Treze dias
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Ficamos ali onde nossas poltronas estavam durante um tempo sentados sem dizer uma palavra, o tempo parecia não passar, como a mata era fechada entrava pouca iluminação ao nosso redor, exceto pela clareira que o avião abriu onde caímos derrubando algumas árvores. Não sabia o que era pior, o silêncio enlouquecedor ou algum barulho que surgia no meio da mata
A ajuda podia demorar dias para chegar, e logo anoitecerá,o ideal seria procurar abrigo. Confesso que a cena de Rony dando as costas para seus amigos mortos também não saiu da minha cabeça.
—Rony, é o seguinte… — Quebrei o silêncio. — A ajuda pode demorar dias para chegar, agora temos que nos preocupar em ficar vivos e sobreviver até nos encontrarem. Temos que achar, ou até mesmo fazer um abrigo, temos que revirar mais uma vez aquele avião e procurar tudo que possa servir para nos ajudar. Fósforo, álcool, comida, faca, copo, enfim, qualquer coisa. Precisamos fazer uma fogueira, isso afastará qualquer bicho que possa vim nos atacar, temos também que tirar aqueles corpos dali e…
—Ei, ei, ei… A ajuda pode demorar dias? Como assim dias? — Disse ele assustado.
—Sim, Rony, dias, porque veja bem, o avião estava seguindo uma rota, quando começou a perder altitude desaparecemos do radar, se saímos da rota um pouco que seja dificulta as buscas.
—Que ótimo! — Exclamou ele irritado e continuou. — Estou preso aqui, no meio do nada com uma aeromoça e um bando de gente morta.
Essas palavras soaram para mim como uma bomba e sem pensar disparei.
—Qual é o seu problema cara? de verdade? Você acha o que? que você é a melhor pessoa do mundo pra estar perdida? Olha pra você, que patético! Sem contar que você não tem coração não hein? Aquelas pessoas estavam com você e você não esboçou nenhuma reação. Como pode ser tão frio desse jeito?
—Frio… Frio? você acha que me conhece? Quem é você pra falar comigo desse jeito? você não sabe quem eu sou, não conhece minha história, não sabe o que eu já passei nessa vida, não aceitarei ser julgado por você, e outra... o que você queria que eu fizesse hein? Corresse para aqueles corpos e chorasse em cima de cada um deles? Eu nem conhecia aquelas meninas e quanto ao Emerson, ele era um babaca, então me desculpe por não derramar rios de lágrimas por eles.
Rony ficou transtornado com o que eu falei, mas não me intimidei e continuei.
—Como você é podre.
—Podre!!! — Quando eu sair daqui vou processar todo mundo que eu conseguir. Primeiro é meu jatinho que dá pane e depois esse avião cai aqui no meio do nada e agora você querendo me dá sermão. Me poupe! e mais uma coisa… eu sou o Rony Weasley minha filha... o mundo deve ter parado para me procurar, você tem sorte de eu estar aqui com você, porque se eu não tivesse dentro daquele avião, você não seria encontrada nunca.
—Pois eu preferia ter ficado sozinha. — Respondi sem pensar.
Ele não retrucou, apenas me encarou em silêncio em seguida deu as costas e entrou no meio do mato.
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