Transformado Pelas Trevas.
23 Raiva ou Tristeza?
Notas iniciais
Músicas para o capítulo: As long as You Love me - Justin Bieber / She Wolf - SIA.
Memórias: Iris - Goo Goo Dolls
Leiam as notas finais! s2
Memórias: Iris - Goo Goo Dolls
Leiam as notas finais! s2
A aula estava entediante. Parada como sempre, com as mesmas falas, os mesmos acontecimentos. Tudo monótono, tudo que eu já esperava que acontecesse. A Professora Nolan, obrigou os meninos novatos a lerem um livro antigo e todas as meninas estavam aguardando, para que os mesmos escolhessem cenas e apresentassem para toda a sala, tendo a oportunidade de escolher a dama com quem iriam contracenar.
Batidas soaram a porta, interrompendo um comentário da Professora Nolan, de teatro. A Professora conversou com alguém que estava ao lado de fora da porta e então se voltou para mim. – Nora. – Começou. – A Grande Sacerdotisa Laurel Neft, necessita de sua presença neste exato instante. – Soou abrupta.“Cam?” Chamei. “Não posso ir, estamos ligados, estarei lá se houver necessidade.” Respondeu sem mover um músculo de seu corpo lendo as páginas de Shakespeare. Levantei-me e saí da sala encontrando uma Laurel animada demais. Estava quase saltitando no ar, um sorriso estava suspenso em seu rosto.– Conseguimos prender o mal, querida. – Disse olhando-me nos olhos. Vislumbrei uma mancha negra perpassar por seus olhos verdes musgos. Ela estava escondendo algo. Chegamos a uma porta de metal, escondida nos corredores da direção. Laurel abriu e fez um gesto para que eu entrasse. Entrei e havia algumas mesas espalhadas pelo enorme recinto, algo estava encoberto por um tecido negro de cetim no centro da sala.– Conseguimos pegar e agora sim, nossa Morada estará em paz. Quer vislumbrar o mau que você aprisionou? – Disse aflita, indo em direção à jaula e segurando a ponta do tecido que roçava o chão. Ela puxou a ponta do tecido revelando a jaula que montamos ontem, o tecido ficou em algum canto do chão. As cores dos elementos nas grades resplandeciam por todos os cantos do recinto. Algo que eu não vira pela manhã apareceu diante de meus olhos. As lágrimas atingiram meus olhos e a dor o meu coração. Aquilo tudo foi construído por mim, por meus poderes. Ele segurando a grade entre seus dedos enquanto me olhava nos olhos, seu maxilar travado. O par de olhos negros de Patch estava piedoso. Eu prendi o amor de minha vida em uma jaula proposta pela víbora da Laurel. As lágrimas escorriam por meu rosto e pingava em minha camisa. Corri em direção à jaula, esquecendo-me de tudo e de todos, não senti o chão sob meus pés, só depois notei, que eu flutuei até a jaula e nem pisei em nenhuma parte do chão. Mas, assim que toquei a grade para olhar no rosto molhado por suor de Patch, eu fui lançada em uma velocidade abrupta para longe da jaula enquanto sentia as pontas de meus dedos queimarem com o atrito. É claro, fui eu quem preparou aquilo. Minhas costas atingiram a parede atrás de mim e eu escorreguei até o chão. Agora eu chorava por uma dor lancinante nas minhas costas e também no meu coração.“Desculpe.” Sussurrei com uma voz embargada pelo choro. “Você vai fazer dar certo anjo. Chame Cameron.” Sussurrou como resposta. Laurel... Aquela víbora idiota, fez com que eu usasse meus poderes e prendesse Patch, o suposto mal.– Sua... – Comecei.– Cale a boca Novata ridícula. Achou mesmo que poderia se livrar de mim facilmente? Acha que não notei seus seis pontos? Você tinha cinco quando morreu e ficou aqui trancada até que eu conseguisse te levar para aqueles túneis e você... escapou? Como ousa passar por todas as minhas regras e por um novo Mundo criado por mim? Ninguém nunca fez isso.– Eu fiz! E faria novamente se houvesse necessidade. – Berrei com uma voz que bateu em todas as paredes e voltou em um eco para nós três.– Faria coisíssima nenhuma. Já pegamos quem te deu forças e pegaremos todos se houver indigência. Viu o que fez com seus poderes? A Jaula que você moldou está prendendo alguém que ama e você fez isso com as próprias mãos. Ah! Coitadinha... Laurel continuaria, mas a porta foi arrombada. Sem sequer querer saber quem era me levantei em um impulso e saí correndo em direção a Laurel. Tudo ao meu redor passou como um borrão. Tudo se misturou e meu único objetivo seria atingir a cara de Laurel, mas um braço forte agarrando a minha cintura com força interrompeu meus passos, meu corpo foi suspenso do chão e eu não sentia mais o mesmo sob meus pés.“Não vai adiantar nada. Está de cabeça quente.” Sussurrou Cam contra meus pensamentos confusos.– Solte-me. – Gritou a voz máscula que se escondia dentro de meu corpo. Todos me olharam com olhos desesperados e confusos. Eles não conheciam aquela voz que estava saindo da delicada garganta de Nora. – O que está olhando? – Indagou a voz novamente com os olhos presos na figura assustada de Laurel. Eu me debatia contra os braços de Cam que me segurava com uma força absurda.– Leve-a. Agora. – Berrou Patch.– Não! – Gritou minha voz normal. – Eu não vou sair daqui sem ele! Eu quero o Patch! Quero Patch. Agora. – A última palavra soou com minha segunda voz. Mas, Cam não me obedeceu – o que realmente era de seu feitio – ele saiu porta afora segurando-me com força enquanto eu ainda me debatia e chutava o ar; o nada. Minhas unhas arranhavam seus braços tentando causar dor física para que ele assim me soltasse. Eu estava com raiva e triste. Ambos os sentimentos confundiam meu corpo. A tristeza só queria me deixar cabisbaixa, com vontade de chorar. Me espernear e comer doce, deixando-me fraca, mas a raiva, ela era diferente; ela queria me manter firme. A mesma aguçou todos os meus sentidos. Eu não só via o braço de Cam como via seus pelos negros e poderia conta-los se houvesse mesmo necessidade ou se eu simplesmente estivesse com vontade de fazê-lo. Eu não só sentia Cam caminhar; eu ouvia seus sapatos amassarem os pedregulhos de poeira do chão. A raiva, ou ódio me deixava forte. Forte para uma batalha. Forte para lutar a favor de meus ideais. Eu derrotaria todas as pessoas que ousariam entrar em meu caminho. Mas, naquele momento meu coração optou pela tristeza e eu desmoronei nos braços de Cam. As lágrimas rolavam por meu rosto sem pudor. E eu chorava sem vergonha alguma. Eu estava derramando lágrimas por Patch e não por um motivo tolo como as adolescentes atuais. Eu estava chorando por que ele estava preso em uma jaula por minha culpa. Estava chorando porque meu coração me pedia para chorar. Ele queria que eu derramasse lágrimas. A questão percorria minha mente. E agora? O que farei para salvar Patch? Eu tenho a obrigação de fazê-lo com minhas próprias mãos. Eu preciso pensar em algo o mais rápido possível, ninguém sabe exatamente o que aquela jaula pode fazer contra seu corpo e além de tudo não faz nem uma semana que nos reencontramos e já fomos separados assim? Nosso destino é pertencer um ao outro. O sangue que corre em minhas veias berra por isso. Eu preciso de Patch; Eu preciso de Patch comigo. E eu vou tirá-lo de lá, eu vou fazer dar certo.
Cam seguiu até a ala dos dormitórios masculinos. Abriu a porta do quarto 336 e me deitou na cama de Patch que ainda estava com seu típico cheiro de menta. Aquilo foi demais para mim e as lágrimas que consegui segurar quando deixei de chorar jorraram com força total. O desespero me abateu por conta daquele odor tão conhecido por mim; conhecido por todos os pontos do meu corpo. Então foi o momento em que eu não senti mais nada em torno do meu corpo; do meu ser. Eu mergulhei em uma profunda escuridão; uma escuridão de memórias que compartilhei com Patch. Lembrei-me do meu sonho com seus olhos negros fitando-me com amor; Lembrei-me do amor que sentia por ele em meu sonho; Lembrei-me do enorme afeto e do amor reciproco que ali existia. Lembrei-me de cada um dos toques trocados ainda no sonho e na felicidade que meu eu do sonho sentia em poder tê-lo. As memórias dos suspiros de Vee na sala quando Patch entrou vieram à tona, era como se eu realmente estivesse assistindo a cena toda, eu podia ouvir seus suspiros atrás de mim. E lembro-me da conexão que senti quando vi Patch pela primeira vez. Quando vi seus olhos negros, encarando-me. Quando vi que aqueles eram o par de olhos negros do meu sonho do dia passado. Quando seus olhos encontraram o meu enquanto escrevia o número de seu dormitório na palma da minha mão. Ainda consigo sentir o calor do toque de seus dedos contra minha pele, aquilo me causou arrepios. Lembrei-me das provocações que ele fez para comigo em seu quarto, enquanto terminávamos a lição passada por Laurel. Naquele instante, eu já sentia uma atração física por Patch, eu negaria – completamente –, mas eu realmente estava atraída por ele. Lembrei ainda quando ele selou nossos lábios em um selinho delicado, mas carregado de prazer e logo em seguida eu mordi seus lábios. Lembrei-me de quando recebi o bilhete jurando que havia sido Patch e o mesmo ficou tão preocupado. Ele poderia não ter dito com todas as letras, mas eu senti isso. Senti em sua áurea, vi seus suspiros aflitos e seu olhar também. Ele se preocupava comigo. Lembro-me de ter dormido com ele naquele dia, mas ele me respeitou tanto que apenas dormimos. Lembrei-me de nós dois tomando café pela “manhã”. Lembrei-me de tocar acidentalmente em suas cicatrizes e ver seu passado. Lembrei-me do mesmo me chacoalhando para acordar e logo depois ocorrer o nosso primeiro beijo, mas eu fui forte – pelo menos tentei – e, o mesmo não ocorreu. Depois a memória mais forte foi a de nosso primeiro beijo nos corredores subterrâneos e gélidos. Depois de eu morrendo em seus braços e ele jurando que estaria sempre comigo e mesmo com o sangue de odor de cobre escorrendo por entre meus lábios, ele me beijou... me beijou com o mesmo desejo que sempre me beijava. Lembrei de nosso reencontro, mas o pior de todos quando ele descobriu todas as verdades e a grade com minúsculos quadrados nos separava. Lembrei-me de seu cheiro e de seu dedo quente roçando meu dedo, aquilo me enfraqueceu. Lembrei-me do reencontro verdadeiro. De ele surgindo com uma rosa entre os dedos, de nosso beijo ardente queimando em saudades. De nossa primeira vez. A minha primeira vez com o meu verdadeiro amor. Foi quando senti. Senti todas as marcas já conquistadas arderem e os pontos entraram em combustão, senti um sétimo ponto inexistente ardendo juntamente com os outros. Senti os lábios de Patch roçando os meus, mesmo ele não estando em corpo ali e foi quando ouvi. “Sei que irá me tirar daqui Anjo. Você também viu tudo isso? Estamos nos comunicando. Nosso sentimento está nos fortalecendo, lembre-se a culpa não é sua, meu amor.” E então tudo em meu torno ganhou vida novamente. Eu senti a cama de Patch sob meu corpo e vi Cam estático na soleira da cama, olhando-me assustado. Eu suspirei em alto e bom som e Cameron veio correndo em minha direção.– Conte. – Disse seco.– Contar? O que? – Respondi com uma pergunta.– Sei que algo passou por sua mente. Estamos ligados, não se esqueça disso, me conte o que você viu e com quem.– Foi Patch. As memórias mais marcantes passaram por meus olhos. Como se eu estivesse assistindo a tudo aquilo e depois... depois eu ouvi Patch conversando comigo. Mas, só pode ser coisa da minha mente...– Não é coisa da sua mente. Você tem outra qualificação Nora. – Disse ele com um sorriso pendendo em seus lábios. — E esta pode ser mais forte que todas as outras. Confie em mim. É o ponto de proteção. Você agora tem o dever de proteger Patch, em qualquer circunstância. E quando seu coração ver alguma outra pessoa que você ama correndo perigo, irá lhe oferecer as memórias. Se você conseguir assistir todas, também consegue proteger esta outra pessoa. Parabéns. – Terminou abruptamente. Muitas coisas em muito pouco tempo. Um ponto? Levantei-me da cama e fiquei em pé, com as pernas ainda tremendo. Minha mão trilhou o caminho até meus pontos e como Cameron havia dito, eu obtinha um ponto a mais. Agora eu tinha dois pontos no centro e cinco em volta. Ah Deusa! Eu sentia meu novo ponto resplandecendo mais forte do que os outros seis pontos.– Ah minha Deusa!– Incrível não é? – Acenei positivamente com a cabeça, respondendo.– Tá. Não podemos perder o foco. Eu prendi Patch. – Disse ainda olhando em seus olhos de um verde divino. – Eu o acorrentei lá e ninguém sabe o que realmente pode acontecer com ele.– Você vai tirá-lo de lá. Com seus poderes contra seus próprios poderes... – Batidas soaram a porta interrompendo a explicação de Cam.– Nora está aí? Ela sumiu de repente. – Disse a voz de Stevie abafada pela porta.– Abra isso! Vai logo. Pare de tentar ser educada caipirona. – Disse a voz também abafada de Aphrodite. Cam foi até a porta e abriu a mesma. O pessoal entrou no quarto com uma liberdade tamanha, até Scott estava ali.– Baby! Porque sumiu? Tipo foi de repente demais! – Exclamou Vee, com seu típico jeito de ser.– Conte Nora. – Disse Cam fazendo com que a coragem procriasse em meu interior.– Laurel conseguiu pegar o mal que supostamente estava abalando a Morada. – Não consegui evitar as lágrimas que já pingavam em minha camisa. Todos os rostos presentes estavam aflitos aguardando a continuação do que eu tinha para contar. Olhei nos olhos de Cam e encontrei calma ali, uma calma transmitida por nossa ligação. Respirei fundo. – Laurel prendeu Patch. Ele é o suposto mal. – A última palavra saiu vacilante e as lágrimas jorraram mais depressa, fazendo com que meus olhos ardessem. Vee foi quem chegou primeiro e me abraçou fortemente pela cintura. Seu abraço era verdadeiro e revigorante.– Sente-se baby. Respire fundo. – Disse olhando-me nos olhos enquanto eu me sentava na cama. A mesma passou seus dedos delicados pelas lágrimas que insistiam em rolar. Em rolar por Patch. Todos se sentaram em volta de mim. Vee de um lado e Stevie do outro. Todos me olhavam aflitos, mas Cam e Aphrodite se entreolhavam com segredos suspensos nos olhares de ambos.– Dividam conosco. – Eu disse olhando para ambos. Os dois me encaminharam olhares assustados. Foi Aphrodite quem se recompôs primeiro.– Proponha uma batalha de retirada de corpo.– Propor batalha a quem? – Interveio Vee.– A dona da Jaula. Alguém deve ter lhe dito quem é a dona da Jaula. – Explicou Aphrodite com certeza nas palavras que saíam de sua boca.– Laurel é a dona da Jaula. – Eu disse, pois me lembrava que a própria havia me contado no momento em que usei meus poderes para com a Jaula.– É impossível derrotar Laurel. Desculpa Nora. Não é querendo te desanimar, mas Laurel é indestrutível na Arena. Ela só foi derrotada uma vez e ninguém sabe quem derrotou ela exatamente. Todos os ombros presentes despencaram, mas houve um que se manteve firme e o par de olhos verdes de Aphrodite, olhavam-me com intensidade. A vi engolir em seco.– Eu derrotei Laurel. – Disse Aphrodite abaixando o rosto e encarando o carpete negro em que estava sentada ereta.– Você o que? – Indagou Stevie.– Eu a derrotei na Arena, porque ela não pode ler meus pensamentos. Essa é a forma de batalha dela. Ela prevê todos os seus movimentos, lê com base em seus pensamentos no que você está pensando em fazer. Você é ilegível, tem a Qualificação com os elementos e acabou de conseguir toda a força das Trevas.– Gente não vai ser tão fácil assim. Eu posso destruir Laurel, mas nós não sabemos se ela realmente vai aceitar a proposta e afinal pode dar tudo errado.– Você tem que tentar por Patch. Se você deixa-lo apodrecer naquela Jaula entrará em guerra contra os caídos e até contra os arcanjos mais altos. – Explicou-me Cam.
Aquilo era de eriçar todos os pelos do meu corpo. Era de me colocar em desespero por conta de suas palavras. Elas foram sinceras, e a verdade sempre me atingia de uma maneira bem forte.– Proponha a batalha. Lembra? Você vai fazer dar certo, todos confiam em você. – Encorajou Damien.– Acabe com aquela cretina. – Comentou Shaunee.– Concordo com a fireball. – Disse Aphrodite, apelidando Shaunee que sorriu para a mesma.– É mana! Você vai conseguir. – Murmurou Stevie Rae.– Isso mesmo baby, acabe com a desgraçada. – Disse Vee xingando-a.– Você consegue Redbird. – Encorajou Scott. Olhei para os olhos de Cam, que simplesmente deu uma piscadela para mim, aquilo me encorajou com a mesma força das palavras de meus amigos. Eles estavam me apoiando e estavam ao meu lado, assim como a Deusa pediu no círculo traçado. Assim que a imagem da Deusa veio em minha mente, foi que tomei real coragem em agir. Eu iria agir pela promessa que fiz a Deusa; iria agir por meus instintos que a mesma criou em mim. Me levantei determinada e segui em direção a porta. Eu iria propor a batalha agora mesmo. Iria propor a batalha pelo dono do par de olhos negros.
Notas finais
Nem todas as pessoas opinaram, mas a escolha foi Aphrodite. Minha Afro para vocês: http://weheartit.com/entry/32164731
Nova fiction: O pilar do Amor. Já postei o link no último capítulo.
Me contem TUDO o que acharam! Já imaginavam isso? Beijos meus amores *-* .. Até o próximo.
3ª Temporada confirmada! Acontecimentos em andamento. Capa editada.
Quem vocês querem ver no próximo? Damien - Deusa - Scott.
Nova fiction: O pilar do Amor. Já postei o link no último capítulo.
Me contem TUDO o que acharam! Já imaginavam isso? Beijos meus amores *-* .. Até o próximo.
3ª Temporada confirmada! Acontecimentos em andamento. Capa editada.
Quem vocês querem ver no próximo? Damien - Deusa - Scott.
Fale com o autor