Notas iniciais
Não consegui pensar em um nome melhor. Estava em dúvida entre este e "Pontapé Inicial", mas achei muito esquisito! hahahaha
Boa leitura!
PS.: Não me lembro de ter usado alguma música, mas enquanto revisava escutava esta: Snow Patrol - Open Your Eyes.

Hoje era o grande dia para mim. Será que Cam contara à Patch sobre a transfusão? Um sorriso escapou de meus lábios ao pensar nele. Ao pensar em seu toque; em sua pele sobre a minha; em seus lábios. Um calafrio percorreu meu corpo. Um calafrio de saudades. Eu nunca havia sentido tantas saudades de uma única pessoa.

Sem que eu notasse passos se aproximaram. O guarda-costas olhou para o lado, mas retornou o rosto para a posição normal, fitando a parede à sua frente. Quem poderia ser agora, perguntei aos meus devaneios.

A figura de Ariane surgiu, assim que a vi me levantei e, disparei em passos largos e firmes em sua direção. Mas, a noção me atingiu. Não posso ficar assim tão próxima dela. Freei meus pés parando o mais longe possível dela, sem tirar os olhos de sua imagem imóvel

— Ariane. Você está bem? — Perguntei rapidamente. Algo poderia ter ocorrido.

— Era você que quase entrava numa fria garota! Tivemos de fechar esta entrada para que ela não viesse atrás de você, Nora. Você tem que sair o quanto antes destes túneis. — Disse ela levantando um olhar preocupado em minha direção enquanto me analisava por completo. — Laurel esteve aqui. — Começou com um sussurro. Seus olhos logo encheram-se d'água e ela apoiou ambas as mãos na grade. — Nós inventamos desculpas esfarrapadas para ela não correr atrás de você. Dissemos que colocamos você para limpar os túneis. E, ela sorriu com isto. Ela gostou de termos colocado você para limpar o que é impossível de ficar limpo. Depois ela esperou durante horas conosco, para ver se você chegaria... Foi tudo muito medonho. — Concluiu Ariane deixando que um choro desesperado desafogasse as mágoas de seu corpo. Ela caiu de joelhos no chão e, aquela cena toda foi muito forte para mim. — Você precisa sair daqui o quanto antes. Precisa terminar logo este processo. Ela pode voltar aqui e pegar você desprevenida Nora. Não quero que ela faça nada contra você. — Continuou Ariane agora olhando-me nos olhos. Enquanto nossas lágrimas corriam juntas em distância.

— Hoje é o processo de transfusão. Amanhã Cam me busca e nós faremos uma surpresa à Laurel. — Após um momento de hesitação, tomei fôlego e, lhe declarei a verdade: — Não quero deixar você para trás.

— Vai ter de deixar, Nora. Vai ter de ir e, continuar com sua vida. Eu fico aqui para te ajudar caso volte novamente. Afinal, nunca se sabe. — Disse ela soltando um sorriso nostálgico.

— Mas, eu volto para te buscar. Tudo bem? — Indaguei olhando seus olhos ao longe.

— Tudo. — Respondeu-me com um simples sussurro. — Vou indo agora. — Disse ela, enquanto se levantava e, enxugava as lágrimas com as costas de ambas suas mãos. — Nos vemos por aí. — Após certo momento de receio ela me mandou um beijo pelo ar e, eu sorri com seu gesto. Ariane deu passos hesitantes para trás e, foi embora deixando-me triste e sozinha. Eu vou voltar aqui para buscá-la. Nunca deixaria Ariane nas mãos de alguém como Laurel. Nunca.

Passou-se algumas horas após o ocorrido com Ariane e, o guarda-costas fora substituído por outro. Eu nunca havia notado aquela alteração. Deveria ser por estar dormindo a essa hora, mas hoje eu estava acordada e sentada em meu colchonete, com a sacola que Cam trouxera ontem ao meu lado como acompanhante. Levantei-me e, o guarda-costas abriu a grade. Ele deveria ter sido instruído quanto àquilo. Segui a passos largos pelo caminho que me levava à atual arena. Após alguns minutos de caminhada abri a porta de madeira com um ruído e, sentei-me em um dos degraus da arquibancada. A porta de madeira abriu novamente após alguns instantes e, a figura negra de Cam surgiu diante de meus olhos com um canivete pendurado em seus dedos. Aphrodite surgiu logo atrás. Juntei as sobrancelhas em questionamento em sua direção.

— Só vim instruir e ajudar. — Disse ela levantando ambos os braços com as palmas viradas para cima em posição de redenção.

— Eu que a chamei. — Disse Cam me olhando com um sorriso muito bem enfileirado em seus lábios. Me levantei e, fiquei à sua altura. Aproximei meu rosto do seu e, depositei um beijo fresco em sua bochecha direita. Voltei a olhar em seus olhos agora surpresos. Sua pele clara levemente corada. Sorri com a situação.

— Tudo bem. — Respondi sem tirar meus olhos dos seus.

— Ugh. — Resmungou Aphrodite. — Vamos logo com isto. — Terminou e, deu alguns passos adiante. — É melhor fazer em um local em que contenha mais espaço. Então, ótima escolha Nora. — Disse virando-se para encarar meus olhos enquanto eu e Cam nos aproximávamos do local. — Tirem as blusas. Pode sair muito sangue e, é melhor que tudo ocorra corretamente. A blusa pode cair e, atrapalhar.

Cam sem timidez alguma retirou sua blusa negra e a jogou sobre algum degrau da arquibancada próxima. Dei uma olhada para Aphrodite e, ela teve a mesma reação que eu. Não conteve o olhar junto ao queixo caído. Que corpo era aquele? Branco e, todos os músculos muito bem definidos. A barriga lisa, o peitoral alto, os ombros largos acompanhados por uma clavícula marcada. Voltei a atenção para mim e sei que todos aguardavam a minha vez de tirar.

— Ah, sim. Minha vez. Eba. — Sussurrei. Com um sorriso falso pendendo em meus lábios. Coloquei meus dedos na barra da blusa e a levantei fazendo-a passar rapidamente pela cabeça. Meu sutiã de renda vermelho ficou à mostra. Joguei a blusa no mesmo local da blusa de Cam enquanto fitava-o olhar em direção ao meu umbigo. Sei que ele estava vendo uma cintura delineada, a barriga lisa e uma pele branca. Ele engoliu em seco e, desviou o olhar. Aphrodite soltou um leve pigarro, tirando-nos de nossos devaneios e imaginações desnecessários.

— Vou ficar um pouco distante. Pode ser um pouco forte.

Aphrodite afastou-se até sentar-se no último degrau da arquibancada à minha direita. Estava trocando olhares entre o rosto receoso de Cam e, sua mão que carregava o canivete.

— Posso começar? — Indagou ele com cuidado. Confirmei com um vai-e-vem de cabeça.

Cam se aproximou e fiquei de costas para ele. Tirei as madeixas das costas jogando-as sobre o ombro. Cam colocou sua mão grande e carinhosa sobre minha barriga, aproximando mais nossos corpos. Sem que eu nada dissesse, Cam passou a ponta do canivete pelo ponto do meio, o que ligava aos demais. Aquilo trouxe uma ardência não só ao ponto, mas ao corpo todo. Apertei os olhos para afastar a dor e, logo senti a delicada ponta do dedo de Cam sobre o sangramento, assim que ele o tocou o sangue pareceu sair com mais velocidade e, com uma força ainda mais absurda, pois pude sentir o sangue saindo com mais rapidez enquanto escorria até à barra de meu short jeans.

— Sua vez. — Sussurrou ele enquanto jogava o ar de sua respiração contra minha nuca. Aquilo estava estranho, completamente. Virei-me em sua direção e peguei o canivete entre meus dedos com a ponta suja do meu próprio sangue. Cam ficou de costas para mim, deixando à mostra seus ombros largos juntamente com as costas. Coloquei minha mão em seu abdômen firme e, passei a ponta do canivete de cima à baixo de seu ponto. Logo pude ver seu sangue fresco e quente escorrendo abaixo do ponto. Encaminhei a ponta de meu dedo indicador ao sangue que jorrou mais forte. Retirei o meu dedo com o sangue quente apenas na ponta e, Cam foi virando seu corpo até parar de frente para mim. Soltei o canivete no chão e, unimos nossos dedos misturando nossos sangues que já eram unidos há muito tempo. Senti uma ardência me corroendo de dentro para fora na direção de meu novo ponto. Cam se virou primeiro e, eu coloquei meu dedo em seu ponto que se fechou rapidamente com a nova junção. No ponto – agora fechado – formou-se uma leve luz misturando-se com uma escuridão inebriante. Não parecia que eu havia acabado de cortar o ponto com uma claridade interna de Cam. Fiquei de costas e, Cam tocou meu corte com a ponta do dedo. Meu corpo foi em solavanco para frente e, eu caí contra o chão, sem tempo de me apoiar em algo para tentar evitar a queda. Meu ponto estava ardendo, queimando e repuxando de dentro para fora. Eu prensava meus olhos para tentar conter a dor, mas era impossível. Cam se agachou ao meu lado e, Aphrodite não se moveu. Ela sabia que seria assim. Uma luz de seis cores rodeava meu corpo e de Cam. Cores roxas, amarelas, vermelhas, azuis, verdes e negras deixavam arena completamente clara.

Uma dor percorreu cada canto da minha pele junto a um arrepio de frio e, dor. Todos os membros do meu corpo resplandeciam em dores alucinantes. Os músculos tremeram abundantemente. Logo meus tímpanos doíam com um grito fino e, desesperado. Demorei a notar que o grito vinha da minha própria garganta que ardia com força daquele berro desesperado e, repleto de medo; de dor.

A escuridão tomou conta dos meus olhos. O chão sumiu sob meu corpo e, eu parei de gritar. A paz tomou conta do meu corpo. E eu sabia que a partir daquele momento eu voltei à vida. Eu voltei à Morada. Eu voltei aos meus próximos e, principalmente eu voltei para os braços de Patch, o seu par de olhos negros foi a última coisa que eu vi antes de cair em um devaneio obscuro de sono induzido. A transfusão estava divinamente completa. Eu voltei à vida.

Notas finais
O que acharam? Qual a parte preferida de vocês? O que eu preciso melhorar?
E Ah! O capítulo mais esperado está chegando...