Trapped
1 Piloto.
Notas iniciais
É inverno em Nova York. E na BSGV – Boarding School of Greenwich Village – também quer dizer ínicio das aulas. Este não é somente mais um ano escolar qualquer. Este é o último ano, e muita coisa pode mudar. Muitas pessoas. Será que eles vão aguentar o ano puxado do internato, e ainda ter que sobreviver a seus problemas pessoais?
Alicia’s POV
Me pus de pé alguns momentos antes de meu alarme cantar. O frio não me deixa dormir. Corri para meu closet colocar algo mais confortável para o clima. Desci as escadas, e lá me esperava meu último café da manhã antes de ir para o internato.
- Bom dia, mamãe, Liam...
Minha mãe logo me olhou com aquela olhada de “não seja mal-educada”.
- Tom – falei em tom ignorante. Não sei por que diabos minha mãe insiste em que eu goste do meu padrasto. Eu não posso simplesmente agir de forma em que ele seja insignificante para mim? Porque bem, assim eu estaria sendo verdadeira.
- Malas prontas Ali? – Liam interrompeu o vazio entre minha ignorância com o Tormento. Digo, Tom.
- Prontíssimas! As suas? Não as vejo por aqui... – eu gostava de Liam. Ele era o meu irmão postiço, filho de Tom. Ele cuidava de mim como um irmão que eu nunca tive. Sempre fui filha única, até minha mãe se casar de novo três anos atrás. No começo, não sabia como agir com ele, no internato. Ele começou a frequentar a minha escola. É como se eu visse ele, e não soubesse o que fazer. Eu o ignorava. Graças a sua simpatia e boa vontade de vir falar comigo que nossa relação é como ela é hoje. Nós cuidamos um do outro, como irmãos de sangue. Mas nem pense que isso fez com que eu começasse a gostar de Tom, bem, do jeito que Liam gosta.
- As minhas ainda estão lá em cima. Vou pegá-las lá em cima, já que terminei meu café da manhã, Senhorita Atraso – ele ama me chamar assim. Eu o ignorei, já que até ele sabe que é super pontual, até demais.
Após o café da manhã, tomei um banho hiper quente, e enfim, pus meu uniforme ao qual eu já estava com saudade: Camiseta branca de mangas, gravata preta, blazer casual cor de vinho, botinhas marrom e saia de cor escura. O frio me fez ainda colocar um sobretudo amarelinho que eu não dispensava nunca, deixando somente a meia-calça a mostra, gorro, e nas mãos, luvas.
Sete e meia, limusine me esperava do lado de fora da casa. Ao abrir, sou puxada pela minha melhor amiga, Claire, aos prantos. Mas essa é a amiga que eu conheço: Animada com tudo. Eu quase não a reconheço quando está quieta. Ela, que vem da família Bennevier, popular em fazer festas de luxo, é minha amiga desde a infância. Amiga não, irmã. A família Bennevier, e a minha família, Terrount, são muito unidas. É quase uma só família.
Esperei Sally colocar minhas malas no porta-malas, e seguimos em direção a Greenwich Village.
Harry’s POV
Mais um ano. Só mais um.
Eu não via a hora da minha liberdade. Estou praticamente preso neste internato desde que nasci. Eu não tenho outra escolha. Meu pai mora em Detroit por conta de seu trabalho. E morar lá, não é bem uma boa escolha. Eu gosto mais do ar de Nova York. Esse ar de intriga. E esse ar fica ainda mais puro no inverno, minha estação preferida.
Não é que eu não goste do internato. É só que não me sinto livre, apesar da área do campus ser uma das maiores do país. As grades me prendem ali dentro. Às vezes.
- Ei, cara! – uma voz familiar veio atrás de mim.
- Louis! – o saudei com um abraço e alguns tapas nas costas.
- Eu fui à secretária pegar meus horários e aproveitei para olhar logo o nosso dormitório – ele disse olhando para o papel em sua mão — Não foi um dos melhores... Dormitório Baggas, 70.
- O dormitório Baggas? O pior dormitório do campus? É pra secretaria que estou indo agora mesmo... – disse “marchando” em direção à secretária que estava a alguns metros.
- Harry Styles.
Disse meu nome em frente à bancada da secretaria. A senhora abaixou os olhos com um olhar indignado. Pus minhas mãos na bancada de forma dura.
- Meus horários. Harry Styles. Se a senhora quiser.
Dei um riso irônico. E depois uma gargalhada ao ver que meu dormitório na lista realmente era o Baggas. Se você não sabe ainda, o Baggas foi o primeiro dormitório a ser construído. Ele é velho. É como as que pagaram o internato de última hora, e só restou esse dormitório para elas. Esse era o último ano, e eu teria que ficar lá? A resposta era negativa.
- Senhora, deve ter havido um engano... Aqui diz que Harry E. Styles e Louis W. Tomlinson estão no dormitório Baggas.
- Não há enganos na lista, filho.
- Deve haver! Espera, espera. Outro grande erro, minha senhora. Aqui diz que tem um Zayn algo Malik no nosso quarto. Só que eu estudo aqui desde sempre, e eu sempre fiquei em um quarto somente com o Louis. Agora você não acha que tem engano?
- Não há enganos na lista, filho.
Maddi’s POV
Eu estava nervosa.
A primeira vez que fiquei nervosa com o inicio de aulas.
Eu já vinha observando todas as partes de Nova York desde que cheguei no dia anterior. Minha mãe e meu pai resolveram vir para a grande Nova York estabelecer o negócio de doceria deles. Não entendo muito. De qualquer modo, eu consegui uma bolsa de estudos em um dos melhores colégios do país, digo, um internato. Eu já vinha vendo fotos na internet, e impressionada com tudo: O campus enorme, áreas de lazer de todos os tipos, inúmeras quadras para diferentes esportes, piscinas, clube, e enfim... Tudo o que eu sempre sonhei. Venho de uma família pobre. Eu sempre estudei em escolas públicas.
Eu sentia que esse era “o” ano. Um ano para mudar... Eu nunca tive uma reputação muito boa nos meus antigos colégios. Ou eu era tímida de mais, ou inteligente de mais... Mas sempre, sempre fora dos padrões da sociedade. E depois de tantos colégios, eu acho que chegou a minha hora de realmente mudar. Como eu faria isso? Eu não sei.
Meus pensamentos foram interrompidos assim que meu pai parou o carro e eu percebi que havia chegado. Um grande nome: Boarding School of Greenwich Village. Então era isso. Dei meu primeiro passo me sentindo em um lugar mágico. Segundo o mapa que imprimi na internet, a secretaria não era tão longe assim. Fui caminhando até onde o mapa apontava. Me senti deslocada. Vários olhares em cima de mim. Alguns cochichos. Bem, essa era a Elite. A elite dos adolescentes ricos, em um internato para pessoas ricas. Em outras palavras, devem ter sentido o meu cheiro de “pobre” a metros. Cheguei ao meu destino, enfim. Um garoto muito mal-humorado estava dando alguns gritos lá dentro. Algo parecia estar errado com seu dormitório. Não me importei. Só abri espaço para ele que saiu quase destruindo a secretaria toda.
- Bom dia senhora – não sabia muito bem o que dizer ao chegar lá.
A senhora me olhou com cara abusada, como quem quer dizer “não está nada bom o meu dia”.
- Eu sou nova aqui... Meu nome é Maddison Clark – ela logo entendeu. Abaixou-se para pegar alguma coisa.
- Aqui estão seus horários. Na parede logo atrás de você está a lista dos dormitórios deste ano. Ao chegar lá, será guiada por seu coordenador, ou coordenadora. Entendeu? – ela disse com a mesma cara de desgosto, como se tivesse feito isso a manhã inteira. Guardei os horários na mochila que estava nas minhas costas, para olhar depois, e fui até a lista.
“Maddison R. Clark.............................................Dormitório Baggas, 52”.
Niall’s POV
Ligava, ligava, e nada. Era sempre assim.
Eu em uma tentativa falha de tentar falar com meus pais. Eu já estava atrasado por conta disso. Peguei minhas malas, tranquei a porta da casa e joguei a chave no chão. Estava irritado de mais. Tive que esperar muito até achar um taxi vago. Em plena Upper East Side a esta hora da manhã é difícil, sem antes ligar para uma companhia de táxis com antecedência. Mas enfim cheguei. Parecia o único lugar onde eu ficava menos sozinho no mundo, mesmo não sendo o maior fã da escola. Percebi que estava atrasado quando via somente faxineiros e coordenadores perambulando pelo campus. Tive que chegar até a secretaria me escondendo em cada árvore. Para a minha má sorte, aquela velha verruguenta estava lá. Me botaria de detenção na primeira oportunidade de atraso. Apesar das aulas não começarem hoje, hoje era onde todos se instalavam, e onde tinha a reunião de alunos no auditório, onde a diretora sempre falava as mesmas bobagens de sempre, que eu sou obrigado a escutar todo o ano. A reunião já devia ter começado... Opa! A velha deve ter ido ao banheiro. Corri para dentro e me procurei na lista. Demorei algum tempo até achar meu nome, pois o meu dormitório era o último. O Baggas. Belo começo de ano. Ironicamente.
Adentrei no balcão procurar meu horário... É preciso muita coragem para fazer isso, acredite. K, L, M, N... Niall J Horan. Certo. Quando dou o primeiro “engatinhamento” para fora, a minha vista é pode ser descrita assim: Duas pernas cabeludas, e um sapato horroroso. Merda!
- Muita coragem o moço tem...
- Problemas de atrasos com parentes.
- Porque hoje em dia todo adolescente põe a culpa em seus pais? Não tem um pingo de vergonha na cara? – a voz dela estava ainda mais assustadora que da última vez – Eu vou ser boazinha com você dessa vez, filho. Amanhã você vai “botar a mão na limpeza”, na sala de música. Aquela sala está imunda!
Ela tinha toda a razão. Ninguém vai à sala de música... Ela é meio que, abandonada. Quando se escolhe as aulas extras, “música” não era a melhor opção. Como ninguém a escolhia, a opção foi extinta do internato, e lá virara praticamente um museu de instrumentos. E aranhas.
Claire’s POV
Auditório lotado. A diretora subiu ao palco, deu aquele “bom dia” sorridente que logo não existiria no resto do ano, e começaria seu discurso de sempre. Só que dessa vez foi diferente. Ela olhou para o papel de sua mão, e seu sorriso transformou-se numa cara decepcionada. Devia ser algo ruim.
- Devo lhes informar que... – ela hesitou – Um aluno passou por uma situação bem difícil na madrugada de ontem – percebi que todos os alunos começaram a prestar atenção na fala da diretora – Este aluno, que está conosco há muitos anos, sofreu um acidente trágico de moto. Agora, ele está no hospital tentando se recuperar... Ele está “dormido” até agora. A escola quer as melhoras para ele, e pedimos suas orações a Zayn Malik.
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