Notas iniciais
A história está sendo revisada, alguns capítulos foram revisados, com novas adições de texto e informações. Fiquem ligados e atentos para as próximas atualizações. Obrigado por lerem!! XD

Quando decidiu revelar à população o que havia ocorrido entre as quatro paredes do palácio real da França, Gustavo não imaginava a repercussão que o caso teria.

Logo que voltaram a Estocolmo, o imperador autorizou os jornalistas da assessoria de imprensa do governo a divulgar o encontro dos monarcas para a grande mídia. Os imperadores aliados tinham decidido que nada seria ocultado dos seus súditos, mas nenhum deles tinha a intenção de divulgar o ocorrido tão cedo. Os Impérios da Espada falavam, por meio de seus primeiros-ministros, em esperar pelo menos uma semana antes de tomar qualquer posição sobre o ocorrido, em parte devido a ser esse o prazo que a França havia dado para que houvesse uma retratação da Suécia pela descoberta do espião infiltrado no gabinete do governo francês. No entanto, o imperador Gustavo sentia que todo o Império Sueco deveria saber da ofensa o quanto antes, e que o parecer do povo teria que ser adotado pela Coroa.

As relações entre França e Suécia, devido às disputas territoriais no norte, não eram das melhores. Tão logo a população de Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Islândia e dos demais territórios imperiais tomou conhecimento da prisão do agente sueco por parte da polícia francesa, inquietou-se e uniu suas vozes com um único objetivo: a retaliação contra a França.

Assim, ao contemplar a multidão de pé, diante do palácio em Estocolmo, o imperador nórdico teve ainda mais certeza de sua decisão. Com a imperatriz consorte, Maílla, ao seu lado, o soberano do Império Sueco ergueu o braço, saudando os súditos, que vibraram em resposta. A maioria sem dúvida era de cidadãos locais, mas Gustavo percebeu diversas bandeiras em meio à multidão: Noruega, Dinamarca, Jamaica, Qatar, África do Sul, Chile, Kuwait... Vários súditos de diversos pontos do império haviam comparecido para o pronunciamento.

Baixando lentamente o braço, Gustavo esperou a multidão cessar a balbúrdia, e tomou a palavra, falando ao microfone no púlpito colocado diante dele, na sacada do palácio.

— Povo da Suécia e de nosso glorioso império! Eis que chegou ao vosso conhecimento que nosso reino foi vítima de uma afronta terrível, na última cúpula de nações em Paris. Essa afronta não poderá ficar impune. No entanto, antes de o Império tomar qualquer providência, é preciso ouvir a voz do povo. Todo o poder emana do povo, e o imperador é, antes de tudo, um servo de seu povo. Já ouvi os seus clamores nas ruas e praças do nosso país. Mas, claro, preciso me certificar do vosso desejo antes de tomar qualquer atitude. Então, meus súditos... O que desejam que a Suécia faça por vocês?

A multidão se uniu em um mesmo coro, com diversos sotaques gritando em sueco, a plenos pulmões.

— Destruir a França! Vingar a honra do povo sueco!

Gustavo sorriu de ponta a ponta e acenou para a multidão.

— Que assim seja, meu honorável povo sueco – disse ele para as massas. – A vontade de vocês será atendida.

Satisfeito, Gustavo acenou uma última vez para o povo, e se voltou para dentro de seu gabinete. Ele notara a movimentação dos jornalistas em meio à multidão; com sorte, antes do fim do dia, a declaração oficial de guerra chegaria aos quatro cantos do mundo.

Ele sabia que seus pais e seus antepassados provavelmente repudiariam aquele gesto, especialmente devido ao trabalho que eles haviam tido em construir o Império Sueco e auxiliar na reconstrução do mundo. Porém, agora estavam vivendo um momento diferente. Tempos de desespero pedem por medidas de desespero.

A Suécia do passado – a Suécia de antes da Terceira Guerra – se orgulhava de ser uma nação que não se envolvia em batalhas tidas como “desnecessárias”, tais quais a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Mas a Suécia do passado, Gustavo sabia, não existia mais.

— Estarei ao seu lado até o fim, marido – disse Maílla, afagando o braço dele. – Creio que sua decisão será apoiada e bem-sucedida.

— Certamente, querida – respondeu ele. – O povo precisava de uma satisfação. Agora irei me comunicar com nossos aliados, e encarregar o Primeiro-Ministro de repassar uma nota oficial à imprensa e às forças armadas.

Maílla o beijou de leve no rosto.

— Boa sorte, querido. Rezo para que você conduza o nosso povo à glória. Vou para os meus aposentos para tomar banho, antes do jantar real.

Gustavo beijou a mão da esposa e observou-a se retirar. Depois que as portas se fecharam e um mordomo fechou as portas da sacada, Gustavo pediu que fosse deixado a sós no gabinete.

Em seguida, ele se encaminhou para sua mesa. Estava prestes a pegar o telefone privativo da casa real para ligar para o Primeiro-Ministro sueco, quando sentiu uma tontura na cabeça.

Imediatamente, o imperador caiu sentado na cadeira. A dor estava ficando forte demais para que ele conseguisse sequer se sustentar em pé. Gustavo levou as mãos à nuca. O que poderia ser aquilo? Todos os seus exames médicos de rotina haviam acusado de que gozava de perfeita saúde, e fazia pouco menos de um mês desde que os realizara. Será que o estresse dos últimos dias estaria enfim o superando?

Ainda tentando reorganizar os pensamentos, o imperador de repente sentiu uma presença no gabinete. Ele olhou em volta, mas não havia ninguém ali além dele. No entanto, ele continuava a sentir a presença em torno dele, cada vez mais forte.

Não, não em torno dele. Dentro dele. Mais precisamente, dentro de sua cabeça, justamente o local onde estava sentindo as dores.

Aquilo não fazia sentido. Gustavo imaginou que estaria enlouquecendo. Talvez fosse algum tipo de punição do universo ou de alguma força maior por ele ter decidido declarar guerra. Não, não podia ser. Ele estava em seu próprio direito de responder à França e retaliar, é claro. Mas então, o que poderia ser a causa daquela dor?
Tudo que ele menos precisava naquele momento era aquilo. Estava em vias de lançar seu país em guerra contra um país rival, em vias de liderar seu país rumo à glória, e estava sendo acometido por um acesso de loucura.
Quando já estava certo de que iria perder a razão, Gustavo ouviu uma voz. Era retumbante, mas ele a ouviu como se estivesse dentro de sua cabeça.

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Você deu o primeiro passo, Majestade. Agora, os outros também irão despertar. Ninguém poderá detê-los. Você será tido como o mensageiro. Será aquele que lançou a mensagem inicial nesta nova era de conflitos. O mundo nunca mais será o mesmo, e a Era de Prata irá retornar.

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Gustavo se recostou na cadeira. Sua cabeça ainda doía, mas agora parecia que todo o seu ser estava se acostumando àquela dor. Quase como se, agora, ela fosse uma parte integrante dele.
As palavras da voz que ouvira em sua cabeça ressoavam em seus ouvidos, mas ele não conseguia dar nenhum sentido sólido a elas. Era quase como se as tivesse escutado em um idioma desconhecido.
Ele ainda sentia, também, aquela presença forte e poderosa dentro dele. Só que agora, não era como se fosse a presença de outro indivíduo. Era como se aquela presença, agora, fosse a dele.
Ele tentou erguer a mão para alcançar o telefone, mas desistiu da ideia. A quem iria ligar? Quem entenderia a situação pela qual ele estava passando, sozinho em seu gabinete? Não havia ninguém, ele tinha certeza, que pudesse explicar o que era aquilo que ele estava vivenciando. Nem ele mesmo conseguia explicar o que estava sentindo. Ele nem ao menos sabia mais quem era naquele momento.

O que mais lhe impressionava naquilo tudo, era que a voz que lhe falara, soou muito parecida com a sua própria voz.
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