Trono De Sangue

24 Capítulo 24 ALIANÇAS FRATERNAS...


Notas iniciais
****Amores, espero que gostem deste capítulo, porque ele foi muito especial prá mim devido ao fato de eu ter colocado nele muito das minhas crenças pessoais. Esse capítulo é uma homenagem a todas as pessoas corajosas, verdadeiras, inteiras que eu nem preciso ver o rosto para amar e homenagear. Como diz Kamus, "o que, realmente, importa não é a casca, mas o conteúdo, a honra e o coração das pessoas".
****A frase que abre o capítulo me foi, gentilmente, ofertada em um poema deixado como review de Chakal_Maldito, uma amiga muito especial. Amada, obrigada pela tua existência, pela tua verdade expressa em cada comentário que fazes e pelo teu talento.
Bom início de semana para todos!!! Bjs, XD

“Não há luta maior do que a que travamos dentro de nós mesmos!"


Ninguém soube ao certo o que acontecia, mas em toda Darneheim, a escuridão da noite pareceu adquirir vida como se o céu negro acolhesse em si, sombras, cinzas, neve e fogo, tudo ao mesmo tempo.


O vento morno transformou-se em um manto asfixiante. Os Sacerdotes brancos de Gyðja, em Dwiefer e os Acólitos do sombrio deus Dauði, em Berkehell se ajoelharam, sincrônicos em seus templos e torres.


Em Irġiel kiesaħ, os lobos uivaram e rosnaram para o céu sem estrelas, farejando o odor putrefato de carne e sangue.


Os que possuíam o praesensio, a capacidade de ver além dos olhos físicos, foram tomados por visões terríveis e viram em si mesmo, as próprias sombras, sorrindo e convidando-os a aceitá-las como amantes eternas...


O mal estava à solta, porém aceitá-lo em si, ainda era uma escolha a ser feita ou... não.


Hades sentia seu corpo arder e também uma euforia semelhante ao que tinha ao vivenciar o orgasmo. Seu falo ficou tão duro que parecia capaz de romper o tecido de suas vestes. Verônica foi até ele, sua boca deslizando pelo maxilar do filho, enquanto sussurrava suas tentações.


– Você é filho da escuridão, o arauto perfeito para o Caos... Venha, vamos celebrar.


Os ombros de Hades ficaram tensos, suas mãos se fecharam e ele olhou dentro dos olhos escuros de Verônica que exalavam uma luxúria fria e ofegava com a boca entreaberta, um rasgo de lábios vermelhos, como o sangue que manchava os corpos.


A necromante sentiu a hesitação e deslizou uma de suas unhas longas sobre o rosto de Hades. Ele nada disse. Ela continuou a deslizar a unha pelo seu pescoço e peito. Depois, se inclinou para frente e pressionou o rosto contra o seu ombro, mordendo e lambendo, inspirando o cheiro dele, as mãos agora vagando pelo corpo esguio até chegar a curva alta das nádegas e deter-se ali.


– Você quer... Você sempre quis... Venha, vamos selar esse ritual com aquilo que ambos desejamos e fazemos bem...


Sussurrando, ela levantou a cabeça e tomou o lábio de Hades entre os seus e sugou. Em seguida, beijou-o em cheio na boca, buscando a língua entre ofegos indecentes.


Pandora gemeu e o ato pareceu despertar Hades daquele idílio incestuoso.


– Leve-a e cuide para que fique bem. – disse ele frio, afastando-se de Verônica.


Ela afastou os lábios, mas continuou com o rosto bem próximo ao dele.


– Ainda quer que eu a deixe viver?


– Você sabe que sim.


– Pois muito bem, eu o farei... Mas, depois não diga que não o avisei. – disse ela olhando com desprezo para a figura enfraquecida de Pandora.


Pandora gemia, imersa numa espiral de dor e inconsciência... Via sua mãe e Hades juntos e se perguntava o porquê da existência dos laços perversos e doentios entre os três.


O Senhor das Almas é severo, ele está me castigando... Eu fui desprezível, traiçoeira e indigna e agora ele me tira meu filho, assim como ajudei a tirar a vida de Aioros... Aioros, meu irmão amado, perdoe-me, porque nem mesmo eu sou capaz disso... Sou indigna... Mereço a morte! Pensava ela enquanto mãos fortes a levavam de volta para a fortaleza e sua mente voltava a penetrar a escuridão.


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Manigoldo sentou-se para ver o céu e aproveitar um pouco mais daquele vinho excelente e inigualável. Por um momento, a beleza noturna transformou-se em algo denso e opressivo, uma atmosfera misteriosa pareceu chocar-se contra algo acima de si.


Ele olhou para cima, percebendo que Irmied parecia envolta em um domo transparente e deixou cair a taça. Uma mão delicada juntou-a, desviando sua atenção daquele fenômeno.


– Algo o incomoda, meu senhor? – perguntou Misty.


– Hã... Não, nada. Apenas me pareceu... Acho que bebi demais. – respondeu Manigoldo, sorrindo sem graça.


Misty se aproximou sabendo exatamente o que ele tinha visto. Algo havia acontecido, mas Irmied possuía uma proteção natural, acionada sempre que algo perigoso ameaçasse o clã e, neste momento, ele estava mais interessado naquele homem grande e interessante...


– Nosso vinho é fabricado de maneira especial. Tem um sabor intenso, mas, ao mesmo tempo, delicado. – disse Misty se aproximando do comandante.


Manigoldo engoliu em seco. Mesmo na escuridão, parecia que aqueles olhos claros e sugestivos o estavam enfeitiçando, atraindo-o. Já fazia muito tempo que não sentia o calor de outro corpo junto ao seu. Anos, para ser mais exato... A última mulher que havia possuído tinha sido uma rameira de acampamento, uma pobre coitada que vivia de vender o corpo e sabia ter clientela certa em acampamentos militares. Era miúda e feia, mas seus cabelos lembravam os de Dégel e sua timidez também.


Entretanto, Misty não era feio e, ao contrário daquele que amara em silêncio, não era nada tímido. Algo dentro de si gritava, achando uma traição à memória do amor inconfessado, mas outra parte desejava e sussurrava-lhe que pertencia ao mundo dos vivos e, portanto, não era pecado ouvir os desejos de seu corpo...


Houve uma agitação na brisa, outrora calma e Misty aproximou-se de Manigoldo, encarando-o e entreabrindo os lábios. O beijo aconteceu, violento e ávido, ato que levou-os a outro patamar mais alto de desejo...


Logo, ambos estavam nos aposentos de Misty e Manigoldo sentia suas costas musculosas serem arranhadas pelas unhas do belo e fogoso jovem. A boca carnuda o beijava profundamente e com uma fome sensual e selvagem que incendiava todas as células do seu corpo.


A língua de Misty como uma serpente furiosa e ardente a vasculhar todos os recônditos não só da boca, mas do corpo por inteiro de Manigoldo, insinuava-se fazendo-o gemer e ofegar, estreitando-o mais junto de si.


Misty explorava o corpo de Manigoldo com avidez e curiosidade, sentindo-se terrivelmente excitado. Os olhos escuros e violáceos do comandante estavam cheios de desejo, fazendo Misty deliciar-se com os sons eróticos que ele emitia ao morder e lamber seu corpo em lugares inusitados...


As pupilas dilatadas, o olhar tempestuoso, a respiração ofegante daquele jovem delicioso, enquanto roçava a boca em cada centímetro de sua pele fazia Manigoldo descobrir-se ainda vivo e bastante afinado com os prazeres da carne...


Misty continuava a seduzir, deixando um rastro de saliva quente na pele rija e cheia de cicatrizes do comandante de Irġiel kiesaħ.


– Você é tão quente...! — ele sussurrou levando à boca o membro túrgido de Manigoldo, tomando-o profundamente, até a garganta.


Movendo-se com maestria, Misty roçava os dentes num movimento de vai-e-vem, arrancando gemidos roucos de Manigoldo que tremia frente ao ato tão perfeito.


O comandante se contorcia, o corpo vivenciando um intenso prazer, suas mãos mergulhando entre os sedosos cabelos de Misty e o puxando-o de encontro ao corpo, enquanto o sentia engoli-lo, naquela felação perfeita.


Sorrindo, malicioso, Misty parou o movimento, vendo Manigoldo gemer e arquear o corpo, ansiando para que ele continuasse...


– Gosta desse jeito? — ele perguntou com a voz alterada e o olhar faminto.


– G-Gosto... Você é perfeito... — respondeu Manigoldo ardendo de desejo.


Misty sorriu e se afastou por um momento, dedicando-se a acariciar as coxas de Manigoldo e mordiscar-lhe a virilha, arrancando gemidos mais longos e desesperados.


– Adoro as suas coxas grossas e musculosas... — falou ele, enquanto as apertava com as mãos delicadas, arranhando devagar, deixando marcas avermelhadas.


Quando viu que o amante arfava e o apertava com força, deslizou o corpo, lentamente sobre ele, roçando a ereção túrgida entre as pernas, o ventre e o falo que pulsava e gotejava de tanta excitação.


Então, sua boca se fechou sobre os lábios entreabertos, num beijo molhado, a língua passeando sobre os lábios arfantes, os dentes roçando e mordiscando, as mãos acariciando os mamilos...


– Ahhhhhh...M-Misty! — grunhiu Manigoldo.



Olhando-o, entregue e em desespero, ele colocou-se sobre as pernas de Manigoldo, até que todo o seu corpo estivesse, intimamente, colado ao dele. Pegou uma das mãos do comandante e umedeceu-os com a própria saliva para,em seguida, guiar dois dedos grossos para a própria entrada.


Manigoldo arfou ao sentir a cavidade estreita e quente, antevendo o que seria quando o penetrasse. Moveu os dedos dentro de Misty, acariciando-o, preparando-o para a penetração.


Quando sentiu Misty acelerar a respiração, posicionou o falo túrgido no canal e mergulhou fundo, soltando um gemido rouco e arrancando um gemido longo, de puro êxtase, do amante.


Excitados, os dois começaram a mover-se num ritmo intenso e devastador como se o aposento houvesse incendiado apenas com suor, a saliva, o olhar arrebatado de ambos...


Misty subia e descia o corpo sobre o membro de Manigoldo numa ânsia selvagem. Manigoldo gemia com o prazer sublime de ter seu falo pressionado pela cavidade estreita e agarrava-se às nádegas de Misty, abrindo-as, fazendo-o engoli-lo ainda mais, arrancando gritos e gemidos do amante.


Por alguns segundos, ambos se olharam bem dentro dos olhos, o rosto afogueado, os lábios entreabertos... Manigoldo elevou o corpo e inverteu a posição, deitando Misty na cama e ficando sobre ele em uma necessidade insana de possuí-lo ainda mais fundo, de dominá-lo mesmo tendo sido Misty quem o seduzira.


Sorrindo, Misty enlaçou as pernas em torno das costas de Manigoldo, aprofundando-o ainda mais dentro de si, sentindo um delicioso vigor a cada estocada e começando a chegar ao ponto em que os dedos do pé se contraíam antevendo o orgasmo.


Manigoldo entrava e saía devorando-o, possuindo-o, fazendo-o estremecer antes de enterrar-se, novamente e, embora Misty tivesse imaginado como seria, nada se comparava à realidade e ao prazer que Manigoldo o fazia sentir agora.


Uma onda de emoção, mesclada com um prazer intenso e devastador insinuava-se por todo o seu corpo e ele sentiu Manigoldo enterrar o rosto em seu pescoço e cerrar os dentes, gemendo o seu nome e contraindo o corpo na mesma hora em que seu sêmen se derramou entre os corpos unidos.


–Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! — o grito que irrompeu dentro do quarto saiu, ao mesmo tempo, das duas bocas que agora arfavam, enquanto os corpos tremiam convulsos.


Manigoldo derramou-se dentro de Misty e, ao estocar as últimas gotas de seu prazer, olhou-o nos olhos e sentiu-se tragado pelos lábios entreabertos e o sorriso que ele lhe deu.


– Obrigado... Fazia muito tempo que eu não sentia tanto prazer nos braços de alguém tão belo. – sussurrou Manigoldo, acariciando o rosto delicado.


– Eu é que agradeço, comandante... Você é muito mais do que eu imaginava. – disse Misty tocando com a unha bem feita, os lábios de Manigoldo.


Os dois riram e voltaram a se beijar. Pela primeira vez, Misty riu sem afetação e o som fez Manigoldo sentir-se leve e feliz. Debruçou-se para beijar, mais uma vez, os lábios rosados que se abriram, novamente, para si.


Quando o beijo ficou mais intenso, Misty sentiu algo duro pressionar-lhe o ventre...


– Comandante...! Já? – perguntou ele com os olhos arregalados tocando o falo que estava, incrivelmente, desperto e rijo.


Manigoldo sorriu e tornou a beijar aqueles lábios convidativos.


– Quando a companhia é interessante, minha prontidão é imediata. – disse ele e ambos recomeçaram o bailado dos corpos...


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Fora do mundo dos Elementais, a neve diminuíra, mas mesmo assim, em determinado momento, ela viera mesclada com galhos e folhas secas, formando um torvelinho escuro e denso.


Protegida em seu recanto, Natássia observava Hyoga dormir e lhe acariciava o rosto. Uma mecha branca havia surgido entre os cachos dourados de seu filho, indicando que ele exigira demais de si e ficara um ciclo mais velho o que, no mundo dos homens, significava que ele havia avançado mais um ano em sua vida.


Beijou-o e o manteve dormindo para recuperar o corpo. Dirigiu-se até o lago onde estavam seus cisnes, suas criaturas sagradas que sempre a acalmavam. Mesmo isolados das forças sombrias, tudo estava quieto, como que em suspenso...


De repente, a Elemental oscilou perto de si, agitada e com aqueles imensos olhos mudando de cor.


“Aconteceu algo lá fora, minha senhora! Senti arrepios em meus cabelos.”

“Sim, eu sei. As sombras ganharam força no mundo dos homens e quem as libertou ainda vai se arrepender de tê-lo feito.” – Disse a Dama das Águas com um olhar vago e triste.


“Hyoga deve voltar logo para Irġiel kiesaħ. A senhora quer que eu o acompanhe, desta vez?”


Um sorriso suave se fez nos lábios de Natássia.


“Pegou gosto pelo mundo dos homens, não é?”



A Elemental agitou-se, mas logo encarou Natássia com seriedade.


“É um mundo interessante e excitante. Existem tantos tipos de seres e homens.” – respondeu, enquanto os grandes olhos mudavam de cor.

“É verdade, foi isso que me encantou quando conheci o pai de Hyoga. De tantos, ele era um exemplo de honra e compaixão. Não me arrependo de tê-lo amado, mas temo por meu filho. Este mundo está mudando...”

“Eu prometo protegê-lo, minha senhora.” – respondeu, séria, a pequena Elemental.

“Você não entendeu... Hyoga é poderoso demais, pois encerra em si qualidades dos dois mundos. No entanto, quanto maior o poder, maior é o desafio de não ser tragado por ele. Viu o que ele fez, ele conseguiu a fusão, facilmente, com apenas a força de seu desejo e o amor que sente pelos irmãos. Ele não precisa de proteção e sim de orientação e autodomínio.”

“Bem, podemos ensinar a ele, não é?”

“Sim, podemos. Mas, isso vai custar-lhe parte de sua juventude e da sua inocência.” — disse a Dama das Águas, um pouco triste.


Após finalizar a sua fala, Natássia andou sobre as águas brumosas do lago e acariciou a cabeça dos cisnes que deslizavam e vinham receber o toque afetuoso de sua senhora. Por um momento, ela escutou o uivo dos lobos e suspirou, sabendo que tomara a decisão certa ao interferir na ordem dos acontecimentos...


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O túnel escuro se estreitava, cada vez mais...


Acorde, sussurrou uma voz no final da extensão densa e escura.


Kamus abriu os olhos, mas continuava dentro do grande e estreito túnel. Abra os olhos! Gritou a voz. O túnel, então sumiu e só havia neve... Grandes e intermináveis montanhas brancas, altas e frias.


Kamus olhou em volta. Estava só e a claridade da neve ofuscava seus olhos, obrigando-o a colocar a mão frente ao rosto. Então, ele ouviu o uivo de um lobo e a voz retornou, ordenando novamente:


Abra os olhos!

– Estou com os olhos abertos. – respondeu um tanto irritado.


Não esses, filho de Dégel! Abra os olhos de sua mente! A voz repetiu e, de repente, Kamus sentiu como se tivesse levado um soco no centro da testa. Seu corpo aterrissou na neve fria e ele sentiu os cristais de gelo grudar em sua pele. Só então notou que estava nu e fazia frio. Um vento gélido açoitou seu rosto, obrigando-o a fechar os olhos...


Com dificuldade, olhou mais à frente, procurando um abrigo até perceber uma caverna que se abria como um ventre convidativo dentro da imensidão gelada. Correu até ela, mas quando tentou entrar, uma loba branca impediu-o, rosnando e mostrando as presas.


Kamus recuou, estava desarmado, mas raciocinou que talvez a loba recém tivesse dado à luz e, portanto, estava protegendo os seus filhotes. Ficou de quatro e expôs o corpo como o fazem os lobos ao reconhecer o líder em seu território.


A loba veio, farejou-lhe o corpo, longamente, e depois correu para dentro da caverna. Devagar, Kamus se aproximou, novamente, e viu a ninhada. Para sua surpresa, havia cinco pequenos lobos. Um era cego, outro não tinha uma das patas dianteiras e, os outros três eram saudáveis e perfeitos. A loba lambia todos e, de vez em quando, olhava para Kamus.


De repente, ela pegou pelo cangote os dois filhotes que não eram perfeitos e os colocou no frio gélido, abandonando-os para morrer, bem ao lado de Kamus.


Kamus franziu o cenho e pegou os filhotes, protegendo-os com seu corpo, sentindo crescer em si pelos espessos e presas enormes. Seus braços e pernas se transformaram em patas grossas e firmes que afundaram na neve e seus olhos acostumaram-se a ver cores diferentes, assim como o seu olfato percebeu vários odores, cada uma com a sua particularidade...


Ambos os lobinhos se aconchegaram, próximos ao seu corpo e ele foi tomado por um sentimento de grande compaixão. Uma voz, bem no fundo de sua mente, recitava uma frase num tom lamurioso... Eles são imperfeitos, não sobreviverão, deixe-os... Entregue-os para a morte branca...Essa é a lei, só sobrevive o mais forte!


Ignorando a frase, Kamus lambeu-os e, quando o fez, voltou a ser homem, novamente. Os filhotes desapareceram e só havia sangue, uma imensa poça de sangue manchando a neve branca...


Volte! Já viu o que devia ver, agora volte! Ditou a voz sem corpo e logo, o imenso túnel escuro se desfez em pequenos fragmentos de terra e neve.


– Yuna! Ele acordou! – gritou Hilda ao ver Kamus abrir os olhos e elevar o torso da cama.


A Healer aproximou-se, trazendo uma sopa e sorrindo para Kamus.


– Bem-vindo ao mundo dos vivos, meu senhor! Tome, deve estar com fome. E... mesmo que não esteja, coma, pois precisará de todas as suas forças. – disse ela.


Kamus tocou em seu ferimento, sentindo a pele sensível, mas já cicatrizada.


– Quanto tempo eu fiquei desacordado? – perguntou, preocupado.


– Três dias. – respondeu Hilda.


O jovem senhor passou a mão pelos cabelos e depois aceitou o prato com a sopa encorpada e fumegante. Yuna percebeu os questionamentos silenciosos de Kamus e falou:


– Recebi um presente da Dama das Águas, uma flor chamada kaleikurafljósi ou como ficou conhecida em nosso mundo, cálice de luz. Essa flor tem o poder de curar e também de iluminar a mente. Natássia deve ter soprado sobre ela, pois sua cura foi mais rápida que o comum. Geralmente, leva sete dias para cicatrizar um ferimento profundo como o seu.


– E meus irmãos, onde estão?


– Fenrir foi com os batedores até as fronteiras impedir a invasão dos que o atacaram. Hyoga permanece com a mãe, segundo Fenrir nos contou. – falou Hilda.


– Eu preciso ir. – disse Kamus entregando o prato a Hilda e levantando-se da cama.


– Mas, meu senhor... seus ferimentos podem estar cicatrizados, mas ainda precisa de descanso para enfrentar a batalha que está por vir. – falou Hilda.


Kamus olhou-a e depois seus olhos encontraram o olhar sereno de Yuna.


– Se depender de mim, Hilda, não haverá derramamento de sangue entre irmãos. – disse Kamus indo até onde estavam suas roupas.


Hilda não compreendeu aquelas palavras, mas Yuna tocou em seu braço e sorriu, complacente.


– O senhor Kamus sabe o que está fazendo, Hilda. Vamos deixar que se vista sozinho e em paz. – disse a Healer.


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Os mamutes avançavam, abrindo buracos fundos na neve, destruindo a pouca vegetação e derrubando algumas árvores. Yohma estava montando o líder dos grandes paquidermes, um mamute de pelo escuro e denso, capaz de arrastar consigo boa parte da floresta.


Havia um menino com ele, que observava o avanço, excitada como toda criança que vive uma aventura ao lado do pai. Byako, era o nome dele e, até então, tinha sido protegido do encontro com o senhor de Irġiel kiesaħ.


Quando Byako nasceu surdo-mudo e com um coto no lugar do braço direito, sua mulher chorou, antes de morrer de hemorragia, pois tinha a esperança que o filho nascesse perfeito.


Entretanto, para Yohma, aquilo era um sinal que apontava, claramente, para a sua missão: liderar um clã de homens e mulheres que haviam sido rejeitados pela imperfeição ou feiura. Sob o seu comando, ninguém era abandonado ou deixado para trás.


O grotesco era a regra, portanto, não adiantava querer igualar-se aos perfeitos e belos. Sua missão era conquistar Irġiel kiesaħ e foder com várias mulheres para que a sua semente pudesse gerar outros filhos e filhas e assim, seu nome entraria para história como aquele que, mesmo aleijado, tornou-se senhor de um dos clãs mais fortes de Darneheim.


Pai! Veja! – disse o menino na linguagem dos sinais, apontando para frente.


Yohma ergueu o braço e os mamutes estancaram. De imediato, cinco ursos brancos gigantescos foram soltos das suas correntes e avançaram na frente, enquanto homens defeituosos e com armas adaptadas ao corpo seguiam logo atrás dos ursos atirando lanças e dardos numa velocidade impressionante.


Fenrir, que liderava os batedores, gritou para os arqueiros e logo uma chuva de flechas incendiárias cortou o ar, cravando-se na carne de ursos e homens.


O volume e a pontaria certeira dos batedores de Irġiel kiesaħ forçou Yohma a usar a estratégia da destruição. Gritou para seus homens e mulheres vestidos com armaduras que avançassem com os mamutes, protegidos por uma blindagem especialmente criada para rechaçar lanças e flechas.


Os animais, protegidos e treinados dispararam contra os batedores com fúria, obrigando-os a reorganizar a estratégia de contenção do ataque inimigo.


Yohma desceu do mamute para organizar melhor o ataque e dirigir palavras de força aos seus, quando uma flecha de fogo caiu perto do animal e este avançou, ainda com Byako sobre as costas.


– Pule, Byako! – gritou Yohma, mesmo sabendo que o garoto não podia ouvi-lo.


O menino continuou sobre o mamute, avançando e gritando “atacar” utilizando a linguagem dos sinais.


Habilidoso, Fenrir havia mandado estender uma corrente entre as árvores, para que ao tentar atravessar a fronteira, os gigantescos animais caíssem ao ter as patas contidas. E foi o que aconteceu ao mamute onde estava Byako. Sem experiência e sem ver as grossas correntes, o menino caiu na armadilha e desabou junto com o gigantesco paquiderme.


Da altura em que estava a queda, fatalmente, iria ferir o menino, mas de forma impressionante, uma silhueta moveu-se rápida entre as árvores, acompanhada de um lobo enorme de pelagem azul...


– Te peguei! – disse Kamus interceptando a queda do menino e pegando-o nos braços fortes.


O garoto olhou-o bem dentro dos olhos e sorriu, depois ficou sério e fez uma careta para Kamus, reconhecendo-o como inimigo, embora ele fosse uma versão diferente do seu pai.


– Byako! – gritou Yohma e logo, seus homens se prepararam para o tudo ou nada.


Kamus ordenou que seus homens cessassem o ataque e logo Fenrir juntou-se a ele.


– Irmão! Que bom vê-lo curado! Agora vai nos liderar, claro! Puxa, estou contente — disse Fenrir.


Com o menino no colo, Kamus tocou o ombro do irmão.


– Fez um excelente trabalho aqui, Fenrir. Mas, vamos dar uma trégua, agora. Esse menino precisa voltar aos braços do pai e não vamos derramar sangue em família.


– Uma trégua? Mas estamos vencendo e é só uma questão de tempo prá gente botá-los prá correr. Vamos ficar com o menino como refém e exigir a rendição deles. E... que história é essa de família?


– Eu vou esclarecer tudo. Apenas continue a liderar os homens e fique de prontidão até eu resolver essa situação.


O menino fixava os olhos nos lábios dos dois, compreendendo algumas coisas e ficando inquieto com outras. Com a mãozinha do braço normal, ele virou o rosto de Kamus para si e gesticulou algo que Kamus compreendeu como: “não vou deixar você ferir o meu pai!” O jovem senhor de Irġiel kiesaħ sorriu, percebendo a coragem daquele pequeno ser e tentou explicar que nada faria com ele ou seu pai.


Fenrir estava confuso, mas sempre obedecia as ordens do irmão. A palavra família martelava em sua mente. Como aqueles monstrengos podiam ser da família?


Kamus viu quando Yohma avançava em pleno desespero, e gritou forte e alto:


– Chega dessa loucura, irmão! Estou com o seu filho, vamos conversar.


A palavra surtiu efeito. Foi como se uma pedra tivesse sido lançada diretamente na cabeça de Yohma. Ele estancou e elevou a mão sinalizando aos seus, vendo Kamus se aproximar com Byako no colo. O garoto sorriu ao ver o rosto do pai e Yohma quase chorou.


– Vá! – disse Kamus colocando o garoto no chão e vendo-o correr para os braços do pai.


– Filho... – sussurrou Yohma, apertando o menino contra o peito. Em seguida, olhou para Kamus num misto de hostilidade e embaraço.


– Vamos conversar. – disse Kamus.


– Conversar? E o que teríamos a nos dizer. Eu ainda desejo acabar com você, mas... Você salvou meu filho. Por que fez isso?


– Você diz ser meu irmão, então consequentemente, o menino é meu sobrinho. E mesmo que não houvesse nenhum laço de sangue, ainda assim eu jamais deixaria uma criança ser morta ou ferida.


– Olhando prá mim, você acredita ser meu irmão? – perguntou Yohma.


– E porque não acreditaria?


– Você é perfeito! Olhe prá você e olhe prá mim! Eu sou uma aberração abandonada pela própria mãe para morrer!


– Perfeição é um conceito muito amplo e acho que não me enquadro nele.


Yohma riu.


– Fácil ter esse discurso preparado, quando foi acolhido ao nascer e cresceu sendo amado por todos. Já eu, nem bem nasci e já fui motivo de vergonha para nossa mãe. Sabe o que ela fez? Deixou-me perto das montanhas para que as feras acabassem comigo. Mas, eu fui salvo por um eremita que vivia por lá. Ele leu minha sorte nas entranhas de um bode e disse que um dia eu seria senhor de clã.


Kamus lembrou-se do sonho, da imagem da loba rejeitando os filhotes.


– Não podemos mudar o passado, mas um homem faz a sua sorte. Quero que saiba que eu jamais julgo pela aparência, pois a honra e o caráter de um homem estão em suas ações e em seu coração. Ainda não me disse o seu nome.

– Me chamo Yohma.


– Eu me chamo Kamus. Então, Yohma, meu irmão, aceita viver o futuro? Há um grande mal se espalhando por Darneheim. Seu ataque a mim aconteceu dentro dessa atmosfera de enganos e dominação. Mas, eu lhe ofereço um lugar entre nós.


–Você tá me convidando para me unir ao seu clã? Eu e minha gente?


– Sim, Irġiel kiesaħ é vasta, tem lugar para todos. Podem criar animais, plantar e viver em paz. Você continua sendo o líder da sua gente, o senhor do seu clã. Seremos aliados e nos comprometeremos a defender nosso território e a paz.


– Parece bom demais para ser verdade. Eu tentei invadir seu território e... tenho uma vaga lembrança que tentei matá-lo.


– Você tentou, mas isso é passado. Vamos começar daqui para frente. Pense durante esta noite. Venha comigo e jante conosco. Temos uma Healer que pode tratar dos feridos, enquanto conversamos. Descanse e, ao amanhecer, me dê a sua resposta.


Desconfiado, Yohma pelou Byako pela mão e retrocedeu.


– Prefiro acampar aqui e... conversar com os meus.


– Como quiser. – disse Kamus se retirando.


Byako soltou-se da mão do pai e correu até Kamus, fazendo gestos com a pequenina e única mão. O senhor de Irġiel kiesaħ olhou para Yohma e ele traduziu:


– Ele disse que vai rezar para que eu aceite o convite que nos fez.


Kamus sorriu e fechou a mão levando-a ao centro do peito numa atitude explícita de reconhecimento do afeto da criança.


O gesto simples e sincero tocou Yohma que olhou para o irmão sendo recebido por um olhar franco. Por alguns segundos, sentiu-se visível e aceito como jamais fora.


Teve de resistir ao desejo de agradecer àquela ação que trouxe um sorriso de contentamento ao seu pequeno. Assim como ele, Byako não era visto e ele o mantinha afastado para que não sofresse a mesma rejeição que ele havia sofrido.


Quando deu as costas ao senhor de Irġiel kiesaħ,mesmo que ainda resistisse à ideia, o coração de Yohma já não estava mais tão cheio de ódio como antes...


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Havia um som de água pingando... Pandora olhou para os seios inchados e a curva de sua barriga. Sorriu, sentindo as contrações. Estava na hora!


Chorou quando trouxeram a criança e a colocaram sobre si, beijou a cabecinha coberta de sangue e, de repente, sentiu arrancarem-na de seus braços fazendo-a gritar!


– Não! – gritou Pandora abrindo os olhos.


Estava em seus aposentos, as janelas abertas, a luz pálida de velas colocadas próximas a cabeceira tremulando na escuridão, projetando-se nas paredes de pedra...


Por alguns instantes, sua mente achou que tinha tido um sonho ruim, daqueles que permanecem e continuam a atormentar mesmo depois de despertar.


Tentou levantar e sentiu a dor. Uma dor terrível que parecia estar sendo apunhalada no ventre. Estava nua, então olhou e tocou o corte que havia sido fechado com barbatanas de lontra. Percorreu a extensão dos pontos com os dedos e arrepiou-se dos pés à cabeça.


Não foi um sonho... Eles o tiraram de mim e o sacrificaram. Pensou ela enquanto retirava a mão do próprio corpo com repulsa e dor.


A criada entrou com uma bacia e uma jarra com água fresca, mas foi impedida por Hades que tomou os objetos das suas mãos e a dispensou. Ele adentrou o aposento e sentou-se ao lado de Pandora que o observava em silêncio.


– Fico feliz que tenha acordado e esteja bem. Instruí Verônica para cuidar, pessoalmente, de você. Sente alguma dor? – perguntou Hades, parecendo realmente preocupado e levando o pano úmido à testa de Pandora.


– Não. – respondeu Pandora virando o rosto.


– Não faça isso... – pediu ele. – Olhe para mim! Tornei-me o receptáculo de um grande poder e não o fiz, apenas por mim. Também o fiz por você!


Os lábios pálidos de Pandora se abriram num sorriso triste.


– Por mim? Enquanto você se tornou receptáculo do Caos eu gerei um filho... Nosso filho! E você o sacrificou sem nem ao menos um pingo de dúvida... Você é um monstro, Hades! E eu... Eu sou uma desgraçada por amá-lo ao ponto de me perder! Devia ter me deixado morrer, teria sido mais digno! – gritou Pandora entre lágrimas.


Hades tocou-lhe o rosto e ela se afastou.


– Não me toque! Saia e me deixe sozinha!


– Durma e descanse. Quando acordar, se sentirá melhor. – disse Hades.


Quando a porta pesada rangeu, ao ser fechada, Pandora chorou até sentir-se esgotada e sem lágrimas. Dormiu em seguida, adentrando a escuridão de um sono sem sonhos...


– Eu o avisei... Deixá-la viva, vai lhe trazer problemas. – disse Verônica encontrando Hades no corredor.


Hades olhou para a necromante que exibia o corpo bem feito num vestido tão justo que parecia uma segunda pele. Verônica sorriu ao ver o olhar desejoso sobre si. Ela sabia que a força do ritual que haviam feito, despertava os desejos mais sombrios e toda a sorte de perversidade. Era só uma questão de tempo para que acontecesse o que ela queria... Hades a tomaria para si e a tornaria rainha, a sua rainha.


– Amanhã, volte para as terras altas. Quando eu precisar, eu a chamarei. – disse Hades cortando aquela conexão.


– Como quiser, meu senhor... – disse Verônica se aproximando, se esfregando, mais uma vez no corpo esguio.


A mão forte de Hades fechou-se ao redor do pulso pequeno e os olhos frios encontraram os de Verônica que sorria.


– Não esqueça que eu a conheço, mãe. Pare de tentar me seduzir! Perdeu a oportunidade quando colocou Pandora em minha cama, lembra? Agora saia!


O sorriso lascivo morreu nos lábios da necromante e ela deixou o aposento. Não disse mais nada, mas em seu interior o ódio preenchia espaços perigosos, enquanto Hades se aproximava da sacada e sorvia do silêncio da noite, alimentando-se das sombras e sorrindo ao sentir seu corpo fervilhando com o novo poder.


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Todos estavam ao redor da fogueira para um grande Conselho. Homens e mulheres ouviam, atentos, as palavras de seu líder.


Yohma sentia-se confuso e isso o irritava. Não confiava em ninguém, portanto não queria confiar em Kamus. No entanto, seu filho gesticulava e pedia que ele dissesse a todos o que seu tio havia proposto e parecia tão animado como nunca. Aliás, era a primeira vez que o menino se mostrava tão feliz...


– Bem, o atual senhor de Irġiel kiesaħ fez uma proposta de aceitar-nos e nos deixar ocupar algumas terras. – falou Yohma.


– N-Nós teríamos direito a construir casas? Poderíamos plantar e colher? – perguntou uma das mulheres.


– Sim, diz ele que tem espaço prá todos.


Um zum zum começou. Alguns ficaram excitados e contentes, outros, desconfiados e a favor de continuar a invasão. Yohma levou a mão aos cabelos e resolver colocar em votação. Metade levantou aceitando e metade levantou rejeitando. Cabia a ele, o líder, o desempate. Merde! Pensou. Estava tenso e confuso. Pela primeira vez, era tomado pela incerteza e também pelo desejo de confiar, de saber como era ser aceito no meio de homens normais.


Byako elevou a mãozinha perfeita e sorriu, desejando tirar do pai o ônus daquela decisão. O ato fez Yohma sorrir e decidir não por si, mas pelo filho e pelas outras crianças que haveriam de nascer. Perfeitas ou não, elas mereciam um lar.


– Está decidido. Amanhã cedo eu falarei com Kamus e verei se as intenções dele são mesmo verdadeiras. Se forem, deixaremos de ser nômades. – disse o líder.


A maioria das mulheres bateu palmas e sorriu. Era um sonho ter uma casa, um lugar quente para dormir e morar. Alguns, ainda desconfiados ficaram silenciosos e sérios. Então, um barulho se fez ouvir e todos ficaram em alerta. Pelo som, eram alguns homens caminhando pela floresta o que fez o coração de Yohma disparar.


– Peguem as armas! – gritou ele.


Uma voz conhecida irrompeu o ar, sendo reconhecida por Yohma.


– Não é preciso pegar em armas, irmão. Viemos aqui dividir nossa comida e nossa bebida. – disse Kamus, acompanhado de Fenrir e mais dez homens que carregavam carne, pão e odres de vinho.


Byako correu na direção de Kamus e abraçou-lhe as pernas. O senhor de Irġiel kiesaħ sorriu e colocou-o sobre os ombros. Yohma se aproximou, fixando os olhos rubros nos do irmão.


– Estávamos decidindo se aceitávamos ou não a sua proposta.


– E então?


Yohma sorriu, deixando que seu coração se abrisse para a confiança. Pela primeira vez, um sorriso verdadeiro dançou em seus lábios e ele estendeu a mão.


– Aceitamos o seu convite.


Kamus apertou a mão forte e chamou Fenrir que mostrava seu machado ao sobrinho.

– Fenrir, venha, quero lhe apresentar Yohma, nosso irmão.


Fenrir sorriu, admirando a retidão e a sabedoria de Kamus. Lembrou-se da conversa que tinham tido antes de juntar aquelas provisões e procurar Yohma.


– Ele é mesmo nosso irmão? Mas, ele é... disforme. Aliás, todo o clã parece um ajuntamento de... aberrações!- dissera ele fazendo careta.

– Você acreditaria se ele fosse bonito e perfeito? – retrucou Kamus.

– Não é isso! É que... sei lá, eles são muito diferentes de nós.

– Diferentes? Por acaso Yohma não se preocupa com o filho ou com a sobrevivência de sua gente? Não ama ou odeia como nós? Aprenda uma coisa, Fenrir, o que precisamos avaliar em um homem é o seu caráter e a sua retidão. O resto é apenas uma casca! Casca essa que pode nos agradar ou não.

– Tá, mas ele veio nos atacar! Ele feriu você e o deixou perto da morte. Agora você, simplesmente quer ser amiguinho dele? Deixá-lo viver entre nós para um dia acordarmos com facas no pescoço? Me desculpe, irmão, mas acho tudo isso um terrível engano da sua parte.

– Quando nos acostumamos a sentir dor e a sermos excluídos, a única coisa que pensamos é infringir a mesma dor que sentimos. Yohma foi abandonado para morrer e ninguém, a não ser o tal eremita, o acolheu. Seu clã é feio, disforme, mas ainda assim com força para guerrear. Eu acredito que ele é nosso irmão e assim como amo você e Hyoga, vou aceitá-lo em nossa família e dar-lhe a chance de aprender que não se vive, somente de dor.

– Nada do que eu disser vai demovê-lo dessa ideia, não é?- perguntara, suspirando.

– Não. Mas não vou obrigá-lo a ir até lá comigo. A decisão é minha e, portanto, a responsabilidade, também. – respondeu Kamus.

– E perder a diversão? Desde quando eu não faço o que você me pede? Ser o irmão do meio é foda! Mas já vou avisando que, por via das dúvidas vou levar o machado.


Agora, estava ali, entre aquela gente feia, mas calorosa e até gentil. As mulheres gigantes o olhavam com curiosidade e cochichavam entre si com um sorriso sacana nos lábios. Era divertido ser olhado como se fosse um deus da beleza.


Kamus e Yohma conversavam sérios e compenetrados. Ao longe, os lobos uivaram, na noite escura e o fogo foi diminuindo. Apesar das trevas se espalharem por Darneheim, ali, três jovens resgatavam laços fraternos e de parceria...


Notas finais
Um agradecimento especial à:
Mililika - uma graça de pessoa, inteligente, carinhosa e deixa recomendações e reviews que me extasiam e me fazem pular de alegria, principalmente, porque sei o momento em que ela atravessa! Obrigada, querida!!
Mel Dark - uma amiga querida, que sempre me surpreende pela intensidade da sua paixão pelos protagonistas da fic! Adoro!!!
Persefone_san - observadora, carinhosa, me acompanha, me recomenda e me encanta com o seu talento. Obrigada por tudo!
Shall - dividimos uma paixão, adoro a velocidade com que lê e comenta e também já está mostrando o seu talento. Obrigada, querida!!
Hitsujikai Atsuya - Intensa, forte, comentários que me fazem muito bem!!! Amo!!!
Koneko - Uma nova leitora que me deixa muito feliz com a sua intensidade!! Obrigada, querida!!
Sion Neblina - minha irmã de alma, mesmo com tantas obrigações sempre deixa o seu comentário e carinho!!! Te amo!!
Rhenatta - carinhosa, intensa e entusiamada!! Feliz com a tua presença!!
JaneNegume - Inteligente, comenta sempre que pode e eu agradeço muito o carinho! Obrigada!!!
PollyWeasley - amada, sempre acha um tempo prá ler e deixar o seu carinho e recomendação!!! Obrigada, minha linda!
Aos que lêem em silêncio, por n- motivos e que ainda recomendam a fic (beijo especial ao meu querido DeathMask e para o lindinho do Dracgon). Aos que favoritam a fic e a lêem em silêncio ( beijinho, fhaena23). Aos que lêem em silêncio e eu nem sei quem são, mas ainda sim sinto a energia boa, obrigada! Se algum dia quiserem comentar um capítulo que mais gostarem ou não, sintam-se convidados. Eu vou adorar!!