Trono De Sangue
5 Capítulo 5 TREVAS, PRAZER E MORTE...
Notas iniciais
A noite chegou fria e enevoada. Estrelas solitárias cintilavam pelo negror do firmamento como testemunhas solitárias de um reino próspero que, agora, se afundava em insurreições constantes.
Em seus aposentos, Shura murmurava uma prece, olhando um desenho que fizera de seu amado. As palavras de Aioros, ainda tão vívidas em seu coração, soavam em seus ouvidos quando ele fechava os olhos e faziam acelerar as batidas de seu coração...
“Jamais poderia imaginar que o aguerrido comandante das forças de Dwiefertivesse um talento tão peculiar...” Dissera o Grande Soberano adentrando o corredor longo e flagrando-o em um momento que ele sempre escondera dos demais.
“M-Meu soberano! Perdoe-me, é que... quando tudo está quieto, eu...”
“Não precisa se explicar, Shura... Os desenhos que faz são maravilhosos. Meu coração se alegra em saber que existe sensibilidade em seus olhos e em seu coração.”
A voz forte e suave de Aioros pareceu penetrar em todos os poros de seu corpo, uma sensação que causou-lhe constrangimento e o fez desviar o olhar.
“Faria um desenho para mim?” — Insistira o soberano.
“Seria uma honra, meu senhor!”
Aioros o conduzira aos seus aposentos e deitara sobre as almofadas sorrindo e fora essa imagem descontraída e feliz que ele capturara num desenho feito com carvão. O desenho que agora tinha em mãos e que considerava seu único tesouro.
E assim, em uma rotina que se repetiu por muitas noites, Shura desenhava sob o olhar atento de seu soberano. Aioros ria, conversava e opinava sobre seus desenhos, planejando organizar uma exposição na fortaleza, mostrar a todos o talento de seu comandante.
“Não! Se os homens souberem o que eu faço começarão a falar”!
“Teme a opinião alheia, comandante?”
“Meu dever é protegê-lo, meu senhor, assim como salvaguardar Dwiefer. Os homens têm de ver-me como alguém forte e não alguém... de temperamento sensível!”
A risada de Aioros ressoou pelos aposentos, misturando-se à brisa morna que adentrava pela janela.
O olhar de Shura recaiu sobre os lábios que se abriam, exibindo dentes tão brancos que pareciam pérolas, o corpo esguio sacudido com desenvoltura pela risada franca e gostosa, os olhos profundamente verdes, semicerrados, revelando cílios perfeitos que pareciam esconder promessas...
“Pois eu me sinto mais protegido por este homem que escondes que pelo homem beligerante...” Disse Aioros fitando Shura com tanta intensidade que o ar pareceu tomar forma em torno deles.
Nenhum dos dois soube como aconteceu. Os rostos se aproximaram como que atraídos por uma força invisível... A mão grande e calejada de Shura tocou o rosto do soberano com uma devoção mesclada ao desejo. Porém, foram as mãos de Aioros que se embrenharam nos cabelos escuros e espessos do comandante, puxando-o para si e beijando-o com ferocidade, antes de confessar:
“Sempre desejei fazer isso”. – falou com a respiração acelerada, surpreso consigo por sentir tanto desejo.
Shura correspondeu com ardor, explorando com a língua o interior úmido da boca, colocando no beijo, sentimento, luxúria, adoração...
Os lábios se tocavam, sugavam e mordiam...
Ainda era apenas um beijo quando Shura fitou Aioros com um olhar escuro e sedento, mas ainda assim, controlado, como que pedindo permissão para continuar.
O jovem soberano sorriu, molhando os lábios em consentimento... Jamais tinha se deitado com alguém, mas tinha certeza que queria ser amado por Shura.
Então o comandante cedeu lugar ao homem e Shura esqueceu tudo a sua volta. Avançou sobre Aioros, despindo-o, tomando-o em seus braços, voltando a beijá-lo com vontade, como se estivesse sedento do hálito quente, da saliva que se misturava à sua, do gosto que sem saber, ele sempre desejara provar...
As mãos de Shura deslizaram pelo corpo esguio, explorando os mamilos escuros e intumescidos, enquanto a boca continuava unida a de Aioros, as línguas se tocando até ouvirem os apelos do corpo e descerem às peles, provando do sal, dos arrepios que arrancavam gemidos e ofegos de prazer.
Sobre as almofadas de seda, Aioros apertava Shura contra si, enquanto sentia-o tomar um e depois outro mamilo seu, entre os dentes, o calor e a umidade da boca fazendo-o se contorcer...
“Shura...” Repetia Aioros sendo arremetido a um universo de prazeres nunca vivenciados. A pressão das mãos em suas nádegas, os beijos profundos e vorazes, a ereção túrgida pulsando em suas coxas, umedecendo-as com os prenúncios do gozo...
O jovem comandante sentiu o suspiro de satisfação em sua boca, enquanto levava a mão até o falo de Aioros e o acariciava, absorvendo o latejar em seus dedos, roçando o corpo ávido que enlouquecia seus sentidos e arrancava gemidos primitivos de seus lábios.
“Possua-me... Deixe-me senti-lo dentro de mim...” sussurrou Aioros e Shura obedeceu. Com um movimento hábil ele afastou as pernas do amante e umedeceu os dedos, introduzindo-os dentro do corpo que se entregava, preparando-o para a penetração que ansiava empreender.
O soberano gemeu, seus quadris se elevaram e, após movimentos que já enlouqueciam a ambos, Shura substituiu os dedos pelo falo que já doía de tanto desejo. Com uma excitação quase incontrolável, Shura sentiu com deleite as contrações da entrada do corpo virgem...
Os dedos se entrelaçaram e Shura elevou os braços de Aioros colando o corpo ao dele, torturando-o antes de investir dentro dele em uma única estocada, arrancando um gemido alto e um olhar agônico do amante.
Olhando-o, intensamente, Shura ficou parado, sentindo o falo pulsar dentro do corpo de Aioros que mantinha os lábios entreabertos e sorria, mesmo sentindo o desconforto da penetração. O jovem comandante roçou os lábios nos de Aioros e o beijou, lenta e provocativamente... A língua adentrando e se movendo como os quadris que, devagar, iniciavam as estocadas.
Um gemido abafado escapou de ambos... Dor e o prazer se mesclaram na união dos corpos e o ardor do sexo serpenteou, sobrepujando todas as barreiras.
Aos poucos, Shura perdia a razão, perdia a si mesmo e embarcava na aventura de um amor proibido que jamais sonhara ousar viver.
Umidade, calor, escuridão... Nada mais existia, nada mais tinha significado. Só havia Aioros, seu olhar úmido, seu corpo tragando-o para dentro de si...
Aioros tinha a deliciosa consciência de Shura pesado e poderoso sobre si, o falo avantajado golpeando-o, invadindo as profundezas do seu corpo, tomando-o com fúria e paixão. Senhor das Almas... já não me importo de morrer! Pensou, enquanto sentia-se diluir no erotismo intenso da possessão.
Shura temera ser demais para Aioros, mas ele o recebeu fincando os dedos em seu quadril, exigindo, ordenando que continuasse a estocá-lo, pedindo mais e movendo-se em consonância com o ritmo forte da invasão.
Imersos no prazer recém-descoberto, ambos os corpos moviam-se em desespero, Shura aumentava a velocidade das estocadas, Aioros gemia e abraçava,alucinado, as costas largas e musculosas...
Os olhos negros de Shura chispavam, enquanto se enterrava dentro de Aioros. A respiração dos dois acelerava, o rubor se espalhava nas faces afogueadas e o orgasmo cavalgava peles, poros e ossos...
Segurando em concha, as nádegas roliças de Aiolia e arremetendo-se com força, Shura sentiu o corpo estremecer e um gemido gutural irrompeu de sua garganta, anunciando o gozo que se derramava abundante e viscoso dentro do corpo cálido.
Ao sentir o tremor do orgasmo de Shura, Aioros gritou seu nome e desfez-se em um jorro quente que se inseriu entre as peles, sincronizando seu prazer ao do homem que escolhera para ser seu.
Só havia uma palavra que Shura achava para descrever aquele momento: perfeição! Especialmente quando Aioros o abraçou com força e pressionou a face contra a sua, como se não quisesse deixá-lo jamais...
Shura exalou um suspiro longo e entrecortado, enquanto seu batimento cardíaco voltava ao normal. E com os lábios enterrados na cálida reentrância do pescoço do soberano, ele sorriu e adormeceu...
“Shura...”
O delicioso sussurro atravessou as camadas trevosas, mas Shura resistia ao chamado para retornar à superfície, até o instinto guerreiro despertá-lo para a realidade.
“Meu soberano...” disse Shura abrindo rápido, os olhos sonolentos e lambendo os lábios ressequidos.
“Não é assim que deve chamar-me, não aqui... Diga apenas, Aioros.” – sussurrou Aiolia com a voz enrouquecida e buscando a boca do amante.
Mais beijos, carícias e intimidade ardente, cena que se repetiu em tantas outras noites...
O sexo prazeroso tornou-se amor... Shura e o jovem soberano viveram uma relação de entrega que floresceu e frutificou, mesmo que ambos soubessem estar predestinados aos segredos e às sombras.
Ainda com o desenho em suas mãos, Shura continuou recuando no tempo, até o dia trágico, o dia da morte de Aioros...
Haviam se encontrado e o jovem soberano exibira, orgulhoso, um presente que havia ganhado. Era um broche em forma de pássaro que ele, prontamente prendera em sua capa.
“Não é bonito?” Perguntara ele, sorrindo e alisando a joia que permanecera no lado esquerdo do peito, próximo ao coração.
“Sim, é muito bonito.” Respondera sentindo ciúme, visto que Aioros recusava-se a dizer quem lhe enviara o presente.
“Porque essa expressão zangada? Por acaso está com... ciúmes?” — Dissera o soberano provocando-o. – “Também me senti assim, quando aceitou o lenço perfumado da donzela de Allannis e levou-o ao nariz parecendo extasiado, senhor comandante!”
“Bem sabe que sou seu! Cumpro um papel para que não desconfiem do que existe entre nós. Sua relutância em dizer-me quem foi me preocupa e sim, desperta em mim sentimentos que me desagradam. Porém, é meu soberano e não devo insistir!”– Confessara, aborrecido.
“Não fique preocupado, não foi nenhum admirador ou... amante! Apenas não posso revelar, porque prometi que não o faria e um soberano cumpre suas promessas.”- Aioros respondeu com divertimento.
“Não confia em mim?”- Perguntara em tom de súplica, tentando extrair-lhe a informação que desejava.
"Sabe que confio. E vou mais além, eu te amo Shura... Amo desde que fizemos amor, pela primeira vez. Agora esqueça esse assunto e me beije... Daqui a pouco terá que ir e só nos veremos amanhã, após a cerimônia. Quero você...”- Disse-lhe rouco e sedutor, fazendo-o esquecer da desconfiança e mergulhar nos lábios cheios que o faziam esquecer-se de tudo que não fosse amá-lo.
Aquelas foram as últimas palavras que ouvira. A última vez que o beijara... a última vez que fizeram amor.
E agora, a imagem dele voltava vívida, trazendo uma dor pungente que o fazia levar a mão e o desenho ao peito. A ação não só reviveu a tristeza, mas também insistiu em deter-se na imagem daquela joia... Era como se um gatilho estivesse sendo acionado, acessando uma lembrança que até então fora desprezada.
O broche!
A joia continha, em sua origem, um segredo. E, talvez esse segredo ajudasse a esclarecer a morte violenta de seu amado.
Shura deixou seus aposentos e correu até os de Aioros. A fortaleza estava vazia. Todos haviam se encaminhado para prestar as últimas homenagens à senhora Ailish e logo, ele também deveria posicionar-se como comandante e fazer as honras de dar a ordem aos arqueiros para que disparassem as flechas que acenderiam a pira funerária.
Em Dwiefer, a cremação era o sepultamento dado aos suicidas, como uma forma de elevar o espírito e purificá-lo para encontrar o Senhor das Almas. Como Shion nada havia revelado sobre a morte de Ailish, os ritos foram obedecidos e o corpo da esposa de Regulus seguiu em cortejo até o Retiro das Almas.
A porta pesada rangeu baixo quando Shura a abriu e um suave perfume de lavanda ainda residia no ar.
As almofadas permaneciam sobre o tapete de pele, testemunhas mudas de noites quentes. A cama estendida trazia lembranças prazerosas e doloridas... Shura tocou os lençóis com a mão trêmula e sorriu, sentindo as lágrimas fluindo, porém as deteve. Aioros tinha uma personalidade solar, não gostaria de vê-lo desesperado e sombrio.
Olhou para uma pequena caixa que continha alguns objetos pessoais do soberano. Procurou o broche e não o encontrou. Tentou lembrar-se onde poderia encontrar a joia e então constatou que talvez Aioros tivesse sido enterrado com ela.
Teria de esperar o término da cerimônia fúnebre e ir até o mausoléu do clã Iljun onde o esquife de Aioros permanecia guardado pelos homens sem face, uma guarda de elite que vigiava o túmulo do soberano dia e noite, permitindo, somente, a visita dos familiares e do conselheiro. Levou a mão aos cabelos negros e suspirou. Agora, sua obrigação era despedir-se de mais uma pessoa que respeitara e... amara.
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O vento soprava forte e o som que fazia, quando adentrava as paredes da fortaleza, era semelhante a um lamento. A cerimônia fúnebre foi coroada pelos pesares dos súditos e da própria natureza.
Quando a pira funerária ardeu e Ailish foi envolvida pelas labaredas de fogo, todos se prostraram e lágrimas sinceras verteram de olhos que ainda se recusavam a acreditar na partida de sua senhora.
Regulus retirou-se assim que as cinzas foram coletadas por Shion e depositadas em uma urna de ouro com desenhos em rubi e diamante. Pandora mantinha-se atrás do pai, porém quando o conselheiro entregou-lhe os restos mortais de Ailish ele buscou amparo nos braços da filha, desprezando mais uma vez a lei que não permitia a aproximação de filhos ilegítimos em cerimônias reais.
Saga manteve-se sério, sua expressão denotando um absoluto controle, mas assim que tudo terminou ele dirigiu-se a Shion e cochichou-lhe algo ao ouvido. Shura permanecia em seu posto, aguardando que todos deixassem o local da cerimônia para então falar com o conselheiro e revelar-lhe o que havia lembrado.
Minutos depois, Dégel arrumava suas poucas coisas para então, partir, quando Shion entrou em seu aposento sem bater, fato que o fez estranhar. O Conselheiro era sempre educado e aquela atitude que não condizia com sua personalidade sempre irrepreensível. Olhou-o e, antes que falasse algo, Shion colocou o indicador nos lábios e levou-o até o grande salão das armas, onde as paredes eram adornadas com correntes, lanças, machados e espadas.
O espaço, embora imenso, parecia sempre pesado, como se cada arma tivesse absorvido os momentos bélicos e dolorosos dos combates e os mantivesse aprisionados no ar daquela sala.
– O que foi, Conselheiro? Porque me trouxe aqui? – perguntou Dégel franzindo o cenho.
– Sei que... o que vou pedir aumenta em demasiado o seu fardo, meu amigo. Mas, imploro que reveja sua decisão. Regulus não pode ficar só e apenas à mercê de suas decisões desesperadas. A senhora Ailish... não se suicidou, ela foi morta pelo mesmo assassino do filho. Somente eu e Shura sabemos disso e, agora, você. Preciso que fique, para que eu possa empreender todos os meus esforços para encontrar o responsável por tudo isso.
– O diz é grave, mas o que me pede... Torna-se quase impossível, conselheiro. Eu não possuo mais nenhuma influência sobre o soberano. Viu como ele recusou minhas condolências pela perda da esposa. Agora, ele me tem como um inimigo, não existe volta.
– Ele está tomado pela culpa que agora, misturou-se ao ódio. Mas, no fundo, sabe que sua amizade é preciosa e insubstituível. Por favor, Dégel! Você é a minha única esperança. Fique e ajude-nos, até a audiência com Kardia.
– Está bem. – disse Dégel com o semblante cansado.
Shion apertou a mão do Senhor do clã Akkwarju. Era a sua última esperança de proteger Regulus dele mesmo, enquanto procurava as provas que o levassem ao assassino. Deixou os aposentos de Dégel e foi ter com Shura.
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A música melancólica enchia o salão maior onde Regulus bebia uma taça de vinho e esperava o momento em que teria sua audiência com Kardia. O ar estava frio e um braseiro aquecia o ambiente, exalando um aroma amadeirado e acrescido da respiração dos presentes que se dividiam entre os homens que compunham o Círculo da Honra, a guarda real, parentes que haviam vindo para o funeral e curiosos que eram fiéis ao soberano. Todos em Dwieferestavam em suspenso, afinal, assistir a desobediência pública de um senhor como Kardia agitava todas as camadas sociais e atiçava a rebeldia contra a dinastia do Leão.
Kardia entrou no salão entre dois homens da guarda real. Sua expressão era arrogante e seu porte altivo. Seus olhos encontraram os de Dégel que se posicionara ao lado de Shion e ambos se encararam por alguns segundos. Kardia sorriu malicioso e Dégel mordeu o lábio inferior, lembrando-se da última conversa que haviam tido.
“Então o Lobo vem, mais uma vez, tentar convencer-me a dobrar o joelho... Até onde está disposto a ir para consegui-lo?”
“Bem sabe que não se trata de vontades ou barganhas, Escorpião! É a paz de um reino e a vida de muitos. Nossos filhos merecem um futuro mesmo que isso nos custe nosso orgulho!”
“Não existe futuro na subserviência e na covardia.”
“Considera-me um covarde? Acha que curvei-me por medo? És um tolo orgulhoso, Kardia!”
“Dobraste o joelho diante de um tirano! Se tivesses buscado a união dos clãs, poderíamos tê-lo enfrentado, mas preferiste a saída mais confortável.”
“Confortável? Achas que abandonar meus filhos foi uma saída agradável para mim? Apesar de parecer covardia, Kamus não foi entregue. Protegi meu filho, assim como protegeu o seu.”
“Essa discussão não nos levará a lugar algum. Tem os seus princípios e eu, os meus.”
“Tem razão, Kardia. A única coisa que peço é...”
As palavras ficaram presas na garganta quando os olhares se encontraram ferozes e Kardia o interrompeu com um beijo. Nada daquilo fora premeditado ou pensado. As bocas se engoliram como se estivem sedentas há muitas vidas... As roupas foram tiradas com a mesma violência e Dégel viu-se dominado pelo Senhor do clã Skorpjun.
Os corpos pareciam enfrentar-se, o choque das peles acendia o instinto...Ao sentir uma mordida no pescoço, Dégel involuntariamente, arqueou todo seu dorso para trás e ao fazê-lo, sentiu o sexo de Kardia tocar suas nádegas e, logo a seguir, se arrematar para dentro de si em uma única estocada.
Dégel quis gritar, mas a voz não saiu... Kardia o empurrou para a cama estreita, fazendo-o ficar de quatro. O Senhor de Akkwarju cravou seus dedos na coberta de lã, ofegando pela dor e desnorteado pela rapidez com que tudo acontecia. Seu membro foi agarrado e friccionado pelas mãos de Kardia, na mesma medida em que este ia se enfiando mais dentro de si.
Sentia o hálito quente do Escorpião em seu pescoço, os gemidos roucos que exacerbavam a sua excitação e deixou-se levar pelo prazer inédito e dolorido que se permitia sem entender o porquê.
Seu corpo passou reagir loucamente ao receber tanto estímulo e de ambos os lados. O falo enrijecido do outro tocava seu interior, era como se ali fosse seu ponto sensível e mesmo sem querer sentiu o estremecimento louco do clímax arrebatá-lo.
Kardia... ele gritou e apertou com extrema força as cobertas em suas mãos, sentindo um prazer incomensurável, que vinha tanto do seu interior, quanto do seu falo derramando prazer na mão do Escorpião.
Kardia sorriu ao ouvir aquele grito... a semente de Dégel banhava sua mão e, o mais extasiante, sentia seu membro ser apertado pelas contrações do outro, fazendo-o não suportar mais a ânsia de gozar. Assim, arremeteu-se mais uma vez para dentro dele até o fundo e então, se deliciou com o orgasmo que extasiou até seu menor nervo.
Quando por fim, Kardia desabou sobre o seu corpo, ainda com o coração disparado, Dégel sentiu-se estranho, como que saindo de um estado alterado de consciência. Desvencilhou-se de Kardia que o olhava com uma expressão saciada e divertida.
Envergonhado, Dégel começou a apanhar suas roupas de qualquer jeito e vestir-se com rapidez. Queria sumir, desaparecer! O rosto estava transtornado, embora tivesse sentido um prazer sexual que nunca experimentara.
Kardia permanecia deitado, o corpo nu brilhante de suor. Olhava para Dégel que mostrava-se, visivelmente constrangido, e sentia um misto de prazer e outro sentimento.
Pena que não teremos tempo de aprofundar isso... Pensou enquanto levantava e segurava o braço de Dégel antes que ele chegasse à porta.
“Largue-me! Já teve seu divertimento... agora deixe-me!”
“Eu poderia dizer muitas coisas sobre o que acabou de acontecer entre nós, mas... direi apenas uma: teu corpo deu-me a última alegria que terei neste mundo e por isso, sou-lhe grato.”
“O que quer dizer?”
“Você entenderá, quando chegar a hora.”
– Então, Senhor do clã Skorpjun? Vai retratar-se e jurar obediência ao seu soberano, acatando todos os decretos que eu, Regulus, instaurei em Darneheim? – falou Regulus com sua voz grave e sonora, trazendo Dégel de volta ao presente.
Kardia olhou em volta. O silêncio parecia tão concreto quanto os olhares cheios de expectativa. O Senhor de Skorpjun encarou Regulus e então sorriu, antes de cuspir aos pés do soberano e arrancar um sonoro murmúrio dos presentes.
– Esta é a única retratação que terás de mim, tirano!
– Não... – murmurou Dégel, entendendo a intenção de Kardia.
– Pois bem, todos aqui são testemunhas do desrespeito e da traição do Senhor do clã Skorpjun. Não me resta nada mais a fazer do que condená-lo à morte como manda a lei. Será executado amanhã ao amanhecer, quando os primeiros raios do sol iluminarem o mausoléu onde jaz Aioros! Assim dita Regulus, único soberano de Darneheim e Senhor do clã Iljun.
Shion e Saga permaneceram sérios e controlados, embora profundamente contrariados e conscientes que a sentença proferida acarretaria sérias consequências para toda Darneheim. Perturbado, Dégel fitou Kardia que parecia feliz com a própria morte. Antes de ser levado de volta a sua cela, o Senhor do clã Skorpjun piscou na sua direção e murmurou uma só palavra:
" Skák!"
Dégel sentiu as entranhas apertando e, de repente, o salão pareceu estreitar-se sobre sua cabeça. Kardia havia planejado tudo desde o início. Sua linhagem orgulhosa jamais se submeteria ao domínio despótico de Regulus, porém não teria poder de fogo agindo sozinho. Para que aliados de peso se juntassem à revolução que ele desencadeara, era necessário fazer a jogada mais alta.
“No skák, quando se pretende vencer o inimigo, temos que sacrificar a peça de maior valor!”
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