Traídos Pelo Desejo.
3 Capítulo
Notas iniciais
Cap. 03
Narrador.
Espumando de ódio, o Promotor Público entrou em seu escritório e fechou a porta com toda violência. Ainda despindo o paletó cinza escuro, caminhou até o pequeno bar instalado na estante atrás de sua imponente escrivaninha, despejou uma dose de uísque num dos copos de cristal, adicionou quatro pedras de gelo e entornou a bebida num só gole. Seu estômago vazio logo protestou sentindo o efeito instantâneo do álcool. Primeiro ardor, depois a sensação entorpecente. Mas ele controlou-se a tempo. Apenas uma dose era o que se permitiria beber naquele horário. Sorriu amargamente. Se ao menos pudesse subjugar sua mente com a mesma facilidade... Fitando o copo vazio com uma determinação férrea, largou-o sobre o tempo de sua escrivaninha e instalou-se na confortável cadeira de couro preto. Após refletir alguns instantes, concluiu que sua adversária realmente estava querendo guerra. Que outra explicação poderia haver para aquele ataque surpresa?!
Desde que chegara a pequena cidade de Forks no condado de Washington, Isabella Marie Swan era uma pedra em seu sapato. Ela era linda, sexy, ardente e o seu primeiro encontro havia sido simplesmente espetacular. Eles tinham feito amor por várias vezes no chalé de propriedade da família dela durante um fim de semana inteiro. Mas, a magia daquele momento tinha desaparecido na tarde da segunda feira seguinte e hoje, dez dias depois eles tinham virado inimigos declarados, ao menos no tribunal.
Nesse momento ela se dispunha a defender um acusado cuja causa era considerada perdida, o que parecia ser rotina para a senhorita Swan, mas desta vez ela ousava alegar que Caius Volturi, um réu convicto acusado de roubar quando estava em liberdade condicional fora vítima de torturas e maus tratos e já anunciara que pretendia acusar os quatro oficiais da força policial da cidade por abuso de poder e brutalidade.
Trincando os dentes, ainda completamente tomado pela ira, ele bufou:
–Isso é o que ela pensa!
Murmurou com os dentes cerrados, ao mesmo tempo em que acionava o interfone para a secretária do Fórum, a senhorita Coop.
–Ligue-me com Isabella Swan, Srtª Coop. AGORA!
Sentindo a raiva quente e vermelha correndo em suas veias esperou que a velha senhora completasse a ligação. Desta vez ela passara dos limites e ele iria arrancar com um prazer mórbido aquele sorriso convencido do rosto feminino de uma vez por todas. Volturi era tão culpado quanto se estivesse sido pego roubando com a “mão na massa”. Ao primeiro toque do telefone, esticou a mão retirando o fone do gancho e levando-o ao ouvido.
–Cullen.
Reconheceu imediatamente a voz de Alice, assistente pessoal e amiga de Isabella.
–Lamento Sr. Cullen, mas a senhorita Swan não está no momento e não estará de vota antes das catorze horas, informou-o.
–Já passa da uma da tarde, Alice, falou imperioso.
–Sei disso, senhor Cullen, explicou a pequena mulher com aquele tom profissionalmente mecânico que ele tanto odiava. – O senhor quer deixar algum recado?
Edward rolou os olhos fitando o teto de sua ampla e confortável sala contando mentalmente até dez antes de responder.
–Peça para a sua chefe me ligar, se não for muito incômodo, Alice, disse com uma ironia velada. –Não. Pensei melhor. Diga-lhe que eu gostaria de me encontrar com ela hoje. Sem falta.
–A-ham. O recado foi anotado e eu passarei a sua mensagem assim que ela voltar...
Edward desligou o telefone com uma batida seca e forte, fazendo com que o aparelho estremecesse sobre a mesa.
–Maldita! Ela só pode estar conspirando contra mim!
Esbravejou afundando na cadeira macia. Em apenas uma semana ela quase conseguira levá-lo a loucura com as estratégias que apresentava no tribunal. E olha que tinham sido apenas dois míseros casos! Inconformado pegou mais uma vez a pasta com o caso de Caius Volturi. Seu auxiliar e estudante do último período de direito, Emmett Masen era tão meticuloso, obstinado e tão persistente quanto Bella. Teria Emmett falhado?! Fez uma careta de repulsa ao pensar naquilo. Se havia uma coisa que ele detestava mais que perder um caso, quando o acusado era culpado obviamente, era perder por causa de um erro.
Entre a prisão de um suspeito e seu julgamento acumulava-se uma vasta documentação e provas que poderiam conter algum erro. Sem dúvida alguma o sistema era falho e ali em Forks com uma população de cerca de 8.500 habitantes, a maior parte de famílias fundadoras da cidade e com a reduzida quantidade de funcionários, bem como a obsoleta tecnologia do antigo Fórum, os processos cada vez estavam se afogando em sua própria papelada burocrática. Mas enfim, a pasta em suas mãos era tudo o que tinham e ele, Edward Thomas Cullen não iria admitir uma falha.
De certa forma havia entre o advogado de defesa e a promotoria pública uma espécie de controle forçado e mútuo. Eu sabia que ela estava fazendo o seu papel, desempenhando a sua função, mas Bella parecia dedicar-se a tudo com um empenho mais que excessivo. Talvez quisesse mostrar para alguém ou para si mesma que era capaz como se cada um dos casos fosse uma vitória pessoal especialmente contra ele. E o que mais o enfurecia era a poderosa e irracional atração que sentia por ela. Fechou os olhos recordando os momentos tórridos vividos no chalé com ela nua em seus braços, sobre e sob o seu corpo, ardendo de desejo, gritando de prazer, clamando por mais e sentiu seu corpo reagir imediatamente.
–Merda!
Resmungou mudando de posição tentando acalmar o seu amiguinho lá embaixo enquanto sua mente vagava para o último domingo onde havia ido à casa do juiz Black para um jantar de boas vindas onde fora apresentado à sociedade local. Assim que entrou na ampla mansão em estilo vitoriano, na sala fracamente iluminada, teve a atenção capturada pela mulher de costas num vestido justo de lã na cor cinza que ressaltava um dos corpos mais bonitos que ele já vira. O traje social e elegante era complementado por sapatos de salto vermelhos. A figura deslumbrante fez com que esquecesse momentaneamente a irritação que o dominara antes de sair de sua nova casa na noite chuvosa, mas ao aproximar-se um pouco mais, imediatamente a reconheceu. Bella. Como se sentisse a presença dele, ela virara-se em sua direção não parecendo surpresa nem ao menos abalada. Simplesmente o cumprimentara com um daqueles sorrisos estudados que ele viria a ver com freqüência nos encontros no Fórum. Em seguida comentara algo sobre o prazer que sentia em revê-lo após o mal entendido em seu primeiro dia como Promotor ali na cidade. Declarara também que nos combates em que se enfrentariam:
–“Que vença o melhor, Edward”
Ele nada dissera. Apenas fizera um gesto cumprimentando-a com a cabeça, afastando-se em seguida. Edward então passara o restante da noite esquivando-se do assédio das outras mulheres e observando cada passo de Isabella de um canto da sala esforçando-se para prestar atenção na conversa que o juiz Black e outros cidadãos ilustres tentavam manter. Viu o exato instante em que o mecânico musculoso que havia consertado o seu carro entrou na recepção e a maneira como foi caminhando diretamente na direção de Bella com um sorriso enorme em seu rosto. Edward cerrou o maxilar franzinho a testa levemente observando quando ela retribuindo o sorriso abraçou-o e pouco tempo depois saíram do ambiente juntos, deixando-o com os cabelos da nuca arrepiados. Descobrira naquela noite que o tal rapaz era filho do juiz aposentado, mas sempre fora um rebelde e preferia ganhar a vida como mecânico, a seguir a brilhante carreira do seu genitor. Impaciente verificou o relógio vendo que já fazia mais de quinze minutos que os dois tinham se ausentado, sentindo uma irritação enorme. Uma das moças que fazia parte da roda amigável disse alguma coisa, mas ele sequer escutou, tratando de sorrir levemente para a mulher ruiva que o fitou sorrindo encantada. Instantes depois o casal retornava à sala. Viu com surpresa que Bella havia trocado de roupa e que estava usando agora jeans justo, botas de cano alto pretas, blusa e jaqueta pretas. Um traje mais que apropriado para motoqueiros. Engolindo o seu desapontamento viu com desgosto quando Jacob acenou para o pai, despedindo-se, segurou a mão dela e os dois desapareceram porta a fora. Ele ficou na festa por mais meia hora e em seguida retirou-se indo direto para casa. Sacudindo a cabeça afastou aquelas lembranças da mente, forçando-se a voltar para o presente, acionando a Srtª Coop mais uma vez.
–Ela ainda não ligou?
–Não, senhor Cullen. Assim que a Srtª Swan ligar e passo a ligação para o senhor, não se preocupe.
–Ligue para ela novamente, ordenou ele impaciente. –E depois peça para o Emmett vir até aqui. Assim que desligou afrouxou o nó da gravata e concluiu que não seria possível nadar durante sua hora de almoço, conforme planejara. Talvez fosse melhor assim. Irritado como estava acabaria discutindo com alguém no clube ou até masmo coisa pior. Houve uma batida leve na porta e em seguida um jovem alto, atlético de cabelos escuros e aproximadamente da mesma idade de Edward enfiou a cabeça pela porta.
–É o furacão Bella?
–E quem mais poderia ser?!
Respondeu irônico. Emmett revirou os olhos entrando na sala, fechando a porta atrás de si.
–Pobre de mim!
Caçoou sentando na cadeira em frente a Edward, que lhe entregou um copo e a garrafa de uísque.
–---
Assim que chegou ao seu escritório, Bella foi felicitada por Alice e por outros companheiros de trabalho. Ela vencera mais um caso difícil.
–Parabéns, Bella!
–Parabéns Srtª Swan.
–Mais uma vitória brilhante!
–Obrigada, pessoal.
–Devia colocar seu talento em casos difíceis na capital, Bella e não em casos gratuitos como este, disse Mike Newton, um advogado loiro que fora da mesma turma que ela e que já havia chamado Bella para sair algumas vezes, mas ela sempre declinara dos seus convites com elegância e sutileza, sem deixá-lo chateado. Até para o baile de formatura ele a tinha convidado, mas ela alegra que só iria porque Jasper a obrigou e que o irmão seria seu acompanhante.
–Não se preocupe com os meus clientes, Mike, posso cuidar deles sozinha, como sempre fiz. A herança deixada pelos meus pais é mais do que suficiente para que eu viva confortavelmente o resto da vida.
–Sei, disso, Bella, mas se quiser abrir um escritório em sociedade, conte comigo, falou sorrindo e mostrando os dentes perfeitos. Bella sorriu, mas nada respondeu. Não estava nos seus planos abrir uma firma de advocacia. Ela estava feliz levando sua vida daquele jeito e não dava a menor importância para o que as pessoas pensavam. Ela uma vez fora vítima da crueldade de seu tio Aro e jurou que quando crescesse faria de tudo para ajudar aqueles que mais precisavam, mas que não tinham condição de pagar um bom advogado. Com essa determinação entrou na faculdade e deu o máximo de si para ser a melhor aluna da turma, o que conseguiu cinco anos depois. Fora a alunada laureada da faculdade no ano de sua formatura.
–Muito bem, Bella. Dinheiro não é tudo, Mike, disse Alice fitando-o diretamente. -Não há nada de errado em se medir o sucesso de alguém pelo número de pessoas que se consegue ajudar.
Bella deu um sorriso forçado e saiu arrastando sua assistente para sua sala, deixando os outros ainda falando animadamente no corredor.
–Detesto esse sujeito!
Bradou Alice.
–Não sei por quê. É a mim que ele cobiça Alice.
–Por isso mesmo! Aposto que se fosse advogada e pobre, ele não lhe dirigiria nem ao menos um olhar, quanto mais chamar para sair...
Bella fez um gesto com as mãos pedindo para que ela esquecesse Mike ao menos por enquanto.
–Alguma novidade?
Perguntou desejando mudar se assunto.
–Sim. Ele ligou. Acho que deve ser por causa do caso Volturi. Já deve estar sabendo...
Baixando a cabeça, desviando o olhar para que a amiga não visse como ficava afetada apenas por saber sobre ele, ela retrucou:
–Pois vai ter de esperar. Perdi meu horário de almoço então sinceramente não quero aborrecer-me ainda mais, explicou colocando uma pasta que trazia nos braços dentro da segunda gaveta da escrivaninha, tirando o blazer preto pendurando-a no porta casacos. Alice deu-lhe um olhar cético e estendeu o bloco de anotações em sua direção. Os olhos de Bella acompanharam a escrita perfeita da amiga sobre o papel imaculadamente branco.
–Cinco vezes?!
Questionou abismada.
–Ele ligou cinco vezes nas últimas duas horas?!
–Nossa! O que será que ele quer?! Repetir a dose do chalé?! Talvez...
Brincou Alice fazendo com que Bella corasse violentamente.
–Shhh... Não diga uma coisa dessas aqui!
Falou apreensiva. Alice a fitou erguendo as sobrancelhas, um olhar malicioso e uma expressão mais que devassa em seu rosto de fada.
–Não acha que ele está querendo algo mais do que trabalho?!
–Não.
–Não? Pois eu acho que ligar cinco vezes é mais que um sinal Bella. É uma prova.
–Prova de que? Deixe de fantasiar Alice.
Respondeu sentando em sua cadeira folheando as outras anotações feitas pela sua assistente.
–E o que mais?
O queixo de Alice quase caiu.
–Você não vai ligar para ele?!
–Talvez, murmurou consultando sua agenda. –A festa de aniversário da senhora Ateara é essa semana. Não se esqueça de mandar um presente em meu nome.
–Um buquê de rosas também?
–Sim. Sem hesitar atirou todos os recados no cesto de lixo, incluindo os de Edward Cullen e retirou de dentro da bolsa seus óculos de leitura de armação branca de acetato da Guess, que eram detestáveis, mas necessários.
–Muito bem, vamos ao trabalho, decidiu arregaçando as mangas. Ligue para Rósalie e pergunte se o vestido de tafetá vermelho que comprei já está pronto.
–Ficou lá para ajustes?
–Sim.
Rose era a dona da melhor butique da cidade e sempre tinha coisa lindas e variada, para agradar o gosto de qualquer mulher na cidade. Depois ligue para o Jacob dizendo que não vou poder jantar com ele mais tarde. Ao ouvir o nome do melhor amigo dela, Alice revirou os olhos, mas não fez nenhum comentário maldoso.
–Pode pedir para levarem isso aqui até o correio?
Falou entregando dois embrulhos a amiga, que os recebeu sem questionar.
–O que mais você tem para mim, Allie?
–Nada que não posso esperar até amanhã, respondeu Alice preparando-se para sair, pegando duas pastas de documentos que se encontravam alinhadas sobre a mesa, sobrepostas uma à outra.
–Lembre-me de que não posso viver sem você, falou sorrindo.
–Gostaria que o seu irmão pensasse da mesma forma, falou triste. O sorriso de Bella desapareceu.
–Quer que eu converse com ele sobre isso? Vamos nos encontrar mais tarde.
–Não Bella. Ele é seu irmão e eu sou sua melhor amiga. Não quero que fique entre nós. Não seria justo. Eu mesma resolvo “isso” com o Jasper depois.
–Tudo bem, Allie, mas saiba que ele é um tolo por não te assumir de uma vez.
Alice agradeceu a força e a solidariedade e saiu, retornando minutos depois com uma caixinha de suco de laranja a base de soja. Bela refrescou-se com a bebida, recostando-se na cadeira deixando que seus pensamentos vagassem e voltarem imediatamente para a figura do novo promotor público de Forks. Seus olhos verdes e profundos, seu sorriso torto e desconcertante, seu nariz reto, a boca desenhada e bem definida, seus cabelos acobreados... E que cabelos! Qualquer modelo na face da Terra daria a alma para ter um rosto lindo como aquele. Um rosto de anjo no corpo de um sedutor... Edward fora o único homem que conseguira mexer profundamente com ela; e o fizera de uma maneira ímpar, singular. Mas depois do fim de semana maravilhoso no chalé, as coisas tinham virado do avesso e ele parecia estar sempre pronto a começar uma briga com ela. Seria tudo aquilo apenas para puni-la por tê-lo ofendido naquela segunda feira á tarde? Ou haveria algum outro motivo? Será que ele ainda pensava nos momentos intensos de paixão que viveram juntos? Pensou sentindo o rosto queimar. Sabia que existia algo muito intenso entre eles. Uma forte atração com a qual ambos teriam que lidar, mais cedo ou mais tarde. E ela sabia que esta era a principal razão dele tentar evitá-la sempre que se encontravam em algum evento social. A única coisa que fizeram desde o mal entendido no Fórum foi trocar alguns cumprimentos corteses e polidos. Nada mais. E talvez por isso sentisse uma necessidade extrema de provocá-lo. Sabia que era errado, mas não podia evitar e se era uma boa briga que ele estava querendo, ele teria. Mas ela imporia as regras.
O interfone tocou e ela atendeu.
–Sim, Alice?
–Jacob na linha dois, disse sua assistente sem nenhuma emoção.
–Ok, pode passar, falou tirando o fone do gancho, satisfeita por poder conversar com o amigo de infância.
–---
–Promotor Cullen, que prazer em receber uma ligação sua, disse o juiz Billy Black ao terceiro toque.
Edward estava pronto para sair.
–Preciso de um favor, pediu.
–Pois não. Estou ouvindo, disse atencioso.
–As moças que estavam em sua casa na recepção...
–Ahh... Você quer companhia, filho?
–Sim, e soube que o senhor tem ótimas indicações nessa área, respondeu. Emmett havia confidenciado a Edward que garotas de programa eram o fraco do juiz aposentado, que mantinha relações freqüentes com as moças de um luxuoso bordel nas proximidades da saída sul da cidade. E que por isso o relacionamento dele com filho não era dos melhores. Billy Black começara a trair a mãe de Jacob antes dela adoecer e o seu único filho não conseguira perdoar o comportamento do pai.
–As moças da Jane são as melhores, falou com um certo tom orgulhoso na voz.
–Ótimo.
–O que prefere? Loira, morena, negra, ruiva, latina... Edward ergueu as sobrancelhas, impressionado com a familiaridade do homem mais velho em relação aquele assunto.
–Que tenha a pele alva, cabelos castanhos longos e escuros, olhos castanhos, disse objetivo. Houve uma pausa breve de alguns segundos e Edward sabia que o juiz sabia exatamente o que estava acontecendo ali. Fez uma careta e aguardou.
–Assim... Com o biotipo de Isabella Swan?
Raposa velha! Ele estava lançando a isca, mas Edward recusava-se a ser uma presa tão fácil. Ficar subentendido era uma coisa. Declarar em alto e bom som era muito diferente.
–Assim eu vou ter uma indigestão antes de comer, juiz Black, proferiu rindo. Billy acompanhou a sua risada, mas ele não se deixaria enganar.
–Sei que Isabella tem sido uma pedra no seu sapato, mas não posso negar o fato de que ela é uma linda mulher.
“Linda, sexy, cheirosa, gostosa, uma deusa na cama e quente como a perdição do inferno”! Pensou consigo mesmo.
– Meu próprio filho vive correndo atrás dela desde que eram adolescentes, emendou.
“Que ótimo”, pensou com desagrado, resolvendo esquecer o assunto temporariamente.
–Mas não quero estragar a minha noite falando na Srtª Swan. Prefiro tratar de assuntos mais agradáveis, sugeriu sutilmente.
–Mas é claro, que descortesia da minha parte. Bom, posso lhe dar o número do bordel ou eu mesmo posso ligar e marcar o encontro. Onde vai ser? Em sua casa?
A cada palavra dita pelo homem mais velho Edward arregalava mais os olhos. Será que as moças trabalhavam para ele e o borde “Da Jane” era apenas uma fachada? Uma forma ilícita de ganhar dinheiro fácil? Ou será que ele era apenas um cliente amigo mais que assíduo?
–No Masen Hotel, falou. Sendo o hotel da família de Emmett, o mesmo explicou que aquele tipo de serviço era comum ali na cidade e que os funcionários eram mais que discretos sobre a identidade dos hóspedes.
–Ótima escolha, Edward.
–Pode mandar a moça para lá. Quart 504.
–Ela chegará em breve. Tenha uma boa noite.
–O senhor também, disse desligando o aparelho e fitando sua imagem no espelho. Nada melhor que uma noitada com uma profissional do sexo para exorcizar a cadela Swan de sua mente, pensou ajeitando a jaqueta escura sobre os ombros, pegando as chaves do carro e saindo.
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*** Esse homem ainda me mata meninas... Ai, ai...
Continua...
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