Notas iniciais
"Nunca aceite nada de estranhos" - Sua mãe * Capitulo Editado - 29/06/2014

O único barulho no cenário era do ranger do galho da árvore pela pressão do peso da menina loira no balanço, fora este, o silencio entre os presentes era tão intenso que podia sentir o incomodo do ruido do vento no pé do ouvido. Forte e estridente parecia levantava levemente o vestido de Miku e bagunçava seus cabelos, parecendo que levaria consigo as árvores com as raízes de tão potente. Poderia balançar com mais velocidade a pequena garotinha risonha, mas ela mantinha os pés firmes no chão balançando, com eles, sozinha. Do outro lado entre as sombras das folhas espeças o garoto loiro balançava inconsciente a perna estendida para fora do galho alto em que se encontrava

Ambos fitavam com intensidade com um sorriso arrepiante a garota de cabelos esverdeados na estrada de pedra, esta que também os encarava estatica.

O barulho da madeira gemendo contra as cordas apertadas do balanço parou assim que a menina se levantou, ficando de pé imóvel com os braços relaxados ao lado de seu corpo, sem tirar os olhos de Miku. Era como se esperasse por algo. O som de folhas e finos galhos secos se quebrando soou alto, ele havia pulado de seu galho, havia pulado de tão alto... e aterrissado normalmente na terra. Ele também não parou de fita-la.

Ainda com os mesmos sorrisos no rosto. Idênticos.

Em passos lentos e sincronizados foram em direção a Miku ainda paralisada sem ter certeza do porquê de não conseguir se mover. Por vontade própria ela se auto impedia de sair dali. E eles chegavam cada vez mais perto

Agora de pé era possível vê-los melhor.

Para que não atrapalhasse sua visão, a garota prendia para os dois lados a franja cumprida, do lado direito, para quem vê, dois grampos formavam um X, na cabeça, ela também usava uma faixa com um pequeno chapéu preto arrumado no lado esquerdo, enfeitado com renda branca e vermelha formando um delicado adorno para uma pequenina rosa negra quase morta, tanto que, coitada, já perdera metade de suas pétalas. Usava um vestido negro que chegava até a metade das canelas, levemente bufante pelos babados feitos de pano branco rasgado na barra, com um decote quadrado e sem mangas. As mangas cumpridas com listras verticais vermelhas e pretas eram presas direto no braço a partir da altura dos seios que chegavam a cobrir quase que inteiramente as mãos pequenas deixando de fora apenas as pontas dos dedos cujo o final e inicio também tinham finos babados. Da cintura até o fim do busto pequeno o vestido havia uma fileira de botões médios e vermelhos, por de baixo do vestido parecia que ela ainda usava uma blusa de seda branca cujo o colarinho estava envolto por uma faixa branca que formava um laço caído. Deixando os ombros a mostra, o xale grosso negro ajudava também contra o frio. Suas pernas finas estavam inteiramente cobertas por meias de lá também listras de preto e vermelho como as mangás e nos pés calçava botas de cano baixo igualmente negras.

O garoto era um pouco mais alto que a menina e que Miku, usava roupas que combinavam com a da garota. A calça tinha as barras presas dentro das botas de cano longo com fechos de metal já envelhecido. Seu casaco lembrava um smoking só que de material mais grosso preso por três botões, bolso sobre o peito esquerdo pendia uma rosa negra, tal como a na cabeça da menina, murcha com dias contados para que morresse completamente. Se é que já não estivesse morta. Abaixo do casaco usava uma blusa social de seda vermelha, no pescoço bem arrumado com a ponta para dentro do casaco havia um lenço branco que lhe inflamava mais o peito. O cabelo loiro parecia rebelde, mas era bem preso em um pequeno rabo de cavalo.

Pode-se notar que suas roupas não eram tão detalhadas quanto as da menina, mas ainda assim alguns detalhes e cores eram suficiente para que combinassem. Era uma maneira peculiar de se vestir — tanto em relação a ela quanto a ele, porém o mais peculiar e interessante neles eram os olhos verdes e penetrantes tais como esmeraldas.

Quando Miku ficou ao alcance da mão dos gêmeos, amos pegaram uma das mãos da debutante e as beijaram. Miku olhou perplexa para cada um ainda estava um pouco assustada; a presença, os olhares e principalmente o sorriso que davam eram tão amedrontadores quanto a floresta.

Eles se afastaram dela um pouco e se posicionaram a sua frente. Ele colocou a mão contraria sobre o peito esquerdo e a outra nas costas na altura dos quadris e então se curvou. Ela colocou o pé direito um pouco a frente do esquerdo, comas as duas mãos, segurou com delicadeza a barra do vestido e também se curvou. Ambos a reverenciavam. Quando voltaram a ficar eretos disseram:

– Bem vinda à este pequeno chalé, meu nome é Len. — disse o garoto, ele tinha a voz firme — Esperamos que goste das acomodações.

– Meu nome é Rin — disse a garota, sua voz era doce como a de uma criança — Você parece machucada e está suja, por favor entre, vamos cuidar de você. Tomara que o acidente não tenha sido tão grave, senão não nos perdoaríamos.

Miku, com o comentário de Rin, recuperou a fala

– Como você... — mas antes que terminasse a pergunta foi interrompida por Rin

– Apenas parece que sofreu um acidente pelo seu estado — ela a olhou com sarcasmo no olhar, Len também a olhava do mesmo jeito, o que assustou Miku

– Aaah... — ela se olhou de cima a baixo, Rin tinha razão dava pra perceber — Me desculpe por aparecer assim no jardim da casa de vocês, mas tem razão, eu sofri um acidente e então comecei à ouvir e seguir vozes ate que encontrei este lugar esper... — porém mais uma vez foi interrompida, dessa vez por Len

– Vozes? — ele ainda a olhava com sarcasmo e talvez com um pouco de superioridade também — Não tem como ter ouvido vozes nesta floresta, certo? Além de nós ninguém mais vive por aqui — então ele sorriu para ela com carinho, mas também como se estivesse achando graça do que acabará de falar.

– Tem razão, não tem como eu ter ouvido vozes — Miku falou — Bom, não querendo ser oferecida, mas poderiam me dar abrigo na casa de vocês e me emprestar seu telefone para eu poder contatar alguém? Meu nome é... — mas Len a interrompeu outra vez

– Sabemos quem é senhorita Miku, Hatsune Miku — ele lhe deu um sorriso, mas ela estava assustada. Como ele sabia o nome dela?

– E está casa não é nossa, é de nossa Senhora apenas estamos guardando para ela. Afinal, somos suas crias. — falou Rin sorrindo gentilmente e oferecendo a mão para Miku para acompanhá-la — Apenas estamos esperando que ela volte.

A mão de Rin era fria, porém logo depois começou a ficar quente e aconchegante. Eles seguiram até a escada, assim que terminaram de subi-la Rin soltou a mão de Miku e foi com Len até a entrada, rodeada pelos lados de grandes abóboras, fechada por uma porta dupla que fora aberta apenas para Miku. Len a chamou:

– Vamos, entre. Iremos lhe dar o necessário — sua mão ligeiramente aberta indicava a entrada de, talvez, um salão que Miku ainda não conseguia ver direito estando tão longe.

Ela seguiu a indicação de Len hesitando um pouco ainda assustada com os dois e com o lugar, quando estava cruzando as portas Rin sussurrou bem baixo em seu ouvido, tão baixo que se ela não tivesse se concentrado não conseguiria ouvir:

– Vai começar uma divertida brincadeira

Eles fecharam a porta deixando a noite de fora.

Notas finais
As apresentações oficiais dos dois *-*