Trick and Treat
4 Ódio seguido de brincadeira
Notas iniciais
Aquela pequenina luz alaranjada vinda da lamparina de Rin era quase afundada na escuridão, mas era o único ponto de visão de Miku em meio ao salão escuro da casa. Era a unica coisa que a guiava pelo caminho desconhecido. Com isso Rin ia a frente, Len logo atrás e apenas restava a debutante segui-los em meio ao silencio — apenas o eco dos passos deles ecoavam em seus ouvidos — e isso lhe causava repreensão. Miku observava em volta tentando perceber o máximo de detalhes que podia, porém a casa estava acomodada em um breu que parecia sem fim. Chegaram a base de uma escada enorme com os degraus cobertos por um grosso tapete, ela soube pelo fato do eco dos passos terem acabado e por sentir que pisava em algo macio.
Len subiu o primeiro degrau antes de se virar para ela com um olhar gentil e lhe oferecer a mão para ajudá-la a subir já que talvez fosse impossível ver onde pisava, ela poderia tropeçar e rola escada a baixo e isso era algo que ele nunca desejaria. A jovem aceitou prontamente estendendo a mão para a dela, mas assim que a tocou pensou em recuar assustada, encarou a mão do rapaz com olhos arregalados de surpresa e espanto, ela era extremamente gelada como a de Rin. Então fitou a pequena com mesmo terror, Rin esperava os dois um pouco mais acima, a luz da lanterna possibilitou que se notasse um sorriso gentil e amável em seu rosto fino, totalmente inerte as apreensões de Miku.
Voltando o olhar para as mãos de Len, ela agora estava quente então por ora a debutante apenas esqueceu e subiu as escadas grata pela ajuda. Quando chegaram no final ele soltou sua mão e Miku se entristeceu, as mãos dos "irmãos" eram aconchegantes, depois de aquecidas, cálidas faziam-na desejar por mais.
A esquerda da escada, eles caminharam mais alguns metros seguindo até uma porta no fim do corredor e um pouco mais afastada das outras, Miku não disse nada afinal a casa não era dela, iria ficar ali apenas até conseguir se comunicar com alguém, apenas continuou em silencio os seguindo. Antes que abrisse a porta Rin levou a pequena lamparina na altura do lábios e assoprou acabando com a pequena chama na vela, então quando ela abriu uma onda de luz incomodou os olhos de Miku, que até agora estavam acostumados com o escuro. A jovem fechou os olhos e levantou as mãos, por instinto, para cobri-los, logo foi abrindo-os devagar e retirando as mão da frente, e a primeira coisa que vislumbrou foi Rin e Len, um ao lado do outro.
Eles eram lindos tanto em meio ao escuro quanto à luz, a fitavam ainda sorriso e não pareciam nem um pouco incomodados com a claridade como ela ficara, apesar de terem ficado mais tendo no breu do que ela. O casal estava apenas parado ao lado da porta dando passagem e esperando que ela entrasse.
– Entre Miku-chan – disse Rin com um sorriso dócil e olhos fechados.
Miku foi entrando sem deixar de observá-los até não conseguir mais, ainda procurando por algo a mais naqueles olhos verdes e penetrantes, algo que ela não podia enxergar, mas sabia que estava lá; então quando não conseguiu mais só lhe restou olhar o cômodo à sua frente
Era bem comum, porém dava pra perceber que pessoas importantes moravam ali. O quarto era enorme e bem espaçoso com piso de madeira e tinha paredes escarlates enfeitadas com sutis desenhos pretos, como espirais, linhas e rabiscos, além de algumas estrelas bem espalhadas e principalmente os que chamavam mais atenção: um sol e uma lua crescente, ambos juntos olhando um para o outro e ambos sorrindo. Sorrisos que iam afinando até não poder mais nos cantos dos lábios, com as fileiras de dentes bem marcados.
Eles davam um pouco de medo, parecia também que a seguia com o olhar.
Em algumas partes do quarto lascas da tinta escarlate saiam mostrando espaços brancos em diversos tamanhos. Havia uma janela enorme enfeitadas por cortinas pesadas vermelhas — mais para vinho do que para sangue como as pareders — com enfeites dourados, abertas deixando a luz do luar invadir um pouco o quarto e cobrir principalmente a cama que estava próxima. A cama de dossel tinha véus quase transparentes amarrados por fitas pretas, ela estava estendida apenas por lençóis brancos e estava repleta de ursinhos de pelúcia, vários e de diversos tipos, o que deixará Miku feliz. Desde criança ela amava esses brinquedos além de bonecas. De frente para a cama separados por um grande espaço havia um sofá para, pelo menos, duas pessoas e do seu lado um grande guarda roupa de madeira com três portas, do outro lado do quarto no canto, ao lado esquerdo da cama havia uma pequena mesa branca e duas cadeiras. A luz que não incomodava mais vinha dos candelabros presos às paredes. Miku foi até o meio do quarto e dava pequenas voltas observando cada detalhe, até que voltou o olhar para os gêmeos parados na frente da porta agora fechada.
– Está de seu agrado, senhorita Miku?– perguntara Len
–Sim, é muito lindo – ela respondera, mas as paredes ainda lhe davam um pouco de medo, principalmente a paisagem que ela vira de relance pela janela, ou melhor, não havia paisagem, as árvores enormes bloqueavam a visão, a não ser pelo céu que era preto e como único brilho havia a lua cheia.
– De verdade? – Rin perguntava quebrando seus pensamentos, ela a olhava com um olhar sarcástico enquanto sorria, esse modo como eles a olhavam como se soubessem de tudo, como se lessem sua mente, apavorava Miku e cada vez mais – Gostou de tudo? – ela perguntava como se soubesse o que Miku pensava – peço desculpas pelas paredes, mas faz tempo que não cuidam direito deste quarto
– Não, não. Eu realmente gostei de tudo – ela respondeu meio sem jeito
– Então talvez tenha gostado de algo mais que as outras coisas, certo? – Len falava agora — O que seria?
Miku o olhou surpresa e então depois de alguns instantes respondera, mudando a expressão para um sorriso sereno enquanto olhava para a cama
– Sim, os bichinhos de pelúcia, eu realmente adoro eles desde criança – quando voltou olhar pro dois ficou surpresa novamente.
Len mantinha um sorriso nobre, mas Rin estava com a cabeça baixa fitando o chão, ela parecia com raiva e grunhia um pouco baixinho, muito baixo. Suas mãos tinham os punhos cerrados com tal força que suas juntas estavam brancas, era muito força para uma garotinha que parecia ter 13 ou 14 anos, ela estava assustadora. Len percebendo o olhar de Miku olhou para a menina ao seu lado com um olhar meio que de preocupação, por instante até de repreendimento e então disse:
– Talvez seja melhor trocar suas roupas, temos algumas que podemos lhe dar e Rin pode ajudá-la a se trocar enquanto eu trago algo para que possa comer. Deve de estar faminta – ele disse com um sorriso gentil, quase, como sempre, e então Miku viu toda aquela raiva e ódio de Rin ir embora em um piscar de olhos e como recuperada rapidamente graças as palavras do “irmão” ela correu bem feliz até Miku e a abraçou pelo lado dizendo:
– Sim talvez seja melhor fazer isso! – ela realmente estava feliz. Bem mais animada.
– Não precisa, assim eu vou ser um inc... – foi interrompida com o abraço mais forte que a garotinha lhe deu e viu o grande sorriso estampado em seus lábios não tendo como recusar – mas talvez seja melhor eu me trocar mesmo.
Rin deu algumas risadinhas ainda abraçada à ela enquanto Len dizia:
– Então com sua licença eu já volto com alguns quitutes – ele a reverenciou do mesmo jeito que fizera no jardim e saiu
A garotinha à soltara e apressada abriu uma das portas do guarda roupa tirando de lá um lindo vestido curto vermelho. O pegou pelo cabide e colocou na frente do corpo de Miku para ver se ficaria bom, mas pelo seu olhar ela já sabia que ficaria e seria aquele mesmo, então Rin se afastou um pouco e disse com um grande sorriso como o de uma criança:
– Nossa primeira brincadeira: eu irei vesti-la como se fosse minha boneca!
Para Miku bastou assentir amável, após esta leve surpresa.
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