Transcendental
20 If I Lose Myself
Notas iniciais
–Não entendo... O que quer dizer com isso?
–Quero dizer que isso é uma habilidade que se desperta no povo submundano. É chamado instinto de proteção – Minha mãe explicou.
–Quer dizer que eu vou lutar mesmo se eu não quiser? Como assim? – Estava definidamente confuso
–Não exatamente, é um instinto quase igual aos outros, mas o povo submundano ensina as suas crianças a controla-lo. Como pode imaginar, nós não temos a menor experiência nisso... Mas sabemos que esse instinto se desperta em grandes lutas. O povo submundano é conhecido também por seus ótimos guerreiros – ela explicou.
–Ótimo – Murmurei
–Agora, você vá descansar, porque seu dia foi longo. Boa noite – Falou minha mãe ternamente, me puxando pra um abraço de boa noite.
–Ok, Boa noite pra vocês também.
Subi para o meu quarto e tive uma noite sem sonhos.
[...]
Levantei com um certo receio de abrir os olhos, como se algo assustador estivesse esperando para que eu abra os olhos para liberar o terror. Muito tentado a continuar fingindo que eu estava dormindo, minha audição capitou um som, uma respiração, seguida por um batimento cardíaco. Abri os olhos para descobrir que o intruso estava sentado na minha cama me observando. Nossos olhares se cruzaram e eu pulei da cama, jogando as cobertas para o lado e caindo felinamente no chão, em posição de batalha. Minha energia corria feto o sangue em minhas veias, pronto para me defender a qualquer momento.
Estava concentrando energia para controlar o vento, como minha mãe tinha me ensinado quando o intruso percebeu toda a situação e levantou da cama, erguendo as mãos em sinal de rendição.
–Calma rapaz, não vim aqui gerar conflito – Pronunciou ele com uma risada nervosa.
–Claro que não... imagina?! Só apareceu no meu quarto sem ser convidado e fica me espionando, muito inocente da sua parte – Falei com sarcasmo na voz continuando na mesma posição.
–Desculpe se isso te incomodou, não sabia como me aproximar, e tenho certeza que se eu entrasse pela porta da frente seria expulso em questão de segundos.
–Por que diz isso?
–Não é obvio? Sou um submundano, nosso povo não é muito bem recebido... Sabe, sobrenaturais tem a capacidade de sentir outros... Por que você perguntou, então?
–Pode se dizer que eu ainda não sei como se faz isso? – Soou mais como uma pergunta do que resposta.
–Hum... Então ele ainda é muito pouco desenvolvido, então como foi capaz de derrotar meu irmão? – Ele estava murmurando baixo, mais pra si mesmo do que pra mim.
–Do que você está falando? Daquele cara que me atacou ontem? Hanzer? – Perguntei pra mim e ele me olhou surpreso.
–Como sabe o nome dele?
–Eu perguntei – relaxei a postura, mas continuei atento.
–E ele te disse? Simples assim?
–Sim, como qualquer pessoa educada faria... Mas antes que possa perguntar qualquer coisa, eu não mandei ele de volta com um recado de que não era pra nenhum de vocês virem me perturbar? Então deixe-me perguntar: O que você faz aqui? – Pergunte aumentando meu tom a uma oitava.
–Apenas curiosidade... Curiosidade de como foi que um adolescente derrotou um agente como meu irmão.
–Sorte? – Respondi sarcástico
–Talvez, mas algo me diz que não foi só isso... – Ele fez uma cara pensativa – Mas não importa, só vim aqui para ver você de perto. Tenho que voltar. Foi bom te conhecer Senhor Black.
–Pode pelo menos dizer seu nome?
–No meu mundo... Nomes são muito poderosos, então vai ter que esperar.
[...]
Depois do meu encontro pra lá de estranho, me arrumei e fui pra escola. Se eu tivesse sorte, não seria um alvo ambulante.
Bem... Eu não tenho sorte.
Assim que passei pela porta fui abordado pelo jornal da escola... e outros alunos curiosos, voavam enxurradas de perguntas. Em resumo: Foi um saco.
Consegui me livrar da maioria com conversas vagas, e no futuro, talvez uma entrevista.
Quando cheguei na sala, minha professora de Física II, Sra. Holland, já estava me esperando na sala, ou como eu gostava de pensar, um novo desafio. Estava esperando desesperadamente para encontrar Luke, já que não o vejo desde o episódio da encrenca que eu me meti. A aula passou rapidamente.
[...]
Já estava adentrando no refeitório quando o vi, ele estava sentado na mesa dos meus amigos, olhando em volta, como se procurasse alguém, nós encontramos um ao outro e nosso olhar se encontrou num timing perfeito. Ele sorriu e acenou. Estava a caminho quando algo fez com que eu virasse a cabeça de lado, para uma janela do refeitório, E lá estava outra figura me olhando, e depois para a mesa que os meus amigos estavam sentados. Ele vestia um sobretudo preto, e seus olhos pretos com íris carmesim deixava claro de onde ele era...
Cara, que saco! Já não basta a polícia humana (que por acaso tem um modo estranho de investigar secretamente alguém) me perseguindo, eu teria que me entender com a segurança sobrenatural... Isso é uma merda!
Do mesmo jeito que surgiu, a figura se desvaneceu no ar, feito fumaça.
Voltei a caminhar para a mesa, sentei ao ado de Luke que me perguntou para onde eu estava olhando... Eu disse que não era nada.
–John, já soube que de acordo com rumores, você provavelmente é um alienígena? Ou um demônio? – Falou Chris, tirando graça.
–Claro que sim, e agora sou um demônio que veio levar almas “inocentes” para o inferno! – Decidi entrar na brincadeira
–Então esse é o seu favorito? – Kate perguntou.
–Não meu favorito é o que eu sou uma espécie de monstro híbrido que gosta de estripar as vítimas.
–Esse é um dos melhores mesmo – Comentou Paul
–Não, ele é apenas meu namorado que vai ter que ir amocar com minha família no sábado da próxima semana...
–Como é que é? – Dessa nem eu sabia
–Meus pais querem te conhecer... – Ele me disse, implorando com o olhar... Maldição! ele tem o maldito olhar mortal de cachorrinho perdido! Como ele consegue?! Isso é impossível, ele tem 1,95!
–Ah, ótimo, agora serei eu que serei estripado! Não tem como voltar atrás e eu ser o monstro estripador não? – Brinquei meio nervoso.
–Acho que não John, agora você terá que conhecer a sogra – Falou Chris, me dando um olhar compreensivo. Eu suspirei.
–Tudo bem, mas se você não me achar no dia seguinte, é porque fui transformado em picadinho e dado aos animais, e a culpa vai ser sua! – Me aconcheguei no braço que Luke acabara de passar por meus ombros. Dei um selinho no canto da boca dele, e enfiei a minha cabeça no seu peito.
E a calmaria acaba de ir pelo ralo.
Fale com o autor