Tripulantes - Parte 1 & 2

1 Como Saraah nasceu...


Notas iniciais
Como a comandante dos Tripulantes começou sua jornada.

No ano de 1427 em Roma, Ionela Ardelean, vivia com seus pais e sua pequena tribo em um pequeno acampamento afastado dentro da floresta. Escondidos por serem acusados de serem ladrões, farsantes e falsos profetas. Os Forța Luminii (Força da Luz) se esconderam na floresta em busca de paz e força, até serem capazes de encontrar uma nova cidade, um novo lar. Ionela era uma linda jovem com um corpo voluptuoso, longos cabelos negros e encaracolados e belos olhos verdes. A moça sentia uma paz profunda ao lado de sua tribo e não imaginava uma vida aonde não pudesse contar com cada um deles. Uma noite anormalmente escura, de céu sem estrelas, no ar vibrava uma sensação de mau agouro. Seus pais, Jenica e Anton se abraçavam e olhavam ao redor, como se sentissem que o perigo estava a caminho.— Ionela, entre na cabana minha filha – disse Anton, com voz trêmula. — Não saia, não importa o que ouça!— Pai, o que está acontecendo? – Ionela pergunta com voz embargada pelo pânico.— Agora, Ionela! – grita Jenica.

Neste momento, Ionela ouviu os barulhos que vinham da floresta, a terra sob seus pés começou a vibrar e de repente, dezenas de soldados do Bispo Estevão irromperam no acampamento, com espadas em punho, arcos e flechas carregadas de veneno e a maldade exalando de seus corpos. Ionela viu um soldado arrancar a cabeça de seu pai e outro carregar sua mãe em direção a floresta.

Gritos.

Pedidos de socorro.

Sons de dor e desespero.

Ionela não sabia para onde correr, onde se esconder, sabia que ali junto à sua tribo, junto aos seus amados, seria seu fim.

Neste momento, cinco soldados se viraram em direção a ela. A malicia em seus olhos tocando-a, pinicando sua pele como agulhas que sua mãe às vezes espetava em seu corpo ao consertar suas roupas com ela ainda vestida.

— Veja o que temos aqui, meus amigos! – um soldado velho, com a cara enrugada e olhos cruéis.

— Ah, sobrou uma pombinha para nossa refeição companheiros, devemos devorá-la? – disse outro soldado rindo.

— Companheiros — disse o velho, chamando a atenção de pelo menos 20 homens — O jantar está na mesa.

Ionela sabia que seu fim estava próximo e não havia nada que ela pudesse fazer. Ao ver aqueles monstros virem em sua direção, ela fechou os olhos e aceitou seu triste destino.

Sons de passos, gargalhadas, sons de cavalos sendo montados e se afastando em seguida, entraram pouco a pouco na mente entorpecida de Ionela.

Depois, silêncio.

Dor, dor em todo lugar, dor como ela nunca sentiu. Ionela começou a chorar mansamente e implorar pela morte.

— Por que ainda estou viva? Me tirem desse martírio, eu imploro.

Horas se passaram e nada da morte vir e lhe dar a misericórdia que a moça implorava a cada difícil respiração.

De repente, sons de passos ecoam no acampamento destruído e Ionela pensou que a morte, enfim, viera buscá-la. Tentando abrir seus olhos inchados, Ionela olhou para cima e viu diante de si, uma mulher velha com intrigantes olhos amarelados.

— Tsc, tsc, pequena Ionela, olha o que fizeram com você. – disse a Velha com voz suave e hipnotizante. — Onde estava sua Luz, que não a salvou pequena criança? – disse a Velha, referindo-se ao nome de sua tribo.

— Viu como não se pode confiar nela, pequena Ionela? Confie sempre no poder que você pode manusear, nunca no que não se pode controlar em um momento de dor e precisão. – disse a Velha com a voz suave cheia de ironia e desprezo.

Ionela não concordaria com a Velha há algumas horas, mas a dor que a dominava, o ódio que estava enchendo seu coração pela perda dos seus a cegou para tudo naquele momento.

— Sabe, — disse a Velha, — eu posso ajudá-la pequena Ionela, posso lhe dar uma família de novo, posso deixa-la saudável e linda novamente, posso lhe dar poder, muito poder.

Ionela perguntou: — Como? – sussurrou com a voz cada vez mais fraca — Quem é você?

A Velha sorriu e respondeu

— Sou Saraah Gioa, uma mulher que está aqui nesta terra há muito, muito tempo. Vi reis caírem, vi reis se erguerem, vi guerras, vi paz, vi cobiça, vi mortes, vi e vivi muito, pequena Ionela, mas, esse meu corpo já não se aguenta mais, meu último Tripulante não era tão forte como pensei e se degastou. Mas, você pequena Ionela, você tem poder e juntas, podemos ser grandes e formar uma grande e linda família.

— E o que tenho que fazer? – perguntou Ionela, que já não se importava com nada, além da dor e solidão que tomava conta de seu ser.

— Você deve me aceitar, pequena. – disse Saraah, — me aceite dentro de você, deixe-me me tornar sua metade, deixe-me tirar toda a dor e solidão de sua alma, e juntas, procuraremos pessoas que nos farão felizes de novo – disse Saraah com voz suave e doce.

— Mas, eu ainda serei eu? – perguntou Ionela com voz fraca.

— Ah, sim! – disse Saraah — Claro, que sim, pequena Ionela, eu mentiria para você por quê? – Saraah sorri com uma malicia que brilhava em seu olhar como um farol. E ela continuou — Mas, pequena Ionela, tem um pequeno preço. – disse Saraah — Você cria sua pequena família, mas, eu crio a minha. Almas para se juntar a você, e almas para nos alimentar, você entende? – a voz mais suave e sedutora do que nunca.

Ionela, naquele momento, só queria que a dor fosse embora e decidiu.

— Eu aceito.

Saraah então riu alto, tão alto que ecoou na floresta e feriu seus ouvidos. Então, ela se curvou e beijou levemente seus lábios e disse: — Está feito.

Um tremor de terra que balançou as árvores ao redor, fez os pequenos animais correrem em pânico em busca de refúgio seguro e a escuridão total, tomou conta de Ionela.

Ao acordar, Ionela já não se sentia Ionela. Era Saraah Gioa, e iria atrás de sua família, e não importava o preço que fosse preciso pagar, ela teria quem ela queria.

Ela, com o conhecimento que vinha com Saraah dentro dela, sabia como fazer para conseguir as almas necessárias para formar sua família e as almas necessárias para mantê-las fortes por centenas de anos.

E assim foi feito, centenas de anos se passaram e Ionela desaparecia cada vez mais dentro de Saraah e até que restou somente um resquício dela.

Até o ano de 1881, quando Saraah/Ionela avistou um jovem que lembrava muito seu pai Anton.

Um jovem vendedor de pães, que estava passando pela cidade onde ela estava caçando almas para sua família.

Se aproximando do jovem rapaz e ao descobrir o nome dele – Antônio – ela soube que ele era perfeito para ser seu par na caça de pessoas especiais e solitárias para fazer crescer sua família e decidiu que o levaria junto, custe o que custar.

Então, ela começou a seduzi-lo e convidá-lo para lhe acompanhar na jornada.

Saraah dizia a Antônio com voz suave

— Pequeno Tony, vai ser a viagem de sua vida. – sorrindo maliciosa.