Transcendental
4 Don`t Wake Me Up
Notas iniciais
Abro meus olhos, e é como se eu apenas tivesse piscado os olhos, e o dia aparecido. Mas esse não é o meu quarto, está escuro demais pra ser ele. Eu pisco os olhos tentando lembrar de onde eu estava, até que a realização vem em seguida e eu lembro que estava n quarto do Luke, mais especificamente na cama dele. Que cara teimoso, eu disse que eu poderia dormir no chão, e... espera, porque estou tão quente?
Cuidadosamente viro a cabeça e vejo que nós estávamos numa espécie de conchinha... ele estava com uma perna por ima da minha, e um braço por baixo do meu e a cabeça apoiada nas minhas costas, e eu não lembro de dormir assim ontem... então ele deve ter feito inconscientemente.
Calmamente, me desenrolei dele, e me levantei. Estava claro o suficiente para eu ver perfeitamente. Olhei para o relógio na mesa de cabeceira e vi que passava das cinco e meia, e eu deveria estar na escola daqui meia hora. Calcei meus sapatos e agarrei meu material e sai do quarto, olhando uma última vez para a figura deitada na cama e sorri. Graças aos céus minha memória de trajeto é excelente, assim, sem demora, eu encontrei a garagem entrei no meu carro, largando a bolsa no banco do passageiro e dei partida no carro.
[...]
Cheguei em casa sem problemas, corri para o banheiro, porque eu iria me atrasar se eu demorasse mais tempo.
[...]
Saí voando de casa, certificando-me de que não havia esquecido nada. Desci a escada correndo, mas antes da escada acabar, meus pés decidiram que ficar juntos era uma boa, então me vi indo em direção ao chão. Quase capotei no chão, e ele não era nem um pouco macio, então, me levantei com a mão na cabeça xingando o mundo pela dor. Mas continuei em disparada para o carro, quase me jogando no acento do motorista, e jogando minha mochila no banco traseiro, liguei o carro e parti para a escola.
[...]
Estacionei o carro e estacionei o carro e sai dele, e assim que fiquei em pé, eu senti uma sensação de sonolência, mas a ignorei, indo apressado para dentro da escola e consecutivamente para o meu armário. Peguei o livro de Biologia Avançada, eu sou o único da minha turminha que gosta de Biologia, e faço duas turmas avançadas... O único problema é que esse horário é o que eu não tenho com nenhum dos meus outros amigos. O toque para entrar nas salas já soou, o que quer dizer que o Mr. Sparks já está na sala. Assim que abro a porta olho pro professor e dou um passo para dentro da sala, já começando a me desculpar:
–Me desculpe pelo a... – E antes que eu possa terminar a frase, minha visão escurece rapidamente, e me sinto ir em direção ao chão, e a última coisa que eu sinto é meu corpo batendo duramente contra o frio piso de cerâmica.
[...]
Abri os olhos lentamente, sentindo uma grande enxaqueca se instalar, tento identificar onde estou, mas minha mente só consegue processar que eu estou deitado, e há uma forte claridade, porque está tão claro? Sinto algo na minha cabeça, como se a estivessem cortando-a. Não consigo escutar quase nada além de sons distantes, como se eu estivesse em baixo da água, escutando uma conversa com vozes desesperadas acima de mim, mas as picadas na cabeça continuam, e ficam cada vez mais fortes e as vozes cada vez mais claras, até que escuto “Ele está acordando! Rápido!” ... “Apliquem o sedativo novamente! 10 miligramas de...” e em seguida eu adormeço novamente.
[...]
Abro novamente os olhos, mas dessa vez, não há tanta claridade, e eu posso enxergar normalmente. A dor na minha cabeça ainda estava presente, mas mais amena. Virei a cabeça dolorosamente para o lado, e percebo que eu estou um quarto branco, impecavelmente limpo, com vários aparelhos ligados atrás de mim, ligados a mim por um monte de cabos e tubos, um deles uma Intravenosa com, ao que perece, soro ligado a outra ponta. Pelo que eu estou vendo, eu estou em um quarto de hospital, mas quem me trousse aqui? a quanto tempo estou aqui? e o mais importante, porque eu estou aqui?
Ouço uma voz na porta, que é aberta e uma enfermeira entra. Vestida com um jaleco branco, me dá um pequeno sorriso. Ergue a prancheta e olha pra mim:
–Mr. Black, certo?”
Aceno com a cabeça, pois não confio na minha voz atualmente.
–Terça-feira, 12 de março, as 10:26 da manhã, você deu entrada no hospital, de acordo com as pessoas que te trouxeram, você apenas desmaiou quando entrou na sala de aula, te levaram a enfermaria da escola, mas o senhor não respondia a nenhum estimulo externo, e te trouxeram a esse hospital, onde os médicos constataram um A.V.C., Então você foi encaminhado a cirurgia de emergência, onde conseguiram reverter o quadro. No meio da cirurgia, você acordou do sedativo, e para não gerar nenhum problema adicional, foi medicado novamente, os médicos finalizaram a cirurgia, mas você entrou em coma logo em seguida. Você compreende?
Acenei novamente, e ela continuou
–Nós estávamos esperando você acordar, para podermos constatar se houve sequela ou não. Agora que você acordou, estará em estado de observação. Alguma Pergunta? – Finalizou ela e acenei com a cabeça e comecei a falar lentamente e com uma voz cansada:
–Você disse que eu passei um tempo em coma, quanto tempo foi esse, e que dia é hoje?
Ela se aparentou relutante em dizer a princípio, mas respondeu minha pergunta com uma voz controlada e provavelmente com cada palavra medida entes de sair da boca:
–Hoje, é dia 12 de Abril, Você passou um mês em coma.”
Apenas acenei novamente, e ela saiu do quarto. Eu apenas fiquei observando o teto branco, com uma lâmpada fluorescente grande no centro. E eu apenas fiquei parado lá, sem esboçar qualquer emoção, O choque que eu achei que estaria me preenchendo agora não veio, me deixando apenas com meus pensamentos, a maioria apenas superficial, como por exemplo, quantos e-mails teriam na minha caixa de entrada, até que um de meus pensamentos me levou até a data de hoje. “Doze de Abril, Dia do meu aniversário” e falei como um sussurro para ninguém, e deixei as palavras vagarem no ar:
–Tenho Dezessete agora.
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