Notas iniciais
Oi amores, eu voltei!!!! Enfim depois de muito tempo, cá estou eu tentando tirar as teias de aranha do meu teclado, e decidi fazer isso com uma mega fofa fic de família. Poseidon, Sally, Percy, Percy's friends, tudo o que vocês amam, certo? kkkk Esse primeiro cap é mais voltado para a Sally, e cada cap vai ter um ângulo diferente, com os pontos de vista de todos, para ficar mais animado! Vejo vocês lá embaixo, beijinhos :*

Ligar ou não ligar, eis a eterna questão. Sally já havia encaixotado todos os seus pertences em seu antigo apartamento, dirigido até sua nova residência, andado pelo novo apartamento todo, decidido as cores de cada parede três vezes, comido um pedação de bolo azul, Percy estava quase chegando do acampamento, e ela ainda não havia decidido o que fazer quanto àquela situação.

Eles, a grande e feliz família Jackson, constituída 24 horas por dia por Sally e Percy e eventualmente pelos amigos do Percy, estavam enfim de mudança. Após o caso da cabeça de górgona enviada pelos deuses, eles viveram por um ano infeliz e dolorido no mesmo apartamento infestado pela fragrância repugnante do ex-marido de Sally e atual estátua num museu qualquer, Gabe Ugliano. Sally havia se esforçado muito para achar o apartamento para o qual se mudavam agora, e estava realmente feliz por se livrar definitivamente de tudo o que lembrasse esse período tão conturbado de suas vidas, mas havia um ponto muito delicado a ser examinado.

Ele, sempre ele. Poseidon. No período entre os 18 e os 23 anos de Sally, ela tinha “vivido” com Poseidon (o que parece estranho, se falando de deuses, mas isso é uma longa história), e eles haviam criado uma tradição com relação a mudanças. Ambos tinham puro horror à mesmice, uma vontade constante de mudar e se renovar, então todo verão saiam do velho apartamento do falecido tio de Sally e iam ao mesmo chalé em Montauk, chalé esse que passava por uma reforma total na primeira semana em que ficavam lá. Passado o verão no “novo” chalé, eles voltavam para Nova York e também reformavam o apartamento, de forma a todo ano terem uma “nova” casa.

E agora, 11 anos após a última reforma que fez em conjunto com Poseidon, ela estava se mudando. Pela primeira vez, diga-se de passagem. Em todo o tempo que ficara sem ele, ela não havia mudado nem um milímetro da casa em que morava. Era uma tradição deles, ela não podia quebrar isso. Sem Poseidon, não havia mudança.

E também não se podia aceitar uma mudança sem ele para reformar a casa com ela. Não, ela tinha que ligar para ele, ele tinha que arranjar um tempo para honrar com o compromisso deles. A ligação não seria em vão, ele não daria uma desculpa fajuta e a abandonaria. Não mais uma vez. Ele viria, não viria?

— Pronto, quem fala? – disse uma voz grave, masculina, após ela apertar o número 1 de seu telefone e ser magicamente redirecionada ao celular de Poseidon, um truquezinho que ele havia feito para ela poder ligar para ele pela via telefônica divina.

— Sou eu, a Sally, como você está?

— Hey, Sally, quanto tempo! Estou ótimo, e você?

— Realmente, muito tempo... Eu estou bem, mas tudo está uma loucura, estou me mudando para outro apartamento no Upper East Side e vendendo o antigo, tem sido uma correria.

— Ah... vocês estão se mudando? Que bom, é revigorante respirar novos ares, numa nova casa...

— Sim, pois é... Escute, eu fiquei um tempão pensando se te ligava, porque... bom, você sabe...

— Nossa tradição.

— Sim, nossa tradição.

— O Percy sabe disso? – perguntou Poseidon, receoso – Não quero que ele se sinta desconfortável ou estranho, não sei...

— Então você virá? – a esperança e o alívio eram visíveis na voz dela. No fundo, ela queria que ele viesse, sentira muita falta das conversas e risadas, do clima leve que havia entre os dois, da forma como Poseidon a tratava como amiga, companheira, parceira.

— Claro que irei, como eu poderia perder isso? – disse ele, revirando os olhos do seu lado da linha – Só tenho medo de incomodar o Percy, de ele não entender a gente...

— Relaxe, eu falo com ele, vai ficar tudo bem. Então... hoje, nosso apartamento, depois do almoço, venha com sua camiseta de guerra e se prepare para perder na guerra de tinta.

— Oh meus mares, teremos uma revanche, enfim?

— Você sabe que irá perder de novo, você sempre perde – riu ela, se lembrando das inúmeras vezes em que tinham empunhado pincéis um contra o outro, e ela havia ganhado.

— Talvez eu tenha aprendido novas táticas, não é? – defendeu-se – Eu vou acabar com você, querida. Quando eu terminar, você não vai nem saber o que te acertou, vai ficar parecendo uma obra de arte pós-moderna.

— Quem sabe um dia esses seus sonhos se tornem realidade, não é? Mantenha essa esperança. Mas hoje é impossível você me vencer, pescador.

— O desafio está aceito, gata. Até o campo de batalha – e desligou.

Sally riu internamente por alguns segundos, apreciando a sensação de juventude da qual tanto sentira falta, e se preparou para o maior problema: comunicar Percy. Ela tinha uma boa ideia sobre como o filho reagiria, mas decidiu tentar mesmo assim. Respirou fundo e começou a discar o número do celular de Annabeth no telefone.

— Olá, senhora Jackson, como a senhora está? – disse Annie ao atender.

— Estou muito bem, querida, e você? Ah, eu já disse para me chamar de Sally! Me sinto uma múmia quando vocês mês chamam de senhora...

— Me desculpe, senh.. Sally. Estamos muito bem, à caminho do novo apartamento, só vamos terminar de almoçar nessa lanchonete e já chegamos aí!

— Ah, que bom! E o Percy, está aí do seu lado, suponho? Eu tenho uma novidade importante – disse Sally, muito rapidamente, nem deixando Annie responder – Eu convidei o pai dele para vir aqui... Uma longa história... Você acha que ele vai ficar incomodado?

— Hum, não sei, Sally... Ele está no banheiro agora, então posso falar com liberdade... Eu acho que Percy ficará um pouco distante, fechado, mas, apesar de não admitir, ele gosta muito do Poseidon.

— É o que eu temo, querida... Mas, como vocês provavelmente chegarão aqui antes do Poseidon, eu posso falar com meu filho mais tarde, pessoalmente... Você poderia, por favor, deixar ele o mais calmo e feliz possível? – disse Sally, nervosa.

— Aaaah, eu vou tentar! Acho que o milk shake azul gigante que acabou de chegar para ele vai fazer esse trabalho melhor do que eu, mas enfim..!

— Os deus abençoem os milk shakes, são melhores do que calmantes, ainda mais os azuis – riu Sally, se despedindo e desligando em seguida. Ela adorava Annabeth, via nela sua nora dos sonhos, e sabia que Percy estava totalmente caidinho por ela, apesar de ele não admitir isso nem para si mesmo.

Sally olhou mais uma vez para o cômodo onde estava, que seria sua futura sala de estar. Aquilo daria muito trabalho, no mínimo uma semana, e talvez houvessem algumas confusões. Mas ela sentia-se, como dissera o Poseidon, revigorada, renovada, de alguma forma. Como se tivesse 18 anos de novo, e não tivesse passado por tudo o que passou.

Seria uma longa semana, de fato. Mas era a tradição. E não se quebra uma tradição.

Notas finais
E aí, gostaram? Devo continuar? Comentem!