Transcendental
19 Fire & Fury
Notas iniciais
Apertei o pescoço do desconhecido com mais força. Ele segurou meu braço tentando se libertar.
–Agora, vou te perguntar só uma vez, e é bom responder – me aproximei ainda mais de seu rosto, apertei ainda mais para enfatizar minhas palavras – Quem é você, o que fez aqui e porquê? Responda e eu decidirei se te libertarei – afrouxei meu aperto apenas o suficiente para ele falar.
–Meu nome é Hanzer, sou submundano, subordinado da guarda da Realeza. Vim aqui a mando da inteligência para testar você e a veracidade dos rumores sobre ti – falava com um pouco de desespero.
–O que mais? – Perguntei
–O que fiz aqui é chamado possessão de alma. Por favor, não me mate!
–Você parece ser inexperiente demais pra isso, porquê? – perguntei ignorando a súplica.
–Fui contratado a um mês atrás. Me deixe Ir, por favor.
Suspendi ele no ar e ele começou a se debater, mas num rápido momento de clareza da minha mente eu o soltei rispidamente no chão. Ele ficou lá, ofegando em busca de ar.
–Te deixarei ir, fui ensinado a dar uma segunda chance, agradeça aos meus pais por isso. Mas é bom que saiba: que não haverá uma terceira chance. Se qualquer um dos seus amiguinhos da realeza vier aqui, não vou poupa-los.
Ele assentiu, ainda no chão, e desapareceu. Se transformando numa névoa que foi levada com o vento.
Fiquei olhando o vácuo até que uma mancha vermelha no chão me fez olhar para o amontoado de homens no chão. Deixe os assuntos sobrenaturais pra depois, porque aqui eu realmente vou ter um baita problema.
[...]
Decidi ficar, e ver o que acontece, rezando pra que nenhum deles se lembre do que aconteceu aqui. Na verdade nem mesmo eu lembro!
Cara, eu acho que a surra que eu dei neles deve ter sido grande, eles estão desmaiados a vinte minutos! Se eles não acordar e logo o resto dos alunos vão chegar e eu não quero nem pensar em que desastre isso se tornará se mais gente ver isso.
Um finalmente se moveu e levantou e começou a levantar.
Finalmente! Pensei que eu tinha matado alguém.
–O que porra foi aconteceu aqui!? – panico preencheu a voz grogue do cara.
–Achei que você pudesse responder essa pergunta –Repeti a história que havia ensaiado durante esse tempo.
Me aproximei lentamente, testando e observando suas reações
– Vim buscar um livro e achei vocês aqui. Do que você se lembra?
–Sei lá, estava no treino e apaguei – confusão era a única coisa que transparecia além da dor aparente.
–Vamos ver o que os outros sabem – falei calmamente. Se tem uma coisa boa no meio disso é o fato de eu não aparentar ser forte, porque assim, nessa situação, ninguém sequer pensaria que esses gigantes todos tivessem apanhado tanto de mim.
[...]
Todos foram acordados, e outros levados pra enfermaria, mas todos os testemunhos foram que eles não faziam ideia do que tinha acontecido. A direção da escola foi avisada, mas aparentemente as câmeras da escola haviam sido desligadas misteriosamente desde o fim do intervalo, então ninguém sabia o que havia acontecido. E eu interpretava meu papel de garoto inocente com perfeição. Rumores apontavam para um maníaco, outros rumores variavam desde alienígenas até monstros, e claro que eu fui envolvido em alguns desses rumores infundados. Todos os pais foram chamados, incluindo os meus. Minha mãe chegou e limpou a minhas roupas magicamente e disse que eu iria explicar as coisas em casa. Até a polícia foi chamada para investigar e aparentemente era impossível que eu causasse tanto estrago, então fui retirado da lista de suspeitos, mas eu não acreditei que eles tivessem me liberado tão facilmente, então decidi ficar de olho.
Em resumo: Em menos de duas horas a escola virou um caos.
[...]
Depois de alguns interrogatórios entediantes, fomos liberados. O que para mim, era mais um pressagio que a polícia iria investigar.
Já estava em casa e estava passando por outro interrogatório incessante, no qual dessa vez contei toda a verdade. Desde a chegada dos valentões até a liberação do ser que os possuiu. Eu só não mencionei a parte da menininha, meu instinto dizia que era melhor eu não falar.
–Mas porque você decidiu liberar o tal possuidor? – Meu pai perguntou
–Não sei, foi mais uma outra decisão instintiva. Na verdade eu estou reparando que ultimamente tenho tomado muitas decisões instintivas. Mas e a respeito daquela voz na minha cabeça, o que realmente aquilo significa?
–Não sabemos exatamente, mas de acordo com pesquisas, é estranho isso ter se manifestado em uma pessoa como você. – Minha mãe pronunciou.
–Veja bem, ambos, eu e seu pai, somos seres considerados de alta patente, puro-sangue, e anteriormente estávamos em cargos bem elevados. Isso, no meu caso, permitiu que eu obtivesse acesso a documentos secretos, pesquisas internas, livros antigos e essas coisas, Eu fiquei sabendo também que isso que você passou é bem comum em outro tipo de espécie.
–Que tipo de espécie? – Perguntei exasperado
–O mais estranho é que tecnicamente não é possível que tenha adquirido esse tipo de habilidade – Ela começou a divagar, ignorando a minha pergunta.
–Que tipo de habilidade? – Falei com mais força
–Eu não entendo... Como Isso é possível? – Ela estava perdida em seus próprios pensamentos.
–Do que você está falando! – Gritei e tudo ao redor parou. Não havia mais movimento, nem som, como se ele tivesse aperado o botão de palse no controle remoto. Eu fiquei ali, estancado em minha posição.
–Oi? – perguntei ao vácuo, como esperado, ninguém respondeu.
Comecei a andar de um lado para o outro, depois comecei a ouvir um zumbido, era hipnotizante, estava vindo de um lugar do lado de fora, lentamente, com os passos controlados foi em direção a porta dos fundos da casa.
Saindo da casa, vi uma sombra, branca, não assustadora como antes, entre as arvores, que lentamente entrou mais fundo na floresta, como se fosse um convite para eu segui-la.
Caminhei um pouco, até parar numa clareira onde vi que a sombra me olhava de frente, seu cabelo esvoaçando num vento inexistente. Ela olhou pra mim e estendeu o braço para cima, uma luz rilhou e seu corpo brilhou e no instante seguinte, a mulher foi trocada por um pássaro, plumado, gigante e impecavelmente branco. Abriu as asas, como que para mostrar sua imponência, seu poder e majestade. Eu instintivamente curvei meu corpo, mostrando submissão, por algum motivo que eu não conheço, aquilo pareceu a coisa que ele deveria fazer.
O Pássaro olhou pra mim e eu ouvi sua voz em minha mente – Os deuses te escolheram, vá e siga seu destino. Lidere-os – E alçou voo, e uma pluma caiu de sua plumagem impecável, parando em frente aos meus pés. Me abaixei e peguei a pluma e analisei em minhas mãos, era algo que o melhor artesão conhecido poderia demorar décadas para fazer, e talvez não se igualasse. Um pensamento ocorreu na sua mente: Liderar quem? E sentia seu corpo sendo levado pra trás, flutuando para seu ponto de origem, quando voltou pisquei os olhos e o tempo tinha começado a rolar novamente.
O tempo que parou segundos antes que a mãe pudesse dizer palavras que ele não estava esperando ouvir
–Isso não é possível para você porque isso é uma habilidade submundana.
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