Trilogia Aventuras 02: AFA - A Nova Aventura
2 Capítulo 01: Passado esquecido... O antigo inimigo retorna!
Notas iniciais
CAPÍTULO 01
PASSADO ESQUECIDO...
O ANTIGO INIMIGO RETORNA!
Pessoas correndo de um lado para o outro. Risadas. Olhos brilhantes de alegria... Coisas assim não acontecem ao menos que algo muito bom esteja em andamento. E algo realmente maravilhoso estava acontecendo àquela tarde: o primeiro dia de exibição do Art Fest Animation (AFA), o mais novo evento pop oriental da cidade de Sobral.
Já fazia muitas horas desde que o evento começara naquele sábado, e o Centro de Educação à Distância (CED) estava repleto de pessoas. O local que promovia o evento era grande, possuindo muitas salas e espaços abertos para que as atividades pudessem ser desenvolvidas sem incômodos; e isso surpreendeu Luiz quando chegou ao hall, visualizando diversos stands que vendiam desde blusas, canecas e bolsas personalizadas com imagens de animes famosos, até acessórios como colares, chaveiros dentre outros.
O rapaz caminhou para dentro do local, preparando-se para analisar o ambiente interno e as pessoas que o frequentavam — pesquisa de campo era sempre algo essencial para ele antes de tomar qualquer decisão importante. Luiz viu uma escadaria em sua frente e logo resolveu ver o que havia no andar de cima. Ele caminhou com pressa, encontrando um grande espaço aberto que estava vazio. Lá de cima, era possível ter uma pequena noção do ambiente abaixo: os stands, diversas cadeiras e poltronas com pessoas conversando confortavelmente e uma sala com entrada envidraçada que provavelmente dava acesso à ala dos games (local que Luiz menos gostava nos eventos). O vilão parou de observar um pouco o que acontecia lá em baixo e se deteve mais em investigar o espaço de cima — que estava quase vazio por sinal.
— Parece que a maioria das atividades estão acontecendo na parte de baixo — sussurrou Luiz para si mesmo, sem notar a aproximação da borboleta.
“Este local teria sido perfeito para o ritual que fizera nos FAMS. Quase ninguém vem para este andar,” comentou a borboleta, telepaticamente.
Por um instante, Luiz serrou as sobrancelhas, revelando sua raiva pelos acontecimentos do passado. Então, ele decidiu descer as escadarias, ignorando completamente a presença e o comentário do comparsa misterioso.
O jovem vilão novamente mexeu em sua franja, retirando-a do meio da cara, e começou a olhar as pessoas a sua volta. Muitos ali eram pessoas familiares, alguns até amigos bem próximos, como Lucas Dixon, um rapaz magro que tinha um penteado semelhante ao dele e que parecia estar fazendo cosplay do personagem Raito do anime Death Note, pois ele vestia um terno elegante de cor amarelada com gravata vermelha e uma calça comprida social de cor acinzentada. Lucas passou por perto de Luiz acompanhado de seu tio Cris Sousa (popularmente conhecido como Cris Café por alguns amigos), mas ambos o ignoraram, como se não o conhecessem.
Luiz sorriu. Logicamente que eles não o reconheceriam, pois sua existência fora apagada da memória de todos. Seus amigos, seus familiares... Ninguém mais sabia quem ele era e o que fizera no passado.
Ele não se importou com aquilo. Talvez perder a amizade dos amigos, talvez o esquecimento deles fosse melhor para ele. Afinal, o jovem vilão já os matara uma vez em prol de seu plano ambicioso, quando fizera um ritual de magia enoquiana dentro do Centro de Convenções de Sobral, onde acontecia a sexta edição do FAMS.
Naquela ocasião, o plano do rapaz era usar da magia para criar um feitiço de recriação da realidade, assim ele poderia dar vida ao seu cosplay de Uchiha Madara Edo-Tensei. Seu plano quase fora um sucesso, mas alguns efeitos colaterais do ritual fizeram com que a loucura doentia do personagem Madara o dominasse, além de que o ritual também tinha dado poderes especiais a todos os demais cosplayers que participavam do evento. Sem medo, o vilão que se autodenominara Luiz-Madara, combateu todos os cosplayers que tentavam se impor contra ele. A batalha fora intensa e as chaves da vitória estavam em suas mãos, já que ninguém era páreo para o seu poder esmagador. No entanto, uma pessoa fantasiada de cosplay do personagem Uchiha Obito trouxera reforços para detê-lo: outros cosplayers que o vilão não havia visto em momento algum do evento naquele sábado. Mas isso não era o pior de tudo... Alguém que conhecia o ritual que ele fizera, encontrou o local onde os ingredientes do feitiço repousavam e, de alguma forma, conseguiu reprogramar a magia para fazer com que a existência do vilão fosse apagada da História e que todos os acontecimentos trágicos daquele dia nunca tivessem acontecido, sendo deletados completamente da mente de todos.
Todavia, nem tudo saíra como o esperado...
O vilão ainda vivia e se lembrava de tudo que acontecera naquele dia. E ele faria todos que estavam ali pagar pelo que acontecera com ele!
Ele continuou caminhando pelo CED e observando tudo e a todos. Havia muitos cosplayers no local, alguns que ele reconheceu do último evento e outros novos. Luiz também reconheceu rostos familiares de pessoas que não estavam usando cosplay ali, mas que o enfrentaram no passado. Mas, em nenhum momento ele conseguiu identificar o rosto do principal suspeito de ter estragado os seus planos no passado.
“Uchiha Obito, onde você está? Quem é você?” pensava Luiz enquanto se dirigia para olhar o espaço do K-Pop.
Enquanto se perdia em suas memórias do passado, o vilão observou o espaço do RPG, a sala de exibição de animes e até mesmo a área dos games. Depois de analisar tudo — o que levou cerca de vinte minutos —, ele se deu conta de que estava na hora de pôr seu plano em ação, mesmo não tendo encontrado as pessoas que procurara. O rapaz se escorou numa parede próxima de onde o xadrez humano estava posicionado no chão e retirou sua mochila das costas. Ele observou ao redor e percebeu que a borboleta não estava por perto, o que era um alívio, pois ele não precisaria ficar respondendo mais perguntas sobre o que planejava fazer — ele odiava gente enxerida.
Vasculhando sua bolsa, Luiz retirou de dentro dela uma pulseira preta de borracha com diversas runas mágicas gravadas e a colocou no pulso direito; depois, um grande colar com dois cristais — um preto e outro branco — com um pequeno osso preso entre eles. Luiz prendeu o colar em volta do pescoço e logo depois pegou da bolsa uma porção de anéis com pedras coloridas e os colocou aleatoriamente em seus dedos. Por último, ele prendeu no pulso esquerdo um grande bracelete dourado com um hexagrama desenhado no centro e com vários pequenos hieróglifos egípcios desenhados ao seu redor. Quando terminou de se preparar, Luiz se sentia ridículo, parecendo uma mãe de santo carregada de bugigangas; porém, tudo aquilo era necessário para os seus propósitos, pois todos aqueles amuletos mágicos fortaleceriam sua magia.
O garoto caminhou até o lado de fora do campus com sua mochila nas mãos, procurando um local bem aberto e amplo. Mas, enquanto ele saía do hall, uma pessoa que acabara de voltar da sala de exibição de animes, que ficava do outro lado do CED, viu Luiz e, com uma expressão de terror, o reconheceu de imediato.
“Não pode ser! Ele... ele está vivo!”
Luiz retirou da mochila um globo de vidro semelhante ao que utilizara no FAMS e começou a recitar palavras estranhas enquanto segurava o objeto com as duas mãos e com os dois olhos fechados. Diferente daquele outro globo de vidro, este não era oco por dentro e em seu exterior podiam-se perceber diversos símbolos e inscrições estranhas gravadas por todos os lados.
De repente, os símbolos do bracelete dourado e dos anéis nos dedos de Luiz começaram a emitir luz e, segundos depois, o globo de vidro irradiou uma forte luminosidade vermelho-rubro enquanto começava a flutuar para cima, bem para cima. À medida que o globo subia, as nuvens ao redor começavam a se juntar repentinamente e a escurecer, espalhando escuridão e um sentimento estranho de morbidez. Todo o ambiente ficou envolto por um breu assustador quando a esfera parou de subir, ficando posicionada um pouco acima do CED.
Alguns expectadores e organizadores do AFA perceberam a súbita mudança no clima e correram de onde estavam para ver o que estava acontecendo do lado de fora e porque um garoto expressava um sorriso diabólico enquanto erguia as mãos para o céu e olhava para... uma esfera vermelha flutuando a muitos metros acima deles.
— Finamente vai começar! — gritou Luiz para que todos por perto o ouvissem. — Ative-se... Mugen Tsukuyomi!
A vingança começa...
A técnica do pesadelo infinito é ativada!
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