Trono De Sangue

17 Capítulo 17 ANGÚSTIA...


Os lábios grossos e avermelhados se apertaram, enquanto ele falava.

– Como ousa tentar enganar-me? E, pior que isso, colocar-me em uma situação embaraçosa! – dizia Afrodite enquanto fuzilava Máscara da Morte com seus profundos e claros olhos azuis.


– Atacamos como de costume. Eram apenas dois jovens sozinhos e... – justificou Máscara da Morte.

– E nobres! Por acaso não avaliam as suas presas antes de atacar?

– É claro que avaliamos, mas...


– Mas, nada! Ficarei com o garoto, mas não pagarei nada por ele. – disse Afrodite dando as costas.

Ao ouvir a sentença dada por Afrodite, Máscara da Morte franziu o cenho e agiu como era da sua natureza. Pegou o senhor dos venenos pelo braço e enfrentou-o:

– Como assim não vai pagar nada?

O olhar de Afrodite para a mão grande que se fechava sobre seu braço foi gélido e desconfortável.

– Não vou pagar! Agora faça o favor de tirar suas garras sujas do meu braço!

– Escute aqui você! Não pense que pode tratar-me como um imbecil! Enganei-me e assumo o erro. Agora, se não pagar o combinado, pego o garoto e repasso para quem quiser! Não vou ficar no prejuízo, meu senhor!


Afrodite sentiu cada dedo de Máscara da Morte em sua pele e também o olhar intenso e profundo com que ele o encarou. Geralmente, evitava confrontos e só se permitia ser visto por determinada casta de pessoas. Pessoas estas que viviam reclusas como ele, aprendendo segredos muito antigos e, relegadas a um círculo hermético e obscuro. Nunca convivera com gente comum e que possuía aquela aura animalesca e sombria de quem vivia, plenamente, os seus instintos...

Ser o senhor dos venenos significava uma alta posição no misterioso clã Nimhe formado por homens com conhecimento vasto em remédios, poções e drogas desconhecidas.

Geralmente, eram crianças abandonadas à própria sorte que, recolhidas por necromantes, tornavam-se receptáculos do vasto conhecimento destes. Afrodite era um deles, um órfão prodígio que escapara da prostituição e do abandono ao ser resgatado por Sage, um dos maiores necromantes do Círculo da Escuridão. Aprendera com ele tudo o que havia para saber sobre venenos e tornara-se seu filho de alma, um mestre como era chamado aquele que se sagrava vitorioso em todas as provas e sobrevivia para suceder seu senhor.


– Não ouse me ameaçar, senhor Máscara da Morte! Agora, solte... o meu braço. – vociferou Afrodite entre dentes.

Máscara sentiu um cheiro suave e adocicado que o estonteou. Olhou para Afrodite que, em segundos, se transformou em três.


– Mas... que... diabos? O que você fez? – gritou Máscara sentindo a língua amortecer.


– Isso é o que acontece com quem coloca as mãos onde não deve! – disse Afrodite puxando o braço.


Embora tonto, Máscara não afrouxou a pegada e, mesmo sentindo seu corpo falhar, puxou Afrodite para si de forma a encaixar o braço abaixo do pescoço delicado.


– M-Maldito... você me envenenou... eu vou ... – disse ele.

Com uma rápida torção do tronco, o Senhor dos venenos saiu de dentro do raio de ação de Máscara da Morte e o empurrou. O líder dos Carniceiros perdeu o rumo dos acontecimentos e quando voltou a si, estava fora da pequena fortaleza e June olhava-o com o cenho franzido.

O que aconteceu com você? – perguntou ela sacudindo Máscara pelos ombros.


– Aquele... aquele maldito me envenenou! Não quer pagar pelo garoto, mas quer ficar com ele!

– Mas, ele pagou! Veja! – disse June mostrando uma bolsa de couro.


– Pagou? Então... porque ele...


– Ele disse que, na próxima vez, era para eu deixar você na coleira e eu mesma cuidar dos negócios! – falou June rindo.

Máscara olhou para o alto, onde uma janela estreita estava entreaberta. Pareceu-lhe ver uma silhueta espreitando, mas ainda estava estonteado. Esfregou os olhos doloridos e tratou de sair dali. Estava incomodado e furioso por ter sido dominado por aquele homem.


Respirou fundo, ainda sentindo o perfume inebriante da flor mais bela que já havia visto e também constatou, amargamente, que aquele homem possuía o mesmo aroma na pele alva e macia. Um perfume que incitava à luxúria e a pensamentos que ele, Máscara da Morte, jamais se permitira ter. Passou a mão no nariz e tentou em vão livrar-se da sensação doce e tentadora...


Merda! Ele me fez de palhaço! Praguejou mentalmente, antes de dar uma última olhada naquele lugar. Estreitou os olhos e deu de ombros. Afinal,o senhor dos venenos não perdia por esperar. Mais cedo ou mais tarde, o reencontro entre os dois seria inevitável...

– Vamos embora, June. Temos que achar um lugar prá montar acampamento. – disse Máscara.

June sorriu, tocando as moedas de ouro que tilintavam dentro da bolsa de couro. Enquanto isso, Afrodite os observava e pensava no que fazer com a sua mais recente mercadoria.

Shun estava nervoso, porém confiante. O belo homem que o comprara parecia culto, inteligente e civilizado. O que aconteceria se abrisse o jogo com ele?

Ainda em pé e acorrentado naquele ambiente, Shun suspendeu a respiração quando Afrodite voltou acompanhado de uma serviçal.

– Falleg o levará aos seus aposentos. Amanhã, vou examiná-lo. Quero descobrir a quanto tempo está doente. – disse Afrodite.


– Senhor Afrodite... não sou um miserável sem família. Pertenço ao clãSkorpjun. Menti quando disse que me chamava Andrômeda. Meu nome é Shun e sou irmão do senhor de Berkehell. Se me ajudar a ir até Irmied, onde meu outro irmão se encontra, juro pelo meu clã que será recompensado.


Os olhos de Afrodite se estreitaram ao ouvir aquela revelação e um sorriso malicioso brincou nos belos lábios. Anos atrás, um homem chamado Aracne lhe vendera um tipo especial de sangue. O sangue que, segundo a tradição dos acólitos das sombras, tinha sido soprado pelo deus Sombrio do clã Skorpjun.


Traduzindo em uma linguagem culta, isso significava que era um sangue à prova de qualquer veneno, uma raridade que ele, como um profundo conhecedor da arte, sempre sonhara compreender. Agora, tinha sob seu teto alguém da mesma família cujas informações que tinha coletado diziam que o senhor Kardia havia recebido o sopro do deus e o legado se estendera ao primogênito, Milo. Como o caçula reagiria se ele o utilizasse para alguns...experimentos? Pensou Afrodite, enquanto Shun aguardava uma resposta.


“Ai, ai, ai... Eu disse prá ficar calado!” falou a Alkuaineen.

Mas porque? Ele já sabe que eu não sou um miserável. Prá que continuar fingindo? Perguntou Shun.


”Eu disse que era para esperar ...Esse homem quer conhecimento e vai usá-lo para isso! Você acabou de dar a ele e de bandeja, a oportunidade de saber mais sobre venenos e ... sobre a condição especial dos homens do seu clã.”

Mas...eu...eu não fui tocado pelo sopro do deus Sombrio. Só o primogênito tem essa prerrogativa.

”Diga isso a ele... Para um buscador, todas as experiências e tentativas são válidas. Agora, bonitinho...infelizmente, você se transformou no brinquedo favorito do bonitão ali...E já vou avisando que vou ter que ser bem alimentada prá segurar o que vem por aí...”

O que quer dizer com isso?

”Que se ele pegar pesado com você, eu vou precisar muito da energia do Hyoga para protegê-lo...Você não está em sua melhor forma. Sabe disso, não?”

Eu não quero que faça isso! Eu posso me cuidar. Não sugue a força do Hyoga, por favor!

”Infelizmente, não é você quem decide. É Hyoga. E, enquanto ele sustentar o pacto, eu farei o que fui invocada para fazer, ou seja, proteger você.”

Shun levou a mão aos cabelos e inspirou fundo. Sentia-se cansado e duplamente culpado. Ah, Hyoga...Jamais me perdoarei se algo acontecer a você.

– Bem, vou ser franco com você, garoto. Seu clã possui uma particularidade que me interessa e você está com uma doença grave. Podemos chegar num acordo se você aceitar os meus termos. – disse Afrodite fixando os olhos em Shun.


– E que termos seriam estes? Quer que eu me sujeite a ser um experimento seu? – perguntou Shun.

– Em parte, sim. Como bem sabe, um veneno tanto pode matar, quanto curar... Deixe-me conhecer mais sobre o seu sangue e eu criarei uma fórmula que poderá ajudá-lo. Aviso que não será fácil, já que não usarei métodos convencionais e também existem os riscos. Mas... pelo que vejo, você não tem muita escolha.

– Estou tão mal assim?


– Pelas manchas em sua pele, vejo que a doença evolui rapidamente. Aliás, não sei como você não está em pior estado. Deve ser o seu sangue ou... você é muito forte.

Shun sentiu uma forte tristeza. Sabia que a causa do seu aparente bem-estar era a energia de Hyoga e temia pela vida dele.


– Está bem, serei seu experimento. Mas, diga-me, senhor Afrodite, o senhor conhece alguém que conheça magia? – perguntou Shun pensando em um jeito de romper o pacto que Hyoga fizera com a Elemental.


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Era o sétimo dia em que Milo e Kamus conviviam juntos. Conversavam, trocavam ideias sobre como organizariam os clãs no momento em que levantariam seus estandartes contra Hades e ficavam juntos em todas as oportunidades possíveis. Irġielkiesaħ parecia vibrar em outra frequência. Havia risos e calor nos momentos em que todos se reuniam. Aos poucos, os dois jovens senhores foram constatando as semelhanças e contrastes existentes entre si. Kamus era um guerreiro nato e Milo, hábil em escaladas e no uso do arco.

O senhor de Berkehell tinha muito que aprender em relação às táticas militares e Kamus ofereceu-se para ensiná-lo, pelo menos o básico durante a breve estadia em Irġielkiesaħ.

Ambos sabiam que se aproximava a hora em que deveriam retomar suas rotinas, entretanto, em sua juventude e vivenciando um momento único de felicidade, os dois se viam enredados no desejo de estender aqueles momentos e o faziam quase de forma inconsciente, criando tarefas em comum, agarrando-se aos momentos de intimidade...

– Vem, vamos treinar um pouco. Vou te ensinar algumas técnicas de combate. – disse Kamus guiando Milo para o recanto onde praticava com a espada e que ficava perto da caverna que se tornara o seu refúgio secreto.


A expressão de Milo tornou-se maliciosa, felina...

– Combate? Com armas?


– Não, você tem força muscular e é hábil em escalar. Vamos lutar corpo a corpo. Terá que aprender a usar a espada com um Mestre de armas, algo que eu não sou. – disse Kamus dando de ombros.


– Fenrir diz que você é imbatível com a espada.


– Treino desde pequeno e sou hábil. Mas existem outras maneiras de lutar e terá de encontrar a sua, senhor de Berkehell... — disse Kamus se posicionando.

Entusiasmado, Milo aceitou e preparou o corpo. Kamus encarou-o tencionando o corpo de forma a mostrar como imobilizar o adversário. Milo contorceu o corpo tentando escapar, mas Kamus lançou-se sobre ele imobilizando-o com os braços.

– Agora, ao invés de fazer força para sair, ache uma brecha em meu corpo e impulsione o seu. – instruiu Kamus.


Milo forçou, seus músculos se retesaram, mas a verdade era que aquela proximidade estava causando outro efeito nele. Tentava se desvencilhar, mas suas pernas eram abertas à força e a coxa de Kamus dançava por entre elas, acentuando a fricção dos corpos e logo, ele sentiu seu sexo endurecer.

– K-Kamus...isso é...golpe baixo. – reclamou Milo sentindo o peso de Kamus sobre o seu corpo.

– Vamos, escorpião... vai me deixar dominá-lo assim? – provocou Kamus soltando seu peso sobre o corpo de Milo.


Respirando forte, Milo forçou o joelho, empurrando-o de encontro ao tórax de Kamus que, mesmo assim resistiu. Num ato desesperado, Milo fingiu ceder e, quando Kamus afrouxou um pouco, ele o mordeu e, em seguida, inverteu a posição segurando as mãos dele sobre a cabeça, prendendo-as no chão.


– E agora, lobo? Quem está no comando? – falou Milo sorrindo e Kamus viu uma sombra maliciosa sobre os lábios.


– Eu poderia dizer que... é você, escorpião. Mas...


Com um movimento rápido e forte, Kamus inverteu as posições, novamente, impulsionando as pernas e jogando Milo por cima de sua cabeça. Surpreso com o movimento, Milo se viu deitado na neve macia e logo Kamus cobria o seu corpo com o dele deslizando as mãos lentamente por todo o corpo e mordendo-o no flanco, fazendo-o se arrepiar.


– Kamus! – gritou Milo levantando as costas do chão, gemendo em êxtase ao sentir aqueles caninos em sua pele quente. – Assim não v-vale!


– Isso é por trapacear e me morder primeiro... – sussurrou Kamus descendo a outra mão e apertando o corpo de Milo, primeiro a nuca, os braços, a cintura e logo depois a bunda, massageando-a com força.


Milo fechou os olhos e, de repente, tudo cessou. Kamus saiu de cima dele e estendeu-lhe a mão. Franzindo o cenho, Milo aceitou a mão estendida e logo, os dois estavam na entrada da caverna onde Kamus encontrara os escritos de seu pai.

Os vapores quentes faziam chover pingos do teto e quando Milo deparou-se com a água quente, seus olhos brilharam de contentamento e prazer.


– Água quente! – exclamou Milo, sentindo o vapor desprender-se das águas.


– Sim, achei que ia gostar. – disse Kamus sorrindo.


Milo riu e já foi despindo as roupas com uma alegria infantil, enquanto Kamus o olhava com admiração e desejo. Naqueles poucos dias, os dois haviam vivenciado uma intimidade ardente e cada vez que estavam sós, sentiam os apelos do corpo, como agora em que Kamus sentia sua ereção tão dura quanto às rochas que os rodeavam.


Ainda sorrindo, Milo se aproximou de Kamus e foi agarrado com força. Os olhos rubros do jovem senhor de Irġielkiesaħ perscrutaram cada detalhe da boca que se abria junto a sua e mais uma vez ele saboreou a beleza e a sensualidade do escorpião.


Milo estava sempre pronto, excitado em se tratando de estar com Kamus. Parecia que o desejo entre eles jamais acabava, era sempre intenso, faminto e assim ambos se entregavam um ao outro, os dois corpos se tocando e acariciando numa união perfeita...


O senhor de Berkehell passou as mãos pelo rosto de Kamus enquanto o beijava, segurando seu cabelo com força, mordendo-o e fazendo o amante gemer de prazer e dor. Em meio ao ardor, Kamus reagia alucinado, não conseguia pensar, queria mais e mesmo sabendo que havia obrigações a cumprir, naquele momento só havia Milo...


– Adoro seu cheiro. – disse ele roçando o nariz no pescoço de Milo. – Adoro quando sorri deste jeito...


– E eu adoro seus cabelos vermelhos. Adoro a sua boca e o jeito como me beija, lobo... – sussurrou Milo puxando Kamus pela nuca.


As bocas se encontravam vorazes, as carícias evoluíam, sôfregas e intensas. A língua de Milo adentrava a boca de Kamus fazendo-o ofegar de prazer, abafadamente, entre os seus lábios. Aquele frenesi nunca acabava, parecia crescer e crescer até que as línguas percorressem as peles e voltassem a se entrelaçar saboreando cada recanto, cada movimento...


Ofegante, Kamus se afastou exibindo um sorriso malicioso e desatou a camisa de pele, tirando-a para o lado. Despiu-se também e atirou-se na água quente, mergulhando para submergir com a luxúria brilhando nos olhos.


De dentro d’água, fez um sinal para que Milo o encontrasse e logo o loiro estava ao seu lado, o rosto corado pelo calor e pela excitação...


– Ahhhhhhhh... Kamus... que calor delicioso. – exclamou Milo deitando na água e abrindo os braços.


Kamus se aproximou, aproveitando que o corpo de Milo flutuava e abraçou-o pela cintura, fazendo-o abrir os olhos e encontrar os seus... Sorriu para Milo e aquele ato, mais uma vez os conectou em um anseio de carne, pele e coração...

Ficaram um tempo usufruindo dos vapores, até Kamus puxar Milo pelos quadris e encaixar-se numa saliência da rocha onde podia apoiar os pés e trazer o amante para o seu colo. Excitado, Milo compreendeu a intenção de Kamus e o abraçou, roçando sua ereção na dele, sentindo a pulsação em sua pele e sorrindo pela deliciosa fricção que se acentuava pelo movimento ondulante da água...


Com a respiração alterada, tomou o rosto de Kamus entre as mãos e lambeu-lhe os lábios, depois olhou bem dentro dos olhos e abriu as pernas, encaixando-se no falo ereto, descendo o quadril até sentir-se completamente invadido pelo sexo do amante.


Kamus ofegou, preso ao olhar lúbrico de Milo, suas mãos fechando-se na carne rija e quente...


O escorpião mordeu os lábios, enquanto sentia o falo túrgido romper o caminho dentro de si e gemeu deliciado ao ser atingido nas profundezas de seu corpo... Kamus, ao sentir seu falo totalmente confinado e apertado em demasia, jogou a cabeça para trás, gemendo alto para logo em seguida, buscar os lábios de Milo com avidez. Passou a beijá-lo loucamente, enquanto ajudava-o a se mover sobre si e sentia o próprio corpo cavalgar no prazer extremo, na possessão absoluta...


Milo segurou-se mais forte contra o corpo de Kamus ao se sentir completamente preenchido e ofegou quando o amante chupou-lhe os mamilos, roçando os dentes e gemendo no ato...


Com um erotismo delirante e faminto, o jovem lobo levava as suas mãos aos quadris de Milo e lhe apartava as nádegas, abrindo-as e fechando-as, fazendo-as engolir seu falo, na mesma proporção em que ele se movia.


Os movimentos se intensificavam a cada segundo, parte pelos gemidos de prazer de Milo, parte pela sensação que corria por todo o corpo de Kamus que ouvia os sons dos dois corpos roçando e batendo um contra o outro e aquela sensação intensa de algo que rompia todas as suas defesas, todas as suas dores...


As faces, contraídas de prazer, chocavam-se em meio aos lábios entreabertos... O bailar das línguas molhava as bocas, o pescoço, os mamilos expostos... O falo de Milo pulsava junto ao ventre de Kamus numa coreografia selvagem e rascante que os enredava e os tornava um...


O corpo de Milo subia e descia... insano, rápido, ardente... e Kamus projetava-se de encontro a ele, as coxas poderosas impulsionando os quadris, as mãos fortes apertando-lhe as costas, as nádegas, a pele...



Pingos gelados do vapor que retornava do teto da caverna começaram a cair tocando as costas nuas de Milo, aumentando a sensação de prazer, fazendo-o gemer rouco e mover-se ainda mais frenético sobre o membro enrijecido.


Os arrepios que tomaram o corpo de Milo se juntaram a sensação do falo de Kamus golpeando-o, cada vez mais rápido, mais vigoroso, mais fundo e os dois arfaram juntos, sussurrando, gemendo e urrando quando o orgasmo sacudiu os corpos em um violento estremecer...


Milo gemeu alto e contraiu-se com tanta intensidade que fez Kamus fechar os olhos com força e cravar as unhas na carne das suas nádegas, estremecendo convulso enquanto vociferava um urro de êxtase indescritível.


– Milo... – gemeu Kamus quando seu corpo explodiu em êxtase e tudo evanesceu...


O corpo de Milo arqueou-se guiado pelo desespero do orgasmo, fazendo-o morder os lábios e, ao mesmo tempo, gritar tão alto que sua voz rouca reverberou pelas paredes úmidas do lugar.


Os dois se abraçaram forte e gemeram dentro da boca um do outro. Milo sentia o sêmen quente de Kamus despejando-se dentro de si e ele próprio se derramava no peito de Kamus em meio ao vapor e ao calor da própria pele...


O êxtase pareceu se estender e envolvê-los em mais prazer e calor. Milo desabou sobre o peito de Kamus e, mais uma vez, uniu o hálito ao dele antes de fechar os olhos e sentir extinguir-se totalmente...


Te amo, lobo...

A frase vibrou dentro do peito de Milo que, totalmente arrebatado pelo orgasmo violento não soube se o dissera alto ou em pensamento.


Kamus apertou-o junto ao corpo sentindo o coração descompassado. Buscou os lábios entreabertos para beijar longa e profundamente e então, fechou os olhos e uma deliciosa escuridão baixou sobre eles...


Na fortaleza, Saori permanecia em estado permanente de “choque quase histérico”, tentando descobrir onde Kamus levara Milo. Hilda, que observava tudo e todos, cantarolava sentindo que seu humor melhorava cada vez que via Saori bufar e pisar duro. Não se importava com a paixão sexual de seu senhor, porque sabia que logo, tudo voltaria como era antes. Entretanto, notara Hyoga que se mantinha afastado e parecia um tanto doente e sua curiosidade se aguçou...


– Fenrir! – chamou Hilda vendo-o afiar seu machado.


– Sim, minha rainha de gelo. Em que posso ser-lhe útil? – disse o jovem sorrindo.

– Tem falado com Hyoga? Ele não me parece bem e tenho notado que ele está evitando conviver conosco.

– Hyoga foi, é e sempre será esquisito, ponto. Deve ser mais um daqueles jejuns que ele faz de vez em quando.

– Não é isso. E você é um irmão desnaturado! – disse ela.

– Porque você mesma não pergunta a ele? Afinal, você cuidou dele, limpou os mijos dele e também a merd....

– Chega, Fenrir! Não sei por que eu ainda tento ter uma conversa normal com você... – disse Hilda revirando os olhos.


– A verdade é que ele não gosta muito de mim e você sabe disso. Ele é mais íntimo do Kamus e o Kamus... bem, meu irmão mais velho anda muito ocupado. – falou Fenrir com um brilho de malícia nos olhos claros.


– Você é que acha isso. Hyoga adora você, apesar de eu não entender a razão disso. Aliás, você é muito amado por seus irmãos, mas faz questão de se manter à parte, como se não fizesse parte do clã. Se Kamus está ocupado é seu dever assumir certas responsabilidades! – disse Hilda dando as costas ao jovem lobo.

Fenrir franziu o cenho e olhou na direção da Floresta. Via quando Hyoga se dirigia para lá, mas nunca se oferecia para acompanhá-lo. Mas, agora, depois da fala de Hilda, pensou que já era hora de mudar seu comportamento. Seu irmão sempre fora o mais esquisito, mas, era seu irmão. Assoviou alto e logo Noite juntou-se a ele, pulando e esperando que ele tomasse uma atitude. Suspirando, Fenrir colocou o machado nas costas e juntos, ele e Noite se embrenharam na floresta à procura do rastro de Hyoga.


O entardecer lançava reflexos dourados sobre a neve. Kamus e Milo estavam deitados na pilha das roupas que haviam despido. Os insetos azuis já começavam o seu bailado de luz e Kamus apoiou-se num cotovelo, olhando para Milo que estava com os olhos fechados e sorria. Preparou-se para dizer algo quando Raio irrompeu a caverna e olhou-o fixamente.

Raio?

O lobo ganiu e Kamus colocou-se em prontidão. Milo abriu os olhos e tateou a procura das roupas.


– Algum problema? – perguntou vendo Kamus vestir-se depressa.

– Está acontecendo alguma coisa. Temos que voltar.


– Kamus... – disse Milo tocando-o no braço.


– Sim?


– Quero que saiba que... eu jamais fui tão feliz quanto estes dias. Temo que o nosso tempo juntos...

– Não... não diga mais nada. Vamos apenas ver o que está acontecendo. – falou Kamus tocando os lábios de Milo.


Milo sorriu, desta vez um sorriso triste e Kamus desviou o olhar sentindo o mesmo em seu coração.

Ao chegarem à fortaleza, os dois adentraram o grande salão encontrando um aglomerado de homens, mulheres e crianças. O primeiro que veio ao encontro de Kamus foi Siegfried.


– Manigoldo e Aldebaran voltaram, meu senhor! – disse o jovem com orgulho.


O olhar duro de Manigoldo pareceu percorrer todo o salão e concentrar-se em Kamus. Mesmo tendo se passado tanto tempo, Kamus percebeu que Manigoldo não mudara. A mesma expressão fechada que ele exibira em sua infância, os lábios apertados, o olhar cortante...


– Seja bem-vindo, comandante Manigoldo. Seja bem vindo Mestre Aldebaran. – disse Kamus abrindo espaço e se aproximando dos dois homens.


Aldebaran abriu um sorriso e Manigoldo permaneceu sério, os olhos frios passando de Kamus a Milo.


– Pelo que vejo, ocorreram mudanças na minha ausência. Risadas, jogos... até parece que estamos em paz! – disse o comandante em um tom claramente ríspido.


– Estamos recebendo uma visita. Este é o senhor Milo Alethea, senhor de Berkehell. Quanto ao riso e aos jogos, são apenas momentos de comemoração. Muita coisa mudou na sua ausência, comandante. – respondeu Kamus.


– Estou vendo... – respondeu Manigoldo encarando Milo e percebendo marcas físicas que também estavam no corpo de Kamus. – Então, temos aqui o senhor do clã Skorpjun. Seu pai foi um homem de fibra, que soube manter os seus. Será que pode fazer o mesmo, senhor Milo?


Milo sentiu a hostilidade de Manigoldo e ergueu o queixo em um ato instintivo. Não tinha feito nada contra aquele homem e, mesmo assim, ele parecia querer confrontá-lo. Não era homem de ouvir desaforo, então resolveu deixar claro que havia notado a provocação.


– Acabamos de nos conhecer, senhor comandante. Mas, sinto que o senhor tem algo mais a dizer... Seja claro e direto, eu não mordo. – disse Milo enfrentando o olhar acusador.


– Passamos muito tempo viajando, buscando líderes de clãs menores e coletando informações. Em nossa volta soubemos que dois jovens nobres foram atacados pelos Carniceiros, um bando de filhos da puta que escravizam, roubam e vivem dos restos desta merda que Hades espalhou por Darneheim. Então, caso o interesse, senhor de Berkehell... dizem as más línguas que os dois jovens pertencem ao seu clã!


Milo arregalou os olhos, sentindo a respiração estancar. Kamus franziu o cenho e interferiu:


– Tem certeza do que está dizendo?


– Absoluta! Enquanto os senhores estiveram... comemorando, a vida lá fora seguiu seu curso e muita coisa aconteceu.


– O que aconteceu com eles? – perguntou Milo, angustiado.


– Um foi ferido, mas chegou até Irmied e o outro, foi entregue como escravo para tal... Senhor dos Venenos. Tem algum parentesco com eles, senhor Milo? – devolveu Manigoldo com acentuada crueldade.


– São meus irmãos. – respondeu Milo sentindo-se estremecer. – Agora, se me dão licença, tenho que me aprontar.


Nervoso, Milo deixou o salão que mergulhou em murmúrios baixos e algumas vozes excitadas. Manigoldo voltou-se para Kamus que o fitou com um olhar sério e duro antes de ir atrás de Milo. O comandante pareceu sentir um estranho prazer na cena tensa que, de imediato, fez voltar a atmosfera silenciosa e fria que caracterizava Irġielkiesaħ.


Aldebaran coçou a cabeça e aproximou-se, enquanto uma jovem trazia vinho e pães frescos para os dois viajantes.


– Não devia ter dito isso assim, Manigoldo.


– E porque não? Notou como aqueles dois vieram juntos, parecendo cães no cio? Viu no que Irġielkiesaħse tornou? Risadas, jogos, futilidades e orgias! Darneheim imersa em uma guerra e aqueles dois... fodendo!


– Você nem sabe se eles estão juntos, velho amigo.


– Ora, Aldebaran! Não se faça de ingênuo! – vociferou Manigoldo batendo com o punho na mesa de madeira. – É só olhar nos olhos dos dois!


– Mesmo que seja verdade, Kamus é o senhor, é livre e lhe devemos respeito.


– Ele que se dê ao respeito e vá foder com uma mulher que lhe dê filhos! – grunhiu Manigoldo.


Aldebaran balançou a cabeça e saiu de perto do comandante.


Milo arrumava suas coisas de forma rápida e nervosa quando Kamus entrou no aposento. Os dois se olharam e Kamus tocou no ombro de Milo.


– Mantenha a calma, ao amanhecer enviarei homens com experiência em rastrear. Seus irmãos serão encontrados, eu prometo. – disse Kamus.


– Eu não devia tê-los deixado irem sozinhos. Seu comandante tem razão... não sou digno de liderar. Eu faço tudo dar errado. Que merda, Kamus... – disse Milo sentindo um aperto no peito e socando a parede de pedra.


Kamus se aproximou e tocou o rosto de Milo. Olhou-o com suavidade, porém sério e bem dentro dos olhos.


– O Milo que eu conheço, não se deixa abater, nem desfaz de si mesmo.


Milo comprimiu os lábios, sentindo as lágrimas invadir-lhe os olhos. A verdade era que se sentia, extremamente, culpado. Culpado pela paixão que sentia por Kamus, pelas reações descontroladas de seu corpo quando estavam juntos. Podia ter seguido logo atrás de seus irmãos, mas queria ficar, queria estar com Kamus...


Agora, mesmo, em meio ao desespero que sentia por seus irmãos, ainda assim seu coração doía mais por ter de deixar Kamus, por saber que não mais o teria em seu corpo e nem o veria sorrir olhando-o com aqueles olhos lupinos que aqueciam seu coração...


– Sou egoísta, lobo... – disse Milo buscando o olhar de Kamus, enquanto as lágrimas desciam pelo seu rosto. – Sofro em deixá-lo... Dói ter de dizer adeus.

Kamus sentiu um aperto na garganta e puxou Milo para si. Os dois se abraçaram com força e o senhor de Irġielkiesaħ sentia a angústia reverberar dentro do coração. Fechou os olhos e apertou-os, sentindo a umidade que os inundava de repente. E, murmurando palavras que jamais pensou ser capaz de dizer, enfiou o rosto nos cabelos de Milo e apertou-o consigo, desejando que o tempo parasse...


Quando a noite caiu, Kamus deixou Milo e foi ter com Manigoldo. O comandante estava sentado com Aldebaran e Tatsumi quando o jovem senhor adentrou o salão, agora preparado para o jantar.


Todos os músculos de Kamus estavam rígidos, tensos. Seus ombros chegavam a doer, mas mesmo assim andou firme e calmo até a mesa. Todos o saudaram, mas ele fixou os olhos rubros em seu comandante.


– Espero que esteja descansado da viagem longa. Acompanhe-me, vamos conversar. – disse Kamus, secamente.


Manigoldo estufou o peito e levantou-se, olhando para os demais. Seguiu atrás de Kamus que se dirigiu à mesa central onde já o esperava uma taça de vinho quente. Lentamente, Kamus pegou a taça levando-a aos lábios e depois tornou a encarar Manigoldo.


– Quando deixou Irġielkiesaħhá dois anos atrás, Manigoldo, eu era um menino. Assumi o clã e fiz todas as benfeitorias necessárias para a segurança da nossa gente. O refúgio que planejei e executei durante estes dois anos será terminado antes do auge do inverno e a caça abundante permitirá que passemos a estação com tranquilidade. Em nenhum momento faltei com minhas responsabilidades. Aceitei seu rigor, sua crueldade e tornei-me o líder deste clã. Sua lealdade e serviços para com meu pai jamais foram contestados e eu reconheço sua competência como comandante das forças de Akkwarju. Entretanto, sua postura arrogante e desrespeitosa com o senhor de Berkehell na minha presença, desagradou-me, profundamente e se não fosse pela memória de meu pai, eu o puniria, exemplarmente! Amanhã, o senhor terá a oportunidade de redimir-se dessa grosseria, selecionando os melhores rastreadores de Irġielkiesaħ e comandando, pessoalmente a busca pelos irmãos do senhor Milo.


– O quê? Mas...


Ignorando a expressão atônita de Manigoldo, Kamus continuou:


– Se não houvesse urgência em terminar as obras do refúgio, eu mesmo acompanharia o senhor Milo. Na minha falta, é o meu comandante quem faz as honras e eu espero que o senhor não falhe!


Manigoldo levou a mão aos cabelos e olhou em volta. Viajara durante dois anos e tudo o que mais desejava era voltar ao lar e iniciar os planos estratégicos contra o domínio de Hades. Agora, teria que partir em uma missão de resgate, afastando-se novamente de Irġielkiesaħ.

– Meu senhor... Temos homens capazes de ajudar o senhor Milo e que me dispensariam sem nenhum prejuízo desta missão. Eu creio que sou necessário em outras frentes e...


Kamus estreitou os olhos e fixou-os em Manigoldo.


– Não creio ter lhe dado opções, comandante. Caso ainda não tenha entendido, quero que o senhor de Berkehell tenha o melhor em proteção e assessoria. Será o comandante de Irġielkiesaħ quem o fará e sob juramento. O senhor o defenderá com a própria vida se assim for exigido. Fui claro ou agora é o senhor que enfrenta um embotamento mental pelo excesso de liberdade?


– Farei o que ordenou, senhor. – disse Manigoldo, vencido e chocado.


Aldebaran observava de longe e não pode evitar um sorrisinho cheio de orgulho. Bem que ele avisara Manigoldo... Kamus não era mais um menino, era o senhor de Irġielkiesaħ e aprendera bem todas as lições...

Notas finais
Amadas todas!!! Obrigada pelos reviews, pela atenção, pelo carinho!!!Um grande beijo a todas!