Notas iniciais
Então, ainda não sei com que frequência vou postar, mas garanto que terá no mínimo dois capítulos por semana, ok? Agora chegar de falar, go read, babies! ♥ Espero que gostem, sério.

Sally estava terminando uma faxina rápida em sua nova casa (para tirar qualquer entulho ou sujeira oriundos sabe-se lá de onde) quando a campainha tocou. Confusa e perguntando-se se Percy havia esquecido/perdido as chaves novas, foi abrir a porta. Deixou escapar um suspiro quando se deparou com aquela sorridente maravilha da natureza que atende pelo nome de Poseidon.

Ele usava bermuda e sandálias, como sempre, mas a grande surpresa do dia foi ele estar com uma camiseta simples branca no lugar onde normalmente estaria uma camisa havaiana em tons (muito) berrantes. Sally agradeceu mentalmente por ter pelo menos uma visão na vida do Poseidon como um cara bonito normal.

— Preparada pra chorar, perdedora?

— Oi, querido ex, bom te ver também.

Ele entrou, fechando a porta atrás de si, e deu uma olhada geral no cômodo em que se encontravam, a sala. Não havia ainda nenhum móvel, todas as paredes estavam brancas e lisas, tudo exalava aquela aura de casa nova e nunca habitada antes.

— Cara, eu tenho certeza absoluta que já rolou um crime aqui antes e que aquelas paredes só foram pintadas para cobrir as manchas de sangue. – disse Poseidon, sinistramente, apontando para o branco impecável da parede mais próxima.

—O apartamento foi feito há muito pouco tempo, esse é um prédio novo, não teve crime nenhum entre essas paredes, você devia assistir menos séries de suspense e focar em filmes sobre o seu mundo, como A Pequena Sereia e Procurando o Nemo.

— Procurando o Nemo até vai, porque eu gosto das tartarugas, mas A Pequena Sereia é muita maldade sua. – disse ele, fingindo-se de ofendido – Onde está o Percy? Pensei que ele já estivesse aqui com você...

Então Sally se lembrou... Iria falar com Percy quando este chegasse, mas esperava que ele chegasse antes do pai, para poderem conversar com calma. Por um segundo pensou em esconder o deus no banheiro até depois que falasse com o filho, mas imaginou que Poseidon não ia ficar quieto tão perto de água e que Percy não iria gostar de uma entrada dramática de seu pai no recinto logo após dizer que aceita a presença deste.

— Então... – e aí a porta se abriu, deixando entrar o som de uma risada alta e alegre e o ruído de vozes em resposta. Logo havia quatro adolescentes dentro do apartamento, rindo e conversando despreocupadamente.

Percy liderava o grupo de sua pouca altura aos 14 anos, os cabelos muito negros apontando para todos os lados, os olhos muito verdes brilhando de felicidade. Vestia-se como sempre, com jeans e uma camiseta larga cinza escuro com uma estampa macabra da boca de um tubarão (a mesma visão que você tem se está sendo atacado pelo tubarão em questão), tênis e um boné preto, um típico skatista, mas que exalava uma aura de perigo. Trazia, como todos os outros, uma mochila e uma mala, pois estava voltando de suas férias de verão no Acampamento Meio-Sangue.

Annabeth estava vestida de forma muito mais neutra, com um simples short jeans e uma camiseta branca, nada de especial, mas seus cabelos tinham um tom dourado incrível que contrastava lindamente com seus olhos cor de tempestade. Grover, logo atrás dela, com seus jeans largos e pés falsos, usava também uma camiseta do Acampamento e um boné rastafári para esconder seus pequenos chifres de bode.

Thalia, que Sally nunca tinha visto pessoalmente até aquele momento, chegou silenciosa, atrás de todos, como uma sombra. Vestida inteiramente de preto, com os olhos azuis elétricos e perigosos e o rosto austero, transmitia uma imagem de poder diferente da de Percy, mas igualmente mortal.

Assim que viu seus pais, Percy congelou. Ele decididamente não esperava por aquilo.

— Hum, oi mãe, oi... Pai? Onde está sua camisa? – perguntou, de forma um pouco petulante.

— Oi, filho – Sally e Poseidon responderam ao mesmo tempo, o que teve um efeito bem estranho.

— Bom, eu estou sem a minha camisa para preservar a integridade dela, quer dizer... – Poseidon olhou para Sally em busca de apoio – Eu gosto bastante dela... não quero estragar na reforma e tal...

— Reforma? – o tom de Percy deixava bem claro que não estava entendendo nada.

— Você não contou a ele? – perguntou Poseidon à Sally, que se mantinha sabiamente calada.

— Eu ia contar antes de você chegar, mas você chegou antes dele...

— Contar o que pra mim? – perguntou o menino, desconfiado sabe-se lá do que.

Grover, Thalia e Annabeth assistiam à cena como se fosse um jogo de tênis, calados. Poseidon apenas olhou para Sally, aguardando ela se pronunciar. Sally respirou fundo e começou:

— Percy, querido, eu chamei seu pai aqui para mantermos uma tradição nossa, desde os tempos em que nós... – ela lançou um olhar um tanto estranho para Poseidon, como se tivesse percebido que estava falando o que não devia – estávamos juntos.

— Que coisa é essa? – disse Percy, ainda confuso.

— Sempre que há uma grande mudança, nós reformamos a casa juntos. Como um ritual, para garantir que seja de fato tudo novo – disse Poseidon, com muito cuidado, como que medindo as palavras, e ainda olhando para Sally.

— E nós vamos reformar o Apê? – perguntou Percy, da forma mais informal possível.

— Sim, nós vamos reformar o Apê – riu Sally.

— E você, que ficou mais de um ano em silêncio (até me mandar uma carta muito decepcionante), que é um deus todo-poderoso, o senhor dos mares e etc, vai reformar o Apê com a gente? – perguntou Percy, dessa vez com um perigoso tom de desafio, digirindo-se ao pai.

— Tá brincando? Eu adoro reformas – respondei Poseidon, ignorando a alfinetada e o tom de Percy.

— Nós também vamos reformar o Apê? – muito oportunamente, Grover se pronunciou.

— Se vocês quiserem, podem ficar essa semana com a gente e nos ajudar, eu posso falar com seus pais, Annabeth... – ofereceu Sally, que parecia muito feliz por tudo estar correndo tão bem.

E começaram a se mexer e conversar sobre coisas mais amenas, organizando coisas e bolsas, enquanto Poseidon e Percy apenas ficavam quietos, cada um na sua, olhando na direção um do outro eventualmente. O clima entre eles estava bem pesado, mas ninguém na sala fazia ideia do real motivo disso.

Veja bem: Percy amava o pai. Ele não gostava muito de admitir, pois se sentia um idiota por gostar tanto de alguém que aparentemente não dava a mínima para ele, mas amava. A melhor notícia que teve na vida, depois de saber que sua mãe não tinha de fato morrido, foi saber que seu pai também estava vivo e bem. E Percy se irritava por Poseidon ser tão distante e recluso, nunca se pronunciar, nem sequer ligar para dar um “Oi, tudo bem com você?”. Toda sua vida tinha sido bem difícil, e ele chegava aos poucos à conclusão de que um pai ausente não é muito melhor do que um pai morto. E Poseidon simplesmente não sabia o que fazer para tentar consertar essa imagem que o filho tinha dele.

Ambos enxergavam nessa semana juntos uma oportunidade de mudar as coisas, mas ambos tinham algas demais na cabeça para saberem como fazer isso. É o que acontece quando duas pessoas são muito parecidas.

— Certo, mas para deixar isso aqui legal, precisamos dividir o tempo, nos organizar, fazer contas... – disse Annie, que parecia animada demais com seu primeiro trabalho em “obras” – Vocês tem o que em mente?

— Ah, vamos focar mais em decoração do quem em derrubar paredes, certo? – disse Sally, para a pura infelicidade da Dupla das Algas – Tipo, pintar as paredes, arrumar o carpete, o Poseidon pode mostrar a que veio e ajeitar nossos móveis...

— Não sei do que você está falando – disse Poseidon com a melhor cara de paisagem do mundo.

— Estou falando do seu dom oculto para mexer com madeira e coisas assim, e eu e Percy estamos precisando de estantes novas, mas é só uma dica.

— Foi pra isso que me chamou, né? Você é uma interesseira.

— Não sei do que você está falando.

— Então podemos dividir em grupos, por tarefas e tal – disse Thalia, pela primeira vez desde que chegara.

— Alguém disse competição? – disse Percy, inocentemente.

— Alguém disse que quem perder vai limpar o apartamento inteiro depois que decorarmos? — disse Sally, espertamente.

— Alguém disse meninas contra meninos? – dessa vez foi Annabeth, que entrou no espírito da coisa.

— Alguém disse lanche agora, porque eu tô com fome? – disse Grover, mais uma vez muito oportunamente.

Todos estavam. Então fizeram um lanche rápido que envolvia suco e o tal bolo azul citado anteriormente e voltaram (devido à irritante insistência de Annie) à questão dos grupos. Como ia ser meninos versus meninas, não havia divisão a ser feita, o número de pessoas estava perfeito. Decidiram estabelecer o prazo de uma semana, e cada grupo teria de cumprir uma lista de tarefas durante essa uma semana. Como era sábado, a “corrida” iria começar no domingo e estender-se até o sábado seguinte, onde iriam contar as tarefas e quem tivesse cumprido mais quesitos seria o vencedor e se livraria da limpeza da casa.

— Acho que está tudo certo, mas antes precisamos obter um juramento formal dos seres que possuem poderes especiais. Nem todos têm poderes, e seria sacanagem da parte de quem tem utilizar durante o jogo – disse Sally, afinal ela era a principal interessada nisso.

— Realmente, seria injusto Annabeth usar a inteligência paranormal dela para ganhar da gente e tal – disse Poseidon, fazendo-se de desentendido.

— Todo mundo jura solenemente que não irão usar poderes? – disse Thalia, a jurada.

— Juramos.

— Nem inteligência paranormal? – cutucou Percy, mostrando que os genes de Poseidon eram bem dominantes.

— Cala a boca, nossa.

— Certo, então está combinado, a gente se encontra aqui amanhã de manhã, – disse Sally, com um sorriso maroto – e será dada a largada.

Notas finais
Só comentem, vai, nunca pedi nada *-*