Alana naquela noite, antes de dormir, fez uma prece. Pediu aos anjos um sonho que lhe mostrasse a verdade, mostrasse por quê ver aquela mulher lhe despertou tanta dor e desespero. Por que ela sentia que sua vida mudou ali naquela esquina? E pediu para Amon, seja ele quem for vir até ela novamente para ajudá-la a desvendar esse mistério.

Alana está de novo na floresta e na campina e dessa vez, ela senta esperando por Amon, esperando respostas.

Depois de alguns minutos sentada ali em meio as flores, ela vê pessoas se aproximando. Dessa vez junto a Amon, tem uma mulher, uma mulher jovem, de cabelos longos e louros, olhos azuis como os de Amon e como aconteceu ao olhar para Amon, Alana sentiu uma familiaridade e paz envolvê-la.

— Chegou o momento, Alana – diz Amon — Chegou a hora de saber seu destino e sua missão – sério, Amon pergunta – Está pronta?

Alana respira fundo e diz: — Sim, acho que é hora.

Amon estende a mão para Alana levantar e a mulher lhe estende a mão também.

— Olá, Alana – diz a moça — Meu nome é Clara, bem-vinda, minha querida. – Com um sorriso tão bonito e sincero que era impossível não retribuir.

— Oi – Alana nervosa e sem saber o que esperar — Vamos fazer isso agora?

— Sim, – diz Amon — Feche os olhos, abra seu coração e mente, deixe sua alma falar com você.

Alana respira fundo e se prepara para o que está por vir.

Jenica abre os olhos atordoada. O que aconteceu? Onde está Anton e sua Ionela?

Ela olha ao redor e solta um grito estrondoso.

Ali, aos seus pés está seu corpo abusado e morto. Com os olhos arregalados, ela passa as mãos em seu corpo e o sente inteiro e sem feridas, não há dores.

Ela caminha em direção ao acampamento e vê que está vazio, corpos cobrem o chão, sua família, sua tribo se foi.

Ela corre desesperada em busca de Ionela, precisa ver o que aconteceu com sua filha. Ao ver o corpo alquebrado de Ionela, ela corre o mais depressa que suas pernas permitem para amparar sua filha. Mas, uma barreira a impede de chegar perto de Ionela. Era como se um vidro invisível estive entre ela e a filha, e não importava para onde ela corresse, a barreira estaria lá.

Foi quando ela viu uma mulher se aproximar de sua filha, uma velha com uma nuvem negra acompanhando-a por trás, a nuvem era pesada e exalava um cheiro de podridão. O mau agouro, dor, ódio, inveja, cobiça, luxúria e ganância seguiam a velha

Jenica viu desamparada a mulher se aproximar de sua filha quebrada e falar com ela, tentando a seduzir e enganar com falsas promessas. Gritou até ficar sem voz ao ver o acordo nefasto ser selado e a velha sumir e sua filha, sua tão querida e meiga filha, se levantar como outra pessoa, com olhos amarelados e maléficos, com o coração impuro e cheio de ódio.

Jenica cai ao chão, chorando desconsolada, sua alma clamando por ajuda.

— Por que isso aconteceu? Por que eu ainda estou aqui? O que querem de mim? – Jenica soluça.

Neste momento, Jenica sentiu uma mão em seu ombro e ouviu uma voz ao seu lado.

— Minha irmã, se levante. – A voz forte disse

Jenica levantou os olhos e viu diante de si um homem alto, com pelo menos 2 metros de altura, com lindos e pacíficos olhos azuis. Seu rosto exalava simpatia, amor e conforto.

— Sou Amon, estou aqui para lhe auxiliar, minha irmã – disse Amon – Nós, — ele estende os braços e ela percebe que está cercada por dezenas de pessoas, de todos os tipos físicos e raças. Todos ali olhando para ela com tanto amor que ela sentiu um pouco da dor amenizar. — Estamos aqui para lhe mostrar que ainda é possível salvar a alma de sua filha.

Jenica respira fundo e pergunta.

— Como? – com voz fraca.

— Com sua ajuda, mas, preciso lhe dizer: Não será fácil, não será breve e você minha irmã, precisará passar por algumas experiências, algumas vivências que lhe ajudarão no momento da batalha final. – disse Amon com sua voz de trovão.

— E Anton? Onde está ele? – Jenica pergunta confusa, pois ele também deveria estar ali ao seu lado.

— Anton já cumpriu seu papel no momento na vida de Ionela, ele só voltará para você quando for o momento de reunir sua família novamente.

Jenica pensou no que o marido disse a ela há algumas noites, quando decidiu ler as cartas para eles. Falou que ambos passariam por uma tremenda dor, mas, que o amor deles venceria no fim. Naquele momento ele havia olhado para ela com os olhos carregados de dor, amor e saudade. Ela tinha achado estranho, mas não pensou muito naquilo para não trazer azar para seu lar... tão ingênua.

— Irmã, agora você deve descansar, mas, não se preocupe. O destino tem caminhos longos e tortuosos, mas o bem e o amor vencerão no fim. E a paz, a verdadeira paz, virá. – disse Amon com a voz cheia de amor — Feche os olhos querida irmã, descanse...

Alana abre os olhos que escorrem lágrimas sem parar e pergunta.

— Como posso ajudar minha filha?