Trono De Sangue
27 Capítulo 27 SALTO NO ABISMO
Notas iniciais
***Azarella, amada, obrigada pela recomendação!!! Fiquei feliz e honrada!!
***Como um pequeno agradecimento, tem um presentinho prá ti nas notas finais....
Darneheim estava mergulhada nas trevas da noite e o ar, excepcionalmente, estava frio, mesmo para o outono.
Na Fortaleza, Hades, todo de negro, estava em pé, ao lado de um braseiro e seus olhos adquiriram um brilho sombrio e fantasmagórico. Devagar, ele deixou o grande salão e foi até a pirâmide negra onde as sombras pareciam rastejar como longos vermes das profundezas da terra.
Pandora sentiu o momento exato em que seu irmão deixou a Fortaleza... Dirigindo-se até a sacada, olhou para o anel em sua mão detendo-se na imagem esculpida com primorosa precisão. O demônio de duas cabeças entrelaçadas abrigando um rubi no centro conferia um brilho obscuro e avermelhado à joia que fora de Verônica. Lentamente, colocou o anel em seu dedo com um sorriso amargo.
É, Verônica... Eu tenho um dom muito além do seu, sempre tive e o escondi de todos. Na verdade, eu o neguei. Talvez, porque soubesse o preço a ser pago e preferisse tornar-me um joguete nas mãos daquele que amo a responsabilizar-me por tal poder. Mas, agora, esse poder me é, novamente, apresentado e não posso mais negá-lo. Sou mais que uma necromante e, graças a você, não tenho mais limites! Espero que onde estejas, possas ver-me e, se houver mesmo um Inferno, nos reencontraremos mãe e acertaremos, em definitivo, nossas pendências! Pensou Pandora, enquanto olhava para o anel e via descortinarem-se em frente aos seus olhos, visões do presente e de outros tempos...
– Precisa de algo, minha senhora? – perguntou a serva, entrando no amplo salão.
– Não, pode se retirar. – respondeu Pandora.
Pandora fechou os olhos e quando os abriu, estava em transe. Sua mente viajou, através da escuridão, ela viu Hades na pirâmide, os exércitos chegando próximo às fronteiras de Berkehell, as sombras avançando sutis, enquanto todos dormiam...
Sua respiração tornou-se mais lenta e mais profunda e ela caminhou com o negror da noite assistindo o presente e tendo percepções nítidas do futuro...
Crânios dependurados, tão brancos e descarnados que pareciam feitos de porcelana, o sangue cintilando como um tortuoso rio rubro em meio ao fogo, lágrimas e dor... As paisagens, antes frondosas e verdejantes, envoltas em aridez, ressecamento e morte.
Não é lindo? Ouviu a voz perguntar rente ao seu ouvido. Podia sentir o hálito quente, aliciante e, ainda assim, apenas uma sombra, um amontoado denso de desejos egoístas e maldições lançado ao vento. Um abismo infinito estendendo a mão sobre Darneheim...
Aceite... Aceite seu destino e una-se a mim! Seja minha, totalmente, minha!
Um gesto sutil e um piscar de olhos fez Pandora retornar e fechar aquela porta. Fora assim que conseguira manter a fuga de Regulus e Shion em segredo. Um de seus poderes era dar forma à sombra e esconder a si mesma e aos outros. Quanto mais usava, mais sentia o chamado do Caos. Ele tomara Hades como seu hospedeiro graças ao sacrifício do seu filho e seu irmão aceitara com seu livre arbítrio e desejo de poder. Mas, ela não o faria. Já bastava o pecado imperdoável de ter sido o instrumento da morte de Aioros e todo o resto... Ela resistiria até o momento derradeiro, até redimir-se de tudo que havia feito e permitido...
Hades estava no interior da pirâmide negra. Sombras em forma de espiral rodopiavam em torno dele e o elevavam de forma que seus pés deixavam de tocar o solo, fazendo-o flutuar... Dentro do vórtex, Hades sentia cada fibra de seu corpo expandir, a vivência do poder sombrio conectando-o àqueles que estavam prontos para guerrear e usurpar em seu nome.
Isso... Unam-se às sombras e destruam Berkehell!
A voz de Hades insuflava as tropas que continuavam a cavalgar em plena noite, enquanto no caminho para Berkehell Ikki abraçava Shun com força. Os dois choravam de alegria. Ikki tocava o rosto de Shun, certificando-se que ele estava mesmo ali e depois voltava a abraçá-lo.
Milo juntou-se ao abraço familiar, as lágrimas de alívio também escorrendo pelo rosto belo e viril.
Afrodite aproveitou para dar uma boa olhada nos outros homens que observavam a cena. Dois morenos e um loiro... Combinação interessante! Pensou com malícia, enquanto também era avaliado pelos três.
Shura, Shiryu e Hagen resolveram apresentar-se ao homem extremamente belo, mas que possuía um olhar afiado e desconcertante. Nem bem começaram e o som de mais gente se aproximando os fez ficar de prontidão.
– Viemos em paz! – disse a voz grave que Afrodite conhecia muito bem.
Uma expressão de desagrado surgiu na face do Senhor dos Venenos, enquanto os olhos de Máscara da Morte pareciam despi-lo devagar e com aquela expressão debochada que o irritava.
– Quem vem em paz? – perguntou Shura, colocando-se à frente dos demais.
– Sou Máscara da Morte, esta é June e o restante está sob a minha responsabilidade. Viemos oferecer nossos serviços.
Sem esperar resposta, Ikki desembainhou a espada e partiu para cima de Máscara da Morte, obrigando-o a usar de toda a sua habilidade para não sucumbir ao ataque.
– Vai nos oferecer a sua cabeça, seu cão ordinário! – falou Ikki.
– Ikki! – gritou Milo, mas o jovem já iniciava uma luta com Máscara da Morte.
O líder dos Carniceiros desmontou com habilidade, mas mesmo assim quase foi atingido pela espada de Ikki e defendeu-se, mais na base do instinto, com o machado que carregava às costas.
– Espere, garoto! Eu vim em paz! – falou Máscara, enquanto se defendia do ataque.
June arregalou os olhos e o restante do clã achou de exibir as armas que possuía. Espadas maltratadas, machados velhos, bastões de madeira que já haviam visto melhores dias.
Shura, Shiryu e Hagen se colocaram à postos, desembainhando as espadas. Shun não sabia o que dizer e Afrodite, apenas olhava a cena com seus olhos esquadrinhando a cena movimentada.
Enquanto a tensão aumentava, Milo preparava o arco e disparava uma flecha bem entre os dois combatentes.
– Parem! – gritou o senhor de Berkehell e havia uma autoridade inédita e incontestável no seu tom de voz.
Ikki olhou, incrédulo, para a flecha bem rente ao seu pé, enquanto Máscara fazia o mesmo. A flecha havia ficado a poucos milímetros dos pés dos dois e agora, Milo se aproximava de ambos.
– Muito bem,agora me expliquem o que está acontecendo! – disse o senhor de Berkehell.
– Esse homem! Ele nos atacou e vendeu o Shun! – falou Ikki com ódio transparecendo nos olhos azuis.
Milo olhou para Máscara da Morte. O líder dos Carniceiros e o senhor de Berkehell se enfrentaram em um olhar intenso. O clima pesou, todos esperando o desfecho daquele enfrentamento silencioso.
– Então foi você quem feriu e escravizou meus irmãos... – disse Milo passando de Máscara para June e o resto do clã maltrapilho.
– Sim, não vou negar o que fiz, embora não soubesse que eles eram seus irmãos. Meu clã é proscrito, não somos bem-vindos em nenhum lugar e bem, todos sabem que vivemos... deste modo. Mas, soubemos que Hades enviou suas tropas para Berkehell e estou oferecendo ajuda como um meio de retratação pelo que fiz. – falou Máscara.
– Retratação? Acha que é tão simples assim? Você quase os matou! – falou Milo.
– Vida por vida, senhor de Berkehell. Não estou pedindo desculpas, estou oferecendo a minha vida e a dos meus ao lutar do seu lado. Não somos guerreiros, mas sabemos matar e mataremos esses filhos da puta que são piores que nós. Sei que somos a escória, mas mesmo assim, jamais nos curvaremos à Hades. Dou-lhe a minha palavra.
– A palavra de um escravocrata! Grande merda! – rosnou Ikki cuspindo no chão.
Milo ficou em silêncio. Em outros tempos, escolheria a retaliação, mas agora era um líder e isso exigia uma maior reflexão dos seus atos. Já fizera besteira demais, era hora de apropriar-se da sabedoria que se exigia de um senhor de clã. Havia uma guerra a ser travada e Berkehell precisaria de todos os aliados dispostos a resistir a Hades. Inspirou fundo e olhou para Máscara da Morte.
– Pois bem, aceitarei a sua ajuda como uma retratação. Ficará sob o comando de meu irmão, Ikki. Você e seu grupo obedecerão a todas as ordens que ele der. Qualquer ato subversivo ou de desobediência será punido com a morte. Estamos entendidos?
Máscara olhou para Ikki cujo olhar, agora, era de uma ira satisfeita...
– Esse garoto vai foder com a nossa vida! – sussurrou June.
Máscara suspirou, depois estendeu a mão para Milo.
– Eu aceito, é justo! – disse o líder dos Carniceiros.
Milo apertou a mão que lhe foi estendida com força.
– Então está certo. Vamos acampar por aqui e fazer as combinações antes de continuarmos.
Afrodite olhou para Máscara da Morte com um misto de admiração e curiosidade. Aquele homem lhe provocava uma diversidade de sensações, todas conflitantes entre si. Porém, somente o fato dele não ter se aliado ao usurpador fazia com que o olhasse com outro olhar, mesmo que ele ainda o irritasse, profundamente...
June cochichou algo no ouvido de Máscara da Morte, mas ele refutou a sugestão. Ela afastou-se, contrariada, e foi para junto dos outros. Foi só então que ele olhou na direção de Afrodite e os olhares se encontraram. Uma fusão de azul e orgulho perpassou ambos os olhos e logo, uma centelha acendeu dentro de cada um. Afrodite foi o primeiro a desviar de modo que parecesse desdém, mas o sorriso nos lábios de Máscara mostrava que não era bem assim...
Logo, todos estavam acomodados em volta de um pequeno fogo aceso por Shura de modo que não chamasse a atenção. Não havia muitos alimentos, mas pães e vinho foram repartidos de modo que cada um tivesse a sua parte.
Ikki aproximou-se de Shun, abraçando-o por trás e estreitando-o junto de si. O jovem sorriu e tocou o rosto do irmão.
– Tudo isso é saudade? – perguntou Shun.
– Por um instante eu... achei que não ia mais vê-lo. Devo milhares de velas ao Senhor das Almas e ao deus Sombrio. – respondeu Ikki.
– Eu também. Rezei muito para poder vê-lo, novamente, e pedir perdão. – disse Shun.
– Perdão? Mas, por quê? – perguntou Ikki.
– Eu queria que me visse como adulto e desobedeci você, o tempo todo. Você quase morreu por minha causa. Pode me perdoar? – falou Shun estreitando o contato com Ikki.
– Não há o que perdoar... — disse Ikki e os dois ficaram sentados juntos, olhando as pequenas chamas.
Enquanto todos se ajeitavam para dormir, Milo aproximou-se de Afrodite.
– Ainda não agradeci o que fez por Shun e até estranhei tal comportamento. Até onde eu sei você compra pessoas para os seus experimentos. – disse o senhor de Berkehell.
Afrodite manteve o semblante sério, depois sorriu.
– Falam muitas coisas a meu respeito. Algumas são verdadeiras, outras são mitos espalhados por gente ignorante.
– Vai dizer-me que não realiza experimentos com gente? Você comprou meu irmão daquele sujeito ali. Verdade ou mito? – insistiu Milo.
– Verdade. – respondeu Afrodite com um suspiro. – Mas, ao constatar a origem do rapaz, resolvi curá-lo e trazê-lo de volta.
– Foi muita generosidade da sua parte. E... o que deseja em troca?
– Ora, a sua felicidade já é um prêmio para mim, senhor de Berkehell. – disse Afrodite.
Milo riu, depois encarou Afrodite bem dentro dos olhos.
– Você e o Máscara da Morte têm muito em comum...
– Está me ofendendo, senhor Milo... Eu? Tendo muito em comum com aquele... homem?
– Não se ofenda, às vezes, aprendemos que o sombrio também habita a nossa alma, mesmo que nos esforcemos para sermos luminosos e perfumados. Ele vende e você compra. Isso é quase um caso de amor... Boa noite, Afrodite e obrigado por ter mudado de ideia. Terá sua recompensa quando chegarmos a Berkehell.
As palavras e o olhar de Milo fizeram Afrodite corar. Sim, ele se achava superior a Máscara da Morte. No entanto, aos olhos do senhor de Berkehell ele era tão mercenário quanto o líder daquele clã esfarrapado.
E, por acaso, isso é mentira? Pensou Afrodite enquanto arrumava sua capa para deitar no chão. Ficou olhando o céu escuro e sem lua, até adormecer e sonhar com os recônditos sombrios que habitavam a sua alma...
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Em meio a toda a movimentação que ocorria em Akkwarju, Seiya reservou um tempo para ver aquela que era a razão de sua vida. Fazia duas semanas que só trabalhava e pouco tempo tinha para fazer outra coisa, pois o trabalho era duro e incessante e Kamus queria que todos estivessem em segurança no novo abrigo.
– Espero não estar atrapalhando, mas... eu queria tanto vê-la! – disse o jovem de expressão vivaz puxando Saori para um local afastado do burburinho.
Saori sorriu, fazia muito tempo que não conversava com alguém que a olhasse do jeito que Seiya fazia. Ele sempre estava atento ao que ela dizia e, mesmo que algumas vezes, ela só falasse sobre amenidades, ele a fazia sentir-se como se fosse uma deusa.
– Gosto de estar com você. – disse ela.
Seiya pousou o olhar nos lábios rosados dela e sorriu também, sentindo um anseio em seu peito, enquanto uma torrente de calor lhe inundava a pele. Sabia que Saori tinha planos de casar-se com Kamus, porém sua mente esvaziou-se de repente e ele percebeu que queria sentir Saori mais perto de si. Assim, puxou-a de encontro ao peito, ávido pelas promessas ocultas naqueles lábios.
– Sabe que a amo. Mesmo sabendo que não estou a sua altura, meu coração será somente seu. – disse ele beijando os cabelos perfumados.
Assim que se sentiu abraçada Saori entreabriu os lábios e buscou o olhar de Seiya. Em segundos, a língua de Seiya se uniu à dela, adentrando os lábios receptivos. Ele lambeu a parte de cima da boca, deslizou pelos dentes e sugou-lhe a língua fazendo o corpo dela tremer.
Mesmo tendo em mente tornar-se a esposa do senhor do clã, Saori sentia uma mistura de excitação e deslumbramento só quando estava com Seiya. Com ele, sentia-se única, e agora essa consciência a fazia sentir todos os tipos de efeitos interessantes dominarem as partes mais sensíveis do seu corpo.
– Adoro quando me beija... – sussurrou ela rente aos lábios de Seiya.
Seiya segurou-a com mais força na cintura e ela suspirou. Ele sorriu, beijou o pescoço delicado e tomou-a pela mão. Nesse instante, Saori estremeceu ainda mais e um arrepio de medo somou-se ao prazer que sentia nos braços do jovem guerreiro. Ele me quer e eu o quero! Pensou ela deixando-se levar...
Sorrindo malicioso, Seiya levou Saori para uma pequena cabana que ambos visitavam sempre que ela ia colher ervas e flores silvestres na floresta. Ali, trocavam carícias, riam, mas nunca chegavam às vias de fato. Entretanto, nesse momento, Seiya se aproximava dela como se fosse um predador... Ela o envolveu com os braços, fazendo-o mergulhar os lábios na curva macia do seu pescoço. O moreno fechou os olhos e sentiu uma onda de puro desejo percorrer-lhe o corpo.
O sangue pulsava violentamente em suas veias e, lentamente, ele deslizou as mãos pelas costas de Saori, acariciando-a, afagando-a, até a curva firme das nádegas arredondadas, fazendo-a sorrir e apertá-lo ainda mais contra o corpo.
Correspondendo ao ataque sensual, Saori insinuou a língua por entre os lábios entreabertos de Seiya e ambos desabaram sobre as peles que jaziam no chão da cabana.
Os dois saboreavam o gosto um do outro, sentiam o magnetismo que os unia ditar as regras ao ponto de Seiya esquecer que Saori jamais se tornaria sua mulher. Era Kamus quem ela queria, mas, ainda assim, agora ela estava em seus braços e ele deixou-se levar pela voracidade que o corpo dela lhe despertava.
Afoito, baixou o vestido de Saori. Um dedo buscou a alça das peças de baixo, depois desceu, cobrindo a ondulação do seio pequeno com beijos carinhosos até a boca alcançar o mamilo intumescido.
Mordiscando, sugando e lambendo, ele levou Saori a um prazer extremo e sentiu um poder masculino que jamais experimentara.
Saori gemeu e ofegou erguendo os quadris, ansiosa e febril. Seiya continuou a acariciar os seios, agora libertos totalmente, observando a maciez e a alvura que enchiam suas mãos e despertavam uma verdadeira adoração.
– Você é tão... linda... – disse ele com os olhos explicitando o ardor do desejo.
Saori perdeu o fôlego, mas ainda assim puxou a camisa de lã que Seiya vestia, desejando sentir a pele dele contra a sua. O moreno ajudou despindo-se com rapidez. As roupas e botas de couro voaram para todos os cantos e Seiya ficou nu, terminando de despir Saori, arrancando as peças íntimas e o vestido que estava na cintura.
A jovem olhou-o nos olhos com a mesma febre e beijou-o com desejo e outro sentimento que não ousava confessar nem para si mesma. Já não pensava mais em casamento ou em Kamus. Deixou então fluir naquele beijo tudo o que sentia, enquanto a mão grande e quente de Seiya tocava seu sexo molhado e insinuava-se descobrindo recantos secretos, sensíveis e ardentes...
A maneira como ele a acariciava e olhava a fizeram gemer e sentir uma descarga elétrica de intenso prazer.
– S-Seiya... – gemeu ela.
Ele tomou-lhe, novamente os lábios, enfiando a língua em sua boca ao mesmo tempo em que, com os dedos longos e fortes, penetrou-lhe o sexo devagar... Aquela dupla invasão foi arrasadora e Saori estremeceu. Ondas de êxtase começaram a se formar dentro dela e Seiya gemeu rente aos seus lábios, sussurrando:
– Diga... diga que me quer...
Saori sorriu e mordiscou-lhe o lábio sentindo uma palpitação forte.
– Eu o quero... Faça amor comigo... – disse ela trêmula.
Seiya afagou a face de Saori como se tocasse algo frágil e precioso. Os dois beijaram-se novamente misturando paixão, ânsia, candura... E se tocaram com intimidade gemendo e ofegando até ambos mergulharem no ritmo abrasador da luxúria.
Com o coração batendo em um ritmo alucinante, Saori abraçou Seiya com força e desespero. O olhar sensual percorrendo todo o corpo sobre o seu...
Ele segurou-a pela cintura, depois no dorso para firmá-la no lugar. Saori sentiu o falo roçar-lhe a intimidade e também, o poder daquela invasão mesmo antes que seus corpos se completassem.
Ela se remexeu ansiosa e Seiya se deitou sobre ela apoiando um braço de cada lado, erguendo-se apenas o necessário. Com os joelhos, afastou as coxas belas e alvas de Saori que afastou as pernas, instintivamente.
Por um longo instante, Seiya permaneceu imóvel, os olhos fixos nela.
Saori quase soluçou tomada por sensações nunca vivenciadas e por descobrir que Seiya era o seu amor. Seu coração, pele, músculos, as gotículas de suor, tudo vibrava em alta definição como se a verdadeira visão das coisas estivesse se apresentando somente agora.
– Eu te amo... – sussurrou Seiya.
Lágrimas escorreram pela face sorridente de Saori ainda mais quentes do que a pele.
– Eu também te amo. – disse ela, quase sussurrando.
Seiya lambeu a trilha úmida de uma das faces e devolveu-lhe o gosto salgado com os lábios, beijando-a com profundidade. Foi quando a penetrou...
Devagar, adentrou o corpo quente e sedento. Entretanto, por mais cuidadoso que tivesse sido, doeu e Saori arqueou o corpo, ofegando em êxtase e aflição. Seiya ainda não tinha investido por inteiro e ao senti-la retesar, parou.
– Machuquei você...? – perguntou ele.
– N-Não... Você jamais me machucaria. – disse ela abraçando-o.
Os dois tremiam, mas Saori não tinha certeza se o tremor era do corpo de Seiya ou do seu. Os dois se olharam intensamente, os corpos lustrosos de suor, os músculos contraídos à espera...
– Quero ser sua... – disse Saori.
Então Seiya arremeteu fundo dentro dela, recuando somente para admirar o olhar úmido e ofegar junto aos lábios que se abriram em uma arfante e doce agonia...
E conforme Seiya estocava fundo e a olhava dentro dos olhos, Saori compreendeu a profundidade de ser vista em toda a sua plenitude pelos olhos e pelo coração do outro. Tantas vezes imaginara como seria com Kamus, mas agora isso lhe parecia distante e infantil. O senhor de Irġiel kiesaħ jamais lhe daria amor, ou sequer atenção. Todos comentavam que ele amava Milo e agora ela compreendia este sentimento...
Ela ergueu os quadris e mexeu-se, desejosa de aprofundar a penetração, de sentir Seiya seu e em si. A dor inicial metamorfoseou-se em prazer. Os corpos se chocavam e ambos gemiam em uníssono, o ar enchendo-se do cheiro inebriante dos sexos unidos, do perfume natural das peles, do hálito quente...
O ritmo se acelerou. Seiya estremecia sentindo ondas impetuosas assolarem seu corpo antecedendo o gozo e Saori também se contraiu, seu corpo sacudindo em espasmos tão intensos que ela sentiu como se fosse levada por uma das avalanches frias que costumavam acontecer em Akkwarju.
Os dois gritaram, ao mesmo tempo, varridos por um orgasmo que irrompeu violento e explosivo, deixando-os com o coração pulsando em todos os poros e a respiração entrecortada.
Relaxados, os dois se abraçaram sorrindo e trocando beijos nos lábios, faces e pescoço. Saori aconchegou-se ao peito de Seiya ouvindo as batidas ainda fortes do coração dele. Fechou os olhos e adormeceu naqueles braços, pensando que tinha se enganado quando pensara não existir felicidade se não fosse a esposa de Kamus.
Mais tarde, quando voltou para o convívio dos seus, Saori ergueu a cabeça, inspirou fundo e contou tudo a Tatsumi.
– A senhorita... está dizendo...que...que não vai mais ser a esposa do senhor de Irġiel kiesaħ? – gaguejou Tatsumi.
– Sim, estou! Vou me casar com Seiya.
– Seiya?! Aquele jovem sem tradição alguma? M-Mas, senhorita, eu prometi aos seus pais que ia cuidá-la e arranjar-lhe um casamento vantajoso.
– Kamus jamais tomará uma mulher como esposa, Tatsumi. Aceite isso. Eu já aceitei e resolvi viver minha vida com plenitude. – disse Saori olhando os flocos de neve caindo, lentamente.
A jovem viu quando Hilda adentrou o pátio de braços dados com Fenrir, ambos rindo e sorriu também. Agora compreendia o mundo sob uma ótica mais madura e esse entendimento a tornara uma mulher consciente, livre e apaixonada.
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– Eles estão nas nossas fronteiras, comandante! – disse o soldado jovem, mas com a cabeleira tão branca quanto a de um idoso.
Kanon olhou para o céu escuro e agradeceu ao Senhor das Almas por ter tido tempo de fiscalizar as armadilhas, pessoalmente.
Berkehell era um lugar de contrastes, com seus mares, suas especiarias e seus guerreiros. Estavam em desvantagem por ser uma época em que muitos soldados faziam a segurança nos navios, em alto mar. Mas, a inteligência e a unidade da população havia possibilitado que pudessem resistir até a chegada de outros clãs para ajudar.
O exército de Hades rumava, sem descanso em meio à noite, revigorados pelas sombras que alimentavam seus corpos corrompidos e tomados pela visão noturna que os poderes do usurpador lhes conferia.
Já visualizavam a fronteira de Berkehell com seus navios cujos mastros pareciam buscar os céus, quando Aiacos ordenou que todos parassem e os batedores verificassem o caminho. Dois homens com expressão animalesca lançaram-se na direção da praia, correndo junto de seus mastins.
No cais, Kanon esperava, pois sabia que seriam invadidos durante a noite mesmo com aquela escuridão fechada, própria das noites sem luar. Havia sonhado com Kardia e ele lhe falara em sonho. O escorpião mora nas profundezas e sabe que a noite é amante das sombras. Esteja atento... Quando acordou, só lembrava-se da frase, algo raro para um homem que nunca recordava seus sonhos.
–Mantenham suas posições! – gritou Kanon.
De repente, um grupo surgiu pela encosta, no lado oposto. Podia-se ver um estandarte tremulando, embora as figuras nele contidas ficassem nas sombras. O líder da tropa carregava uma espécie de lamparina e se aproximava rápido. Kanon bateu os calcanhares no ventre do seu cavalo e quando chegou próximo ao grupo, reconheceu o porte do homem que o liderava.
– Saga! – exclamou Kanon quando seu irmão se aproximou.
– Comandante Kanon... – disse Saga sorrindo. – Vejo que cheguei em boa hora.
– Sim, estamos prestes a ser atacados. – falou Kanon.
– Então, deixe-me abraçá-lo, irmão. – disse Saga e a escuridão pareceu arrefecer para o comandante das forças de Berkehell...
Ambos desmontaram e Kanon deixou-se abraçar por Saga. Os dois não tinham palavras para a emoção que os tomava, mas mostravam-se firmes diante de suas tropas.
Enquanto o reencontro se dava, os batedores de Aiacos adentraram o limite entre o cais e a praia. Nem bem pisaram no solo arenoso redes imensas envolveram seus corpos e dos dois mastins. De imediato, dois arqueiros dispararam suas flechas de fogo. As redes arderam e os gritos terríveis puderam ser ouvidos à distância. Kanon interrompeu o abraço e olhou na direção da fogueira alimentada com a carne de homens e animais.
–Eles chegaram. – disse Kanon.
– E nós vamos botá-los prá correr. – falou Saga erguendo o braço.
No mesmo instante, Aiacos sinalizou para os seus, vendo os pequenos pontos de fogo e ouvindo seus gritos como se estivesse bem perto.
– Perdemos nossos batedores! Vamos fazer com que se arrependam, amargamente, por tal feito! – disse Aiacos.
De imediato, as tropas gritaram em uníssono e dispararam em direção à praia.
Notas finais
****A pedidos, vou deixar aqui alguns momentos do próximo capítulo:
A batalha tem início. Milo chega a Berkehell com seus ajudantes e passa pelo "Batismo de fogo" como senhor de clã. Em Akkwarju, Hyoga assume a proteção do clã, enquanto Kamus ruma a Berkehell para ajudar Milo. Reencontros à vista...
Bem, é só isso que direi por enquanto!!* risos
Bjs e até o próximo cap.XD
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