Trono De Sangue

22 Capítulo 22 ESTRANHOS PODERES...


Notas iniciais
Aproveitando o feriado, aí vai mais um capítulo. Espero que gostem. Bjs, XD♥

Ikki conduzia os prisioneiros, atento aos movimentos de Shaka. O senhor de Irmied andava com firmeza, mas parecia oprimido, embora Ikki soubesse que era mais uma sensação sua que, propriamente, a demonstração do fato.


Shaka sentia- se desconfortável, porém procurava manter-se íntegro e centrado. Entretanto, era como se, de repente, toda aquela natureza exuberante e pacífica tivesse se transformado em um exército de guerreiros amarelo-esverdeados se fechando sobre si, apunhalando-o. Sentia dor, mas seu olhar nada denunciava.


Radamanthys apoiava Valentine que se esforçava para não demonstrar fraqueza, porém estava pálido e tinha os lábios arroxeados. Shaka percebeu-lhe o sofrimento e elevou a mão. Um filamento luminoso brotou da ponta de seus dedos e percorreu o corpo de Valentine diminuindo-lhe a dor que sentia, porém, o ato exauriu ainda mais o senhor de Irmied, aumentando-lhe a dor que disfarçava perante o grupo.


Mu e Misty se aproximaram, levando Radamanthys e Valentine para serem tratados, enquanto Shaka desviava da comunidade que o olhava como se fosse um deus.


– Vou me retirar por algumas horas. Por favor, cuidem dos feridos e enterrem os mortos.


– O que sobrou deles, o senhor quer dizer... – completou Misty com orgulho no olhar. – Ah, precisamos localizar o comandante Shura e seu... belo tenente. Eles devem estar atordoados em algum lugar nas nossas fronteiras. Pode deixar que deles, eu me encarrego.


A afirmação ecoou dolorida dentro do senhor de Irmied e Ikki olhou-o, neste exato momento. Havia dor naqueles olhos profundos... Uma dor que nunca deveria embotar o azul cristalino que o havia acolhido e salvado. Uma dor que ele conhecia bem... Matar nunca era fácil ou prazeroso, mesmo sendo o inimigo. Se para ele que era um guerreiro forjado na violência, não havia sido fácil, imaginava como teria sido para Shaka cujo poder sempre fora direcionado para salvar vidas e não extingui-las.


– Shaka...


– Agora não, Ikki. Preciso ficar sozinho. – disse Shaka quando Ikki contornou as pessoas próximas ao senhor de Irmied e ficou bem próximo de si.


– Deixe-me ajudá-lo. Sinto que precisa de alguém. – insistiu Ikki.


Um sorriso fraco formou-se nos lábios de Shaka.


– Já me ajudou muito, Fēnikss... Depois eu explico, mas agora, necessito ficar só. Por favor...


Contrariado, Ikki viu Shaka adentrar um corredor de folhas entrelaçadas que pareceram fechar-se após a sua passagem. Mu tratou de encaminhar o cuidado dos feridos e Misty tratou de fazer o que tinha se proposto, sendo acompanhado por Aiolia que ainda estava absorvendo tudo o que havia acontecido. De repente, todos se encaminharam para as suas casas conversando, animadamente, enquanto ele permanecia atordoado com tudo aquilo e se via sozinho. Ficou um tempo parado, observando aquele lugar com uma atenção diferente. Irmied não fervilhava como Berkehell, era silenciosa e lenta, como se o tempo ali fosse diferente dos outros lugares.


Apesar da demonstração excepcional do poder de seu senhor, todos comemoravam de forma comedida, sem arroubos nem brindes. O riso era baixo e, parecia que, mesmo ganhando a batalha, ninguém exultava como seria o esperado.


Olhou, novamente, para o corredor por onde Shaka entrara e tomou sua decisão. Foi atrás do senhor de Irmied, pois ninguém merecia guardar para si, a morte desencadeada em sua primeira batalha.

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A floresta mudava, assim como a paisagem. As vertentes nevadas e as rochas angulosas cercadas pelo verde escuro davam lugar a carvalhos de folhas douradas e riachos que brotavam das pedras em desenhos sinuosos. O vento mudou, trazendo um odor que fez Raio e Noite arreganharem os dentes...



– Tem algo esquisito... Sinto um cheiro forte e desconhecido. – disse Fenrir.



– Também sinto, mas o que me incomoda mais é o silêncio. Nenhum som, nenhum pássaro, nada. – falou Kamus.



A parte onde estavam ainda era mais protegida pelas árvores altas que o terreno à frente. Raio e Noite correram à frente e quando Kamus os seguiu, a cena que presenciou fez seu sangue gelar.



– Mas... que diabos é isso? – deixou escapar, sendo seguido por Fenrir que arregalou os olhos.



Enormes ursos brancos vinham presos com correntes atreladas a trenós puxados por lobos gigantescos, também brancos, cujos olhos rubros se destacavam como se fossem brasas vivas.



Os homens que conduziam os trenós eram, estranhamente, claros, como se a pele tivesse se enregelado e deixasse à mostra pequenas veias azuladas que riscavam as faces craqueladas em um desenho grotesco.

– En avant! Laissez-nous reprendre ce qui nous appartient!*(Em frente!Vamos pegar o queé nosso!)


A voz do homem que parecia ser o líder era rouca e grossa. Ele aparentava ser o mais velho, mas mesmo assim, tinha um corpo esguio como os demais. Estava em pé sobre um trenó e mantinha um dos ursos brancos pela coleira.


Kamus observou-o, assim como o restante. Deviam ser uns cinquenta homens e doze ursos...Analisou, rapidamente, o senhor de Irġiel kiesaħ.


– Vamos chamar os lobos, enquanto eles ainda estão um pouco longe. Temos de voltar e nos prepararmos. – disse Kamus. – Sem sombra de dúvida foi um deles que mandou aquele recado. Falam a língua antiga e sua intenção de invadir Irġiel kiesaħ é bem clara.



Fenrir concordou, porém um dos lobos que não puxava nenhum trenó, o mesmo que enfrentara Raio e perdera, fez um movimento de cabeça e farejou. Em seguida, arreganhou os dentes e emitiu um ganido estranho, alertando os outros.



– Merda! O lobo nos farejou! – exclamou Fenrir.



– Volte com Noite. Alerte todos e conduza as mulheres e crianças para o abrigo. Eu vou tentar distraí-los. – disse Kamus.



Franzindo o cenho, Fenrir ainda tentou argumentar.



– São muitos, mas se eu e você ficarmos juntos...



– Não. Precisamos alertar os outros. Vá que eu sigo em seguida.



Noite parece querer ficar com o irmão dele. Vou deixá-lo. – disse Fenrir.



– Está bem, agora vá e rápido. – disse Kamus enquanto se posicionava para revelar a sua presença.



Mesmo não concordando, Fenrir assentiu, porque Kamus era o senhor e seu irmão mais velho. Embrenhou-se entre as árvores, mas logo estancou. Um gigantesco urso branco, sem nenhuma corrente, surgiu a sua frente, logo que o terreno aplainou, e rugiu tão próximo, que ele pode sentir-lhe o bafo quente.



Mantendo a calma, Fenrir retirou seu machado das costas e lançou-se sobre o animal, surpreendendo-o com um movimento de corte que, de imediato, decepou-lhe uma das patas e o fez urrar de dor e agitar o corpo às cegas.



Aterrissando sobre a neve, agora encharcada com o sangue do urso, Fenrir mais uma vez se moveu rápido, atingindo a pata posterior do animal, fazendo-o cair.



Mais um movimento e foi a cabeça que se abriu expondo ossos e o cérebro, fazendo jorrar mais sangue. Ofegante, Fenrir olhou para trás ouvindo, apenas, uma ordem dita aos berros:

Attrapez-le!* (Peguem-no !)


Dividido entre a obediência e sua vontade, Fenrir apertou o cabo do machado, sentindo um aperto nas entranhas em deixar Kamus sozinho com o inimigo. Ouviu o rosnido de Noite, reconhecendo-o em meio aos sons de luta que se somavam à ele.


Em outra época, desobedeceria Kamus e voltaria para ajudá-lo. No entanto, seu irmão o escolhera para acompanhá-lo e reconhecera que ele já era um homem. E um homem não pensa apenas em seus desejos e sim no bem-estar de todo o seu clã. Com este pensamento e o coração apertado, Fenrir ignorou seu instinto e rumou em direção a Irġiel kiesaħ.


O lobo gigante que tinha enfrentado Raio e perdido a luta, agora se posicionava a frente de Kamus arreganhando os dentes em um desafio explícito. Raio adiantou-se para intervir, saltando para o meio deles e dando a chance de Kamus investir no líder.


Prevendo a ação de Kamus, o homem elevou o braço e uma chuva de flechas emergiu de dentro da floresta. Mulheres grandes e disformes saíram, logo a seguir, como uma massa de insetos vorazes.


Kamus foi atingido por duas flechas que se fixaram em seu ombro e coxa. Sentiu o ardor espalhar-se por todo o corpo e olhou na direção de Raio que não tinha sido atingido e continuava a batalhar com o lobo branco.


O líder inimigo sorriu exibindo dentes pontiagudos e enegrecidos, semelhantes aos de um peixe, ao ver que Kamus cambaleava e era cercado pelas mulheres.

– Connaître la puissancenosfemmes, damn !*(Conheça o poder de nossas fêmeas, maldito !)


Kamus se viu rodeado pelas mulheres que lhe apontavam flechas preparadas para disparar. Rapidamente, arrancou a flecha da coxa, mas deixou a que estava cravada em seu ombro. Fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo. Quando soltou o ar, abriu os olhos e havia um brilho animalesco neles, como se o humano cedesse lugar ao olhar primitivo...


O senhor de Irġiel kiesaħ sorriu, exibindo dentes brancos, tão diferentes dos enegrecidos que se arreganhavam para si. Ganiu como um lobo e, em seguida, falou no dialeto antigo, causando uma pontinha de surpresa no homem mais velho.


– Un leader quise cache derrièreleurs femmes... Me battre et voir si effectivement vous pouvez être appelé un chef! *(Um líder que se esconde atrás de suas mulheres... Lute comigo e veremos se, realmente,você pode ser chamado de líder!)


O homem sorriu, olhando para o estado físico de Kamus. A coxa sangrava e a flecha no ombro parecia estar profundamente cravada.


Voulez-vous me regarder en face, mon garçon? Mal comme ça? * (Quer me enfrentar, garoto? Ferido desse jeito?


Je ne suis pas un garçon, je suis le seigneur de Irġiel kiesaħ. *( Não sou um garoto, sou o senhor de Irġiel kiesaħ.)


Ditas as palavras, Kamus quebrou a ponta da flecha cravada em seu ombro esquerdo e sacou a espada curta que trazia presa às costas. Não parecia sentir dor, embora estivesse sangrando. Encarou o homem e disse :


– Et alors? Continuera cacher ou ... vai me faire face, comme un homme? *(E então?Vai continuar se escondendo ou... vai me enfrentar como homem?)

– Depuis tellement insisté sur la recherche de vos ancêtres, mon garçon
je vais prendre soin de toi! * (Já que insiste tanto em encontrar seus ancestrais, garoto, eu vou me encarregar de você!)


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O lugar parecia um casulo feito de plantas que se entrelaçavam formando um denso corredor. No final dele, se encontrava o outro lado do Bosque sussurrante, formado por minúsculas flores e pela bela e selvagem cachoeira de ujëvarë.


Shaka sentiu o vapor da água espalhando-se pelo ar devido ao impacto nas pedras e fechou os olhos, deixando que sua pele sentisse a sutileza fria e revigorante dos elementos a sua volta. Devagar, despiu as roupas e caminhou na direção das águas...


Quando recebeu o impacto da água fria, seus lábios se abriram em um gemido baixo e ele estremeceu. A força da água parecia chicotear a sua pele, mas mesmo assim, ele permaneceu firme em sua intenção de purificar-se, retirar de si aquela aura sombria que quase se apoderara de sua alma.


Sentia uma forte dor interna por ter usado seus poderes para matar. Sua empatia com o sofrimento alheio o fez sentir cada uma das mortes que desencadeara e cada sentimento expressado antes do fim...


Lágrimas escorriam pelos olhos do senhor de Irmied misturando-se às águas gélidas. Por um momento, ele fraquejou e abraçou o próprio corpo deixando-se cair de joelhos sobre as pedras. Sentindo a carne romper-se e, ainda assim, doer menos que o seu coração. As palavras de seu pai, de imediato vieram-lhe à mente. Que ingenuidade a sua em acreditar que o momento previsto por Asmita, jamais aconteceria...


“Somos um povo exilado, Shaka. Um povo que fundou sua civilização no extermínio e na dominação e pagamos um alto preço por tais atos. Nosso planeta feneceu, tornando-se árido e imerso em lutas sangrentas. Os poucos que sobreviveram fizeram um pacto de vida, um pacto que proibia o uso pleno de nossos poderes.

Então, escolhemos esse mundo jovem e luxuriante. Aqui criamos uma nova sociedade baseada em cura e respeito. Nos abstemos da política que é semelhante em todos os mundos. Poder, ganância, violência... Elementos presentes em todas as criaturas do Universo e que tentamos erradicar do nosso convívio.

No entanto, pode surgir o dia em que você tenha que romper esse pacto para defender algo maior. Nesse dia, meu filho, eu rezo que tenha ao seu lado, alguém que o ame, pois somente o amor é capaz de deter a nossa natureza sombria de destruição...”


Ikki nunca tinha reparado em um corpo masculino a não ser para comparar com o seu. Mas agora, ao ver Shaka nu, uma sensação diferente golpeou seu estômago e desceu até o baixo ventre.


O senhor de Irmied era esguio e tinha um tom de pele alvo, mas sedutor, como o belo marfim trazido das terras altas de Berkehell. Entretanto, apesar da beleza de todo o conjunto, era o seu rosto que oferecia uma perigosa teia de sedução.


Não que ele o fizesse de propósito como os homens e mulheres bonitos que tinham consciência desse poder. Era pior! Pior, porque Shaka não agia como se soubesse desse detalhe sobre si, mantinha sempre um olhar sereno e atitudes centradas no bem-estar alheio... E era esse modo de ser que o colocava à margem de atitudes tão mundanas e corriqueiras, tornando-o tão fascinante e desejável...


Shaka era diferente de qualquer um que tivesse conhecido, ele era, simplesmente, único...


Os soluços do senhor de Irmied eram abafados pelo rugido da cachoeira e seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas. Por isso, quando a silhueta revelou-se, diante de si, ele custou a definir quem era e o que estava acontecendo.


Devagar, Ikki aproximou-se e, sem dizer nada, estendeu-lhe a mão e quando ele aceitou, puxou-o de encontro ao corpo e abraçou-o como se jamais fosse soltá-lo.


– Estou aqui. – disse Ikki, simplesmente, e afundou-se nos cabelos e na água forte que caía sobre suas cabeças.


Mesmo sob a água que caía forte, Ikki sentiu o corpo de Shaka estremecer e estreitou-o ainda mais forte junto a si. Afagou os cabelos do senhor de Irmied e, devagarinho, foi tirando-o debaixo da água fria.


Shaka deixou-se levar, sentindo o calor do corpo de Ikki mesmo sob a água. E quando o olhou nos olhos, sentiu-se tragado pela intimidade que existia mesmo que se conhecessem tão pouco. Tocou o rosto viril e mais jovem com delicadeza.


– Obrigado... Mas, não devia estar aqui, Ikki. Eu...


Ikki tocou os lábios rosados com os dedos e traçou-lhes o contorno interrompendo a fala e fazendo Shaka fechar os olhos, num misto de desejo e hesitação.


Entretanto, mesmo que sua razão tentasse alertá-lo, Shaka não desejava se afastar. Seu corpo reagia ao toque de Ikki com necessidade e ânsia. Uma ânsia até então desconhecida, mas que surgia veemente e atroz, passando por cima de qualquer lógica ou raciocínio. A única coisa que Shaka sabia, era que aquele contato o aquecia e fazia parar a dor...


Aproximou o rosto e recebeu a boca ávida de Ikki na sua, lambendo e mordendo, enquanto as mãos fortes passeavam possessivas pelo seu tórax e costas.


Suspirou ao sentir o membro intumescido pressionado contra as suas coxas e, instintivamente, moveu o corpo fazendo com que Ikki deixasse escapar um gemido baixo...


As sensações despertadas já formavam um verdadeiro redemoinho de desejo e Ikki começou a despir-se sem descolar os lábios da boca de Shaka. Embora dois anos mais jovem, Ikki já passara pelos primeiros ritos da maioridade e sabia muito bem lidar com os anseios de seu corpo.


Deitaram-se na pedra coberta por uma espécie de limo aveludado e as mãos de Ikki correram por todo o corpo do jovem senhor de Irmied. Seus dedos longos e talentosos exploravam a curva das axilas, apertavam os quadris e deslizavam sobre os mamilos rijos, enquanto seus lábios, língua e dentes provocavam a carne sensível e ardente de Shaka fazendo-o entreabrir os lábios e gemer, agarrando-se a ele com desespero.


Shaka nunca havia experimentado o prazer que uma boca podia provocar. Desde os beijos profundos, em que a língua de Ikki mergulhava quase em fúria, buscando a sua, até agora em que ele a deslizava por todos os centímetros de sua pele num lento e tortuoso assalto ao seu corpo, arrancando tremores, deixando rastros molhados, fazendo-o arder e gemer alto. Era tudo tão novo, tão intenso e tão... bom!


A boca de Ikki continuou a explorá-lo cada vez mais, profundamente, até chegar ao falo, tomando-o por inteiro, sugando-o, saboreando-o e levando-o às profundezas de sua garganta.


Shaka sentiu as mãos fortes agarrando as suas nádegas em concha e erguendo-o na direção da boca exigente, quente e úmida que executava movimentos de vai e vem, num ritmo lento e alucinante.


Com um gemido de prazer, viu Ikki abandonar o falo e mordiscar a parte interna de sua virilha, chupando e lambendo todo o seu baixo ventre, insinuando a língua em sua entrada, fazendo-o contorcer os quadris.


Seus calcanhares se fincaram nas costas de Ikki quando ele inseriu um, depois dois dedos dentro de si e aumentou a intensidade e a velocidade dos movimentos com a boca, sugando o falo com força, enquanto penetrava-o com aqueles dedos experientes.


A forma como Ikki o tomava, cada toque sensual e demorado com a língua era por demais alucinante e Shaka gemia alto, sentindo a força dos músculos retesados de Ikki e uma espécie de tempestade erótica que vinha crescendo dentro de si. Seu corpo tremeu e foi sacudido com violência pelo clímax rápido e intenso. Ele agarrou-se a Ikki, cravando com força, seus dedos nas costas largas.


– I-Ik-ki! – gritou, enquanto o jovem guerreiro colhia aquele orgasmo em sua boca e sorvia com gosto, orgulhoso de deixá-lo, naquele estado.


De olhos fechados, Shaka arfava e tentava normalizar a sua respiração, sentindo que Ikki continuava duro e excitado. Abriu os olhos devagar e entreabriu os lábios em um sussurro baixo:


– Possua-me...


Ikki sorriu, enfeitiçado por aqueles olhos e pelo tom enrouquecido da voz de Shaka. Tomou-lhe a boca com voracidade e foi recebido com o mesmo sentimento...


Shaka sentiu o gosto agridoce na língua que se entrelaçava a sua e gemeu quando sentiu o falo pulsante de Ikki roçar no seu, sentindo despertar o desejo, novamente, imediato e insano... Jogou a cabeça para trás, mas manteve o olhar fixo nos olhos brilhantes de Ikki. Então, sentiu suas coxas serem afastadas e Ikki enterrar-se dentro de si num único e longo movimento, arrancando um gemido abafado de seus lábios.


Mesmo que nunca houvesse vivenciado o sexo, Shaka ignorou a dor inicial e começou a movimentar os quadris, estimulando Ikki a mover-se dentro de si e deixar escapar um gemido de puro êxtase em sentir-se tão apertado e quente.


Arquejando e pressionando todo o seu corpo contra o de Ikki, Shaka abriu mais as pernas, fazendo com que ele entrasse cada vez mais fundo, mais rápido e mais intenso. As sensações eram indescritíveis e enlouquecedoras... Era como se estivesse se fundindo não só ao corpo, mas também à alma e ao espírito daquele que o penetrava.


O rosto afogueado de Ikki e o brilho aquoso nos olhos azuis mostravam o prazer que ele sentia e algo mais... O corpo poderoso e brilhante de suor emanava calor, lascívia e poder.


Ikki ondulou os quadris para sentir melhor o calor úmido que emanava de Shaka e, enquanto movia-se dentro dele, sentia a pulsação furiosa do sangue em seu pescoço, coração e falo... Todas as células do seu corpo inundando-se de uma luxúria possante, ao ponto de fazê-lo arfar descontrolado e fazer surgir o fogo...


Olhou para Shaka, sem perceber o que acontecia e estocou com mais força, vendo-o cerrar os dentes e arquear o corpo. Sentiu o próprio corpo arder, como se estivesse sendo possuído pelo espírito da ave que tanto admirava e gemeu, repetindo o nome de Shaka várias vezes...


Chamas incandescentes envolveram ambos os corpos e ambos estremeceram convulsos, quase ao mesmo tempo. Os gemidos intensos vibraram na carne quente, o suor verteu por todos os poros, o clímax golpeou-os impiedoso e delirante...


Ikki grunhiu ao alcançar o orgasmo e puxou Shaka para si, afundando-se mais dentro dele, esgotando cada gota de seu prazer na cavidade quente que, contraía-se e o apertava mais forte, assim como os seus braços se fechavam em torno do corpo que estremecia sob o seu como se fossem asas criando um redemoinho abrasador.


Neste momento, Shaka gritou e abriu os olhos em meio aos espasmos de seu corpo, derramando-se no tórax de Ikki e sentindo o sêmen dele derramando-se dentro de si preenchendo-o com calor, prazer e um estranho poder...


As chamas foram arrefecendo quando ambos se abraçaram e fecharam os olhos, ofegantes e exaustos... O coração de Ikki batia tão forte como o rugido daquela cachoeira e o de Shaka acompanhava, no mesmo ritmo...


Ainda afogueado, Ikki encostou os lábios no pescoço de Shaka e cheirou-lhe a pele, sorrindo enquanto sentia a respiração serenar. O senhor de Irmied também sorriu, sentindo uma leveza sem igual, como se toda a dor tivesse sido varrida de sua alma.


– Estou em dívida com você... O que aconteceu aqui foi... intenso demais. – sussurrou Shaka.


Ikki buscou-lhe o rosto e olhou-o com malícia.


– Tenho que confessar que ainda não entendo o que aconteceu entre nós, além do prazer incrível que você me fez sentir, mas... surgiu-me uma ideia bastante interessante quanto à forma de pagamento dessa dívida...


Shaka sorriu e entreabriu os lábios daquele jeito inocente e enlouquecedor. Ikki enlaçou-o com os braços e beijou-o, novamente, puxando-o para mais perto, deslumbrado com a sensação daquele corpo macio e quente comprimido contra o seu.


O senhor de Irmied correspondeu e abandonou-se nos braços que o aqueciam e, pela primeira vez, experimentou uma felicidade intensa, única e... pessoal.


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Uivando pragas na língua antiga, o homem desceu do trenó e sacou uma espada com a lâmina curva. Passou a língua em toda a extensão da lâmina, como se estivesse com uma amante e sorriu, encarando Kamus.


Faites place à l'ancienne qui fait encore le bonheur des femmes! *( Abram caminho, para o velho que ainda faz a felicidade das mulheres!)


O jovem senhor de Irġiel kiesaħ posicionou-se, mantendo a conexão pelo olhar e também expandindo seus sentidos para os barulhos da floresta. Estreitou os olhos ao sentir o cheiro de seus irmãos. Eles tinham ouvido o seu chamado e estavam perto...


Inspirou e sinalizou que estava pronto para o combate. As mulheres obedeceram ao seu líder, abrindo passagem, embora mantivessem os arcos preparados.


O velho aparou o primeiro golpe de Kamus e contra-atacou, tendo o cuidado de forçar a defesa de modo que o ferimento do ombro obrigasse Kamus a recuar. Riu quando ele ofegou e dobrou o joelho, aproveitando para avançar sobre o jovem de modo a desferir o golpe de misericórdia.


Vai mourir, mon garçon! Je vais plaisir avec leurfemmes
donc reprendre ce qui m'appartient! *(
Vai morrer, garoto! Vou me deliciar com suas mulheres,assim que retomar o que é meu!)


Com uma torção de corpo que parecia, totalmente, impossível para um homem com os ferimentos que Kamus exibia, o jovem senhor elevou o corpo e projetou sua lâmina para frente e para baixo, enterrando-a no baixo ventre do homem que estremeceu e terminando rapidamente aquela luta.


Allezamusez-vousen enfer! * ( Vai divertir-se no inferno) – disse Kamus puxando a lâmina e percebendo que a matilha do Lobo negro já havia chegado e se lançava com fúria sobre ursos e lobos que ainda estavam atrelados aos trenós.


As mulheres pareceram confusas e ainda mais grotescas com a morte do seu líder e Kamus aproveitou a chance, escolhendo uma delas para derrubar e encaixar um golpe de imobilização no pescoço. Quando o fez, as outras bradaram em fúria, porém Kamus, mais uma vez falou :


Leur chef est mort! Lâchez vos armes et quittez cet endroit! * (Seu líder está morto! Soltem as armas e deixem este lugar!)


A matilha do Lobo negro era numericamente superior aos demais e tão possante em tamanho e ferocidade quanto os lobos brancos. Estavam levando vantagem quando um barulho ensurdecedor sacudiu o solo e as árvores da floresta.


Kamus sentiu a vibração e foi surpreendido pela segunda vez. Caminhando, pesadamente, animais imensos e peludos com estranhos focinhos alongados, abriam caminho arrancando as árvores pelo caminho. E, sentado sobre o primeiro da fila, havia um homem jovem e ruivo, cujos olhos rubros eram parecidos com os seus. Entretanto, fisicamente ele exibia dois braços a mais que pareciam tentáculos mortos e caíam ao lado dos braços normais, fazendo alguns movimentos ocasionais.


Tu es fort, mon frère.Cependant, vous verrez que je ne suis pas aussi faible que ce vieux fou! *( Você é forte, irmão.Entretanto, verá que não sou tão fraco quanto este velho tolo!)


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Ao chegar próximo de Irmied, havia um cheiro de morte no ar. Corvos enegreciam parte do céu, sobrevoando em círculos e havia algo mais, como se várias queimadas tivessem sido feitas em grandes extensões de campo. Manigoldo elevou a mão direita e fez sinal de silêncio. Siegfried, Thor e Hagen farejaram a brisa e franziram o cenho.


Muitas mortes. – disse Siegfried.


Milo só sentia um clima estranho e um arrepio na nuca que já tinha acontecido horas atrás quando, de repente, seu coração batera descompassado como se algo ruim tivesse acontecido.


– Manigoldo, eu posso ir em frente e sozinho. Por favor, volte para Irġiel kiesaħ, estou com um pressentimento que Kamus precisa da sua ajuda. – disse o senhor de Berkehell.


– Kamus ordenou que eu o ajudasse a encontrar seus irmãos e o protegesse. E estou achando muito estranho esse clima no ar.


– Deixe Siegfried comigo e volte com os outros. Se aconteceu algo aqui, pode ser que a guerra já tenha começado. Kamus está sozinho, sem seu comandante e sem seus batedores. Isso não me agrada. Posso cuidar de mim e Siegfried pode me ajudar a encontrar Shun. – insistiu Milo.


– Realmente, depois que vi como maneja o arco, sei que pode muito bem se cuidar. Mas, vou deixá-lo em Irmied como meu senhor ordenou e então decidir.


Enquanto conversavam, o grupo percebeu duas silhuetas cavalgando em sua direção. Shura e Shiryu se aproximaram.


– Olá, Manigoldo. – disse Shura reconhecendo o comandante das forças de Irġiel kiesaħ.


– Olá, Shura. O que aconteceu aqui? – perguntou Manigoldo indo direto ao assunto.


– Algo inacreditável. O senhor de Irmied dizimou a tropa enviado por Hades para prendê-lo.


– Tropa do qual você faz parte como segundo em comando. – enfatizou Manigoldo.


– Não faço mais. Radamanthys acusou-me de traição e agora está aprisionado em Irmied.

Viemos atrás dos irmãos do senhor de Berkehell. – disse Manigoldo.


– Que sou eu. – disse Milo se adiantando e estendendo a mão para Shura.


– Muito prazer, senhor de Berkehell. – disse Shura. – E este que está comigo é o tenente Shiryu.


Milo sorriu para o jovem oriental e também para Shura. Quando ia fazer uma nova pergunta, mais gente se somou ao grupo.


Com um sorriso malicioso e um olhar sagaz, Misty apresentou-se, acompanhado de Aiolia e surgindo de uma maneira inusitada, como se ambos tivessem transposto algum portal e aterrissado ali.


– Sejam bem-vindos a Irmied bravos senhores! Eu sou Misty e esse é Aiolia, o belo jovem que reconhecemos como nosso verdadeiro soberano e por quem somos capazes de dar as nossas vidas.


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Em Irġiel kiesaħ, as rotinas eram cumpridas quando Fenrir surgiu ofegante e sujo de sangue. Hilda o viu e empalideceu, intuindo que algo grave deveria ter acontecido.


– Hilda, me ajude a reunir todos no grande salão e rápido! – disse o jovem.


Concordando, sem fazer perguntas, Hilda tratou de chamar a todos. Lembrou que Hyoga havia saído para suas meditações na Floresta Negra e praguejou. Tinha que enviar alguém para chamá-lo, mas para sua surpresa, ele retornava, naquele exato momento, e com o semblante carregado.


– Fenrir voltou sem Kamus, não é? – perguntou ele ao aproximar-se dela.


– Sim, como sabe? — Ah, eu e minhas perguntas imbecis! É claro que o esquisitinho já previu algo ou coisa que o valha. Pensou, Hilda ,após fazer a pergunta.


Hyoga não respondeu e foi à procura de Fenrir. Quando o encontrou, olhou dentro dos olhos do irmão e, de repente, toda a cena vivenciada por ele e Kamus descortinou-se frente aos seus olhos.


– Hyoga? – chamou Fenrir, vendo que ele parecia em transe.


O mais jovem piscou e, em seguida retirou suas vestes, ficando completamente nu.


Fenrir e Hilda arregalaram os olhos surpresos e mudos, sem saber o que pensar ou dizer. Será que o garoto tinha enlouquecido de vez?


Alheio ao frenesi que provocara, o jovem abriu os braços e murmurou:


“Ísinnog loft, taktu migífaðmþinn,núna”! *( Gelo e ar,levem-me em seus braços, agora!)


Sob o olhar atônito dos dois, o corpo de Hyoga foi envolvido por uma espiral de neve que fundiu-se ao corpo alvo. Tudo foi tão rápido que, a última coisa a fundir-se à espiral foram os belos olhos azuis e, assim que eles também se transformaram em flocos de gelo, Hyoga desapareceu!


Notas finais
Obrigada a todas as recomendações!!! Em especial a quem eu ainda não agradeci: PollyWeasley e DeathMask! Vocês me honram e me deixam feliz com o carinho e o acompanhamento das minhas fics. Muito obrigada mesmo!!!
Aos que favoritaram a fic, obrigada!!! Vocês me deixam sem palavras, mas com um imenso sorriso no rosto. Bjs!!XD
Bom feriadão a todos!!!
** craquelado é um termo usado quando a cerâmica fica com aspecto quebradiço, cheia de pequenas rachaduras.