Troublemaker

5 Meu primeiro Beijo II


Notas iniciais
Sei que demorei , mas voltei :3 O capitulo não aceitou a foto : file:///C:/Users/Documentos/Downloads/1438605888884.jpg

Meu Primeiro Beijo – 14 Anos.

– Lembra quando você me beijou para que o Diego não te beijasse? – me perguntou Maxi enquanto me jogava um pedaço de chocolate que peguei com a boca.

– Claro, meu primeiro beijo. – E como esquecer, as caras de Maxi e Diego eram épicas , Diego não parou de reclamar a tarde toda dizendo que eu não podia beijar alguém que comia borracha. Preferia isso a os lábios dele.

– E depois, quando as garotas descobriram... Agora acho mais engraçado do que a vergonha que eu tive. – comentou. Mandou-me outro pedaço de chocolate e dessa vez não o peguei. Ele riu de mim e eu joguei uma almofada na cara dele. Havíamos nos tornado grandes amigos no fim de tudo. Meus pais jogaram fora todas as minhas preciosas coisas do Peter Pan quando descobriram que eu havia reprovado e no ano seguinte, eu e Maxi fomos os melhores alunos da classe. Mas isso só durou um ano, no ano seguinte estávamos tão perdidos como quando fomos de excursão e nos perdemos da nossa turma.

– Eu ainda acredito que o Diego estava com ciúmes. – disse.

– Não acho. Ele sempre é o primeiro e melhor em tudo, só ficou bravo porque você ganhou dele. – argumentei, odiava quando ele falava essas coisas.

– Não esteja tão segura. Aposto que se você tivesse um namorado, ia ser igual.

– Claro que ia ser igual, eu ia ter um namorado antes dele. Você não me escuta?- Maxi riu alto e comeu o que restava do chocolate.

Estávamos em meu quarto vendo um filme romântico, eu ainda as achava tontas como quando tinha oito anos, pelo menos não sentia mais tanto nojo. Preocupava-me por Maxi, ele se tornou um galã de novela quando fez 12 anos, cortou o cabelo, os traços de seu rosto se tornaram amáveis ao olhar das garotas (o meu não), não era alto, mas aparentava ter 16. Ate Karina o chamou para sair. Maxi foi tão bom que gravou esse momento para me mostrar e rirmos da cara de indignação que ela fez, quando ele deu um fora nela.

Na verdade, Diego não ficava atrás. Mesmo o odiando, tinha que reconhecer que estava a altura do meu amigo. Deixou o cabelo dar uma crescida e havia crescido bastante em altura, era duas cabeças mais alto que eu. Ele havia voltado para a escola com uma bolsa de estudos, o que alegrou muito Amanda que ficou imensamente orgulhosa. Emma havia saído da escola e foi para Londres fazer uma universidade. Minhas amigas também cresceram, em realidade todos eram mais altos que eu (Menos a Naty). Que me apoiava nas loucuras de Cami e Ludmi. Elas eram iguais que sempre , quando descobriram que eu beijei Maxi , foram imediatamente irritar Natalia. Não sei como, mas minha prima as faz desistir em dois dias.

– Diego com um “namorado”?- questionou Maxi. Eu joguei outra almofada nele.

– Você me entendeu. – Respondi.

– É, entendi. Pergunto-me porque ainda não tem namorada, deve estar te esperando. – nesse momento ele caiu da cama. Eu chutei suas costas que tirou a respiração e o rodou no chão. Não era a primeira vez que falávamos desse assunto, por mais estranho, Maxi tinha um desejo enorme de me juntar com Diego, igual à Ludmila, Camila, mamãe e papai. Gabriela nos ignorava e Clara vivia em seu próprio mundo, pelo menos por elas não era irritada.

– Você devia se declarar para Naty, em vez de montar casais. – ele ficou vermelho, se levantou e segurou em meus ombros me fazendo olhar para ele.

– Nós estamos falando de você e do Diego. Não acredita que ele iria ficar com ciúmes? Ok, vamos apostar. – Péssima ideia, não devia. Apostar com o Maxi nunca trazia coisas boas, a ultima vez fui ao hospital, com intoxicação, mas....

– Apostar o que? — era impossível resistir a uma aposta. Eu achava que um dia iria acabar com o dinheiro de meus pais em um cassino, por isso Amanda guardava todo meu dinheiro e só me dava em situações importantes.

– Eu aposto que se você começar a namorar, o Diego vai ficar com ciúmes. – pensei um pouco. Ia ser difícil.

– Eu não quero namorar. – respondi.

– Isso é fácil. Eu me faço passar por seu namorado e vemos como ele reage. – assenti e voltei a pensar.

– Se não acontece nada, eu ganho. E quero que você se vista de palhaço e vá de bicicleta até o centro comercial.

– Ok, mas se eu ganho, você vai ter que fazer o teste para Julieta na peça da escola.

– Você esta louco? O Diego vai tentar ser o Romeu, eu não quero ser a Julieta. – reclamei.

– Então você admite que eu esteja certo. — Maxi sabia muito bem me provocar, eu era tão fraca e queria provar a esse idiota que Diego era apenas um inimigo.

– Quando começamos? – ele sorriu de lado e olhou o relógio que estava em seu pulso.

– Agora... Já. Vamos. – falou. Eu sabia que ele queria começar imediatamente. Fiquei em pé e saímos para o corredor. Maxi foi lentamente até a porta do quarto de Diego e colocou a orelha na mesma. – Ele está aqui, falando no telefone.

Assenti e fui ao lado dele. Isso parecia uma loucura e na verdade era. Mas o importante era ganhar do Maxi.

– Você me segue e tente não fazer uma cara de nojo quando eu for romântico. Entendeu?

– Ok. — respondi. Afastamos-nos da porta e Maxi me abraçou.

–Te amo tanto, Francesca Reys! – gritou.

– Seja mais natural, idiota. – sussurrei. Ele fez careta e voltou a gritar.

– Não acredito que você aceitou namorar comigo! – Quis morrer. Maxi era um péssimo ator. De repente, a porta se abriu mostrando um Diego com o celular na mão.

– Depois te ligo. – respondeu a pessoa do outro lado da linha. Ficou nos olhando por alguns segundos, até que resolveu falar.

– São namorados ?

– Sim, pedi essa tarde. É incrível que a Francesca seja minha namorada, quantos devem estar com ciúme. – me mexi nos braços de Maxi e olhei disfarçadamente para Diego. Tinha a testa franzida e apertava o celular tão forte que poderia quebrar. Apenas nos olhou novamente e entrou no quarto.

– Pronto, ganhei. — disse Maxi, me soltando.

– Você não ganhou nada, eu não o vi com ciúmes.

– Porque você é cega. — lembrei quando Diego tentou me beijar e machucou meu pobre olho. Ele não podia gostar de mim, nos conhecemos desde os oito anos éramos como irmãos. Dos que brigavam o tempo todo, mas irmãos.

– Precisamos de um jurado, que nos diga a verdade. – falei enquanto descíamos a escada para comer.

– Ok, vamos ligar pra Lud...

– Não, ela vai estar do seu lado e a Camila também. Que seja a Naty. – falei.

– Não, ela vai estar do seu lado. Tem que ser alguém neutro. – respondeu.

– Gabriela?

– Ela nem fala com a gente. – ele tinha razão, tinha que ser outra pessoa.

– Clara. – ele concordou e fomos atrás de minha irmã.

Quando a encontramos na sala vendo televisão pedimos que fosse nossa jurada, explicamos o assunto de um jeito que parecesse um jogo inocente. Ela devia nos contar se achava que Diego estava com ciúme. Ela aceitou sem entender tudo. Fingimos ser um casal feliz e apaixonado por uma semana, já que Clara decidiu que era o tempo certo. Foi agonizante andar de mãos dadas para todo lado, recebendo olhares mortais das garotas da escola. Quando acabou o prazo, sentamos na cama de Clara enquanto ela pegava um caderno onde havia anotado suas observações.

– Clara, fala pra essa teimosa que eu estou certo. – disse Maxi. O empurrei para que caísse da cama, mas antes de uma briga Clara nos interrompeu.

– Bom de acordo com tudo o que eu observei e anotei no meu caderninho. – ela começou a falar muitas coisas estranhas, então a interrompi.

– Já entendi Clara.

– A sua conclusão é? – Pergunto Maxi ansioso.

– Diego esta com ciúmes.

– Ganhei! – Gritou Maxi e começou a pular de felicidade. Eu odeio perder, ainda para Maxi.

– Agora você vai ter que fazer o teste para Julieta, pobre Diego sofreu a semana toda. Deve receber uma recompensa. – Dias difíceis iam chegar.

As audições da peça iam começar em duas semanas, teríamos que atuar em duplas para os papeis principais e deveríamos aprender a cena do balcão. A pior de todas. Maxi havia contado pessoalmente para Diego que eu faria o teste por amar teatro e que lamentavelmente nossa relação não tinha funcionado e resolvemos ser apenas amigos. Não quis escutar quando me contou sobre a expressão de felicidade que ele fez ao escutar isso. As duas semanas foram muito lentas, Ludmila se voluntariou para escolher meu figurino e Camila me ajudava com as falas. Quase me batia porque eu não queria aprender.

Natalia não me forçava a nada, me falou que se estivesse no meu lugar faria o mesmo. E o grande dia chegou, estava horrorizada e muito nervosa isso ia me matar. Havia poucos garotos concorrendo para o papel de Romeu e para os outros papeis secundários. No entanto, para Julieta... Os camarins estavam lotados de garotas se penteando, maquiando e treinando mil vezes as mesmas falas. Estava começando a me arrepender por não ter treinado mais, não queria o papel, mas também não queria parecer uma tonta no palco.

Como me sufocavam tantas pessoas em um lugar minúsculo, fui caminhar pelos corredores atrás do palco. Havia um teatro subterrâneo na escola, era horrível a forma que tinham de gastar dinheiro aqui. Em um canto, me encontrei com Marco. Não era mais amigo da Karina, porque finalmente percebeu que ela é louca. E quando Diego voltou à escola, lhe pediu desculpas e agora são amigos.

– Vai fazer teste para qual papel? – Perguntei. Ele levantou a cabeça e notei que estava bem nervoso.

– Romeu. – Respondeu. Sentei-me ao seu lado e lhe ofereci balas de menta. Ele aceitou e colocou na boca.

– E você?

– Julieta. – Falei. Ficamos assim por um tempinho, ate que ele suspirou e coçou os olhos.

– Eu não vou conseguir.

– Não pense assim, eu nem decorei as falas e estou super tranquila. – Menti. — E eu acredito que você vai arrasar.

– Diego também vai tentar esse papel, ele é bem melhor que eu.

– Não se preocupe por esse idiota, você vai se sair bem.

Marco sorriu e me abraçou. Se aos nove anos não tivesse sido amigo de Karina, agora com certeza a adoraria igual adoro o Maxi.

– Me desculpa por ter te xingado tantas vezes, prometo nunca mais fazer isso e se fizesse também, o Diego ia me matar. – Fiz uma careta ao ouvir isso. Não ajudou em nada.

– Ok. Vamos ver se já esta na nossa hora. – Falei para mudar de assunto. Chegamos juntos atrás do palco e vimos como varias garotas faziam fila para ser a dupla do Diego. Maxi nunca me falou o que aconteceria se eu não fosse escolhida, tudo dependia do ruim que eu fosse.

– A primeira dupla... – escutei como o professor de teatro dizia. – Marco Tavelli e Violetta Castillo. – Uma garota meio loira,meio morena , foi ao palco e eu sorri para que Marco ficasse um pouco menos nervoso.

Todos vimos a atuação, Marco era um ótimo ator, você o via e se emocionava. Violetta não era grande coisa, mas dava pro gasto. E então chegou a parte do beijo. Beijaram-se de verdade. Meu Deus, eu esqueci da parte do beijo.

Quando eles terminaram todos aplaudimos e esperamos que falassem a próxima dupla. As garotas estavam eufóricas, sorteavam os nomes na hora e pelo que entendi todas queriam beijar o Diego. Putas.

Passaram mais quatro casais e falaram o nome de Diego. As garotas pareciam maritacas.

– Diego Hernandez e... -

“Todas “diziam ““ “Eu”“ Diga meu nome”.

Eu não, por favor. Juro que vou me comportar bem e não vou bater no Maxi.

– Francesca Cauviglia.

Pronto, vou me comportar mal o resto do ano.

Discutir com Deus e com a sorte não ajudaria em nada. As garotas bufaram atrás de mim e me levantei com o vestido vermelho que Ludmila escolheu para mim. Sentia os pés pesados e meu coração batia de uma maneira que pensei que ia subir pela garganta e sair pela boca. Não deixavam o publico entrar nas audições, apenas o professor e algumas pessoas para avaliar. E quem veio fazer o teste que olhava tudo detrás do palco.

Diego começou com suas falas, mas eu não o escutava, só conseguia ouvir meu coração acelerado. Do nada, acordei e comecei a atuar. Diego era maravilhoso nisso, ele ficava tão lindo como Romeu. Eu parecia uma pedra na água, me afundava em minhas próprias palavras e gestos. A atuação não era para mim.

– Que o sonho descanse em seus lindos olhos e na paz de sua alma! Queria ser eu o sonho, queria ser eu a paz que dorme em sua beleza!

Era a ultima fala da cena, Diego já havia subido na escada e apenas faltava o beijo para acabar com essa tortura. Chegou perto de meu rosto e eu ia me afastando cada vez mais. Não tinha escapatória, o final sempre seria o mesmo.

Só havia uma coisa a se fazer, igual fiz com Maxi aos 10 anos, o mais rápido possível. Fechei os olhos e o único que senti foi uma pressão sobre meus lábios por alguns segundos, escutei de longe alguns suspiros que provavelmente seriam das garotas que queriam estar em meu lugar.

Devia ser um beijo apaixonado e que mostrasse o amor que sentiam os personagens, mas não podia porque não podia sentir outra coisa sem ser uma sobre minha boca. Era uma boa forma de estragar minha audição, mas de repente me senti tão estúpida. Não consegui dizer minhas falas, era uma péssima atriz e não sabia beijar. Era uma fracassada. Por culpa do Maximiliano. Então pensei comigo mesma “Vou mostrar que não sou tonta e que sou boa em pelo menos algo”.

Pensei em como se sentiu Julieta ao beijar seu amado pela primeira vez, em como eu me sentiria se amasse alguém de verdade, e segurei o cabelo de Diego e cheguei mais perto dele.Fechei meus olhos com mais força e mexi os lábios para dar mais realidade ao beijo. Diego me seguiu e segurou em minha nuca. No fim , nos beijamos de língua.

A verdade é que eu adorei. E acho que esse pode ser considerado meu primeiro beijo.

Notas finais
Beijoooooooo