Troublemaker
39 Noite Improvisada
Notas iniciais
— Lucy, você tem dois minutos pra se arrumar. – Sussurrei próximo de seu ouvido, ao entrar cuidadosamente debaixo de suas cobertas.
A abracei, envolvendo também os seus braços, pra no caso dela acabar me batendo com a surpresa de alguém invadindo sua cama, e a observei me olhando um pouco irritada.
— O que diabos você tá fazendo na minha cama? E a essa hora? – Ela tentou se virar junto com o corpo, e a percebi prendendo a respiração quando me viu próximo demais. – E me arrumar pra quê?
— Não está assim tão tarde, ainda são onze da noite. Eu é que não tô entendo o que diabos você tá fazendo já querendo dormir, Luce. – Falei, tirando algumas mechas de seu cabelo que caiu em seu rosto.
— Você sabe que se minha mãe decidir entrar aqui e te ver desse jeito, ela vai matar nós dois, não é?! – Ela sussurrou de volta, tentando ser séria. – E você ainda não respondeu minha pergunta.
— Layla não entraria aqui, não tem o porquê. Inclusive, eu poderia muito bem tirar sua roupa agora mesmo e ela nem sequer desconfiaria… – Provoquei, subindo minha mão por debaixo de sua camiseta até suas costas, brincando com o fecho do seu sutiã.
— Tarado. – Lucy reclamou, puxando minha mão para baixo com pouca delicadeza. – Se eu gritasse ela saberia.
— Ah, você não faria isso. – Ri, logo a beijando provocantemente no pescoço, escutando-a segurar um gemido. – Vamos viajar, o que acha? Peguei a moto do meu irmão emprestada, e vamos pra praia aproveitar um pouco a noite de hoje antes que o inverno comece de verdade.
— Viajar pra praia? Você tá bêbado ou algo assim? – Lucy segurou meu rosto entre ambas as mãos e me deixou cara a cara com ela, pra que pudesse me encarar nos olhos.
— É sério, Lucy. – Resmunguei, um pouco irritado por ela ter me chamado de bêbado. Ela nem sequer já me viu bêbado. – O tio Gildarts tem uma casa lá no litoral, e eu sei que você nunca viu as praias daqui, além daquela da cidade que viajamos um tempo atrás pro meu jogo.
— Natsu, são onze horas da noite! – Ela enfatizou bastante aquelas palavras, prensando ainda suas mãos espalmadas em minhas bochechas.
— E daí? Eu sei dirigir de noite também, oras. Além do mais, a estrada essa hora tá vazia, a gente chega lá em meia hora, e dá pra gente voltar antes da Layla acordar, ou antes dela perceber que sumimos. – Tentei persuadi-la, mas Lucy ainda não parecia muito convencida.
— Qual vai ser a vantagem de viajar essa hora pra praia e voltar antes da minha mãe acordar? – Ela perguntou, e se não estivéssemos deitados, eu tenho certeza que ela teria cruzado os braços e me olhado presunçosa.
— Vamos poder ver o nascer do sol juntos, e… Bom, quem sabe não te deixar com um gostinho de quero mais pra você me pedir pra voltar lá mais vezes. – Lhe dei uma piscadinha, tirando toda a guarda de Lucy e a fazendo rir.
— Convincente. – Ela assumiu, fazendo-me sorrir grande.
— Claro que sim. Eu prometo que não vai se arrepender de ficar sem dormir, Luce. O que me diz? – Perguntei ansioso, enquanto ela me torturava fingindo pensar sobre minha proposta. – Vamos?
***
Foi rápido pra que eu conseguisse arrumar todas as coisas que precisaríamos para nossa breve viagem. Com sorte, ninguém me parou na cozinha para me perguntar por qual motivo eu enfiava comida dentro de uma mochila já abarrotada de coisas, ou por quê eu estava andando nas pontas dos pés e xingando em sussurros o cachorro maldito das Heartfilia. Estavam todos em seus devidos quartos, em suas devidas camas, e sem me perturbar.
Sem meu irmão saber, roubei a chave de sua moto e enfiei um bilhete embaixo da sua porta, onde dizia que se ele acordasse antes de eu voltar, não precisava se preocupar que eu cuidaria muito bem de sua preciosidade. Ele realmente tinha muitos sentimentos por sua moto, e eu me ferraria se acontecesse qualquer coisa.
Eu e Lucy saímos com cuidado de casa, e lhe entreguei um capacete e a mochila com nossas coisas, enquanto eu colocava o outro capacete também. Lucy ainda estava bastante apreensiva sobre andar de moto comigo tão tarde da noite pra um bate e volta¹, mas mesmo assim subiu após eu me ajeitar, e segurou firme em mim num abraço pela cintura.
Assim como fazia tempo que eu não visitava a casa da fonte termal do tio Gildarts, fazia muito mais tempo que eu não ia em sua casa na praia. Lá, diferente das outras casas, era um local que nossa família tinha total acesso, já que ele nos deu uma chave e tudo o mais, mas era muito raro conseguir um tempo livre pra todos viajarmos, então tinha no mínimo uns quatro anos que eu não fazia aquele caminho com meu pai e meus irmãos.
Então, além de ter chances de eu me perder na estrada, a chave poderia ser imprestável também.
Mas nada disso de fato importava quando Lucy estava na garupa comigo depois daquela semana turbulenta.
Domingo pela noite, após Layla nos pegar no flagra, por alguns segundos eu jurei que eram meus últimos minutos de vida. Ela podia ser menor que eu, mas sua pose imponente colocaria medo em qualquer pessoa, e aqueles braços cruzados, aquele olhar desafiador. Por Kami, me arrepiava tudo de novo só em pensar.
— Lucy, vá pra sala. – Ela ordenou, e toda a doçura que Layla tinha ao falar com qualquer um de nós estava totalmente desaparecida.
Lucy, por sua vez, hesitou por um momento, se colocando em minha frente como se estivesse pronta a me proteger.
Eu realmente nunca imaginei que viveria pra ter um momento onde uma garota me defenderia de uma mãe raivosa. E não era qualquer garota, ou qualquer mãe raivosa.
— Lucy, você me escutou? – Layla foi firme de novo, e Lucy nem ao menos tremeu com aquela ordem.
Se fosse comigo, eu já teria corrido até a sala sem pensar duas vezes.
— Escutei, mas não vou deixar o Natsu sozinho. – Ela revidou, e por dentro eu a estava chamando de louca, claro, porque bater de frente com a Layla daquele jeito não era pra qualquer um. Eu tenho certeza que nem meu pai faria isso. – Se você quiser dizer algo pra mim, ou pra ele, nós dois vamos ouvir juntos.
Na verdade eu não queria escutar nada mesmo, mas se a Lucy disse…
Quem é que seria o desajuizado a abrir a boca em um momento daqueles?
— Ah, então agora é “nós”? – Layla fez aspas no ar, comentando com um sarcasmo mais palpável que a Lucy na minha frente. – Desde quando isso? – Perguntou, apontando com certa má vontade pra nós dois.
— Mãe, não faz muita diferença, a gente só…
— Só estava aos amassos na cozinha de casa. – Layla a cortou, e escutar aquilo dela me fez querer rir, e o desespero bateu novamente quando eu percebi que não consegui segurar só pra mim, e as duas me olhavam sérias.
Por Kami, eu seria fatiado à qualquer momento.
— Desculpa, eu só… É que… Você disse que…
— Só cala a boca, Natsu. – Lucy sussurrou pra mim, e obedientemente fechei a boca, encarando o chão e tentando fazer um buraco bem grande com os olhos, pra me enfiar lá e nunca mais voltar pra cima.
— Isso é uma falta de respeito. Comigo e com seu pai. – Percebi que agora Layla falava diretamente pra mim, e eu vi que a deixei ainda mais brava depois de ter rido.
Eu era mesmo um tonto.
— Por quê? Mãe, sério, você está exagerando. Vamos tomar uma água e conversar com calma.
— Fui calma o dia inteiro, não fui, Natsu?! – Perguntou ironicamente, e mais do que nunca quis fingir que eu não existia. – Agora não tem razão pra atender seu pedido, quando os dois claramente desrespeitam as regras familiares.
— Regras familiares? – Dessa vez fui eu quem perguntou, porque já que Layla estava fazendo questão de me manter na discussão, então eu tinha que entrar de cabeça. – Que regras? Não se beijem na cozinha porque alguém pode ver? É proibido se beijar dentro de casa? Espere todo mundo dormir antes de beijar alguém? – Fui bem irônico, e eu podia ver uma aura endiabrada na Layla e um olhar de assassina, que eu teria corrido se não estivesse naquelas circunstâncias.
— Você tá brincando comigo, Natsu? Porque eu não vejo graça nenhuma! Os dois sabem muito bem do que estou falando, ou não teriam mantido isso em segredo.
— Mãe, por favor…
— Quieta, Lucy! Você me decepcionou… Você não era assim antes de virmos pra cá.
Foi instantânea a maneira que Lucy se encolheu ao ouvir aquelas palavras, e isso foi o suficiente pra me deixar bem irritado. A puxei pro meu lado e me coloquei em sua frente, assim como ela estava fazendo antes, mas fiquei muito mais próximo da Layla, não querendo intimidá-la, mas querendo tentar colocar alguma ordem naquilo que já estava virando uma bagunça sentimental.
— Escuta, Layla, não é porque Lucy estava me beijando que isso muda alguma coisa de quem ela é. Lucy não está menos incrível porque estamos juntos, então não venha com papo de decepção pra deixar ela se sentindo culpada por isso.
— Natsu, abaixe o tom de voz, por favor. – E para minha surpresa, quem interferia era meu pai, se colocando no meio de mim e da Layla, terrivelmente calmo. – Você não está falando com seus amigos da escola, então mantenha o respeito, certo?! – E então se virou pra Layla e a segurou com cuidado pelos ombros. – Vamos nos sentar na sala? Acho que vai ser melhor se nos acalmarmos primeiro.
Como a situação meio que pedia por isso, ela concordou sem dizer nada, e os dois seguiram pra sala, enquanto eu fiquei ali com Lucy, que estava bastante desanimada.
— Lucy, desculpa, eu não imaginava que…
— Não, tudo bem. – Foi rápida em me cortar, fazendo um breve carinho em meu braço. – Obrigada por me defender.
— Aquilo não foi nada. – Dei de ombros, fazendo uma careta.
Eu sabia que poderia ter feito muito mais, mas não tinha sido o ser humano mais corajoso do mundo.
— Não é verdade, significou muito pra mim. – E então ela suspirou fundo, fechando os olhos durante alguns segundos. – Vamos pra sala também, isso ainda não acabou.
— Eu preferia fugir daqui… – Recomendei em um cochicho, fazendo-a rir.
— Eu também, mas você sabe que não dá pra fugir pra sempre. – E seus dedos desceram calmos pelo meu antebraço, até se encaixarem em minha mão e a entrelaçar, puxando-me até a sala dessa forma.
Se a Layla tivesse se acalmado, o sangue ia ferver de novo nos vendo assim.
— Natsu, Lucy, gostariam de se explicar? – Meu pai perguntou assim que ficamos de frente para eles, e parecia que ele tinha tomado as rédeas da situação.
— Desculpa mãe, mas não vejo nada de errado nisso. – Lucy simplesmente disse, como se fosse fácil assim, só jogar a bomba no ar e esperar as vítimas lidarem com isso.
No caso, só a Layla mesmo.
— Mas está errado! – Ela respondeu rápido, só não gritando por respeito ao meu pai, mas as veias saltadas na testa diziam que Layla provavelmente teria um ataque do coração à qualquer momento. – Eu já imaginava que convencer vocês que somos uma família agora seria difícil, mas a esse ponto? – Ela voltou a ficar de pé, andando de um lado para o outro visivelmente perturbada. – Não é mais a família Dragneel e a família Heartfilia, estamos juntos nessa como um só. O casamento não foi só pra juntar eu e Igneel, foi pra juntar todos nós, ou não teríamos feito essa mudança. Eu poderia muito bem ter deixado Lucy e Michelle em Nova Iorque pra elas terminarem os estudos, mas eu preferi trazê-las e nos tornar uma família ainda maior e melhor, e manter a proximidade que vocês já teriam se eu nunca tivesse me mudado com Jude.
E Layla acabou tocando em um assunto chave, fazendo-me sorrir vitorioso por isso.
— Aí tá um ponto que não faz muito sentido, porque se eu e Lucy já fôssemos próximos desde antes, eu tenho certeza que já estaríamos namorando faz tempo, e não nos tratando como irmãos. – Dei de ombros, fingindo falsa inocência.
De todas as reações que eu esperava da Layla, a de negação era a última da lista, com toda certeza.
— Não, vocês não iriam. Você não é do tipo de namoro à longa data, e você não machucaria a Lucy se realmente se importasse com ela. Como deveria ser agora também. – Ela me acusou, me deixando desestabilizado por palavras tão afiadas.
Podia parecer que não, mas escutar aquilo realmente me chateou.
— Espera, desde quando mesmo você me conhece? Como pode dizer coisas assim com tanta certeza?
— Pode não parecer, mas eu já fui adolescente, Natsu, e conheço muito bem garotos como você. E eu não gosto nem de imaginar você machucando minha filha, porque as coisas não ficariam muito agradáveis por aqui.
— Eu tô ficando louco ou isso é uma ameaça? – Perguntei, olhando sério pro meu pai, cansado daquelas falsas acusações. Por que diabos eu magoaria Lucy? – Sua mulher tá me ameaçando e você não vai falar nada?
E foi aí que todo o nosso redor ficou com uma atmosfera perigosamente pesada, já que eu e Layla olhávamos pro meu pai, cada um esperando por uma resposta diferente, e claro, por apoio. E ele estava em um campo minado, qualquer deslize que fosse, seria um estrago terrível.
— Pelo amor de Deus, eu não tô sendo pago pra isso! – Igneel respondeu após um longo tempo, e eu estaria rindo se não estivesse fazendo planos malignos na cabeça que envolvessem a mãe da garota ao qual eu estava apaixonado, também conhecida como esposa do meu pai. – Me desculpe pelo que vou dizer, Layla, mas você não acha que a Lucy já tá um pouco grandinha e pode tomar esse tipo de decisão? Digo, se ela suspeita do Natsu do mesmo jeito que você, ela não vai em frente com isso.
Por um momento eu quis dar um abraço bem forte no meu pai e gritar que o amava, mas só não o fiz porque meio que ia alimentar uma briga entre ele e Layla, e apesar de tudo, ver seu casamento desestabilizado logo no primeiro mês não era uma coisa que eu desejava. Então, tudo o que fiz foi me contentar com suas palavras de apoio indireto a mim.
— E além do mais, ele é meu filho, querida, chateia a mim também que você tenha esse tipo de pensamento. – Igneel falou calmo, aproximando-se dela cuidadosamente e tentando abraçá-la, no qual Layla recusou sem pensar duas vezes. – Ele não vai magoar a Lucy, e se fizer, vai ter que se ver comigo. E sim, é uma ameaça, e acho bom que pense a respeito, porque você sabe do que sou capaz. – Falou, me olhando sério, do tipo que dizia “é melhor ter medo de mim, moleque, porque eu te conheço bem o suficiente pra te ferrar”, o que era um fato.
— Dou minha palavra, eu não faria nada contra a Lucy. – Levantei minha mão direita como forma de juramento, como os réus e testemunhas faziam no tribunal, e isso foi suficiente pra tirar um mínimo sorriso de seu rosto.
— Mas eu ainda não estou de acordo, isso é inadmissível! – Layla protestou, e eu já previa que ela não desistiria disso tão fácil. – Eu não trouxe Lucy aqui pra vocês namorarem, vocês são irmãos! Deveriam se respeitar como irmãos!
— Mãe, por favor...
— Você não sabe com o que está lidando, sempre estudou em uma escola só para garotas, como poderia entender?
— Qual é, mãe, eu não estou na idade da pedra, eu já tinha amigos homens desde aquela época. – Lucy protestou, descontente.
— Gajeel, o namorado da sua melhor amiga? – Ela riu sarcástica, e por um momento isso me fez temer Layla de novo. Ela não era pra brincadeira. – Você está sendo precipitada, e escolhendo a pessoa errada pras suas descobertas.
E então foi minha vez de interromper o momento mãe e filha com um pigarrear, não curtindo muito o desenrolar daquilo.
— Licença, a pessoa errada está indo dormir agora, porque amanhã cedo me levanto pra aula. – Fui cara de pau, no que não deixou Layla muito alegre.
Como eu disse, fui direto pra cama, despedindo-me dos três, mas especialmente de Layla, porque eu às vezes apreciava uma provocação. Depois disso, não sei ao certo se Lucy foi dormir também ou se continuou discutindo com sua mãe, mas no dia seguinte ela e Michelle me acompanharam junto com o Jellal pra aula, e ficamos juntos no intervalo, voltamos juntos pra casa, e foi assim a semana toda.
Dentro de casa tínhamos o mínimo contato, já que Lucy queria esperar a poeira com a Layla abaixar, mas em compensação, ela não me ignorou na escola e muito menos pediu distância. Na verdade, Lucy estava tão empenhada em fazer aquilo dar certo quanto eu, e isso era no mínimo revigorante e encorajador pra mim.
E agora ela estava grudada em mim, em cima de uma moto tecnicamente emprestada, indo para uma pequena viagem duvidosa, onde as chances da gente voltar antes da Layla descobrir eram mínimas. Mas ela estava correndo o perigo comigo, e o fato de estarmos fazendo essa loucura juntos deixava tudo ainda melhor.
Pegamos quase nenhum trânsito e chegamos na casa do Gildarts em quarenta minutos, e antes que eu convidasse Lucy pra aproveitar o mar comigo, lhe apresentei todo o interior da casa. Como o acesso dos fundos dava direto pra praia, não precisamos andar muito, e pra nossa sorte, estávamos completamente sozinhos ali naquela imensidão arenosa.
Tirei uma manta da mochila para colocar na areia, pra que ficássemos sentados ou deitados sem encontrar areia em partes indesejadas do nosso corpo depois, e entreguei à Lucy um pacote pequeno de chocolates em gotas, coisa da qual eu descobri que ela era viciada, e comia escondida em seu quarto quase todos os dias.
— Como você sabe disso? – Ela perguntou, apontando para o pacote com um misto de surpresa e desconfiança.
— Eu presto atenção em tudo o que você faz, Luce. – Sorri grande, vendo-a ruborizar.
Sentei ao seu lado e recebi algumas gotas na boca, percebendo a razão dela gostar tanto daquilo.
Lucy tirou o tênis e as meias que usava e afundou todos os dedos dos pés na areia, e acabei lhe imitando, aproveitando pra tirar a camiseta e sentir a brisa agradável batendo em minha pele.
Devoramos não só todo aquele pacote, como os outros três que eu trouxera, enquanto admirávamos a beleza das estrelas e as ondas baixas que o mar formava.
— O que achou de mim como motorista de moto? – Perguntei, mexendo em seu cabelo solto.
— Não senti medo de morrer nenhuma vez, então acho que dá pro gasto. – Zombou, dando um beijo demorado em minha bochecha enquanto ria.
— Dou pro gasto pra muitas coisas, Heartfilia. – Disse, roubando um beijo seu. – Por que não aproveitamos o mar? Dizem que de noite ele sempre tá agradável, depois de absorver os raios do sol pelo dia todo…
— Olha só se alguém não tem estudado geografia ultimamente!
— Eu não sou só um rosto e corpo perfeitos, princesa.
— Ah meu Deus, que convencido. – Lucy começou a rir, me acompanhando até o mar.
Claro que antes eu retirei a calça que usava, ficando só de cueca box, e entrei até onde a água me alcançava a barriga, sendo seguido por Lucy. Mas, para minha estranheza, ela estava completamente vestida.
— Por favor, me diga que eu estou enxergando embaçado pela água e você não está de roupa. – Tentei ser o mais dramático possível, e ela revirou os olhos.
— Qual o problema? Eu trouxe mais roupa pra me vestir depois.
— Ah não, Lucy. Assim não tem graça, não é assim que se aproveita o mar.
— E como é então?
— Pelados, de preferência. – Falei, e a observei ficando sem graça e gaguejando. – Vem aqui, deixa eu te ajudar com isso.
— Nem pensar!
Ela começou a fugir com dificuldade pela água, e acabou caindo. Claro, isso resultou em um ataque de riso em nós dois. Comecei a persegui-la, passamos a jogar água um no outro, gritar e nos divertir, e ficamos aproveitando aquele momento onde nada e ninguém no mundo poderia impedir nossa felicidade por longos minutos.
Quando finalmente consegui pegá-la, de costas pra mim, lhe abracei com carinho e comecei um beijo calmo em seu pescoço, onde Lucy me deu total liberdade, inclinando-se ao meu favor e segurando meus braços junto aos seus. Sua pele molhada e com uma mistura de cheiro de mar e seu próprio cheiro me deixou tentado, e de beijo passou para pequenos chupões e mordidas inofensivas.
Sem qualquer intenção, o clima mudou bruscamente de uma coisa divertida, pra uma tensão sexual palpável em qualquer canto daquela praia. Lucy ainda estava totalmente vestida, mas ainda assim me provocava com a roupa toda colada ao seu corpo, e acentuando ainda mais as curvas que tinha. E parecia coisa da minha cabeça, mas era como se o mar pudesse sentir todas as minhas células em pura excitação, e compreendesse o que estava pra acontecer.
Lucy se virou de frente para mim e sequer hesitou em me beijar, enlaçando os braços em meu pescoço, e juntando seu corpo ao meu o máximo que dava. Seu beijo não tinha pressa nenhuma, e era ela quem nos guiava, enquanto eu aproveitava minhas mãos em suas costas, acariciando-a de uma forma provocante.
Pela primeira vez eu estava me permitindo sentir mais do que em todas as outras ocasiões. Sentir mais daquele beijo doce e agraciado com o gosto daquelas gotinhas de chocolate, sentir seus dedos correndo entre meus cabelos e pressionando meu pescoço com delicadeza, sentir meus dedos aproveitando sua pele molhada e arrepiada ao meu toque, sentir a excitação que não mais escondíamos um do outro.
Por Kami, aquilo era muito bom.
Desci minhas mãos até suas coxas e as puxei pra cima, suspendendo Lucy, e ela aproveitou para passar suas pernas ao redor da minha cintura e as entrelaçou, me fazendo grunhir alto pela aproximação terrivelmente provocante que houve entre nossos corpos.
— Vamos continuar nossa brincadeira do vestiário? – Foi ela quem perguntou, em um sussurro sexy, me fazendo encará-la um tanto chocado.
Quem era aquela e o que fez com Lucy Heartfilia?
Mas é claro que isso ficou só no pensamento, quem é que seria louco para ter alguma objeção àquilo? Ainda mais na situação em que eu me encontrava.
— Não precisa nem pedir duas vezes… – A respondi em outro sussurro, raspando meus dentes em sua pele macia do pescoço, e puxando sua camiseta pra cima com uma das mãos.
Claro, ela precisou me ajudar, e nada me deixou mais feliz do que vê-la empenhada em tirá-la pra mim. Mas eu estava começando a desconfiar que Lucy estava meio doida, já que simplesmente tacou a camiseta no mar sem se importar se poderia ou não perdê-la.
O que acabou me fazendo rir.
Peguei sua camiseta e comecei a levar Lucy de volta para onde estavam nossas coisas.
— Onde nós vamos? – Ela perguntou, um pouco surpresa e até decepcionada.
— Você quer continuar tudo isso aqui no mar, Luce? – Devolvi a pergunta, parando de andar só pra esperar sua resposta.
Eu sabia que ela negaria, mas queria ouvir Lucy falando.
Ela, por sua vez, ficou corada e fez que não com a cabeça, e pra fazê-la se sentir confortável de novo, voltei a beijá-la até ser devidamente correspondido e sentir que ela ainda estava tão excitada quanto eu para aquilo. Porque, claro, se Lucy não quisesse mais, por mais que fosse torturante pra mim, eu não a obrigaria a seguir em frente com aquela doideira.
Doideira porque estávamos no meio da praia com várias casas ali, e janelas, moradores curiosos, essas coisas. Mas ao mesmo tempo ficava tudo ainda mais excitante, era difícil descrever a sensação.
Levei-a até a manta na areia, tendo um pouco de dificuldade em deitar Lucy sem acidentalmente derrubá-la, por ser um tanto custoso deitar alguém no nível do chão, principalmente entrelaçada em mim como Lucy estava. Depositei longos e carinhosos beijos ao longo do seu pescoço, tentando não só mantê-la calma, como eu também, porque eu sentia que poderia agir como um desesperado impulsivo à qualquer momento.
Seus toques, ainda um tanto hesitantes, passavam por todo o meu peitoral, explorando-me de um jeito que Lucy só fez na vez que estava bêbada. De certa forma eu também me vi livre pra tocar-lhe o corpo curiosamente, me demorando especialmente em suas coxas, que ora ou outra eu as apertava em conflito com meu próprio desejo de apressar as coisas.
Voltei a beijá-la enquanto minha mão passeava furtivamente até suas costas, a fim de abrir o fecho de seu sutiã. Apesar de bastante envergonhada, Lucy me ajudou a tirá-lo, e eu já nem mais podia dizer qual era a razão do meu grande sorriso naquele momento, entre tantas coisas acontecendo.
Agora que parecia que Lucy já estava calma e certa de sua decisão de prosseguir, meu objetivo passou a ser o de lhe dar mais prazer do que a mim, por isso minhas trilhas de beijos seguiram diretamente aos seus seios. Com alguns chupões, lambidas e apertos, ela já estava convencida que não conseguiria segurar os gemidos, e aquilo era como música para os meus ouvidos e meu ego masculino.
Permaneci ali tempo o suficiente pra ficar mais incomodado que o normal com a cueca que ainda vestia, e tudo só ficou pior quando Lucy me tocou ali acidentalmente. Ou não tão acidentalmente assim, já que apesar do primeiro choque e timidez, ela voltou a me acariciar, e então foi minha vez de não conseguir nem cogitar segurar os gemidos.
— Luceee… Não faz isso… – Resmunguei por resmungar, e de imediato ela acatou meu pedido mal pensado, me fazendo gemer descontente.
— I-isso… N-não é bom? – Ela perguntou tímida, e parecia confusa com minhas reações contraditórias.
— Muito, Lucy… Mas é provocante, e eu preciso ficar calmo. – Expliquei, e ela parecia curiosa com minhas palavras. – Vamos tirar sua calça, ela tá me atrapalhando.
Quando fui lhe tirar a calça, Lucy se colocou sentada e ficou com uma feição um tanto indecifrável, olhando para suas pernas e quieta por alguns segundos, sem se mover.
— O que foi? Você não quer continuar? Porque tudo bem se você não…
— Não, não é isso… É que… – E então ela ficou me encarando enquanto fazia uma careta, e embora eu já soubesse o que ela iria dizer, fiquei esperando em silêncio. – Eu… É minha primeira vez… Eu não…
— Bom, não tem muito segredo se você quer saber, Luce. Mas nós temos duas opções agora… A gente pode parar, ir tomar um banho, ver o sol nascer e ir pra casa… Ou a gente continua, e se você quiser, até fica no comando. – Dei de ombros, sorrindo sincero, para Lucy ver que eu não mentia.
Depois de ouvir o que eu disse, seus olhos se focaram nos meus de forma tão profunda, que era como se Lucy pudesse me ler por inteiro. Saber tudo o que eu pensava e sentir tudo o que eu sentia.
— Ficar no comando? – Sussurrou a pergunta, e comecei a rir.
— É, tipo, você ficar por cima sabe... Mas eu vou facilitar um pouco pra nós dois.
— Certo… – Ela resmungou, enquanto parecia ponderar a ideia.
Demorou poucos segundos pra que eu soubesse sua decisão definitiva, e foi quando ela começou a desabotoar seu jeans, enquanto por dentro eu suspirava aliviado porque iríamos continuar.
Só porque eu disse que iria lhe apoiar na ideia de parar por aqui, não quer dizer que eu ficaria feliz, não é?!
Como sua calça estava molhada, e consequentemente impossível de tirar, ajudei Lucy, e também acabei soltando um comentário que deveria ter ficado apenas em minha cabeça.
— Quem diria que eu te convenceria com a ideia de ficar por cima…
— N-não f-foi por isso, idiota. – Ela disse envergonhada, fazendo-me rir. E outra vez ela parou abruptamente, e ficou me encarando bastante embaraçada. – V-você… V-você t-trouxe…
— Camisinha? – Completei, já que Lucy parecia engasgada com a palavra. Puxei minha mochila pra perto e comecei a procurar em todos os bolsos, tirando quase tudo pra fora, até achar duas que eu sabia que estavam ali, e mostrando a ela. – Não me olhe assim, eu juro que eu não estava prevendo nada disso… – Me expliquei rapidamente, e ela riu corada.
Ela não deu muita bola pra isso e voltou sua atenção pra minha cueca, e foi inevitável não me divertir.
— Quer tirar, Luce? – Ri sacana, e a puxei pra perto pra que pudesse lhe beijar outra vez, sendo rapidamente correspondido sem nem um pingo de recusa.
E tamanha foi minha surpresa quando suas mãos não se dirigiram para o meu pescoço ou os meus cabelos, mas sim pro cós de minha cueca, puxando-a pra baixo sem delicadeza alguma.
Não contestei em momento algum, na verdade eu a ajudei. Me sentei na manta, colocando Lucy em meu colo, e com as mãos livres, Lucy decidiu arranhar minhas costas e agarrar meus cabelos com o mínimo de carinho.
Afastei sua calcinha para o lado o suficiente para que pudesse introduzir um dedo em seu interior, e a peguei de surpresa com isso, escutando um gemido arrastado enquanto ela deitava a testa em meu ombro.
— É pra você se acostumar, e meio que vai servir pra te lubrificar… Não vai doer tanto depois… – Expliquei, e ela concordou sem parecer conseguir se concentrar muito nessa ação.
Depois de algumas estocadas, introduzi outro dedo, e assim Lucy pareceu sentir um pouco de dor, agarrando meu ombro com força com sua unha.
Não me demorei muito com isso, já que ela estava bastante excitada. Abri o pacote da camisinha com certa pressa, e a coloquei do modo adequado em meu pênis, e sem qualquer resquício de paciência, rasguei a calcinha que Lucy ainda usava, ouvindo-a reclamar por isso.
— Ainda vai doer, Luce, mas você pode me apertar o quanto quiser… – A avisei.
Quando encaixei meu membro em sua entrada, e ela se sentou, ambos grunhimos. Ela de dor, eu de excitação e prazer.
Ela manteve-se colada ao meu corpo, sem medir esforços em realmente descontar toda sua dor em mim – coisa que realmente não me importava nada naquele momento, já que a única coisa que eu conseguia pensar era que eu era um bastardo sortudo –, e eu fiquei lhe fazendo um breve cafuné até que Lucy começasse o movimento de vai e vem conforme o seu ritmo e o quanto ela se sentia confortável com isso.
Nos primeiros minutos Lucy me provocou em um movimento lento e terrível, mas deixei que ela ditasse o ritmo da forma que quisesse, acariciando-lhe o corpo a todo momento e a puxando para ainda mais perto, mesmo que já não fosse possível maior proximidade da que estávamos.
Foi só quando a puxei pra um beijo que ela se sentiu um pouco mais confortável. Levou as pernas até as minhas costas e as entrelaçou, começou a dar algumas reboladas em meu colo, passou a me arranhar de um jeito sexy, e tudo o que eu conseguia fazer era gemer, totalmente seduzido por Lucy Heartfilia.
Não havia dúvidas que eu sentia muito mais prazer ali que Lucy, por isso ela de certa forma passou a fazer tudo o que imaginava que me provocaria, e não errou em nenhuma das tentativas. E eu, já exausto de estar à sua mercê, segurei firme em suas costas para colocá-la deitada e poder ficar por cima, e foi sua vez de ficar totalmente em minha posse.
Enquanto eu continuava em meu próprio ritmo, mas sempre tomando cuidado pra não machucar Lucy ainda mais, ela evitava meu olhar a todo custo, fechando os olhos e ora mordendo os lábios, ora gemendo baixo, tentando disfarçar o máximo que conseguia que estava gostando daquilo mais do que poderia admitir um dia na vida. E com o objetivo de tentar lhe mostrar que não tinha mais razão nenhuma pra ter vergonha, passei a lhe dar beijos e vez ou outra gemer seu nome em seu ouvido, sentindo-a se arrepiar nessas ocasiões.
Quando enfim tive um orgasmo, continuei a lhe estocar mais algumas vezes até beirar a exaustão. Me joguei ao seu lado, deitando acidentalmente na areia, e não ao lado que estava a manta, e ficamos ambos ofegantes por alguns segundos.
Eu estava me sentindo muito, muito feliz.
Permaneci deitado olhando para o céu e admirando as muitas estrelas que sequer apareciam na cidade, enquanto a primeira coisa que Lucy fez foi se sentar e se enrolar na manta, olhando o mar fixamente.
— Lucy? – A chamei cuidadoso, me sentando também.
— Sim? – Ela respondeu em um sussurro, ainda sem me olhar, e suas bochechas estavam tão vermelhas que parecia até que Lucy havia tomado um tapa muito forte.
— Você quer entrar e tomar um banho? E um remédio pra dor, talvez? Depois a gente assiste o sol nascer e volta pra casa… – Sugeri baixo, temendo sua resposta.
Não era como se ela tivesse muitas alternativas, de qualquer forma, mas como era a primeira vez que eu havia chegado àquele ponto com a Lucy, eu não sabia muito bem como seriam suas reações dali em diante.
— Acho que… É uma boa ideia. – Ela respondeu após pensar um pouco, e finalmente se virou pra me olhar, sorrindo timidamente.
Claro que foi instantâneo o sorriso gigante que brotou em meu rosto logo em seguida.
Lucy manteve a manta em seu corpo como uma toalha e passou a recolher nossas coisas espalhadas pela areia, enquanto eu retirava a camisinha, jogando-a num saco que tínhamos usado como lixo, e vesti somente a calça que eu viera no caminho, só pra que pudesse andar o resto dos poucos metros até a casa sem estar nu.
Quando terminamos de ajeitar todas as nossas coisas, Lucy voltou pra casa do tio Gildarts abraçada comigo, e se não fosse sua grande e ainda presente timidez, teríamos tomado banhos juntos, e não um em cada banheiro, como acabou sendo.
Infelizmente não encontrei nenhum remédio por ali, e tampouco carregava algum em minha mochila, mas prometi que compraria no caminho de volta, enquanto Lucy resmungava a todo momento que queria dormir e estava com fome. Ela se parecia muito com uma criança, e continuou se comportando manhosamente até que eu lhe desse comida na boca, que foi quando ela finalmente se aquietou.
Voltamos juntos pra praia somente pra ver o sol nascer, e depois montamos na moto pra voltar pra casa.
Naturalmente a estrada estava bastante vazia, então o caminho foi rápido e tranquilo, e se tudo desse certo, chegaríamos em casa e ninguém teria sequer percebido que passamos a madrugada fora.
Bom, mas claro que eu comemorei cedo demais…
Não era bem uma ameaça quem encontramos ao chegar, mas estava casado com ela.
— Lucy? Natsu? – Igneel nos pegou no flagra assim que entramos, já que ele tinha acabado de acordar e estava descendo de seu quarto pra ir preparar o café da manhã.
— Pai! – Me surpreendi, e por alguns segundos eu e Lucy permanecemos estáticos na porta.
— Vocês saíram cedo? O que diabos foram fazer? – Ele perguntou, como se fossemos loucos. Mas então resmungou algumas coisas pra si e voltou a ir pra cozinha. – Eu não preciso saber de nada, só finjam que não me viram.
Por um instante eu desacreditei do que ouvi, olhando duvidoso pra Lucy, que estava tão confusa quanto eu. Depois me deu vontade de rir, porque percebi que Igneel tinha medo da Layla descobrir que ele sabia de nossas peripécias. E então realmente segui seu pedido e eu e Lucy subimos com pressa para os nossos quartos, fazendo de conta que não saímos dele em momento algum.
Antes, claro, me despedi da Lucy com um beijo no corredor, excitado por correr o risco de ser pego no flagra, e depois devolvi as chaves da moto do meu irmão no lugar certo, e retirei o bilhete de seu quarto antes que ele soubesse o que havia acontecido.
Tirei um cochilo de pouquíssimas horas naquele dia, mas nem mesmo aquilo foi capaz de me tirar a felicidade de ter tido aquela noite com Lucy.
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