Treinados para Escuridão

7 A verdade começa a aparecer


Notas iniciais
Gente, pelo amor de Deus, P.D.V= ponto de vista tá?! É tipo "p.o.v", ok?! E aos que acompanham...MT O B R I G A D A!!

P.D.V Milena

Me vi sentada com um professor lunático que com certeza estava assistindo ficção demais, ele me olhava em silêncio, sua expressão normalmente fria, agora entendiada, como se assistisse a um filme que já viu várias vezes

M: Tá, vou fingir que você não pirou de vez e voltar pra casa. Disse fazendo menção de me levantar.

Ele só suspirou como quem pedia por paciência.

P: Se você fosse verdadeiramente sincera comigo e consigo mesma, ajudaria.

M: Eu sou sincera comigo mesma.

P: Então porque tenta fugir toda vez que menciono algo? Já q você viu o que viu, sabe que o que aconteceu, não é nada normal.

M: Eu não consigo me imaginar falando seriamente nisso.

P: Não se imagine, só sente e escute antes de sair me chamando de maluco.

Eu suspirei...Não tinha jeito mesmo

M: Tá, qual a história?

P: Você já deve ter ouvido falar de alguns povos e vilarejos antigos que sumiram do nada, certo?!

M: Alguns....São falhas na história, os "registros" simplesmente somem como se nunca tivessem existido.

Pedro meneou a cabeça, concordando.

P: Já pensou na possibilidade que tal "sumiços" fossem planejados?

M: Como um povo poderia planejar o próprio sumiço? É impossível, um povo inteiro que sumiu? alguém um dia iria perceber

P: Talvez.... as lendas têm que surgir de algum lugar não é?!

M: Tá, agora perdi de vez o sentido da conversa. Na verdade, pensei, acho que nunca encontrei o sentido dessa conversa.

Pedro suspirou com um ar divertido, por algum motivo muito estranho essa situação o divertia.

P: Você logo vai entender

M: Porque você adora embromar?

P: Sem suspense não tem graça. Ele finalizou com um sorriso irônico.

Revirei os olhos, esse novo Pedro irônico era tão ruim quanto o caladão que eu conheci antes.

M: Tá, mas como isso vai responder minhas perguntas? Ele não pareceu me ouvir

P: Digamos apenas que hipoteticamente esses sumiços possam estar ligados com algo maior, e que muitos resquícios daquele época que ainda existem formem uma parte diferente da humanidade hoje.

M: Isso parece sinopse de filme

P: Você nem imagina o quanto

M: Então que parte diferente seria essa?Ele se inclina na mesa, na minha direção e abaixa a voz

P: Uma parte que poucos tem direito de conhecer. Eu imitei seus movimentos, me inclinando e sussurrando de volta.

M: E o que te faz pensar que eu faria parte de algo assim?

P: Os seus olhos. Disse ele simplesmente, como se explicasse tudo.

M: Mas como as....

Ele voltou a se endireitar e eu parei na metade da frase, ele sorriu brevemente, como se estivesse satisfeito consigo mesmo.

M: Pedro, eu realmente preferia que você não falasse em códigos.

P: E eu preferia que você não me criticasse tanto.

M: PEDRO!! Falei alto, não gostava de enrolação, algumas pessoas se viraram para olhar.

Pedro olhou ao redor parecendo quase envergonhado.

P: Você não é muito discreta né?!

M: Eu preciso saber o que está acontecendo.Ele me olhou por um momento e suspirou

P: O que você quer saber?

M: O que significa....TUDO isso?

P: Você vai precisar entender isso sozinha e não agora, já te disse tudo.

M: Você prometeu que responderia a todas as minhas perguntas.

P: Eu responderia se você fizesse as perguntas certas.

M: O que aconteceu na escada?

P: Hmmm...Você, viu algo que não devia, algo perigoso e eu te tirei de lá. É, pensei, depois de acertarem a minha cara....

M: Isso eu já tinha descoberto sozinha, quero saber que coisa era aquela.

P: Isso eu não posso te responder, não tem uma definição exata....Ele parou como se pensasse no assunto.

M: Por quer ele estava na escola?

P: Bom...Isso...sabe..Eu pus ele lá

M: O QUE?Quase gritei. Pedro massegeou rapidamente as têmporas e depois me repreendeu.

P: Da pra falar baixo? Que mania!

M: Você colocou aquela coisa no colégio?

P: Era um teste, pra ver quem o sentiria por perto, não era pra ninguém dar de cara com ele.

M: Mas eu dei.

P: Você foi uma exceção.

M: Ah, jura?

P: Olha pelo lado positivo, você me surpreendeu. Balancei a cabeça, desacreditada.

M: E qual foi o objetivo desse teste?

P: Encontrar gente como você.

M: Como eu?

P: Sim, não sei se você percebeu, mas você passou no teste.

M: Ah que bom, passei no teste de um maníaco, que solta negócios sinistros em escolas repletas de crianças, isso me deixa muito feliz.

P: Nenhuma criança o veria.

M: MAS EU O VI.

P: Exato, lembra o que eu falei sobre exceção?

M: Pedro, essa história só tá cada vez mais estranha

P: Você vai entender tudo, quando for a hora.

Eu hesitei um pouco e depois perguntei de uma vez

M: E a minha testa?

P: O que tem sua testa?

M: Para, eu sei q você também vê. Eu falei fitando o meu reflexo na caixa de metal que continha os guardanapos.

P: Você ver "isso", só prova que não é igual as outras pessoas.

M: E o que é isso que vejo nela?

P: É um hematoma.

M: Hematomas ficam bem visíveis e geralmente roxos e não....desse jeito.

P: É porque não é um hematoma comum, foi feito por algo...maligno, só gente como nós, pode ve-los.

M: Como nós?

P: Sim, só pessoas....especiais.

M: Se somos a mesma coisa por que você sabe mais dessas coisas que eu?

P: Porque você é novata, e ainda vai ser preparada...sabe..treinada

M: Treinada?

P: Sim, treinada pra lutar ao nosso favor.

M: Eu? lutar? A favor de quem mesmo?

Rezei pra que ele estivesse falando "lutar" no sentido figurado da palavra.

P: Você já ouviu falar em um dom chamado "paciência"?

M: E eu achei que você não tinha cara de ser irônico, por que você não é assim em sala de aula?

P: Eu tenho meus limites. Ele disse ficando sério de repente. Não pude deixar de sorrir, ele era mais bipolar que eu.

M:Escuta, isso tudo é uma completa loucura.... mas de alguma forma encontro algum sentido no que você diz.

Ele deu um sorriso convencido

P: É claro que encontra. Então ele olhou para cima, as marcas de humor já desaparecidas do seu rosto, segui seu olhar, o céu escurecia.

P: Tá na hora de ir. M: Espera, o que? Mas eu não sei de nada ainda, você disse que..

P: Eu sei o que eu disse, olha, esse tipo de coisa não é exatamente algo que se explique da noite pro dia, o que você precisa saber por enquanto é..Então ele baixou a voz e olhou nos meus olhos, e continuou

P: Aquilo foi real, você acreditando ou não, existe uma parte desse mundo que quase ninguém hoje conhece, você foi chmada pra conhece-la.

M: Conhecer?

P: Sim.

M: Eu..eu quero, me mostra.

P: E vou, é claro que existe coisas que você tem que saber antes.

M: Por exemplo?

P: Os riscos

M: Ris...riscos?

P: Você não acha que esse "lado" do mundo, seria tão bem escondido se fosse seguro né?!

M: Então, posso me ferir?

P: Sim, mas não se preocupe tanto com isso, atinge mais quem está bem fundo nisso.

M: Tipo você? Ele sorriu e balançou a cabeça como se pensasse na resposta

P: Talvez. Ele olhou novamente pro céu ficando em pé.

M: Você vive com pressa, não é?!

P: Sou sobrecarregado e preciso ir pra casa, se fosse você, faria o mesmo, o escuro não é mais tão seguro pra você agora.

Abri a boca com a intenção de dete-lo, mas tinha acabado de pôr a última colherada de sorvete na boca, engasguei e só saiu sons, e ele se foi, rápido como o vento, já estava no fim da rua antes que eu notasse, suspirei baixando a cabeça e olhando pro seu pote de sorvete derretido em cima da mesa.

***

Apressei o passo pela rua, iria ter que arranjar uma bela desculpa pra minha mãe depois, pensei em falar sobre um possível trabalho, mas não tinha levado nenhum material comigo, e já era tarde, como iria explicar isso? Eu estava imersa nos próprios pensamentos, os pés seguiam automaticamente o caminho que conheciam tão bem, porém, entre um determinado passo e outro, eu ouvi, um som forte de vidro se estilhaçando do chão, meus pés travaram e meu corpo retesou com o susto.

M: Meu Deus, o que?

O poste de luz mais distante de mim, tinha explodido, simplesmente se espatifou, me encostei na parede da casa mais próxima, tentando entender o que aconteceu, mas não tive tempo, já que logo depois eu ouvi de novo, dessa vez, mais perto, o porte que estava no meio da calçada. Só pode ser brincadeira, pensei, isso não tá acontecendo, não tive, no entanto, tanta certeza, quando vi o poste logo acima de mim, começar a tremer, me afastei instintivamente, andando pra trás, e de repente as palavras do Pedro voltaram com força total, " o escuro não é mais tão seguro pra você agora".

M: Ai meu Deus...

Virei apressadamente e corri pelo caminho de casa, ainda consegui ouvir quando o vidro do último poste estilhaçou no chão, não diminui o passo e só parei de correr quando cheguei na porta de casa, ofegante, eu entrei, precisava contar aquilo para o Pedro, o que será q ele diria? Talvez dissesse que eu estava maluca e que foi só coincidência, mas então, porque eu não acreditava nisso? Fui tirada dos meus pensamentos pela minha mãe, ela olhava pra mim com sobrancelha erguida, em silêncio, provavelmente esperando a resposta pra uma pergunta que não ouvi. Não lembrava da desculpa que tinha pensado, então improvisei

M: Esse trabalho acabou comigo, tô morta. Arrisquei, fingindo cansaço. Sua expressão melhorou mas não parecia convencida.

H: Descansa então, o jantar vai atrasar um pouco. Assenti e fui pro quarto. Embora minha cabeça rodasse com tantas perguntas, fiz de tudo pra manter o foco no presente, não queria minha mãe zanzando atrás de mim.Eu não dormi bem aquela noite, flashs de gente aleatória que sumia na minha frente com efeito bomba de fumaça e vozes estranhas, me pertubaram a noite inteira, infelizmente, o pior não era isso, porque toda vez que eu acordava, o alívio era seguido pelo medo, quando eu dava de cara, com a escuridão.

Notas finais
Até mais :3