Troublemaker
1 Calor de verão.
Notas iniciais
summer heat/calor de verão.
O calor acima de 35°C tornava-se mais insuportável a cada hora em Kabukichou, o que levou o Yorozuya a mover-se de sua usual habitação ao parque aquático de Edo. O local encontrava-se em seu pior estado de lotação talvez, o feriado nacional e os baixos preços de promoção para a entrada foram os grandes causadores daquela terrível aglomeração. O distrito inteiro pareceu ter tido a mesma ideia de ir ao parque, inclusive indesejados ladrões de impostos que desperdiçavam seu dia de folga em uma das piscinas.
Gintoki fora logo o primeiro a notar os policiais afundados na água. Estava ali para ver peitos e afins, mas agora seria obrigado a lidar com um gorila e um viciado em maionese. Virou para comentar algo com Shinpachi, quando deu falta de sua filha adotiva que supostamente estava junto deles minutos atrás.
― Patsuan, onde está a Kagura-chan?! — perguntou coçando a bunda por cima do calção rosa. O samurai colocara também óculos de sol na expectativa dos homens da Shinsengumi não o reconhecerem. ― Ela estava com a gente até agora!
― Gin-san, você estava ocupado tentando puxar assunto com algumas mulheres na fila, quando...
― Eu estava conferindo a pressão da boia delas, não queremos que ninguém morra aqui hoje, não é mesmo?!
― Como eu dizia — O rapaz endireitou a armação do óculos na curva narina, continuando agora irritado. ―, você não viu quando Kagura-chan precisou sair, seja lá o que estava fazendo, ela enroscou a camiseta num dos portões e precisou buscar outra roupa de banho. — Moviam-se na direção contrária de onde viram Hijikata e Kondou, desviando das pessoas que corriam e mergulhavam por ali, ambos ainda sem saber o que fazer.
― Não sei qual é o problema dela com biquínis. — Gintoki deu de ombros. ― Toda menina um dia cresce e é obrigada a expor o que Deus lhe deu.
― Kagura-chan tem a pele sensível, Gin-san. Quanto mais calor estiver, mais recomendado é que ela esteja bem coberta — explicou. ― Aliás, duvido que você aprove ela usar biquínis e roupas ousadas do tipo.
― Que seja, espero que ela não alugue algo muito caro, afinal, sou que eu quem irá pagar.
― O dinheiro emprestado é meu — suspirou.
Do outro lado do parque, Kagura rastejava-se pelo chão a procura de água naquele calor escaldante, com a visão turva, tudo tornara-se um desafio para ela. O clima, no geral, podia estar quente para a população de Edo, mas para a menina yato a sensação térmica parecia muito maior e tudo devia-se a sua sensibilidade ao sol. Apesar do local ter cobertura e terem ido diversas outras vezes ali, a simples locomoção dela tornou-se algo dificílimo. Mal pode ver quando rasgou a única camiseta que usava antes de passar pela entrada do parque.
Shinpachi disse algo sobre ela não aparentar bem e insistiu que alugasse um dos maiôs que estivessem disponíveis, então Kagura não viu opções se não fazer o que o óculos humano dissera. Infelizmente, não tinham mais peças únicas de seu tamanho, não deixando-lhe outra alternativa que não fosse escolher um biquíni de babados que restara. A ruiva riu quando a atendente disse que azul bebê caía-lhe bem, caso estivesse em seu melhor humor teria chutado a mulher por obrigá-la a usar algo do gênero e ainda feito um comentário ridículo daqueles.
Depois de finalmente alcançar uma piscina, mergulhou com as boias de braço que Gintoki tinha-lhe dado e até que enfim pode sentir-se refrescada, a yato decidiu então gastar o resto do dinheiro de Shinpachi. Sobrara realmente pouco, entretanto, sequer tinha sinais de onde seus companheiros estavam, não ia ficar com fome e desidratada por causa da irresponsabilidade deles em não se preocupar com ela, apenas uma garotinha. Ela resolveu comprar um picolé. Avistou Madao empurrando um carrinho de sorvete pelo chão de pedras e pôs-se a correr na direção do homem.
― Kagura-chan! — cumprimentou feliz em vê-la por ali. ― Não sabia que o Yorozuya também estava por aqui!
― Também?! — repetiu sem entender. ― O que você tem aí? — Ignorou a questão anterior, sustentando-se na ponta dos pés para poder olhar dentro do carrinho.
― Consegui esse emprego meio-período durante o verão, se eu atingir a meta de vendas posso ser promovido facilmente! — Hasegawa contou sem perceber que ela não lhe dava a mínima atenção.
― Madao, me dá um sorvete logo, não ligo pro seu emprego novo, por que de qualquer forma você vai continuar sem um depois, sim? — Ela recompôs-se revirando os olhos.
― Eu queria que as pessoas me apoiassem mais — resmungou num tom inaudível, pondo-se a revirar o buraco no carro atrás de algo para a ruiva.
― Vai demorar muito?
O homem fez um sinal para que a garota aguardasse apenas mais alguns instantes, temendo o pior, o que restara na carga interna não passavam de caixas vazias onde os sorvetes estavam antes armazenados.
― Acho que acabaram os picolés — informou num tom desanimado, gostaria mesmo de vender algo para ela.
― Não tem raspadinha? — Viu Madao negar com a cabeça. ― Huh, que imprestável você!
― Não é minha culpa, tudo bem?! — rebateu ele, claramente ofendido. ― Vendi o último picolé para aquele cara ali. — Apontou para sua direita, mostrando alguém sentado confortável num banco sozinho. ― Um pouco antes de você chegar!
Kagura seguiu com o olhar para onde o amigo indicava, deparando-se para sua surpresa com seu rival sentado no banco. A ruiva fechou os olhos inspirando profundo e buscando acalmar a si mesma, não podia lidar com o fato de que Okita Sougo estava prestes a abrir o último sorvete que Hasegawa-san vendera. Acenou fraco despedindo-se do amigo eterno vagabundo e desempregado, movendo o corpo em passos cautelosos, Sougo ainda não havia a notado. Planejou algo pensando em não usar a força bruta inicialmente, afinal, situações drásticas pediam medidas desesperadas. E esgueirando-se pelo monte de pessoas, deu a volta no banco e achou uma pilha de boias, onde se escondeu e o observou por poucos segundos revisando mentalmente o plano, precisava agir antes que o picolé fosse desembalado e o adversário o levasse à boca, tudo estaria perdido se algo assim ocorresse.
Nos instantes seguintes Kagura agiu, num único salto alcançou o banco que não estava assim tão distante, mirando o picolé nas mãos do adversário pelo qual sentia tanta aversão. Suas mãos por pouco não atingiram o objetivo, ele afastou o sorvete antes que ela pudesse apanhá-lo. A ruiva agora estava sobre as costas dele, imaginando que desculpa daria por tê-lo atacado assim.
Sougo puxou quem quer que houvesse o surpreendido sem sucesso por trás, sentindo a pele nua da menina e arremessando-a de costas no chão. Espantou-se ao perceber que não tinha jogado qualquer um, mas sim Kagura. Analisou a rival, sentindo água escorrer pela sua costa agora molhada, deduzindo ter vindo dela que encontrava-se encharcada igual. Diferente de outras vezes que a vira na praia e até mesmo ali no parque aquático, ela não vestia roupas confortáveis e sim um fofo biquíni de babados.
As peças de banho ajustavam-se perfeitamente ao corpo esguio da ruiva, marcando-lhe a silhueta e inclusive avantajando seu pouco busto. A cor clara entrava em contraste com seus olhos e cabelo, talvez a costura elástica do tecido estivesse até mesmo lhe apertando levemente, era possível notar a pele saltada no inicio de cada peça. Sougo trajava apenas um calção de banho simples.
― China? — chamou-a ainda confuso, piscando e procurando sentido naquilo. ― O que faz aqui?
― Cala a boca e toma meu dinheiro! — respondeu ainda deitada, dolorida o suficiente para não querer levantar depois daquele golpe.
― Não estou fazendo programas hoje. — Cruzou os braços, gostando da visão superior que tinha vendo-a jogada aos seus pés.
― Eu quero seu picolé! — Por um momento Sougo esquecera-se que segurava mesmo um picolé e imaginou coisas. Encarou Kagura sem qualquer expressão, repetindo mentalmente o que escutara e se perguntou se ela seria mesmo capaz de dizer algo tão baixo. China era a mulher depravada com a boca mais suja que já conhecera, não estaria surpreso se ela dissesse algo como aquilo, a questão era ela querer logo o dele. ― O picolé que está na sua mão, imbecil pervertido. — Ela colocou-se de pé revirando os olhos.
Sougo pareceu aliviado. Entretanto, antes que respondesse algo, retirou o sorvete da embalagem e chupou-o em seguida, encarando-a em silêncio.
― Oh, perdão. — Depois de terminá-lo até quase a metade com ela assistindo-o indignada, falou: ― Você queria? — perguntou cínico.
― Espero que você queime no fogo do inferno. Ou no calor lá de fora, que não é muito diferente, sim?
Ao Kagura dar-lhe as costas procurando outra coisa para fazer, Okita não pode evitar senão repará-la por trás. Policiou-se quando percebeu seus olhos percorrendo o quadril molhado da menina repleto de gotículas, quase alcançando a mini-saia de babados na parte inferior do biquíni. Puxou-a pelo pulso de súbito, por acaso a fazendo chocar-se contra seu peitoral.
― China, queria dizer que gostei do seu biquíni. — Ele manteve contato visual fixo, mesmo que ela fosse muito mais baixa e isso o obrigasse a se inclinar. Seus olhos olhos brilhavam e ele não lembrava-se de outra vez que estiveram tão próximos sem estarem discutindo.
― Ah, é mesmo?! — questionou irônica sem acreditar nele, esforçando-se em se desvencilhar das mãos do sádico.
― É verdade, tanto que eu tenho um igual. — A ruiva levantou uma das sobrancelhas confusa. ― No chão do meu banheiro. — E aquela foi a última vez que Sougo disse algo naquele dia.
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