Troublemaker

6 Carteira de Motorista


Carteira de Motorista- 15 Anos.

Diego estava sentado no sofá com um caderno e dois livros ao seu lado. No outro sofá estava Marco, murmurando os deveres que teriam que fazer. Na mesa de centro estava coberta de comidas que provavelmente nunca me deixariam comer, pelo menos não na frente da minha mãe, que há alguns messes teve a idiota ideia de que eu tenho que ser saudável.

Diego sorriu e jogou seu lápis em Marco. Sim, estou espiando ele. Mas não é culpa minha que mesmo depois de um ano, eu ainda pense no beijo e ele não tenha falado nada sobre isso. Voltamos à mesma relação de antes, dos bons dias e nada mais. Nem sabia se ele ainda tinha ciúmes, fingi estar interessada em outros garotos, mas ele me ignorava e seguia sua vida. Teve uma namorada, puta.

Foi difícil admitir, mas no final tive que admitir. A verdade estava na frente de meus olhos e eu insistia em seguir cega, gostava de Diego e não podia evitar.

Ainda o odiava, no final das contas era um intruso em minha casa, mas não conseguia evitar sentir esse frio na barriga sempre que o vejo sorrir e ate quando simplesmente escuto sua voz. Isso não era bom para minha saúde mental, vivia pensando nele. Também não era nada bom para meu sistema nervoso e respiratório, meu coração se acelera de uma maneira absurda quando estou perto dele.

– Espiando seu amor?- Pulei de susto ao escutar a voz de Maxi em meu ouvido. Como estava na escada, rodei ate embaixo e cai da cara no chão.

– O que foi isso?- escutei Diego perguntar.

Não consegui me mover antes que Diego e Marco chegassem ate mim. Caída no chão, com o cabelo todo bagunçado e com Maxi há dez degraus acima rindo como uma hiena, não era um bom momento para Diego me ver.

Marco me ajudou a levantar, Diego ficou nos olhando e não moveu um dedo. Muitas vezes sua atitude me irritava. Eu não tinha nenhuma doença contagiosa para impedir que ele me tocasse.

– Obrigado Marco. — disse quando ele tirou o cabelo do meu rosto.

–De nada. Você poderia-me dizer como rolou escada abaixo?

–Porque é desengonçada, tropeça nos próprios pés. — Falou Diego.

Hm. Isso doeu. Foi um comentário frio e grosso. Nenhum olhar, nenhuma emoção. Puxou Marco pelo braço e o levou ate o sofá para continuar fazendo os deveres.

–Amargo. — falei em voz alta para que ele escutasse.

– Reprovada. — Golpe baixo.

– Olhos de vomito. — Contra-ataquei. Depois de nossa saudação da manhã, também tínhamos uma briga clássica todos os dias, de crianças de seis anos.

–Sem cérebro. — Me respondeu. Estava na hora de usar a tática surpresa.

Fiz um sinal para Maxi descer e me acompanhar ate o sofá. Ele estava encantado, adorava irritar Diego a minhas custas, da mesma maneira que gostava de me irritar a custa de Diego.

–Marco, nunca vou me cansar de te parabenizar pela sua atuação como Romeu. Foi incrível, você realmente tem futuro como ator. — Disse a ele.

–Foi uma pena que o Diego e a Francesca não conseguiram o papel, eles adorariam se beijar mais vezes daquele jeito. – Começou Maxi.

Eu deixava meus amigos me irritassem com Diego em situações que eu precisava desses comentários. Como nem Ludmila, Camila e Naty estão aqui, sobrava Maxi. Não era a melhor opção porque às vezes mudava o assunto, mas era isso ou brigar sozinha contra os olhos de mel.

–Não iria funcionar, Maxi. Eu nem queria o papel. — Disse Diego. Olhei para Marco que tentava segurar o riso. Todo mundo sabia que o Diego odiava perder.

–Que pena. Ainda bem que eu fui sua parceira então, sou uma péssima atriz. — Falei. Notei como Diego ficava tenso, nunca havíamos conversado sobre o assunto da audição e acho que falar com Marco e Maxi de plateia não eram boa ideia.

–Não é sua culpa, Fran. O Diego que se empolgou demais com o beijo.- Falou Marco , os três rimos , enquanto Diego ficava vermelho.

–Ok, perdão por querer fazer um bom trabalho!- Exclamou do nada. Formou-se um silencio incomodo.

–Mas você disse que não queria o papel, não se altere. — Falei para tentar melhorar o ambiente. Marco e Maxi assentiram me dando a razão.

–Não fale comigo. Vamos Marco. — Esse último levantou os ombros e se desculpou pelo comportamento de seu amigo e ambos foram terminar os deveres.

–Bom, não foi tão legal dessa vez. Alguma coisa ta acontecendo com o Diego e é seu dever descobrir. — Me falou Maxi. Olhei para ele incrédula, Diego estava bravo e eu não era muito paciente com os problemas das pessoas.

–Foi mal, mas eu não quero ouvir gritos. — Ele não deu importância e comeu algumas bolachas que estavam em cima da mesa e eu fiz o mesmo.

–Então vamos fazer nosso trabalho de ciências.

– Prefiro descobrir o que ta acontecendo com o Diego. — Falei rapidamente, Maxi sorriu e se levantou.

–Vamos, antes que tranquem a porta. –subimos a escada e paramos na frente do quarto de Diego escutando o que eles conversavam.

Era uma pena não ter minhas amigas na mesma sala que eu. Elas estavam na mesma sala que Diego e eu na do Maxi. Era divertido e ficávamos a maior parte da aula irritando as pessoas ou dormindo, Maxi era melhor nisso que eu. Não queria me contar seu segredo para sempre ter notas boas, mas tinha certeza de que não copiava de alguém.

–Ainda não sei por que continuamos escutando as conversas idiotas do Diego. — Sussurrei para Maxi. Ele me fez ficar quieta, colocando a mão sobre minha boca.

–Não faz barulho. -falou.

Acho que isso nunca vai mudar, sempre vamos espiar o Diego. Pelo menos, eu não vou parar. Era um impulso, algo mais forte que eu. Era como uma atração mágica que me obrigava a ficar grudada em sua porta escutando.

–... Vou começar a treinar para tirar minha carteira de motorista e isso ta me deixando louco. — Falou Diego, com a voz fraca pela distancia.

– Agora entendo porque você este tão nervoso. -Respondeu Marco.

–Sim, só espero que Francesca não me odeie mais do normal, se ela tivesse no meu lugar. — E parei de escutar, me sentia confusa, feliz, emocionada e alterada.

Tinha um ponto a meu favor: tinha falado de mim. E um contra: sabia que o odeio e isso não é bom. Estava confusa porque acreditei que havia se preocupado por mim, mas logo descartei isso já que deveria estar preocupado com Amanda. Porque se eu dissesse que ele me tratava mal, sua mãe poderia ser demitida e eles teriam que ir para a casa de sua avó.

Quando eles chegaram me espantei de não terem trazido malas, demorei um tempo para descobrir que Amanda havia fugido com seus filhos porque seu marido era um completo imbecil. Havia fugido para dar a seus filhos um futuro melhor. Por isso eu jamais a prejudicaria, gostava muito dela para fazer isso. E também, isso incluía o fato de que Diego também iria e isso significaria o fim da minha carreira de espiã.

E não podia deixar isso acontecer.

–É um idiota. -murmurei. Maxi não ouviu, mas não era necessário que ouvisse para saber o que eu estava pensando.Deixamos Diego em paz o resto do dia.Nunca fizemos nosso trabalho de Ciências e no fim Marco e Naty nos ajudaram a passar de ano.Passaram os dias e Diego ficava cada vez mais paranoico com o passar do tempo.Pelas tardes meu pai o ensinava a dirigir no jardim com seu carro, quebrou a bicicleta de Clara e bateu com varias arvores da entrada da casa.Era péssimo.E isso o deixava muito irritado.

Notas finais
Oiiii , eu voltei :) Com um capitulo meio ruim , mas o próximo vai ser bem melhor.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.