Trono De Sangue
31 Capítulo 31 TRÉGUA EM MEIO AO CAOS...
Notas iniciais
“ Frjósa“! ( Congele)
A palavra dita num tom imperioso e grave ecoou, deixando todos estupefatos por alguns segundos. Segundos esses que foram aproveitados por Kamus e Milo numa sincronia perfeita. O senhor de Berkehell disparou a flecha certeira que transpassou o coração de Aiacos, enquanto o senhor de Irġiel kiesaħ moveu a espada que decepou-lhe a cabeça.
Um brado de vitória irrompeu das bocas cansadas, ao ver a morte do jovem general, enchendo o ar e tornando-o eletrificado. Enquanto o corpo de Aiacos despencava rumo ao chão arenoso, Kamus desmontou do seu garanhão e foi saudar seu irmão que era olhado com reverência e curiosidade pelas tropas.
— Irmão... Mais uma vez lhe devo a minha vida. – disse o senhor de Irġiel kiesaħ.
— É uma honra da qual jamais abrirei mão, Kamus. – respondeu Hyoga com um sorriso orgulhoso.
Milo estava longe, mas bateu os calcanhares na barriga do cavalo e disparou rumo ao local onde Kamus e Hyoga se encontravam. Ao chegar desmontou de forma rápida e estancou ao ver que o jovem mago havia se tornado um adulto.
— Hyoga?
— Senhor de Berkehell... – falou o jovem fazendo uma reverência com a cabeça.
— Pelo deus Sombrio, você se tornou um homem! Como isso aconteceu? Você tem a mesma idade que o Shun...
Uma sombra nublou o olhar cristalino de Hyoga, porém o jovem mago tentou sorrir e responder sem transparecer suas inquietações.
— Estamos em tempos de guerra. Certas providências se tornaram necessárias e meu amadurecimento, também.
Com o cenho franzido, Milo percebeu que aquele assunto era delicado, então abriu seu habitual sorriso e colocou o braço sobre os ombros de Hyoga.
— Então, seja bem-vindo! Muito bem-vindo, aliás!
Kamus olhou para Milo e sorriu, depois ambos rumaram em direção às suas tropas, enquanto alguns soldados se incumbiam de colocar o corpo de Aiacos em uma padiola.
As tropas do general morto dispersaram como moscas sem rumo,recuando em desespero ao ver-se sem comando. Os homens de Kamus ainda os perseguiram um pouco, depois voltaram ao seu senhor.
O resultado da batalha fora favorável à Berkehell e Irġiel kiesaħ. Ambos haviam tido perdas, mas a contagem final lhes dera a vantagem na batalha. As armaduras desgastadas, armas quebradas, estandartes rasgados, tudo se mesclava à chuva fina que agora começava a cair sobre os soldados.
Milo ergueu o arco e chamou a todos para comemorar dentro da fortaleza. Trombetas soaram das muralhas, anunciando a volta dos vencedores e havia um clima festivo, mesmo quando os contadores de mortos foram fazer o seu trabalho.
O senhor de Irġiel kiesaħ exibia uma postura altiva e seus homens estavam silenciosos. Era de praxe mostrar-se respeitoso com aqueles que haviam perecido e também lembrar que era apenas o primeiro confronto. Outros ainda viriam somar-se a esse e tinham que estar preparados.
— Vencemos, mas sei que é somente a primeira. – disse Milo para Kanon que se aproximava dele com um olhar cheio de orgulho.
— Sim, somente a primeira. Mas temos aliados destemidos como o... senhor de Irġiel kiesaħ. – falou Kanon olhando, atentamente, para Milo.
— Kamus é mais que destemido, ele é...
— O homem que você ama.
Milo encarou Kanon com um olhar aquecido pelo sentimento que nutria por Kamus. Não era, apenas, paixão e desejo, mas um amor profundo que o fizera amadurecer em pouco tempo.
— Sim, amo. Amo e respeito. Sou um homem de sorte, meu caro general. – disse Milo com um sorriso.
— O senhor de Irġiel kiesaħ também é, meu senhor. – falou Kanon.
O sorriso de Milo se ampliou e ele tocou o ombro do general que sempre o orientara e preparara para este momento.
— Vamos comemorar, meu amigo e intrépido general! – disse o senhor de Berkehell.
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Imerso na escuridão, Hades sentia em sua pele e veias a derrota na batalha contra os dois senhores mais fortes de Darneheim. As vozes em desespero, a morte de Aiacos... tudo reverberava em seu corpo como uma chaga dolorosa.
Pandora sabia do resultado do confronto e também que a sua intervenção fora providencial para a primeira derrota significativa de Hades. Uma única lágrima solitária escorreu do seu olho esquerdo e ela limpou, delicadamente, antes de voltar-se para a janela que exibia a claridade acinzentada do dia.
Uma chuva caía sobre a grande pirâmide negra, deixando-a ainda mais evidente, enquanto uma peregrinação de vozes com seus cânticos monótonos se aproximava dela. Foi nesse momento que Pandora escutou a voz de uma das criadas:
— O senhor Radamanthys de Wyvern e o senhor Valentine de Harpia anunciam a sua chegada, minha senhora.
— Mande-os entrar. – disse Pandora.
Quando Radamanthys entrou e pousou os olhos em Pandora, ele percebeu a mudança significativa no semblante delicado. Ela não era a mesma mulher que o beijara e pedira ajuda. Era outra pessoa, mais dura e amadurecida apesar de conservar os traços juvenis...
— Minha senhora... – disse o general curvando-se.
— Seja bem-vindo, general. Meu irmão o aguarda. – falou Pandora com um tom frio e impessoal.
Radamanthys olhou para Valentine.
— Fique aqui. Preciso falar às sós com o senhor Hades.
Valentine concordou com a cabeça e permaneceu no salão. Pandora ainda olhou, uma última vez para Radamanthys e ele percebeu-lhe também a tristeza. Alguma coisa havia acontecido com a criança e, foi com horror que ele soube em sua mente, o que Hades havia feito.
Quando Radamanthys pediu permissão para entrar, Hades depositou os olhos frios como as pedras da pirâmide negra em seu subordinado.
— Enfim, você veio. – disse ele e sua voz estava rouca e profunda.
— Sim, meu senhor!
— O senhor de Irmied deixou-o livre para afrontar-me. No entanto, somente você pode realizar aquilo que pretendo. Somente você tem o perfil e a força necessária, meu caro general...
— Minha honra maior sempre será servi-lo, meu senhor.
Hades levantou-se da cadeira e Radamanthys percebeu que ele estava diferente. Não sabia o quê, especificamente, porém havia uma densidade palpável e uma opressão no semblante e no modo com que Hades se movia e falava.
— Aiacos perdeu uma importante batalha. Está morto. Você irá liderar o próximo ataque, mas para isso, deverá passar por uma transformação.
Radamanthys franziu o cenho, mas se manteve firme.
— E que transformação seria essa, meu senhor?
Um sorriso maquiavélico dançou nos lábios finos de Hades.
— Aquela que o fará parte de mim e do poder que reside em mim. Por hora, descanse e aguarde.
— Sim, meu senhor.
Quando voltou ao salão, Radamanthys olhou, mais uma vez, para Pandora. Ela o encarou, agora de maneira intensa e desafiadora. Depois desviou e chamou uma das criadas:
— Leandra, providencie um banho e, também, comida e bebida ao general e seu subordinado. Depois retorne que tenho outras instruções para lhe dar.
A criada fez uma reverência e deixou o salão. Radamanthys tentou aproximar-se, porém Pandora sinalizou para que saísse.
— Perdão, senhora, mas desejo somente saber se... A senhora está bem? O que aconteceu na minha ausência? Eu tenho um pressentimento que...
— Aconteceu o que eu temia. Mas, agora não importa mais! Vá com Leandra. – disse ela.
Radamanthys fez uma reverência e deixou o salão, sentia-se mortificado por dentro como se houvesse falhado. No entanto, sua lealdade à Hades também era forte, criando uma dicotomia dentro de si.
Pandora tornou a olhar a paisagem cinza e seus olhos adquiriram uma opacidade surreal... Ela viajou para tempos em que a inocência ainda existia em seu coração e mais lágrimas surgiram em seus olhos, no entanto ela as engoliu e permaneceu forte e ereta. Era só uma questão de tempo até o grande final. Pensou, enquanto voltava à realidade presente e se preparava para encontrar Hades.
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Hyoga adentrou a fortaleza na garupa do irmão. Estava ansioso e sentia um leve tremor interno. Como Shun o veria? Seria um choque ou uma surpresa agradável? Ele ainda se lembraria dele com os mesmos sentimentos de antes?
Kamus percebeu o receio do irmão e sorriu. Mesmo tendo se tornado um adulto, em seu coração, Hyoga ainda era jovem e inexperiente.
— Não tema, irmão. Pelo que posso perceber, ele está tão ansioso quanto você. – murmurou o senhor de Irġiel kiesaħ.
Shun descia as escadas correndo. A notícia que um poderoso mago havia salvado o dia havia se espalhado como um enxame de abelhas e o jovem sentia uma excitação muito forte dentro de si. Quando enfim, viu Hyoga junto de Kamus, seu coração disparou e, ao mesmo tempo, pareceu estancar dentro do peito.
— Hyoga... – disse ele baixinho, mas parecendo que havia gritado, porque o loiro, naquele exato instante, olhou na sua direção e fitou-o com seus cristalinos olhos azuis.
Um sorriso nervoso distendeu os lábios de Hyoga, ao mesmo tempo em que Shun também sorriu. Um calor espalhou-se dentro do peito do jovem mago e ele desmontou. A forte conexão existente entre os dois foi percebida por todos e um silêncio respeitoso se fez presente em meio à chuva fina...
Os dois ficaram frente a frente e Hyoga olhou para Shun com reverência e saudade. Shun devolveu o olhar e, num ímpeto, atirou-se nos braços do jovem mago, apertando-o com força.
— Hyoga!
— Shun... – murmurou o loiro, aliviado, fechando os olhos e estreitando-o junto a si.
Houve um pequeno murmúrio que logo se dispersou quando Milo falou em alto e bom tom que haveria bebida, música e comemoração. Kamus olhou para Hyoga e acompanhou o senhor de Berkehell sob os gritos alegres de vitória! Vitória!
— Você está diferente, mais adulto, enquanto eu...
— Eu passei por profundas transformações, mas em meu íntimo, continuo o mesmo e... sinto o mesmo por você.
Shun sorriu e tocou o rosto de Hyoga.
— Mesmo eu parecendo um pirralho?
— Você não parece um pirralho... Continua lindo, tão lindo como eu me lembrava... Passaram- se anos, Shun, mas aqui, em meu coração, ainda pulsa o que eu senti ao encontrá-lo, pela primeira vez.
— Você disse que quando nós nos reencontrássemos, seríamos amantes... – falou Shun com um rubor no rosto.
— Sim, eu disse.
— E isso... também não mudou? – arriscou Shun.
— Não.
Os olhos infinitamente verdes de Shun se fixaram nos olhos de Hyoga, percebendo no azul claro uma chama ardente que reluziu ao fundir-se ao seu olhar. Um estremecimento percorreu ambos os corpos e pela primeira vez, as bocas se encontraram em um beijo suave, a princípio, para depois evoluir devagar para algo íntimo e excitante para ambos.
A meiguice de Shun vinha junto com uma língua tímida e aconchegante, fazendo Hyoga corresponder e enroscar a sua na dele, deixando o instinto direcionar-lhe as ações, sentindo-se imensamente bem explorando todos os cantinhos da boca do outro.
Os dois ficaram um bom tempo se beijando e rindo, com Hyoga percebendo-se como homem e, ao mesmo tempo como o adolescente que fora, tempos atrás.
Quando o ar ficou rarefeito, as bocas se afastaram e ambos ficaram com as testas unidas e a respiração quente.
— Eu sempre quis saber por que meus irmãos gostavam tanto de beijar. Agora eu sei. – disse Shun.
— Eu também... Vem, vamos nos juntar aos outros ou começarão a nos procurar. – falou Hyoga pegando Shun pela mão.
Os dois riram com cumplicidade e caminharam até o salão onde a festa já começara. Tochas acesas imprimiam desenhos nas paredes e, embora ainda fosse dia, o clima sombrio propiciava que houvesse iluminação interna. Comida e bebida foram servidas de modo a saciar, mas ainda com moderação. A guerra não havia terminado e estava, apenas, começando. Comemorar a vitória era, apenas, um meio de agradecer a coragem e disponibilidade de todos.
Havia uma música no ar, algo rítmico e sensual como era o clima em Berkehell. Duas mulheres começaram a dançar e logo havia um grupo cantando alto e sorrindo como se nunca mais houvesse perigo de morte.
Milo estendeu sua taça para Halona que servia com um sorriso largo no rosto rechonchudo. O vinho era acrescido de especiarias típicas do lugar e diziam que elas emprestavam um sabor afrodisíaco aos amantes que os desfrutassem juntos...
Ao provar um gole, Milo encarou Kamus que fora servido por Cersi. Os dois se olharam de forma que pareciam embriagados, não com a bebida e sim pelo que sentiam um pelo outro.
— Vou me retirar, mas desejo que a festa continue. – disse o senhor de Berkehell para Kanon que estava ao seu lado na mesa.
— Será feito como deseja, meu senhor. – respondeu o general compreendendo a saída de Milo.
Sincronicamente, o senhor de Irġiel kiesaħ também levantou-se da mesa, após cochichar algo no ouvido do irmão. Hyoga assentiu e sorriu, enquanto continuava de mãos dadas com Shun.
Ikki observava seus dois irmãos sorrindo e sentia uma inveja branca. Quisera ele, também, rever aquele que amava. Seu coração e seu corpo sentiam a falta do olhar doce e severo do senhor de Irmied, da forma imperiosa com que agia como líder e do jeito tímido e, ao mesmo tempo ardente, com que se entregava na cama...
Suspirou e sorveu mais um gole de vinho, enquanto Milo e Kamus caminhavam rápido pelos corredores longos e adentravam o quarto do senhor de Berkehell.
Os dois entraram no aposento amplo e decorado com simplicidade. Ali estavam duas poltronas de couro, uma escrivaninha, uma lareira esculpida na pedra e a cama larga. Milo puxou Kamus para perto de si, encostando a testa na dele e pegando a mão fria e calejada do ruivo.
— Eu não aguentava mais... Queria você em meus braços desde o término daquele maldito combate! – disse Milo.
— Eu também... – respondeu Kamus roçando a boca nos lábios do amante e depois inserindo a língua dentro da boca que se oferecia a si.
Milo, prontamente, se excitou... um calor subindo pelo corpo, o coração acelerando, a respiração saindo do controle, o membro endurecendo. A vontade de sentir mais da pele e da língua de Kamus em si fazendo-o esfregar-se no corpo do amante como se sua vida dependesse desse contato.
Os dois se deitaram na cama e Kamus enfiou as mãos por baixo da camisa de Milo, tocando os mamilos que endureciam, enquanto continuava a enfiar a língua, sensualmente, dentro da boca do outro... O senhor de Berkehell começou a gemer, involuntariamente, sentindo o calor aumentar e a roupa ficar apertada demais...
Kamus o ajudou a tirar a camisa, deliciando-se com o peito bronzeado e os mamilos escuros. Tocou-os com os dedos e com a língua, e Milo jogou a cabeça para trás, deliciado com o calor da boca e a voracidade da língua de Kamus em si.
O senhor Irġiel kiesaħ fazia tudo devagar, deliciado em dar prazer ao amante, lambia o pescoço, roçando os caninos de leve, enquanto massageava o membro de Milo, ainda preso na calça que não fora tirada. O movimento circular e lento fazia o loiro gemer e puxar Kamus para perto, enquanto tentava baixar as calças e sentir a mão do ruivo em sua pele e não sobre a roupa.
— Não me torture, lobo... – gemia Milo.
Sorrindo, Kamus levantou-se e ajudou Milo a se livrar das calças e, em seguida, se despiu por inteiro, deixando Milo ofegante com a visão do seu corpo trabalhado e com as cicatrizes que adquirira em combate. Sendo forjado como guerreiro desde cedo, o corpo do ruivo era como uma das esculturas dos muitos deuses espalhados por Darneheim e agora ele deitava-se sobre o corpo de Milo, olhando-o daquele jeito que fazia o senhor de Berkehell sentir-se tão desejado, tão especial...
— Eu adoro esse seu corpo quente, Milo... — disse Kamus mordendo o lábio inferior, a voz carregada de sensualidade e desejo.
— Então vem... Vem prá dentro de mim e rápido... — gemeu Milo fechando os olhos e abraçando Kamus com paixão.
Os corpos se uniram, num abraço longo e apertado, fazendo Milo sentir a ereção de Kamus pulsar e vice-versa. Os dois sorriram um para o outro, enquanto as mãos afoitas, de ambos, desciam pelos contornos dos corpos, apertando, amassando, sentindo a firmeza da carne que vibrava e suava com o ardor desencadeado em ambos...
As mãos de Kamus tocavam com tanta precisão o seu corpo, que Milo sentia a boca seca e a respiração falhar a ponto de exigir que ele respirasse de boca aberta. Entretanto, foi quando a cabeça do ruivo deslizou para o meio das suas pernas que ele contorceu-se em desespero ao sentir a boca de Kamus envolvendo seu membro. Gemeu sem controle, fechando as mãos com força, sentindo o corpo mover-se por si, os quadris projetando-se na direção do calor úmido da boca do amante.
Sentindo isso, o senhor Irġiel kiesaħ começou a lamber e chupar devagar, sorrindo por dentro em ver Milo se desesperar e gemer o nome dele...
Kamus continuou, passando a língua na glande e sugando a excitação que surgia, úmida e abundante. Intensificou os movimentos, fazendo um som estalado com o maxilar, enquanto subia e descia a boca com visível prazer, deixando Milo enlouquecido, o corpo começando a tremer, as mãos buscando o corpo do ruivo, apertando com força os ombros fortes...
Um gemido alto, um movimento convulso e Milo gozou na boca do amante. Kamus sorveu o sêmen quente, tendo o cuidado de passar os dedos nos lábios, encharcando-os e introduzindo-os na entrada do loiro e movendo-os, devagar...
Entorpecido pelo prazer, Milo sentiu os dedos dentro de si e gemeu um pouco mais, enquanto Kamus se aproximava e o beijava, quase o devorando.
— Gosto disso... – sussurrou o ruivo, movendo os dedos dentro de Milo, tocando a próstata, aumentando a excitação do outro e preparando-o para a penetração...
Momentos antes, quando tinha feito amor às pressas, nada disso fora possível, mas agora queria minimizar a dor inicial da invasão, queria dar prazer e somente prazer ao fogoso escorpião.
Levando o falo à entrada pulsante, Kamus sentiu-a menos resistente, mas ainda fechada e buscou a boca arfante de Milo sussurrando em meio aos beijos profundos, mordiscando o pescoço que se arrepiava aos seus toques e fazia o loiro gemer cada vez mais alto...
— Eu te quero tanto, Milo... Tanto... — dizia ao ouvido do amante, enquanto forçava a entrada e controlava o relaxamento dos músculos ao lhe dar passagem, enfiando devagar e com muito cuidado.
Milo gemia e apertava os lábios, a dor inicial evanescia junto das palavras e carícias que Kamus imprimia a si. Passada a resistência inicial, Kamus aprofundou-se dentro de Milo, soltando um gemido extasiado e tocando-o no fundo, fazendo-o gritar rouco, tomado pelo prazer.
— K-Kamus... Ahh...Kamus..
Cuidando as expressões no rosto de Milo, Kamus moveu-se, um pouco mais, estocando devagar, sentindo-se apertado, gemendo junto... Seu olhar lupino e rubro registrava cada movimento dos lábios, da respiração, do olhar febril do amante que o puxava para dentro de si...
Logo, ambos intensificaram os movimentos, com Kamus puxando Milo pelos quadris de forma possessiva e feroz, enquanto Milo agarrava-se às suas costas, enlaçando-o com as pernas, recebendo o membro em estocadas fortes e profundas.
Os dois gemiam alto e puxavam o ar, os corações batendo como tambores, os corpos se chocando como se quisessem virar um só...
O suor, o prazer e as peles que reluziam anunciavam o orgasmo premente que lhes cavalgava o corpo em cumplicidade e sincronia... Milo arqueou as costas e gritou alto quando o gozo intenso o atingiu e ele derramou-se no tórax de Kamus.
Segundos depois, era a vez do senhor de Irġiel kiesaħ que urrou ao gozar no interior do corpo quente e pulsante de Milo. Seu corpo estremecendo, enquanto suas mãos afundavam na carne rija e quente do senhor de Berkehell.
Os dois sentiram o forte espasmo e arquejaram até esgotar o convulsionar do clímax intenso. Ficaram abraçados ainda gemendo, até Kamus deitar-se ao lado de Milo e puxá-lo para junto de si.
Enroscados, os corpos suados e quentes estreitavam aquele laço indestrutível do amor que sentiam pelo outro. Um sorriso delicioso dançava nos lábios dos dois. Milo encostou a cabeça no pescoço de Kamus e beijou aquele pedaço de pele alva, porém efervescente.
— Ah... Lobo... Se eu morresse nesse exato instante, morreria feliz. – disse Milo, ainda ofegante.
— Eu não te deixaria partir... Nada pode nos separar, Milo nem mesmo a morte. – falou Kamus e mais uma vez beijou os lábios avermelhados e ainda arfantes do senhor de Berkehell.
— Eu vou cobrar isso, heim? – falou Milo entre o beijo.
— Pode cobrar... – respondeu Kamus colando seu corpo ao de Milo e fazendo-o sentir uma nova ereção se formando...
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No salão a festa continuava. Todos bebiam e comemoravam. Shura estava um pouco alto e Shiryu observava-o, de vez em quando. Então o general aproximou-se dele e sorriu.
— Um brinde, meu amigo! Devo-lhe a minha vida.
— Não me deve nada, general. Somos companheiros de batalha e sei que faria o mesmo por mim. – disse Shiryu que não estava bebendo.
— Não está bebendo... Por quê?
— Não sou muito afeito ao vinho com especiarias. Prefiro uma cerveja escura.
— Então venha comigo... – disse o general.
Franzindo o cenho, o jovem tenente levantou-se e acompanhou Shura que o levou até uma despensa. Ali jazia um barril de cerveja escura e alguns outros de vinho. O general aproximou-se, colocando o indicador nos lábios e fazendo psiu!
— Pronto, uma cerveja escura para o meu tenente e... amigo fiel! – disse Shura vertendo o líquido escuro no cálice em que bebera o vinho.
Shiryu olhava a ação de Shura com toda fleuma e paciência do mundo. O general estava bêbado, mas ainda assim tentava agradá-lo, mesmo misturando o sabor das bebidas naquele cálice.
— Obrigado, general. – disse o tenente aceitando a taça levada na sua direção.
Shura olhou-o bem dentro dos olhos. Shiryu era sempre tão sério e distante. Pouco sorria... Aproximou-se dele e tocou-o nos ombros.
— Sabe... Muitas vezes eu desejei a morte, mas agora quero estar vivo quando Hades for deposto e Aiolia assumir o lugar que é seu por direito. Ninguém, além de Shion, sabe que amei Aioros com todas as minhas forças e meu coração. Agora você também sabe... Devo isso a ele, preciso estar vivo para honrá-lo uma última vez. Depois... Depois o Senhor das Almas pode dispor da minha vida como bem quiser.
O coração de Shiryu ficou apertado, mas ainda assim ele olhou bem fundo nos olhos escuros de Shura.
— É um homem honrado, general. Creio que onde quer que esteja Aioros, ele sabe que já o honrou com o seu amor e dedicação.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Shura e ele abraçou seu tenente com força e foi acolhido com igual comoção. Shiryu fechou os olhos e se permitiu sentir o calor do corpo do homem que amava naquele contato único.
Afrodite que vinha verificar a despensa encontrou os dois abraçados e deu meia-volta, indo por outro caminho que também dava passagem ao grande salão. Foi aí que encontrou Máscara da Morte sozinho e sentado no parapeito da janela. Ele tinha uma taça de vinho nas mãos e observava o céu escurecido pelas nuvens acinzentadas. Observou-lhe o perfil, notando, mais uma vez, a beleza rústica e máscula daquele homem atrevido. Desviou o olhar e tentou voltar sem chamar a atenção, porém a voz grave e profunda se pronunciou:
— Pode passar por aqui, eu não mordo, senhor dos venenos.
O loiro estancou e encarou Máscara da Morte que nem sequer havia se virado. Ele continuava olhando o céu de forma contemplativa.
— Como sabia que era eu? – perguntou Afrodite.
— Seu perfume... É um cheiro inconfundível e... inesquecível para um homem rude como eu.
— Mas eu não estou usando perfume...
— A sua pele... ela tem um cheiro de flor misturado com outra coisa que eu não sei o que é, mas é bom, único e diferente.
— Por que está aí sozinho? – perguntou Afrodite tentando desconversar e não deixar Máscara perceber que o comentário que fizera mexera consigo.
— Porque eu sou sozinho. Nesta vida, meu caro senhor, nascemos e morremos sozinhos. Estou me permitindo desfrutar dessa solidão, enquanto ainda respiro.
Afrodite se aproximou mais e viu que Máscara sangrava na cabeça. De imediato, venceu a distância entre os dois e tocou-o no rosto, olhando com atenção.
— Está ferido... Por que não tratou disso antes? – disse ele com o cenho franzido e tocando bem perto do corte que começava no couro cabeludo e terminava sobre o supercílio esquerdo.
— Isso não é nada. – falou Máscara se afastando e sorvendo outro gole de vinho.
O loiro rasgou um pedaço da túnica que usava, ignorou a fala de Máscara da Morte, tomou-lhe a taça de vinho para molhar o tecido e voltou a aproximar-se do líder dos Carniceiros e começou a limpar o ferimento.
— Fique quieto! – ordenou ele com autoridade.
Máscara franziu o cenho, mas não se afastou. Deixou que o loiro limpasse e quando ele acabou e olhou bem dentro dos seus olhos, tomou coragem e o puxou para perto de si.
— Sabe o que é capaz de curar todas as minhas dores? – perguntou ele bem próximo aos lábios do loiro. – Isso... – ele mesmo respondeu e fechou os olhos, puxando Afrodite pelos longos cabelos com uma mão, enquanto a outra o segurava pela cintura, trazendo-o mais para junto do corpo.
Beijaram-se com ardor, as línguas provando uma da outra, os lábios molhados e quentes pela saliva que se depositava no queixo, no pescoço, no rosto todo... Por um instante, Afrodite parou o beijo e afastou o rosto, olhando Máscara nos olhos, a voz macia e sensual se pronunciando quase inaudível pelo desejo:
— Não... O que está fazendo? Você...
— Podemos morrer amanhã, loiro... Eu sempre quis sentir o seu gosto... E agora eu sei... ele combina com o seu cheiro, com essa beleza divina que só você possui. Pode me bater agora, mas saiba que esse beijo fez de mim, um homem feliz.
Afrodite sentia seu corpo latejando, suas emoções atropelando a costumeira atitude de manter todos longe de si. Aquele homem tinha razão, podiam morrer amanhã e ele jamais saberia... Jamais sentiria o que era o prazer e a paixão. Seus olhos continuaram conectados ao azul profundo de Máscara da Morte, a respiração alterada, os lábios delicados entreabertos... E sob essa enxurrada de sensações, a fala que mudaria a sua vida:
— Eu nunca deixei que ninguém se aproximasse, mas agora eu desejo saber como é... Faça amor comigo.
Ao ouvir as palavras de Afrodite, Máscara da Morte sentiu algo se expandir dentro de si, algo além do desejo forte, despertado pelos toques e pelo corpo do loiro. Era uma emoção intensa, como se nada mais importasse além daqueles olhos azuis e daquela mão macia tocando o seu rosto, fazendo-o sentir-se amado e desejado como nunca fora.
Máscara estendeu a mão, puxando Afrodite em direção a um dos aposentos livres da fortaleza. Havia um que estava na penumbra, apenas um castiçal esquecido tremulava em meio ao ar que entrava pela janela...
Atirou-se na cama arrumada e recebendo o corpo de Afrodite sobre o seu. Os dois se livraram das roupas, exibindo corpos perfeitos e diferentes... O moreno era musculoso, cheio de cicatrizes, enquanto Afrodite tinha a pele perfeita, sem nenhuma marca...
Máscara examinou o corpo esguio do loiro, achando-o lindo e começou a beijar as coxas perfeitas, subindo em direção a virilha, traçando uma rota de lambidas e mordidas, arrancando gemidos de prazer... Agarrou com força a bunda bem feita e mordeu as nádegas com vontade, deixando pequenas marcas e lambendo com prazer a pele sedosa... Afrodite gemeu e mexeu o corpo aumentando o tesão do guerreiro que agora não temia mais nada e desfrutava do prazer de ver corpo do loiro reagir daquela forma aos seus toques e carícias.
Segurou o rosto de Afrodite e o beijou, novamente, reiniciando o bailado das línguas afoitas, enquanto iniciava uma masturbação lenta e circular no membro do outro. Passou os dedos nos lábios entreabertos do loiro, fazendo-o molhá-los com a língua quente. Logo, colocou os dedos molhados na entrada de Afrodite, introduzindo-os devagar, ouvindo-o gemer baixo e remexer-se para aprofundar o contato.
Excitado, Afrodite exibia um olhar febril, os olhos úmidos e brilhantes, o rosto afogueado, sinal que fez Máscara da Morte posicionar-se entre as suas pernas, retirar os dedos e introduzir a ereção túrgida para dentro do outro, levantando um pouco o seu quadril e preenchendo-o de uma vez.
Afrodite gemeu de prazer e dor ao ser penetrado por Máscara que segurou-lhe firme a ereção e recomeçou a masturbação, enquanto se aprofundava mais e mais dentro dele. O loiro gemeu de forma profunda e o guerreiro também, ambos começando a perder o controle, tomados pela fome do desejo, movendo-se num ritmo forte, sôfrego, desatinado...
Máscara segurou os pulsos de Afrodite, puxando-o para si, fazendo-o sentar em seu colo, apertando as nádegas roliças, afundando-se mais dentro do corpo voluptuoso, deixando as marcas dos dedos na pele clara...
A forma como Afrodite o cavalgava, fazia a pressão em seu membro enlouquecê-lo mais e mais e Máscara estocou mais fundo, fazendo o loiro atingir o orgasmo e gritar rouco, explodindo na mão e no tórax do outro. Ao sentir o líquido quente banhá-lo e o corpo de Afrodite estremecer, derramou-se dentro dele, apertando-o junto a si, gemendo e sussurrando o que jamais havia dito a ninguém:
— Eu te amo...
Me ama?... Como pode me amar...?- falou Afrodite quase sem ar, com a cabeça apoiada no pescoço de Máscara da Morte.
— Não sei, talvez eu tenha sido envenenado por um certo alguém... – respondeu o guerreiro rindo e cheirando o pescoço suado do loiro.
— Veneno... Acho que posso conviver com isso. – falou Afrodite, também sorrindo e buscando os lábios do moreno para beijar de forma lenta e sensual.
Ficaram abraçados, com Máscara ainda dentro de Afrodite, sentindo o calor daquele corpo delicado e adorável... Pegou-se pensando, exatamente, assim,adorável... Uma palavra que não pertencia ao seu mundo, mas descrevia Afrodite com propriedade.
Em outra ala, Hyoga e Shun andavam de mãos dadas e o jovem sentia uma enorme alegria, mas também inquietação. Como será que seria quando ele e Hyoga fizessem amor? Seria nesta noite? Doeria muito ou seria prazeroso como os vários beijos que haviam trocado?Queria sentir, queria saber, mas também sentia medo...
O jovem mago sabia das inquietações de Shun, até mesmo porque eram as suas também. Sentia vontade de ter Shun, de aventurar-se pelos caminhos do desejo e do sexo, mas também temia ser cedo demais para aquele que amava. Afinal, ele ainda permanecia com a idade natural, enquanto ele evoluíra para adulto, mas sem vivenciar algumas experiências desta fase. Olhou para aquele que amava, encontrando a inocência e também o desejo nos grandes e expressivos olhos verdes. Tocou o queixo delicado e sorriu.
— Vamos sentar aqui. – disse Hyoga trazendo Shun para perto de si.
Shun encostou-se no peito forte e largo. Fechou os olhos e sorriu, acariciando a mão de Hyoga.
— Quer... ir até o meu quarto? – perguntou com timidez.
Hyoga sorriu.
— Quer que eu vá?
— Quero... Não sei se estarei vivo quando essa guerra acabar. – respondeu Shun.
— Só por isso?
— Não, também sinto vontade... Quero saber como é fazer amor com quem se ama.
— E você me ama?
— Amo. Você fez muito por mim, Hyoga. Desafiou seu irmão, depois enviou aquela Elemental para ajudar-me. Seu amor por mim me deu forças para suportar a dor e vencer a doença.
— Tudo isso pode ser, apenas, gratidão.
— Não. Também é gratidão, mas mesmo antes de tudo isso acontecer, eu soube que meu destino estava ligado ao seu. Eu te amo, Hyoga e foi esse amor que me ajudou a suportar tudo que me aconteceu.
O jovem mago olhou dentro dos olhos repletos de expectativa e amor. Shun ainda conservava o frescor da adolescência, a vivacidade em meio a todo o sofrimento que tinha vivenciado. Ele era lindo, amável e ainda tão puro.
— Vamos criar a nossa profecia... — disse Hyoga beijando os lábios de Shun. – Faremos amor quando Darneheim estiver livre e a era do usurpador tiver acabado.
— Mas... E se... Se Hades não puder ser vencido? – questionou Shun.
— Ele será. – afirmou Hyoga sem pestanejar.
— Você não quer fazer amor comigo. – resmungou Shun.
— Eu quero e muito, mas tudo tem seu tempo. Tanto para mim, quanto para você.
— Ou seja, você me acha um pirralho, essa é a verdade.
— Não, não acho. Mas, antes de levá-lo a dar esse passo, quero namorar e beijá-lo bastante. – disse Hyoga tomando os lábios de Shun com um beijo profundo.
Shun relaxou em meio ao beijo, embora também ficasse excitado. No entanto, o jovem gostou do modo cuidadoso com que Hyoga o tratou e sentiu-se, ainda mais abençoado, por amar e ser amado por um mago poderoso que queria ser seu namorado.
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Flocos de cinzas rodopiavam no ar, encontrando a chuva fina que ainda caía. O cinza leve mesclava-se com a água quase invisível, enquanto as tropas de Hades recuavam, buscando abrigo e uma orientação.
Shaka cavalgava na direção das tropas dispersas e logo percebeu que teria seu primeiro enfrentamento naquela guerra. Seu coração ficou oprimido e ele fechou os olhos, buscando uma solução que o impedisse de usar a força. Quanto mais a usasse, mais seria tomado pelo poder belicoso de seus ancestrais.
— Já estamos perto. Aiolia, fique junto de mim. – disse o senhor de Irmied.
Aiolia tocou na espada e ficou alerta. Em seguida, ouviu os cascos dos cavalos e percebeu que uma horda vinha em sua direção. Shaka elevou a mão direita, como se estivesse acenando. O jovem líder permaneceu ao seu lado e testemunhou algo inacreditável, os soldados de Hades passaram rente a si sem os ver. Murmuravam palavrões e estavam em frangalhos. Armas quebradas, elmos amassados, cavalos estropiados...
— Eles não podem nos ver? – sussurrou o jovem soberano.
— Não, enquanto eu puder sustentar essa ilusão. – respondeu Shaka.
— Ilusão? Você consegue fazer isso, também aqui?
— Sim, eu consigo. – falou Shaka com tristeza na voz.
O jovem senhor de Irmied sabia do preço a ser pago ao usar os poderes do colar. Pouco a pouco, teria de abandonar a natureza pacífica para tornar-se o receptáculo e isso lhe era imensamente doloroso.
— Você não parece muito contente com isso. – disse Aiolia, assim que as tropas se dispersaram em meio às árvores e construções.
— Farei o que for preciso para colocá-lo em seu lugar de direito, Aiolia. Agora vamos. – falou Shaka.
Aiolia ficou silencioso e introspectivo. Sentia-se tão fraco, tão despreparado e, no entanto, Shaka, Milo e Kamus, senhores poderosos estavam lutando por ele, arriscando suas vidas em prol da liberdade que ele, Aiolia significava para Darneheim.
— Eu não me considero merecedor de tal honra, Shaka. – disse por fim. – Todos lutando e morrendo por mim e...
— Escute bem o que vou dizer, Aiolia. Estamos dispostos a morrer para que Darneheim volte a ser um lugar livre, pacífico e próspero. Estamos fazendo a nossa parte para que você possa fazer a sua. Empodere-se! O poder do leão está em você e os ideias que seu irmão defendeu, também. Chega de ser um menino, torne-se o homem que deve ser!
— E seu eu falhar? – perguntou ele.
— Se falhar, Darneheim afundará junto com você. Portanto, essa opção está descartada! Agora vamos, já sinto a maresia e o odor das especiarias de Berkehell.
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As chamas crepitavam no interior da pirâmide negra e, em seu crepitar, formas negras pareciam dançar e clamar como se fossem almas desgarradas... O altar negro e polido permanecia intocado, enquanto os acólitos dançavam nus, no costumeiro ritual de autoflagelação e sexo, enquanto entoavam os cânticos lúgubres.
Pandora estava vestida de negro, o manto longo moldando o corpo mignon... Ela caminhava devagar, indo até o centro da pirâmide onde Hades a esperava, tendo Radamanthys ao seu lado. Por um momento, os três se olharam em estreita cumplicidade, até Pandora aproximar-se de Radamanthys e beijá-lo na boca de forma íntima e erótica. O general estremeceu, mas seu corpo correspondeu ao ato, esquecendo-se de onde estava...
Os cânticos, o estalido dos chicotes, o cheiro do sangue misturado ao aroma dos incensos, o crepitar das chamas... Tudo conduzindo Radamanthys à voragem daquele ambiente sensual e sombrio cujo resultado, ele não poderia prever...
O altar de pedra negra e fria recebeu o corpo de Pandora que, ao deitar-se deixou descoberta a sua nudez, fazendo com que Radamanthys tivesse uma ereção imediata. Ela o olhou com um brilho aquoso nos olhos violáceos e abriu-se para ele, tocando-se e elevando os quadris... O general ofegou e cobriu-lhe o corpo com o seu, penetrando-a de uma única vez, achando-a quente e molhada. Pandora gemeu e abraçou-o, trazendo-o para dentro de si...
Os cânticos aumentaram, os acólitos começaram a foder uns com os outros, enquanto Pandora e Radamanthys também fodiam de forma selvagem. O general estocava com força, o corpo brilhando de suor, a boca entreaberta, enquanto Pandora o recebia dentro de si, gemendo e entrando no transe orgiástico que o ritual propiciava...
Hades apenas observava, até o momento em que os gemidos e ofegos indicavam a eminência do orgasmo. Então ele se aproximou de Radamanthys e o penetrou, fazendo-o arregalar os olhos e gritar. Puxou-o pelo pescoço e aprofundou-se dentro dele, movendo-se com força, subjugando-o de forma feroz até ele gritar de dor e também de prazer quando o orgasmo chegou, ao mesmo tempo para os três.
Radamanthys desabou sobre Pandora, porém Hades não lhe deu tempo para descansar. Seus olhos ficaram rubros e, enquanto Pandora deslizava para longe dos dois, sabendo o que ele faria, Hades voltava a subjugar seu general, colocando-o de costas sobre a pedra negra e penetrando-o mais uma vez com tanta fúria e violência, que ele grunhiu rouco, como se lhe faltasse o ar.
O general não tinha forças para resistir, seu corpo não obedecia, aquele ambiente parecia alimentar-se de toda a sua energia, como se estivesse roubando parte da sua vida. Sentia Hades estocá-lo como se fosse dilacerar seu corpo, partindo-o em dois, arrancando parte de sua alma...
Quando sentiu o gozo, novamente, dentro de si, Radamanthys arfou e, em sua mente e corpo, havia sangue, sêmen e muita dor. Ele tentou olhar para Pandora que permanecia em pé, como uma sacerdotisa sombria. Imóvel, ela acompanhava o ato macabro como se fosse uma escultura viva mesclando-se à fumaça dos incensos e aos gemidos e grunhidos animalescos.
Os olhos de Radamanthys também não obedeciam mais e se fecharam quando ele ouviu a voz rouca e profunda, antes de desfalecer por completo:
— Agora, meu general... Você será o meu arauto do caos!
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