Traidora
2 Bombardeio
Notas iniciais
Eu infelizmente não tenho muito tempo para atualizar a história com muita frequência, mas quem me conhece - e olha que escrevo fics desde 2009 - sabe que não abro mão das minhas histórias e não sossego enquanto não finalizá-las! Então, por mais que possa demorar um pouquinho, saibam que sempre voltarei com capítulos novos!
Esse e o próximo cap virão mais rápidos por já estarem prontos, mas os outros podem demorar um pouco mais... Mas conto com a ajuda de cada um de vocês (:
Boa leitura!
2 – Bombardeio
6 de Junho de 1944.
Normandia, França.
O céu estava escuro e repleto de nuvens, ganhando uma coloração quase alaranjada. Uma tempestade logo chegaria, constatou Ethan Price, com a visão privilegiada que tinha de dentro do enorme caça com a marca da estrela branca envolta de um círculo azul desenhada nas asas.
Ele e seus homens estavam se aproximando do noroeste francês após a travessia do Atlântico, prontos para atacar a suposta base alemã estabelecida naquele litoral. O capitão da US Air Force recebera rígidas descrições de que o ataque pegaria os inimigos de surpresa, os quais, embora haviam previsto o atentado, não podiam definir o dia e hora do mesmo. Ponto para os americanos, afinal, eles tinham como o maior objetivo tirar a França do poder nazista. E eles almejavam conseguir esse feito, começando com o bombardeio às praias de Normandia. Aquele era o Dia D.
O homem de cabelos em um tom de loiro escuro começava a ver a terra se aproximar, apenas confirmando tal fato ao olhar o painel de controle da minúscula cabine de voo marcar a latitude e longitude exatas do ponto de ataque. Chegara a hora, Ethan pensou com um sorriso presunçoso tomando seus lábios.
– Preparem-se! – Ele alertou aos seus homens através dos microfones interligados nos capacetes, permitindo a comunicação de todos os aviões de sua armada. – O ataque irá começar.
Alexia Foltz bufou pela vigésima sétima vez somente naquela noite. As coisas não poderiam estar piores, pensou ela, revirando os olhos e encarando aquele bajulador de Hitler dizendo o quão estava orgulhoso por participar daquela reunião. E era tão ridículo... Onde estavam as pessoas saudáveis, afinal? Bom, ela com certeza não era uma.
Criada por Scarlet e John Foltz, a jovem nunca fora adepta às ideias fascistas nutridas pelos pais, mas jamais poderia sequer pensar em contradizer seus conceitos. Alexia não conseguia entender o por que de todos simplesmente alimentarem aquela revolta desmedida pelos judeus. Céus, até negros eram perseguidos pelos discípulos de Hitler! E ela achava aquilo insano.
Entretanto, lá estava ela, em uma base subterrânea em algum lugar de Normandia, sentada impacientemente em uma mesa qualquer da imensa sala sem janelas, apenas revestida de paredes de madeira, enquanto ouvia os comentários nada proveitosos de Klein, um idiota qualquer, no pequeno palco adiante.
Ao lado de Alexia, uma risada baixa e suave se fez presente e ela somente ergueu uma das sobrancelhas delineadas em indagação, encarando os belos olhos amendoados de Jessie, seu namorado.
– Por que você está rindo, hein? – Seu tom levemente irritado era evidente na voz sussurrada.
– Esse Klein é um babaca... – Respondeu divertido, fitando os enormes olhos caramelos da namorada. – Você o ouviu dizer que essas reuniões secretas são altamente necessárias para o desenvolvimento da Alemanha e seu povo? Não são necessárias! – Revirou os olhos, ganhando a atenção de Alexia enquanto um semblante levemente preocupado tomava seu rosto. – Essas reuniões só são feitas pra eles terem controle de quem não passou para o outro lado... Isso ainda pode custar nossas vidas... Já pensou um ataque aqui? Seria um prato cheio para aquele ingleses...
– Certo, mas eles não fazem ideia de que estamos aqui, então... – Murmurou suavemente, sorrindo de forma amistosa para o loiro ao seu lado. – Eu só queria estar em casa agora...
– Eu sei. – Jessie suspirou, afagando carinhosamente o braço de Alexia enquanto a sentia escorar a cabeça em seu ombro. – Mas temos nossos deveres.
– Deveres esses que Führer¹ não vem cumprindo... Ele já deveria ter chegado! – Vociferou de forma contida, voltando a fitar o namorado.
Ela tinha certeza que pôde ouvir Jessie dizer algo para acalmá-la, mas ao longe, do outro lado da imensa sala subterrânea, ela viu um homem mostrando a foto de uma criança para uma mulher, que sorria e, pelo que percebeu, aquele era o pai da garotinha da imagem... E Alexia se lembrou de seus pais, da saudade que sentia de ambos que, apesar de tudo, a amavam incondicionalmente.
Para ouvir: Plumb – Cut
http://www.youtube.com/watch?v=diaHnF-zfEg
A lembrança de quando tinha seus quase 13 anos invadiu os pensamentos da jovem, recordando do dia em que os militares alemães chegaram à sua casa, alertando que teriam que levá-la. Ela lembrou de ter chorado e implorado para Scarlet não deixar aqueles homens fortes e fardados arrancarem-na de lá e lembrou também dos grandes e dourados olhos de sua mãe espelharem os seus, marejados, dizendo à filha que aquilo era para um bem maior.
– Mamãe, eu não quero ir... – A pequena murmurava com a voz embargada, enquanto a mulher a vestia com o pesado casaco negro que ganhara no natal daquele mesmo ano.
– Querida, eu sinto tanto... – A ruiva a abraçou, fungando enquanto sentia o abraço quente e acolhedor da filha. – Mas você sabia que esse dia ia chegar... Você será treinada e irá ajudar a defender o nosso país.
– Você sempre disse que éramos americanos... Eu nasci na América e...
– Mas sempre moramos aqui na Alemanha e esse é o nosso lugar. – Falou séria, mesmo que aquela pontada de dor ainda estivesse presente em seu peito. – E nós vamos buscá-la um dia...
– Você promete? – Os olhos cor de mel da pequena Alexia brilharam em esperança e sua mãe pôde vislumbrar um pequeno sorriso em sua pele alva.
– Nós prometemos. – Seu pai adentrou o quarto de tons azuis da filha – sua cor predileta – enquanto sorria e a puxava para um abraço. – Sempre estaremos com você, Lexi, sempre... Nunca se esqueça disso.
Ela não sabia que aquele seria um dos últimos dias em que veria seus pais... Mas ela gravou em sua memória suas feições tristes e desencontradas enquanto a olhavam na estação de trem. A bela jovem que se encaminhava para a adolescência os fitou através da enorme janela de sua cabine, sentindo uma lágrima deslizar por sua face de anjo no instante em que sentiu o trem de ferro começar a se mover, rumo ao interior da Alemanha.
Sua mão tocou o vidro da janela, enquanto movia os lábios em um “eu amo vocês” para os pais, que acenavam tristemente e sibilavam a mesma frase para a filha. E quando a neve começou a cair, ela viu sua mãe soprar um delicado beijo que foi levado pelo gelado vento até seu rosto. Mas Scarlet não viu o sorriso quebrado preencher os lábios avermelhados de sua menina... O trem já havia levado-a para longe.
Alexia fechou os olhos com força, impedindo que as teimosas lágrimas voltassem. Ela era uma pessoa forte agora... Uma mulher que aprendera a vencer e a lidar com perdas – pelo menos, era o que pensava. E foi quando olhou para Jessie que percebeu que poderia voltar a ser feliz.
– Você está ouvindo esse barulho? – Ele perguntou para a namorada, movendo a cabeça e tentando escutar algo, sem muito sucesso já que estavam numa sala no subsolo francês.
– Que barulho? – Alexia inquiriu curiosa, enquanto percebia uma leve movimentação das pessoas naquele ambiente.
– Parecem aviões...
No entanto, o murmúrio confuso do jovem Jessie foi abafado, pois naquele momento soldados nazistas adentraram o lugar correndo e gritando, dizendo para as pessoas fugirem dali o quanto antes...
– Ataque! Seremos bombardeados, precisamos fugir! – Um dos homens gritou ao descer as escadas e entrar na sala com a respiração ofegante.
– Oh meu Deus! – Jessie sussurrou somente, levantando-se da cadeira de madeira enquanto puxava Alexia consigo, confusa e assustada com a correria...
As pessoas gritavam apavoradas ao subirem os degraus que davam para a superfície, empurrando umas às outras... A jovem, porém, tentava pensar enquanto sentia seu corpo ser pressionado para frente, correndo ao lado do namorado de cabelos loiros.
Havia algo de errado ali... Muito errado, ela sabia, mas não se importou com isso, apenas pegando a mão de Jessie e entrelaçando seus dedos, alcançando a terra firme. E, fascinada, ela olhou para o céu europeu daquela madrugada fria, vendo aviões americanos tomarem espaço por entre as poucas estrelas, como se fossem imensas cruzes aproximando-se... E, ao longe, algo explodiu.
A luz alaranjada veio junto com o fogo e, depois, o som fino e ensurdecedor da explosão junto de mais e mais bombas caindo perto dali... E ela sabia que faltavam poucos segundos para atingirem o lugar onde estavam.
– Alexia, vamos... Por ali! – Seu namorado gritou, puxando-a para um campo. Ambos correram como nunca antes, e eram somente eles ali.
A respiração ofegante da morena se transformou em arquejos enquanto ela ouvia o barulho das bombas e aviões chegando cada vez mais perto... Até que ela olhou para trás em um átimo, vendo a base secreta em que estava há poucos minutos ser atingida em uma mira perfeita.
– Céus... – Sussurrou com sua alma perdida e assustada, fitando o lugar para onde corria.
Ela e Jessie adentraram uma mata pouco densa, não muito longe do local de ataque, e ela reconheceu ser o mesmo lugar por onde vieram. E, há poucos metros, viu o avião que herdara de seu pai, e que eles usaram para ir para Normandia, bem ali. A cruz preta margeada pela cor branca desenhada na lateral do caça seria o alvo ideal dos americanos, mas era a única forma de eles fugirem.
O jovem alemão parou de frente para Alexia, fitando-a com seus olhos amendoados de forma intensa, embora suavemente amedrontada. O pomo de adão moveu-se hesitante enquanto sua mente tentava formular a frase certa.
– Alexia, você tem que fugir agora. – Murmurou apenas e os olhos confusos da garota se misturaram à raiva e decepção.
– O quê? Como assim? – Controlou sua voz, apertando o braço do loiro e cerrando os olhos para vê-lo através da penumbra da noite. – Nós dois vamos fugir...
– Não, amor, eu preciso ficar... – E antes que ela o interrompesse, prosseguiu confiante. – Eu tenho que ficar e lutar, não posso deixar meus compatriotas sozinhos.
– Então eu fico também! – O timbre presunçoso e teimoso compunha seus olhos firmes. – Não vou deixá-lo aqui para morrer.
– Você irá sim! Precisa chegar à capital o quanto antes e avisar aos outros sobre o ataque... – Explicou, olhando para os lados em busca de algum motivo que a fizesse concordar com suas palavras desesperadas. – E eu preciso de você segura.
– Jes, não faz isso comigo... – Ela sussurrou, a máscara de frieza desmanchando-se. – Por favor...
– Eu estou te implorando, Lexi... Por favor, vá!
A dor que ela sentia era abrasadora... Ela não queria perder a única pessoa que realmente amava, embora nunca tenha passado de uma grande amizade que, de uma hora para outra, se transformou em algo próximo da paixão. Mas a linda moça sabia que não tinha escolhas... Mesmo se não concordasse, não duvidava que o rapaz a sua frente a colocasse à força no jato para que fosse embora logo dali.
E, olhando nos olhos que a miravam com tantos sentimentos embutidos, foi impossível não se jogar nos braços do namorado, engolindo a vontade súbita de chorar ao senti-lo retribuir o gesto com nostalgia e afeição. Eles se amavam e, antes de serem um casal, eram melhores amigos. Sempre foram. Desde que se conheceram no campo de treinamento alemão quando tinham somente 13 anos de idade.
– Eu vou voltar, eu prometo... Você não irá se livrar de mim tão cedo. – Ele disse em meio a um sorriso, afastando-se minimamente da linda mulher para olhar em seus olhos, dourados como o sol, que sempre o deslumbravam.
– Eu vou cobrar... – Sussurrou de volta para, logo, sentir os lábios macios e frios de Jessie encaixarem aos seus.
O contato a fez se arrepiar e ela recusava-se a pensar que aquele poderia ser o último beijo que eles trocariam. Ele se afastou relutante, obrigando-se a transmitir à Alexia toda a força que se esvaía de si.
– Agora entre nesse avião e pilote o mais rápido que puder. – Encorajou-a, abrindo a porta de entrada da aeronave, ajudando a morena a entrar. – Você pilota melhor do que ninguém, então, não deixe que esses americanos a vejam.
– Pode deixar... – Murmurou sem hesitar, encarando o namorado com os olhos firmes outra vez. – Espero você em Paris.
Ele somente assentiu com um sorriso de lado, fechando a porta ao passo em que Alexia se dirigia à cabine de pilotagem. Acomodando-se no assento sintético, soltou um pesado suspiro enquanto fechava os olhos por um único segundo. Respirando fundo, voltou a abri-los, dando atenção ao painel de controle do avião.
A jovem Foltz se tornara uma exímia piloto durante sua jornada nos treinamentos secretos alemães – nos quais passou sua adolescência –, e rapidamente decolava o caça.
Ainda parado, Jessie viu sua garota atingir o céu com precisão, sentindo-se bem por conseguir protegê-la apesar de tudo. No entanto, lembrou-se de seu dever como parte das forças germânicas ao ouvir alguns homens se prepararem para aquela luta desigual. E, talvez, sem volta.
Dentro do avião americano de bombardeio, porém, o Capitão Ethan Price sentia nojo daqueles alemães imundos que destruíram sua família há tantos anos... Mas que deixaram cravados no peito daquele homem a vingança e a dor latente que agora se esvaía aos poucos.
Pessoas corriam ao longe, fugindo do ataque iminente de sua tropa perfeitamente treinada, e o jovem membro da força aérea sentiu certo orgulho ao perceber que estava fazendo o bem exterminando pessoas que matavam as outras por puro preconceito e pensamentos mal concebidos.
– Vermelho 2 e Vermelho 3, ataque ao leste... Vermelho 5, sul, e Vermelho 8, oeste. – O capitão ditava as coordenadas a seus homens, deslizando sua mão esquerda novamente para o botão que desativava outra bomba a ser jogada ao solo.
Ao longe, no entanto, por entre as nuvens ao norte que clareavam com a chegada do amanhecer, Ethan avistou um avião que não era de sua armada e, cerrando os olhos, teve certeza ao identificar o símbolo da cruz em sua lateral – era um avião nazista.
– Vermelho 1, o comando é seu por alguns instantes. – Alertou ao Primeiro Tenente Walker por seu código, na rádio de sua cabine. – Eu tenho um caça alemão para destruir.
– Positivo, Vermelho Líder. – O amigo respondeu, e Ethan pôde perceber o sorriso do mesmo através de sua voz.
O capitão sorriu torto enquanto aumentava a velocidade de sua aeronave, recordando-se da aposta que ele havia feito com o Tenente durante a festa de despedida que tivera em um hotel de Portsmouth, Inglaterra – quando escaparam, juntos de alguns soldados, do quartel-general de Eisenhower –, na noite anterior. Ele, pelo visto, ganharia já que seria o primeiro dos dois a atacar um avião alemão em pleno solo europeu.
E ao pensar naquela festa, foi impossível não se lembrar da atirada morena que havia ido para sua cama. Lauren era uma enfermeira que vinha o circundando há um bom tempo e o Capitão, que não era bobo nem nada, não lhe negou uma noite fabulosa em seu quarto antes de sair em missão. Numa hora dessas, ela deveria estar indo para o Havaí junto de outras mulheres, para trabalharem no posto médico perto de Pearl Harbor.
Mas ele não desviara de seu foco por um instante sequer, sorrindo satisfeito ao ver o avião do país inimigo estar cada vez mais próximo dele. Inimigo este que se via encurralado pelo caça americano há poucos metros.
– Filho da puta! – Alexia esbravejou ao perceber que estava sendo seguida.
Ela não havia treinado muito para situações de guerra e seu avião nem era, ao menos, projetado para bombas. E lá estava ela, fugindo de algum idiota estadunidense, sem qualquer munição. Engolindo em seco, puxou a alavanca para aumentar sua velocidade, mas o painel de controle apitava freneticamente, avisando a aproximação de seu oponente.
E, com um sorriso vitorioso nos lábios, o Capitão Price apertou o botão ao seu lado, lançando um míssel no alemão qualquer que deveria estar naquele avião. E, Alexia, ao detectar o ataque, conseguiu desviar minimamente ao virar com força o caça em que estava, mas já era tarde demais... A bomba atingira a asa direita.
Ethan xingou aquele nazista que conseguira burlar seu ataque, embora a satisfação o tomou ao ver que pelo menos havia atingido a asa de seu adversário. E um sorriso voltou a preencher seu rosto de pele alva e atingir seus olhos verdes, como as águas caribenhas, ao ver o avião a sua frente perder velocidade.
– Rá! Seu alemão desgraçado... – Riu consigo mesmo, continuando a segui-lo.
Mas Alexia não saiu do controle, tentando a todo custo não perder altitude ou velocidade... Ela conseguiu pilotar por mais alguns minutos com a máxima rapidez que pôde, avistando uma alta colina adiante, vendo que seria o lugar perfeito para um pouso forçado – ali ela conseguiria fugir daquele soldado americano.
A morena deu a volta na colina, tentando um pouso na grama baixa e verde com sucesso. Pegando um revólver de alto calibre no assento da cabine e enganchando-o em sua cintura, pela calça, ela abriu a porta do avião com violência, ouvindo o do seu inimigo próximo dali, provavelmente procurando onde ela havia pousado.
Alexia olhou para o céu por um breve instante, reparando nas nuvens em tons claros de rosa e um azul suave que denunciavam a proximidade do amanhecer e, então, começou a correr por entre a floresta ali perto, sem se importar se poderia se perder ali. O que ela mais queria naquele momento era fugir.
Mas a jovem não sabia o quanto o Capitão era esperto, mesmo com pouca experiência de guerra, porque ele rapidamente avistou a aeronave alemã, aterrissando com maestria não muito longe do mesmo.
Assim que pôs os pés no capim coberto de orvalho, Ethan avistou as pegadas ralas que somente olhos militares seriam capazes de detectar, adentrando a mata e correndo atrás do inimigo com o único objetivo de matá-lo.
– Não adianta fugir, seu porco alemão, você sabe que vou encontrá-lo mesmo se estiver no inferno! – Gritou sem parar um momento sequer, prestando atenção em qualquer mínimo movimento ou barulho que pudesse delatar o nazista.
Alexia pôde ouvi-lo ao longe, a raiva e o medo tomando seu corpo enquanto tentava correr cada vez mais rápido. O americano não poderia alcançá-la, não poderia... Entretanto, ela parou ao chegar a uma clareira – parcialmente escura por ainda não ser dia nem noite. Ela ofegou, arregalando os olhos em medo ao ouvir passos apressados atrás de seu corpo.
Sem olhar para trás, ela voltou a correr por entre a clareira até alcançar a outra parte da floresta e, então, ouviu a voz masculina outra vez.
– Vai mesmo fugir como um covarde? – O Capitão disse, vendo o alemão ao longe de relance. Mas havia algo errado... Mesmo estando há metros de distância, parecia uma mulher e não um homem... – Estou falando com você, seu nazista sujo!
Alexia esqueceu o medo nesse exato momento, apenas sentindo a onda de revolta deslizar por cada terminação nervosa de seu corpo. Ela poderia aguentar qualquer ofensa, mas se tinha alguém sujo ali era aquele americano de merda. E, então, ela virou, pegando a arma em sua cintura e esbravejando.
– Seu filho da puta!
E a morena não quis saber de nada mais, apenas apontou o revólver para o homem fardado parado há metros dela, mas ele desviou com facilidade, embora a mesma vislumbrasse o susto passar pelo rosto dele. Alexia temeu o que poderia acontecer, reiniciando sua corrida no mesmo instante sem olhar para nada a não ser o caminho a sua frente.
Os galhos da mata densa arranhavam sua pele por vezes, enquanto ela corria desesperada floresta adentro. Os passos do Capitão se aproximavam e ela temia a cada segundo, mesmo ele estando parcialmente surpreso por ser mesmo uma mulher... E que tentara atirar nele!
E, por alguma obra do destino – quiçá de Deus, como alguma punição –, Alexia tropeçou na grossa raiz de alguma conífera adiante, caindo no chão violentamente. Ela só teve tempo de sentir o gosto de um filete de sangue em seu lábio inferior ao passo em que seus grandes olhos cor de ouro fitavam o ponto atrás de si, avistando o homem americano aproximando-se cada vez mais.
– Inferno! – Praguejou, levantando-se e pegando a arma que caíra perto de seu corpo e começando a correr de novo. No entanto, uma mão em seu casaco a fez se impulsionar para trás, virando seu corpo de frente para o americano.
A garota grunhiu, soltando-se das garras daquele homem. Bufando como um animal enjaulado, Alexia empurrou-o para longe, pegando sua arma, pronta para mirá-lo, mas ele foi mais rápido, socando a mão da jovem e jogando o revólver para algum lugar em meio à mata. A raiva a tomou mais uma vez, e foi com tamanha força que fez com que ela socasse o rosto do Capitão com furor, fazendo-o dar vacilantes passos para trás, surpreso.
Ela tentou fugir outra vez, mas ele a puxou pelos longos cabelos cor de mogno, ensandecido, derrubando-a no chão e imobilizando o corpo pequeno e magro que ela possuía.
– Me solta, seu desgraçado! – Ela gritava de ódio, tentando a todo custo sair do aperto do homem.
– Você vai pagar caro, sua insolente... – Retrucou, pegando sua arma e mirando Alexia. E foi naquele momento em que ela ofegou ao ouvir o som do sacar do revólver, virando o rosto para cima de seu corpo e vendo o Capitão olhando-a.
Ela esqueceu o palavrão que iria esbravejar, não conseguindo desviar seu olhar das íris incrivelmente verdes que a fitavam com tanta profundidade a ponto de ler cada pensamento seu. E, no entanto, Ethan se deslumbrou com aqueles olhos tão diferentes que o encaravam... Aquela cor, aquela destreza... Ele nunca vira aquilo antes. E, de repente, se viu hipnotizado com o fascínio daquela bela estranha.
[1] Führer: Grande líder, em alemão — modo como Hitler era chamado por seus compatriotas.
Notas finais
Sou suspeita pra falar, mas sou realmente apaixonada pelo meu Jessie! HAUAHUAHUAHAUHA
Mas o que pode acontecer com ele no próximo capítulo, hein? *O*
O Capitão Price é uma delícia... OMG! E a Alexia com certeza sofreu bastante no passado e se tornou uma mulher forte u.u
O que acharam? Deixem reviews e posto o próximo cap o quanto antes! E já vou responder os reviews do cap passado!
Toodles honey
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