Treze dias
5 Capitulo 5
Notas iniciais
—Aonde está o kit de primeiros socorros e sobrevivência que eu deixei dentro do avião? Droga vai ser difícil achar no meio de tanta bagunça!- Eu estava em meio aos destroços do avião, tentando achar os kits
— “...Eu sou o Rony Weasley minha filha... o mundo deve ter parado para me procurar, você tem sorte de eu estar aqui com você…” — Eu repetia em voz alta. Que cara mais arrogante, cheio de si, irritante e patético... aff...
Depois de muito tempo procurando encontrei uma mala preta em baixo de uma poltrona, achei também algumas garrafinhas de vodka e uma garrafinha de água que milagrosamente não estouraram e achei uns pacotinhos de salgadinhos. Meu estômago revirou de fome. Abri um pacote e virei praticamente inteiro na boca. Era a melhor comida que eu comi na minha vida.
Continuei ali minha “expedição” em meio a ruína para ver se achava mais alguma coisa, mas infelizmente não consegui achar mais nada de útil. Peguei a mala e fui deixando os escombros quando reparei que no pulso direito do Emerson havia um relógio. Droga, e agora? até que um relógio seria útil. Mas eu não… Ufff… Droga, droga droga!. Bufei de raiva, eu não queria pegar nada de ninguém, não queria chegar nem perto daqueles corpos, estava evitando ao máximo olhar pra eles e agora tenho que me aproximar. Minha garganta queimava com vontade de chorar, mas eu sabia o quanto um relógio era importante naquele momento.
Fui me aproximando devagarinho do corpo, parecia até que eu não queria que ninguém ouvisse de tão cautelosa que estava. Merda!... droga!… merda!… merda!… Eu xingava mentalmente.
Me aproximei do Emerson tentando não olhar para seus ferimentos e cuidadosamente tirei seu relógio. Mas por que diabos eu estou fazendo isso tão devagar? Ele está morto. Acorda Hermione, sua tonta!
Eu estava de cabeça baixa quando tirei o relógio, mas não sei por que, juro que não sei porque eu levantei os olhos e olhei direto para o buraco que havia na cabeça dele. Era horrível. Meu estômago embrulhou na hora e acabei vomitando. Por que eu fiz isso?
Sai com a mala e o relógio nas mãos, eu tinha que achar um jeito de fazer um abrigo e uma fogueira, já era quatro horas da tarde e logo iria escurecer e esfriar. Tudo seria tão mais simples se aquele inútil do Rony estivesse aqui. Aonde será que ele foi? E se ele se perdeu no meio da mata? E se algum bicho o comeu?. Enquanto eu voltava para as poltronas minha cabeça não parava de pensar nas piores tragédias.
Assim que cheguei peguei dois gravetos e iniciei minha tentativa de fazer fogo, passou cinco, dez, quinze, vinte minutos e nada de eu conseguir fazer nem uma fagulha. Droga! Em um momento de fúria joguei os malditos gravetos longes, então abri a mala e tirei as garrafinhas e os pacotes de salgadinhos, depois comecei a revirar as roupas, temos aqui roupas masculinas: calças, meias, camisetas, blusas, bermudas, cuecas, cintos, algumas coisas de higiene pessoal em uma necessaire, sapato, tênis, chinelo, perfume. Pelo tamanho do manequim acho que essa mala é do Rony. Que beleza!.
Sem cerimônia tirei minhas roupas rasgadas, vesti uma camiseta, um conjunto de moletom da Nike e calcei um par de meias. Pronto talvez passe menos frio com essa roupa. Fechei a mala sentei na poltrona e fiquei ali olhando pro nada.
A pior parte de não ter mais o que fazer é sentir a adrenalina sair do seu corpo e o peso da dor e do cansaço surgir com toda intensidade do mundo, meu corpo todo doía, minha cabeça parecia que ia explodir. Já estava escurecendo e a temperatura caindo gradativamente, me encolhi na poltrona e fiquei pensando na minha família, de como eles ficariam desesperados com a notícia da queda do avião. E a Nic, como explicar minha ausência? E o Rony, cadê ele? Meus olhos começaram a pesar e sem pensar mergulhei na imensidão do sono.
Eu estava dentro do avião, sentada ao lado do Rony, estávamos rindo, felizes, quando vem a comissária de bordo nos oferecer uma bebida… eu reconheço ela… é umas das loiras acompanhantes do Rony. Ela se aproximou de nós e começou a chorar compulsivamente, de repente ouvi um barulho e algo me puxando para fora do avião, estou caindo. Ahhhhh!!!
Acordei dando um pulo da poltrona, era um pesadelo, eu estava suada, parecia que eu tinha tomado uma injeção de adrenalina, meu coração estava a mil. Olhei ao meu redor e já estava a noite, a mata completamente escura, e a clareira era iluminada apenas pela luz do luar, quando de repente ouvi um barulho vindo de dentro da mata. Meu coração parou, o que será que era?
Fiquei em silêncio, imóvel esperando algo acontecer, olhei ao meu redor para procurar algo que poderia servir de arma, mas foi inútil, estava muito escuro, mal conseguia enxergar. Ouvi o barulho novamente, dessa vez um pouco mais próximo. É agora... é o fim… pensei comigo mesma
A cada barulho mais próximo que eu escutava, inconscientemente eu dava um passo pra trás, quando tropecei e caí de costas. Rapidamente comecei a tatear até achar o que me derrubou e encontrei algo comprido, parecia um galho… um tronco de árvore ou algo do tipo. Sem hesitar peguei e fiquei em posição de ataque. Não seria um alvo fácil.
O barulho estava mais próximo, apertei meus olhos tentando enxergar além, quando vi um vulto, era grande, parecia um urso, uma alma, sei lá... olhei novamente e reconheci, era o Rony.
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