Training days
5 Noite de garotas
Sexta costumava ser apenas mais um dia de uma semana super agitada, onde Ochako se jogava em sua cama ou estudava até tarde, mas não depois que as seis garotas decidiram se reunir todas as sextas para conversar, ver filmes e esquecer um pouco da vida agitada de aspirantes a heroínas.
A morena tinha acabado de chegar de mais um treino e se sentia acabada. Fazia uma semana que estava treinando com o Bakugou e estava começando a pegar o ritmo dele. Havia tido duas aulas práticas no dia anterior, o que já havia a cansado e deixado um pouco enjoada, e com o treino da noite anterior e de hoje, se sentia prestes a colocar as tripas para fora.
Tomou um banho rápido, colocou um pijama confortável e rumou para o quinto andar. Deu uma leve batida na porta, que se abriu em seguida.
— Boa noite, Ochako-chan! — Momo a cumprimentou sorridente. — Venha, entre.
Ochako entrou atrás da amiga, fechando a porta em seguida. Momo havia consertado o tamanho de seus móveis, mas eles ainda eram grandes e luxuosos — com a diferença de que agora era possível andar ao lado da cama sem trombar e derrubar outras coisas.
— Boa noite, meninas! — Ochako cumprimentou as outras garotas que já estavam ali.
— Vocês não sabem como contei os minutos para esse momento de relaxamento – Tooru comentou, jogada em uma ponta da cama.
— Nós temos uma boa ideia — Kyouka respondeu, sentada no chão com algumas almofadas. — Já que foi na nossa orelha que você ficou reclamando.
— De que vamos hoje? Eu não sei se estou no pique de romance — Mina se pronunciou, passando pelo menu de filmes na TV.
— Só porque o Kirishima ainda não pegou suas indiretas? — Tooru perguntou.
— Não consigo entender a relação de vocês — Momo se pronunciou, colocando a mão no queixo pensativa. — Vocês estão sempre juntos e até se chamam pelo primeiro nome. E suas indiretas têm sido bem diretas esse ano.
— É... Complicado — a rosada murmurou.
— É muita lerdeza, isso sim! Ai, Mina! — A garota invisível estava rindo da lerdeza do colega, até ser acertada por uma almofada voadora.
— Pois bem, quem quer assistir terror?
— Pra depois ficar te aturando acordada a noite toda porque não consegue dormir? Não, obrigada.
— Você é muito chata, Kyouka — a rosada mostrou a língua pra amiga, voltando a escolher outro. — Comédia?
— Comédia seria ótimo pra relaxar desse dia cansativo e estressante.
— Concordo com a Kyouka-chan! — assentiu Ochako, que estava no chão ao lado da amiga.
— Deve ter sido ainda mais cansativo para você, não é? Kero.
— Um pouco... Mas acho que estou pegando o ritmo do Bakugou-kun. Ele é bem... Intenso.
— Eu tenho uma noção. Estudo com ele de vez em quando.
— Você quer dizer que finge estudar com ele pra poder ficar perto do Kirishima quase sempre. — Kyouka arqueou uma sobrancelha pra amiga. — Sério, não sei como ele pode ser tão tapado.
— Ah, falou a que tem o namorado mais inteligente do mundo — Mina respondeu, inflando as bochechas.
— Kaminari não é meu namorado!
— Eu não disse o nome dele. — A alien sorriu presunçosa. A garota de fones sentiu o rosto inteiro queimar e virou-se para a parede, causando risadinhas em todas.
— Não seja má com a Kyouka-chan — Ochako se manifestou, segurando o riso. — Vai, vamos de comédia mesmo.
Em poucos minutos haviam escolhido um filme que todas gostariam de assistir e colocaram. Ochako tentava de todas as maneiras manter os olhos abertos, afinal estava gostando, mas o cansaço estava difícil de lidar nessa noite. Bocejou pela quinta vez, o que não passou despercebido pelas amigas.
— Tá tudo bem, Ochako-chan? — a amiga sapa perguntou, soltando um kero no final.
— Oh, sim. Me desculpem, mas eu tô mais cansada que o normal hoje.
— Ochako-chan — Momo a chamou receosa. — Me desculpa a pergunta, mas por que foi pedir ajuda justo ao Bakugou-san?
— Bom, principalmente por ele sempre ser um dos primeiros da turma. E sua rotina de treinamento é ótima para me ajudar a ficar forte.
— Todoroki-kun também é sempre um dos primeiros e ele está sempre estudando com a gente, kero. Além do Midoriya-chan.
— Sim, mas... Não sei... — A morena coçou a cabeça. — Eu já treinei com eles e sempre pegam leve comigo.
— E Bakugou é doido o suficiente pra não se importar com seu oponente e ir com tudo — Kyouka se pronunciou.
— Exatamente. No festival do ano passado e durante as aulas, ele nunca me tratou como alguém frágil.
— E também temos a questão Midoriya, né? — Mina perguntou, um sorriso malicioso nos lábios.
— B-bem... é. — A morena abaixou a cabeça, completamente envergonhada.
— Eu não quero fazer a chata, mas eu tô com fome — Tooru se manifestou e encerrou o assunto, para a alegria de Ochako.
— Poderíamos ir fazer um lanchinho! Ajudaria a Ochako a despertar também! — Mina se pronunciou animada.
— Mas já passou do toque de recolher — Momo comentou preocupada.
— Não se preocupe, querida vice-representante! Nós não seremos pegas com o barulho do elevador. — A rosada piscou marota. — Ochako vai nos descer e subir.
— Tá doida? — A morena arregalou os olhos. — Eu tô muito enjoada hoje.
— Tá, então a Tsuyu desce a gente com a língua! — Mina apontou para a amiga sapa.
— Ahn... Nós não podemos usar as escadas? Kero.
— Ou isso também serve.
— Certo, certo. — Momo assentiu. — Mas sejamos rápidas. E silenciosas, ouviram Tooru e Mina?
— Sim, senhora vice-representante! — As duas bateram continência, ou foi o que pareceu que Tooru fez.
As seis garotas desceram o mais silenciosamente possível pelas escadas, tomando cuidado de não deixar a porta bater após passarem. Pé ante pé, finalmente chegaram à cozinha, onde puderam pegar algumas comidinhas e Momo preparou um pouco de chá.
Estavam se organizando para voltar para o quarto, quando ouviram o apito do elevador. Se entreolharam desesperadas e correram para trás do balcão. Apagaram as lanternas dos celulares e se abaixaram, onde poderiam ficar bem escondidas. Tooru havia simplesmente tirado a roupa e jogado pela janela, ficando parada em um cantinho.
Ouviram os passos se aproximando e as cinco se encolheram ainda mais atrás do balcão. A pessoa que havia descido apenas abriu a geladeira, pegou uma garrafinha de água e saiu da cozinha. Tooru seguiu o colega até a sala, onde pôde ter a certeza que ele entrou no elevador e foi para o seu andar. As outras cinco puderam sair de seus lugares quando foram avisadas que era seguro pela amiga invisível — que teve que sair pegar sua roupa de volta.
— Era apenas o Bakugou-kun — ela sussurrou, colocando a roupa de volta.
— Espero que ele não tenha nos visto — Momo sussurrou de volta aflita. — Vamos voltar logo, antes que mais alguém apareça.
Voltaram no mesmo silêncio para o quarto, apertando o passo com medo de serem flagradas.
Comeram e beberam enquanto terminavam de assistir o filme, o que realmente ajudou Ochako a se manter um pouco desperta. Dormiram pouco tempo depois, sendo a morena a primeira. Apesar do dia seguinte ser sábado, precisava acordar cedo para sair para correr com Bakugou.
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Ochako foi a primeira a acordar. Saiu de fininho, desviando das amigas que dormiam no chão e foi para seu quarto se arrumar, logo descendo e encontrando Bakugou terminando seu café. Sentou-se ao lado do loiro, começando a comer rapidamente.
Saíram em poucos minutos, começando a se alongar.
— Dormiu bem essa noite? — A morena puxou um assunto aleatório.
O loiro a olhou de soslaio. Ochako era extremamente comunicativa e expressiva. Mesmo que quase nunca a respondesse, ela continuava a tagarelar. Era bem irritante, mas às vezes chegava a ser um pouco... Interessante? É, talvez fosse essa a palavra.
— Pra caralho. — Arqueou a sobrancelha e sorriu sarcástico. Esse era um dia que seria interessante. — Acordei de madrugada com sede e tive que descer pegar água. Mas você deve saber disso, já que estava ridiculamente tentando se esconder atrás do balcão com as outras fodidas doidas do caralho.
— Mas que... — Ela se assustou, parando o alongamento e o encarando.
— Sua perna com aquele pijama ridículo de unicórnios estava aparecendo. E tinha a merda de uma roupa pendurada no trinco da janela! Só pode ter sido a retardada da invisível quem jogou ali pra que ninguém a visse.
— Não... — Ochako tentou mentir, mas não era muito boa nisso. Ao menos não quando se sentia sob pressão. — Talvez... Ok, sim!
— Vocês são sonsas mesmo. Sorte de vocês não ter sido o presida.
Bakugou terminou o alongamento e começou a correr, sendo seguido de perto por Ochako. Ela estava realmente conseguindo o acompanhar nas corridas. As cinco voltas foram feitas com mais facilidade pela morena, mas ela ainda havia ficado bastante cansada. Quando pararam para descansar cinco minutos, a garota aproveitou para tirar a dúvida que tanto a corroía.
— Não vai nos dedurar?
— E eu tenho cara de um fodido X9, cara redonda?
— Eu não sei. — Deu de ombros, recebendo um olhar mortífero. — Me desculpe, eu não sei tanto assim sobre você.
— Então que fique sabendo que eu não sou — ele rosnou.
— Anotado. E fica registrado que eu também não sou.
— E eu perguntei alguma coisa?
— Não, mas eu quis falar. — Ela sorriu gentil. Estava se acostumando tanto com as grosserias do colega que já nem se importava mais. — O que vai fazer mais tarde?
— Treinar — respondeu ríspido.
— Quero dizer antes disso. Depois que chegarmos no prédio.
— Nada que te interessa.
— Eu vou estudar — continuou falando. — Preciso manter minhas boas notas. Talvez eu peça autorização ao Aizawa-sensei para ir para àquela sorveteria nova com as meninas...
— Não é tão boa — ele respondeu entediado, antes mesmo que se desse conta. — A aqui perto é bem melhor.
— Oh, é mesmo? — ela se impressionou. — Você não parece ser do tipo que curte doces.
— Como você mesma disse, cara redonda maldita, você não sabe tanto sobre mim.
— Isso quer dizer que gosta de doces?
— Só cala a porra da boca. — Ele esfregou a mãos no rosto, claramente irritado. — AGORA CORRE, BOCHECHUDA!
— Sim, senhor! — a morena deu um sobressalto com o grito e começou a correr de volta para os dormitórios.
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