Notas iniciais
Boa noite garotas (os) cap. quentinho pra vcs.

PDV Narrador.

Eu também te amo. Muito.

—Eu sei, Edward respondeu sorrindo observando-a parada junto à janela de seu volvo com uma xícara de café nas mãos. Ele estava pronto para partir e Bella ainda estava usando o mesmo roupão velho da noite anterior.

—A noite passada foi a melhor de toda a minha vida, emendou fitando-o com carinho.

—Obrigado. Para mim também foi muito especial amor, mas agora tenho que ir. Ela assentiu. –Nos vemos daqui a pouco.

—Certo. Até logo.

—Até, respondeu manobrando o veículo e saindo. Bella sentiu um baque no coração ao vê-lo afastar-se, mas ela sabia que a separação duraria apenas algumas horas. Logo mais à noite ela estaria nos braços de Edward outra vez. Suspirando tornou a entrar na casa decidida a fazer o teste de gravidez que havia comprado na farmácia na semana anterior. Ela pesquisara na internet antes de escolher a marca e neste, o fabricante garantia 99% de eficácia. Deixou a xícara na pia vendo que tinha um monte de louça para lavar, mas tinha valido a pena. Cada minuto que ele ficara. Sorrindo caminhou até o banheiro, abriu o armário sob a pia e pegou a caixa cor de rosa retangular sentando-se na bacia, lendo as instruções e seguindo as instruções ao pé da letra. Exatamente quatro minutos depois viu a confirmação. Seus olhos arregalaram-se em choque. Estava grávida! Céus... Engoliu em seco. Seus olhos grudados no resultado a sua frente sentindo o coração batendo loucamente. Comemoraria com Edward assim que fosse possível, mas faria também um exame de sangue para ter mais uma confirmação. Embora o seu corpo já demonstrasse sinais claros de uma gestação, ela não parou para prestar atenção o suficiente. Estava tensa, triste pelo rompimento e envolvida demais com o julgamento. Mas agora em seu íntimo tinha certeza absoluta de que estava carregando em seu ventre um filho de Edward. Apressou-se em arrumar-se com esmero e quando já estava no terraço quase de saída viu o jornal matinal jogado num canto do piso. Decidiu ignorá-lo afinal de contas estava mais do que simplesmente atrasada, mas a manchete da primeira página despertou a sua atenção e Bella baixou-se para pegar o informativo, curiosa.

“Homicídio Ou Legítima defesa?” A Promotoria Pública consegue novas informações sobre o assassinato de Harry Clearwater.

Bella leu o artigo rapidamente e antes de chegar ao fim seu rosto já tinha uma expressão dura e contrariada. A manchete era um amontoado de insinuações e suposições, o que lhe garantira um lugar especial na primeira página foram às palavras: “informações de fontes seguras”. Era preocupante saber que o médico que havia tratado de sua cliente antes da mesma ser autuada havia sido chamado para depor e seria mais uma testemunha da Promotoria. As tais fontes seguras advertiam que era a opinião do médico especialista que a Sra. Clearwater não poderia ter usado a arma em questão de acordo com o ferimento que esta apresentava em sua mão. A notícia por sua vez levantava a hipótese de que a acusada talvez tivesse auto infligido o tal ferimento após matar o marido que lhe agredia regularmente, alegando legítima defesa. No final do parágrafo havia um último comentário de que o Promotor Público Edward Cullen não havia sido encontrado para comentar sobre a informação.

Aturdida Bella fechou os olhos sentindo que o ar lhe faltava por um momento. Não podia acreditar que Edward havia lançado mão daquele golpe sujo apenas para ganhar a causa, mas não havia outra explicação. Ela fraquejou, as borboletas saltaram em seu estômago, a tontura subitamente a tomou. Edward... Nesse caso ele só tinha vindo até sua casa e passado a noite com ela com o firme propósito de distraí-la, impedindo que ela tivesse conhecimento sobre a nova informação. Não... Não podia ser isso, tinha de ter outra explicação! Ele dissera que a amava assim com ela também o amava. Enfrentara seu irmão, questionara sobre a possível e agora real gravidez... Seus pensamentos foram bruscamente interrompidos quando seu telefone começou a tocar com insistência, o que aquela altura não a surpreendeu. Olhou no visor e viu que era ele. Por que estaria ligando afinal?! Ignorou a chamada disposta a não pensar em mais nada que não fosse o julgamento. Tinha um trabalho a fazer. Sem hesitar entrou no carro e tomou a direção do tribunal. Se o Promotor não havia sido encontrado para comentar a informação, a advogada de defesa também não seria!

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Conforme previra Bella encontrou uma pequena aglomeração de abutres, digo, repórteres, aguardando-a na entrada do tribunal. Assim que a viram correram em sua direção com Jéssika Stanley na frente de todos eles. Os repórteres faziam diversas perguntas ao mesmo tempo: “Qual é a história verdadeira?! Sua cliente é culpada?! Ela realmente matou o marido a sangue frio?! Essa será a primeira derrota da sua carreira?!”

Jéssika atrevida como sempre conseguiu colocar o microfone no rosto de Isabella, que deu uma tapa de leve no objeto tentando desvencilhar-se do incômodo e inoportuno assédio. Uma equipe de segurança designada pela juíza correu até ela, escoltando-a e acompanhando-a até a entrada da ante sala do tribunal onde ocorria o julgamento. Respirou profundamente antes de entrar sabendo que a resposta para aquelas perguntas ela também descobriria em breve.

Assim que entrou Emmett abordou-a.

—Ele quer vê-la Bella. Posso levá-la até lá.

—Onde ele está agora?

—Na sala da corte. Para o caso de você se recusar a vê-lo.

—Pena que ele não siga seus instintos com mais frequência, rebateu seca. O julgamento não seria iniciado nos próximos vinte minutos pelo menos, de modo que poucas pessoas estavam ali naquela sala, mas Bella avistou Edward imediatamente. E também o teria avistado mesmo que a sala estivesse completamente lotada. Ele usava um terno cinza escuro com uma camisa azul marinho, apropriados a ocasião. Como se pressentisse a sua chegada ele voltou-se em sua direção e venceu a distância que os separava. Tentando evitar as profundezas de seu olhar verde, penetrante e límpido Bella ocupou-se em colocar sua pasta sobre a mesa reservada à defesa. Seu ressentimento ameaçava vir à tona; ela precisava de alguns minutos para se recompor.

—Nunca pensei que o branco ficaria tão bem em você, disse elogiando o terninho composto por blaiser e saia que ela tinha escolhido para usar. Seu olhar era carinhoso, gentil e intenso.

—Peguei a primeira roupa que vi pela frente senhor promotor, rebateu com a voz cortante.

Edward reagiu com surpresa diante da agressividade dela. Ficou tenso, mas procurou manter a calma.

—Se tivesse ido até a minha sala eu poderia ter explicado muitas coisas, Bella, opinou.

—Como ter passado a noite inteira comigo sem me dizer uma única palavra sobre o golpe baixo que estava armando?! Alfinetou, magoada. Mas ao ver o choque nos olhos do homem amado, arrependeu-se imediatamente. –Céus... Prometi a mim mesma que não levaria nada disso para o nível pessoal, falou como que pedindo desculpas.

—Mas eu quero que leve para o nível pessoal, replicou mantendo a voz calma e firme. — Quero que lembre tudo que vivemos e que dissemos um ao outro e que chegue a conclusão de que seria incapaz de fazer uma sujeira dessas com você.

Duas pessoas sentaram na primeira fila destinada ao público e ele preferiu calar-se, segurando-a pelo braço e levando-a até um canto mais afastado da sala. Bella soltou-se com um safanão e Edward trincou os dentes, irritado com a atitude dela.

—Bella, eu fiquei tão surpreso com a notícia quanto você! Ela rolou os olhos impaciente.

—Por favor, não insulte a minha inteligência.

—Quer ficar quieta e me escutar droga?! Pedi ao Emmett que fosse falar com o médico como coisa de rotina. Não imaginei que ele fosse conseguir alguma informação mais significativa ou importante. Emmett esperou que o plantão dele no hospital acabasse e o convidou para tomar um drinque num bar. Ela o fitou acusadoramente.

—Acha mesmo que eu vou acreditar nisso?! Zombou afastando-se e retornando ao seu lugar. Edward foi mais rápido, agarrando seu braço impedindo-a de se afastar dele.

—Eu ainda não terminei.

—Mas eu já!

—Deixe de ser teimosa e me escute! Seus olhares se cruzaram medindo forças; a tensão entre eles era crescente, quase palpável.

—Você tem três minutos, Doutor Cullen.

Ele suspirou exasperado correndo as mãos pelos cabelos acobreados e bagunçados.

—Emmett não percebeu que Jéssika Stanley estava sentada numa mesa ao lado da deles. Pelo que me contou ela estava disfarçada, usando uma peruca loira e tudo. O médico então contou que havia desconfiado da história da sua cliente desde o princípio, mas como já havia atendido outras mulheres vítimas de agressão não deu muita importância até saber através dos jornais que ela estava sendo acusada da morte do marido. E então ele falou sobre as suas suspeitas.

Bella o fitava cética. Desesperado ele prosseguiu:

—O Emmett me ligou a noite toda, mas não conseguiu me localizar porque eu estava com você e o meu celular estava desligado, droga! Posso lhe mostrar o registro das chamadas se quiser. Acha que eu não lhe proporia que resolvêssemos o caso de outra forma se soubesse dessa informação desde ontem?! Pensei que você pudesse arranjar outro argumento para Sue Clearwater. Acho que esta seria a melhor saída. Ela o fitou atônita.

—Outro argumento?! Só pode estar brincando!

—Bella, você leu a notícia! Um médico especialista afirma que ela não poderia ter usado a arma com a mão quebrada daquele jeito. O ferimento ocorreu depois da morte de Harry.

—Com licença, interrompeu um dos funcionários do fórum. –A Senhora Juíza deseja vê-los agora em sua sala. Os dois assentiram e caminharam para lá. A juíza estava sentada com um exemplar do jornal em suas mãos e sua expressão não era nada amigável. Tão logo o assistente saiu, ela pediu com um gesto que os dois sentassem.

—Gastamos mais de uma semana de trabalho pago com o dinheiro dos contribuintes, sem falar no tempo desperdiçado para garantir um júri imparcial neste caso e agora a imprensa se mostra radiante por fazer o trabalho de investigação por nós. Um de vocês se importaria de me esclarecer o que está acontecendo, por obséquio?

Levantando-se Edward adiantou-se em explicar para a juíza Sulpícia o que havia ocorrido e como promotor público acrescentou:

—Vamos intimar o Dr. Garreth... A menos que a defesa e a acusada queiram reconsiderar sua posição e passar ao veredicto. Bella pôs-se de pé indignada com a proposta descabida.

—O que a defesa gostaria é de não ter o testemunho de sua cliente impugnado por um residente de medicina, com certeza esgotado e inexperiente! Pensei que o objetivo do julgamento fosse ouvir “todos” os testemunhos e não acatar simplesmente sem contestação a opinião do médico em questão!

Edward virou-se para Bella com uma expressão indecifrável no rosto. Ela acabara de afirmar que queria brigar com ele. Se aquilo realmente ocorresse o que seria do relacionamento de ambos?!

—Não vou permitir que faça isso conosco Isabella, declarou em voz baixa, mas a juíza ouviu mesmo assim. Bella preocupada olhou para ela no que foi imitada por Edward.

—Meritíssima, sei que é algo improvável e muito irregular, mas será que poderia nos deixar a sós por alguns minutos? A magistrada então olhou para um e em seguida para o outro vendo o rubor se intensificar no rosto da advogada de defesa. Ela balançou a cabeça erguendo as mãos para o alto, resmungando baixinho:

—O que mais falta acontecer nessa cidade?! E os meus filhos ainda dizem que o meu trabalho é uma rotina sem fim. Humpf! Falou enquanto retirava-se. Passando por Edward retirou os óculos do rosto dizendo: — Vocês têm dez minutos.

—Como pôde?! Bella exclamou assim que se viram a sós.

—Fácil. Só precisei lembrar de como deixei você louca de tesão hoje cedo, com as minhas mãos e a minha boca.

—Isso não é justo!

—Também não é justo o que você está tentando fazer Bella. Percebe o que vai acontecer conosco se continuar com essa atitude e postura?!

—Só estou tentando garantir que a minha cliente tenha um julgamento justo Edward! Ele foi até ela e colocou gentilmente as mãos em seus ombros. Ela estremeceu arrepiando-se por inteiro.

—Por favor, me escute. Incapaz de resistir aos encantos dele e engolindo em seco sabendo que carregava um filho ela ergueu os olhos cedendo.

—Só temos dez minutos.

—Tudo bem. Não acho que Sue estivesse em perigo de morte naquela noite. E sim, concordou ele. –Era o Harry quem deveria estar atrás das grades agora. Sei que ele bebia o quanto costumava ser bastante violento; Mas conforme os relatórios do médico legista e da perícia, e estou dizendo que é possível e não que é provável, que ele estivesse embriagado demais naquela noite para representar uma ameaça a qualquer um, inclusive a esposa.

—Testes de nível alcoólico no sangue não levam em consideração a altura, o peso ou a massa corporal e Harry tinha um metro e oitenta e pesava mais de cem quilos!

—E todos sabiam que espancava a mulher e muitas vezes os filhos, mas naquela noite foi diferente, completou Edward começando a massagear os ombros tensos dela. Harry deixou que um colega o levasse para casa porque sentiu que tinha bebido além da conta.

—Agora você vai insinuar que Sue infligiu os ferimentos no rosto, a si mesma, ironizou Bella.

—Não. Acredito que foi ele quem os fez e que isso foi a gota d’água para a Sue. Ela deve ter ido até a cozinha onde guardava uma arma com munição e... Ele não concluiu a frase, pois era óbvio.

—Está supondo então que ela tenha quebrado a própria mão depois do marido estar morto?! Bella perguntou incrédula. –Que tipo de pessoa faria tal coisa?!

—Uma mulher desesperada Bella, ele admitiu compadecido. –Uma mulher que já tinha ido parar no hospital outras vezes, que temia pela própria vida e pela vida dos dois filhos pequenos; que foi capaz de transformar a casa num cenário digno de uma guerra, mas o corpo do Harry foi encontrado logo após a porta de entrada da residência. Ele fez uma pausa e depois continuou: — Bella a fratura na mão da sua cliente foi causada pelo impacto de um objeto pesado. Estou com as chapas dos raios X se você quiser ver. No local do crime não foi encontrado nenhum objeto capaz de provocar tal tipo de ferimento. E a Sue não poderia de forma nenhuma ter segurado a arma com a mão naquele estado, muito menos ter puxado o gatilho. Geralmente são essas falhas na premeditação de um crime que nos permite desvendá-los. Mas devo dizer que neste caso isso não está me dando nenhum prazer. Pelo contrário. Eu estou com medo.

Aturdida Bella tentava assimilar de uma só vez todas as informações que Edward lhe passara começando a encaixá-las como as peças de um grande quebra cabeças e contrariada começou a enxergar aquilo que até agora talvez estivesse... Céus... Ignorando. Jesus! Era a advogada de defesa! Era o seu trabalho investigar os detalhes, analisar os fatos e as provas e descobrir o que estava faltando! Percebendo sua confusão interior, Edward respirou fundo, esperou alguns minutos e prosseguiu:

—Só mais uma coisa, falou aproximando-se mais, segurando-a pela nuca e descendo a boca ávida sobre a dela, beijando-a com paixão. Ela resistiu e ele intensificou o contato cada vez mais urgente. Uma batida seca à porta fez com que ele a soltasse subitamente. Ao ver nos olhos de Bella a excitação indefesa, sentiu parte do seu medo se dissipar.

—Pense nisso e em tudo o que tivemos juntos ontem, falou lutando para se recompor. Mais uma batida à porta e a juíza retornou a sua sala vendo Edward num canto da sala e Bella do lado oposto.

—Isabella? Está tudo bem?

—Não, respondeu com um ar derrotado em suas feições. –Pode me passar um senhor sermão, Dra. Sulpícia, mas eu vou ter que conversar com a minha cliente antes dela entrar naquela sala para ser julgada, disse encaminhando-se para a porta. A juíza aceitou com um gesto de cabeça e Bella saiu sem nada dizer. O olhar de Edward acompanhou-a até que sua figura esbelta e elegante desaparecesse na curva do corredor.

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Sentada à cabeceira de uma mesa grande e oval numa sala em anexo ao tribunal, Bella esperava que sua cliente fosse conduzida até ela. Nunca a espera por um cliente lhe parecera tão desagradável como agora. Quinze minutos depois finalmente a acusada chegou. Tratava-se uma mulher jovem, bonita de traços indígenas e exóticos, maltratada pelo tempo, pela vida e pelo falecido marido.

—Olá Sue. Sente-se, por favor.

—O que está acontecendo Bella?! Não vamos para a sala do julgamento?! Perguntou nervosa olhando o ambiente a sua volta.

—Sim, nós vamos. Mas precisamos conversar primeiro. Sue sentou à direita de Bella e começou a mexer a mão que ainda exibia os curativos nervosamente.

—Você viu a minha irmã?

—Sim, ela está lá fora.

Ela então suspirou aliviada.

—A mão está incomodando?

—Um pouco. Ainda dói, mas dá para suportar. Seu olhar foi atraído para o jornal aberto sobre a mesa. Seus olhos arregalaram-se assustados.

—Estão falando de mim?!

—Sim, Sue e receio estarmos com um problema. Por isso eu quis falar com você primeiro.

—O que foi?!

—Leia a manchete por favor, pediu indicando a acusada o jornal à sua frente. Sue fixou a atenção na notícia. –Leia até o fim.

A medida que sua cliente foi lendo o artigo, Bella viu a expressão de seu rosto mudar e sentiu que Edward estava certo. Seu Clearwater havia realmente assassinado o seu marido. Engolindo em seco Bella experimentou pela primeira vez em sua vida profissional uma sensação diferente, pesada, ruim. Sue ergueu o rosto mortificado marcado ainda por ferimentos para Bella que respirou profundamente antes de continuar:

—O Dr. Garreth Pattinson é médico especialista em ortopedia e fraturas, explicou.

—Ele... Ele foi gentil comigo... Por que está me falando essas coisas agora?!

—Porque Ele foi questionado Sue e apenas deu a sua opinião profissional. Trabalhando na urgência e emergência de um hospital os médicos vêem diversos tipos de ferimentos. Bella falou e fez uma pausa, observando-a. — Os seus ferimentos o deixaram intrigado.

—Intrigado?! Ele está dizendo aqui que eu menti!

—Sue...

—Ele vai testemunhar contra mim não é?! Perguntou mordendo o lábio inferior com os dentes.

—A Promotoria vai intimá-lo a depor.

—Droga! E o que ele sabe sobre mim ou sobre a minha vida?! Ela não sabe nada Bella! Ele não estava lá! Gritou jogando o jornal no chão. As folhas espalharam-se pela sala.

—Calma! Advertiu uma policial de uniforme aproximando-se. Bella fez um gesto pedindo que a mesma aguardasse. Sue levantou-se começando a andar pela sala indignada.

—Sabia que os médicos que me atenderam disseram que eu tenho sorte em estar viva?! Onde estão esses médicos agora Senhorita Swan?! Você não pode deixar que façam isso comigo! Tenho dois filhos pequenos que precisam de mim!

Cansada Bella apoiou os cotovelos na mesa massageando as têmporas com os dedos. Sua cabeça estava latejando. As palavras de seu irmão vieram a sua mente: “Você se envolve demais e um dia isso ainda vai dificultar sua objetividade profissional. Nem sempre você sairá vencedora Bella. Já pensou em como vai lidar com isso?! Não se pode ganhar todas.”

Como sua advogada é meu dever avisá-la que o Promotor vai acusá-la assim que entrarmos naquela sala, falou apontando para o tribunal. Sue ficou em silêncio adotando a cada segundo uma expressão mais e mais perturbada.

—Não é justo Bella! Falou sem conseguir conter as lágrimas. –Eu passei o inferno com aquele homem! Ele era... Deus ela era horrível! Não se preocupava com a comida, roupas ou o dinheiro para as despesas médicas das crianças... Eu não aguentava mais... Não aguentava mais apanhar...

Apesar de comovida Bella permaneceu impassível. Ela havia sido enganada desde o começo.

—O que aconteceu realmente?

—Eu já lhe contei.

—Sue, esta é a sua última chance de falar a verdade. Sou sua advogada e não tenho como ter respaldo para lhe defender se você não for totalmente honesta comigo.

—Seria melhor se ele tivesse me matado então?!

—Não vou perguntar de novo, Bella disse com secura. -O que aconteceu com a sua mão?

Vendo que a advogada mais renomada da região não estava brincando Sue Clearwater encolheu-se na cadeira.

—Foi... Foi a porta do carro.

—Depois?

—Sim. Foi um acidente... Eu ia para casa da minha irmã com as crianças, mas aí o celular tocou, eu me atrapalhei e... Doeu muito... Bella fechou os olhos sentindo a derrota começar a dominá-la. –Sei que você acha que o que eu fiz foi errado Bella, mas você não tem ideia das coisas que eu vivi. Entenda: Eu não tinha escolha! Quando o vi chegando completamente bêbado eu soube imediatamente.

—Soube o que?

—Que eu tinha que dar um fim aquilo de uma vez por todas. Por mim e pelos meus filhos.

—Não Sue, você tinha outra escolha.

—Não tinha não! Para você falar é fácil!

—Tinha sim. Existem casas abrigo para mulheres na situação em que você se encontrava. Eu mesma já encaminhei algumas para lá. Você e as crianças estariam livres e a salvo do Harry. Existem também grupos de apoio, a casa de parentes e familiares em outras cidades... Você tinha outras opções, concluiu no final.

—O que vai acontecer agora?

—Terá de contar a verdade para eles, Bella disse com firmeza.

—Você... Você vai estar lá comigo?

—Sim, eu vou estar lá com você.

—E quanto aos meus filhos?

—Vou pedir que a sua irmã fique com a guarda deles. Estive lá enquanto você estava aqui e vi o quanto ela gosta das crianças. Eles ficarão bem, falou como um autômato.

Sue suspirou profundamente antes de empertigar-se e olhar fixamente para Bella.

—Vamos acabar com isso então, falou sendo seguida pela policial e pela advogada. Bella sabia que precisava terminar aquilo o mais rápido possível e sair dali. Ela queria sair correndo, desaparecer, sumir. Sua primeira derrota. seu primeiro fracasso. Se pudesse abriria um buraco no chão e desapareceria da Face da Terra.

Imediatamente a ideia de ir para o chalé nas montanhas tomou conta de seus pensamentos. Ficar sozinha, isolada, reclusa e em contato com a natureza seria o melhor remédio para curar sua gigantesca e sufocante decepção.

Continua.....

Notas finais
até a próxima semana, não se esqueçam de deixar seu comentários pessoal. beijos Kiki