Notas iniciais
Olá! Acho que vou ser justa e concreta. Enfim, eu decidi dividir o capítulo, imaginei que tudo junto não coincidiria e não gosto de capítulos tão longos quanto o que ficaria. Então vou postar a primeira parte do capítulo mais esperado.
Inspiração Musical:
Iris - Goo Goo Dolls
Hometown Glory / One and Only / Turning Tables / Tired / Don't You Remember - Adele
Far Away - Nickelback
You and Me - Lifehouse
Begin Again - Taylor Swift
Bottom of The Ocean / I Hope You Find It / I miss You - Miley Cyrus
Talk / Fix You - ColdPlay
Ouçam com todas elas ou apenas com algumas. Espero que curtam e boa leitura!

Despertei sem abrir os olhos e, antes de fazê-lo senti o fino colchonete sob meu corpo. Eu ainda estava no calabouço, ninguém me levara para a Morada. Deixaram-me aqui. Levantei-me rapidamente, apenas com algumas dores localizadas devido ao local em que durmo há dias. Fiquei de pé e, olhei ao redor. Não havia guarda costas e, a pequena saída daquele grande portão de pequeninos quadrados estava aberta. Uni as sobrancelhas enquanto questionava a mim mesma, sobre o que havia acontecido. Tirei meus pés do colchonete e, os coloquei no chão, só então notei que estava descalça, pois senti o frio daquela rocha abaixo de mim. Minhas roupas não eram as mesmas da transfusão, eu estava vestida com algo que poderíamos chamar de pijama: blusa e short de flanela. Foi quando notei que eu não estava mais fraca como antes. Eu estava forte, me sentia com energia suficiente para correr trezentos quarteirões se fosse necessário. Minha pele estava macia e, eu sentia um cheiro bom vindo das minhas madeixas negras, agora sem as pontas roxas. Meus lábios não estavam ressecados como há pouco tempo atrás. Meus olhos não estavam remelados e, nem ardendo. E, minha garganta estava completamente recomposta. Pronta para gritar ainda mais se houvesse necessidade.

Comecei a caminhar pelo chão gélido e acabei por me acostumar com aquela brisa que eu nunca havia sentido ali pelos túneis. Andei de um lado para o outro pelo cômodo, olhando para meus próprios pés esbranquiçados contra o chão negro devido à escuridão do calabouço. Era hoje. Hoje era o outro grande dia, o grande dia de voltar para cada uma das pessoas que são importantes para mim. Os cantos de minha boca se ergueram em um sorriso ao pensar em cada um deles e, meu coração saltou dentro de meu peito, trazendo as emoções à tona.

Vee; eu reveria a minha melhor amiga e, nós tínhamos muito que conversar e, colocar as coisas no eixo. Nos abraçaríamos e, ela berraria um "baby" bem próximo ao meu ouvido, fazendo meu tímpano balançar em dor. Sorri ao pensar na imagem que formulei em minha mente.

Stevie Rae; eu iria rever aqueles olhos azuis que só ela obtinha na família. Ninguém na nossa família nasceu com aqueles olhos azuis tão perfeitos quanto os dela. E, os cabelos louros naturais? Também não havia ninguém na família com algo parecido. Mamãe poderia ser loira, mas com uma bela de uma tinta sobre a cor castanha escura de seus fios naturais. Daria um abraço bastante apertado em minha irmã para matar a saudade de tal ato e, talvez me derramaria em lágrimas com esse momento de finalmente senti-la em meus braços.

Shaunee e Damien; também ansiava para revê-los. Abraça-los e, ouvir suas besteiras comuns. Suas risadas fáceis. Eles também me faziam feliz e, eram verdadeiros para comigo, o que me deixava ainda mais próxima de ambos.

Cam; poderia lhe dar um abraço e agradecer por cada mínimo detalhe que fez por mim. Por tudo o que teve que aguentar para me tirar logo deste calabouço. Eu me sentia mais próxima dele do que nunca. Ele era um ótimo amigo e, completamente verdadeiro para comigo. Sinto-me honrada em tê-lo próximo a mim. Em tê-lo nos meus dias e, poder dizer que ele realmente é meu amigo. Ele me manteve firme por muito tempo. Aturou meus choros, minha fraqueza, minhas dúvidas e até mesmo minha raiva dirigida a ele. E, eu sei que ele é um amigo verdadeiro. Já sinto saudades dele e, de seu sorriso fácil ao me ver. De seus olhos esmeraldas e, de seu beijo firme em minha testa enquanto segura meu rosto entre suas mãos. Sinto falta de seu abraço reconfortante que traz a vida de volta ao meu corpo. Eu quero o seu abraço novamente, mas agora? Agora eu necessito de seu abraço longe da escuridão destes túneis.

E por fim Patch. Só de pensar em seu torso, os pelos de todo o meu corpo se eriçam. Meus olhos se fecham automaticamente, devido à ardência em meu olhar, provocada pela saudade. Eu sinto a falta dele, mais do que de qualquer um da Morada Sussurrante. Sinto falta de sua voz cochichando ao pé do meu ouvido um anjo qualquer. Sinto falta de seu abraço apertado em minha cintura, dos seus dedos entre os meus e, de dormir em seu abraço quente com o odor reconfortante de menta. Sinto falta de sua risada rouca que vem acompanhada de um olhar obscuro devido ao tom de seus olhos. Sinto falta de seus fios de cabelos louros quase castanhos entre meus dedos finos e, delicados. Falta de sua barba por fazer roçando minha pele e, me fazendo sorrir com ambos os olhos fechados. Falta de sua face séria quando tenho algo para contar ou até mesmo para discutir. Eu ainda choro de saudades antes de dormir, ainda tenho sonho loucos com Patch em que eu o revejo e, nós nos abraçamos; nos beijamos e dividimos notícias guardadas em nossos corações durante muito tempo e, agradeço mentalmente à estes sonhos, pois foram eles que também me mantiveram firme nestes túneis.

Eu — enfim — mataria as saudades destes, mas ao mesmo instante eu sentiria falta de um outro alguém. Ariane Alter. Sentiria falta de sua risada que me fazia sorrir juntamente. De sua felicidade e, de seu companheirismo. Sentiria falta de nossos momentos cortando frutas para se alimentar. Falta de seus cutucões e, de suas caretas que me faziam rolar os olhos e, rir descontroladamente. Sentiria falta de seu apoio moral. Sentiria saudades de sua preocupação para comigo. Mas, isso não iria durar por muito tempo, pois eu iria tirá-la dali o quanto antes. Tirá-la das mãos de Laurel o quanto antes.

Repentinamente meus olhos avistam um papel branco preso em um dos mínimos quadrados daquele portão. Vou até ele, sem tirar meus olhos de sua cor. Coloco-o entre meus dedos e, o abro segurando as bordas. Havia uma caligrafia fina com a tinta de caneta rosa. As letras eram redondas com separações dignas. O bilhete dizia: "Até que enfim acordou! Como está se sentindo? Bem, com certeza! Agora siga as instruções que vou lhe dar e, você terá um ótimo fim de noite. Saia já daí e, siga para a cozinha onde você comia – se é que podemos chamar ‘aquelas coisas’ de comida -, lá você verá um pacote negro com uma fita rosa sobre a mesa ou em uma das cadeiras. Abra e, leia o próximo bilhete! Seja bem vinda a Morada, nerd!". Sorri vendo a assinatura de Aphrodite, o que ela estaria aprontando? Segui pelos corredores obscuros com um sorriso pendurado em meus lábios.

Após ver algumas entradas naquelas paredes beges com a poeira, avistei uma abertura maior em um dos corredores. Segui até a abertura, já avistando o pacote chamativo ao longe. Guardei o primeiro bilhete entre meus dedos. Coloquei minhas mãos sobre o pacote negro com a fita rosa, desatando a mesma daquele laço bem feito. Retirei o pacote também negro do interior da caixa delicada e, uma pequena folha de papel caiu, antes que chegasse ao chão a peguei no ar. A mesma cor de tinta de caneta estava ali, mas com uma caligrafia distinta. Agora as letras eram brutas, grossas, sem compasso e despojadas. Escritas de um modo despreocupado com o seguinte dizer: "Olá. Isso está sendo uma surpresa para você, certo? Espero que goste! Pegue este sabonete e, vá até o banheiro na abertura desta cozinha. Tome um belo banho e, só depois — prometa para mim que vai cumprir — abra o pacote e, vista-se para sua noite. Todos aguardamos ansiosamente por seu retorno." Era a assinatura de Cameron que estava ao final deste bilhete. Sorri com sua escrita e, retirei o sabonete em pedra branco colado na parte traseira do bilhete. Com o sabonete em mãos entrei na abertura que ficava ao lado da geladeira daquela cozinha improvisada. Encontrei uma simples banheira com uma torneira pequena e delicada à esquerda da mesma nos deixando com os pés em direção à porta. Enchi a banheira com água fresca enquanto passava meus dedos por sua temperatura reconfortante. Me despi deixando as roupas sujas naquele chão também sujo e, mergulhei meu corpo na água deliciosa. Logo estava passando o sabonete maravilhosamente cheiroso em cada parte dolorida e suja de meu corpo. Fiquei durante uns trinta minutos, apenas mergulhada relaxando. Deixando com que a água morna lavasse toda a sujeira e, a dor que ainda existia. Saí da banheira e abri o pequeno ralo para que a água escorresse por ali levando a minha sujeira corporal. Peguei a toalha em cima da pia, enxuguei todo o meu corpo e me enrolei com ela. Voltei à cozinha pegando o pacote e, trazendo-o para o banheiro novamente. Abri o embrulho e um tecido negro surgiu. Antes de olhar suas feições me vesti com ele e fiquei parada em frente a um espelho quebrado que tinha ali naqueles túneis, por incrível que pareça. Olhei minha pele agora limpa e, contrastando contra o vestido. Suas alças eram finas, delicadas em strass que brilhavam como as estrelas. O decote era cavado em transparência chegando quase ao umbigo. A cintura era bem marcada, revelando minhas curvas bem alinhadas. A saia do mesmo era rodada até à metade das coxas em um veludo negro. Rendas saiam da ponta desta saia. E, tudo junto de tal maneira ficava bastante impressionante para ir a uma festa. Aquele vestido era para uma ocasião especial, com certeza. Deixei meus fios negros ondulados soltos e, calcei os saltos que existia também dentro do pacote. Eles eram negros e, seus saltos eram no tom de dourado. Havia um bilhete saindo da ponta peep toe. "Agora está linda, cheirosa e muito bem vestida. Saia daí! Alguém te aguarda na saída. Confie em nós...". Desta vez o bilhete tinha a assinatura de ambos: Aphrodite e Cameron.

Saí do banheiro com todos os bilhetes em mãos e, deixei a bagunça para trás, pois eu não poderia perder tempo arrumando cada detalhe e, deixando tudo limpo. Acelerei meus passos e, o som constante do par de saltos contra o chão atingia meus tímpanos. Percorri cada um dos túneis que deveriam ser percorridos a caminho da felicidade com um sorriso no rosto. Ao sair pela abertura avistei uma bolinha de papel colocada propositalmente no canto da abertura, me agachei, abri e li: "Tenha uma ótima noite. E que a carona para cá seja a das melhores..." Assim que li aquilo sem assinatura e, sem uma caligrafia que me levaria a alguém, uma limusine branca estacionou. Recolhi o bilhete e deixei-o junto com os outros entre meus dedos.

Fiquei de pé. Meus olhos estavam arregalados e, meu queixo caído. Qualquer um saberia que eu estava bastante impressionada com aquela surpresa preparada pela dupla que conseguiu — por fim — me tirar dos túneis.

Fiquei parada, talvez esperando o motorista da gigantesca limusine descer e me dizer algo ou esperando a porta abrir sozinha. Mas, só depois de algum tempo de hesitação que eu notei que eu aguardava meu coração tomar coragem para recomeçar. A palavra é um pouco forte, assim como o ato de fazê-lo. Eu sentia falta de tudo e, voltar era a coisa que eu mais precisava em toda a minha vida. Eu não queria voltar, eu precisava voltar, frisei em meus pensamentos. Respirei fundo e, antes de dar quaisquer passos, ou apenas um, a porta do motorista da limusine branca abriu-se. Demorou um pouco para a cabeça surgir da abertura, mas — após alguns instantes — ela surgiu. Hesitou durante alguns segundos e, começou a caminhar ao lado da limusine, dando a volta e parando alguns poucos centímetros distantes de mim.

Seus pés com coturnos despojados; Calça Levi's negra pendendo na cintura e, mostrando a barra da cueca-box vermelha; uma camiseta de mangas longas dobradas até o cotovelo e, com decote simples em formato da letra "V" e um blazer negro jogado por cima de tudo. O rosto estava coberto por uma névoa noturna, obscura. Suas feições eu não via, mas podia sentir o seu típico odor. Seu braço direito posto atrás de seu torso musculoso. O rosto olhando para a ponta de seus pés. Seus ombros tensos. E os arrepios percorriam cada ponto do meu corpo. Ele levantou o rosto e, seu sorriso de canto de boca sexy estava ali. Quanta saudade disto. Não consegui segurar as lágrimas que escorreram por minha face, deixando rastros de felicidade. Eu estava sem força para caminhar em sua direção. A felicidade consumiu cada ponto do meu ser. Meus dedos estavam trêmulos. Meu maxilar rígido. Meus ouvidos tapados pelos compassos rápidos do meu coração. "Olá Anjo" sussurrou Patch em meus pensamentos nada ordenados. "P-Patch." consegui cochichar gaguejante mentalmente de volta. E, seu sorriso se alargou com a resposta. Talvez por seu conseguir conversar da mesma maneira que ele agora. Ele retirou seu braço de trás de seu torso e, esticou para mim uma rosa vermelha que pendia em seus dedos trêmulos. Patch estava nervoso e, completamente ansioso. Ele deveria ter planejado isto durante dias a fio. Ele deu alguns passos na minha direção e, eu peguei a rosa de sua mão deixando com que nossos dedos roçassem entre si. Aproximei meu rosto da rosa e, senti seu forte cheiro doce. Olhei em seu par de olhos negros e, pude ver eles avermelhados nas bordas. Apenas uma lágrima deixou um rastro no rosto de Patch enquanto ele deixava seu maxilar rígido e, engolia em seco pronto para me dizer algo. Antes que ele o fizesse pulei contra seu peitoral e, joguei meus braços em torno de seu pescoço. Minhas mãos acariciando seus fios macios. Os olhos fechados, apenas sentindo o momento. Sentindo sua pele contra minha; o seu ser; o seu cheiro. Patch sem reação colocou suas mãos em minhas costas colando nossos corpos ainda mais – se é que era possível — e, afundou seu rosto entre meu ombro e, meu pescoço deixando com que sua respiração quente roçasse contra minha pele provocando-me arrepios. Ele suspirou. Um tipo de suspiro de alívio. Quantas saudades de ter esta sensação. Ele me levantou em seus braços, deixando o abraço mais forte do que já estava. Patch me deixou em seus braços mornos e receptivos. Ficamos durante algum tempo indeterminado nesta posição. Até que Patch abaixou seu torso até meus pés tocarem o chão nos soltando do abraço. Minhas mãos pousaram em suas faces. E, suas mãos permaneceram em minha cintura, enquanto seus polegares faziam caricias mais urgentes. Sorri, olhando cada ponto de seu rosto. As pontas de seus fios de cabelos sobre a testa; Seu par de olhos negros com uns cílios grandes e, bem curvados; Seu nariz bruto, mas delicado; Sua boca vermelha, úmida e delicada — pedindo para ser beijada urgentemente; seu queixo rude; sua barba por fazer; suas orelhas bem linhadas na lateral de seu rosto. Aproximei minha face da sua, unindo nossas respirações em uma só. Uni nossas testas e, fechei os olhos apenas admirando a sensação de ter sua pele novamente contra a minha. Patch tirou sua testa da minha e, depositou um beijo suave e úmido ali. Seus beijos foram descendo pela pálpebra, à ponta do nariz, ambas as bochechas, o queixo e, por fim os lábios, deixando um rastro em brasa. Ele foi dando selinhos delicados e, lentos enquanto eu correspondia. Chupou meu lábio inferior com delicadeza e, deixou seus olhos semicerrados enquanto os mesmos brilhavam de felicidade.

— Vamos sair daqui. — Disse ele soltando-me, entrelaçando nossos dedos uns nos outros e, indo em direção à limusine. Sentei no banco de acompanhante. Ele deu a volta e, sentou atrás do volante, deu partida e depositou sua mão em minha coxa. E no que eu pensava? Que eu nunca havia tido um momento tão confortável quanto este. Eu estava com Patch. Finalmente.

Notas finais
Ainda falta uma parte!!! Calminha pessoal hahahaha .. No próximo as coisas poderão ser mais emocionantes e a vida de Nora voltará com aquele turbilhão. Mil desculpas se estraguei a perspectiva de alguém, mas reescrevi e corrigi milhares de vezes e achei este jeito o melhor de todos! Até o próximo.
PS.: Me mandem as partes que mais gostaram do que escrevi. É extremamente importante para mim. Beijo