Trono De Sangue
15 Capítulo 15 DECISÕES...
Enquanto ardia em febre e dor, Ikki sonhou que seu pai lhe dava uma espada longa cujo cabo era ornado com arabescos semelhantes a garras e mudava, constantemente, de cor passando do amarelo para o laranja e por fim ao vermelho intenso.
Kardia o olhava sério e depois desaparecia em meio à névoa densa e escura. Ikki fixou os olhos naquela dança cromática até perceber que as cores tomavam a forma de uma estranha ave cujo bico projetou-se, agressivamente, até trespassá-lo como se fosse uma lança.
Uma dor aguda atingiu-o e Ikki gritou, desfazendo-se em metal derretido, cores e lama.
Agora via os olhos de Shun, tão intensos e verdes suplicando perdão.
“Perdão Ikki... Perdão! Eu devia ter ouvido você...”
“Shun”! Gritou ele e mais uma vez, rostos sujos e descarnados desceram sobre os dois como moscas pousando sobre uma carcaça.
Haviam caído em uma armadilha, montada para atrair os desavisados.
Uma criança andava, chorando, e coberta de sangue. Como parte do teatro, ela tropeçava e implorava por ajuda,estendendo a mãozinha pequena e suja. Foi neste momento que Shun a viu, caída e chorando e, imediatamente, avançou com seu cavalo.
Ikki percebeu algo estranho, talvez apenas sua desconfiança natural, mas gritou para que Shun o esperasse.
Seu irmão não ouviu. Sua compaixão sempre fora maior que sua própria segurança. Então a rede caiu sobre Shun quando ele se aproximou e uma horda de homens e mulheres saiu de dentro da mata densa com foices e armas improvisadas.
Ikki avançou gritando e desembainhando a espada. Com a habilidade que lhe era inata, cortou e mutilou, mas ainda assim, eles continuavam atacando até que um homem grotesco, parecendo um gigante lançou uma corrente que o desequilibrou dando espaço para que um homem, também gigantesco, o atacasse com uma espada dupla e o cortasse na coxa de forma profunda.
A dor cegou-o por um instante, mas saber que Shun estava preso naquela rede fétida o fez reagir e lutar até tudo ficar tingido de vermelho.
O seu, o dos homens... todo aquele sangue verteu, enquanto ele usava a espada do jeito que seu pai e Kanon haviam lhe ensinado. Os golpes eram certeiros e, apesar da dor, ele não se descontrolara. Continuava a mover-se como um leão poderoso, mesmo sendo tão jovem e estar em desvantagem.
“Já matou demais dos nossos, garoto! Sinto ter de acabar com um guerreiro nato como você...!” A voz arranhada, como se a garganta estivesse sofrendo pressão se pronunciou em meio à luta.
Um homem vestido de negro saltou sobre ele como uma pantera. Os passos tão leves que nenhum ruído se fez quando ele se posicionou em frente a Ikki e moveu a espada de forma circular, traçando um desenho rápido e mortal.
A lâmina cortou-o, novamente, agora no ventre fazendo-o curvar-se e cair sobre um joelho. Sua visão turvou-se e a última coisa que Ikki viu, foram as lágrimas de seu irmão escorrendo pelo belo rosto coberto de sangue.
Foi deixado para morrer, enquanto Shun era golpeado, através da rede e levado para uma carroça contendo uma jaula com mais pessoas dentro.
Tendo sua primeira viagem e aventura fora de Berkehell, tanto Ikki quanto Shun não estavam preparados para enfrentar um dos clãs mais temidos de Darneheim, um clã constituído de homens e mulheres considerados párias, seres remanescentes de conflitos e destruição de outros clãs.
Eram chamados de Os carniceiros e viviam da exploração da dor, da escravidão de outros e do saque aos mortos no campo de batalha. Até a morte de Aioros, eles se mantiveram nas terras livres e estavam em número reduzido, mas agora, voltavam a agir em todas as terras e, infelizmente, Ikki e Shun acabaram direto em seu caminho.
A alvorada chegou dolorosa e cruel fazendo-o despertar do sono sombrio. Ikki abriu os olhos doloridos, os lábios ressecados e a cabeça latejando. Onde estou? Onde está Shun? Pensou enquanto tentava ficar com os olhos abertos. Mas, logo a febre o venceu novamente e ele caiu dentro do sonho agitado, crispando os dedos nas cobertas e dizendo palavras desconexas.
Shaka vasculhou Irmied ao amanhecer, sua mente, mais uma vez expandiu-se junto com o farfalhar das folhas, o canto dos pássaros, o curso da água límpida... Tudo estava calmo e não havia mais o cheiro da morte rondando suas fronteiras. Depois de fazê-lo, dirigiu-se aos aposentos onde Ikki se debatia, vendo que Mu lhe segurava a mão e enxugava a testa suada.
– A febre ainda não cedeu. – disse Mu sentindo a presença silenciosa de Shaka.
– Ela cederá.
– Não entendo porque não a fez baixar. O garoto está ardendo! O corpo dele... é como se estivesse se consumindo em fogo vivo. Porque deixá-lo sofrer? – disse Mu olhando para o seu senhor.
– Ele pertence ao clã Skorpjun e seu corpopossui uma energia diferente dos demais. Para que ele sobreviva, ele necessita vencer o fogo. Mas, ele não está sozinho, algo o protege e eu... também ou não seria digno de ser do clã Vergni. – respondeu Shaka.
Mu sorriu, um tanto envergonhado. Apesar de pertencer ao clã pacífico e possuir uma energia serena, cada vez que sentia a dor alheia queria logo saná-la, erradicar o sofrimento por completo. Mesmo meditando e se exercitando, constantemente, ainda não chegara ao nível de Shaka que nunca perdia o controle ou a esperança. Ele parecia estar sempre um passo à frente, conhecendo com uma profundidade intuitiva cada pessoa que procurava conselhos ou cura em Irmied.
– Perdoe-me, meu senhor! É que... este jovem parece ter sofrido tanto e...
– Eu sei, Mu. Grandes responsabilidades e exigências pairam sobre aqueles que nascem em clãs bélicos. Cedo aprendem as dores da perda, da solidão e da necessidade de obter controle. Mas, também, possuem a ajuda de forças poderosas e seres tão antigos quanto às paisagens que cobrem estas terras. Ele viverá.
– Não poderíamos, ao menos, dar-lhe um sono profundo e sem sonhos?
Shaka suspirou e olhou com certa ternura para o amigo.
– Faça-o. Eu dou a minha permissão.
Mu sorriu e tocou os olhos de Ikki, fazendo cessar o movimento que denunciava que ele estava sonhando. Em segundos, o jovem se acalmou e o próprio Shaka colocou a mão direita sobre a testa febril e murmurou baixinho.
De repente, espirais de fogo circundaram o corpo de Ikki, enquanto Shaka permanecia murmurando e com os olhos fechados. Mu franziu o cenho, surpreso com a imagem que se formava no centro das espirais. Era uma ave de beleza aterrorizante e ela posicionava-se como se estivesse protegendo o jovem adormecido.
“Acalma-te, Fēnikss. Teu protegido está entre amigos!” Murmurou Shaka sem abrir os olhos e tão calmo como entrara no aposento.
Um guincho estrondoso se fez ouvir, preenchendo o ambiente com a sua densidade sonora. Mu levou as mãos aos ouvidos, enquanto Shaka permanecia sereno e conversando com aquele ser.
Então, como se o ar ficasse rarefeito demais para as espirais de fogo, a imagem se desfez e Shaka, lentamente, foi abrindo os olhos e os deteve no rosto de Ikki que estava molhado de suor.
– Entende agora o que eu disse, Mu? – perguntou Shaka olhando para o amigo.
– Sim...Mas, puxa! Eu não imaginava... Quer dizer, se eu tivesse tentado fazer isso sozinho. Pelos deuses... Eu não saberia lidar com aquilo.
Shaka sorriu e mergulhou o tecido branco na bacia com água fresca que estava à cabeceira de Ikki. Limpou o suor da testa e depois levantou, tocando no ombro de Mu.
– Vigie-o, algo me diz que quando acordar, teremos um pouco de trabalho com este garoto. Na metade do dia me encontre no Bosque Sussurrante precisamos conversar sobre Aiolia.
– Pressente algum perigo? – perguntou Mu, preocupado.
– Embora não nunca tenhamos nos envolvido em conflitos com outros clãs, ao receber Aiolia, ficamos expostos. Precisamos decidir o que fazer ou logo, essa batalha chegará até Irmied.
– Nunca fomos atacados e, há essa hora, todos pensam que Aiolia está morto. Foi isso que o Conselheiro Shion nos pediu, que tirássemos a atenção sobre Aiolia até o momento em que ele regressará e retomara o seu lugar de direito.
– Os clãs estão se movendo e buscando alianças. Aiolia terá que decidir se irá liderá-los para retomar o seu lugar. Vou ser bem sincero, não o vejo se preparando para assumir responsabilidades e, em parte, isso se deve ao que está acontecendo entre vocês dois.
Mu sentiu um rubor tomar-lhe a face. Lembrou-se de como Aiolia partilhara que era feliz ali, que não desejava reinar, que só queria ser feliz...
– Eu... vou falar com ele. Acho que tem razão, meu senhor. – disse Mu com tristeza na voz.
Percebendo a dor do amigo, Shaka refletiu sobre seu aprendizado nos seus dezoito anos. Nunca tinha se apaixonado, nem vivenciado emoções exacerbadas. Desde cedo, sentia-se conectado com aquele lugar, com as pessoas e com seu dom de curar. Nada, além de colocar-se à serviço de algo maior e acima de si mesmo...
“As flores nascem e depois murcham... as estrelas brilham, mas algum dia se extinguem...
Comparado com isso, a vida do homem não é nada mais do que um simples piscar de olhos, um breve momento. Nesse pouco tempo, as pessoas nascem, riem, choram, lutam, são feridas, sentem alegria, tristeza, odeiam alguém, amam alguém.
Tudo isso em um só momento e eu... Eu apenas observo a tudo e sigo pela vida sem experimentar nenhuma destas coisas...” Pensou Shaka ao ver Mu deixar o aposento tentando controlar a angústia.
O senhor de Irmied tornou a olhar para Ikki que agora ressonava baixinho. Foi até ele e acariciou os cabelos úmidos sendo tomado, mais uma vez, pelo sentimento que lhe era estranho, mas que se infiltrava em seu coração, aos poucos, lenta e docemente.
Pousou o olhar nos lábios entreabertos e pensou que jamais experimentara um beijo ou um sussurro de amor, mas ainda assim, era capaz de outro tipo de amor, um amor pleno e incondicional e, era esse tipo que resguardava a integralidade de seu reino.
Suspirou e virou-se para deixar o aposento quando uma mão grande e forte o pegou pelo pulso.
– Quem é você, loiro...? – falou Ikki com a voz rouca, apertando-o com força e o encarando com os olhos bem abertos e desconfiados.
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A paixão e o desejo se uniram no gesto sôfrego e nenhum dos dois tentou evitar a torrente de sensações derramadas no prazeroso ato de beijar. Quando Milo tomou os lábios de Kamus, havia a intenção de provocar, mas acabou sendo um estopim que reacendeu o fogo que ardia entre os dois.
Kamus correspondeu ao beijo com igual voracidade. Aprofundou o ato, pressionando seus lábios fortemente contra os de Milo. Sua língua entrou e saiu da boca do escorpião, passando pelos dentes, pelos lábios, até voltar ao encontro da língua ávida que se enroscava a sua...
– Pelos deuses... não sei o que é isso, mas o desejo tanto que tudo mais parece inexistir... – sussurrou Kamus rente à boca provocante.
– Eu também não sei lobo... mas não quero pensar...quero sentir... – respondeu Milo e voltou ao beijo, enquanto suas mãos deslizavam sobre as costas de Kamus.
Os dois ficaram um tempo provando um do outro e, diferente do que acontecera à noite, os movimentos eram lentos, sinuosos, mesmo que o desejo fosse tão ou mais intenso quanto antes.
As roupas foram despidas e o aposento pareceu esquentar apenas com o calor dos corpos. Desta vez foi Milo quem empurrou Kamus em direção às peles e, em seguida, subiu na cama de joelhos e engatinhou sobre o corpo dele, permitindo que ele o olhasse, sem, no entanto, tocá-lo, até que ele se posicionasse sobre a ereção que pulsava.
Quando chegou ao meio do corpo de Kamus, Milo se sentou, deliciando-se ao sentir a ereção firme e latejante roçar na sua. Fechou os olhos sentindo um grande prazer ao perceber o desejo de Kamus se intensificar quando esfregou as mãos sobre o peito dele, ao mesmo tempo em que deslizava o seu corpo num vai-e-vem e ouvia os gemidos do ruivo.
Em ver de arquear os quadris para encontrá-lo, como ele havia esperado, Kamus, de repente deslizou em direção à ponta da cama, fazendo com que seu peito e não sua pelve ficasse debaixo de Milo.
Os olhos rubros dele transbordavam de luxúria, mas também outro sentimento ao encontrar os de Milo. Era algo além do prazer, além da possessão do corpo. Sentia uma conexão de alma, algo que despertava emoções profundas em seu coração intocado e o fazia pulsar em outra frequência...
Kamus se contorceu, passando um braço e o ombro sob a sua perna, e deslizou um pouco mais para baixo, de modo que já não era mais sobre o peito dele que Milo estava sentado, mas sim sobre o seu rosto.
Milo congelou, sentindo o calor da respiração ofegante de Kamus em seu sexo e, por um momento, hesitou na atitude a tomar. A forma ardente com que Kamus o tocava o desnorteou por alguns segundos...
Kamus decidiu por ele e o agarrou forte pela cintura, virando a cabeça e mordiscando a parte interna da coxa de Milo, uma, duas vezes... e então.... lambeu-lhe o falo em toda a sua extensão, arrancando um gemido abafado do escorpião.
– K-Kamus! – gemeu Milo, enquanto o ruivo continuava a prová-lo de maneira tão íntima.
– O que foi? – perguntou Kamus languidamente, enquanto sua língua continuava a subir e descer, deixando um rastro molhado e quente.
O ar quente que saía de sua boca enquanto Kamus falava provocou deliciosos arrepios por todo o corpo de Milo.
– E-Eu... E-Eu... – Milo se deteve para respirar quando a língua de Kamus continuou a explorá-lo e fechou os olhos quando o ruivo abocanhou seu falo e o sugou. – P-Pelo... deus Sombrio, lobo!
Imerso nas sensações de prazer que Kamus proporcionava, Milo torceu os dedos nos cabelos dele, literalmente se agarrando à realidade enquanto ele o provocava com os dedos, língua e lábios.
Sentindo todo o seu corpo quente e úmido e com uma dificuldade enorme de respirar, Milo fechou os olhos com mais força, deixando-se levar por aquelas sensações intensas que Kamus estava lhe proporcionando.
– Kamus... – murmurou ele.
Embora ansiasse por ser saciado, uma parte de Milo queria que aquele momento durasse. Kamus sentiu-o estremecer e levou a mão até o mamilo do escorpião, apertando-o suavemente entre o indicador e o polegar, arrancando mais um gemido extasiado e um aumento dos movimentos do corpo.
Kamus agarrou, ainda mais forte, os quadris de Milo enquanto se banqueteava nele, sugando e raspando os dentes no falo que tocava as profundezas de sua garganta. Os tremores tomaram todo o corpo de Milo fazendo-o ofegar e mover os quadris, instintivamente até a descarga de prazer arrasar seus sentidos e explodir num orgasmo que se derramou na boca de Kamus.
O corpo de Milo tremeu forte e Kamus o manteve firme, até sentir o gosto forte e inédito em sua língua e desfrutar de ouvir seu nome sendo repetido sem parar.
Sem conseguir mais apoiar o corpo, Milo tombou para o lado com o rosto afogueado e a respiração descompassada. Kamus rolou na cama e subiu de quatro sobre ele, como um verdadeiro lobo e Milo se estendeu sobre as peles, totalmente feliz em ser a presa do senhor deIrġielkiesaħ .
Com as pálpebras pesadas ele sorriu e quis dizer algo, mas só conseguiu gemer quando Kamus tomou seu mamilo enrijecido na boca e os seus dedos reassumiram a carícia ritmada em suas coxas e quadris.
Kamus se moveu lentamente sobre cada centímetro do corpo de Milo, em todas as direções, até que cada centímetro da pele do senhor de Berkehell tivesse sido aquecida e umedecida pelos seus beijos e carícias...
Sentiu o coração aquecer ao perceber que Milo voltava a ficar excitado e arqueava o corpo num convite, desejando tê-lo dentro de si.
A tatuagem negra no corpo de Milo o excitava, a textura da pele, a consistência dos músculos do escorpião pressionados junto aos seus... Antes, não reparara nessas coisas, sedento que estava para possuí-lo.
No entanto, agora, olhava-o intensamente, memorizando cada detalhe, cada som, cada pulsar da pele... Era inexplicável o frêmito do desejo, mas acima dele, a força embriagante de sentimentos tão profundos vivenciados com alguém que acabara de conhecer. Porém, nem mesmo isso impedia que se perdesse no olhar cálido, no corpo enlouquecedor e na boca faminta...
Milo balançou a cabeça, descontroladamente, quando Kamus beijou a cavidade na base do seu pescoço e deslizou a sua ereção que já doía de tão túrgida no corpo quente abaixo do seu.
O corpo de Kamus estava brilhando de suor e ele estava no limite, mas queria dar prazer a Milo de forma que o acontecido, anteriormente, não sobrepujasse o que acontecia agora. Olhou-o nos olhos vendo a excitação retornar com tanta força quanto antes...
O pedido mudo nos belos olhos azuis para que aquela tensão insuportável fosse finalmente saciada fez Kamus sorrir e receber um sorriso de volta. Então, com um movimento longo e deliberadamente lento, o penetrou com os dedos, movendo-os devagar enquanto mordiscava os lábios grossos e colava seu corpo ao dele...
Milo gemeu e começou a tremer, respirando descontroladamente cada vez que os dedos longos se aprofundavam e o tocavam num ponto onde o prazer acenava com ondas que o faziam mover o corpo de encontro à mão de Kamus.
Sentindo que Milo já estava chegando, novamente ao clímax, Kamus retirou os dedos e se posicionou para penetrá-lo. Ele se esforçou para não dar vazão à urgência alucinada que tinha em afundar-se no corpo quente de Milo. Sua ereção latejava de tal forma que todo o seu corpo ansiava pela fusão, pela intimidade única que desfrutava com aquele homem e que o fazia agir e cobiçar coisas, nunca antes desejadas...
Calma... Kamus disse a si mesmo, enquanto o penetrava devagar e recuava quando o via franzir os olhos de dor. Porém, inesperadamente, Milo se agarrou aos ombros largos e escorregadios de Kamus, sussurrando para que o preenchesse com força, impelindo seu corpo contra o dele e olhando-o com os olhos lúbricos.
– Não quero machucá-lo... – sussurrou Kamus, beijando-o.
– Não vai me machucar... quero que me devore, lobo... – gemeu Milo entre o beijo.
Diante do pedido, o olhar de Kamus encontrou o de Milo e o capturou como se um laço mágico os houvesse prendido. Ele moveu os quadris com força e o preencheu completamente arrancando um ofego de prazer e dor. Milo sorriu e enroscou as pernas em torno das dele e arqueou ainda mais o corpo para receber as investidas ritmadas e profundas dentro de si.
Enquanto estocava, Kamus deslizava sua boca pela mandíbula de Milo até a sua garganta e provava do suor salgado que se depositava na pele bronzeada e ardente. Os movimentos eram intensos, mas o que os conectava era o olhar. Um olhar profundo que parecia enfeitiçá-los com uma emoção primitiva e transcendente.
Ele se afastava e mergulhava repetidamente, ouvindo o ritmo dos gemidos de Milo, guiado pelas mãos dele, a boca, os olhos, o sibilo do ar entre seus dentes...
Seu próprio prazer gritava, no interior quente e apertado, exigindo a liberação, arrancando de seus lábios gemidos tão intensos quanto os que ouvia. Mas, deleitava-se em reprimi-lo, enquanto levava Milo mais perto do clímax e sentia-o entregar-se com avidez e desespero.
Um ardor desmedido inundava Milo a cada estocada do corpo de Kamus e se acumulava em sua pele, ossos, músculos, esperando, ansiando pela satisfação. Ele ergueu o corpo em resposta àquele frenesi que o arrebatava para um sentimento tão intenso que se repetia infinitamente, empurrando e empurrando contra a barreira que separava corpo de espírito, alma de alma, a barreira que seria derrubada no compartilhar do prazer absoluto...
O prazer se acumulava nos dois corpos até não haver lugar para mais nada. Kamus mergulhou mais rápido e forte... O falo rijo empurrando e sendo engolfado pelas profundezas escuras até explodir em um jorro quente e abundante que se uniu a um grunhido longo e rouco escapado da garganta.
Sentindo o calor e a umidade preenchê-lo, Milo gritou e cravou os dedos nas nádegas de Kamus liberando seu prazer no abdome colado ao seu. Uma explosão de calor e luz, de amor e êxtase, e o desejo louco de ser tanto a si próprio como o outro se revelou nos olhos azuis ainda conectados aos rubros...
Ofegantes e estonteados, os dois ficaram abraçados com as testas unidas e as bocas próximas. Kamus sorriu, seu corpo embriagado pelo orgasmo intenso, e buscou os lábios de Milo que também sorria. Beijaram-se e riram em meio ao beijo, uma alegria genuína brincava nos lábios que se tocavam devagar e depois com mais intensidade.
Ficaram deitados em silêncio, numa deliciosa intimidade. Milo com a cabeça aninhada contra o pescoço de Kamus enquanto ele o puxava para bem perto de si.
Milo podia sentir o ritmo forte das batidas do coração do senhor deIrġielkiesaħ, a expansão do tórax a cada respiração e o aroma do sexo permanecendo entre eles. Suspirou, sentindo que seu corpo e seu coração jamais esqueceriam o que acontecera entre eles e que breve, teriam de se separar.
Enquanto isso, Kamus pensava que Milo era muito mais do que ele pensava e até do que ele merecia. Afagou os cabelos loiros e permitiu-se acolher aquele novo sentimento que invadia, sem piedade, o seu coração, mesmo que soubesse que estavam com o tempo contado...
– Gosto dos seus cabelos... e também desta cicatriz. Parece a garra de um animal... Acertei? – disse Milo enrolando um fio de cabelo ruivo entre os dedos e quebrando o silêncio para não ser engolido pela angústia que começava a oprimir seu peito. – Deve ter sido uma luta e tanto, mas dá um ar especial ao seu rosto.
Kamus olhou-o, franzindo o cenho.
– Acha mesmo? Ninguém aqui pareceu ligar muito prá isso. Foi um urso e o cacei para... dar de presente ao meu pai. Foi há muito tempo... – respondeu Kamus.
– Mas foi importante para você. – disse Milo tocando a cicatriz no rosto de Kamus. – Se fizer alguma diferença, saiba que ela o deixa viril, lobo e, me... excita. Saber que terei um aliado com esta coragem é mais tentador que qualquer outra coisa. – Falou Milo sorrindo de forma sensual.
– Sei que já disse que sempre me surpreende, senhor de Berkehell... Mas, reintero esta afirmação e me sinto honrado em ser seu... aliado. – falou Kamus sorrindo de forma aberta, como jamais fizera em seus 18 anos.
– Fico feliz de não ser comum aos seus olhos, senhor deIrġielkiesaħ e também de tê-lo...ao meu lado na batalha.– respondeu Milo enlaçando o pescoço de Kamus.
Kamus puxou Milo para si e o beijou, colocando no ato o sentimento que já não podia mais esconder. Beijaram-se como se estivessem sozinhos no mundo e deixaram os medos e angústias para depois.
Amaram-se, ainda mais uma vez, naquela manhã enevoada e fria. Os criados estranharam a falta de seu senhor que ficou todo o tempo trancado com o senhor de Berkehell.
Hilda continuava seu trabalho como se nada de anormal estivesse acontecendo. Sabia que Kamus estava diferente e que algo acontecia entre ele e o senhor de Berkehell. Mesmo nutrindo o desejo de ser esposa do senhor do clã, não deixava de ser interessante que, enquanto nutrisse interesse por outro homem, ele não estaria aberto aos avanços de outra mulher... Principalmente, dos avanços dela, a cadelinha real que já manifestava os primeiros sinais de histeria... Morda-se de inveja, Saori... Pensava Hilda sorrindo sozinha.
Como prevera Hilda, instantes depois, Saori entrou esbaforida e perguntou com os olhos arregalados:
– É verdade que eles estão trancados no quarto fodendo?
Hilda olhou-a bem dentro dos olhos e respondeu com um visível prazer:
– Fodendo, não. O que o senhor Kamus está fazendo com o senhor de Berkehell, minha cara Saori, é... amor!
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– Me chamo Shaka Deependra e sou o senhor de Irmied. – respondeu o loiro sentindo a pressão forte em seu pulso.
– Perdoe-me... – sussurrou Ikki, soltando o braço que, agora, exibia as marcas dos seus dedos.
– Passou por um momento delicado e é natural que se sinta confuso e desconfiado. Mas, está entre amigos e faremos o possível para que se recupere depressa.
– Meu irmão... ele...ele foi levado...
– Eu vasculhei além das fronteiras de Irmied. Encontrei aqueles que matou e também a reminiscência daqueles que sobreviveram e levaram seu irmão. Ele está vivo, é só o que posso dizer.
– Eu preciso ir atrás deles! Eu...
Ikki fez uma careta de dor e Shaka, mais uma vez tocou no centro de sua testa, fazendo-o cair em um sono sem sonhos.
– Durma, Ikki, protegido da Fēnikss. O destino de teu irmão nos escapa... Rezo para que ambos sejam fortes e estejam preparados para o que virá... — disse o senhor de Irmied cobrindo Ikki com o cobertor.
Assim que Shaka murmurou algo, Aiolia surgiu no aposento. O rosto expressava angústia e ele estava com os punhos fechados.
– Mu está agindo de forma diferente comigo! Disse também que devemos nos afastar e que o senhor desejava falar comigo. – falou o leonino com um tom agressivo.
– Não aqui, filho de Regulus. O que tenho a dizer-lhe deverá ser feito em outro lugar.
– Pois que seja, vamos para esse lugar!
– Primeiro, acalme-se e baixe o tom de voz. Não é mais uma criança, Aiolia e já está na hora de decidir. Aguarde o meu chamado na cachoeira de ujëvarë. Aproveite a água fria e esfrie a cabeça. A conversa que teremos exigirá maturidade e posicionamento, portanto, prepare-se. – falou Shaka dando as costas à Aiolia.
Aiolia conteve o ímpeto de gritar, pois quando Shaka falava naquele tom, ninguém era capaz de questioná-lo ou desafiá-lo. Sentiu-se tolo e infantil, mas a verdade era que nunca desejara assumir o lugar de Aioros e o exílio em Irmied lhe dera o que seu coração sempre ansiara.
Ali descobriu a paixão, a sexualidade e a paz de não ter de submeter-se ao pai ou ao reino. Agora, parecia que tudo desmoronava, principalmente, porque se esperava dele que retomasse um poder que lhe causaria a pior dor desde a morte de seu irmão: abdicar do amor que lhe era tão vital quanto respirar. Teria de deixar Mu e não tinha a mínima vontade de fazê-lo.
Notas finais
MEL_DARK, CHAKAL MALDITO, KASSIMINHA, JCOSTA, PERSEFONE_SAN, JCOSTA, SION NEBLINA, VANESSA, CIÇADF, PERSEPHONE, VICTTORIA e quem mais chegar!!! À vocês o meu MUITO OBRIGADA!!! BJS, XD
*** O pensamento de Shaka escrito em itálico, neste capítulo,foi retirado do anime mesmo, ou seja, não me pertence. Fiz isso porque achei tão pertinente ao momento que o reproduzi.
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