Notas iniciais
Capítulo postado, espero que gostem. O próximo será o casamento e ele será muito especial, cheio de detalhes e grande, por isso, estou com medo de não conseguir termina-lo na Terça Feira. Se isso acontecer, não se preocupem. Assim que finaliza-lo venho aqui e posto-o. Não importa o dia. Beijos especiais a minhas lindas leitoras e amigas, que mandam MPs cheias de preocupação. Amo vocês. Beijinhos e boa semana a todas.

Sábado- 6 dias para o casamento

Carlisle

Atirei a caneta para longe de meu alcance. O barulho lá fora estava me deixando maluco. Risadas altas e conversas tiravam inteiramente minha concentração.

A pauta da reunião que teria, com Charlie e Billy precisava ficar pronta, porém, as pessoas dessa casa não cooperavam comigo. Por isso, que eu não gostava de trazer trabalho pra cá, aliás, gostar não é bem a palavra, eu não podia era trazer trabalho pra casa nos finais de semana. Esme não aceitava. E deixar aquela mulher irritada nunca fora uma boa ideia.

Perdendo o último fio de paciência, levantei- me e fui até a janela. Eu estava pronto pra mandar que parassem com aquela algazarra.

Contudo, engoli meus insultos. Respirei fundo e forcei a calma em mim.

Espalhadas pela entrada estavam às mulheres de minha casa e, para ser mais exato, as mulheres de minha família.

Elas partiam em mais uma maratona de pré- casamento.

Agradeci a Deus, por isso ser um serviço de mulher, porque mesmo de fora, eu não aguentava mais ouvir falar de flores, buffet e vestidos. E bendito seja, o acordo que fiz com Charlie, porque ele significou que eu seria obrigado a passar por esse martírio apenas uma vez.

Eu desejava, mais que tudo, a minha normalidade de volta. Eu sonhava com minha rainha calma e serena, como sempre. Não o turbilhão que havia se apossado de seu corpo e sua mente nos últimos tempos.

Mais atentamente, observei as cinco, lindas e perfeitas.

Minha mulher e Renée eram o exemplo nato de rainhas. Que as princesas se espelhassem nelas.

Concentrei-me mais e contemplei minhas noras:

Rosálie e Isabella mantinham as mãos uma na cintura da outra, enquanto caminhavam para o carro. Suas expressões não transpareciam nada, e isso já me fez respirar aliviadamente, pelo que parece o incidente de ontem já havia sido superado.

Edward e Emmett eram dois sortudos.

O mesmo não podia ser dito de Jasper. Se bem que, no caso dele, Jasper é que não queria aproveitar a oportunidade que a vida lhe proporcionava.

E eu que achei que Edward era que me daria trabalho. Santa ingenuidade.

Alice era uma gracinha. Não perdia nada para as irmãs. Cada uma tinha suas peculariedades.

Mas, infelizmente meu filho do meio não pensava assim e não via por esse lado.

Alice não estava feliz, isso era fato. Observando atentamente percebia-se que ela estava aérea, pensativa além da conta. E eu não a condenava, de jeito maneira. Foi preciso que eu contasse a verdade a Jasper para que ele colocasse a cabeça no lugar e desistisse da ideia estapafúrdia, de roubar a noiva do irmão.

Eu havia agido errado, sabia disso. Não devia ter expulsado Emmett do escritório, pelo contrário, devia tê-lo mandado entrar e ainda acrescentado Edward a nossa conversa.

O complicado é que eu não podia. Elizabeth me “mataria” e tenho absoluta certeza, de que Eleazar e Aro se aproveitariam dessa oportunidade. Eles esperam um deslize meu há anos.

Eu não colocaria meu reinado em risco.

Porém, era minha obrigação conter Jasper. E para chegar a esse feito, dei-lhe uma vantagem.

A mesma vantagem que meu pai havia concedido a meus irmãos há alguns anos atrás.

Eu só esperava que o futuro de meu filho amado, não fosse o mesmo de meus irmãos.

Alice Swan não merecia um futuro desses.

Domingo- 5 dias para o casamento

Renée

— Muito bem, Charlote. Supervisione pessoalmente a limpeza e arrumação de duas suítes do andar superior. Minha sogra ocupará uma e a sogra de Renée, juntamente com o marido, ocuparão a outra.

— Sim, senhora. Mais alguma coisa, dona Esme?

— Sim. Você conhece os irmãos de meu marido como eu. É bem provável que eles resolvam “se mudar” aqui pra casa, nesses dias de festividades. Se isso acontecer, acomode-os nas casas de hóspedes do jardim sul. O que menos precisamos agora é de Kate, Irina e Tânia perambulando pelo palácio.

— Sim, senhora. Só isso, dona Esme?

— Ahn,... Acho que, por enquanto, é só. A não ser que Renée precise de algo.

Muito longe, em algum lugar, tive a impressão de ouvir meu nome sendo pronunciado.

— Renée? Renée?

— Oi! Ahn? Vocês disseram alguma coisa? Eu fiquei meio perdida no tempo.

Não era impressão. Confusa. Voltei minha atenção para as duas. Desconcentrei-me por um minuto e perdi todo o assunto de Esme e sua governanta.

— Tudo bem. Você já pode se retirar agora, Charlote.

A governanta nos reverenciou e saiu. Instantaneamente, os olhos de Esme se voltaram para mim.

— Está acontecendo alguma coisa ou é só cansaço mesmo? Você parece tão dispersa hoje.

— Não! Não está acontecendo nada. Eu só me distraí um pouco. Já passou.

Tentando fugir do olhar inquisidor e das perguntas dela, levantei-me e passei a observar as obras de arte da sala de jantar.

Estávamos reunidas aqui desde o chá da tarde, resolvendo questões sobre as acomodações dos convidados mais ilustres.

Alie, Bells e Rosie haviam saído para visitar a avó dos meninos. Então, Esme e eu nos reunimos aqui para resolver essas questões que não eram da alçada de minhas filhas.

— Renée, não minta para mim. Conheço-te melhor do que isso. Diga-me o que a aflige? Confie em mim. Quem sabe eu não possa te ajudar.

Ela não desistiria assim tão fácil. Por isso, se aproximou e colocou a mão em meu ombro, o intuito era passar confiança.

Como se ela precisasse disso.

— Se está assim pelos acontecimentos de sexta. Eu peço que acalme seu coração, amiga. Eu prometo controlar aqueles dois.

Inspirei profundamente e me virei para olha-la nos olhos. Era impossível esconder alguma coisa de Esme.

— Você não pode me prometer isso aliás, você não pode me garantir isso.

— Renée, eu...

— Não, Esme. É verdade. Você não poderá fazer nada, se as coisas desandarem. Nem eu, nem ninguém poderemos fazer nada se esses casamentos resolverem dar errado.

— Então a solução é rezar. Rezar, para que nossos filhos sejam imensamente felizes.

Dei-lhe as costas de novo. Ela não entenderia, nunca. Ela não havia passado por aquilo. Carlisle a amava intensamente.

— Rósalie, estará sobre nossa proteção. Além do mais, tem a personalidade forte. Sabe se virar sozinha. Minha maior preocupação e, tenho certeza, a de Charlie também, são Alice e Isabella. Minhas mais novas, estarão longe de casa e sempre foram mais submissas. São delas os meus pensamentos de ultimamente.

— Entendo...

— Um casamento arranjado é uma “faca de dois gumes”. Pode dar certo, mas também pode dar muito errado. Se algum dia eu imaginar que minhas crianças não estão, ou não são felizes, eu nunca me perdoaria.

Passei as mãos pelo cabelo, frustrada e descontente por demonstrar minhas fraquezas.

Sobressaltei-me, quando a rainha me virou de volta para si e me estreitou em um abraço.

— Elas serão felizes! Por Deus, que serão. Eu estarei aqui por elas. Isso eu posso prometer.

Abracei-a de volta.

Ela e eu conhecíamos todas as dificuldades de um casamento arranjado, eu muito mais do que ela. Por isso, temia tanto essa situação.

A única diferença de minha vida antigamente, com a atual de minhas filhas, é que Rosie, Alice e Bella tinham pais, que as amavam, e as protegeriam em qualquer momento e a qualquer custo.

Ah, se eu tivesse isso na época da tempestade maior.

Segunda Feira- 4 dias para o casamento

Jasper

Olhei para os dois lados me certificando de que o corredor estava vazio.

Estava.

Caminhei a passos rápidos. Já era tarde, todos deviam estar dormindo. Mesmo assim tomei cuidado, eu não queria arriscar ser pego no flagra. Eu precisava pensar muito, antes de fazer qualquer coisa. Não podia dar mais motivos para que mamãe ou meu sogro destilassem sua ira sobre mim.

Desci um lance de escadas, passei por algumas portas, tentando fazer o mínimo de barulho. Parei de frente a uma porta e levantei a mão para bater, antes de concluir o ato, ousei olhar para a porta da esquerda. Uma vontade louca de ir até lá, quase me dominou. Contudo, a reprimi.

Alice era o meu alvo e ideal.

Bati de leve e esperei, torcendo para que ela fosse rápida.

— Jasper?

Não me decepcionei.

— O que faz aqui?

— Eu queria te ver. Te beijar. Senti tanto a sua falta esses dias.

Adulei e antes que ela pensasse demais, passei pela porta e a fechei atrás de mim.

Dei dois passos e a peguei nos braços.

Casar com Alice não seria um sacrifício assim tão grande. Ela era bonita, bem bonita na verdade. Cabelos lisos, sedosos, cheirosos e bem cuidados. Rostinho de fada, liso e delicado. Corpo, um tanto magro demais, mas, dava para o gasto.

Acho que das três, ela era a que mais se encaixava em meu perfil e creio que esse fora o maior problema, ela parecia demais comigo. Tudo que fazia parecia ser para me agradar. E isso me incomodava.

Eu queria uma mulher petulante, que me desafiasse, que gritasse comigo, que me dissesse umas verdades, que me batesse, quando desagradada.

Eu queria Isabella “impossível” Swan.

— Jasper, estamos ladeados por minhas irmãs e minha mãe está em frente. Eu não posso correr esse risco, por favor, saia daqui.

Ignorando seu ataque de mulherzinha, passei a mão por seu rosto e aproximei meus lábios dos seus.

— Eu vim só pra te desejar boa noite, todavia essas suas roupinhas indecentes me levam a loucura.

Para meu deleite, ela vestia um conjunto de short e blusa, muito curtos, de cetim e renda, vermelhos. Minha cor predileta nela.

Estava uma delícia de se ver.

— Jasper...

Calei-a com minha boca. Mordi, com um pouco de força exagerada, seu lábio inferior. Fiz com que minha língua fosse de encontro à dela e só pra deixar tudo melhor, passei a acariciar seu corpo com as mãos.

— Delícia, Alice. Você é uma delícia.

Devagar, empurrei-a até a cama, deitei-a e sem demora me joguei por cima.

— Eu quero você agora.

Essa não seria nossa primeira vez. Creio que Emmett e eu tenhamos suportado somente uma semana, sem termos nossas mulheres em nossas camas.

Apesar de me orgulhar disso, não julgo Edward, se eu fosse dono daquela “gostosinha” que ele chama de noiva, também esperaria o tempo que fosse necessário. Estava estampado naquela carinha de anjo, que ela era virgem.

— Humm...

Gemi só de imaginar.

— Jasper...

Droga! Era Alice ali. Esqueça Isabella, Jasper. Esqueça...

Minha consciência gritava. Eu estava com Alice nos braços.

Minha Alice...

Rapidamente e me concentrando, ao máximo, arranquei minhas roupas e as dela.

Fui forte e profundo, eu precisava que ela me distraísse e nublasse meus pensamentos nada certos e apropriados.

— Eu te amo, Alice. Eu te amo.

Tentei ser convincente.

Dessa vez eu seria melhor que das outras vezes. Eu tinha um propósito agora. Um propósito, que eu faria questão de que se concretizasse logo.

Porque quem sabe assim, eu poderia voltar rapidamente à ideia inicial de minha vida.

Isabella Swan.

Terça feira- 3 dias para o casamento

Rósalie

Fechei os olhos e esfreguei as têmporas com os dedos. Luzes de todas as cores rodopiavam em minha visão, graças ao tempo exagerado que eu estava sentada na frente daquele “bendito” computador.

— Rósalie, posso entrar?

Pega de surpresa, acenei afirmativamente.

Esme vinha com uma bandeja nas mãos.

— Eu trouxe um lanchinho. Achei que Bella é que fosse viciada em passar horas, trancafiada em um escritório.

— E ela é mesmo. Eu só preciso dar uma olhada nesse modelo. O dono do carro é um atorzinho em ascensão de Hollywood. Três vezes eu já desenhei esse modelo e quando mando para sua aprovação final, ele muda alguma coisa.

— Foi o que imaginei, trabalho. Você não devia estar aqui. Sua avó acabou de chegar e está reclamando que sua sucessora não foi recebê-la.

Sucessora... Vovó sabia mesmo amedrontar alguém quando queria.

— Eu imagino. Vovó sabe como criticar uma de minhas escolhas ou ausências.

Lembro com facilidade de quantas vezes ela brigou comigo por algo, sempre dizia que aquela não era atitude ou postura de uma futura rainha. E quem a culpa? Vovó sempre fez o melhor por seu povo. Acho que por isso a preferência dela a Bella como rainha. Minha irmã tinha um amor pelo próximo, inexplicável. E isso faria dela a mulher ideal para ocupar a coroa.

— Sabe, Rose, eu entendo você.

— Entende?

Esme pegou um copo de suco de melancia e me entregou.

— Entendo. Elizabeth não foi uma sogra fácil comigo. Hoje isso mudou, mas no passado ela evidenciava a todos que Carmem e Sumpícia seriam as rainhas perfeitas. Isso me incomodava. Todavia pelas circunstâncias da vida, mostrei a ela que eu poderia ser uma líder especial.

Peguei um biscoito e levei a boca. Sem nunca perder atenção do que ela falava.

— Não foram uma nem duas vezes que chorei a Carlisle por causa de minha sogra. O que foi um erro, porque ele nunca ficava do meu lado. A mãe dele, a rainha, sempre tinha razão. Não foram dias fáceis, mas olha como estamos hoje? É bem verdade que ela me suporta, porém, se derrete por meus filhos e faz qualquer coisa por eles. E isso já faz com que meu respeito por ela aumente. Amou meus filhos, automaticamente, eu amo de volta.

Voltei o copo para a bandeja e respirei fundo.

— Perdoe-me, por perguntar isso, Esme, mas, é que eu preciso da opinião de alguém que não seja minha mãe ou minha avó.

— Pode perguntar o que quiser, querida. Você ama meu filho, eu amo você.

Sorri para ela. Bella e Alice estariam bem cuidadas aqui.

— Você teve medo? Digo, de não ser uma boa rainha ou de falhar com as perspectivas que depositam em você?

— Tive medo?

Minha sogra deu a volta, colocou as mãos nos meus ombros, fez com que eu me levantasse e me encarou com profundidade.

— Eu tenho medo até hoje. Rose, o tempo nos dá experiência, contudo, dúvidas e inseguranças sempre nos acompanham. A cada evento de caridade, ou projeto que Carlisle pede minha opinião, eu me martirizo, pensando em como aquilo irá beneficiar meu povo. Querida, não existe uma fórmula mágica. Só confie em você e nos exemplos que te rodeiam e isso a tornará a melhor rainha que Forkian já teve.

Abaixei a cabeça tentando esconder minhas emoções.

— O povo ama a Bella, Esme. Eles nunca me aceitaram como rainha.

Delicadamente, ela levantou meu queixo para que eu voltasse a encara-la.

— Conquiste-os. Eles a amam, porque ela sabe do que eles precisam. Ela esteve lá, enquanto você e Alice estavam se preparando para governa-los. Mostre a eles que anos de ausências e estudo valeram a pena.

— E se eu não conseguir?

— Você conseguirá. Tenho certeza disso. Você se parece demais com sua mãe, Rose. Tem o sangue dos Swan e dos Dyers nas veias. Vocês nasceram prontas para governar. Cada uma a sua maneira. Não se preocupe com isso, querida. E além do mais...

Esme me abraçou com força e acariciou meus cabelos.

— Você nunca governará sozinha. Sua família, nós e principalmente Emmett estaremos a seu lado.

Minimamente, me afastei e levei meus lábios a seu rosto, beijando-a.

— Obrigada, minha rainha.

— Você não precisa agradecer, querida. É a mulher que meu filho ama. Minha filha amada, agora.

A filha amada, que faria tudo para ser uma rainha como ela e principalmente, que faria seu filho extremamente feliz.

Quarta Feira- 2 dias para o casamento

Alice

— Pai, posso falar com o senhor?

Charlie havia chegado há alguns minutos. Ele já havia nos abraçado e saudado e agora começava uma conversa séria com Carlisle sobre a diplomacia de sua última viagem.

Bella, como sempre, mantinha a cabeça do colo dele. Só que dessa vez Edward estava sentado no chão e as mãos dos dois se mantinham unidas numa carícia suave.

Eu lamentava ter que atrapalhar o momento, todavia, eu precisava falar com o rei, agora.

— Claro, filha. Deem-me licença, um minuto.

Já era noite e todos estavam reunidos na sala de TV, somente esperando que o jantar fosse servido.

Quando Charlie veio até mim, pude notar vários olhares em nós. A apreensão era palpável e eu sabia que todos temiam o que eu diria a meu pai.

— Você quer ir para o escritório de Carlisle ou prefere outro lugar?

— Pode ser no meu quarto? Acho que ficaria mais a vontade lá.

Sem exigências, ele deu de ombros e me segui. Subimos e logo nos acomodamos. Eu na cama e ele ao meu lado, me encarando com atenção..

— O que foi, Alie?

Alie... Eu amava quando ele me chamava assim, o que era raro acontecer. Comigo e Rósalie, Charlie era mais rei, do que pai.

— Eu... Eu preciso perguntar algumas coisas ao senhor, sobre o contrato. Isso é possível, ou ele é assunto somente do senhor e de meu sogro?

— Pode perguntar o que quiser, filha. Se houver algo que eu não possa responder, eu te direi.

A mão dele veio ao meu rosto, numa carícia delicada.

— O que está acontecendo, Alice? Diga para seu pai, querida.

Hesitei por alguns segundos, eu não queria que ele desconfiasse de nada. Bella e Rose não mereciam isso, a essa altura dos acontecimentos.

— Se abra para mim, filha. Eu sou seu pai, lembra?

Concordei com a cabeça. Suspirei e então desabafei.

— Pai, se... Se em algum momento desse casamento eu, ou uma de minhas irmãs, quisermos nos separar, isso afetará a vida das outras também?

Os olhos de rei dele avaliaram-me, de cima a baixo.

— Não, Alice. Depois de casadas as vidas de vocês passam a ser independentes. Somente até o casamento as decisões tem que ser em conjunto, depois não. Mas, não se preocupe com o futuro, filha. No começo é complicado, mas depois tudo se ajeita. O amor vem com o tempo e com a convivência.

— Como você e a mamãe?

Perguntei sarcástica.

Charlie se levantou assim que desferi as palavras. Me arrependi no mesmo instante.

— Não vá por esse caminho, Alice. Eu não te dei essa liberdade. E se você já terminou, eu vou voltar para a sala.

— Não, pai. Perdoe-me, foi sem querer.

Segurei sua mão e implorei. Charlie respirou fundo e voltou a se sentar.

— O que mais você quer saber?

A paciência já havia desaparecido.

— Pai, se eu me separar de Jasper o trono passa para Edward e Bella, ou Jasper continua sendo o herdeiro?

— O que você fazia naquela escola idiota e cara que paguei para você? É claro que o trono continua com Jasper. Ele se casa de novo e então terá outra rainha. Edward somente herda o trono se Jasper morrer. Onde você está querendo chegar com isso? Volto a perguntar, está acontecendo alguma coisa que eu não estou sabendo?

O momento, Charlie carinhoso com Alice, já havia acabado.

— Não, pai. Nada está acontecendo. Foram só umas dúvidas de véspera. Vai passar.

Charlie levou a mão ao bigode e segurou seus olhos nos meus.

— Você quer desistir, Alice? Logo você que parecia tão apaixonada? O que mudou? Aliás, não interessa. Diga-me que quer desistir e nós iremos para casa imediatamente.

Eu só precisava dizer a verdade a meu pai, que Jasper não me amava e que eu já não tinha mais certeza de nada. Contudo, a imagem dele tão carinhoso e amável, me vinha à mente. Será que ele merecia uma chance?

— Filha, eu amo você e sua felicidade é o que importa. Diga-me agora, que quer ir para casa e isso será feito.

— Pai, eu...

Estava pronta para dizer-lhe a verdade, quando Bella e Rose pararam a minha porta. Elas pareciam temerosas.

Olhei bem para elas, as palavras de papai me inundavam, “unidas até o casamento”.

Emmett era bom, amava Rosie e a faria feliz.

Edward era bom, amava Bella e a faria feliz.

Eu não seria justa se sacrificasse minhas irmãs por causa de minhas dúvidas. Jasper havia pedido desculpas, eu lhe daria mais uma chance. Eu conseguiria fazer isso. Não conseguiria?

— Alice?

Voltei a olhar para ele e forcei um sorriso.

— Não, pai. Eu amo Jasper. E quero me casar com ele.

Sem que ele se desse conta, me joguei em seus braços e o abracei. Eu amava a segurança que meu pai transmitia.

Do meu lugar predileto, ainda contemplei Bella e Rosie sorrindo e acenando para mim.

Eu faria isso por elas. E se em algum momento o arrependimento batesse, eu desistiria e voltaria para meu lar.

Porque, eu sabia que sempre teria um lugar para mim em Forkian.

Quinta Feira- 1 dia para o casamento

Emmett

Sem o menor cuidado, dei mais um safanão em meu irmão. Ele era teimoso, igual a uma mula. Eu estava sentado ao lado de sua cama há um tempão, tentando fazê-lo acordar.

— Ah! Pelo amor de Deus! Saia daqui, mano. São 5 horas da manhã, Emmett. Pessoas normais dormem nesse horário, sabia?

— Sabia. Pena que não somos normais. Agora se levante daí ou se prepare para ser jogado no chuveiro frio.

— Eu não vou me levantar e você não vai me tirar daqui. Volte para seu quarto, Emmett, ou então se prepare para enfrentar a ira de dona Esme, porque eu vou gritar.

Aquele “filho de uma mãe”, sabia jogar sujo, muito sujo.

Sentindo- me tentado pelo perigo, levantei-me e sem dó nem piedade, arranquei o edredom de cima dele.

Foi um sucesso!

— Porra, Emmett. Seu bastardo. “Filho de uma cadela”.

— Ei, não fale mal da minha mãe, que aliás, também é sua.

— Eu vou matar você, Emm.

Sei que devia prestar atenção nas ameaças dele, porém, fui distraído quando ele pulou no chão e me encarou.

A gargalhada veio de uma vez, não consegui me conter.

— Porra, Edward! Chega pra lá. Cara, você tá pelado e essa coisa aí tá apontando para cima. Sai pra lá, mano.

— Ah! Seu “panaca”.

Fugindo de minhas gargalhadas e coretos, ele se afastou e se refugiou no banheiro. Só pude me conter quando escutei o barulho da água do chuveiro caindo ao chão.

Eu havia conseguido, meu irmãozinho estava acordado agora.

Pronto para esperar, me sentei e passei a revirar algumas gavetas da escrivaninha o intuito era ficar o mais longe possível daquela cama infestada, sabe-se lá do quê.

Futriquei, “futriquei”, procurando algo para ler e me distrair. Foi inútil. Edward estava, literalmente, se “tornando um bundão”. Tudo que encontrei naquela bagunça, foram artigos e mais artigos de medicina e política, os primeiros todos de Bella, é óbvio.

— Dá para parar de mexer em minhas coisas? Isso já é abuso, Emmett. Não teste a minha paciência.

— Também nem tem nada de interessante aqui.

Rapidamente, guardei as coisas em seus devidos lugares e me virei para ele.

— Huum! Agora sim, você está apresentável. Pelo visto, nem a chegada da noivinha foi capaz de aplacar o seu fogo. Coitada dela na lua de mel.

Choramingando de desgosto, ele jogou a toalha, que estava em seu pescoço, em minha direção.

— Cale a boca, Emmett.

Edward estava ponto de me apertar o pescoço. Pena que eu não tinha medo dele.

O observei se sentar na “cama do mal”, ficando bem de frente para mim.

Jurei, naquele instante, que algum dia ainda o perguntaria quais eram as vantagens de se usar cueca- sunga e não cueca-boxer. Será que ele me acharia meio “boiola” se eu expressasse minhas dúvidas?

— Já que você está aqui e fez o favor de me acordar, pare de me secar, porque eu já sou comprometido, e vá direto ao assunto.

Mal- humorado como um cão.

— Sabe, Edward, eu acho que você deveria falar com a Bella. Cara, sexo ruim é dose, faz a gente ficar frustrado e mal- humorado e...

— Emmett, por favor, não...

Ele tentou desviar do assunto. Nem dei bola. Insisti.

— Mas, é verdade, irmão. É comprovado cientificamente que quando não nos satisfazemos direito o organismo...

— Por Deus, Emmett!

O ignorei, mais uma vez. Era missão de irmão mais velho, encaminhar os mais novos para o caminho da luz.

— Outro dia, irmão, eu estava vendo um documentário, que ensinava umas posições que fazem com que a gente veja estrelas. Rosie e eu até testamos algumas e posso garanti que...

— Ah! Droga, Emmett. Droga.

Pegando-me de surpresa, ele se levantou e passou a andar de um lado para o outro, arrancando os cabelos.

— Bella é virgem. Entendeu, Emm? Virgem. Não existe sexo ruim entre nós, porque ainda não fizemos sexo. Entendeu, ou quer que eu desenhe?

Em dois segundos, minha expressão passou de “irmão que dá conselhos fodões” a “irmão que sente compaixão”.

Agora eu entendia aquele comportamento demoníaco. Era falta.

— Cara, você tá na seca. É bem pior do que imaginei. Mas, irmão, eu não entendo, vocês têm se agarrado como dois coalas essa semana. Eu pensei que...

— Pensou errado.

Ele voltou a se sentar. Mais calmo. Porém, as mãos permaneciam no cabelo. Se continuasse assim, logo ele ficaria careca.

— Bella e eu só conseguimos um tempo de qualidade a sós nessa semana. Além do mais, ela é muito nova, irmão. E vamos ser sinceros, quem esperou três meses, pode muito bem esperar mais alguns dias. Será a primeira vez dela. Eu quero que já estejamos casados. Quero que seja especial, mágico como toda garota sonha.

Eu não tinha palavras. Estava boquiaberto.

— Irmão, você está enrolado. A “novinha” de Charlie te pegou de jeito. Não foi?

Concordando e sem poder esconder algo que estava na cara, ele sorriu feito um idiota apaixonado.

— Bella é especial, Emmett. Desenhada por Deus, exclusivamente para mim.

Eu sentiria falta desse lado babão de Edward, muita falta.

— Fico feliz, irmão. Muito feliz. Mas, Edward, você precisa se controlar. Cara, tem coisas que a gente faz no chuveiro, as escondidas e ajuda a aliviar as coisas reprimidas e...

— Mãe... O Emmett está me incomodando. Mãããee...

— O que você está fazendo? Cale-se.

— Mãe!!!

Pus-me de pé e corri para a porta. O idiota gritava, e era questão de segundos até que mamãe estivesse aqui e eu sabia que mesmo crescido, dona Esme ainda me daria uma bronca por estar atazanando- o.

— Ok, já entendi. Pode voltar pro seu sono de beleza, seu trouxa. Aliás eu somente passei aqui para te dizer que estou indo para minha aula com um”aluninha” única e gostosinha, que mamãe me arrumou...

— Mãe!!!!

Gargalhei da cara de raiva dele e corri para fora.

Edward me divertia. Ele era o meu irmão caçula amado. Meu amigo e companheiro de todos os momentos.

Eu sentiria falta dele, todos os dias.

Notas finais
Amo o Emmett e vocês? Até breve.