Traídos Pelo Desejo.
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Cap. 17
Narrador.
Com seus olhares presos um ao outro ambos cumprimentaram-se formalmente com um gesto impessoal; um leve aceno com a cabeça. Em seguida Edward desviou os olhos e acompanhou a linda moça loira até uma das mesas, para onde foram conduzidos pelo maitre. Com cavalheirismo puxou a cadeira para que a mesma sentasse, sentando-se em seguida na cadeira em frente a ela.
-Agora entendo, disse Claire pesarosa observando a expressão tristonha no rosto de sua nova e abatida chefe.
-Ainda bem, retrucou Bella com secura. –Então compreende porque eu não quero falar sobre esse assunto, completou tomando um bom gole do vinho tinto que um dos garçons acabara de lhes servir.
-Quer ir embora? Se quiser podemos ir.
Sugeriu a nova assistente solidária, preocupada ao vê-la com as mãos trêmulas.
-Por quê? Ele está acompanhado de uma amiga e eu também, disse dando um sorriso nada convincente. –Estou muito bem aqui e além do mais dizem que a comida é deliciosa.
-Bella...
Ela suspirou longamente.
-A vida continua Claire.
-Fico imaginando quem será ela...
-Uma ex-namorada sem dúvidas, replicou sentindo seu estômago revirar ao imaginar Edward na cama com a tal loira.
-Bella, o que eu posso fazer para lhe ajudar?!
-Nada, Claire, obrigada. Eu me meti nisso sozinha e vou sair desta sozinha.
-Tem certeza?
Indagou mordendo o lábio inferior, levando-o entre os dentes.
-Claro que sim. Preciso apenas de um tempo para me recuperar. Agora vamos fazer os pedidos? Sugeriu.
-Claro, a moça respondeu fazendo um sinal para que o garçom se aproximasse. Bella havia decidido que não se humilharia diante de Edward. Jamais demonstraria a ele ou a qualquer outra pessoa o quanto o seu coração estava despedaçado, destroçado. Ainda não estava preparada para enfrentá-lo fora do tribunal depois da briga algumas noites atrás, quanto mais encontrá-lo acompanhado por uma mulher desconhecida e estonteante, que mais parecia uma atriz ou uma modelo das capas das revistas de moda. Estava reprimindo a muito custo a vontade de sair correndo dali, desaparecer da vista de todos, ir para o conforto de sua casa e chorar até não lhe restarem mais forças. Mas o seu orgulho e a sua reputação profissional não permitiriam. Se quisesse continuar trabalhando no caso Clearwater, teria que ser assim. Teria de suportar. E Isabella Marie Swan nunca desistia de um caso.
Edward também sabia o que era orgulho. Sentado diante de sua ex-cunhada e amiga Kate, irmã de sua falecida noiva, Tânia Denali e hoje esposa de um dos seus melhores amigos em Seattle, o Procurador Federal Alec Smith, atormentava-se lamentando a violenta discussão que tivera dias antes com a mulher que hoje era a dona do seu coração. Nos últimos dias no tribunal vira as olheiras escurecerem sob os olhos de Bella e ela emagrecendo a olhos vistos. Sabia que também havia emagrecido um bocado, mas era o estado dela que o deixava aflito. Bella como sempre estava trabalhando mais horas do que seu organismo agüentaria e exigindo demais de si mesma, como sempre. Estranhou o fato de Jasper ainda não ter aparecido à porta de sua casa com uma espingarda na mão ou algo parecido. Aquela quietude toda o deixava desconfortável. Mas, talvez Bella ainda não tivesse contado ao irmão sobre o rompimento. Só que aquele era um assunto que não iria passar despercebido por muito mais tempo. Especialmente depois da visita de Kate a Forks hoje.
O velho e teimoso orgulho fez com que permanecesse afastado e em silêncio, esperando que ela desse o primeiro passo. Mesmo sabendo que tinha agido como um ogro e que quem estava errado ali era ele. A voz animada de Kate subitamente tirou-o dos seus devaneios.
-Não foi ótima a idéia que eu tive de vir até aqui almoçar com você hoje? Temos nos visto tão raramente que achei a oportunidade boa demais para ser desperdiçada, disse a amiga feliz por poder passar algum tempo com o ex-cunhado. Edward esforçou-se para retribuir o sorriso contagiante que ela lhe dava. Kate era uma ótima pessoa e não tinha nada a ver com os conflitos internos que ele estava travando durante aquela semana.
-Foi uma excelente idéia, Kate. Era exatamente disso que eu estava precisando. Um almoço com uma velha e querida amiga, retrucou lançando o olhar pelo variado cardápio, tentando escolher algo para comer, o que seria difícil com as borboletas saltando agitadas em seu estômago, revirando-o. Desde que brigara com Bella que não conseguia alimentar-se ou dormir direito.
-Que bom Edward. Você não sabe o quanto eu ficou feliz em ouvir isso, disse estendendo a mão subitamente por cima da mesa e acariciando a dele num gesto afetuoso. Um barulho súbito de vidro estilhaçado foi ouvido em todo o restaurante. Cabeças viraram-se na direção do vidro quebrado e Bella, constrangida e vermelha de vergonha desculpou-se com o garçom por ter derrubado sua taça de vinho, que se espatifara. Edward suspirou e voltou-se novamente para Kate, imaginando o que sua namorada deveria estar pensando neste momento... No mínimo que ele era um crápula, um canalha sem escrúpulos, pensou consigo mesmo.
-Como vai o Alec? Perguntou fugindo de suas inquietações.
-Muito bem graças a Deus, respondeu sorrindo amplamente.
-Fico feliz por vocês, Kate.
-Obrigada, Edward. Sei que Tânia também deve estar muito feliz por nós dois e por você. Sinto que ela não esteja mais aqui conosco, falou nostálgica.
-Sei que sim, respondeu amigavelmente.
-Edward será que posso perguntar uma coisa, disse com uma expressão intrigada depois de olhar ao redor.
-Claro.
-Quem a moça de cabelos escuros que o cumprimentou quando chegamos? Por que a julgar pela forma como ela tem me olhado, suponho que eu deveria começar a ficar preocupada, falou brincando. –Acho que se olhar matasse eu estaria no chão, estirada, fulminada e mortinha da Silva.
Edward suspirou.
-O problema não é você, Kate. Sou eu, respondeu evitando olhar na direção em que Bella e sua nova assistente encontravam-se sentadas.
-Talvez a minha companhia?
Indagou perspicaz, cruzando as mãos e apoiando o queixo delicado sobre elas.
-Também. Aquela é Isabella Swan, finalmente falou pondo o menu de lado. Os olhos verdes de Kate arregalaram-se em choque.
-O que?! Não posso acreditar! Disse olhando para Bella pelo canto do olho, ainda espantada.
-A própria, em carne e osso.
-Então é “esse o monstro” de quem tem me falado ao longo dos meses?! A advogada mais irritante, prepotente, insuportável e “pé no saco” que você já conheceu e enfrentou?! Disse perplexa. O garçom chegou e ela esperou que o rapaz anotasse os pedidos e saísse, deixando-os novamente a sós.
-Ela mesma.
-Edward ela é linda!
-Eu sei, disse bebendo um gole do seu uísque duplo, gemendo baixinho.
-E ciumenta, completou.
-Não comece, falou fitando a amiga tendo a certeza de que caíra em uma cilada.
-E você meu amigo está apaixonado, concluiu abrindo mais uma vez um amplo sorriso, que a deixava ainda mais bonita.
-Kate, sabe que eu amo você e que é como se fosse uma irmã para mim.
-Sim, eu sei.
-Então, por favor, me deixe em paz, pediu num tom firma, mas ao mesmo tempo amigável.
-De jeito nenhum! Gosto demais de você para vê-lo sofrendo assim. Lembra da insegurança do Alec na semana anterior ao casamento?! Foi você quem conversou com ele e quem resolveu tudo! Você salvou o meu casamento antes mesmo dele começar! Então pode começar a falar agora mesmo o que está acontecendo, porque eu sou uma ótima ouvinte. E quem sabe eu não possa ajudar?!
-Duvido.
-Edward!
Ele deu um longo suspiro.
-Tudo bem, você está certa. Eu estou apaixonado por ela, disse admitindo aliviado por ter alguém agora com quem dividir os seus sentimentos.
-Isso é maravilhoso, Edward!
-Nem tanto assim. Tentamos nos entender, mas não conseguimos. Satisfeita?
-Não, mas digamos que foi um bom começo. Edward tomou mais um gole do seu uísque considerando que talvez Kate fosse a pessoa certa para abrir de vez o seu coração.
-Estamos nos enfrentando num caso difícil. Eu quero a cliente dela presa e vou lutar para conseguir isso.
-O que a cliente dela fez?
-Matou o marido. Bella vai alegar legítima defesa, mas eu vou provar que não. Analisei a cena do crime com muito cuidado.
Kate balançou a cabeça refletindo antes de retrucar.
-Uau! E não estão conseguindo separar o relacionamento profissional da vida pessoal de vocês, emendou suspirando.
-É mais ou menos por aí.
Ela o olhou com desconfiança.
-E o que mais não está me contando, Edward Thomas Cullen?!
-Que ela pode estar grávida.
-Edward!
-Juro que não sei mais o que fazer, Kate! Eu tentei me afastar, mas não consegui. Bella é como uma droga para mim, um vício. Uma espécie de heroína feita especialmente pára mim. Faz cinco dias que nós brigamos e de lá para cá eu não consigo nem trabalhar direto! Entendeu no que eu estou metido?!
Ela lhe devolveu um sorriso simpático e bebeu alguns goles do seu coquetel de frutas antes de responder.
-Se você a ama de verdade vai dar um jeito de resolver tudo.
-Se eu a amo?! Está sendo difícil até respirar, quanto mais comer algo com ela longe de mim, droga! Sibilou baixinho e entre dentes, certificando-se de quem mais ninguém ali perto escutaria tais palavras.
-O que aconteceu para que as coisas chegassem a este ponto? Foi só o lado profissional da carreira de ambos ou existe alguma coisa a mais?!
-O irmão dela.
Kate arqueou as sobrancelhas interessada.
-O que tem ele?
-Me odeia. Foi até o meu escritório me ameaçar.
-O que?! Kate estava espantada com o que seu amigo acabara de dizer.
-Isso mesmo. Ele invadiu o meu escritório e disse que era para eu me afastar dela. Disse não, na verdade ele exigiu.
-Jesus! E o que você fez?
-Coloquei-o em seu devido lugar. Mas isso não muda o fato de que ela o ama e ele é a única família que ela tem. Os pais morreram num terrível acidente de carro seis anos atrás e ele assumiu a responsabilidade de criá-la com o auxílio de uma governanta. Ele a ama, mas é super protetor demais, vigia os seus passos e age como um gorila. Não consigo agüentar isso!
-Coitadinha... Tão jovem...
-Pois é. E eu agora estou no meio dessa bagunça sem saber o que fazer. Inferno!
-Tenha paciência. Pode ser que com o tempo as coisas se resolvam sozinhas.
-Duvido. E paciência nunca foi o meu forte.
-Então você vai precisar superar isto e encontrar um jeito de conviver com o rapaz, Edward. Tânia também era a única família que eu tinha e a morte dela me devastou completamente como você mesmo viu. Isabella não vai abrir mão do irmão. Nunca. Por mais que ela ame você, e eu tenho quase certeza absoluta de que ela também te ama devido aos olhares assassinos e ferinos que tem me lançado desde que chegamos aqui.
-Por que as coisas sempre têm que ser tão complicadas?! Todo mundo tem um passado, Kate, mas o dela é pesado demais. Falou amargamente.
-Por que a vida nem sempre é fácil ou justa. Onde está o Promotor implacável que nunca desiste do que quer e nunca se dá por vencido?!
-Foi nocauteado por aquela advogada “Pé no saco”, respondeu rindo e amenizando um pouco o clima tenso.
-Eu mais que ninguém torço muito para que você seja feliz, Edward e talvez Isabella seja a mulher perfeita para a sua vida.
Ele engoliu em seco enquanto Kate prosseguia. Em seu íntimo tinha certeza absoluta de que Bella era a sua cara metade; a mulher de sua vida e que jamais amaria alguém com a mesma intensidade com que a amava.
-Desculpe-me pela franqueza, mas acho que você está cego, magoado e cheio de raiva. Talvez a morte de Tânia o tenha deixado assim. Como você sofreu tem medo de perder Isabella também e por isso a está afastando deliberadamente. Já lhe ocorreu que ela deve está sofrendo tanto quanto você?! Ela perdeu os pais, só lhe restou o irmão e agora está tendo que optar por você ou por ele. Isso não é justo nem correto, Edward.
Ele subitamente enrijeceu. Kate respirou fundo tocando-o por sobre a mesa novamente, pois sabia que lhe tocara na ferida ainda aberta.
-Desculpe-me, mas eu precisava ser sincera. Sei que não foi nada agradável o que acabei de dizer, mas como sua amiga eu tenho que dizer a verdade. Mesmo que isso doa e que você me mande deixar de ser intrometida e cuidar da minha própria vida.
-Não se preocupe, sei que teve a melhor das intenções, ele declarou suspirando longamente vendo pelo canto do olho e com o coração apertado que Bella estava pagando a conta para ir embora. Como ela estava linda com a blusa branca de seda, uma saia justa azul turquesa, sapatos de salto combinando e um lindo colar de pérolas. Por um momento imaginou-a em sua cama usando apenas o colar e nada mais. Engoliu em seco tentando disfarçar a reação violenta que a imagem lhe provocou. Alheia aos seus conflitos, Kate prosseguiu:
-Mesmo assim desculpe-me pela franqueza. Tudo o que eu quero é que você seja feliz, assim como eu e Alec somos.
-O que vocês têm é especial e raro. Não acontece com todo mundo. A jovem discordou com um movimento de cabeça.
-Qualquer um pode conseguir se amar de verdade e se esforçar. Se você realmente ama aquela moça, corra atrás dela, Edward. Não deixe a oportunidade lhe escapar. Não deixe a felicidade escorrer por entre os seus dedos. Mande o orgulho para o inferno. E Por falar em felicidade eu tenho um segredo para lhe contar: Eu estou grávida!
Já na porta do restaurante Bella ouviu Edward exclamar alto e muito feliz o que lhe chamou imediatamente a atenção. Virando a cabeça na direção em que ele estava sentado viu empalidecendo mortalmente, que ele levantava e ia até a moça abraçando-a com entusiasmo dando um beijo estalado em sua bochecha. A loira sorriu feliz e retribuiu o abraço com força
-Vamos embora Bella, disse Claire consternada.
-Sim. Já agüentei demais por hoje. Me desculpe sim?
-Eu que peço desculpas por ter insistido em lhe trazer até aqui. Juro que da próxima vez peço almoço lá no escritório mesmo.
-Tudo bem, disse Bella saindo porta a fora, respirando profundamente.
-Sabe o mais me irrita? Bella olhou-a intrigada. Claire prosseguiu: -É ver que o Promotor idiota Cullen é estúpido demais para imaginar o que está desperdiçando.
-Obrigada, retrucou Bella dando-lhe um sorriso triste.
-Não me agradeça. Faça ele pagar caro. Ganhe o caso Clearwater e acabe com ele de uma vez!
Bella riu da pose teatral que sua nova assistente fazia e avisou que ia para casa, tirar o resto do dia de folga. Claire não questionou. Depois do que haviam visto era natural que a sua chefe quisesse mesmo passar algum tempo sozinha.
-Por favor, não reencaminhe as minhas chamadas. Anote os recados e eu retorno amanhã.
-Não se preocupe. Vou fazer isso.
-Obrigada, Claire.
-Não me agradeça. Se não fosse por você eu ainda seria uma estudante de direto desempregada!
-Nos vemos amanhã, então.
-Até amanhã.
Assim que chegou a sua casa, notou que o carro do irmão estava parado diante da entrada de pedras e suspirou longamente. Tinha conseguido evitar Jasper por vários dias, mas agora o confronto seria inevitável. Desligou o motor do carro e saltou trazendo a bolsa e a pasta contendo os documentos do caso, consigo. Ele aproximou-se e ela tentou sorrir, mas fracassou. Jasper abriu os braços e ela correu para ele aninhando-se. Ele abraçou-a trincando os dentes.
-Eu mato aquele sujeito! Esbravejou furioso. Bella respirou fundo diversas vezes.
-Eu o amo, Jazz, falou aliviada por poder revelar os seus sentimentos.
-Tudo bem. Vou apenas surrá-lo desta vez. Ela riu mesmo sem querer.
-Você não vai fazer nada, e quero que me prometa isso.
-Não é justo! Você está sofrendo e ele foi avisado, Bella. Não peça para eu ficar de braços cruzados porque eu não posso.
-Pode e vai. Por mim. Eu o amo e acho que depois vamos conseguir nos entender, mas este caso... Céus! É muita pressão! Falou fazendo questão de omitir o fato de que vira Edward almoçando com outra mulher e que os dois pareciam muito íntimos. Conhecia o perfeitamente temperamento explosivo do irmão, que agia primeiro e perguntava depois, então por enquanto era melhor manter aquilo para si mesma. Ele a afastou um pouco e a observou cuidadosamente. Bella nunca soubera mentir e Jasper a conhecia como a palma de sua mão. Escrutinou o rosto lindo da irmã e viu a sinceridade estampada nos olhos cor de chocolate.
-Tudo bem, mas se ele te deixar depois do julgamento vai sair da cidade escorraçado!
-Certo e você vai passar o resto da vida na cadeia!
Ele abriu um largo sorriso.
-Não se preocupe comigo, maninha. Posso me virar muito bem.
-Vamos entrar?
-Sim, quero ver como está cuidando da minha casa. Ela fez uma careta e estirou-lhe a língua, colocando a chave na fechadura e girando-a.
-E a Alice e o bebê, como estão?
-Bem. Ela vai fazer uma ultrassonografia para saber o sexo na próxima semana, disse animado.
-Que bom, Jazz, fico muito feliz por vocês.
CONTINUA...........
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