Transformado Pelas Trevas.
1 Escolhido - Prólogo
Notas iniciais
- O que aconteceu naquele seu primeiro dia aqui? – Perguntou-me Ariane com certa cautela, enquanto descascávamos frutas sobre uma bandeja como almoço. Estávamos muito próximas nos últimos dias e, aquilo realmente me animava. E, agora ela com certeza estava perguntando sobre meu ataque de choro logo quando cheguei.
- Eu não sei, vieram lembranças que eu não presenciei. Lembranças em que presenciei muito bem e, que marcaram minha vida, sabe? – Respondi pensando no filme que me cegou por completa em meu primeiro dia sã nos túneis.
— Foi um tipo de imprinting então? – Perguntou-me olhando-me nos olhos.
— É, foi tipo isto. – Sussurrei ainda com lembranças em minha mente.
— Isto é bom, significa que você ainda tem uma ligação forte com qualquer um que apareceu em suas lembranças. Quem apareceu? – Perguntou-me Ariane com ousadia.
— Vee, Stevie, Patch, Cam e, meu pai Harrison. – Disse lembrando-me dos momentos.
— Seu pai? Mas, não foi ele que te abandonou? – Perguntou-me com uma maçã sendo fortemente mastigada por ela.
— É, mas, ele apareceu. Comigo e, com minha irmã. Ah! Meu irmão Max também apareceu quando era recém-nascido. – Disse lembrando-me instantaneamente.
— Esquisito. – Disse ela fazendo uma leve careta. Sorri com sua aparência enquanto colocava um pedaço de manga entre os dentes. A tristeza tomou o olhar de Ariane e, eu sabia o que viria a seguir: o mesmo ponto de interrogação de vários dias a fio. Mas, agora – finalmente – eu sabia o que faria; agora a resposta seria diferente de qualquer outra dada. Minha decisão estava tomada e, nada iria me fazer voltar atrás. Passei noites acordada procurando a resposta certa nos cantos obscuros de minha mente. A decisão veio junto à proposta, eu só não enxerguei, eu me fiz de cega para a verdade e, agora ela permanecia em minhas veias. Ela rodava por meu corpo e, aquilo deixava-me com completa ansiedade.
— Quem você escolheu para tentar Nora? – Perguntou-me com cautela. – Já escolheu?
— Sim. Já escolhi. – Respondi rapidamente para tentar acabar com aquilo.
— Vou sentir sua falta. Sei que aqui não é o melhor lugar em que esteve, mas, vou sentir falta da sua presença. – Disse ela com um sorriso tímido pendendo de seus lábios.
— Também vou sentir saudades Ariane. – Disse pegando em sua mão e, apertando-a com afeto.
— Ela virá hoje. – Disse ela mudando drasticamente de assunto.
— Qual? – Perguntei repentinamente.
— A novata, ela quer falar com você. Para saber se você já escolheu. – Disse ela de uma vez com um suspiro.
Laurel nunca fora lá desde minha chegada. Recebi algumas visitas de Aphrodite – a novata – para passar-me informações e, hoje ela iria para saber de minha resposta revolucionária. Precisava cumprir com meus deveres de nova vida, de uma vida longe dali, mas, também precisava de algumas respostas para muitas de minhas perguntas rodopiantes.
Estava sentada em uma cadeira não quebrada por mim naquele cômodo já tão conhecido. Aphrodite já havia retirado seu capuz e, seus olhos azuis olhavam os meus cinzas.
— Sei que veio aqui para saber de minha resposta. – Disse de uma vez. – Mas, antes de lhe contar tenho algumas perguntas à fazer. – Continuei com certa autoridade desta vez.
— Pergunte. – Disse Aphrodite com esnobe na voz.
— Se eu sair daqui, posso salvar alguém quando estiver fora? Com as mesmas “regras”? – Indaguei com ansiedade.
— Sim, você pode retirar Ariane daqui e, fazer com que ela retorne para a Morada Sussurrante. – Respondeu-me ela, fazendo com que arrepios de felicidade percorressem todo meu corpo.
— Como ocorrerá a transfusão? Aonde ela ocorrerá? – Perguntei substituindo a autoridade e, felicidade por completo desespero.
— É simples: Você mesma terá de fazer um corte no centro do ponto de seu escolhido e, deixar com que uma gota do sangue fique na ponta de seu dedo. Ele terá de fazer o mesmo com você, mas, ele só poderá pegar o sangue do seu ponto que une os outros, ou seja, o ponto do centro. Se ele trocar os pontos dará tudo errado. Assim que ambos estiverem com o sangue na ponta do dedo é só juntar as pontas do mesmo e, colocar a mistura de sangue no ponto um do outro. Não precisa ser rápido, pode ser devagar. E isso será feito aqui nos túneis. E, se completo com sucesso ambos retornam para a Morada. – Disse ela sorrindo com domínio após a pronúncia de todas as palavras. Aphrodite parecia até mesmo sábia dizendo tudo aquilo com tamanha felicidade. Como ela poderia saber de tudo aquilo? Assim tão depressa? Com tanta facilidade? Espero que ela esteja certa Deusa!
— Ok, entendi. Escolho um; me reaproximo e, fazemos a transfusão com a aprovação de ambos. Parece fácil.
— Nem tudo é o que parece. – Disse ele praticamente lendo meus pensamentos.
— Eu sei, mas, minha escolha provavelmente é a correta. Acredito que seja. – Disse deixando escapar um sorriso tenso de meus lábios.
— Diga e, o trarei aqui durante estes dias. O segredo já está muito bem espalhado e, Laurel nem desconfia, por isso ela não tem vindo por aqui. – Disse ela e, a ansiedade me consumiu, eu sei que aquela era a escolha correta e, tudo daria certo após a escolha. Tudo teria de dar certo. Abri meus lábios com hesitação.
— Diga logo, precisamos de mais agilidade aqui! – Disse Aphrodite com sua voz superior retornando à suas veias.
— E... Eu Esc... Escolho o... – hesitei novamente e, olhei profundamente em seus olhos com tristeza e, ela notou aquilo. Continuamos com aquela troca de olhar e, ela fez um gesto com a cabeça trazendo parte da força para meu corpo novamente. – Escolho o Cameron Briel.
Notas finais
PS.: Se houver quaisquer erros, peço que me avisem!
Comentem amores! (:
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