Notas iniciais
Me desculpem pela demora, mas só deu para revisar este capítulo ontem e, hoje já estou com um pronto para revisar e, mais um em andamento. O tempo está nos cacos. Espero que curtam e, não me abandonem! Beijos lindos s2
PS.: Recomendo a leitura deste com a música: Again - Bruno Mars...

Sim. Eu ainda me sentia fraca. Como uma gelatina pronta para ser ingerida por alguém com vontade de comer um doce qualquer. Minha pele estava ressecada, provavelmente por falta de sol e, de cremes femininos. Meus cabelos opacos, sem o brilho que ali antes existia. Eu não me parecia com as Qualificadoras normais. Aquelas que tem seus poderes surgindo do centro de suas costas. Aphrodite fora me visitar na jaula dos túneis algumas vezes e, aquilo me chocava; Ver sua pele irradiando brilho; seu ponto aceso; seus cabelos sedosos; seus lábios carnudos e, rosados. E, eu? O oposto. Meus neurônios matutavam sobre o que mais poderia dar errado em minha vida nos dias que ainda me restavam. Eu poderia estar deitada no meu colchonete, mas não faz diferença mesmo estar aqui no canto mais obscuro ou lá, no centro de tudo.

O centro de minhas costas doía, ardia e, por vezes repuxavam internamente. Outro ponto estava se formando ali e, aquela dor era alucinante. As frutas em nada ajudavam para me manter fortalecida, Aphrodite dizia que eu precisava estar saudável. Mas, eu sentia que a qualquer momento o chão sob meus pés cederia e, eu partiria para sempre. E ficar aqui à beira deste abismo é um castigo sem pudor.
Agora eu tinha exatamente seis pontos, o novo ponto se localizava no centro e, os demais ficavam espalhados em volta e, se você ligasse um ao outro o símbolo seria uma estrela. Mas, não aquela estrela que diz que o fim de seu dia chegou. Era aquela estrela que me mostrava que muito ainda estava por vir.
Os dias eram longos e, daqui eu não podia distinguir um dia de chuva de um dia ensolarado. Eu não podia distinguir o dia da noite e, eu não podia distinguir um dia animado de um dia inebriado obscuro por trevas escondidas dentre os arredores da cidade.
Estava sentada com as costas levemente longe da parede, pois se eu aproximasse demais o ponto à parede atrás de mim, ele reagiria em dores compulsivas.
Meus ouvidos capturaram um som distante. Não era complicado já que tudo ali era completamente silencioso. Eram passos, passos vindos de uma distância enorme e, calmos. Quase como os de Cam, mas, havia uma diferença. Sempre quando eu escutava os passos de Cam os passos do salto de agulha de Aphrodite o acompanhavam. Me assustei e, sem notar me encostei mais à parede e, toquei me ponto que reverberou em uma dor por cada ponto do meu corpo fraco, repreendi um berro alto pressionando os lábios com força. Os passos aproximavam-se ainda com calma. O grandalhão simpático que ficava de guarda olhou para a esquerda, provavelmente para verificar quem era e, por sua compostura não gostou muito do que viu.
— Afaste-se. — Berrou o grandalhão, fazendo com o que o som soasse mais alto. Os passos não cessaram, pelo contrário; agora eles estavam mais rápidos. — Eu mandei afastar. — Repetiu a voz grossa do mais velho.
Então repentinamente o rapaz que era meu guarda saiu andando para a esquerda em um modo robótico. Imaginei que ele iria esmurrar quem quer que fosse, mas completamente ao contrário. Seus passos foram mais longe e, logo não era mais possível escutá-los. Como assim? O que houve com ele? Ele pirou de vez?
Os passos continuaram até que aparecessem em frente à grade repleta de mínimos quadrados. Eu não o via por completo, mas com certeza era um homem. Estava de negro; com seus coturnos desamarrados; calças Levi's pendendo em sua cintura, deixando a boxer vermelha à mostra; jaqueta de couro com o capuz lhe escondendo os cabelos loiros quase castanhos escorrendo levemente pela testa e, escondendo seu rosto parcialmente. Um cheiro reconfortante me atingiu, um forte cheiro, um odor gostoso que eu conhecia de tempos atrás e, que mesmo sem notar sempre senti em meu quarto na mansão inútil. Aquele cheiro sempre me trouxera paz. E, agora não era diferente. O odor de menta estava me trazendo paz e, ele estava vindo junto com o dono do meu par de olhos negros.
Foi impossível conter as lágrimas que rolaram por minha bochecha e, caíram em minhas pernas causando uma leve queimação no local. Estava fraca e, assim que levantei em um impulso minhas pernas tremeram, mas agora eu não ligava para elas, eu não estava nem aí para as dores, eu somente me importava com uma coisa: Patch estava aqui. Ele veio até aqui. Percorri correndo com passos largos em direção à grade, ainda chorando. O tempo passou devagar e, meus passos se arrastaram. Bati ambas as mãos na grade e, Patch me olhou assustado. Eu o olhava com atenção. Ele estava lindo como sempre, com seu ar sexy e, sua áurea negra em volta de seu torso. Sua pele bronzeada, seu cheiro de menta e, a sua calma. Seus olhos estavam impressionados, mas também com uma breve raiva que ia e, vinha de suas órbitas negras.
Patch olhou-me com atenção dos pés e, finalmente à cabeça. Suas mãos tocaram a grade gélida e, seus dedos envolveram um dos minúsculos quadrados em frente ao meu rosto. Ver seu rosto tão perto, com sua respiração batendo em seus fios de cabelo e seu cheiro de menta fizeram com que minha fraqueza sumisse. Agora, a única coisa que me importava era ele. Era meu Patch.
— Anjo. — Ele sussurrou. — Eu te encontrei anjo. Eu encontrei você. – Continuou. Seus olhos ficaram vermelhos e, cheios d'água. Patch deixou com que apenas uma lágrima escorresse de um de seus olhos negros. Ele tocou um de seus dedos em um dos meus dedos que saía por um daqueles minúsculos quadrados soltei um suspiro com a leve ardência que percorreu minha veias e, também com o solavanco que meu fraco coração deu contra as minhas costelas. O toque me provocou um choque bom e, repentinamente o ponto no centro de minhas costas cessou da ardência.
— Pa... Patch. — Consegui sussurrar quase sem forças. Meus olhos percorreram o caminho até a fechadura e, Patch notou este olhar. Ele foi mais rápido, com poucos passos largos chegou à haste que ajudava na abertura da grade e, tentou puxar. Mas, ela estava trancada como sempre esteve. As lágrimas escorreram com intensidade de meus olhos que viram a impossibilidade de estar mais próxima de Patch. Meus dedos seguraram os mínimos quadrados com mais força e, meus dentes cerraram-se. Ele também sentiu o mesmo, me olhou de um modo desacreditado, que não queria que aquilo ocorresse. Seu maxilar ficou rijo e, a fúria perpassou por seus olhos negros.
— Me responda uma coisa Nora. — Disse uma voz esnobe em um alto e bom som. Aphrodite chegara. — Seu ponto está ardendo ou doendo? — Indagou. Sua pergunta era retórica e, eu abaixei a cabeça instantaneamente. Não havia ardência ou sequer uma dor, ela sumira com o toque de Patch em meus dedos. — Acredito que não. Essa grade é para que seu poder não se misture com outros e, mesmo assim a força do poder oculto de Patch atrapalhou em um processo da transfusão. — Soou decidida aproximando-se de nós que estávamos divididos por aquela grade.
— Como atrapalhar? Eu vou fazer a transfusão com ela, como vou atrapalhar Aphrodite? — Indagou Patch surpreso. Merda! Ele não sabia ninguém havia contado para ele ainda.
— Opa. — Sussurrou Aphrodite com um olhar sapeca. — Você ainda não contou Nora? — Fez mais uma pergunta retórica arqueando as sobrancelhas.
— Contou o que? — Indagou Patch olhando-me por uma das aberturas da grade. — Fale Anjo. — Disse ele em tom doce. Abaixei a cabeça, teria de ser eu quem iria contar. Eu lhe contaria a verdade e, ele provavelmente acreditaria.
— Eu escolhi... Minha escolha foi Cam e, não você. — Disse levantando a cabeça e, olhando em seus olhos de um profundo negro.
— O que? Por quê? — Perguntou ele olhando-me com atenção e, com seu maxilar trincado.
— Aphrodite disse que com você algo poderia dar errado e, que com Cam tudo ocorreria perfeitamente... Eu queria escolher você! Mas... eu... eu fui obrigada à escolher o Cam.
— Você não foi obrigada à nada! Teve a escolha em suas mãos e, escolheu aquela miniatura! — Berrou Patch contra meu rosto. — Já parou para pensar que ela quis isso para se aproximar de mim? — Continuou berrando Patch apontando para Aphrodite.
— Desculpe. — Sussurrei sem forças. — Não foi a intenção. Eu só quero sair logo deste buraco! — Disse sem paciência.
Patch desviou os olhos de mim e, focou em Aphrodite.
— O que ela faz trancada aí Aphrodite? — Perguntou ele.
— É para o processo da transformação. O novo ponto está se formando nela. Só falta a transfusão de sangue ocorrer para tudo dar certo. Ela precisa estar saudável assim como precisa ficar aí trancada longe de todos. Só quem pode ir e, vir aí dentro somos eu e Cam. Se você entrasse atrapalharia tudo. — Respondeu Aphrodite não só a pergunta que Patch fizera como muitas outras formadas em nossos devaneios mentais.
Notei que Patch apertava a grade em minha frente com força, os nós de seus dedos estavam esbranquiçados. Sua expressão era de alguém muito nervoso com outro alguém. E, eu me perguntava essa raiva era dirigida à mim? Ou à loira perfeita da Aphrodite?
— E você o escolheu? — Indagou confuso para mim. Olhando-me nos olhos com uma profundidade que nunca vi em Patch antes.
— Só de você tê-la tocado já afetou o ponto. E, mesmo você com sua ira Patch não pode contar nada para ninguém e, muito menos fazer algum mal à Cam.
Ele continuou ali encarando-me por alguns segundos. Sustentei meu olhar, eu o queria dentro daquela jaula comigo, queria que ele me protegesse como protegeu por tanto tempo. Eu sei que atrapalharia em alguma coisa, com certeza atrapalharia, mas... eu o queria e, agora o queria mais do quis ele em qualquer dia. Seus lábios abriram-se e, eu esperei ele dizer algo, mas logo seus lábios fecharam-se de novo. Vi que ele hesitou durante alguns instantes, mas em nenhum momento ele deixou de olhar-me nos olhos.
Patch afastou-se relutantemente da grade de quadrados e, sem me olhar novamente nos olhos ou sussurrar algo em minha mente foi embora pelos túneis escuros, mas, não como seus olhos. Seus olhos agora eram mais escuros que a própria noite de uma tempestade sem estrelas.

Notas finais
Curtiraaaaaaaaaaaaaaam? Eu fiz este capítulo com base na própria música e, na tradução da mesma: Again - Bruno Mars. Ainda virão maaais capítulos com base em músicas então aguarde em qual vocês votaram! Eu não parava de ouvir esta música! *-* Enfim, comentem dizendo o que acharam!!! Beijones e, até o próximo capítulo s3