Transformação - Mansão SKZ
20 CAP.18 Uma leitura do passado, as cartas do Hannie.
Notas iniciais
~Ponto de vista Valentinne após ser expulsa da mente da Naty~
— AQUELA MALDITA ME PAGA! — Ela estava louca de ódio e mal sabia qual dos motivos mais a irritavam, se era pôr a Naty ter libertado o Hyunjin da culpa, se era por tê-los visto sendo intensamente íntimos ou se por ela não ter conseguido dominar a mente de sua rival. — ELA CONSEGUIU ME EXPULSAR! COMO ELA CONSEGUIU ISSO? AAAAH EU VOU MATÁ-LA DE VEZ! ELA VAI MORRER PELAS MINHAS MÃOS PELA ÚLTIMA VEZ!
Ela não parava de gritar descontroladamente e seus servos já estavam ficando com medo pois sabiam que quando ela estava assim coisas ruins também aconteciam a eles.
— VOCÊ! — Ela grita para um dos vampiros ali presentes — VENHA AQUI! — O convocado por ela se aproxima com medo — Está na hora de reunir nossos aliados, vá e os convoque imediatamente e se você falhar estará morto antes que consiga se esconder. — Ele nem se move do lugar. — O QUE AINDA FAZ AQUI SEU IMBECIL! VÁ AGORA! — Ele sai correndo do lugar.
Acontece que a loucura e a obsessão da Valentinne já eram conhecidas entre aqueles que eram aliados de seu clã a tempos e desde a última ação contra o clã SKZ eles vinham se negando a ajudá-la por concluir que aquilo não os levaria a nada uma vez que o único interesse deles era de fato se apossarem das riquezas deles caso ela os matasse, o que notaram que ela seria incapaz mesmo com toda a rejeição que sofria deles.
— E VOCÊ! — Ela chamou uma vampira que somente a encarava este tempo todo. — Encontre o Alexander, está na hora de ele voltar a me ajudar.
— Mas Valentinne...
— VOCÊ VAI ME QUESTIONAR AMBER? — no momento em que ela grita com a Amber ela vai até um outro vampiro ali presente e em um movimento imperceptível ela destronca o ombro dele com uma facilidade incrível e o mesmo urra de dor em resposta encarando Amber nos olhos como um pedido pra que ela apenas obedeça a Valentinne.
— ESTÁ BEM! TA BEM! Eu vou atrás do Alexander, mas você sabe que ele sumiu do mapa a mais de um século não será fácil encontrá-lo.
— Não me importo, mas saiba que quanto mais você demorar, mas seu namoradinho aqui sofrerá na masmorra pois é para lá que ele vai. — O olhar da Amber para seu amor é de desespero — Levem-no.
E mesmo com um pesar os demais ali a obedeceram pois sabiam que ela era dona de todos eles e sua tirania não tinha fim.
— Encontre ele Amber, e se ele se recusar a vir até mim apenas diga a ele que sei o paradeiro do médico.
A vampira escuta suas ordenanças e se retira dali; tentar matar a Valentinne era impossível, eles se rebelaram uma vez contra ela e o resultado foram mais baixas em seu clã do que poderiam contar então ela não arriscaria nada agora já que seu namorado estava à mercê dela em sua maldita masmorra.
A Valentine segura o pingente de seu colar sentando em sua cama enquanto sua cabeça não para de fervilhar pensando em como irá retalhar a Naty causando o máximo de dor possível a ela para que os rapazes também sofram por isso...
...
~Acordando na mansão~
— Acordou amor! Bom dia!
Assim que abro meus olhos vejo que o Hyunjin está deitado ali comigo o que me faz lembrar do dia intenso que tive com ele, tudo parecia um sonho, mas as dores pelo meu corpo deixavam nítido que tinha sido tudo bem real.
— Bom dia Jinnie! — Me espreguiço e o abraço toda manhosa. — Cadê o Innie?
— Ele resolveu nos deixar a sós no restante do tempo que teremos juntos saindo um pouco antes de você acordar — Ele vem até mim me beijando por todo o rosto. — Não vou mentir, eu gostei que ele tenha nos deixado a sós assim podemos nos aproveitar um pouquinho mais.
E falando isso ele me abraça todo manhoso e eu me junto a ele ficando com minha cabeça em seu peito.
— Amor...
— Hunm?
— Eu estou com fome... — Falo com vergonha pois eu sei que ele ouviu minha barriga roncar — Não queria mesmo sair desse abraço, mas preciso comer algo.
— Claro que precisa meu amor e seu café da manhã já está aqui vou pegá-lo para você.
Ele traz uma linda bandeja toda decorada com pétalas azuis e brancas.
— Coma direitinho está bem, depois vou leva-la ao seu quarto.
Eu pego ali um lindo pão de brioche e um suco de laranja e o encaro.
— Mas já quer se livrar de mim?
— Não amor meu deus, nunca! — Ele leva a mão ao peito fazendo um leve drama e eu só consigo rir do tanto que o exagero daquele gesto combina com ele. — É que eu e o Innie estamos meio que atrasados para a caça e não podemos ficar frágeis, não agora né.
— Relaxa anjinho eu entendo, estou só brincando com você amor.
Eu termino de comer e o Jinnie vem até mim fazendo que vai me beijar e eu me afasto colocando a mão na boca.
— Preciso escovar os dentes.
Ele ri e me indica o banheiro e eu vou até lá, tem um monte de coisas ali que sei que são para mim então com o pensamento de que posso ir ficar ali com ele sempre que eu quiser eu termino minha escovação sorrindo boba.
— Agora vem aqui! — Ele me puxa assim que saio do banheiro e me dá um beijo apaixonado, demorado e repleto de carinho.
— Vou ficar tão mal acostumada que em breve você não vai mais me aguentar — Beijo a bochecha dele — Nenhum de vocês vai na verdade.
Ele me dá mais um de seus lindos sorrisos.
— Isso não chega nem perto de ser verdade meu amor, nós nunca enjoamos uns dos outros. — E mais um selar é depositado em meus lábios — Bom agora vou te levar para seu quarto. — Ele fala já me pegando no colo e eu o encaro incrédula. — O que? Achou mesmo que eu não a levaria no colo? Esperei por isso tempo demais Naty, deixe-me ter este gostinho também sim? Não me negue essa alegria.
— Vocês acreditam mesmo que não sei andar, é inacreditável... — Dou um beijo em sua bochecha e entrelaço meus braços pelo pescoço dele, nós dois rimos alto da cena. — Como acha que cheguei até você ontem?
— Meu amor; pegá-la no colo é um dos maiores prazeres que temos, não nos tire esse gostinho. — Ele me beija e segue comigo em seus braços porta a fora.
Quando chegamos no quarto somos recepcionados pelo I.N que nos encara com um lindo sorriso.
— Chegaram! Dormiu bem, minha querida?
— Sim, sim Innie, mas senti sua falta quando acordei.
— Verdade Innie você foi a primeira coisa que ela perguntou quando acordou.
Nós três sorrimos, o Jinnie me coloca no chão e o Innie vem me abraçar.
— Também senti saudades. — Ele deposita um breve selar em meus lábios o que me faz pensar no quanto eu estou com saudades dele — O Channie pediu para nós encontrarmos eles, então temos que ir Jinnie.
Os dois se encaram e depois me encaram.
— Tudo bem para você ficar um tempo sozinha amor?
Penso por um instante, eles nunca me deixavam completamente só, será que aconteceu algo?
— Não, não me importo. Com tanto que vocês voltem antes do anoitecer, aqui é grande demais e não gosto de ficar sozinha a noite.
— Ah sim, o Jinnie e eu talvez não, mas os demais estarão de volta em breve, será só por uma parte do dia e olha — Ele aponta para minha bancada — tem comida ali para você e caso você queira ir na cozinha lá tem bastante coisa também o LeeKnow garantiu que tivesse tudo que você gosta na dispensa.
— Tudo bem então não vou segurar vocês mais, se cuidem está bem?
— Pode deixar.
— Claro meu amor, sentiremos saudades.
Os dois se despedem de mim, o Jinnie se demora um pouco mais no abraço e quando ele me solta não sinto mais as dores que sentia pelo meu corpo.
— Você não ia me falar das dores não? — Eu o encaro surpresa. — Amor não é nossa primeira vez nisso, bem a sua é, mas a nossa não entende? Estamos nisso a tempos, somos vampiros e querendo ou não bem mais fortes então as dores sempre vêm, mas pode ficar tranquila que eu sempre vou cuidar de você.
Ele logo segue o Innie e os dois se vão.
— Ai, ai...
Dou um longo suspiro e decido tomar um bom banho pois eu precisava terminar de acordar e tentar relaxar um pouco.
...
Agora que saio do banho penso sobre o que posso fazer para passar o tempo, talvez curtir uma preguiça seja a melhor pedida para hoje então vou até a janela para dar uma olhada lá fora e vejo que o dia está lindo, mas sem ter com quem compartilhar não me anima tanto.
Volto minha atenção para o cômodo onde estou vou em direção a cama e avisto o presente que o Hannie tinha me dado; a caixinha cheia de cartas que ele escrevera para mim pelos séculos e me dou conta que havia me esquecido dela completamente.
— Bom, acho que hoje vou passar o dia com você de novo Hannie! — Falo para mim mesma enquanto pego umas frutas que eles deixaram já picadas para mim (eu sei estou sendo muito mimada) indo em seguida para a cama e pegando a linda caixinha que está em minha cabeceira.
Abro a caixa e não sei por onde começar, elas não estão organizadas por data (eu acho) então sem mais delongas pego uma que noto ainda ser em papel de pergaminho o que revela em partes sua idade e começo a ler...
“Eu gostaria de saber se de onde você está você consegue nos ver...
Já tem um tempo que você se foi e nós ainda não estamos conseguindo lidar com esse vazio enorme dentro de nós...
As vezes nos reunimos e falamos de você, mas ainda é difícil.
Eu estou um pouco preocupado com o Lix, ele está agindo estranho e não quer se abrir com a gente, me lembrou o Jinnie quando ele sumiu...
Minha amada eu estou morrendo de saudades...
Do eterno seu, Han.”
Ao ler eu entendo que aquelas cartinhas, ou bilhetinhos eram a forma que o Hannie tinha de manter contato comigo, de não se perder, e de tentar aguentar firme pelos demais, me emocionou então sigo para mais uma cartinha.
“Alice meu bem, como você está? Seu aniversário está se aproximando e o Innie quer fazer algo para você.
Todos nós concordamos, mas acho que o Channie já não está mais aguentando segurar tudo por nós...
O Lix deu muito trabalho a todos nós, mas o Channie foi quem mais sofreu; queríamos que você estivesse conosco pois só você conseguiria conter os impulsos do Lix com facilidade.
A saudade que temos de você não diminui nem um instante, eu já até pensei em deixar de existir, mas com a minha alma perdida não adiantaria em nada pois não conseguiria me unir a você...
Sinto muito sua falta.
Do eterno seu, Han.”
A caligrafia do Han é impecável e em suas palavras escritas ali eu consigo ter um vislumbre do que ele sentia quando as escreveu e isso me emociona demais.
Pego a próxima carta que é bem curta, uma linha apenas.
“Não aguento mais isso Alice, sem você eu preferia não existir mesmo.”
Começo a chorar e vou para uma outra que pego sem seguir uma ordem específica.
“Do que adiantou você ter voltado para nós se nós a perdemos novamente Rebeca?
Eu vou embora, não quero mais estar aqui onde tudo me lembra você.
Eu sempre vou amá-la não importa o que aconteça, mas agora não consigo estar com eles, estou feliz pois o Binnie e o Lix parecem estar mais juntos do que nunca, na verdade ter você nos ensinando que podemos estar todos juntos nos amando foi importante para nós Becca, obrigada, mas no momento eu só quero sumir e espero que o Lino me perdoe...
Não quero mais isso.
Vou embora esta noite.
Adeus Becca.
Do eterno seu, Han.”
Então ele os deixou? Foi este o início de sua era sombria? Penso e a tristeza me consome.
...
“Já faz tanto tempo que não escrevo, como você está? Me desculpe ter ido, me perdoe por tudo que fiz... eu sinto muito mesmo.”
Do eterno seu, Han.”
...
“Hoje vencemos um embate contra o clã da Valentinne e resgatamos o Seung, ele está bem mal, mas já já ele se recupera não se preocupe meu amor, vamos encher o saco dele até ele voltar a sorrir.
Notei algo, a Valentinne ficou furiosa quando eu a golpeei e um colar caiu do pescoço dela, nem parecia ser algo de muito valor, mas ela simplesmente parou de me enfrentar e começou a procurá-lo desesperada e eu só não acabei com ela por que uns vente vampiros vieram para cima de mim ao perceber a fragilidade de sua líder.
Enquanto ela procurava o colar ela comentou algo como “quando o verdadeiro laço se quebrar... Preciso encontrar”
Ela é louca, mas enfim, não sei se ela o encontrou, mas sei que recuaram e nos deixaram em paz.
Agora vou lá encher o saco do Seung, vou encher ele de beijos e quero só ver a reação dele.
Becca estou com saudades.
Isso nunca vai mudar.
Do eterno seu, Han.”
A Valentinne é tão estranha, vai saber o que deu nela, mas deveria ser importante ela deixou que resgatassem o Minnie...
Estou curiosa com o conteúdo das cartas ali ainda não lidas e continuo lendo uma a uma sem nem me dar conta do tempo que já se passou nisso.
...
Tem umas que me fazem rir...
“Hoje nós fomos pra piscina e jogamos juntos, O Lix jogou uma bola certeira no Lino que só não pegou por que ele tem ótimos reflexos, mas acho que o tadinho do Lix está correndo até agora e quando o Lino o pegar... enfim vão namorar a noite toda...
Te amo Becca, queria você aqui.
Do eterno seu, Han.”
Pensar neles namorando entre si foi estranhamente reconfortante, eles nunca ficariam sós, mas também não pude deixar de pensar nos dramas que eles devem ter vivido em meio aos seus romances...
...
“Hoje o Binnie foi embora... E ele estava completamente perdido... Estamos muito preocupados com ele.
Iris nos perdoe, não podemos salvá-la.
Isso está nos matando, faz seis meses que o Lino não fala com ninguém e o Innie está escondido em algum canto da mansão e não conseguimos encontrar ele de jeito nenhum, mas o Channie garante que ele ainda está aqui.
Quando fecho meus olhos vejo apenas as chamas...
Você não gritou, não pediu ajuda, morreu em silencio e o som que todos ouvimos ali foi apenas das labaredas tomando o lugar o que nos doía ainda mais pois sabíamos que você aguentou calada por nós para que não tivéssemos as lembranças de seus gritos de dor, mas quer saber? O silêncio dói igual meu amor...
Não consigo respirar, estou preocupado com o Binnie ele não vai aguentar...
Precisamos nos livrar daquela monstra maldita, o clã dela só aumenta...
Temos aliados, mas ela sempre ataca na surdina nos pegando de surpresa parece até que ela rastreia sua alma.
Queria poder voltar no tempo; eu morreria em seu lugar.
Você é o grande amor da minha vida Iris, me perdoe...
Do eterno seu, Han.”
Sinto um nó no peito, choro tanto que nem sei explicar o real motivo e sem pensar muito pego a próxima carta.
...
“Hoje foi estranho, o Channie voltou finalmente com o Lino, ele está indecifrável... bem, mais que o normal se é que me entende, mas vamos cuidar dele.
O estranho é que um tal de Alexander veio junto, parece que ele ajudou o Channie no resgate do Lino e ele deixou com a gente um grimório... bem bonito por sinal, mas macabro, parece que foi escrito com sangue credo, e olha que sou um vampiro.
Esse Alexander é um pouco estranho, nos ajudou, mas não falou muito sobre as intenções dele, disse apenas que estava guardando aquele grimório para nós há muito tempo e para guardarmos a sete chaves o livro pois iriamos precisar dele no futuro e que a Valentinne nem poderia sonhar que o grimório está com a gente.
Ele é divertido, cantamos juntos, mas ele não quis ficar, foi embora, mas garantiu que quando fosse a hora voltaria com auxílio para nós.
Mas enfim meu amor a saudade está enorme, o anjinho conversou com a gente para que agora que o Lino voltou, nós nos unirmos para ajudar o Channie e nos vigiar para que os episódios de era sombria acabem aqui e nós concordamos, o Channie fez muito por nós esse tempo todo, e ele sofreu muito além de sua própria dor e isso não é justo.
Acho que amadurecemos Iris e você tem parte nisso acredite.
Te amo demais.
A saudade não diminui.
Do eterno seu, Han.”
...
Para estar com o tal grimório esse Alexander deve ser o mesmo que vi na visão do Jinnie... — Penso por um instante. —
...
“A noticia de hoje não é das melhores meu amor, ou para você talvez seja a melhor de todas...
O Senhor junto a um clã muito antigo estavam nos contando que vai chegar uma hora que você poderá não nos encontrar novamente, que nós não a reconheceremos e essa poderá ser chamada de sua “última vida” vai ser onde você se libertará de nós, como se fosse um reset na sua alma já que as circunstancias ao redor dela não te permite acertar os assuntos em aberto.
Ele disse que como somos vampiros agora é como se você estivesse só em sua história, não existem mais as almas que resgatariam as coisas junto a você prendendo você em um looping vazio entende?
Essa informação faz muito sentido, mas abalou a todos aqui em níveis que não sei explicar, cada um em seu canto pensando e sentindo as dores por imaginar uma eternidade sem você...
O LeeKnow não quer aceitar isso, estamos preocupados.
O Channie se reuniu com a gente falando que se isso acontecer deveríamos deixa-la em paz, trazer você para nossas vidas de novo seria injusto com você.
Para você ser feliz e parar de morrer de forma trágica por nossa culpa eu aceito deixar você ir, mas saiba que eu nunca a esquecerei ou deixarei de te amar seja por um segundo se quer minha esquilinha.
Não sabemos se a Iris foi nossa última oportunidade de ter você em nossas vidas ou se teremos mais uma chance, não sei o que desejar, queria ter a chance de me despedir, todos nós queríamos isso...
Estou com saudades, e estarei sempre.
Do eterno seu, Han.”
...
Minha última vida...
Sinto um aperto no estomago, se eu morrer agora eu nunca mais retornarei para essa história, nunca mais os encontrarei, e logo agora que como Nathalia eu finalmente estou com eles pensar nisso me apavora.
Precisamos encontrar um jeito de resolver tudo, mas como? Tenho que me livrar do meu elo com a Valentinne, precisamos vencer esse conflito para que eles me transformem de uma vez.
Não posso morrer nesta vida, não posso...
Preciso parar para voltar a respirar e enxugar minhas lágrimas eu já havia lido mais da metade das cartas então resolvi parar um pouco para comer algo.
Decido ir até a cozinha e faço uma macarronada para mim, eu estava com fome e isso seria fácil e rápido.
Como, limpo tudo pois esta cozinha é extremamente organizada o que acredito ser um toque do LeeKnow então deixei tudo impecável.
Volto ao meu quarto e durante o trajeto não consigo evitar de pensar que aquele lugar ficava ainda maior sem ter os rapazes ali.
De volta ao meu quarto eu volto a ler as cartas, encontro umas muito românticas, leio letras de músicas que ele fez para mim e entre elas a VOLCANO que ele havia cantado em nosso encontro...
...
“O Lix e o Jinnie levantaram a questão de te transformarmos se por acaso você volte mais uma vez para nós e desta vez até o Channie considerou a hipótese.
Todas as vezes que você retornou para nós era como se você estivesse apenas voltando de viagem, era sempre você mesma só que com novas bagagens, nosso amor era o mesmo, mas a cada versão sua ele se intensificou, aprendemos a amar suas leves mudanças, e tínhamos o prazer de poder contemplar você se apaixonar por cada um de nós de novo e de novo ...
As vezes ficávamos com medo que você não gostasse de todos, ou que gostasse só de um ou só de alguns de nós, mas isso logo ia embora pois o seu olhar para nós todos nos dava a certeza de que ainda estávamos conectados por nosso amor inexplicável.
Seria tão bom poder ter a certeza que estaríamos juntos pela eternidade, mas ainda sim essa escolha jamais será nossa esquilinha, não importa o quanto queiramos ter você para sempre conosco se você sequer hesitar desconsideraremos a ideia no ato, afinal sabemos o que é passar por tudo isso e apesar de já estarmos acostumados com essa vida a nossa adaptação foi difícil... bem, uma parte dela você presenciou outras coisas nós já lhe contamos mas você infelizmente não vai se lembrar então se este momento chegasse seríamos os mais claros possíveis com você.
Não queremos que sofra, não queríamos nada disso...
Sentimos muito...
Você faz tanta falta meu amor, escrever para você me faz sentir que ainda a tenho por perto, na verdade cada um de nós tem seu jeito de mantê-la presente...
O Seung fala com você, é engraçado ele realmente conversa como se você estivesse ao lado dele.
O Lix faz hidromel, era sua bebida favorita quando você era Alice, você amou quando Rebeca e como Iris foi a única bebida alcoólica que consumiu, antes disso a Iris não bebia nada.
O Channie tem o costume de ler para você, ele passa horas lendo em voz alta para te distrair um pouco, lê as mesmas histórias de tempos em tempo e umas novas no meio do caminho, mas nunca deixa de ler seus livros favoritos de Shakespeare.
O Innie mantém o “lugar secreto” de vocês e ele vai pra lá sempre que quer ficar por perto.
O Jinnie pinta, ele sempre pinta para você, mas também dança ele tem coreografias que só dança para você; nós nunca vimos.
O Binnie escreve músicas, fala com você, canta para você e ajuda crianças e idosos carentes, seja com suas visões para levar felicidades a eles ou com ajuda financeira mesmo, vocês dois sempre foram voluntários juntos então ele continua o trabalho de vocês.
Já o Lino, bom ele adota felinos e sempre coloca os nomes dos primeiros que vocês tiveram, e quando a noite chega ele canta pra você.
Eu escrevo, como já notou, e espero que ainda tenha a chance de lhe mostrar nossa caixinha de lembranças mais uma vez, sei que pode soar egoísta, mas eu ainda não estou pronto para dizer um adeus definitivo.
Eu preciso de você, nós precisamos.
Eu amo você.
Sinto tanto sua falta.
Do eterno seu, Han.”
...
Ao término desta carta eu me encontro mais uma vez aos prantos, o início de tudo, as vidas que se passaram, tantas vezes perder alguém que se ama é cruel demais, eu penso nos rapazes um a um, isso deve tê-los quebrado demais, eu mesma não sei lidar com perdas agora imaginar perdê-los por três vezes (pelo menos é do que nos lembramos) e com a eminência de poder perder mais uma vez...
Isso não pode acontecer! De jeito nenhum eu poderei morrer desta vez...
— Eu não vou abandonar vocês de novo meus amores, eu prometo.
E ali mesma deitada na minha cama eu pego no sono.
...
“Estou agora em um casarão enorme de uma época ainda mais antiga do que nas lembranças que tive como Alice, o lugar não deixa de ser bonito, mas me parece estranhamente familiar o que me faz ficar confusa...
— Ceci, você chegou! Vamos os rapazes já estão lá fora nos esperando.
Parece que neste sonho minha consciência atual se faz presente, mas na hora que ouço ser chamada de Ceci sei que essa é mais uma das vidas que tive, mas que até agora não tinha consciência.
Sigo a linda moça que me chamou sabendo que é a Valentinne, mas neste sonho ela está diferente, está carinhosa comigo? Não faz sentido...
— Ah finalmente as damas deram o ar da graça!
Era o Channie! Eram os rapazes, todos ali do lado de fora...
O cenário do sonho muda, estamos todos nos divertindo como em um piquenique, eu sempre servindo a todos o que claramente não agradava a nenhum deles inclusive a Valentinne.
— Deixe disso Barbara! Nós já falamos que não nos casaremos com ninguém! — O que deveria ser o Binnie falou fazendo uma careta. — Eu só me caso com um de vocês aqui se este for o Sam.
Todos riem, mas quem é Sam? E antes que alguém fale algo estou encarando o Hyunjin, então ele deve ser o Sam.
— Vou pensar no seu caso Lewis, mas não se anime muito.
— Por que não deixamos este assunto para outra hora? — O que deveria ser o Felix fala enquanto me encara. — A Ceci não parece à vontade com isso.
— Imagine Chris — Eu respondo como se meu avatar daquele sonho tomasse sua vida própria — Por mim todos vocês deveriam se casar com a Babi. — Neste momento sinto meu coração doer, eu sei que os amo, mas também sei que incentivá-los a ficar com a Barbara é o melhor a se fazer, para todos nós, e por algum motivo que desconheço eu quero muito vê-la feliz e ela parece os amar, mas não sinto o mesmo vindo deles que a cada olhar que trocam comigo demonstram em silêncio amar a mim.
— Viram só a Ceci como sempre tem razão! Obriga..... — Não consigo ouvir o que ela diz o som sai abafado, é o tempo de sorrir para ela quando tudo muda novamente.
— VOCÊ DISSE QUE MORRERIA PARA DEIXAR DE AMÁ-LOS ENTÃO QUE ASSIM SEJA SUA VADIA!
Sinto ser atingida pelas balas da arma que a Barbara disparou contra mim, a dor cruciante, o ar me faltando, o sangue quente escorrendo em meu corpo e enquanto vou caindo consigo ouvir os gritos dos rapazes atrás de mim...
Gritos desesperados, gritos repletos de angustia e dor...
Antes de chegar completamente ao chão um deles me segura, e todos os outros caem em minha volta
— Ceci, amor, não se vá, aguente firme sim? Vamos salvar você...
— Por favor Ceci, nós te amamos não nos deixe...
— Princesa, olhe para nós, por favor não feche os olhos...
— Ah não por favor amor, meu amor fique comigo, fique conosco...
— Segure minha mão minha amada, estou ao seu lado, todos estamos fique firme, não quero viver sem você...
— Não nos deixe Ceci, tínhamos planos, seriamos felizes todos juntos...
— Eu te amo docinho, te amo tanto, não morra Ceci...
— Ela não vai resistir rapazes, — Esse que é o LeeKnow fala para todos eles e se volta para mim —Vá em paz minha amada, — consigo sentir sua mão na minha, e o sangue escorrendo da minha boca me sufocando. — Estaremos juntos novamente, eu vou te encontrar não importa quanto tempo leve e a trarei de volta para nós é uma promessa. E-eu te amo.
Tudo se escurece e agora estamos apenas eu e a Valentinne uma de frente para outra.
— Eu a matei naquele dia, e matei você de novo e de novo, mas desta vez Cecília será a última eu garanto!
Não consigo respondê-la; ouvi-la me chamar de Cecília me fez perder o pouco do controle sobre minha consciência e antes de apagar no próprio sonho sinto ela me apunhalar, ela está muito próxima a mim e a última coisa que vejo é um colar que ela usa gravado com as iniciais B e C e em seguida eu apago de vez.”
...
— NÃÃÃOO! — Ergo meu corpo em um impulso e assim que o faço me vejo coberta de sangue, pelas mãos, braços, rosto abdome e não há uma parte do meu corpo que não doa... — Nós éramos próximas, meu Deus éramos sim!
— NATY! CÉUS O QUE HOUVE! RAPAZES VENHAM AQUI! — O Lix me encontra e fica apavorado, ele vem até mim me abraçando, mas eu não consigo me mover estou paralisada.
— Lix, está doendo muito, me ajuda por favor... — E ao terminar de falar eu desmaio.
...
~Um dia se passou~
— Ela não vai acordar? O que vamos fazer?
— O Channie foi atrás de ajuda, Hannie tente se acalmar precisamos de você inteiro.
— Como vou ficar inteiro sabendo que isso aparentemente foi o efeito por ela ter lido minhas cartas Seung? — A caixa e as cartas que estavam pela cama quando eles me encontraram denunciaram o que eu fiz na ausência deles —A culpa é minha!
— Na verdade isso é culpa minha! Não deveria ter ido em frente com ela na estufa, isso é a retaliação por termos cedido...
— Por favor anjinho não pense assim, a Naty quis tanto quanto você ela até enfrentou a demônia, te proíbo de se culpar okay? Me dá um abraço aqui...
— O Binnie tem razão Jinnie, você não tem culpa, nenhum de nós tem, a culpada é aquela psicopata, maldita... Ver a Naty toda ensanguentada quando a encontrei, me pedindo ajuda, não devíamos tê-la deixado sozinha e esse foi nosso único erro.
— Eu vou matá-la!
— Não Lino, nós vamos matá-la, mas antes vamos cuidar da Naty, nós já sabemos que a Valentinne está reunindo forças para um ataque eu contei para vocês minhas visões ainda vai levar um tempo para ela agir então vamos aproveitar e nos preparar está bem? Todos nós! É hora de lembrarmos do poder que temos e usá-lo a nosso favor
— Esse aí eu ensinei bem!
Todos os rapazes no quarto reconhecem a voz do Senhor e se viram para lhe cumprimentar.
— Olá rapazes! Vejo que a Naty é bem mais forte do que eu imaginava, e que vocês continuam os mesmos bobos apaixonados de sempre — Ele entra no quarto e é recepcionado por todos com beijos e abraços e logo atrás dele o Channie entra com o grimório na mão. — E então, estão prontos para trazê-la de volta?
—--
~Na ausência do Channie~
— Seung você está bem?
— Na verdade estou Innie, mas precisei sair um pouco de lá.
— Ah, entendi, quer que eu te deixe sozinho?
— NÃO! Quer dizer não Innie, fica aqui comigo um pouco está bem? Já já voltamos...
— Claro! Vamos nos sentar ali um pouco? Não quero jogar...
— Não quer perder que eu sei hahaha.
— Olha só está até rindo já, vou embora. — Ele vira de costas —
— Ah não Innie vem vamos sentar, — O Seung vai até ele o abraçando pelas costas.
— Argh me larga! Seu grudento.
Os dois sorrindo vão para debaixo da árvore e se sentam lá.
— Vamos perder ela de novo Innie, acho que não vai ter jeito.
— Por que diz isso?
— Você a viu? Todo aquele sangue? As manchas pelo corpo pareciam tiros a queima roupa... Tiros Innie! Como aquele monstro fez isso? Era uma lembrança? Ela nunca atirou na Naty ou em nenhuma outra de suas vidas, o que foi aquilo?
— Eu não sei, não consigo ver o passado, e não previ esse ataque dela ela deve estar se escondendo de mim...
— Vamos perder...
— Vem cá Minnie, — Ele o abraça e faz carinhos nos cabelos do mais velho. — Perder está nas probabilidades sim, não vou mentir, aliás desta vez poderemos perder até mais que a Naty, — O Seung o encara assustado e recebe um carinho em seu rosto. — Mas como disse é uma probabilidade, tem outras onde não perderemos nada, quem perde é a Valentinne e é nessa que quero acreditar.
— Suas visões estão variando muito Innie?
— Sim, estão, mas uma coisa é certa, a Valentinne está se preparando para vir até a mansão pegar a Naty e eu já avisei o Channie.
— Por que você não conta isso a todos? Precisamos ficar em alerta! Nem deveríamos ter saído do lado dela.
— Ainda não Minnie, ainda teremos tempo, quando chegar a hora falarei com todos vocês.
Os dois se apertam no abraço.
— Não podemos perdê-la de novo Innie, não quero mais ficar sem ela.
— Não queremos Minnie querido, vamos fazer tudo ao nosso alcance para ganharmos desta vez e você precisará está concentrado, precisaremos de seus ouvidos e toda sua persuasão ao nosso favor.
— Não vou falhar!
— Não, você não vai eu sei!
— Você não chegou a ver um “calcanhar de Aquiles” para aquela maldita?
— Tenho quase certeza que vi dois.
— Dois? — A expressão do Seung era puramente curiosa, ele se separa do abraço e encara o mais novo. — Quais seriam estes dois?
— Um colar que ela carrega... — Ele para de falar por um momento pensando se deve continuar.
— Eeee? Vamos Innie você nunca me esconde nada.
— E a Naty Minnie, a Naty é o segundo calcanhar.
—--
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