Três Príncipes, Três Princesas
17 Verdades e Castigos
Notas iniciais
– John não é o mordomo, Edward. Nunca foi. Ele é marido de vovó Marie.
Edward
Pasmado, olhei para Bella. Como assim? Eu não havia encontrado essa informação em nenhum site de pesquisa.
– Marido? Bella, sua avó não é viúva?
– Ai, Edward. O que tem uma coisa a ver com a outra? Venha aqui, deixa eu te mostrar algo.
Fui arrastado para um corredor no canto esquerdo da sala, passamos por algumas portas fechadas, até pararmos na última do lado direito.
Sem cerimônia, Bella abriu-a e me fez entrar.
– Uau!
Disse admirado. Eu vinha fazendo muito isso ultimamente.
O ambiente era uma mistura de escritório e biblioteca e o que mais chamava a atenção, era que atrás da formosa mesa de carvalho escuro, dois enormes quadros, tomavam conta de toda a parede.
Aproximei-me, eu precisava ver mais de perto. Sem me conter, toquei levemente as obras de arte.
– São perfeitos. Quem são essas pessoas? O cenário parece tão real.
Perguntei, observando o primeiro quadro, que mostrava uma bela família de três pessoas.
– Essa senhora sentada, é vovó Marie, esse bebê em seu colo é meu pai e esse senhor com as mãos em seus ombros, é meu avô Geoffrey, pai de papai.
– Você se parece muito com sua avó. Ela era e ainda é encantadora, muito bonita, mesmo.
– Obrigada!
Bella corou. Eu amava aquela cor em suas bochechas.
– Vovó é meu exemplo de vida. Rezo a Deus todos os dias, para que Rose e Alice sejam tão boas rainhas, como ela foi.
Bella mantinha o olhar no quadro, mas sua mente estava a quilômetros dali. Ela parecia reviver memórias.
– Vovó se sacrificou pelo reino. Ela só pôde viver sua vida, do jeito que sempre quis, depois que vovô faleceu.
Minha princesa, deu alguns passos e passou a avaliar o outro quadro.
Essa obra era maior e mostrava mais pessoas em torno de um novo casal. “Reconheci de cara”. Mas, mesmo assim perguntei, eu queria ouvir dela a história que aquela imagem guardava.
– E esses quem são?
Bella levantou a mão e passou a apontar.
– O homem de terno e aparência feliz, é John. A mulher de branco, com o braço enganchado ao seu, é vovó Marie. A menininha loira ao lado de John é Rose. A pequenininha perto de vovó é Alice. E o bebê nos braços de minha vó, sou eu. Esse quadro foi feito a partir de uma foto do dia do casamento deles. Só numa data dessas, para John se vestir assim.
Contemplei a imagem, era o retrato fiel de uma família feliz. Diferente da primeira, que retratava um casal todo formal e de aparência séria, concentrada e infeliz.
– Seu pai e sua mãe não deviam estar aqui também? Retratada assim, parece até que vocês é que são filhas de John e Marie, apesar da idade já avançada dos dois.
Bella deu a volta na mesa e se colocou bem em frente à pintura. Seus olhos agora estavam tomados de lembranças.
– Deixe- me te contar uma história de príncipes e princesas, Edward. Aproxime-se.
Cheguei mais perto, apurei meus ouvidos e acariciei, de leve, os cabelos de minha namorada. Ela partilharia algo importante. E eu estava sedento por receber qualquer coisa dela.
– Há muito tempo atrás, havia no reino de Forkian apenas uma princesa. Ela era a perfeição em pessoa. Calma, meiga, bonita e muito, muito inteligente. Todos a ovacionavam e esperavam, ansiosos, pelo dia que ela seria coroada rainha. A menina era o orgulho de seus pais. Eles depositavam nela toda esperança de um futuro melhor para o povo.
Bella fechou os olhos, trouxe minha mão para seu rosto e continuou a narrar. Transferi meu carinho para o lugar que ela queria.
– A princesa sempre fazia o que os pais queriam e planejavam. Ela cresceu com a consciência de que um dia herdaria o reino, e que a busca pelo melhor para as pessoas, seria responsabilidade sua. E ela não tinha medo disso, pelo contrário, estudava, lia, se especializava, mesmo que a sociedade da época não encorajasse essa prática para mulheres, ela não se importava. Somente pensava em ser a melhor rainha que aquele povo já tivera.
Bella contava com tanta emoção que eu podia facilmente me transportar para aquele cenário.
– E tudo seguia seu curso tranquilamente, minha vó era feliz e todos a sua volta eram felizes.
Ainda perdida na narração, Bella fez uma pausa e suspirou pesadamente.
– Até que um dia, durante uma competição de hipismo, do colégio que vovó frequentava, um rapaz chamou a atenção da princesa. Ele era alto, moreno, bonito e o melhor competidor do evento, tanto que ganhou todas as modalidades na qual participou naquele dia. E para a alegria da tímida princesa, no final da competição, a caminho da saída, o rapaz também notou a bela dama e também se sentiu imediatamente atraído.
Eu permaneci quieto.
– Assim sendo, os dias que se seguiram foram todos preenchidos pela insistência do jovem em sair com a mocinha, que terminantemente negava e se esquivava de seus pedidos, mesmo que sua vontade fosse ceder.
– É princesa, sua vó foi mesmo muito difícil.
Fomos surpreendidos pela voz de John. Ele e Marie estavam parados no batente da porta e a avó de Bella tinha os olhos marejados e sonhadores, assim como a neta.
– É claro que eu fui difícil. Onde já se viu? Homens não gostam de garotas fáceis. Aprenda isso, querida.
Marie piscou para Bella. Era uma indireta para mim?
Minha namorada porém, nem se importou com isso, somente sorriu docemente.
– Desculpe-me vovó. Eu não devia ter contado. A história é da senhora, mas é que eu a amo e revive- la é sempre uma alegria pra mim. E quando Edward se interessou, eu não resisti.
– Não se preocupe com isso, querida...
Marie abraçou John e o olhou nos olhos, apaixonadamente.
– Eu não tenho porque ficar brava com você. Eu amo o John e compartilhar isso com os outros é meu sonho. Pena que Charlie seja tão relutante. Todavia, quando esse reino mudar de mãos e mesmo que eu já não esteja mais entre vocês é meu desejo que a tornem pública. O mundo merece saber do nosso conto de fadas. Agora se você não se importa, querida, deixe que eu termine de contar para seu namorado o restante.
Bella assentiu e ficou em silêncio. Aproveitei a oportunidade e a trouxe para meus braços.
– Então em um belo dia de primavera, quando milagrosamente, o sol brilhava no alto de um céu azul, a princesa cedeu às investidas do rapaz.
John sorriu largamente e Marie não conteve o suspiro.
– E naquele mesmo dia eles se beijaram e iniciaram uma forte relação de amor cumplicidade e carinho. Eles se descobriram perdidamente apaixonados.
E a cada detalhe eu me encantava mais.
– John sabia que você era uma princesa?
– Claro que sabia.
Respondeu ele sem demora e prosseguiu.
– E esse mero detalhe...
Desdenhou ele.
– Não afetava em nada o que eu sentia por ela. Em nossa doce ilusão de conto de fadas adolescente, nós viveríamos um lindo amor e derrubaríamos todas as barreiras que seriam impostas a nós.
– Até que...
Os instrui a continuar. Bella olhou atentamente para a avó, como se não conhecesse nada daquilo.
– Até que meu pai descobriu e se pôs totalmente contra a nosso romance. No entanto, eu não perdi sem brigar, fui ferrenha, gritei, esbravejei, chorei e lutei cada vez que ele pedia para eu me afastar “daquele moleque insolente”. Contudo nosso amor só se fortalecia.
Meu instinto me dizia que a pior parte viria agora.
– E quando por fim, papai percebeu que “teimosia era genético”, ele jogou baixo, da pior forma que se possa imaginar.
Bella se empertigou em meus braços.
– Meu pai, cansado das minhas birras, resolveu que eu já era velha demais e que devia me casar. E assim, armou meu casamento com o filho de um de seus amigos nobres.
Outro casamento armado.
– Só que eu continuei relutante, fugi dos encontros, queimei todos os presentes do meu suposto noivo e ainda fiz o favor de levar John a todos os eventos que eu participava. Foi um escândalo, na época.
Eu podia imaginar. Mocinhas se rebelando, ainda é um escândalo na atualidade.
– No entanto, meu pai foi mais duro e para ter sua vontade atendida, fez a única coisa que me obrigaria a aceitar qualquer coisa...
– O que ele fez?
Perguntei.
– Ele ameaçou John. E ameaçou, também na única coisa que faria John ceder.
Olhei para Bella em busca de socorro. Minha princesa tocou meu rosto com os dedos e disse calmamente.
– Meu bisavô disse ao John que se ele não se afastasse e deixasse vovó em paz, ele a levaria para um lugar desconhecido, diria a impressa e a todos que ela tivera uma queda do cavalo, não resistira e viera a falecer. John nunca mais veria vovó.
Apertei a mandíbula e fechei a expressão. Ele ameaçara sumir com a mulher da vida de um homem. Só de imaginar um mundo em que eu não pudesse ver Bella, “meu peito doía”.
– A crueldade do pai de Marie era tanta, que ele me jurou que forjaria um funeral. Lembro como se fosse hoje, dele dizendo que para arrumar um corpo de alguém parecido com a filha, não era problema algum. Ele mataria uma pessoas inocente que se parecesse com a filha. O homem não tinha escrúpulos.
– E o que você fez, John?
Perguntei já sabendo a triste resposta, no entanto eu precisava dos detalhes.
– Fiz a única coisa que podia fazer: afastei-me. No entanto, antes de qualquer ato, contei a Marie tudo o que o pai havia me falado e jurei que a amaria para todo o sempre.
John trouxe o rosto de Marie para perto de si e a beijou. O amor deles era palpável. Rezei a Deus naquele momento para que minha relação com minha gatinha chegasse naquele nível.
– E depois que você se afastou, Marie logo se casou com o senhor Geoffrey?
– Claro que não, garoto. O que acha que eu sou? Meus sentimentos por esse homem eram verdadeiros. Eu não cederia tão fácil.
Senti minhas bochechas esquentarem. Bella riu baixinho do meu estado.
– Perdão, dona Marie. É que estou ansioso para chegar aos dias atuais.
– Tudo bem. Então vamos terminar logo com isso, que Bella ainda precisa comer.
Assenti e voltei a ficar em silêncio.
– Quando John me contou tudo que papai havia feito, eu quis fugir, gritar, chorar, tudo ao mesmo tempo, no entanto papai também usou a mesma tática comigo. Assim que cheguei em casa, depois de saber toda a verdade, papai me esperava, só que em vez de me ameaçar, ele ameaçou sumir com John, e isso eu não suportaria nem aceitaria..
– Então só coube a vocês aceitar a situação.
Murmurei.
– Depois de muita birra sim. Meu pai não cedeu e para piorar a situação me obrigava a aceitar a presença de Geoffrey. Todavia, John e eu não nos separamos. Em nossa ingenuidade imaginávamos que algo ou alguém apareceria e nos salvaria daquela situação.
Tomando a frente Bella voltou a narrar.
– Contudo, isso não aconteceu. O “bisvovô” não libertou a vovó do martírio e meses depois ela já estava noiva e de casamento marcado com o vovô Geoffrey..
Olhei para John com pena.
– É meu rapaz, eu perdi minha vida no dia em Marie chegou até mim com uma esplendorosa aliança no dedo. Ali eu percebi que havia perdido. Dias depois não conseguindo mais suportar a situação e agindo com a índole perfeita, ela terminou comigo e cumpriu com seu dever para com o reino.
Diferente da reação que eu teria, John parecia orgulhoso da, agora, esposa.
– E depois vovó se casou, engravidou e logo se tornou rainha, cumprindo assim com os sonhos de meu bisavô.
– E vocês só se reencontraram depois que dona Marie ficou viúva? Você se casou John? Seguiu sua vida? Como suportou?
Eu precisava saber.
– John se casar? Nem se eu fosse louca, rapaz. Esse homem é meu desde o momento em que coloquei os olhos nele.
– Então eu... eu não entendo.
Será que Dona Marie o havia mantido como amante?
– Eu nunca perdi John de vista e apesar de não termos mais nada, eu sempre fazia questão de não deixar que ele me esquecesse, por isso fugia e ia até ele constantemente, nem que fosse pra conversar e trocar confidências tolas. E quando percebi que realmente poderia o perder para alguma rameira, dei um jeito de trazê-lo para perto de mim.
Voltei meus olhos para John.
– Marie fez o gerente, do haras de sua família, me contratar como treinador da equipe de hipismo. E todos os dias ia ao clube para me observar.
– E quando o pai de vovó faleceu, ela, não perdeu tempo, e o contratou como motorista particular, fazendo assim com que John ficasse cada vez mais perto.
Era uma história linda. Sofrida, mas muito linda.
– E seu avô nessa história? Ele não fez nada? Ele sabia que a senhora não o amava?
– Geoffrey era um pau mandado de papai. Nunca fora homem o suficiente para me enfrentar e impor suas decisões, fazia todas as minhas vontades e caprichos, só pra que eu não me queixasse com papai.
– Você não foi feliz.
Afirmei.
– Claro que não fui. Como uma mulher que se deita somente duas vezes com o marido, pode ser feliz? Eu repugnava aquele homem. Quando ele morreu eu dei graças a Deus!
– Por isso Charlie é rei.
Bella assentiu.
– Sim. Dois meses depois da morte de vovô, vovó renunciou ao reino, se mudou para cá e se casou com John.
– E estamos tendo nosso final feliz. Demorou, no entanto ele veio.
Completou John.
– Então respondendo a sua pergunta de agora a pouco, sim, meu pai devia estar aí nesse quadro, no entanto sua ignorância o impede de viver a felicidade de vovó. Ele acredita que ela não se esforçou para que o casamento desse certo e ainda culpa John pela, suposta, infelicidade de meu avô.
– Agora eu entendo toda birra de seu pai.
– Sim. E agora você também pode entender o porquê, de vovó ser tão relutante com o casamento arranjado.
– O amor em primeiro lugar?
Perguntei. Eles assentiram afirmativamente.
– Não, rapaz! O reino em primeiro lugar. Não deixe que essas “histórias das Carochinhas” o influenciem.
Disse Charlie entrando de repente. Ele parecia muito mais bravo que o normal.
–Mãe, eu já disse para a senhora parar de me envergonhar com esse assunto. E você mocinha...
Apontou o dedo para Bella.
– Vá agora mesmo comer. Eu não quero saber de você doente. Agora saiam daqui que eu preciso falar com Alice.
Alice que até aquele momento se mantinha quieta ao lado do pai, fez uma careta.
– Venham, meus filhos. Vamos lanchar. E você Charlie, seja mais educado comigo e com meu marido, ou então se prepare para levar umas boas broncas na frente de todos. Agora aja como um rei e coloque limites, nessa menina.
Vovó Marie o ameaçou.
Ainda atônito por causa da conversa, peguei a mão de Bella e arrastei rapidamente dali.
Charlie
Tentando ao máximo ignorar, que mamãe havia disseminada mais um pouco de seu drama para alguém, coloquei minha máscara de pai autoritário e me dirigi a minha filha complicada.
– Entre, Alice e feche a porta.
De cabeça baixa, ela seguiu minhas ordens.
– Agora sente-se. Nossa converta será longa.
Mais uma vez ela fez o que eu pedi.
– O que eu faço com você Alice? O que eu faço?
Analisei-a por alguns segundos: olhando assim de longe ninguém imaginaria a “capacidade de fogo “ que ela tem. Não entendo de onde vem tanta vontade de ferir e magoar.
Às vezes penso que é algo espontâneo, que quando percebe já falou e pronto, o estrago está feito, porém, ultimamente tenho levado em consideração a hipótese de que ela faz isso de propósito, com o único intuito de mostrar a irmã o quanto será mais, do que ela no futuro, já que no passado e no presente, eu não lhe dei essa oportunidade. E se a segunda opção fosse a que a representasse, eu estava perdido, porque deixar alguém magoar Bella dessa forma não estava nos meus planos.
– Assim que nós terminarmos essa conversa, você irá até sua irmã e pedirá que ela te desculpe de todas as bobagens, que anda fazendo e falando. Eu não consigo assimilar o que está acontecendo com você, Alice? Eu não te criei assim.
– Pois eu consigo.
Rapidamente meus olhos se viraram para a porta e encontraram Renée e mamãe.
– O que fazem aqui? Eu resolvo essa situação.
Afirmei convicto.
– Ah resolve mesmo? Duvido, por isso estou aqui. Vou ensinar a essa garota como se deve tratar a família.
– Mãe! Você já falou demais por hoje.
– Ah, cale-se, Charlie. Você e Renée não tem pulso o suficiente. Eu já sei disso, mas se você insiste, tudo bem, vou permanecer quieta. Prove que estou errada, corrija, Alice.
Alice que até aquele momento se mantinha quieta, me olhou apavorada. Bater em minhas filhas nunca foi uma opção, no entanto era exatamente isso que minha mãe propunha. Não que eu ache que umas palmadas vá matar alguém, sou prova viva de que só contribuem para a formação de um bom caráter, no entanto usar de violência com minhas crianças, nunca estivera em meus planos.
– Pois bem, como eu estava dizendo, você pedirá desculpas a sua irmã e prometerá nunca mais repetir o erro.
Alice assentia em silêncio. Seus olhos marejados já eram prova de que ela cumpriria com minhas ordens.
– Quero que a convença e voltar atrás na decisão de não participar de todas as decisões do casamento. Quero que a deixe saber que a opinião dela é importante e por fim, exijo que todas as vontades dela sejam seguidas e...
– O que? Como assim pai?
– Isso mesmo, queridinha. As vontades de Bella terão de ser seguidas, então reze pra que ela não queira se vingar de você, porque se ela decidir que a decoração da igreja será em vermelho e preto, você aceitará e planejará o melhor, nessas cores para ela.
– Mãe, por favor.
– Nunca!
Gritou Alice em desespero.
– O casamento também é de Rose e meu. Nós também teremos que opinar a respeito.
Fechei a cara e disse sério.
– Sua vó, tem razão. Esse é meu desejo. Não interessa como fará isso, nem que tenha que fazer um casamento com três ambientes. Os gastos não são importantes, o importante é consertar o estrago que fez a sua irmã. Portanto faça!
– Eu me recuso.
Alice ficou de pé, aumentou o tom de voz e me apontou o dedo indicador. Suas lágrimas já não eram mais de remorso e sim de raiva e indignação.
– Eu não disse mentira alguma para estar sendo punida assim. Bella que é mimada e obtusa e não enxerga “um palmo além de seu nariz”. A importância desse casamento é devido a Emmett e Rose, Jasper e eu. Ela e Edward são “um zero a esquerda”.
– Cale-se, Alice!
Duas coisas seguiram o meu grito: o tapa, que mamãe desferiu certeiramente na face de minha filha e o grito doloroso de minha esposa perante o ato.
– Agora sua conversa é comigo, “sua piralha”. Seu pai já teve a chance dele e não a aproveitou.
– Sogra, por favor, se acalme e...
– Calada, Renée. Antes que sobre pra você também.
Mantive-me quieto, minha mãe tinha ”tomado às rédeas da situação”.
– Se Bella é obtusa e mimada, você é prepotente e orgulhosa. Sabe Alice, acho que já sei como te castigar, tenho duas opções, o problema é que muitos sairão perdendo com isso, todavia acho que não me importo, “entre mortos e feridos, os mais importantes se salvarão”, então vejamos, o que você prefere? Eu posso ligar para Elizabeth, agora mesmo, e simplesmente contar a minha melhor amiga, quem é de verdade a “cobra” que a sucederá. Acho que, pelos nossos anos de amizade, isso a faria recorrer seu trono de volta, assim como, evidentemente, eu faria com o meu.
– Não! Você não pode fazer isso, sua velha! Esme e mamãe são rainhas e Rose e eu as sucederemos.
Minha mãe, sem se abater pelo xingamento, desferiu outro tapa em Alice e a agarrou pelos ombros.
– Eu posso o que eu quiser, o reino é meu. No entanto, acho que você tem razão, Esme, Renée e Rose não merecem o castigo que é só seu. Assim sendo optarei pela segunda opção, farei Carlisle mudar as regras desse acordo “de merda”. Darei Bella a seu noivo e farei com que Edward se case com você. Então veremos quem será rainha de quê. Pro seu noivo creio que não será nenhum sacrifício, ou você ainda não percebeu como ele olha pra sua irmã? Ainda bem que Bella é “obtusa” não é, Alice? Porque se ela quiser ser rainha é só “estalar os dedos”, “seu noivinho está na dela”, querida.
– Não, vovó. Por favor, não. Jasper não!
Alice voltou à expressão de desespero. Eu, ainda atônito pela recente descoberta, dei a volta na mesa e abracei Renée que também chorava.
– Sim! Eu farei isso. E me orgulharei muito de ver Edward te odiando, te traindo e te ignorando pelos restos de suas vidas, porque aquele garoto também ama sua irmã e aposto que ele te odiará por ter feito com que eles não terminassem juntos.
– Vovó...
– Mãe, por favor, já deu. Se acalme.
Mas, dona Marie não me ouvia, ela estava fora de si, de tanta raiva.
– Ah! E Bella? Nossa como eu amar ver minha garota sendo coroada e ovacionada no lugar que seria seu. Ensinaram-te isso na escola de damas, Alice? Ensinaram-te a perder um trono e a se comportar como se estivesse feliz com isso? Ensinaram-te a disfarçar, sua teimosa?
Com um último safanão, mamãe a soltou. Alice foi direto ao chão e abraçou os joelhos chorando copiosamente.
A rainha se afastou, respirou fundo e passou a observar a paisagem do lado de fora.
O som das gargalhadas de Bella e Edward me garantiram que mamãe os observava.
– Você, Rose e Bella são meus orgulhos, Alice. Minhas garotas inteligentes. As irmãs que se apoiam e que nunca deixam que algo ou alguém as afaste. “Coloque a cabeça no lugar” e reflita suas atitudes. Bella não quer ser rainha, ela só quer ser amada pelo noivo e pela família, por isso, eu lhe aconselho a medir suas palavras e atos, a partir de agora. Siga as ordens de seu pai e conserte essa situação ou saiba que eu não hesitarei em cumprir as promessas que acabei de fazer.
Alice soluçava baixinho. Segurei Renée com mais força, ela estava a ponto de correr para socorrer a filha.
– Apesar de que, acho que minha intervenção não seja necessária...
Mamãe se voltou para a escrivaninha, abriu a gaveta, pegou um envelope e retirou de lá algumas folhas.
– Quero que leia isso com atenção.
Mamãe atirou os papeis em Alice.
– Elizabeth e eu contratamos um instituto de pesquisa, um dos melhores, diga-se de passagem, e pedimos que eles pesquisassem o que povo está achando dos atuais monarcas. E quem, esperam que assumam o trono futuramente?
Alice pegou os papeis em suas mãos e começou a folhea- los.
– E imagine qual foi minha surpresa e de minha amiga, ao constatar que tanto o povo de Forkian quanto o de Angeles sonham em ver Edward e Bella no trono, mesmo que isso signifique uma junção dos reinos.
As mãos de Alice tremiam ao segurar os documentos.
– E pelo que me lembro, nem Edward, nem Bella então na linha direta da sucessão. Por isso, minha filha, eu lhe aconselho, outra vez, mude de atitude e faça por merecer a herança que receberá, porque quando o povo se une ninguém é capaz de detê-los.
E sem conseguir mais ignorar a alegria de Bella do lado fora, minha mãe saiu da sala, batendo a porta.
Eu, sem consegui disfarçar, de minha mulher e minha filha, a minha angustia e decepção segui atrás dela.
A única coisa que eu precisava naquele momento, era estar perto da alegria contagiante de Rose e Bella. E que Alice “exorcizasse seus demônios”, sozinha.
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