Trouble.
1 Cadê meu pônei da sorte?
Notas iniciais
– Lidia – alguém me chamou – LIDIA! – alguém gritou. Dane-se não quero acordar.
Pôneis, muitos pôneis, e tinha aquela musiquinha feliz e tinha pôneis, então, eu senti o chão frio.
– AAAAAAAAH – gritei
– Até que enfim menina achei que você tinha entrado em coma – minha mãe andava pelo meu quarto enquanto eu tentava entender aonde estavam os meus pôneis queridos.
– Mãe. – chamei a mulher ruiva que procurava algo pela caverna – leia meu quarto –
– Fala. – disse ela
– Cadê meu pônei da sorte? – ela virou bruscamente e me olhou como se eu fosse anormal, ok, talvez eu realmente fosse, mas isso não vem ao caso agora.
– Você deixou seu pônei jogado e seu pai o deu embora, você tinha cinco anos de idade Lidia, você tem que superar isso. Não me obrigue a te levar num psicólogo. – disse ela voltando a procurar algo pelo quarto. O fato era que eu queria o Po, meu pônei. – Cadê seu uniforme, eu achei que tinha te trazido?
– Você não trouxe. Vou tomar banho – me arrastei pelo chão enquanto minha mãe ainda procurava pelo meu uniforme sumido.
Você deve estar se perguntando quem será esse ser estranho que sonha com pôneis (e que tinha um pônei de pelúcia da sorte aos cinco anos de idade), e tem um uniforme sumido, e precisa muito dele para o primeiro dia de aula. Olá meu nome é Lidia. Espera ai, primeiro dia de aula? Mas já? E os três meses de férias que eu iria passar com Phineas e Ferb, construindo coisas muito legais enquanto a Candice tentava provar para a mãe que tudo era real e que ela não era esquizofrênica?
OK, eu que devo ser doenças e não a pobre Candice. Porem eu não quero ir para a escola, não para ver tanta gente descerebrada em um local só. Ah e também não quero ver Dylan McCallen, o maior idiota que existe. Ele adora tirar uma com a minha cara, e eu acho desnecessária a existência dele nesse belo mundo.
– SAI LOGO DAÍ Ô ANORMAL – gritou Jared, a coisa que eu chamo de irmão, já que meus pais resolveram dar ao mundo essa desgraça.
Abri a porta, e sai deixando o vapor quente para trás e me envolvendo no friozinho das manhas da Califórnia.
– Bom dia para você também – passei por Jared que deu um tapa na minha cabeça e bateu com força a porta, enquanto eu adentrava no meu quarto, agora vazia, apenas com o uniforme estendido sob a cama. Me vesti rapidamente e desci já com a bolsa sob o ombro.
– Você tem pernas muito magras para usar essa saia – disse Jared rindo
– Não implique com ela Jar – disse papai enquanto lia um jornal e tomava café
– Bom dia – disse enquanto ignorava Jared babaca.
– Você não vai sentar pra comer, estamos atrasados, e o ônibus já vai passar – disse Jared se levantando da mesa. Como ele tinha se arrumado em menos tempo que eu? Eu nem passei maquiagem.
– To com fome, vai ter que esperar – disse me sentando
– Não vou não, pega um pão e come no caminho – disse ele pegando um pão e dando na minha mãe e me puxando da cadeira.
– Te odeio – disse a ele enquanto comia o pão e esperava aquela joça amarela de ônibus.
– Idem ruivinha, idem – disse ele sorrindo.
Logo o ônibus virou a esquina e parou na nossa frente, Jared entrou na frente com um modo descolado, tentando imitar algum ator famoso enquanto arranca olhares das garotas, o problema do pobre Jared, é que estava dando errado, e deu mais ainda quando ele enroscou o pé num cinto jogado no chão. Todos riram porem não mais que eu.
Passei por ele que estava roxo de vergonha e me sentei no fundo do ônibus, esperando Avallanah chegar com o pacote de balas caramelizadas. Dois minutos depois, entra a tímida Avallanah, com a saia mais curta do que o normal e a blusa amassada por dentro da roupa, os óculos no nariz e a bolsa pesando apenas de um lado, o que deixava a coitadinha torta, parecendo o Corcunda de Notre Dame.
– Ola – disse ela sorrindo e ajeitando os óculos
– Oi, trouxe as balas? – perguntei
– Não, desculpe, mas trouxe lanche para mim e para você, sei que você sempre esquece – ela entregou um pacote com o lanche, e Jared virou nos observando com uma cara estranha.
– Vocês são lésbicas? – perguntou ele. Avallanah enrubesceu na hora, e eu realmente queria tirar o pulmão desse garoto com as minhas próprias mãos.
– Cala boca Jared – falei, enquanto Avallanah murmurava um não, ainda envergonhada.
O ônibus parou e todos desceram, olhei em volta para aquele bando de gente mais esquisita que eu, e respirei fundo, adentrando naquele lugar, com Avallanah atrás de mim, olhando para os próprios pés.
– Ah Srta Evans e Srta Smith, seus horários estão aqui – disse a inspetora Margareth nos entregando o papel.
– Química, e você Ava? – perguntei parando de frente para o meu armário azul – a cada ano eles mudam a cor –
– Também, vamos logo? – perguntou ela ajeitando os livros no braço. Assenti com a cabeça e fomos até a sala do professor Endossa.
A sala já estava bem cheia quando entramos, e o professor Endossa anotava seu nome no quadro. Sentei com Ava num lugar perto da janela, e enquanto conversávamos duas criaturas que foram jogadas na terra entraram na sala: Dylan McCallen e Brandon McVey. Mas leia assim, os dois jogadores do time de futebol americano mais gostosos e descerebrados que existiam. E para a minha tristeza, sim tristeza, eles sentaram na minha frente, enquanto as garotas babavam por eles.
– Ava – murmurei
– Oi – disse ela baixinho
– Olha quem ta aqui na frente – apontei para as costas dos garotos e fica cara de nojo.
– Eu vi. Que droga – murmurou ela
Nem percebemos que o professor Endossa falava conosco até ele parar na nossa mesa e todos os olhares estarem voltados a nós. Até os descebrados na nossa frente.
– Ouviram o que eu falei meninas? – perguntou ele gentilmente.
– Não – respondi eu, já que Ava estava vermelha e sem voz.
– AH, percebo, então, eu disse se vocês duas poderiam fazer pares diferentes esse ano. – não era uma pergunta, apenas um aviso.
– Não, não podemos, eu e a Ava já somos um par, então deixa para a próxima vida, que nessa não dá.
Professor Endossa riu da minha resposta e disse: — Srta Lidia, tudo bem, você não precisa se sentar longe da Srta Avallanah, apenas mudar de lugar com o Sr McVey e se sentar com o Sr McCallen.
– E porque eu faria isso? – perguntei indignada
– Porque esses dois senhores aqui precisam de ajuda, caso não queiram parar os treinos do futebol, ou pior, reprovarem de ano.
– Ah que pena, talvez eles tenham que parar os treinos e talvez eles tenham que reprovar de ano. Problema é deles, que se virem e estudem. – Ava me olhava de olhos arregalados.
– Tudo bem Srta Evans, vou dar até a próxima aula para você pensar bem.
– O senhor sabe que eu não vou pensar então a resposta continua sendo não.
– Tudo bem professor, eu troco de lugar – disse Ava se levantando, olhei-a pasma, já que eu estava fazendo aquilo, pois sabia o nível de timidez da garota.
– Avallanah Maureen Smith, sente-se aqui agora antes que eu arranque seu pâncreas. – murmurei entre dentes.
– Tudo bem Lid, ainda sou sua amiga – murmurou ela e se sentou com Brandon enquanto Dylan sentava ao meu lado, sem sequer olhar para mim.
O resto da aula foi um saco, não consegui prestar atenção já que estava incomodada demais com Dylan McCallen sentado ao meu lado. O grande babaca que vivia me zuando.
Onde está mesmo o meu pônei da sorte?
Fale com o autor