Transformado Pelas Trevas.
2 Reencontro 1
Notas iniciais
Fui arrancada de meu sono profundo e, de meu sonho novamente com Patch por mãos rudes e, fortes apertando ambos meus braços, fazendo-me levantar em um salto de meu colchonete. O lençol que me cobria ficou para trás e, no momento em que abri os lábios para gritar, uma mão grande tapou minha boca. Meus olhos se arregalaram em uma descoberta só minha: Laurel Neft – minha acompanhante – havia descoberto que eu e, Aphrodite estávamos arranjando um jeito para eu sair dali. Ela estava me matando de verdade agora. Meus pés não tocavam o chão e, com isso eu chutava o ar, o nada. Após alguns minutos de caminhada fui jogada com brutalidade contra um chão frio e, ouvi o barulho de grades extremamente fortes sendo fechadas com alta facilidade com toda a certeza por aqueles homens rudes que me trouxeram até aqui. Corri contra a grade em uma tentativa em vão de sair dali. Bati com meus dedos contra a grade, mas o lugar onde eu estava era longe de ambos os corredores onde as pessoas – mortas-vivas – estavam dormindo agora.
- O que está acontecendo? – Berrei desesperada batendo ambas minhas mãos contra a grade enferrujada.
— Em um futuro não muito distante a Srtª entenderá. – Disse uma voz grave vindo de um homem que estava de costas para mim, fazendo guarda. Ele era enorme, suas costas arqueavam lentamente com a respiração enquanto seus braços estavam cruzados sobre seu peito, que também deveria ser musculosos. Seus cabelos lisos escorriam levemente em sua nuca bronzeada.
— Quem está fazendo isto comigo? – Perguntei em um tom mais calmo. Ainda colada à grade fedorenta.
— Você mesma. Você fez sua escolha. – Disse a voz novamente.
— Eu? Eu não pedi para ficar trancafiada ainda por cima em túneis, eu nem sei a saída disto aqui. – Falei em meu tom mais indignado possível.
— Com o tempo você entenderá Nora. – Disse a voz em um tom mais adulto, em um tom quase me aninhando em seus braços fortes. E usou meu nome, o que me fez recuar de todas as perguntas que eu tinha em mente.
Fiz menção de confirmação com a cabeça e, dei alguns passos atrás tropeçando em um colchonete. Olhei diretamente para ele que era idêntico ao que eu tinha deixado no quarto. O melhor a fazer neste momento era dormir. Com toda a certeza era dormir, quem quer que houvesse me colocado aqui viria me informar e, sinceramente eu não estava em uma situação tão pior que a outra. Só estava trancafiada em um túnel. Nada de mais. Me deitei enrolando-me com o lençol fino, fechei meus olhos pesadamente e, um sono – que eu não sabia que existia – tomou conta de meu corpo. Logo não era possível sentir o colchonete fino sob mim e, a escuridão como a dos olhos de Patch tomou conta de meus olhos.
Acordei sem abrir os olhos, meu corpo estava cansado e, eu nunca havia me sentido daquela maneira ao acordar. O que está acontecendo comigo Deusa? Logo ouvi algo que com certeza era um metal batendo contra os ferros daquela grade. Sentei-me abrindo os olhos pesadamente, a grade com diversos mínimos quadrados o que não deixava nem passar minha mão, o que provavelmente passaria entre aquelas grades seria meu dedinho estava sendo pesadamente aberta. Uma silhueta fina tomou conta da minha visão. Ambos os homens saíram de perto das grades, nos deixando a sós. Meu coração dizia e, berrava que era Aphrodite quem estava ali, mas, meu consciente me dizia para recuar, porque quem provavelmente poderia estar ali, era Laurel.
Uma mão delicada com uma luva de couro tirou o capuz que cobria suas madeixas louras.
— Assustada? – Perguntou-me Aphrodite com esnobe perpassando em seus olhos azuis.
— Tenho motivo para estar? – Retruquei no mesmo tom. Levantei-me e, agora estávamos na mesma altura, ninguém em um nível mais baixo ou mais alto. – O que estou fazendo nesta jaula Aphrodite? Porque isto aqui está idêntico a uma! Não sou um bicho! – Disse em um tom rude contra seu rosto desprovido de emoções.
— Desta vez não posso te contar. Pode acabar estragando parte da transfusão. – Disse ela em um tom sábio que ainda me arrepiava.
— Como assim na transfusão? Cam ainda nem veio aqui me ver, para começarmos a nos relacionar. – Joguei contra ela cruzando os braços pesadamente sobre meu peito.
— Você tem que esperar e, fazer tudo o que é mandado se quer que saia perfeito. Você pergunta demais para o meu gosto sabe? – Disse ela mexendo de leve seu pescoço.
— Se você estivesse no meu lugar, acharia necessário perguntar. – Disse arqueando as sobrancelhas. Ela arregalou seus olhos levemente e, arqueou sua sobrancelha.
— Bom. Ariane trará comida para você em horários que já dei para ela. Você não pode sair daqui, entendeu? Em hipótese alguma. Está me ouvindo? Só poderá sair para os corredores quando a transfusão for completa. – Disse ela.
— O que eu posso fazer contra isso? Eu só queria saber o porquê disto tudo! – Por pouco não disse “sua maldita do inferno”, mas, pensei pelo lado de que gostando ou não, Aphrodite estava me ajudando de alguma maneira para que eu saísse dali, na verdade era possível enxergar que ela estava fazendo um experimento com meu corpo, pois nenhum novato havia virado morto vivo, com relações com alguém que tenha uma das marcas mais importantes. E, eu conhecia quatro deles e, todos poderiam me tirar dali. Mas, fui basicamente obrigada à escolher Cam, meu coração me diz que Patch não vai gostar muito da ideia, mas, é esperar para ver a reação dele.
— Enfim, ela trará a comida nos horários que eu mandar. – Disse Aphrodite em um tom autoritário.
— O que quer dizer com isso? Não vou comer nos horários normais? – Indaguei impressionada.
— Espere e, verá. – Disse ela em tom quase de deboche. – Tem alguém aqui para te ver. Você realmente faz falta para algumas pessoas. Eca. – Esnobou Aphrodite em um tom ríspido.
Olhei para as grades, olhei entre aqueles diversos quadradinhos à espera de quem quer que fosse. Porque com certeza ela não era dos túneis. Meu coração deu salto de encontro às minhas costelas e, meus lábios se abriram em um sorriso. Eu sentia que era Patch, será? Será que ele veio me ver? Será que ele pediu para a Aphrodite para me ver?
POV – CAM
Segui a passos largos o caminho que o grandalhão mostrava para mim. Nora estava parcialmente presa e, assim que vi a grade imensa com diversos quadradinhos, o desespero se instalou sobre mim. Aphrodite não poderia estar fazendo realmente o certo, Nora estava sofrendo ali dentro e, Aphrodite carregava certa culpa. O mesmo grandalhão abriu a grade e, no instante em que vi o corpo magro de Nora Redbird, meu coração foi tomado por uma nostalgia sem igual. Olhei em direção aos seus olhos, inchados. A sua pele ressecada; ao seu corpo magro; aos seus cabelos quebradiços. Vi uma ponto de dor assim que ela me viu entrar na “jaula”. Nora não me queria ali, ela queria Patch.
END – POV CAM
Eu vi em seus olhos quando ele notou que não era ele quem eu esperava. Eu esperava Patch, na verdade eu sempre o esperaria, em qualquer lugar ou ocasião. Cam ainda um pouco hesitante, deu leves passos em minha direção. Seus olhos me percorriam por inteira, ele notou a situação em que eu me encontrava. Aphrodite nos deixou a sós, sem dizer uma palavra sequer. Saiu da “jaula” e, o mesmo rapaz que conversou comigo ontem, a fechou. A tristeza abateu-me por completo e, as lágrimas vieram sem pudor. Eu não aguentava mais chorar, meus olhos já ardiam só com a menção de pensar em lamentar. Meu corpo já tremia de fome e, de uma fraqueza que eu nunca tive. Minhas pernas subitamente bambearam e, Cam sem tirar os olhos nostálgicos de mim, veio em minha direção com pressa; seu braço forte abraçou minha cintura antes que eu alcançasse o chão e, ele me abraçou. Ele estava ali para me consertar, para ficar comigo, para me tirar de uma vida que eu não quis, se é que podíamos chamar isto de vida. Eu não estava vivendo, eu estava sobrevivendo.
POV – CAM
Abracei-a com toda a força que eu dispunha, ela estava fraca e, completamente magra. Meu braço dava quase uma volta completa em sua cintura fina. Ela não conseguia emitir força para se apoiar sobre mim e, aquilo me encheu de dor. Eu a vi morrer de uma vez e, agora parecia que eu iria a ver morrendo aos poucos. Ela me escolheu para o sacrifício, para a transfusão e, eu estou aqui para consertar ela. Para mostrar o caminho certo para ela, para a casa dela. Eu serei a lâmpada de seus caminhos, a sua luz e, eu a guiarei até o inferno se for preciso.
END – POV CAM
Tentei abraçar Cam e, lhe devolver o mesmo carinho, mas, eu não provinha daquela força e, ele com toda a certeza notou isto. Ele tomou meus braços com suas mãos e, fez com que eu abraçasse seu pescoço. Colocou seus braços em torno de minha cintura, me embalando. Eu afundei meu rosto em seu pescoço, sentindo seu cheiro sem hesitação qualquer. E eu chorei o que estava preso. Eu soltei a dor, eu tentei tirar de mim o que estava preso ali desde o meu primeiro dia sã. Cam fazia parte do sacrifício e estava ali para me ajudar. Eu chorei a perca, o sofrimento que eu causei e, a barreira pela qual eu estava passando. Eu chorei por Vee, que me apoiara em tantos momentos. Eu chorei por não ter tempo suficiente com Damien e, Shaunee. Eu chorei por Cam e, por Stevie Rae minha irmã que praticamente me criou e, finalmente grande parte das lágrimas foram por Patch. Não Deusa, eu sussurrei, não faça isso com ele, não lhe cause dor. Me deixe ter algo com ele, com o meu par de olhos negros. Eu o quero para mim. Comigo me embalando, cuidando de mim como fez por tanto tempo.
Cam passava uma das mãos compulsivamente em minhas costas e, a outra acariciava meus fios de cabelos despenteados por conta da situação em que eu me encontrava. Depois de muito tempo naquela posição eu me recuperei e, meu corpo se aliviou de parte da dor. Eu retirei meus braços do torno do pescoço de Cam e, encarei seus olhos, seus olhos verdes que onde antes havia uma pontada de deboche havia agora um pouco de dor, misturado com um olhar impressionado.
— Obrigada. – Consegui sussurrar em meio a dor que me consumiu ao vê-lo. Cam colocou ambas as mãos, segurando minha face e, soltou um leve sorriso.
— Fico feliz em ver que você realmente está bem. De verdade. – Afirmou ele com sinceridade em cada uma das palavras.
— Eu também estou feliz em vê-lo. – Disse com um sorriso despertando de meus lábios. Nosso momento foi interrompido por Ariane com uma badeja na grade, eu via todo seu corpo quadriculado, aquela grade não me deixava nem ver sua cicatriz. O rapaz que ficava ali de guarda retirou a bandeja de seus dedos trêmulos e, chamou Cam que foi ao seu encontro; ele pegou a bandeja e, trouxe várias frutas com pedaços de pão e, suco natural para mim. Ariane me deu um simples aceno de mão dando tchau e, se foi. Sentei em meu colchonete com a bandeja entregada por Cam em meu colo. Estava comendo tudo misturado, os sabores se embaralhavam em minha boca, causando ardências internas e, meu estômago de início reprovou pelo tempo que passou sem comer algo com proteína à mais, mas, logo estava normal aceitando tudo o que me passava pela garganta.
Cam hesitou durante um momento, mas, logo sentou ao meu lado. Os joelhos dobrados contra o tronco e, os braços abraçando os mesmo enquanto olhava para o nada.
— Você sabe por que está aqui, não é? – Indaguei em meio às frutas. Ele respondeu com um aceno de cabeça em positivo.
— Sabe do sacrifício e, que te escolhi para isso, não sabe? – Perguntei com cuidado novamente. Ele acenou em positivo novamente. – Você aceitou fazer? – Perguntei com hesitação. Ele acenou em positivo. – Então o que te preocupa? – Pergunte arqueando a sobrancelha de leve, Cam virou o rosto em minha direção e, olhou profundamente em meus olhos. Sua boca abriu e, fechou por alguns instantes, mas, logo sabia o que falar.
— Por Patch, ele não sabe Nora. Ninguém o contou. Ele está esperando que seja ele. Ele está esperando sua resposta. – Respondeu-me Cam com certo receio.
Arqueei minhas sobrancelhas ao que ele tinha dito. Como Patch não sabia? Como ele poderia não saber? Patch tinha de saber! Ele tinha de vir aqui me ver antes da transfusão caso tudo não corresse bem. Eu precisava de Patch, não podia o deixar sofrendo. Em certo conversa em um dia atrás Aphrodite disse que Laurel não lia a mente da própria, a de Cam, a minha e, a de Patch. Então, porque esconder isto dele?
— Sinto muito. – Disse Cam novamente.
— Você tem de trazê-lo aqui. Eu preciso ver ele antes da transfusão Cam. Porque ninguém contou para ele? – Indaguei em meio as lágrimas que queriam cair.
— Não podemos. Essa parte não podemos, ele terá de descobrir e, afinal vocês não poderiam nem se ver, não poderiam ficar no mesmo cômodo. – Disse Cam em um suspiro hesitante.
— O que? – Perguntei semicerrando os olhos. Como assim? Minha mente me perguntava.
— Você está isolada Nora. Só pode ficar no mesmo cômodo de quem fará a transfusão com você. – Cam hesitou por alguns segundos, provavelmente pensando se contava ou não. – Logo você sentirá as diferenças. Você se tornará uma nefilim. – Continuou com os dentes trincados.
Assimilei as informações. Eu não poderia ficar no mesmo cômodo de Patch, mas, com Cam sim; não poderia tocá-lo ou abraça-lo; Patch não sabia que eu havia escolhido Cam. E... se a transfusão não ocorresse bem... eu... eu nunca mais veria Patch novamente, muito menos seu par de olhos negros.
Levantei o olhar e, encontrei os olhos verdes de Cam. Eu havia escolhido ele, eu havia duvidado da força de meu amor com Patch. Eu iria magoá-lo mesmo não tendo intensão e... Cam estava ali, comigo. Isso não me deixava bem.
— Saia. – Sussurrei entredentes. Cam me olhou intrigado, arqueando as sobrancelhas. – Eu pedi para você sair. – Supliquei novamente. Eu precisava ficar sozinha, em um luto interno, com minha dor e, minha fraqueza que mesmo com comida nos estômago não havia se libertado de meu corpo. – Sai daqui! – Disse em um tom rude, olhando profundamente em seus olhos.
Cam hesitou, me encarando, mas, logo se libertou de meus olhos. Levantou bateu com ambas as mãos na calça para se livrar do pó, chegou a grade e, o grandalhão abriu a mesma. Cam foi embora sem olhar para trás. Não identifiquei seu olhar ao sair, seria de tristeza ou... de raiva?
Notas finais
COMENTEM MUITO MEUS FIÉIS LEITORES E, DESDE JÁ AGRADEÇO OS 5 COMENTÁRIOS EXISTENTES. AMO MUITO VOCÊS!
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