Transformado Pelas Trevas.
16 Inexplicável.
Notas iniciais
POV – PATCH
Estava deitado ao lado de Nora. Gostava de vê-la em minha cama. Raramente retiro a colcha. Raramente durmo. Acho que poderia até me costumar com esta visão. Observando-a dormir em meus braços de um modo tão aconchegante. Sua respiração leve e sem preocupações; seus cabelos bagunçados caindo sobre o rosto; suas narinas dilatando-se para tomar ar; seus lábios entreabertos. Como era possível? Como era realmente possível eu me apaixonar por ela a cada instante? Como algo assim pode ocorrer com meus sentimentos... Às vezes não sei bem o que sinto, mas é só vê-la sorrindo para mim que eu entendo o que sinto. Felicidade, pura felicidade. Felicidade por vê-la bem; por ver que nosso amor é recíproco; por ver que ela entende minhas questões; por ela me aceitar. E por motivos a fio. Vê-la aqui, sã e salva é uma sensação boa de ter. Algo bom de ver. Poder senti-la, como nunca senti alguém é algo grandioso. Sentir o calor de sua pele contra a minha é algo maravilhoso e graças a Deusa Nyx, personificação da Noite, eu tenho estas sensações. Sentir o amor de minha vida em minhas mãos é algo bom e sem descrição perfeita. Tê-la em minha pele, contra minha pele é algo excitante e caloroso.
As saudades foram interrompidas e agradeço a Deusa por isso. Todos os preparativos para sua surpresa foram repletos de ansiedade. Não aguentava esperar que ela saísse por aquela porta dos túneis para eu me aproximar com uma limusine. Tê-la essa noite foi algo inexplicável. Nenhuma palavra que sair de meus lábios demonstrará tudo o que senti quando estive unido à Nora. Unidos em um único corpo. Tê-la ao meu lado novamente, como em pouco tempo atrás é gratificante. Tê-la sorrindo para mim; rindo; olhando-me profundamente nos olhos é algo inexplicável. Nesta noite tive a prova de que nos amamos e que nada poderá destruir o que foi construído até hoje.
Sinto-me feliz por tê-la como minha, mas, mais do que isto sinto-me horando em poder tê-la. Em poder ter suas mãos nas minhas; em poder protegê-la de quaisquer maus que possam ocorrer sobre ela; em ter seus risos e abraços apertados; em vê-la safada em certos momentos, mas em outros, tão inocente. Esta é minha Nora. E, — se depender de mim – sempre será minha. Inexplicavelmente minha, para sempre.
Acordei de meus devaneios despregando os olhos da figura imóvel de Nora e segui rumo ao banheiro daquele corredor do meu estúdio. Como todos os móveis, os do banheiro também eram negros com hastes douradas para contrastar. Tomei uma ducha revigorante lavando meus cabelos e retirando o restante do suor da noite passada, deixando com que a água escorresse por partes de meu corpo, retirando a dor que já passou e pelo desespero transformado em felicidade. Passei a toalha negra de leve sobre os cabelos e enrolei a mesma em minha cintura, seguindo a caminho da cozinha. Onde comecei a preparar seu primeiro café da manhã. Primeiro de muitos outros que eu prepararia com prazer.
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