Troublemaker

38 Além dos Sonhos


Notas iniciais
Oláaa amorinhos? Td bem? ^^ Como passaram o feriado? ^^ O capítulo de hoje está bem grande (e quando é que não tá, né?! :X), e espero muito que vocês gostem, porque eu achei que ficou um amorzinho ♥ Boa leitura *3*

Uma coisa que era facilmente notável depois de um dia de estrela, é que eu não era tão estrela quanto pensava.

Domingo pela manhã, na qual minha única intenção era dormir e recuperar todas as forças do dia anterior, fui acordado cedo só pra ajudar meu pai no supermercado. Cinco escravos na casa e uma esposa que o agradaria em qualquer coisa, e ele me escolhe a dedo!

Eu havia ganhado um campeonato e tudo mais, será que isso não era motivo suficiente pra me deixar em paz descansando?

Não pro meu pai, pelo jeito.

A única razão pela qual não o mandei ir sozinho e me deixar em paz, era porque era o meu pai e ele havia acabado de chegar de uma viagem longa. Eu precisava no mínimo mostrar que sim, eu estava com saudades e me importava com ele, mas poxa… Domingo de manhã, pai, sério mesmo?

— Layla disse que vai fazer um almoço especial para nós. – Ele explicou ao ver meu rosto emburrado, e nada mudou depois daquela informação.

— E você me acordou só pra vir buscar alguns ingredientes, que você conseguiria carregar sem o menor problema? – O questionei, deixando claro meu descontentamento.

— Também. – Ele riu, me dando um soco fraco no ombro. – Vamos, filho, quanto tempo eu e você não ficamos a sós? Sei que preferia passar o tempo com sua mãe, mas eu também gosto de conversar com você.

— Ah, pai! Sem dramas. Não me faça repetir que eu sempre amei os dois do mesmo jeito.

— Entretanto passava muito mais tempo com ela.

— Mas é claro, você nunca me levava aos festivais, ou ao trabalho. Era tudo o Zeref, para o Zeref, com o Zeref.. – Falei contrariado, o fazendo rir de novo.

— Olha só, estou mesmo vendo meu caçula enciumado? Nunca imaginei que viveria o suficiente para esse momento.

— Não começa, pai.

— Ok, ok. Mas vamos lá, fazer compras com seu velho não é tão chato assim, é?!

— Seria menos pior se não fosse domingo de manhã. – Constatei, e ele revirou os olhos.

— Bom, eu achei que era melhor conversar com você antes da Layla, e não achei outro momento que pudéssemos ficar a sós que não fosse agora. – Igneel falou, me deixando curioso.

— Layla quer conversar comigo? Por quê?

— Me diga você. – Ele deu de ombros, me fazendo parar pra que pudesse me encarar nos olhos. – Natsu, seja sincero, você acha que ela não percebeu nada sobre você e a Lucy? O quão idiota você pensa que a Layla seja?

Ah, mas é claro que tinha a ver com a Lucy! Como não percebi antes?

— Ela te falou alguma coisa? – Perguntei, com um pouco de medo do que fosse escutar.

— Não diretamente, mas eu conheço a Layla bem o suficiente pra saber quando algo não lhe agrada. E ao julgar pelos olhares que ela te mandou durante toda a noite na pizzaria…

— Ela não parecia mesmo muito empolgada quando foi me desejar os parabéns. – Resmunguei, e vi meu pai sorrindo meio sem graça. – Ela sabe quanto?

— O suficiente. Ela é mãe, Natsu, sabe quando a Lucy ou a Michelle estão diferentes do normal. Se eu que sou homem percebo a diferença nos meus filhos, quanto mais ela.

Eu não podia dizer que eu não esperava por isso, eu me lembrava muito bem de quando Miyuki sabia que tinha algo errado comigo só de me olhar.

— Eu vou me encrencar, não é?! – Perguntei por perguntar, mas vi meu pai sorrindo grande.

— Não faço ideia. – E acariciou os meus cabelos por um momento. – Layla é uma mulher muito conservadora, as crenças dela são fortes, e ela é um pouco mente fechada com certas coisas, preciso admitir. Mas em tudo dá pra dar um jeito, filho.

Aquilo, de certa forma, me deixou bastante tranquilo. Não era como se meu pai tivesse dito com todas as letras, mas ele me apoiava, eu tinha certeza.

— Então o senhor está querendo dizer que vai me ajudar? – Arqueei a sobrancelha, e ele riu.

— Quem sabe. Mas primeiro, por que não me conta sobre essas duas semanas que fiquei fora? Eu acho que mereço saber, não é?!

***

— Então deixa eu ver se entendi. Você está apaixonado pela Lucy desde que se conheceram, e você me culpa por não poder ir em frente com um relacionamento? – Meu pai perguntou, agora no caminho de volta pra casa.

Nossa breve passada no super mercado acabou se prolongando mais do que eu poderia imaginar, e era muito provável que receberíamos uma bronca da Layla pela demora, já que o almoço se atrasaria por nossa culpa. Mas eu não me importava, eu realmente tinha gostado daquele tempo com meu pai, e ficava muito feliz em saber que ele não se importava nada com o que tinha acontecido entre mim e Lucy.

— Não exatamente, é mais culpa da Layla mesmo, só que teria ajudado um pouco mais se vocês não tivessem se casado. Não dava pra ter convencido ela a voltar só pra vocês serem bons amigos? – Dei de ombros, e ele riu alto.

— Ser só amigo da Layla? Acho que isso é tão impossível quanto pedir pra você ser só irmão da Lucy! – Ele revidou, ao que eu soltei um “touché”, o divertindo mais.

— Então seria muito errado se eu te pedisse pra me apoiar contra ela? – Perguntei, e observei Igneel fazendo uma careta.

— Natsu, você está enxergando tudo do modo errado, Layla não é nenhum monstro destruidor de relacionamentos ou algo assim. Ela é minha esposa, sua madrasta e mãe da Lucy, só quer o melhor pra todo mundo.

— O “melhor” dela tá meio distorcido, nesse caso.

— Fique à vontade pra dizer isso pra pessoa certa, eu não tenho nada a ver com isso. – Igneel finalizou nossa conversa, já que havíamos chegado em casa.

Fomos os dois direto pra cozinha, e pela cara que meu pai fazia, ele já sabia que não seria uma Layla sorridente e bem humorada que nos esperaria.

— Meu amor, eu só te pedi pra comprar algumas coisinhas, não pra fabricar todos os produtos. – Ela disse calmamente, até colocar os olhos em mim. – Ah… Natsu foi junto?

— Sim, eu o chamei. – Igneel a cumprimentou com um beijo. – Quer ajuda com alguma coisa?

— Sua não, só a do Natsu. – Layla sorriu gentilmente pra mim, e eu acho que nunca tive tanto medo de um sorriso como naquele momento.

— Minha ajuda? – Perguntei, um pouco chocado, pra me certificar de que tinha ouvido correto.

Layla sabia que estava pedindo ajuda na cozinha pra pessoa menos qualificada nessas coisas, não é?! Por Kami, me colocasse em um ringue de ufc com o melhor lutador, mas não me mandasse cozinhar alguma coisa.

— Sim, claro. Pode começar cortando os legumes, por favor? – Pediu, sequer me dando chances de dar uma desculpa qualquer e fugir dali.

Meu pai passou ao meu lado desejando um boa sorte, parecendo sarcástico demais pro meu gosto, e nem mesmo cogitou se oferecer uma segunda vez pra ajudar, só me deixou lá, indefeso e pronto pra ser devorado por um lobo faminto.

Ok, podia ser um pouco de exagero meu fazer essa comparação, mas eu tinha a impressão que a qualquer momento ela me faria ameaças pra eu me manter longe da Lucy.

Nos primeiros minutos que fiquei ali a ajudando, um silêncio permaneceu na cozinha de uma forma bem tensa. Eu apreciava silêncios, mas aquele estava me deixando bastante desconfortável, e eu acredito que à ela também.

— E então, querido… Já está acostumado com, ahn, toda essa mudança? – Ela finalmente falou algo, e ficou me olhando de esguelha.

— Tirando a falta de televisão na sala, tá tudo certo. – Dei de ombros, e a escutei rindo.

— Televisão distrai os convidados e não deixa a conversa fluir. – Respondeu, e depois suspirou. – Mas não foi bem isso o que eu quis dizer…

— Eu sei. – Logo a cortei, e ela me olhou curiosa. – Tá tudo certo, Layla, sério. Vocês aqui, acho que isso anima um pouco mais as coisas. Meu pai e meus irmãos sempre trabalharam e eu ficava o dia inteiro sozinho, mas nunca gostei muito disso. Antes eu ia ao trabalho com a minha mãe, mas… Enfim, vocês estão fazendo a casa parecer menos solitária.

Ela pareceu um pouco surpresa depois do que eu disse, e até mesmo eu estava um pouco confuso com tudo o que havia acabado de falar.

Eu havia mesmo confessado em voz alta que gostava da presença dela na minha casa?

Claramente acordar cedo no fim de semana me deixava maluco.

— Fico feliz em ouvir isso. – Layla se pronunciou, após longos segundos de reflexão, e notei que dizia a verdade. Ela pareceu ficar um pouco mais à vontade ao meu lado, e de certa forma aquilo era bom. Claro, até segundos depois ela voltar a ficar tensa, e soltar a pergunta que eu já esperava ter que responder. – Então, você e a Lucy… Estão bem, certo? Digo, as tensões do começo entre vocês, elas desapareceram, não é?

— Ah, sim, claro. Sem tensões. – Falei, talvez um pouco rápido demais, mas só pra fugir do assunto “Natsu e Lucy” antes do almoço.

— Vocês tem… Se dado bem? Conversam bastante? – Perguntou, sendo cuidadosa com a escolha de palavras e o tom de voz, pude perceber.

Parei por um momento o que fazia para encará-la, e Layla fez o mesmo. Acho que estaríamos trocando faíscas se eu não tivesse quebrado o clima tenso momentos antes.

— Você tá preocupada que sejamos amigos? – Questionei, tentando não soar tão desafiador como eu parecia na minha cabeça.

Eu tinha a leve impressão que Layla estivesse esperando uma confissão de culpa vinda de mim, pra então me colocar na parede e fazer seu discurso de família, mas eu não era assim tão fácil.

— Não, claro que não. Eu estou preocupada que vocês briguem e…

— Não precisa se preocupar. – A interrompi outra vez, terminando de cortar os legumes, e os colocando na panela. – Irmãos brigam também, não é nenhuma novidade. Eu e meus irmãos brigamos sempre e eu continuo amando eles. Não é uma discussão boba que vai transformar a família em um caos, e eu não sou nenhum moleque pra isso.

Layla ficou sem palavras após me ouvir, e eu até a entendia. Ela esperava discutir sobre suas suspeitas entre mim e Lucy, e eu consegui desviar toda a atenção com um discurso improvisado.

E vamos ser sinceros, eu arrasei no discurso.

— Precisa de mais algo, Layla? – Perguntei com toda a minha cara de pau, sorrindo inocente por fora, mas cínico por dentro.

— Não… Acho que não… – Ela sussurrou a resposta, voltando a preparar a comida, parecendo bem desconcertada.

***

Layla ficou um pouco mais tranquila depois da nossa conversa, e o almoço em família foi o caos de sempre no quesito “conversas paralelas”. Era mesmo engraçado como o silêncio se tornara tão raro desde que elas se mudaram pra casa.

E como todo bom domingo, meu pai planejava que nós saíssemos todos juntos, e a escolha da vez foi o cinema, vencendo pela maioria dos votos.

— O que acha, Zeref? Você poderia levar sua namorada também e nos apresentá-la. – Meu pai sugeriu, fazendo meu irmão engasgar com a comida.

— Pai… E-eu não… N-não tenho namorada nenhuma… – Ele gaguejou, bastante desconcertado e vermelho, e até quem não fosse um advogado ia perceber que aquela era a pior das mentiras.

Mas, provavelmente querendo evitar uma discussão desnecessária, tudo o que meu pai fez foi concordar com o Zeref, e deixou o assunto com ele morrer, enquanto fez a mesma proposta pra Erza.

Claro que ela concordou antes dele terminar a frase.

— Você também podia levar sua namorada, né Natsu-nii? – Michelle quem falou, me deixando sem reação por alguns segundos.

Por um momento até mesmo prendi a respiração e fiquei a olhando chocado, me sentindo traído. Michelle era a última pessoa que eu imaginava que me entregaria dessa forma, embora todos ali soubessem, com exceção da Layla.

Vi que todos me olhavam curiosos e atentos, e pela primeira vez eu não tinha uma resposta na ponta da língua. Fiquei gaguejando um começo de uma frase até Michelle começar a rir.

— Tenho certeza que o Gray ia adorar ir ao cinema com você. – Ela completou, enquanto os outros passaram a rir junto, concordando com o que ela disse.

Fiquei tão aliviado em ser uma brincadeira da pirralha, que tudo o que fiz foi rir junto ao invés de ameaçá-la por dizer asneiras.

Por Kami, meu coração parecia que ia parar à qualquer momento naquele meio tempo.

— Olha o sorriso do Natsu, até parece que gosta mesmo do Gray dessa forma. – Erza falou.

— Eu não me surpreenderia se ele confessasse ser gay. – Zeref foi na onda.

— Eles ficam mesmo muito grudados, e quando o Gray vem pra cá, eles ficam horas no quarto com a porta fechada… Eu tento, mas não dá pra te defender, nii-san. – Michelle sorria debochada pra mim.

— Ha ha, muito engraçadinhos vocês. Quer saber o que a gente faz lá, pirralha? – Perguntei sarcástico, sendo interrompido pela voz alta do meu pai.

— Epa! Sem baixarias na hora do almoço. Se meu filho quiser ser gay, não tem problema nenhum nisso, deixem meu garoto em paz. – Falou, tentando inutilmente ser sério, e se a intenção era parar as brincadeiras, ele só ajudou pra que elas continuassem.

— Obrigado, pai. – Sussurrei, revirando os olhos.

Continuamos na mesa por mais alguns minutos, e combinamos que iríamos no cinema no fim da tarde, e depois jantaríamos em algum lugar no shopping. Eu já imaginava que aquilo seria no mínimo estranho, porque nossa família agora estava particularmente grande. Sem falar que eu esperava não me deparar com alguém da escola, seria bastante embaraçoso.

Após o almoço, aproveitamos que estava bastante calor pra um começo de inverno, e fomos todos para o jardim dos fundos, e meu pai nos arranjou uma bola pra jogar vôlei, onde eu descobri que a Michelle e o Zeref não tinham habilidade nenhuma, – mas também não era como se eu esperasse grande coisa do nerd do meu irmão.

Acabou que até o Jellal se juntou conosco quando chegou, e então resolvemos nos dividir em dois times e transformar em uma partida.

Claro, a ideia foi minha e da Erza, porque confesso que nós éramos mesmo muito competitivos. E por conta disso, ficamos os dois responsáveis por tirar os times.

— Eu começo a escolher! Jellal! – Ela foi rápida ao falar, e óbvio que sua primeira escolha não era nenhuma surpresa.

— Lucy!

Assim como a minha também não.

— Pai!

— Ah, droga! Isso é injusto. – Reclamei, vendo que aquela seria uma desvantagem grande.

Mesmo sendo “velho”, meu pai era ótimo no vôlei.

— Reclame menos e escolha mais rápido. – Erza ralhou, e já parecia assustadora antes mesmo da partida ter começado.

— Layla.

A reação de surpresa dela já era um pouco prevista por mim, mas ver meu irmão chocado com certeza foi novidade. E bastante engraçado.

— Michelle. – Erza fez sua última escolha.

— Eu não acredito que meus dois irmãos me deixaram por último. – Zeref reclamou, vindo emburrado ao meu lado da “quadra improvisada”. – Muito obrigado pela consideração, amo vocês pra caramba viu?!

— Sem drama, maninho. Todos nós sabemos que você é péssimo nos esportes, e ainda tá reclamando de barriga cheia, porque você vai jogar! – Baguncei seus cabelos, enquanto ele tentou se desvencilhar pra me dar um cascudo.

Vi Erza juntando seu time em uma rodinha afastada de nós, e resolvi fazer o mesmo.

— Ainda bem que a gente não vai jogar com rede, porque todas as pessoas mais baixas dessa casa estão nesse time! – Observei, e os três começaram a reclamar juntos.

— Falou o gigante. – Zeref disse sarcástico, fazendo-me rir.

— Eu não disse que era grande, mas sou maior que vocês. Mas enfim… Eu fiz a besteira de deixar a Erza e meu pai juntos, e eu acho que a gente tá bem ferrado.

— Como se eu fosse deixar Igneel me vencer. – Layla murmurou séria, me fazendo encará-la um tanto surpreso.

— E eu posso cuidar da Erza, do mesmo jeito que cuidei na queimada. Vocês foram bem fáceis de ganhar naquele dia, não deve ser diferente agora. – Lucy falou convicta, e coloquei a mão no peito, fazendo uma careta e fingindo ter sido atingido por algo.

— Ai, Luce. Assim você me magoa.

— As Heartfilia não são de brincadeira. – Meu irmão comentou baixo, fazendo-as rir.

— Michelle é fácil de cuidar, mas o Jellal eu não sei. Eles tem um pouco da vantagem da surpresa, mas a gente pode lidar com isso. Além do mais, eu duvido que ele seja tão ameaçador. É só a gente descobrir o ponto fraco do time deles e a vitória é garantida. – Lucy continuou falando, e eu só conseguia ficar boquiaberto.

— Desde quando a gente trocou de corpo mesmo? – Perguntei, e ela me olhou de maneira questionável. – Eu achei que eu era o competitivo aqui, mas você me superou.

Ela começou a rir e me ignorou totalmente, mandando-nos ir para os nossos lugares, como se tivesse automaticamente tomado a posição de capitã. Não que precisássemos de um capitão nos times, era uma brincadeira em família, mas pelo jeito ela e Erza estavam levando bem mais a sério até mesmo do que eu ou todos os outros.

— Minha filha é durona, Dragneel. – Escutei Layla comentando ao meu lado, sorrindo, e eu tive certeza que ela não se referia àquele jogo, ou ao fato da Lucy ter tomado as rédeas do time.

E a única reação que tive, foi sorrir de volta. O que eu poderia falar, afinal? “É, pelo jeito minha sogra é bem durona também!”, acho que isso não ia ajudar a manter o clima legal daquela tarde.

Começamos o jogo, e como a Lucy disse, quando encontramos o ponto fraco deles foi bem mais fácil de jogar. E ela parecia até mesmo ter se transformado na Erza, já que estava bastante ameaçadora e fazia ataques fortes, que quase ninguém conseguia rebater.

Mas nosso time também não era lá tão perfeito, e sempre que a bola ia na direção do meu irmão, eram poucas as vezes que ele conseguia dar conta. Por isso, não terminamos o jogo com uma vantagem grande, mas pelo menos ganhamos, e eu tive o prazer de esfregar isso na cara da Erza, que ficou extremamente irritada.

Após o jogo, fomos todos tomar banho. Precisei emprestar roupa ao Jellal, após ameaças da minha irmã, e precisei me controlar pra não fazer propostas indecentes pra Lucy, enquanto ela esperava sua vez de usar o chuveiro, enquanto eu tinha um exclusivo no banheiro do meu quarto. Só Kami sabia o quanto eu segurei minha boca pra não tentar convencê-la a tomar banho comigo.

Depois, dividimo-nos no carro da Erza, onde foi eu, Jellal e Zeref, e as Heartfilia foram no carro com meu pai, e seguimos para o shopping. Como a gente ainda não tinha escolhido o filme que ia assistir, meu pai ligou pro celular da Erza, e ficaram oito pessoas discutindo pelo viva voz qual era o melhor filme pra gente, já que estava terminantemente proibido que ficasse cada um assistindo um filme diferente, conforme meu pai. Oito pessoas com gostos distintos iriam assistir um único filme, e eu já podia imaginar que não ia ser a melhor escolha do século, se dependesse da maioria dos votos.

Depois de muita discussão, decidiram assistir uma comédia romântica que estava em cartaz fazia umas duas semanas, e eu já me preparava pra dormir a sessão toda. Não que eu não curtisse uma comédia, mas comédias românticas são sempre a mesma coisa bizarra que a gente já sabe o que vai dar no final.

Maldita seja a decisão do meu pai de não me permitir assistir outro filme! Eu tinha certeza que Jellal e Zeref iriam comigo, nenhum deles pareciam empolgados com a escolha também.

— Zeref, posso te fazer uma pergunta? – Foi Erza quem falou, após desligar a chamada no celular.

— Faça. – Ele deu de ombros, sentado ao meu lado no banco traseiro.

— Por que mentiu ao papai sobre a Mavis? Você sabe que não dá pra esconder isso pra sempre, não é?! Ainda mais do papai. – Ela foi direta, e confesso que era mesmo uma pergunta interessante.

— Ele não entenderia. – Foi sua resposta, baixa, direta e curta.

— Você nem tentou explicar. – Erza revidou, demonstrando sua desaprovação.

— Erza, você melhor que ninguém sabe que tudo o que eu faço é pra agradar nosso pai, e que ele sempre me quis casando com uma mulher bem sucedida. Mavis é uma colegial que só está começando a vida. Ele sempre foi um ótimo pai e compreensivo, mas ele não apoiaria isso. Quando Mavis envelhecer vai ficar um pouco mais fácil de contar, mas até lá…

— Até lá você vai continuar mentindo pro papai? – Erza o cortou, parecendo bastante alterada. – Quanto tempo levaria? Mais dois ou três anos escondendo isso? Não acha que ele ficaria magoado?

— Eu também ficaria magoado se ele desaprovasse! Acha que não me chateia esconder isso do meu pai? É claro que sim! Mas me chateia mais ainda saber que ele não vai querer esse relacionamento e vai dizer que é bobagem minha perder tempo com ela. – Ele respondeu, igualmente alterado. – Eu amo a Mavis, Erza.

— Se ama mesmo, então lutaria por ela até se recebesse desaprovação do papai. Você tem medo do quê, Zeref? Dele dizer que se decepcionou com você?

Após aquela pergunta, o carro voltou ao silêncio, mas o clima pesado permaneceu. Olhei discretamente ao meu irmão, e pela cara que ele fazia, Erza parecia ter acertado no real problema ali.

De fato, meu irmão sempre fazia tudo pra agradar meu pai, afinal ele era o primogênito. Sua carreira médica, por exemplo, foi mais algo do desejo do Igneel do que do próprio Zeref, mas no fim ele aprendeu a gostar do que fazia. Então, cogitar decepcionar meu pai pela primeira vez ao longo daqueles vinte e seis anos, provavelmente era como um pesadelo pro Zeref.

Eu não o compreendia totalmente porque eu sempre fui livre pra fazer o que bem entendesse, e já havia decepcionado meu pai diversas vezes com brigas e problemas na escola. Mas ele já tinha superado e eu também. Com Zeref era diferente, ele era o orgulho da família Dragneel, aquele que sucederia os negócios do meu pai em um futuro distante. Acho que não preciso dizer o quão estranho soa para os engravatados a ideia do sucessor do meu pai namorar uma colegial dez anos mais nova.

Eu sentia um pouco de dó do meu irmão, minha situação sequer podia se comparar com a dele.

Ficamos em total silêncio até chegarmos ao shopping, e eu e Jellal fomos direto comprar os ingressos para todos, pra adiantar as coisas até que meu pai chegasse, e deixar Zeref e Erza se resolvendo a sós, se é que havia mais alguma coisa pra ser dita.

— Será que viram a classificação do filme? – Jellal me perguntou, olhando para o cartaz na entrada da bilheteria e apontando para o quadrado do “16+”. – A Michelle não vai poder assistir.

— Acho que não tem problema se meu pai entrar com ela, ele é o responsável e tudo o mais. – Dei de ombros, entregando o dinheiro pra atendente, e recebendo os ingressos.

— É, é provável. – Ele resmungou, pegando seu ingresso e o da Erza de minhas mãos. – E então… Que família eu fui me meter, hein?! – Falou rindo, enquanto eu o observava de canto de olho.

— O que quer dizer? – Tentei ficar sério, querendo saber onde ele queria chegar com aquilo.

— Uma namorada que tem fetiches por caras mais novos, um cunhado que tem fetiches por garotas muito mais novas, outro cunhado que tem fetiches por meias-irmãs…

— Cala a boca, Fernandes. – O cortei antes que ele continuasse, e ele começou a rir.

Meu amigo realmente esquecia quando era a hora de ficar calado.

— Tá tudo bem com você e a Lucy? – Dessa vez ele foi cuidadoso ao falar. – Digo, ela ficou bem chateada naquela noite na casa do Loke, e ontem vocês estavam bem… Próximos.

— Eu não sei direito… Ainda não consegui um tempo pra conversar com a Lucy sobre isso tudo, e também tem a mãe dela que agora tá desconfiando de nós…

— Com razão!

— Claro, com razão. Mas não é a melhor coisa do mundo.

— Então só conte logo.

— Não é tão simples assim. – Revirei os olhos, porque aquilo era bastante óbvio. – É uma decisão da Lucy, agora. Eu já contei ao meu pai e ele disse que tá tudo bem, mas que precisamos conversar com a Layla também porque não vai ser legal esconder isso dela. – Suspirei, sentando-me em uma das mesas disponíveis próxima à venda de pipocas e doces do cinema, e Jellal me acompanhou. – Mas às vezes parece que ela age como se fosse um crime ou algo do tipo.

— Lucy ou Layla?

— As duas. – Ri sem qualquer humor, finalmente avistando eles chegando.

— Paciência, cara. Eu acho que a Lucy gosta mesmo de você, ou ela já teria te dado um pé na bunda faz tempo. Aliás, ela consegue ser bastante assustadora quando quer… – Ele comentou baixo, se referindo ao jogo de vôlei de mais cedo, e eu acabei rindo de modo exagerado.

— Sim, ela é. Mas confesso que fiquei com tesão. Só consigo imaginar ela sendo bruta na cama, e nossa...

— Tá aí um fetiche que compartilhamos. – Jellal falou, com um sorriso sacana.

— Ah cara, por favor, não me conte suas experiências com a minha irmã, sério. Eu juro que não quero saber. – O calei antes que detalhes viessem à tona.

Nossa conversa acabou quando todos se aproximaram. Entreguei os ingressos para cada um e fomos comprar nossas pipocas, já que a sessão do filme começaria em poucos minutos. Enfrentamos uma fila enorme, e só conseguimos ir pra sala quando já estava no fim dos trailers.

Bom, pelo menos a gente não acabaria com a pipoca antes do filme começar.

Não sei se foi a intenção ou não, mas Jellal conseguiu mandar Layla e meu pai para as primeiras cadeiras, enquanto na nossa pequena desorganização, eu e Lucy ficamos pra sentar por último, longe o bastante da visão da minha sogra-madrasta.

Será que sograsta era um nome muito feio pra chamá-la de agora em diante?

Confesso que, de certa forma, aquela sessão de filme passou a ficar mais interessante com Lucy ao meu lado. Não era de todo ruim poder olhar pra ela quando eu me entediasse com o filme ou algo do tipo.

Na primeira meia hora eu já estava propositalmente perdido na história, então passei a provocar Lucy, porque aquilo com certeza era bem mais interessante.

Primeiro comecei mexendo com seu cabelo. Acredito que eu nunca tenha mencionado, mas o cabelo da Lucy era o mais lindo que eu já toquei. Presos em duas maria chiquinhas baixas, fiquei enrolando em meus dedos a maria chiquinha do meu lado. Lucy não pareceu se importar muito com isso.

Depois roubei um de seus doces, e peguei sua mão pra mim, brincando com seus dedos pequenos até Lucy se incomodar.

— Preste atenção no filme, Natsu. – Ela cochichou, me olhando como se estivesse falando com uma criança teimosa.

— Esse filme é chato, Luce. E todo mundo sabe que no fim o casal vai ficar junto. – Resmunguei, e ela sorriu discreta.

— Você é especialista em comédias românticas, então? – Ela me olhou divertida, e logo em seguida fixou seus olhos no telão. – Só veja o filme.

Claro que eu só a obedeci nos primeiros trinta segundos, porque meus olhos logo desviaram pra ela de novo. Sua expressão concentrada, a maneira como ela brincava com o canudo do refrigerante na mão, sua perna inquieta, Kami, aquelas pernas à mostra com aquela saia…

Voltei a brincar com seu cabelo, enquanto minha verdadeira vontade era brincar com minha mão embaixo de sua saia, mas eu tinha uma leve impressão que levaria um soco se tentasse algo do tipo.

Vez ou outra eu voltava minha atenção pro telão, e estava tudo indo muito bem na história, até o casal ficar íntimo demais e mostrar parcialmente as cenas de sexo deles. Não uma, ou duas, mas muitas cenas, de diversos ângulos e em diversas posições.

Lucy só faltava se afundar no chão de tão sem graça, e eu não precisei olhar pro lado pra descobrir que isso acontecia com todo mundo.

É, deveríamos levar a classificação etária em consideração na próxima vez.

Por dentro fiquei só segurando minha risada, enquanto Lucy passou sua total atenção ao copo de refrigerante em mãos, mesmo depois das cenas terem passado.

— A gente podia testar uma daquelas posições… – Comentei em um sussurro, bem sacana.

— Cala a boca, Natsu! – Ela me deu um tapa, e então foi inevitável segurar a risada.

Recebi olhares feios de algumas pessoas, mas eu estava bem “foda-se” pra elas.

— Não fica brava, Luce.

— Eu não tô brava. – Ela murmurou, sem conseguir sequer me encarar.

— Ok, você não tá brava. – E cuidadosamente passei o meu braço em seus ombros, e a aproximei um pouco mais de mim, o suficiente que aquele braço idiota da cadeira nos permitia. – Se você ficar assim perto, a gente pode conversar sem ninguém xingar a gente.

— Mas a gente não tá aqui pra conversar! – Ela reclamou, porém não tentou sair do meu abraço.

— Você não parece mais tão interessada no filme. – Falei, e Lucy ficou em silêncio por um tempo, como se confirmasse o que eu disse. – Luce, me avise se eu fizer algo que você não quer, tá?!

Ela ficou curiosa com o que eu disse, e passou a me olhar atenciosamente. Ficamos por longos minutos assim, e tudo o que eu conseguia pensar era que Lucy tinha os olhos mais lindos que eu já tinha visto.

— Natsu… Você não se importa? – Ela perguntou hesitante.

— Com o quê?

— Com o Loke. – Respondeu rápido, como se fosse óbvio. – E pessoas como ele. Julgando a gente, o que a gente faz… Digo, ele não tá errado. Moramos juntos, somos da mesma família agora… Isso não é estranho pra você?

— Não. – Dei de ombros, e ela pareceu perplexa com a minha resposta. – Não é estranho, e eu não me importo com ele ou com as pessoas. E eu faria qualquer coisa pra você não ter que lidar com isso, se for o problema pra gente ficar junto.

— Natsu…

— Eu falo sério, Luce. Não vão me fazer mudar de ideia, nem mesmo sua mãe. Eu nunca me senti desse jeito com alguém, então porque eu deveria ignorar o que eu sinto só porque terceiros falam asneiras?

Lucy ficou surpresa com o que eu disse, e por alguns segundos tudo o que fez, foi me direcionar aqueles olhos arregalados e balbuciar vários nadas.

— Você não se sente diferente comigo, Luce? – Perguntei cuidadoso, dando a ela algum tempo pra pensar.

E ela precisou de bastante dele.

— Sim. – Enfim ela respondeu, mas estava envergonhada e passou a olhar pros nossos pés atentamente. – Eu me sinto diferente. Mesmo que digam que é errado... Eu sinto que o errado deles é muito certo pra mim. – Sussurrou, e meu coração palpitou a cada nova palavra sua.

Meu sorriso se abriu imenso, e fiquei sem reagir. Por Kami, Lucy tinha finalmente admitido que era certo ficarmos juntos, aquilo era tudo o que eu estava querendo ouvir fazia tempo!

Então, foi como sentir que ali só havia eu, Lucy, as cadeiras que sentávamos e a milha felicidade, que eu tinha a impressão que mais nada naquele dia podia me tirar ela.

Eu não me sentia tão feliz assim fazia muito tempo. E só foram poucas palavras responsáveis por isso. Mas da boca da garota que eu estava perdidamente apaixonado, e isso valia mais que tudo.

Havia um calor tão bom em meu peito, e minha barriga se remexia em nervosismo. Tudo o que eu queria era puxar Lucy pra um beijo, e nunca mais soltá-la, mas infelizmente, ali onde estávamos não era possível – e não era só por culpa do braço da cadeira –, então só lhe dei um beijo demorado na têmpora e a abracei mais forte, recusando-me a soltá-la enquanto não fosse tempo.

— Obrigado pela chance, Luce. – Sussurrei em seu ouvido, ao que ela segurou minha mão pelo resto do filme.

Não sei se era o filme que já estava no fim, ou o tempo que resolveu ir muito rápido, mas logo me vi obrigado a soltar Lucy pra irmos embora.

Fomos jantar em um restaurante do shopping, e durante todo o momento que ficamos ali, só consegui sorrir igual um idiota pra minha comida, enquanto Lucy estava ao meu lado discutindo com todos sua parte favorita do filme. Eu sei que todos perceberam, mas os únicos que comentaram sobre isso foram meus irmãos e Jellal, quando voltamos pra casa.

— Vou ficar te devendo essa. – Falei ao Jellal, já que descobri que realmente foi uma estratégia sua de deixar eu e Lucy longe do meu pai e Layla.

— Não, não precisa. Fiz isso pra você ficar feliz e pra parar de encher meu saco com a sua irmã. – Ele me deu tapinhas nas costas, rindo sacana. – Me espera pra gente ir junto pra aula amanhã, tá?!

— Juntos? Você vai vir até aqui me buscar? – Perguntei um tanto incrédulo, afinal a casa dele era longe, vir até a minha casa era totalmente fora de rota.

— Como você é ingênuo, Dragneel. – Ele me deu mais tapinhas no ombro, e subiu as escadas rindo. – Eu vou dormir aqui.

Ah, mas é claro que ia.

Revirei os olhos e fui pra cozinha, alimentar Happy e o cachorro monstruoso das Heartfilia, enquanto elas e meu pai não chegavam.

Claro que saímos juntos do shopping, mas Erza tinha pé de tijolo quando estava dirigindo. E de certa forma, eu até preferia ela do que meu pai atrás do volante.

Quando eles chegaram, escutei todos indo para o andar de cima, murmurando vários “boa noite” pra todo mundo, mas Lucy e Michelle foram direto pra cozinha.

— Natsu-nii. O que tá fazendo? – Michelle perguntou, parecendo surpresa em me ver.

— Dando comida pro Happy e o…

— Theodore. – Lucy completou.

— É, o criador de minas. – Fiz uma careta, e as duas riram.

— Eu ia fazer isso, mas obrigada. – Michelle me deu um rápido abraço e saiu correndo, gritando boa noite pra gente da escada.

Terminei de limpar a caixa de areia do Happy, e vi que Lucy ainda estava ali, um pouco sem graça, mas me observando atentamente.

— Eu pareço sexy limpando as sujeiras do meu gato? – Perguntei, sorrindo debochado.

— Parece. – Ela respondeu, mas tão rápido quanto disse, colocou a mão na boca e arregalou os olhos, provavelmente arrependida de ter dito em voz alta.

E claro, não consegui evitar a risada.

— Olha só a que ponto chegamos, Lucy Heartfilia confirmando em voz alta que eu sou sexy até limpando merda. – Falei divertido, deixando-a cada vez mais sem graça, e me aproximando cuidadosamente.

— Idiota… – Ela sussurrou, e eu sabia que aquela não era bem a palavra que ela queria usar agora.

— Tudo bem, eu não vou espalhar por aí, vai ser um segredo nosso. – E então, próximo o suficiente, eu a segurei pela cintura e a fiquei encarando por longos segundos, descobrindo que não era só impressão minha, mas toda vez que nos aproximávamos, sempre tinha uma tensão entre nós.

E Lucy também tinha percebido.

Sem que qualquer palavra precisasse ser dita, suas mãos se enroscaram em meu pescoço e ela se inclinou, me convidando a lhe beijar. Claro que não a deixei esperando um segundo sequer, aquilo era o que eu queria fazer a noite inteira.

Eu não fiz a menor questão de disfarçar minha ansiedade, e Lucy pouco se importou, já que me beijou de volta na mesma intensidade. Era um beijo urgente, regrado com todos os meus sentimentos por ela, e minhas expectativas pra aquilo que estávamos tentando começar.

Não sei dizer quanto tempo fiquei experimentando daquela boca que me deixava louco, mas escutei quando fomos interrompidos por um pigarrear.

Não um pigarrear qualquer, e sim o pigarrear de Layla Heartfilia.

Notas finais
Gente, tá bem tarde agora e eu tô morrendo de sono, então não vou tagarelar como sempre AHSAHUs' só vim pra deixar o capítulo agr, pq talvez eu vá passar o dia fora e daí ia postar lá pras onze da noite >. Não sei se vocês conhecem a página NaLu Brasil no facebook, mas eles fizeram uma entrevista comigo, e se vocês quiserem dar uma olhada, aqui está o link > https://www.facebook.com/NaluBrasiloriginal/photos/a.681842355308189.1073741892.337235969768831/686816288144129/?type=3&theater Obrigada por acompanharem até aqui, e próximo capítulo sai dia 22/09, ok?! ;D Obrigada por terem paciência comigo e por darem tanto amor pra TM ♥ Até mais ;D