Troublemaker

4 Meu primeiro Beijo


Notas iniciais
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10 Anos – Meu Primeiro Beijo

Camila e Ludmila não paravam de me irritar. De um dia para outro entrou na cabeça daquelas duas a odiosa ideia do primeiro beijo. Era repugnante, eu seguia acreditando que isso era só uma maneira de passar baba. Ludmila havia confessado que um garoto da escola havia lhe pedido um beijo e ela havia o beijado. Na semana seguinte a Cami apareceu dizendo que conseguiu que um garoto a beijara. E agora estavam esperando minha vez. Meus lábios estavam fechados, não beijaria ninguém. Não estava disposta a correr esse risco, podia pegar alguma doença, beijar é muito perigoso.

– Vamos, não tem nada de mau. É a melhor sensação do mundo, são como mil borboletas na barriga. — Comentou Ludmila enquanto tomávamos sorvete no terraço de minha casa.

– E também suas pernas tremem... É tão romântico. – Continuou Cami e as duas suspiraram juntas. Eu ignorei e coloquei uma colherada de sorvete na boca.

– Não, obrigado. Passo. E mesmo se quisesse , nenhum garoto me beijaria , sou a Fran a descerebrada, Fran a torta e Fran a inútil... – Podia seguir falando todos os apelidos que me colocavam meus companheiros, mas não queria perder a tarde lembrando como crianças podem ser cruéis. Gabriela me dizia para ignorar, que nosso pai era chefe deles e que eu poderia fazer o que quisesse. Ao passar os anos Gabi havia se transformado em uma garota malvada.

– Bom, então com um garoto que não estude na nossa escola. — disse Ludmi e seus olhos brilharam, notei que Cami estava com o mesmo olhar, se olharam e sorriram.

– E que esteja perto, que te conheça e que esteja louco por você. Conhece alguém Lu? – perguntou a ruiva. Estavam-me assustando, soriam de maneira estranha.

– Com quem for não vou fazer isso. Só tenho dez anos, quero viver minha infância sem problemas amorosos.

– Francesca, é algo normal! – exclamou Ludmila. Que teimosas são minhas amigas.

– Não vou fazer! – gritei. – Não vou beijar ninguém!

– Ok, se essa é a sua decisão- Cami cruzou os braços e olhou de canto de olho para Ludmila, quem fez o mesmo e se levantaram.

– Não beije ninguém, não podemos te obrigar, mas você não disse nada sobre um garoto te beijar.

– Não, não e não! – gritei.

As expulsei de minha casa e disse seriamente que voltassem a falar comigo quando pensassem direito. Na manhã seguinte, me encontrei com Diego no café da manhã. Depois que mudou de escola, ele começou a me evitar mais ainda. Tentei falar com ele e dizer que faria da vida de Karina um inferno, mas ele parecia estar em outro mundo, então desisti e em duas semanas tudo voltou a ser como antes. Cumprimentei Olga, que me preparou uma tigela de cereais e pão torrado, e dediquei um olhar frio para Diego com bom dia. Mas então, diferente dos outros dias ele não levantou da mesa assim que terminou seu café, mas ficou ali com um olhar perdido observando sua colher.

– Francesca, quero falar com você. – Me disse de repente. Olga nos olhou e sorriu.

– Vou levar o café para a sua mãe, Fran. – pegou uma bandeja com uma xícara de café e umas bolachas de morango e saiu, nos deixando sozinhos.

– O que você quer? – ele se ajeitou na cadeira, e presenciei algo que nunca pensei ver nele: inseguridade. Abri a boca como uma tonta, Diego o garoto mais maduro de todos os tempos, estava nervoso. Não consegui segurar o riso.

– Do que você ta rindo? – me perguntou.

– De nada – respondi, mas ele não pareceu muito convencido.

Brincou alguns minutos com a colher e ficou de pé com a cabeça abaixada. Inclinei minha cabeça para olha-lo aos olhos e reparei que suas bochechas estavam vermelhas.

– Diego, você esta bem?Antes de responder, chegou perto de mim e sua boca chocou com meu olho.

– Você quer me deixar cega? – O que ele tentou fazer? Quase matou meu pobre olho. Tapei com a mão o olho machucado e o observei. Estava de pé parado em minha frente e mais vermelho do que antes. E nisso voltou Olga, estava sorridente e cantava uma canção alegre, mas ficou em silencio quando nos viu.

– O que aconteceu com o seu olho, Fran. – perguntou quando percebeu que eu tapava o olho.

– O Diego me bateu. – a respondi.

– Não, eu só tentei... – ficou em silencio, não terminou a frase.

– De me matar, isso você tentou. – eu disse, exagerando a situação.

– Fran, meu amor. Eu acho que o Diego não tentou te matar. – disse Olga.

– Lógico que não, eu nunca te machucaria. – me acalmei por uns segundos e nesse momento, Amanda apareceu na porta.

– Crianças, não estão me escutando, Fran o carro esta te esperando e Diego sua irmã vai pra escola se você não se apressar. – O fulminei com o olhar e me dirigi ao carro. Desde longe se escutava os gritos de Gabriela por minha causa.

– Anda logo Francesca, eu tenho uma prova muito importante e tenho que chegar a tempo. – gritava pela janela do carro. Entrei e ignorei minha irmã, os hormônios estavam a tornando louca. Quando chegamos Gabriela fugiu para a biblioteca para estudar, e eu tive que ir deixar Clara em sua sala, era seu primeiro ano na escola e tinha muito medo. Depois de suportar o choro de Clara e o escândalo que fez para que eu não a deixasse sozinha, fui para a primeira aula do dia; Literatura.

– Fran, você já pensou no beijo? – perguntou Ludmila assim que cheguei, eu disse que ela só falasse comigo quando pensasse direito, fingi que não escutei e me sentei com a Naty.

– O que aconteceu agora?perguntou minha prima.

– Nada. – respondi.

– O que aconteceu com o seu olho? Ele esta inchadome disse Naty , com preocupação na voz. Toquei meu olho e realmente estava inchado.

– E roxo. – Aumentou Natalia. Eu mataria Diego assim que chegasse a casa. O sinal da aula tocou, Camila chegou atrasada e a professora tirou uma estrela dela. Passei toda a manhã pensando em maneiras de torturar Diego e de tirar minhas amigas de cima. Quando a aula acabou, a professora me chamou até sua mesa.

– Francesca, Maximiliano, podem vir aqui? – olhei Maxi de canto de olho. Ainda se sentava com Karina, mas não comia mais borracha. Comportava-se como um garoto normal. Caminhamos ate a professora e avisei Naty para que me esperasse no lugar de sempre.

– Preciso que entreguem isso aos seus pais. — nos disse. Entregou-nos um envelope branco a cada um e nos dedicou um olhar severo. Eu guardei o meu na mochila. Na saída, a curiosidade estava me matando.

– Francesca, hoje vamos à sua casa. –Me disseram Ludmila e Camila. Com o assunto do envelope, esqueci que estava ignorando elas. Naty foi conosco até minha casa. Assim que entraram Ludmi e Cami começaram a perguntar sobre Diego. Não dei importância e deixei que o procurassem. Eu tinha outros assuntos.

– Amanda! – Gritei, mas ela não respondeu. Meus pais nunca iam às reuniões da escola, então a carta estava destinada a Amanda. Como não resistia mais, abri o envelope.

– O que é isso? – Me perguntou Naty, a chamei para que lesse comigo, mas me arrependi, porque em seguida a vergonha me fez derrubar o papel no chão e ter vontade de chorar. — Isso é impossível. – exclamou minha prima.

Mas era verdade, não andava prestando atenção nas aulas, não fazia tarefas e nem trabalhos. Havia reprovado e teria que fazer tudo de novo no ano seguinte. Provavelmente, Maxi também havia repetido. Amanda iria me matar.

– O que você vai fazer? – Me perguntou Naty, quando a surpresa passou.

– Me tornar a melhor amiga do Maxi, não vou ficar sozinha ano que vem. – Ele arregalou os olhos e percebeu que eu havia superado. – Não conte a ninguém, Naty, por favor. – A mesma assentiu e fizemos o juramento do dedinho. Resolvemos ir procurar as minhas duas amigas loucas, mas não as encontramos. Lembramos-nos de Diego e resolvemos ir ao quarto dele.

– Na próxima, não seja tão precipitado. – Escutamos uma voz, era Ludmila. A porta estava aberta e escutávamos tudo.

– Não vai ter próxima , ela acha que eu tentei a matar.....- Disse Diego.

– Essa menina esta cada dia mais louca. – Exclamou Camila.

– Do que eles estão falando? – sussurrou minha linda prima. Coloquei a mão sobre sua boca para que ficasse quieta.

– Você tem que beijar ela, Diego, agora, já. – Exclamou a loira. E então percebi tudo e puxei Naty para o meu quarto.

– Ele... Elas... Era tudo um plano... Por isso de manhã... Eu devia ter percebido. – Comecei a gritar e pulei em minha cama.

– Não entendi. – Disse minha prima. Expliquei tudo e ela concordou comigo, e depois que eu beijasse alguém, ela seria a próxima vitima. – O que você vai fazer?

– Não sei.

Passou uma semana desde que descobri que minhas amigas haviam pedido para que Diego me beijasse. Ainda não sabia o que elas haviam feito para que ele aceitasse. Comecei a me tornar amiga de Maxi, ele me contou que estava de castigo. Era um garoto muito legal e o cabelo dele parecia brilhar no sol.

– Maxi, quer ir brincar em casa hoje? – perguntei durante a aula de Artes. Ele aceitou encantado, me disse que eu era a única que falava com ele . Nesse dia apenas Maxi foi em casa e foi um alivio para mim. Diego nem o cumprimentou. Estava o evitando. Passamos a tarde toda vendo filmes e jogando, enquanto Diego nos olhava de uma mesa meio distante. E então tive uma ideia. Conhecia demais Camila e Ludmila e sabia que enquanto não beijasse Diego, não me deixariam em paz. Mas elas queriam que beijasse alguém, e eu o faria.

– Maxi.

– Fala. – e antes que falasse algo mais, o beijei. Foi simples, curto e calmo. Separei-me antes que vomitasse e sorri para não deixar notar que não me agradava isso. Ele estava com os olhos bem abertos e parecia um tomate de tão vermelho. Olhei discretamente para Diego , tinha a mesma expressão que Maxi , mas tinha certeza que o rosto dele não estava vermelho por vergonha.

Notas finais
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