Troublemaker

16 A Magia da Catedral


Notas iniciais
Heey amores ♥ Como estão? *O* Dois capítulos na mesma semana, que beleza hein?! :P Espero que estejam ansiosos para o capítulo de hoje, porque particularmente foi um dos meus preferidos de escrever e está todo fofo ♥ Gostaria de agradecer vocês por todos os acompanhamentos, favoritos e reviews, eu estou cada dia mais feliz com o carinho que vocês tem me dado, e provavelmente Troublemaker não seria a mesma coisa sem vocês ♥ Então, obrigada! ♥ Sem mais delongas, boa leitura! ;D

— Lucy, Michelle, vocês ainda não chegaram a visitar o centro da cidade, não é mesmo?! – Igneel perguntou.

Estávamos á mesa almoçando quando ele fez aquela pergunta. Antigamente, nos nossos domingos, nós não tínhamos muita coisa para fazer, então eu sempre saía com amigos, meu pai ia encontrar Layla, e meus irmãos ás vezes iam junto com Igneel, ás vezes saiam com seus amigos. Mas naquele domingo em questão estávamos ali, todos juntos. E Igneel planejava um passeio durante a noite, já que ele estava querendo nos unir cada vez mais.

O que, na minha concepção, era totalmente desnecessário.

— Não. Ainda não tive a chance. – Lucy respondeu educadamente, e Michelle balançou a cabeça em concordância com a irmã, comendo como um garoto. Dava até mesmo para dizer que Michelle se assemelhava mais a mim e ao Zeref, do que a própria Erza.

— Ótimo! O que acha de irmos visitar a catedral hoje? Lá é lindo, todo iluminado, e ainda tem vários… – E ele ficou por alguns bons minutos explicando tudo o que encontraríamos na catedral se fossemos para lá. Como se estivesse tentando convencê-las a aceitar ir a todo custo. O que era completamente desnecessário, já que só observando as duas dava para notar que elas aceitariam ir para qualquer lugar que Igneel as levasse. Simplesmente porque ele era Igneel. – O que me dizem? – Ele finalizou, olhando esperançoso para as enteadas.

E o mesmo olhar foi devolvido três vezes mais intenso.

— Claro! Mal vejo a hora de chegar a noite! – Michelle se agitou, batendo palmas exageradamente.

— Natsu, espero que não tenha nada marcado para hoje com seus amigos. Seria realmente legal que você fosse conosco. – Erza me chamou a atenção.

Revirei os olhos.

Foram incontáveis as vezes que fui lá junto com meus pais e meus irmãos, ás vezes com Gray junto, outras vezes com Lisanna. A questão era, não fazia sentido ir até lá novamente. Eu já sabia o que ia encontrar, a magia do lugar já havia acabado para mim.

Sem responder devidamente, apenas dei de ombros.

Erza saberia se eu mentisse sobre ter compromisso com Gray, ou Jellal, e então ela me faria ir á força. E se eu houvesse mesmo compromisso com eles, ela desmarcaria e me faria ir á força. Era obvio que eu não tinha opções naquela situação, ou eu ia, ou eu ia.

Após o almoço, continuei na cozinha para comer o bolo que Lucy fizera, que por um milagre divino ainda estava ali, e fiquei observando Michelle lavando a louça e cantarolando. Ela podia ser irritante, mas tinha uma voz bonita e um bom gosto musical. E quando eu menos percebi, acompanhava ela na cantoria, ajudando-a secando a louça.

— Hey, Natsu… – Ela me chamou a atenção, encarando-me seriamente.

— Diga.

— Se eu te perguntasse uma coisa, você me responderia com sinceridade? – Seu jeito curioso sempre me divertia, e naquele momento não foi diferente. Eu já previa uma pérola.

— Depende muito do que você vai perguntar.

— Eu já falei com Lucy sobre isso, mas ela não soube me responder. Você sabe, ela é toda certinha e tudo mais, nunca teve um namorado, só ficava enfiada no quarto estudando, estudando, estudando… – Franzi o cenho, observando para onde aquela conversa estava indo. Não era possível que Michelle fosse me perguntar sobre… – Dói fazer sexo? Digo, você é homem, não deve saber muito sobre o corpo feminino. Mas você já deve ter feito, não é?! Sua namorada reclamou de dor?

Acabei engasgando com minha saliva ao escutar aquilo, e olhei incrédulo para a pequena garota a minha frente. Quantos anos Michelle tinha mesmo? Por Kami, que tipo de perguntas eram aquelas? Por que ela as fazia para mim?

— Eu… Acho que não sou a pessoa apropriada pra falar sobre isso com você. – Tentei desvencilhar do assunto, dando as costas para ela para guardar os pratos que eu houvera acabado de secar.

— Então você é virgem também. – Ela concluiu.

— Eu não sou virgem, eu só… Não acho que você deveria perguntar isso para mim. – Revirei os olhos. – Aliás, por que quer saber sobre isso? – Me virei para encará-la, e agora via que ela estava ruborizando.

— É que… Tem um garoto na escola nova… E eu acho que gosto dele… – Ela falava cada vez mais baixo, quase tornando dificultoso escutá-la.

— Você está na escola há menos de um mês e já está pensando em sexo com o garoto que você acha que está gostando? – Juntei todos os fatos em minha pergunta, e seu rosto ruborizava ainda mais. – Por Kami, Michelle, não é assim que as coisas funcionam! Eu sei que você estudou em um colégio só para garotas toda a sua vida, mas não quer dizer que com o primeiro contato com garotos você já deva pensar em relações sexuais.

Ela pareceu um pouco brava com o que escutou, e então me olhou de forma acusadora.

— Ok, então quer dizer que você nunca fez sexo com alguém que conheceu em menos de uma semana? – Ela apontava o indicador furiosamente em meu rosto. – Aposto que não demorou mais que três horas pra você levar a garota pra cama, e no final nem ao menos se lembrava do nome dela!

— Ei, ei! Isso só aconteceu uma vez, ok?! – Levantei os braços para o alto, rendendo-me ao seu julgamento raivoso, porém um tanto bravo também. – Eu estava bêbado. E nunca mais fiz algo assim. Não é legal, tá?!

Ela emburrou, realmente alterada pelo rumo daquela conversa, e se sentou em uma das banquetas, jogando os braços e a cabeça em cima da bancada.

Eu nem acreditava que aquilo estava acontecendo e eu teria que dar uma de irmão mais velho. Eu nunca tinha feito aquilo antes.

— A questão, Michelle, é que as coisas sempre são muito melhores quando você conhece seu parceiro. – Suspirei, aproximando-me dela. – Precisa de confiança pra entregar algo realmente importante. Não aja como se sua virgindade fosse pouca coisa, você vai lembrar dessa primeira transa para o resto da sua vida. E não é nada legal quando você lembra desse dia de forma arrependida. – Sentei na banqueta a sua frente, esperando pacientemente que ela olhasse para mim.

Demorou um tempo até que ela levantasse a cabeça.

— Você se arrepende da sua primeira vez? – Ela perguntou acanhada, provavelmente ponderando tudo o que eu houvera lhe dito.

— Eu sequer lembro o nome dela… – Fiz uma careta, e ela riu.

— Então dói? – Ela retomou à primeira pergunta, me fazendo rir e revirar os olhos.

— Sim, provavelmente.

Ela fez uma careta de insatisfação, e se levantou para ir, supostamente até o seu quarto.

— Hey, o que você disse… Sobre a Lucy… – Chamei sua atenção.

Ela virou-se, me olhando travessa, e esperou que eu terminasse minha frase.

— Ela é virgem, então?

Sem me responder, apenas sorriu, tão sapeca quanto poderia parecer com seus quinze anos e rosto de doze.

***

O centro de Magnólia não era lá dos mais atraentes, a não ser que você realmente apreciasse multidão e barulheira. As noites de sábados e domingos eram, particularmente, as piores para se visitar aquele local. Mas não era como se Igneel se importasse, pelo jeito, porque ele andava para lá e para cá todo sorridente, mostrando todas as lojinhas para as Heartfilia, as “atrações”, que eram uma grande perca de tempo, e a principal atração, que era a catedral.

A catedral era enorme, e por fora era toda iluminada com um show de luzes de diversas cores. Por dentro, havia entrada para uma escadaria, que permitia ir até o topo e apreciar a cidade de uma altura de, aproximadamente, trinta metros.

Apesar de toda a minha relutância, a noite estava realmente tranquila e gostosa, com um vento fresco nos acudindo. Eu e Zeref aproveitamos para ficar no grande gramado que havia lá, que envolvia todo o arredor da catedral. Ele tinha levado uma bola, e acabamos brincando de queimada. Zeref era um mulecão quando queria.

Quando todos voltaram ao nosso “ponto de encontro”, após comprarem besteiras nas lojinhas, brincarem nas atrações e tirarem diversas fotos, todos foram jogar queimada comigo e com Zeref. Dividimos os times em Dragneel’s versus Heartfilia’s.

— Eu acho… Que esse jogo vai ser muito fácil. – Ousei falar perto de Lucy, que estava nos limites da “quadra” dela, que nós delimitamos com nossos sapatos e algumas peças de roupas que não havia problema em sujar, incluindo a camiseta que eu usava.

— Acredite, Dragneel, eu sempre fui muito boa em queimada. – Ela devolveu, mandando um olhar intrépido. Mas pareceu engolir saliva ao me ver com o peitoral desnudo.

— Veremos. – Lhe direcionei uma piscada e um sorriso sacana, e ela fez uma careta, emburrada.

— Certo, meninos. Não vale pegar leve, joguem sério. – Layla falou alto, segurando a bola.

Por termos um a mais no nosso time, a última que sobrasse na família Heartfilia ganhava duas vidas. E eu esperava mesmo que a última fosse Layla, porque ela não tinha cara de que tinha muita energia para ficar correndo por muito tempo, então seria mais fácil eliminar ela duas vezes, do que a Lucy, por exemplo.

— Pai, eis minha tática, vamos queimar a Lucy e a Michelle primeiro e deixamos a Layla por último, certo?! – O avisei, juntando ele e meus irmãos em uma “rodinha de reunião”, como eu costumava fazer com meu time de basquete.

— Por que a Layla por último? – Ele me encarou desconfiado.

— Porque vai ser mais fácil queimar ela duas vezes do que a Lucy. Ela faz ginástica e provavelmente tem bom reflexo. A Michelle é mais nova e deve estar na época de jogar queimada na escola. A Layla é a mais velha, não estuda e não é ginasta. Preciso dar mais razões?

Ele pareceu considerar aquilo por alguns instantes.

— Eu acho válido. – Erza foi a primeira a se pronunciar.

Ela era extremamente competitiva, então obviamente iria apoiar a melhor ideia de vitória que lhe dessem.

— É só um jogo, vocês dois precisam mesmo ser tão competitivos? – Zeref murmurou, revirando os olhos para mim e Erza.

— Não foi de mim que vocês puxaram isso. – Igneel logo se retirou da reta, rindo.

— As mariquinhas vão ficar ai cochichando ou vão vir jogar? – Lucy falou consideravelmente alto, para que escutássemos de onde estávamos. – Sem ofensas, Igneel.

— Não fiquei ofendido. Mas agora eu vou ter que eliminar você.

Lucy riu alto, provavelmente desacreditando que Igneel fosse conseguir fazer aquilo. Bom, até eu desacreditava.

Espalhamo-nos em nosso “campo”, e esperamos que Layla jogasse a bola, tentando acertar seu primeiro alvo. E como eu já esperava, ela tentou queimar Igneel.

— Não ache que vai ameaçar minha filha e sair impune. – Ela lhe mostrou a língua.

Igneel riu.

Zeref pegou a bola e tentou acertar Michelle, mas ela se esquivou facilmente. Michelle tentou me acertar, eu tentei acertar Lucy, e Lucy tentou acertar Igneel, mas eu o salvei. Tentei acertar Lucy, e novamente ela tentou eliminar meu pai. E conseguiu.

— Pô, pai!

— Desculpa, eu realmente não estou com idade pra correr. – Ele bateu em minhas costas, rindo fraco.

Ficamos jogando por quase quinze minutos. Zeref queimou Michelle, Layla queimou Zeref, Erza queimou Layla por acidente, já que o objetivo fora Lucy, e por fim, só estávamos eu, Erza e a loirinha com duas vidas.

— Merda, ela é muito boa! – Erza murmurou, desviando de outra bolada no estômago.

— Nem me fale, eu estou cansado como se estivesse jogando uma partida de basquete! – Peguei a bola e tentei acertar Lucy novamente. Mas ela se abaixou com um espacate, querendo se aparecer. Revirei os olhos.

— Natsu! – Erza se virou abruptamente, brava. – Não era pra você estar jogando, mocinho!!! Você saiu ontem do hospital, o médico sequer te deu autorização para isso.

— Não começa, Erza. – Revirei os olhos. E então vi que estávamos distraídos demais, e Lucy atenta demais. – Cuidado!!!

Pulei rapidamente para a minha esquerda, mas Erza não foi rápida o suficiente. E Lucy a acertou.

Agora eu estava sozinho com uma Lucy com duas vidas. Era como tentar matar o chefão da última fase de algum jogo bem complicado.

— Agora já chega! Primeiro meu pai, agora minha irmã! Você está ferrada, Heartfilia! – E tão rápido quanto pude, peguei a bola e joguei com força em sua direção.

Dessa vez Lucy não foi rápida o suficiente para desviar, e a acertei em cheio na coxa.

Uma vida a menos!

Ela me fuzilou com os olhos, e se eu não a conhecesse, ia achar realmente aterrorizante.

Agora já não era mais um joguinho simples de queimada. Era uma competição pra ver quem tinha o melhor reflexo, mais resistência e quem era mais rápido. E Lucy definitivamente perderia aquilo.

Ficamos por dois minutos consecutivos um arremessando a bola contra o outro. Até eu ouvir me chamarem, e perder completamente o foco no jogo.

— Natsu??! Não acredito que você também esteja aqui.

Olhei para a direita, e pouco menos de dez metros observei o Fullbuster caminhando em nossa direção.

— Gray?! O que está fazendo aqui? – Perguntei completamente perplexo.

E antes que eu recebesse uma resposta, fui acertado no peitoral com a maldita bola.

— Há!!! Eu ganhei! As Heartfilia ganharam! Não acredito como foi fácil eliminar vocês! – Lucy cantarolava saltitante, e Michelle correu para comemorar junto.

— Ei! Isso não foi válido, eu sequer estava prestando atenção!

— Droga, Natsu! Pare de se distrair, seu idiota! Olha só o que você fez, perdemos para elas! – Erza se revoltava de longe, chutando grama para todo o lado.

Igneel foi até elas reclamar que não estava valendo, e então Erza foi apoiá-lo, enquanto Zeref olhava de longe, sorrindo. Os protestos do meu pai não duraram nem cinco segundos, porque logo ele já estava correndo alegremente atrás da Layla e a jogando na grama, beijando-a e abraçando-a como um adolescente com um namoro recente.

— Lazer em família, hm?! – Gray zombou, e eu dei de ombros.

— Erza me obrigou.

— Ah, bem, Ur também me obrigou a vir, para “acompanhar” Juvia. – Ele fez uma careta, olhando para algum lugar aleatório, onde provavelmente era onde sua prima estava.

— E o que está fazendo aqui então?! Você a abandonou sozinha? – Deixei bem aparente em meu tom de voz o quanto estava bravo com ele por fazer algo como aquilo.

— Claro que não! – Ele respondeu incrédulo, como se não fosse capaz de fazer aquilo. Mas se eu bem conhecia Gray, ele faria. Não somente uma, mas diversas vezes. – Jellal está com ela. E a Ultear também.

— Jellal? – Pronunciei o nome dele com certa desconfiança e surpresa. – Mas o que diabos ele quer com sua prima? Por Kami, não me diga que ele está dando em cima da Juvia também!

— Não, claro que não! – Gray respondeu ainda mais incrédulo que antes. – Ele foi até lá em casa conversar com a Ultear, e quando encontrou Juvia, propôs para trazê-la aqui, pra ela conhecer a catedral. E como ela aceitou, Ur me fez acompanhá-los, já que Juvia é “responsabilidade minha”. – Ele fez as aspas com as mãos, fazendo outra careta. – Aliás, se Jellal ver que Erza também está na catedral, ele vai largar Juvia e Ultear sozinhas em questão de segundos pra vir até aqui tentar uma das cantadas infalíveis dele. – Falou ironicamente.

— Eu espero que venha. Erza está irritada por termos perdido o jogo, ela logo vai meter um soco naquela cara de imbecil que ele tem.

— Gray! – Lucy o cumprimentou de longe, dirigindo-se em nossa direção e interrompendo nossa conversa. – Nós vamos subir a escadaria da catedral, – ela falou “nós” apontando para meus irmãos, Igneel, Layla e Michelle – quer vir conosco?

Gray sorriu ao receber o convite, e admito que eu fiquei extremamente surpreso. Desde quando eles se falavam tão naturalmente assim?

Ele olhou meio incerto na direção que olhara antes, que eu presumi que era onde Juvia estava, e depois olhou meio incerto para Lucy.

— Acho que a namorada do Gray não vai gostar de ser deixada sozinha aqui embaixo. – Respondi por ele, e recebi um soco em meu ombro.

— Ela não é minha namorada. – Grunhiu, quase me arrancando a cabeça somente com o olhar.

— Bom, ela pode vir conosco também, não tem problema. – Lucy sorriu. – Quanto mais gente, melhor.

E então voltou-se até onde Layla estava, e de costas pra mim, pude notar como o short que ela usava era curto e acentuava seu bumbum ainda mais.

Por Kami, Lucy era gostosa demais!

Gray olhou para mim zombeteiro, como se tivesse feito uma piada que eu não tivesse escutado por estar ocupado demais admirando uma maldita loira gostosa¹ logo a minha frente.

— Então você vai subir na catedral? – E riu alto, fazendo-me revirar os olhos.

***

Se tinha uma coisa que eu não gostava, era de altura. E todos sabiam disso, – e quando eu digo todos, me refiro aos Dragneel’s, Gray e Lisanna – menos Lucy. E obviamente eu não me passaria por medroso na frente dela. Porque, entendam, eu não estava afim de ser zombado ou ter essa notícia espalhada por toda a Fairy Tail.

Então, como se eu fosse o homem mais viril de Magnólia, segui todos pela longa jornada naquelas escadas infinitas. E, para minha infelicidade, Jellal estava conosco, junto com Ultear e Juvia. O problema nem era Juvia, ou a diaba da Ultear, mas sim Jellal, porque ele estava insistentemente tentando manter-se ao lado da Erza.

Enquanto meu pai estava guiando todos na frente, eu era o último da fila junto com Gray. Não que eu já tivesse subido ali ou sabia alguma coisa sobre as diversas artes que rondavam a escadaria que ele fazia questão de explicar sobre, mas não importava, porque eu não queria chegar ao fim. Eu sequer queria estar ali.

— O que foi aquilo lá embaixo? Desde quando você e a loirinha conversam? – Questionei, como se não quisesse nada.

— O que foi, está com ciúmes, Dragneel? – Ele sorriu sacana, fazendo-me suspirar cansado.

— Ciúmes de você e da Lucy? Por favor, como se você fosse fazer alguma coisa.

— Eu poderia, ué. – Ele deu de ombros, ignorando completamente meu olhar de ameaça. – Enquanto você esteve no hospital, ela passou o intervalo conosco durante a semana toda, e acabamos ficando amigos. Lucy é... Interessante. – Gray riu, observando minha careta ao ouvir aquilo. – Você fica me chamando de pervertido nudista, mas cadê a sua camiseta, idiota? – Ele revirou os olhos.

— Acho que Layla pegou. Estava jogada na grama.

— Mas já está explorando Layla dessa maneira?! Você não tem jeito mesmo, Natsu.

— Eu não a exploro, é só o meu charme que faz ela querer me agradar. – Dei de ombros, fazendo-o rir alto.

— Duvido que ela continuaria te agradando se visse como você olha pra filha dela! Eu teria mais chances, sou mais cavalheiro. – E outra vez estava rindo.

Eu arrancaria as cordas vocais dele ali mesmo se o ouvisse rindo mais alguma vez. Ou falando algo da Lucy.

Continuamos subindo por mais infinitos degraus, até que finalmente atingimos o último andar, ao qual dava acesso ao grande observatório á céu aberto. E foi aí que eu travei logo na porta, totalmente impossibilitado de me mexer mais um passo.

— Ei, cara. Venha ver a vista, que coisa bacana. – Gray zombou, rindo sozinho de sua piada sem um pingo de graça.

E ali estava a risada que eu ameacei cortas suas cordas vocais, mas veja bem… Eu não conseguia sequer andar.

— Vá pro inferno, Fullbuster.

Fiquei observando todos aproximando-se da beirada, que havia uma enorme grade de proteção, mas mesmo assim fiquei enjoado. Era uma sensação horrível, um verdadeiro pesadelo permanecer naquele lugar. Mas o que eu poderia fazer? Dar as costas e descer tudo sozinho, e esperar por intermináveis minutos até que todos voltassem?

Bem, eu até poderia mesmo fazer isso, mas não seria legal ou educado.

Observei-os conversando, e senti um pouco de inveja de ninguém ali ter o mesmo pavor que o meu. Ou eu não ter a mesma coragem que eles.

— Natsu… Aquela não é nossa casa? – Lucy olhava para a cidade apontando para um ponto em específico, e olhando para mim com expectativas, provavelmente esperando que eu me aproximasse e confirmasse.

— Direção errada, Luce. – A respondi, apontando para o lado contrário, onde realmente morávamos. – Como está enxergando nessa escuridão? – Franzi o cenho.

— Sua casa é vermelha e grande, Natsu. Não tem como não enxergá-la. Aliás, descobri que os Dragneel’s não são os únicos com gostos excêntricos. Tem uma casa vermelha bem ali, veja. – Ela apontou novamente para a mesma direção de antes.

E quando percebeu que eu não me aproximei, olhou-me de forma estranha.

— O que foi? Eu não vou jogar outra bola em você, pode se aproximar.

Embora eu quisesse revirar os olhos diante o que ela disse, eu apenas balbuciei um monte de nada. O que eu poderia dizer? “Eu sou um bundão, Lucy, to me cagando de medo dessa altura infernal, será que podemos voltar lá para baixo?”. Claramente não.

Ao invés disso, apenas falei: – Estou confortável aqui, obrigado.

Ela franziu o cenho, me observando melhor, e após um breve período de silêncio, sorriu.

— Veja só, o incrível e perfeito Natsu Dragneel tem medo de altura. Eu não acredito nisso. – E riu divertida.

Fiz uma careta, virando o rosto para o outro lado.

E lá estava a reação que eu estava evitando durante toda a subida.

— Ok, me desculpa. Eu não deveria rir. Sério, me desculpa. – Ela colocou a mão sobre a boca, tentando manter-se séria novamente. E então se aproximou de mim, gentilmente. – Venha. Eu juro que não vou te empurrar. Você está perdendo uma vista espetacular.

Sua mão percorreu meu antebraço até encontrar minha mão, e a segurou firme, puxando-me até onde ela estava antes. Sua mão era macia e pequena, quente e confortável. E durante aquele tempo que ela me segurava firme, o medo se dissipou, e eu pude perceber o que ela havia dito. A vista era realmente espetacular.

Bom, até eu resolver olhar para baixo.

Afastei-me rapidamente, segurando a boca com as duas mãos e tentando controlar a ânsia que me dera. Droga, por que eu tinha que ser tão bundão?

— Me desculpa, eu realmente não consigo… – Sussurrei de costas, tentando não lhe mostrar a cara patética que eu fazia em ocasiões como aquela.

— Tudo bem. – Mesmo que eu não estivesse vendo, dava para notar que ela sorria ao dizer aquilo. – Vamos descer, o que acha? Você vai se sentir melhor se estiver lá embaixo?

— Definitivamente!

— Certo. Então vamos descer. – Ela espalmou as duas mãos em minhas costas, empurrando-me de forma gentil. – Aliás, cadê sua camiseta? A Erza me disse que o Gray era quem ficava se despindo o tempo todo sem motivo algum, estou achando que você começou a pegar a mania dele.

— Ah, o Gray! Eu preciso avisá-lo que estou descendo! – Me virei rapidamente, olhando para o observatório à sua procura. E mudei de ideia de perturbá-lo quando o vi apoiado na grade conversando com Juvia.

E ele sorria.

— Olha só, se o idiota não está se dando bem… – Sussurrei.

— Jellal também. – Ela tentou segurar a risada, apontando para a direção onde ele estava, conversando com Erza.

— Mas o que esse idiota está fazendo com a minha irmã… – Fui andando furiosamente até a direção do Jellal, mas fui puxado pelos braços, sendo completamente interrompido.

— Ei! Nem pensar! Não vou permitir que atrapalhe eles!

— Lucy! Não acredito que vai defender aquele imbecil!

— Não estou defendendo ninguém, só estou deixando as coisas fluírem naturalmente. Se for pra esses dois ficarem juntos, eles vão ficar, você tentando separá-los ou não!

Olhei incrédulo para ela. Desde quando Lucy era a grande entendedora do amor?

— Lucy! – Queixei-me, incomodado.

— Não me olhe desse jeito. Se sua irmã for feliz com o Jellal, por que você tem que se intrometer? – E me puxou de volta para a porta de saída. – Você tem é que parar de se interpor na vida amorosa das pessoas, Dragneel.

Emburrei-me, cruzando os braços e fazendo cara feia durante toda a descida. Lucy tentou amenizar meu humor, mas eu a ignorei. Eu sei, era completamente infantil, mas eu não gostava da ideia de um dos meus amigos ficando com minha irmã. Era contra a regra dos garotos, será que ele não sabia?!

Quando finalmente saímos da catedral, sentir o chão em terra firme foi maravilhoso, e quase pulei de alegria.

— Olha, Natsu… – Lucy me chamou a atenção para um show de luzes que estava tendo com as águas do lago que envolvia parte de toda a frente da catedral. Fomos até a ponte e ficamos observando os jorros de água quase nos atingir e fazer formas incríveis no ar por longos minutos. – Isso é incrível! Essa noite foi uma das melhores aqui em Magnólia… – Ela cochichou apoiada no corrimão, sorrindo.

— Lucy… – A chamei, esperando que ela olhasse para mim. Quando ela se virou, as luzes da água que se refletiam em seu rosto a fez ficar ainda mais bonita. Mas não o bonita que eu estava acostumado, aquele bonita de ter um corpo escultural e uma presença totalmente notável. Lucy estava incrivelmente linda com sua expressão satisfeita, seus grandes olhos acastanhados brilhando, seu sorriso meigo, uma quase imperceptível covinha e seu delicioso cheiro de morango. Seus cabelos voando para todos os lados apenas deixava tudo com um charme a mais, e mais difícil de lembrar o que eu realmente iria lhe perguntar. – Você acha que… As coisas vão dar certo… Entre nós?

E sua expressão de total apreciação virou uma de total incompreensão.

— Como?

— Digo… Nós, os Dragneel’s e as Heartfilia’s? Você acha que vai dar certo depois do casamento?

Não, não era isso que eu queria dizer. Mas droga, por que eu fizera aquele tipo de pergunta tão de repente? O que estava acontecendo de errado comigo que não estava sequer conseguindo controlar a própria boca?

Seu sorriso voltou ao rosto, e ela suspirou um tanto… Aliviada?

Ai!

— Claro que sim! – Ela olhou para a água de novo. – Layla ama o Igneel, eu e Michelle temos um grande carinho por ele também, e Erza é incrível como irmã mais velha. Digo, o Zeref deve ser também, mas ele não é muito de conversar. Ele é sempre quieto assim? – Ela perguntou retoricamente, se virando de novo para me encarar. – E a Michelle, para minha surpresa, gosta de você. Como irmão mais velho e tudo o mais. Tenho certeza que é só pelo seu cabelo, mas ela diz que não, e fala que é porque você é legal. Mas eu discordo dela quase sempre. Claro, tem vezes que você é até legal, mas depois você consegue arruinar todo o momento bacana e… – E ela passou o resto da noite tagarelando sobre como eu conseguia ser chato, como ela adorava Erza e Igneel, e como Michelle queria me fazer de chaveiro.

Até que todos descessem, nos encontrasse e fossemos embora para casa.


Próximo capítulo:

— Eu tenho certeza absoluta que o Gray vai acabar casando com a Juvia. Essa implicância toda, esse jeito grosso dele ser… Não é só pelo incidente daquela tal festa. Eu sei que ele só está tentando reprimir seus sentimentos. – Lisanna concluiu. – No fim, eles serão nossos primeiros amigos a se casarem e a terem filhos. – E então terminou de tomar o resto do seu milkshake. – E depois vai ser você e a Lucy.

— Cale a boca, Lisanna. Não diga asneiras. – Revirei os olhos, fazendo-a gargalhar.

(...)

— O quê vocês dois estão fazendo? – Escutei alguém aparecer na sala, e só ao me virar vi que era Lucy.

Provavelmente ela deveria estar pensando que eu iria bater em Michelle, já que logo correu para protegê-la e colocá-la atrás de suas costas. Era meio suspeito mesmo, já que Michelle estava segurando meus ombros com um olhar de piedade, e eu claramente estava bravo.

— Só estamos conversando, Lucy… – Michelle falou baixo, pondo-se ao lado de sua irmã.

— Estou tentando protegê-la. – Avisei, mas olhando para Michelle.

Notas finais
¹Maldita loira gostosa é uma referência á uma fanfic de uma amiga, que também é NaLu, e o Natsu se refere á Lucy assim em certo momento, e acabei adotando essa frase pra vida! ASHUUSAHSUAHs' Essa catedral que eu descrevi, ela realmente existe (aqui no brasil, claro)... Eu fui visitá-la na minha viagem de ano novo, e era maravilhosa! Claro que eu alterei algumas coisinhas, como a subida para o observatório (lá até tinha, mas estava fechado para reforma, então eu não subi :c) e a dança dos jatos de água... Lá tinha um laguinho também, mas não passava de um simples laguinho com uma ponte super bacana sem corrimão... :x Inclusive, eu também joguei queimada dessa mesma forma com meus primos, nós fomos nas atrações, eu inclusive saí gritando no meio da praça pública feliz ano novo pra todo mundo (pq eu estava um tiquinho bêbada :x) Enfim, o capítulo de hoje foi totalmente baseado em um acontecimento real, que eu achei super mágico e maravilhoso, e fiquei muito empolgada escrevendo tudo isso com meu casal preferido ♥ Eu espero que vocês tenham apreciado também! *-* O que acharam do capítulo de hoje? Parece que Erza e Jellal estavam bem entretidos... ( ͡° ͜ʖ ͡°) Gray e Juvia também... SAHUSAHUASHUs' e esse momentinho do Natsu com a Lucy ♥ E o capítulo que vem tem um momentinho de treta... ( ͡° ͜ʖ ͡°) Obrigada por acompanharem até aqui, até semana que vem ♥