Traídos Pelo Desejo.
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Cap. 07
Bella.
OMG! O que fui fazer?! Pensei tensa passando a mão nervosamente pelos meus cabelos desgrenhados, aguardando a chegada do elevador. Graças a DEUS a imprensa não estava mais ali ou eu não saberia o que fazer. Estava tonta e desnorteada. Como pude ser tão imprudente e deixar que a enorme vontade de beijar Edward me dominasse completamente?! Cedi à tentação de estar nos braços daquele homem sedutor, sexy, gostoso, viril e turrão mais uma vez. Droga, droga, droga!
Respirei profundamente tentando restaurar o ritmo normal da minha respiração descompassada. Nesse instante as portas do elevador se abriram e eu entrei automaticamente tornando a respirar profundamente.
Edward sabia que eu o desejava com todas as minhas forças. Sim, ele mesmo havia dito essa frase e pedido para que eu não negasse. E eu não poderia negar mesmo que a minha vida dependesse disso, pensei derrotada. Eu o queria sim. E muito. Era um fato. Outro fato era como eu iria lidar, conviver e viver com aquilo. Eu já podia até ver o falatório: “O Promotor e renomada advogada Swan estão juntos!Sim, Juntos!” ... Meu pai... Seria a fofoca do ano em Forks... Arg! Repreendi-me por deixar minhas emoções sobrepujarem a minha razão. As portas do elevador tornaram a abrir e eu saí andando pelo saguão de mármore onde um tapete indígena jazia em tons de vermelho vivo. O recepcionista me cumprimentou e eu respondi como um robô, alcançando a calçada e respirando o ar puro do outono, sentindo meus pulmões encherem aliviados. Talvez agora eu conseguisse pensar com clareza. Descartei a possibilidade de ir de carro até o escritório, a duas quadras, preferindo dar uma boa caminhada esperando que os repórteres insistentes não parecessem outra vez e começassem a me aborrecer. Assim que entrei Leah Cleawater prima em segundo grau do Jacob, e moradora da reserva dos Quileutes olhou-me aflita. Ela estava sentada na ante sala do meu escritório conversando com Alice. As duas à minha espera.
-O que aconteceu?
-Ah, Bella, me perdoe por aparecer assim, mas eu preciso de ajuda com o Seth, falou com os olhos úmidos torcendo as mãos sobre o colo demonstrando seu nervosismo claramente. Seth era o seu irmão mais novo. Calculei que devia estar agora um rapazinho com dezesseis ou dezessete anos.
-Não se preocupe comigo, apenas me conte o que houve, pedi fazendo um sinal para que Alice lhe trouxesse um copo d’água.
-Deixe-me recuperar o fôlego, sim? Só vai levar um minuto.
-Claro, Leah.
-Bella, eu espero que você possa me ajudar, mas sinceramente eu não sei se você pode.
Aguardei o seu relato esperando que o copo d’água a acalmasse um pouco.
-Seth foi preso juntamente com dois garotos de uma gangue com os quais ele tem andado. Foram pegos roubando um computador e um rádio amador de uma igreja metodista que fica perto da saída da cidade. De uma igreja Bella! Como ele pôde descer tanto? Roubar da casa de Deus...
Completou levando um lenço ao rosto para secar as lágrimas que escorriam insistentes.
-Já disse que ele ainda vai me matar de desgosto. Nossos pais devem estar se revirando no túmulo esta hora!
-Leah acalme-se. Como vai poder dar um bom puxão de orelhas nele se passar mal e tiver que ser levada para um hospital? Acalme-se, ok?!
Ela suspirou longamente.
-Quem me dera que um puxão de orelhas ou até mesmo uma boa surra resolvesse, Bella. Mas ele cresceu e está rebelde demais.
Senti uma onda de compaixão na mesma hora, afinal eu também não havia sido uma adolescente muito fácil. E os pais deles assim como os meus estavam mortos. Leah na tentativa de oferecer uma vida melhor ao irmão acabara por tornar as coisas muito fáceis para o Seth.
-Ele está na delegacia?
-Sim, respondeu assuando seu nariz no lenço. Só então notei como as olheiras haviam se acentuado no rosto daquela jovem mulher.
-E o juiz Black?
-Tio Billy não vai se envolver desta vez. Ele foi taxativo quando Seth começou a andar com más companhias. Não posso culpá-lo. Já fez demais por nós quando os nossos pais morreram.
Balancei a cabeça assentindo. Billy tentara ajudar a criar os garotos, mas Seth sempre o enfrentava mostrando sua natureza selvagem e intempestiva.
-Tudo Bem. Deixe que eu mesma vá à delegacia e resolva isso, falei decidida. -Quero que vá para casa agora e repouse ok?
-Ok. Bella, muito obrigada. Não tenho nem palavras para lhe agradecer, disse comovida.
-Não se preocupe com isso. Como chegou até aqui? Veio dirigindo?
-Sim.
Levantei num piscar de olhos obrigando-a a fazer o mesmo.
-Ótimo, volte para casa então e deixe que eu cuido do resto. Levarei o Seth para lá assim que conseguir soltá-lo, conclui.
-Deus! Estava dando uma geral na casa e fazendo o almoço quando recebi o telefonema do Xerife. Nem consigo lembrar se apaguei o fogo...
Dei um sorriso simpático.
-Mais um bom motivo para ir para casa agora. Não queremos que a sua distração provoque um incêndio na reserva, não é?
-Não, de jeito nenhum! Vou para casa agora mesmo. Tchau Alice.
-Tchau Leah. Foi um prazer revê-la.
-Igualmente. Tchau Bella e mais uma vez muito obrigada por tudo. Lamento todo esse transtorno, mas não consegui pensar em mais ninguém além de você que pudesse nos ajudar.
Eu aceitei o elogio, satisfeita e ela saiu. Vir-me-ei para Alice que estava com uma expressão esquisita no rosto.
-Está tudo bem?
-Sim. Estou um pouco enjoada.
Franzi o cenho preocupada.
-Tem se alimentado direito?
-Mais ou menos, respondeu dando de ombros.
-Alice!
-De manhã só consegui engolir uma xícara de café preto e duas aspirinas, respondeu sem jeito
-O que vou fazer com vocês, Allie?! Céus! Hoje parece que vai ser mais um dia daqueles, retruquei erguendo as mãos para o alto sentindo minha irritação crescer.
- Por favor, assim que estiver um pouco melhor prepare um documento acusando Tyler Crowley de falta de ética e difamação. Ele está usando a minha imagem e a do Edward para aumentar as vendas do jornal, fazendo piadas, chacotas e charges. Vamos dar alguma coisa grande para que ele possa se ocupar de verdade agora.
-Pode deixar, Bella, respondeu apressada saindo correndo em direção ao banheiro.
Sacudi minha cabeça desanimada. As borboletas no meu estômago saltaram agitadas, lembrando-me de que eu não havia almoçado. Ainda. Resmunguei baixinho pegando o meu celular e discando para a lanchonete. Se eu pudesse daria de bom grado uma surra colossal no meu irmão e na minha secretária. Quem sabe assim eles não dariam o braço a torcer e se entenderiam de uma vez! Pedi um sanduíche natural e um suco. O rapaz desligou dizendo que em vinte minutos entregaria o lanche o que me daria tempo suficiente para ir até a delegacia depois de ingerir alguma coisa. Quanto a Alice e Jasper eu teria que dar um jeito de uni-los. Como eu iria fazer isso, ainda não tinha idéia, mas que eu daria um jeito, ah, isso com certeza!
Narrador.
Já passava das seis da tarde quando Bella finalmente estacionou seu carro na entrada circular da casa onde crescera. Desligando o motor do seu Audi, permaneceu alguns instantes sentada no interior do veículo recuperando o fôlego. Sob a luz do crepúsculo a mansão em estilo vitoriano de dois andares mais parecia uma lembrança querida amarelada pelo tempo. Não tinha certeza se continuaria morando na casa depois que se formasse e retornasse a cidade, mas quando viu que aquele lugar só lhe trazia recordações felizes, tomou sua decisão. A casa era muito grande para apenas ela e dois funcionários, mas quem casasse primeiro, ela ou o Jasper teria o privilégio de morar naquele maravilhoso local. Era um acordo que eles haviam feito quando ela tinha apenas doze anos e ele dezoito. Assim que avistou a moto do Jacob estacionada na alameda lembrou que havia marcado de jantar com ele aquela noite. Com a confusão do Seth ela esquecera completamente que tinha assumido o compromisso. A porta da frente da mansão se abriu e ela avistou o rosto simpático de Heidi governanta da família há várias gerações. Como o momento de reflexão foi interrompido resolveu descer de uma vez.
-Boa noite Bella.
-Boa noite, H.
-Está com uma aparência muito cansada, menina.
-O meu dia não foi fácil, respondeu sorrindo enquanto e velha senhora a examinava com um olhar severo.
-Você tem trabalhado demais, retrucou. –O Jacob está lhe esperando na sala de estar.
-Obrigada, respondeu Bella andando na direção do amplo saguão, atravessando-o, colocando suas pastas com documentos sobre uma cadeira junto a um porta-chapéus e casacos, entrando a procura do seu melhor amigo. O aroma de flores do campo recém colhidas encheu suas narinas, Jacob como sempre continuava bastante atencioso.
-Até que enfim, Bella! Pensei que estava querendo me matar de fome!
Disse ele levantando-se para abraçá-la carinhosamente. Bella revirou os olhos diante de tamanha asneira.
-Você é de casa, Jake. Sabe que sempre pode ir comer na cozinha, replicou observando que usava roupas informais e apropriadas para um jantar simples. Calça jeans escura, camisa de malha preta justa que marcava os músculos dos seus braços e um par de tênis. O casaco de couro estava jogado sobre a poltrona.
-O que houve?
-Seth.
Ele deu um longo suspiro e olhou para o teto como se contasse mentalmente até vinte.
-O que foi desta vez?
-Roubo.
-Fiu! Um dia desses, aquele garoto ainda vai se dar mal. Pobre Leah, deve estar arrasada comentou com pesar.
Bella assentiu.
-Conversei muito com ele hoje e acho que depois do susto que levou vai pensar duas vezes antes de se meter em encrencas novamente.
-O que ele roubou Bella?
Perguntou fazendo um muxoxo contorcendo os lábios.
-Roubou o computador e o rádio amador de uma igreja. Do escritório do pastor, para ser mais precisa.
-E?
-Por sorte o pastor está disposto a retirar a queixa e esquecer o assunto se o equipamento for recuperado e se os três começarem a fazer trabalho voluntário na igreja.
Um sorriso apareceu no semblante sisudo do rapaz.
-Sério? Trabalho voluntário?!
-Sim. O pastor foi categórico em relação a isto.
-É uma ótima idéia. O que eles disseram a respeito?
-Não conhece os adolescentes?! No começo não gostaram muito, mas acabaram concordando. O problema é que o Seth vai fazer dezoito anos logo, daqui a algumas semanas e se tornar a fazer algo parecido vai parar na prisão. Não se consegui fazê-lo entender o que isso significa, mas espero que sim. Imagine só o desgosto da Leah se isso acontecesse.
-Posso imaginar, disse solidário. –Mas vamos mudar um pouco de assunto. Como foi o seu dia hoje?
-Exaustivo.
-Sem novidades?
-Bom, aconteceu uma coisa hoje e sinceramente não sei como você ainda não está sabendo. Do jeito que as notícias por aqui voam...
-Seu breve encontro com o Promotor Cullen no Fórum?
Questionou com uma sobrancelha erguida.
-Já está sabendo então?
-As notícias aqui em Forks não correm, Bella, elas voam. Dizem que ele é um político nato.
“ele é muito mais que isso”, pensou consigo mesma.
-Estão todos comentando sobre a trégua de vocês. Saiu no noticiário local, emendou sorrindo.
-Ah é? Pois saiba que ele questionou meus motivos para defender causas gratuitas. Por certo acha que faço isso apenas para irritar a promotoria!
-Não pode negar que tem um talento nato para chamar a atenção de casos que normalmente não atrairiam a atenção de ninguém!
-Jacob Black, desde quando você se interessa tanto pela área jurídica?!
Ele fez uma careta engraçada que provocou uma risada nela.
-Meu pai é juiz aposentado, esqueceu? Ouvi muita coisa enquanto crescia. E devo dizer que concordo com o Cullen, Bella. Ele está te alertando sobre o perigo de se expor em demasia. É possível que com esse seu coração molenga se deixe enganar por alguma história triste.
-Sim, é possível, mas é pouco provável, rebateu desconfortável.
-Você não pode estar certa sempre, emendou com ternura.
-Você está falando como ele, Jake, rebateu confusa com os sentimentos que a simples menção do nome de Edward despertava nela.
-Só estou tentando abrir seus olhos.
-Quando eu acredito que um cliente está sendo injustiçado ou vítima do nosso sistema judiciário, tento chamar a atenção do público para isso. É importante que a população saiba que o nosso sistema pode falhar em muitos casos.
-Certo, mas o que vai fazer quando qualquer dia desses descobrir que está errada? A imprensa inteira vai se voltar contra você aproveitando-se da situação. Já pensou nisso?
As perguntas pegaram-na de surpresa.
-Não sei. Não faço idéia.
-Deveria pensar sobre o assunto. Você é uma ótima advogada, Bella, mas nenhum ser humano é perfeito. Todos nós podemos falhar.
Ela soltou um suspiro carregado de frustração.
-Agora você está falando como o seu pai, Jacob, rebateu chateada.
-Sabe que tenho razão Bella. E você precisa estar preparada para o dia em algo assim acontecer. Em alguns casos tem que deixar as emoções de lado e dar ouvidos à razão.
Antes que pudesse dizer alguma coisa, Heidi chamou:
-O jantar está servido!
A frase saiu num tom mais alto que o seu normal. Bella desconfiava que com o passar dos anos a audição da velha senhora tivesse sido um pouco afetada.
-Vou deixar para me preocupar no dia em que isso acontecer, Jake. O dia de hoje já traz suas próprias preocupações. Vamos deixar o futuro em paz.
Ele a fitou fixamente, mas nada falou. Ele sabia que estava certo. Ela também sabia, mas admitir tal coisa em voz alta era muito difícil. Numa trégua silenciosa os dois caminharam até a sala de jantar onde uma mesa pequena havia sido posta. Sentaram e em questão de minutos passaram a saborear a deliciosa refeição.
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Bella.
O jantar havia sido muito agradável, a comida perfeita, a sobremesa magnífica e o Jake como sempre me fazendo rir de suas histórias engraçadas e piadas. Mas lá no meu íntimo havia a estranha sensação, um pressentimento talvez de que ele havia vindo à minha casa com outro propósito.
-Que tal irmos até a sala de estar agora? Eu gostaria de conversar com você.
-Pensei que quisesse dar uma volta na moto.
-Acho que está passando a gostar de motocicletas tanto quanto eu, Bella, falou rindo.
-Sou apenas uma boa amiga na sua garupa, rebateu.
-Quem sabe eu consigo lhe convencer a comprar uma.
-Deus me livre!
Respondi fazendo drama.
-Gostaria de falar com você Bella. É importante.
-Ok. Sobre o que?
Questionei andando uns passos a sua frente.
-Sobre nós.
Fechei os meus olhos com força ao escutar a frase.
-Jake, por favor...
Supliquei sentando no sofá enquanto ele escolhia uma cadeira próxima. Desviei meus olhos esperando que ele não insistisse naquele assunto mais uma vez. Eu odiava magoá-lo, mas não me restava outra escolha. Eu sempre iria amá-lo como amigo e nada mais que isso.
-Olhe, eu sei que nós falamos sobre isso antes de você ir embora para a faculdade e você me disse que me ama como a um irmão, mas eu não Bella. Eu sempre quis você.
-Não comece. Sei muito bem que andou com muitas garotas da reserva e aqui da cidade.
-Exato. Eu namorei algumas garotas, dormi com outras, mas nunca me apeguei a nenhuma, porque eu só penso em você. Eu sou como você Bella. Quero morar aqui em Forks, quero casar, ter filho, criar raízes e formar uma família.
-Jake... “Se ao menos eu pudesse corresponder aos seus sentimentos”, pensei com desgosto.
-Escute ok? Eu quero ficar com você Bella. Quero que seja minha namorada. Sei que não sente o mesmo, mas nós poderíamos tentar. Por que não me dá uma chance?!
Olhou para ele e balancei minha cabeça, desolada.
-Você é meu melhor amigo. Não vamos estragar as coisas.
Ele encarou-me muito sério.
-Existe outra pessoa Bella? Você está gostando de alguém?
Desviou rapidamente meu olhar. Como eu poderia responder aquilo sem feri-lo ainda mais?! Como poderia negar que Edward Cullen ultimamente povoava a minha mente e os meus sonhos?! Céus... Que deus me ajudasse! Respirei fundo fitando-o diretamente.
-Por que está me perguntando isso?
Ele deu um sorriso triste.
-Devolvendo uma pergunta em vez de responder Bella? Uau! Como não percebi isso antes?!
-Não percebeu o que?!
Indaguei engolindo em seco. Jake era o meu melhor amigo, me conhecia bem.
-Quem é ele? O tal promotor?
“Outch!’ Na mosca! Pensei mordendo o lábio inferior começando a mastigá-lo
-Jacob, por favor...
Ele estreitou os olhos enquanto eu fitava meus próprios pés.
-Todos na cidade estão pensando que vocês são como inimigos, mas eu acho que isso é apenas fachada. Aí tem coisa.
-Como assim? O que está dizendo?
Perguntei franzindo o cenho, incomodada com a perspicácia dele.
-Aquela noite no clube eu vi a maneira como ele olha para você.
-Era só o que ma faltava!
Exclamei tomada por uma mistura de sentimentos conflitantes.
-Você gosta dele? Quero dizer, você... Está apaixonada pelo novo promotor da cidade, é isso?!
-Jacob, por favor! Rebati sentindo que ficava completamente vermelha. Se ele imaginasse tudo que tinha acontecido desde a chegada de Edward a Forks... As vezes que tomara o meu corpo, as vezes que eu o seduzi na cabana e como eu queria mais...
-Nós sempre fomos amigos Bella. Andamos juntos por um tempão como unha e carne. Aprontamos e nos divertimos muito antes, e você sempre foi sincera e honesta comigo. Não pode continuar sendo honesta agora?!
Suspirei. Era a mais pura verdade. Sempre fui verdadeira com Jacob. Era tão fácil me soltar quando estávamos juntos...
-Eu não sei responder a essa pergunta Jake.
Aquela era uma meia verdade. Realmente eu estava completamente confusa sobre o Edward. Subitamente ele aproximou-se e segurou minhas mãos entre as suas. Jacob era tão quente... Uma característica do seu sangue índio.
-Amizade pode virar amor Bella, já vi isso acontecer muitas vezes. Eu tenho certeza que nós daríamos certo se você me desse uma chance. O relógio de carrilhão bateu. Eram nove horas da noite. Aliviada pela breve interrupção, fugi do assunto e me levantei.
-Está tarde e eu preciso acordar cedo amanhã.
-Tudo bem, mas, por favor, pense no que eu disse, ok?
Balancei minha cabeça acompanhando-o até a porta.
-Tchau Jake.
Ele sorriu deu um beijo na minha bochecha e saiu deixando-me completamente aturdida com os meus pensamentos e sentimentos.
Narrador.
Enquanto isso, num restaurante da cidade...
-Vai gostar da comida daqui, Edward. É simples, mas muito saborosa.
-Obrigada pelo convite, Emmett. Eu estava mesmo precisando sair um pouco. Arejar a cabeça e as idéias.
-Não vai querer companhia esta noite?
Perguntou piscando um olho.
-Não, falou firme.
-Por quê?! A moça não lhe agradou?
-Sim, mas...
-Você não está feliz, constatou Emmett.
Edward suspirou longamente.
-Mais ou menos. Achei que saindo da cidade grande as coisas se tornariam mais fáceis, explicou afrouxando o nó de sua gravata enquanto bebericava sua dose de uísque com gelo.
-É a Bella?
-Sim, falou sem rodeios.
-Sua advogada de defesa favorita, completou Emmett, sorrindo.
-A própria.
-Ela é tão irritante assim?
Quis saber o amigo curioso. Bella era linda, gentil e educada, apesar de ser sempre uma pedra no sapato dos promotores e auxiliares.
-Não. Ela é bem agradável quando quer. Aqueles olhos castanhos enevoados e misteriosos são capazes de hipnotizar qualquer um e aí quando abre a boca, ela sempre consegue o que quer, resmungou baixinho. Emmett esforçou-se para não explodir numa gargalhada.
-Hum... Confesso que não sabia que o “seu” problema eram os lindos olhos castanhos de Isabella Swan, completou irônico.
-Pode tirar esse sorriso irônico do rosto, Emmett! Esse não é o “meu” problema, como acabou de frisar. É nosso! O fato é que ela é maravilhosa, mas quando começa a discutir... Jesus! Juro, eu tenho vontade de estrangular!
-Edward Thomas Cullen... Eu não acredito!
-O que? O que foi?
-Você está atraído por ela meu amigo.
O promotor rolou os olhos tentando disfarçar enquanto o outro divertia-se com a situação.
-Não comece! A mulher é mais selvagem e intempestiva que um tornado!
-E o que há de mal nisso?! Bella é linda, jovem e muito competente. É uma mulher livre, adulta e desimpedida. Se ela é selvagem no temperamento deve ser também na cama. Não há nenhum problema em se sentir atraído por ela, tudo é perfeitamente normal.
-Acha mesmo que estou interessado nela?
Perguntou escondendo suas emoções atrás de uma máscara.
-Sim, respondeu sem titubear.
Emmett estava coberto de razão, mas admitir aquilo para si mesmo era uma coisa. Admitir para os outros era muito diferente. Depois do beijo Bella tinha desaparecido. Até tentara falar com ela por telefone, mas não obtivera sucesso o que o deixara chateado e frustrado.
-E qual seria o próximo passo? Vou estar entrando para o maior fã clube da cidade, encabeçado por Jacob Black e com Mike Newton no segundo lugar?! Não, obrigado. Sua irritação e ironia eram visíveis.
-Você está exagerando.
-Não estou não, resmungou abusado.
-Tem certeza? Você tem tudo o que um homem sonha na vida, menos uma mulher para ser sua companheira. Acho que está solitário e precisando mesmo de um grande amor, Edward e Bella seria a escolha perfeita. Um desafio à sua altura. Quanto ao Jacob e ao Newton, pode ficar tranqüilo. Eles a perseguem desde que eram garotos, mas ela nunca deu chance a nenhum deles. Nunca namorou ninguém de Forks. Parece-me que teve um namorado na faculdade, mas não durou.
-Por certo, o irmão colocou o rapaz para correr, retrucou pedindo mais uma dose vendo que sua chegava ao fim.
-Jasper realmente seria um problema. Mas veja pelo lado bom, o irmão seria o seu único problema, falou entusiasmado.
-Será que dava para mudar de assunto antes que eu tenha uma indigestão sem que ela nem esteja aqui presente?!
-Ok, vamos conversar sobre futebol então, disse Emmett sabendo que havia tocado no ponto fraco de seu amigo e mentor. Com aquela breve conversa ele percebeu o quanto Bella mexia com Edward. Esperava apenas que ele refletisse sobre o que havia dito e não desperdiçasse aquela oportunidade que o destino estava lhe dando.
Continua...
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