Transcendental
22 Hurricane
Notas iniciais
Todos presentes estavam no mínimo surpresos com o que eu fiz, porque, de acordo com algumas informações que eu consegui com o decorrer da discussão, eu acabava de nocautear o irmão do Luke, que era conhecido por ser o Homem mais rápido da realeza. Eu estava me sentindo feito um sapo num laboratório, só esperando alguém vir com um bisturi e me abrir para ver como eu funciono.
“O que exatamente você é?” essa foi a primeira pergunta, mas foi a única que eu soube responder... De um jeito tosco, mas soube responder.
E depois de um grande e exaustivo interrogatório eu finalmente tive a oportunidade de fazer perguntas.
–Ok, minha vez de fazer perguntas. Respondam com o máximo de sinceridade possível. Não escondam nada de mim. – Comecei – Primeiro: O que exatamente significa ser da realeza, porque eu estou farto de só ouvir falar sobre isso.
–Bem, nós somos uma espécie de linha de sangue mais avançada – Respondeu a matriarca, mãe de Luke, também conhecida como rainha do submundo ou Eleonor Hunter para os mais chegados – Temos um gene especial que nos propicia qualidades inigualáveis, e o fático escândalo provocado hoje foi por causa de um costume muito antigo nosso: Costumamos querer que nossos filhos cruzem com algum individuo submundano com habilidades consideráveis, assim mantemos o poder no nosso sangue cada vez mais poderoso. Bem, nós, obviamente não achávamos que você não passava de um reles humano mortal, e não gostamos nem um pouco da ideia que você namorasse com meu filho. Mas decidimos investigar a fundo. Kaio, Irmão de Luke, não gostou nem um pouco da ideia. O resultado você mesmo viu.
–Tudo bem, até agora entendo a ideologia de vocês, ainda acho estranho, mas prefiro só passar pra minha próxima pergunta – Deixaria a minha indignação pra depois – Vocês têm alguma ideia de como se controla o Instinto de Proteção? Porque eu já tive alguns problemas, meus pais não sabem o que fazer e preciso resolver isso.
Soltei a bomba de vez e mais uma enxurrada de questões se levantou.
–EU faço as perguntas – Dei ênfase – mas tenho que confessar que isso me surpreendeu mais que a vocês. Mas continuando: vou precisar de uma ajuda com isso, porque desde que um agente da sua inteligência me atacou na escola eu não faço a mínima ideia de como manter sobre controle.
–Como sabe que foi a nossa inteligência? Aliás, como sequer sabe de tudo isso? – Dessa vez foi o patriarca, pai de Luke, Grande rei do submundo ou apenas Khan Hunter (para a família) que perguntou – nossos agentes não entregariam informações assim com tanta facilidade – acho que ele estava indignado, mas eu não estava nem aí.
–Desculpe-me se eu vou soar rude, mas isso não é importante. Apenas pense que eu sou bastante persuasivo quando quero – Fiz uma pausa – Mas como o senhor praticamente admitiu que tem mesmo uma inteligência, continuo com minha pergunta: Alguém pode me ensinar a controlar isso?
–Eu posso, talvez seja uma ótima de me redimir pelo meu escândalo – Para minha surpresa, foi Kaio quem falou isso.
–Prefiro manter distância do cara que tentou me fazer em picadinho, obrigado! – Retruquei
–E eu acho que poderia ensina-lo – Dessa vez foi Luke quem falou.
–Não Luke, Kaio tem que se desculpar, e você sabe melhor do que eu que ele é melhor nisso – Foi Rebekah quem falou. De onde raios que essa menina veio?
–Eu posso ensina-lo Bekah, acho que eu tenho esse direito! – Ele elevou o tom a uma oitava.
–Eu estou usando lógica, irmão, então não discuta. Obviamente é a escolha adequada, dado as circunstâncias. É melhor que seja ele, será mais fácil e mais rápido.
Luke ficou praguejando ao meu lado. Eu murmurei no ouvido dele:
–Tudo bem, eu faço isso
–Tem certeza? – Ele perguntou olhando pra mim
–Tenho – Acenei com a cabeça
–Eu te amo – ele falou e aproximou seu rosto do meu. Minha respiração estancou.
Ele encostou os lábios dele nos meus, na frente de toda a família dele, e me deixou pra lá de corado.
–Isso foi uma atitude possesiva, você sabe, não é? – O repreendi, mas não conseguia esconder o sorriso – Também te amo bobinho.
–Está certo – Falei em voz alta – Eu aceito – Fiz uma pausa – Então... Quando começamos?
–No seu caso – Falou Kaio, por trás de mim. Tomei o maior susto! Quando foi que ele tinha chegado ali!? – Eu recomendaria agora.
–Está louco garoto, quer me matar de um ataque cardíaco!? Pelo menos espere um pouco para tentar me assassinar de novo! – Falei colocando a mão dramaticamente em cima do peito.
–Deixa de ser fresco cara. E aí, vai hoje ou não? – A posição arrogante dele estava me irritando. Pode apostar que você vai perder isso rapidinho enquanto estiver comigo, criatura.
–Enquanto mais cedo começarmos, mais cedo iremos terminar – Eu peitei ele.
–Que seja. – ele se direcionou para a saída e parou – Você vem ou não? Está esperando um convite?
Olhei pra Luke
–Boa Sorte – Ele disse e eu me levantei
–Espero que seja mesmo tão rápido quanto diz, ligeirinho, não quero ter que ficar parando por você.
Ele saiu em disparada, e eu acompanhei facilmente
[...]
Depois de um tempo correndo, nós paramos em uma clareira relativamente pequena.
–Aqui deve estar bom – Ele falou
–Bom para que exatamente? – Perguntei receoso
–Na maior parte, pra você se concentrar – Ele respondeu
–Na maior parte? – Indaguei
–Sim, quero falar com você depois, mas primeiro vamos ao treinamento.
E foi assim que começou, ele disse que basicamente eu apenas tinha que entrar em contato com meu subconsciente e achar esse instinto.
Fácil não? Como se fosse a coisa mais simples do mundo você falar com seu subconsciente. Depois de vários minutos tentando entrar nesse estado, fracassando miseravelmente, Kaio decidiu me ajudar. Era um procedimento bem simples. Mas simples e fácil nesse caso não eram sinônimos.
–Eu vou tentar te enforcar, e quando o instinto subir, você tenta se manter consciente – Ele explicou
–Não sei exatamente se é seguro, mas não custa nada tentar – Dei sinal verde.
Ele me instruiu a deitar no chão. O que eu fiz. Depois ele montou em cima de mim, e colocou as mãos dele, no meu pescoço. Seria uma posição estranha se ele não estivesse me enforcando. Mas espere, é uma posição estranha de qualquer jeito.
–Está pronto? – Ele perguntou
–Não, mas vou fazer mesmo assim.
Ele apertou minha garganta, com força que, na minha opinião, poderia esmagar uma garganta normal. Mas eu ainda conseguia respirar, então não estava adiantando muita coisa.
Ergui minhas mãos e posicionei em cima das dele e apertei os dedos. Ele entendeu o recado e apertou com mais força, bloqueando a passagem de ar. Depois de algum tempo meu pulmão começou a implorar por ar.
Eu evitei me debater, eu tinha que fazer com que meu cérebro achasse que fosse perigo real, mas não queria atrasar o processo.
Pude sentir o meu instinto subindo à cabeça, junto com a inconsciência.
–Você tem que lutar contra isso pelo controle. Você é forte, Você pode conseguir – Ouvi Kaio falar, e chega aos meus ouvidos como se fossem mil quilômetros de distância.
Mas eu lutei, durante um bom tempo pelo controle. Consegui me retirar do estado de inércia em que eu estava, puxei a mão que bloqueava minha respiração e sorri.
–Acho que você conseguiu, bom trabalho! – Ele me congratulou.
–É, acho que sim. Obrigado. – Fiz uma pausa para pegar fôlego – Ei, o que era mesmo que você queria conversar comigo?
–Na verdade era uma explicação de porquê eu fiz todo aquele drama por você ser o companheiro do meu irmão – Ele disse.
–Sou todo ouvidos – O encorajei
–Na verdade, é porque eu estava meio que com inveja. Vocês conseguiram algo que eu tento a anos. É porque eu também tenho um companheiro, ou melhor, um Mate, ou Alma-Gêmea, como preferir chamar. Só que no meu caso, minha família não permite que eu fique com ele, por causa das castas diferentes.
–Entendo... É um ele? Então estamos no mesmo barco, amigo. – Ri um pouco.
–De certa forma, mas pelo menos somos da mesma espécie, então é meio caminho andado.
–Posso saber quem é? – Perguntei curioso.
–Acho que sim... O nome dele é...
Mas ele nunca chegou a falar. Um Uivo tenebroso nos interrompeu. Não tinha percebido, mas a noite já havia caído. Quando olhei ao redor, estávamos cercados por inúmeros pares de olhos amarelos brilhantes, e um vermelho carmim.
–Suspeito que você não tenha a mínima ideia do que é isso aqui, não é? – Perguntei, com receio de receber resposta afirmativa.
–Não, não faço a mínima ideia – Ele Respondeu. Meus medos se confirmaram.
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