Notas iniciais
Eu sempre demoro, mas agr, as coisas tão mais fáceis pra mim, então vou postar regularmente,prometo!!

Capítulo 8

P.D.V Milena

Ro: Caramba, cê tá péssima. Disse Rose cutucando minhas olheiras.

M: É, eu sei. Respondi afastando o dedo dela dos meus olhos com a mão.

Ro: Sua mãe não é pilhada com essas coisas de bem-estar e tal?

M: Ela saiu mais cedo pra trabalhar, não me viu hoje.
Mas uma hora ela vai, pensei com pesar, vai me encher de produtos pra melhorar as olheiras e blá blá blá.

L: A minha não pode nem falar de mim, tem duas bolsas embaixo dos olhos que já devem ser permanentes hoje.

Luenne estava sentada no mesmo banco que eu, encostada num tronco de árvore virada pra mim, Rose estava inclinada na minha frente pra observar minhas olheiras, frutos da noite passada mal dormida, mas ela levantou o rosto quando ouviu a voz do Enzo, parecia irritado.

E: É que não é justo. Ele disse gesticulando com as mãos na direção de Joca.

J: A culpa não é minha, ele só convidou e eu aceitei.

E: Tá, só tô dizendo que é estranho, porque eu preciso de mais pontos em química que você, eu tô praticamente na recuperação.

Joca só deu ombros, pouco interessado, aliás, ele nunca parecia está interessado em nada.

Ro: Do que estão falando? Rose perguntou entrando entre os dois.

J: Eu fui convidado pelo Pedro pro Grupo de reforço, é pra quem precisa de pontos extras ou algo assim, e o Enzo queria ir mas não foi chamado.

M: Ah é, ele te chamou também. Eu falei ao lembrar

L: Também? Tu vai? Luenne se surpreendeu.

E: Mas você é ótima em química. Enzo jogou as mãos em sinal frustração.

Ele parecia tão mal que preferi ter ficada calada, mas agora todos me olhavam esperando uma explicação.
Suspirei antes de falar

M: Bom, o que ele disse pra mim era que é um grupo especial, tipo avançado, eu acho, pra quem era bom em química.

L: Ué, ele tem mais de um grupo? Jesus, esse homem nem vida deve ter... Que desperdício....

Revirei os olhos, Luenne nunca perdia uma oportunidade.... Nunca.

Ro: Mas ele falou quantas pessoas iriam ter nesses grupos??
Rose olhava de mim pra Joca, mas nenhum dos dois respondeu

Ro: Ah, vamos, vocês devem saber de alguma coisa, de repente ele precisa de uma certa aluna exemplar, tipo....sabe....EU.

Ai Meu Deus, a Rose não ia desistir por nada, eu já estava planejando uma rota de fuga quando o Joca abriu a boca.

J: Calma lá Rose, Não é fim do mundo, é só um grupo qualquer de...

Ele foi interrompido pela chegada de Ray

R: Gente, pela amor de Deus, me digam se vocês já conseguiram...

Ro: Ser convidados pros grupos irritantemente exclusivos do Pedro? Não, quem somos nós pra isso afinal??!

M: Ai Deus, a encarnação do drama ataca novamente. Eu disse suspirando.

L: Eu não mereço isso. Gemeu Luenne que começou a bater a cabeça na árvore.

A gente já sabia o que vinha depois, uma Rose reclamona pelo resto do dia.

R: Só ia perguntar sobre o trabalho de matemática.

Coitada da Ray, mal tinha chegado e já era alvo principal da ira da Rose, acho que a própria Rose percebeu isso, pois baixou os olhos suspirando num pedido de desculpas silencioso pra Ray.

Ro: Foi mal, é que eu tô meio...sabe

J: Lunática?

Ro: Cala a boca.

Enzo disfarçou o riso com uma tosse nada convincente.

Ro: É que pra mim é diferente, um grupo avançado deveria me ter, nunca saí da linha de boas notas, nenhuma vez sequer.

E: Mas nisso eu defendo o cara, ele acabou de chegar, não sabe nosso histórico também não, calma, daqui a um tempo ele vai perceber que você é uma ótima aluna, isso se não for a melhor.

Ro: É, pode ser. Rose concordou. Na verdade, só o leve avermelhado nas bochechas dela me faziam acreditar que ela concordaria com tudo o que ele dissesse.

Luenne também percebia isso, e fingia vomitar no tronco da árvore. Prendi a risada e escondi minha boca atrás da bolsa, que estava em meu colo, Já a Ray riu abertamente no meio de nós, deixando o clima bem mais leve com uma Rose corada e um Enzo confuso.

***

O assunto já tinha mudado a tempos e o grupo de estudos esquecido, já que a grande fofoca do dia se concentrava em descobrir porque os professores adiaram a primeira aula e deixaram os alunos ficarem fora de sala pra se reunirem com os diretores numa urgência, na verdade, embora eu tenha estivesse curiosa, não tava realmente pensando em muita coisa, a minha escola era boa mas nunca foi exatamente bem organizada, esse tipo de coisa acontecia direto. Era possível que a "tal urgência" fosse só um simulado que atrasou ou um congresso que precisava de alguns professores como representantes, coisas entendiantes desse tipo, é claro que isso não refreava a imaginação dos meninos, que discutiam sobre uma possível abdução escolar. Eles pareciam acreditar tanto no que diziam que não tinha como não rir.
Eu estava me curvando de tanto rir com o comentário do Joca de que o antigo professor de química fosse um infiltrado quando algo reluziu perto do meu rosto e depois no meu olho

M: Ai, que é isso?

eu olhei pra minha mão onde estava iluminado por um reflexo que a pouco estava na minha cara

M: Mas de onde veio isso?

Virei procurando a origem do reflexo e parei quando vi um pequeno espelho sobre o bebedouro, provavelmente a fonte do que reluziu no meu rosto.

E: Que foi? Enzo seguiu meu olhar, mas não foi o espelho que ele notou

E: É o Pedro? Será q a reunião já acabou?

Olhei ao lado do bebedouro, onde ficava a sala dos professores, Pedro estava falando no celular, sua expressão não era boa.

L: Iiihhh, o que será que aconteceu pra ele tá com essa cara?
Ninguém falou nada até que eu levantei com minha garrafa de água nas mãos

Ro: Onde cê vai?

M: Encher a garrafa, já volto.
coloquei a bolsa no chão, mas não antes de ouvir a teoria do Enzo sobre a nova estratégia de lavagem cerebral do povo de Marte.
Saí balançando a cabeça enquanto ria.
Não sei bem o que pretendia ao ir pra perto do Pedro, só que por algum motivo sabia que precisava ir.
Cheguei no bebedouro onde me encostei, Pedro parecia murmur algo no aparelho, eu já ia começar a encher as garrafa quando ouvi

P: Até que fim, né Milena?!

M: Oi? Perguntei virando ligeiramente na direção dele.

P: NÃO VIRE PRA MIM!! Ele disse com a voz forte.
A mudança foi tão repentina, que com o susto deixei a garrafa cair das minhas mãos, ela bateu no bebedouro e escorregou até o chão. Ele ainda olhava pra frente, fitando a porta da sala dos professores, com o celular na orelha e movia os lábios rapidamente, tentei, porém, obedecer e me abaixei para pegar a garrafa, comecei a enche-la.

P: Muito bem, assim é mais fácil.

M: por favor, me diz que tá falando comigo.

P: É claro que é com você, tô usando esse celular como disfarce, ajudaria se você baixasse a cabeça e diminuisse o movimento dos lábios.

M: Pra que tudo isso?? Fiz menção de me virar

P: Se você olhar pra mim de novo, juro que nunca mais vai conseguir olhar mais nada na sua vida.....

M: Meu Deus, você é maluco....Falei assustada

E eu também sou, pensei, de ainda não ter saído correndo.

P: A gente não tem tempo, preciso te avisar sobre uma coisa. Disse calmante, virando um pouco mais as costas pra mim.
Achei que fazia parte da encenação, então também mudei de posição e esvaziei discretamente a garrafa, para enche-la de novo.

P: Tenha mais cuidado por onde anda por um tempo, alguém.....ruim está solto.

M: Ruim como? Perguntei enquanto fingia examinar um lado da garrafa.

P: Ruim ao ponto de não se importar e nem sentir nada por ninguém, e ruim especialmente pra pessoas que como você, devo lembrar, estão entrando nisso agora, então qualquer coisa estranha, me avise.

M: Ótimo, porque já tenho uma pra você. Eu disse e observei que mesmo sem se mover, ele parecia mais atento.

M: Ontem aconteceu uma coisa estranha, pode ser só coincidência, mas quando eu tava voltando pra casa.....bom, três postes meio que...sabe....explodiram.

P: Explo... diram?
eu quase podia ver sua expressão irônica.

M: É, tipo isso, sabe...Cabum. Primeiro um que tava até longe de mim, aí um mais próximo é um que tava literalmente em cima de mim, corri antes de ver o último mas sei q ele também explodiu.

P: Os postes...Tinha mais algo que emanava luz nesse lugar?

M: Não, é uma rua antiga da cidade, quase ninguém nora nela, e é maior que as outras um pouco, só os postes evitavam o bréu.

P: Tá explicado então...... Escuta só, vou dizer uma vez, não se ponha em risco, andar só muito tarde, ficar parada se algo assim acontecer ou ir nessa rua de novo, está fora de cogitação, sua casa vai ser protegida, então tente evitar burrices quando tiver fora dela.

M: O que? Mas...Mas.... E se acontecer de novo?

Minha cabeça tinha tantas perguntas, infelizmente eu sabia por experiência própria que ele não responderia nenhuma. E que parada era aquela de proteger minha casa? Por acaso iria montar guarda lá? Não seria nada suspeito não é mesmo?!

P: Não vai, o seu cuidado é apenas uma preucação. Agora preciso ir, já usamos tempo demais.

M: Não vai nem me dizer o nome desse "alguém ruim"?

P: Ele não tem mais nome, se transformou em outra coisa, irracional, perdeu os traços humanos.

Dessa vez ele não parecia falar nem comigo nem com o telefone, ele falou de um modo distante, quase como se contasse uma recordação.

M: Pedro, você está me assustando.
Ele parecia voltar a si e tirou o aparelho da orelha, encerrando a falsa chamada

P: O objetivo é esse, doce criança.

Então ele se virou rapidamente, pegou o espelhinho em cima do bebedouro, cuja existência eu já tinha esquecido, e enfiou no bolso.

P: Esse tipo de coisa é chamado de desertor. Ele concluiu com uma calma, como se dissesse "bom dia", ele entrou na sala dos professores antes mesmo que eu pensasse em algo pra perguntar.

Percebi que a garrafa de água já transbordava nas minhas mãos, a quanto tempo será que estava assim? Sacudi a cabeça para clarear as ideias, tampei a garrafa e voltei pro meu lugar no pátio.


***

P.D.V Joca

Eu conferia de novo a mochila com as coisas que eu iria precisar, estava lembrando exatamente das palavras do Pedro, "traga seus livros e....coragem, pra umas experiências" aquilo me deixou apreensivo, em especial por que ele me explicou que fica só com cada aluno do reforço inicialmente pra só depois, quando vê que estão todos no mesmo nível, junta-los nas aulas. Eu sempre adorei experiências, mas não sabia se realmente iria ser útil em alguma coisa.
Senti o carro desacelerar ao chegar na porta da escola, desci do carro, me despedi do meu pai e já ia entrar na escola quando ouvi

P: Joca! Eu tô aqui.

J: Ah, oi professor, não vai entrar?!

P: Não, nossas experiências vão ser no meu próprio laboratório, você me acompanha?

J: An....Claro, se não for longe.

O que eu queria dizer na
verdade era " isso não é um estilo de sequestro é?!"

P: Nada, é aqui pertinho.

Eu caminhei com ele e cheguei até o laboratório a umas duas ruas de distância, nós falamos um pouco da matéria, mas a maior parte do tempo ficamos em silêncio, paramos na frente de uma casa que ele rapidamente abriu e entrou, ligou as luzes e eu o segui, parei por um momento, maravilhado, tinha três balcões, dois mais finos onde tinha pias, béqueres, tubos de ensaio e outros instrumentos e um balcão mais extenso e largo no meio com cadernos, fórmulas e tabelas periódicas, fora isso tinha uma porta nos fundos, uma cabine que pelo que vi era um banheiro e um armário fechado.

P: Impressionado?

J: Sim, o do colégio não é assim.

P: Imaginei que não, fiz esse cantinho pra mim a uns anos quando me tornei professor, aqui era uma casa abandonada e por sorte fica perto da escola.

J: É incrível.

P: Obrigado.

Ele falou um pouco sobre minhas notas, fiquei meio envergonhado, eu não era um aluno ruim.....Pelo menos não em tudo, mas o antigo professor de química tinha mais sono que matéria para ensinar, e pra completar eu nunca fui exatamente bom na matéria nem um dos preferidos dele, tive vontade de revirar os olhos só de imaginar o cara de pastelão me repreendendo na aula por algo como, sei lá, respirar.

P: Joca? Tá ouvindo?

J: Claro Pedro, tô sim.

P: Então, sei que ainda não passei nenhuma prova oficial, mas ouvi muito sobre cada aluno da sala de vocês e você parece ser um bom aluno, não vou deixar você cair por causa da minha matéria, vamos nos ajudar, certo?!

J: Muito Obrigado Pedro, sério, isso me deixa muito aliviado.

P: Bom saber que você se preocupa com as notas, agora, vamos iniciar o nosso trabalho, pensei em começar falando sobre eletrólise e te mostrando alguns exemplos, pode pegar aquele caderno ali pra mim?!

J: Claro.

Fui na direção do caderno que ele apontou no balcão do centro, passando pelo armário, não sei bem como mas um sentimento estranho me invadiu a poucos passos do caderno, os cabelos da minha nuca se eriçaram e um frio estranho desceu pela minha espinha. A sensação veio e sumiu tão rápido que até parei no meio do laboratório, confuso. O Pedro parecia normal, então devagar peguei o caderno e o levei até ele, que o pegou mas fixou os olhos em mim.

P: Algo errado?

J: Não, nada.

Continuei tentando entender o que tinha acontecido, meus olhos foram atraídos pelo armário... não, eu nunca acreditei nessas coisas, pelo amor de Deus, era só um armário, meus olhos, no entanto, se fixaram na chave que ele tinha enfiada na fechadura, eram duas num mesmo chaveiro, uma delas, a que não estava na fechadura, balançava e tilintava baixinho nas vezes que se batia no armário.

P: Acho que temos tudo aqui. Pedro voltou a chamar minha atenção, ele olhava pro caderno que continha instruções e enfileirava alguns instrumentos e materiais à sua frente. Ele se levantou e olhou para mim.

P: Vamos começar com umas coisas bem básicas, certo?!
Concordei com a cabeça.

P: Bom, mesmo sendo básica, ainda é perigoso, por isso, enquanto eu vou no banheiro, você pode pegar uns pares de luvas pra gente naquela gaveta.

Ele indicou com o dedo pra uma gaveta na lateral de um dos balcões que eu não tinha notado e se encaminhou pro banheiro.
Fazendo como ele pediu, fui na direção da gaveta e puxei, ela não veio, baixei os olhos o suficiente pra ver que ela tinha uma fechadura, estava trancada. Olhei ao redor, não parecia ter chave nenhuma por perto.....ao não ser que.....Levantei os olhos pro armário, e lá estava, se a chave que estava encaixada no armário o abria, então a outra junto dele podia ser a da gaveta, fazia sentido, certo?!
Caminhei até lá e pus a mão na chave me preparando pra puxar quando senti de novo, exatamente o mesmo frio na espinha, o eriçar dos fios na nuca, continuei na mesma posição deliberando, O Pedro já devia estar saindo do banheiro, não iria demorar muito mais, e eu não tinha motivos pra abrir o armário, mas caso fizesse isso, não seria bem uma invasão de privacidade já que aquilo era um laboratório e não uma casa, quer dizer, não teria nada pessoal dele ali......Ou teria? Sem pensar mais girei a chave que estalou baixinho quando a trança abriu e puxei devagar a porta, ao mesmo tempo que a porta do banheiro se abria.

J: Ah, Merda.

Notas finais
Amo escrever pra vcs, não me abandonem!!