedores estudantes da Sabertooth desceram da arquibancada para comemorar com o time, eu rapidamente me dirigi até onde a Fairy Tail se juntava para jogar pedras imaginárias na cabeça do Fullbuster. Talvez nem tão imaginárias assim, já que palavras doíam tanto quanto uma coisa sólida e pesada lhe acertando.

Juvia me seguia.

Assim que nos viu nos aproximando, Gray veio enfurecidamente com o indicador levantado em meu rosto, quase encostando em mim.

— O que ela faz aqui?

— Ei, ei! Acalma aí, Gray. O que há com você? – Tentei parecer o mais paciente possível. Mas a questão era, Gray sempre era um babaca imbecil com a prima. E eu não apreciava isso, de maneira alguma.

— O que há comigo? – Ele riu ironicamente. – O que há comigo! – Seu tom de deboche estava realmente me irritando. – Por que a trouxe aqui? – Disparou irritado.

— Ela já estava na arquibancada quando cheguei. E pare de falar dela como se Juvia não estivesse bem ao meu lado.

Por um momento ele fechou os olhos e respirou fundo. Parecia que iria socar alguma coisa a qualquer instante. Então, quando parecia consideravelmente mais calmo segundos mais tarde, abriu os olhos, agora encarando a prima ao invés de mim.

— Ur sabe que você está aqui. – Ele concluiu, passando a mão em seus cabelos e os bagunçando, tirando vários mechas grudados na testa pelo suor, e novamente fechando os olhos.

Gray fazia isso quando estava tentando se controlar.

— S-sim… – Juvia respondeu timidamente, totalmente intimidada com a postura que o Fullbuster carregava.

— E você vai ficar hospedada na minha casa.

— Sim…

E por um longo momento, o silêncio foi a única coisa que permanecia em nosso meio, além da irritação de Gray, a culpa que emanava de Juvia, e meu descontentamento por ter um amigo que conseguia ser extremamente babaca imbecil com alguém como Juvia Lockser.

— Vamos para casa. – Ele finalmente murmurou, dando as costas e se retirando da quadra ás pressas.

Juvia me olhou bastante incerta do que deveria fazer.

— Se você quiser que eu te acompanhe junto com ele… – Me ofereci, dando de ombros, como se aquilo não fosse nada demais.

— Não. Não, obrigada. Acho que não precisa. – Senti uma pontada de aborrecimento em sua voz, por mais que ela estivesse se esforçando para não deixar transparecer.

— Certo. Mas me ligue caso acontecer alguma coisa no caminho, e me avise por mensagem quando chegar. Você sabe meu número, é o de sempre.

— Ok. Obrigada, Natsu.

E então a observei andando apressadamente para conseguir alcançar Fullbuster, que a essas horas já deveria estar bem longe.

Próximo capítulo:

— Aliás, descobri que os Dragneel’s não são os únicos com gostos excêntricos. Tem uma casa vermelha bem ali, veja. – Ela apontou novamente para a mesma direção de antes.

E quando percebeu que eu não me aproximei, olhou-me de forma estranha.

— O que foi? Eu não vou jogar outra bola em você, pode se aproximar.

Embora eu quisesse revirar os olhos diante o que ela disse, eu apenas balbuciei um monte de nada. O que eu poderia dizer? “Eu sou um bundão, Lucy, to me cagando de medo dessa altura infernal, será que podemos voltar lá para baixo?”. Claramente não.

Ao invés disso, apenas falei: – Estou confortável aqui, obrigado.

Ela franziu o cenho, me observando melhor, e após um breve período de silêncio, sorriu.

— Veja só, o incrível e perfeito Natsu Dragneel tem medo de altura. Eu não acredito nisso. – E riu divertida.

Notas finais
Sobre a questão do Natsu com pneumonia e tudo o que eu descrevi do hospital, os diversos médicos aparecendo, a comida maravilhosa, enfim, foi tudo o que aconteceu comigo em uma certa época da minha vida, por isso eu tive um pouco de liberdade pra fazer o Natsu ter uma pneumonia ao invés de alguma outra doença. Mas as descrições foram de um hospital particular, obviamente. Quando eu fiquei internada, passei 7 dias em hospital público, dividindo o quarto com mais 7 crianças (super lotação, já que era pra ficar apenas 3 crianças por quarto), e como eu piorei e tinha um risco muito grande de morte, o chefe do meu pai pagou o hospital particular pra mim, porque infelizmente a filha dele morreu da mesma coisa. Aí eu fiquei 5 dias no hospital particular e foi como estar no paraíso (tirando o fato de tomar remédios, injeções e receber visitar de médicos o tempo inteiro :P) Anyway... O quê acharam do capítulo de hoje? Gostaria de saber a opinião de vocês e suas teorias de como tudo vai acontecer daqui pra frente o/ eu adoro quando vocês falam o que esperam... *O* Pra quem gosta de NaLu (acredito que todos que lêem troublemaker :P), eu comecei uma nova fanfic, que vai ser bem curta, em torno de uns 10 capítulos e é totalmente inspirada em Bonnie e Clyde... Tenho certeza que pelo menos metade de vocês já imaginaram o Natsu sendo um incrível e sexy vigarista, e bom, eu os convido a acompanhar Crossfire: https://fanfiction.com.br/historia/680230/Crossfire/ (que também vai ter uma presença significante de Gruvia ;D) Então é isso! Espero que estejam ansiosos para o capítulo da semana que vem (que está demais, gente, sério!), e obrigada por acompanharem até aqui! *O* Até o próximo!